Criaturas Hediondas (1993)


No ano de 1953, Marte, também conhecido como Planeta Vermelho, estava sofrendo o mal da superpopulação, com escassez de alimentos e crescente número de violência. Não havia outra saída senão recrutar o terrível, o maquiavélico, o sanguinário e perverso Dr. Rottenberg, o principal cientista de Marte, para que desse início às terríveis experiências nos humanos, os transformando em criaturas hediondas, seres desmembrados, ou mortos vivos ambulantes, para que depois a frota do império marciano pudesse invadir nosso planeta. Dr. Rottenberg chega ao planeta Terra, também conhecido como Planeta Azul. E se apossando da imagem de um terrestre, dá início à maior chacina já ouvida falar em nosso planeta. Quem poderá salvar nosso planeta? Só as forças malignas.

Assim começa “Criaturas Hediondas” – uma produção independente em vídeo VHS lançada em novembro de 1993 pela equipe da “Canibal Produções” (Caixa Postal 67 – Palmitos/SC – CEP 89887-000), comandada por Petter Baiestorf, fanzineiro, poeta, videomaker, fã batalhador, personalidade já bem conhecida na cena underground dos fanzines, através de suas publicações “Arghhh”, “Necrofilia”, “Lixo B” e “Pus Diet”, todas com hqs e textos splatter; e de seus filmes em vídeo como as duas fitas de “Criaturas Hediondas” e “Açougueiros”. Em dezembro de 1994 eles lançaram a segunda parte da saga das criaturas hediondas, e que foi exibida pela primeira vez publicamente durante a “HorrorCon”, convenção que se realizou nos dias 7, 8 e 9 de abril de 1995 na Gibiteca Municipal Henfil, em São Paulo, e que contou com a presença de Petter Baiestorf.

Em “Criaturas Hediondas”, um cientista marciano, Dr. Rottenberg, vem ao planeta Terra para fazer experiências nos humanos através de sua fórmula de exterminar a dor e reviver os mortos, preparando o planeta para uma invasão em massa de Marte. Em seu caminho aparece Hannsmorgue, um marciano combatente do mal, enterrado na Terra há um século atrás e que foi revivido acidentalmente pela fórmula do Dr. Rottenberg.
Já em “Criaturas Hediondas 2”, passada um dia após a carnificina iniciada pelo cientista marciano, uma frota de espaçonaves de Marte é chamada para invadir a Terra, mas os planos do Dr. Rottenberg são atrapalhados por dois oficiais da NASA, o detetive Johnson e o Dr. Nagib, chamados para investigar o caso.

Ambos os filmes são bastante divertidos, com um clima constante de produção tipicamente “B”.
A trilha sonora escolhida, com músicas pesadas e agressivas, se encaixou muito bem nos filmes, com destaque para “Blood Pit of Horror” da banda “Impetigo”, na introdução do segundo filme, com um áudio de uma macabra tortura de uma mulher.
Os efeitos (ou defeitos?) especiais, a cargo de Leomar Waslawick e sua “Gore G. G. Efeitos”, são obviamente pobres, porém criativos – a planta carnívora no segundo filme é engraçada de tão ridícula e a tripa assassina rastejando no mato como uma cobra é hilariante.
Os atores são bem ruins, o que também já era esperado, com exceção de E. B. Toniolli (Dr. Rottenberg) em ambos os filmes e Alfredo DeBortoli (Hannsmorgue) no primeiro filme, que atuaram bem, principalmente Toniolli, que encarnou o maníaco cientista marciano sadicamente, com sua voz gutural e gargalhadas insanas.
Existem várias sequências muito divertidas e antológicas dentro do espírito trash de proposta dos filmes – quando o Dr. Rottenberg, de maneira simpática e amigável, tenta convencer um colecionador de fotos de cadáveres (Petter Baiestorf) a beber sua poção demoníaca; quando o cientista marciano e seu novo assistente disputam um tradicional “jogo da velha” na barriga de uma vítima (Marcos Braun), utilizando seu próprio sangue; a sequência de perseguição do cientista e seu assistente ao fotógrafo (Odair Massola), lembrando um verdadeiro pastelão no estilo “Os Três Patetas”; o duelo entre o Dr. Rottenberg e o marciano Hannsmorgue sob o sol do meio dia, ao som de uma clássica balada dos antigos westerns (todas do primeiro filme). Já em “Criaturas Hediondas 2”, temos outras cenas muito engraçadas e acima de tudo, trash, como quando o Dr. Rottenberg entra em contato com Marte solicitando a invasão da Terra, utilizando um interessante capacete de comunicação; a aterrissagem de um disco voador (ou seria uma calota voadora?) numa floresta, dando início à invasão de nosso planeta; a aparição de uma criatura da frota marciana (Ivan Pohl, de luvas verdes, lençol branco e capacete de motocicleta!!); e a chegada do detetive Johnson (Leomar Waslawick) e o Dr. Nagib (Loures Jahnke) numa perua Rural (fazia tempo que eu não via uma) escrito NASA na porta, para investigarem o Dr. Rottenberg.
A introdução narrada no primeiro filme, no estilo “A Guerra dos Mundos”, com uma foto de Marte ao fundo, e a sequência inicial filmada à noite numa marcenaria, onde o Dr. Rottenberg faz suas experiências com vítimas humanas, aplicando seu soro que extermina a dor e devolve a vida, são as melhores cenas de toda a saga. Os efeitos com a cabeça decepada do menino (Ronald Kojoroski) e a aparição do cientista com sua silhueta refletindo contra a luz em meio a uma gargalhada insana e demoníaca são excelentes.
Porém, outras sequências poderiam ficar de fora, como a presença entediante do coveiro Astrogildo (Odair Massola); os gritinhos histéricos do Gordinho (Renato Kerber); e a figura patética do general (George Hippler), todas do segundo filme. E o caçador (Leomar Waslawick) no primeiro filme poderia utilizar uma arma bem mais convincente. Mas como diria o detetive Johnson, “acidentes acontecem...”.
De negativo também, nota-se a falta de filmagens à noite, que sempre dão um clima sombrio e perturbador, e a não participação de mulheres (nuas, de preferência!) que devem ser sempre parte integrante de qualquer filme de horror.
No mais, parabéns ao Baiestorf e toda a sua equipe da “Canibal Produções” pela realização desses dois filmes divertidos do horror independente nacional.

Dr. Rottenberg, o terrível marciano torturador vindo de Marte, massacrou mais da metade do planeta Terra, em sua sede insaciável de sangue e mortes. Nada parece detê-lo!
Agora mostraremos em iniciativa inédita, sem cortes nem censura, o que realmente aconteceu no dia seguinte à chacina, quando o Dr. Rottenberg retomou seu plano maquiavélico para dominar o mundo!
Crianças e senhoras grávidas, não recomendamos que assistam aos macabros acontecimentos que mostraremos a partir de agora. Pessoas com problemas cardíacos também deverão deixar a sala de exibição...” – introdução de “Criaturas Hediondas 2”

“Criaturas Hediondas” (1993).
site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 19/01/06)