Rambo: Programado Para Matar (1982)


Os primeiros trabalhos do popular ator Sylvester Stallone são os melhores de sua filmografia, através de “Rambo: Programado Para Matar” (First Blood, 1982), um drama com elementos de aventura mostrando os problemas enfrentados por um ex-combatente da Guerra no Vietnã em seu retorno à sociedade americana, e de “Rocky, o Lutador” (1976), sobre a carreira em ascensão de um lutador de boxe. Apesar que também existem outros bons e divertidos filmes de Stallone que foram produzidos posteriormente.
Em “Rambo: Programado Para Matar”, dirigido por Ted Kotcheff e com roteiro co-escrito pelo próprio Stallone baseado em livro de David Morrell, um soldado veterano da Guerra do Vietnã, John Rambo (Stallone), transformou-se num andarilho em seu retorno aos Estados Unidos, numa difícil adaptação à sociedade devido aos preconceitos impostos aos ex-combatentes daquela trágica guerra.
Na tentativa de visitar um amigo e ex-companheiro no campo de batalha, ele é informado que o mesmo morreu de câncer contraído na guerra, sobrando agora apenas ele da equipe de elite que serviu junto no Vietnã. Andando sem rumo definido, Rambo chega a uma pequena cidade onde é mal recebido pelo xerife local, Will Teasle (Brian Dennehy), que o prende por vadiagem e porte de arma (uma enorme faca multifuncional, própria para sobrevivência na selva). Na prisão, ele é maltratado e consegue fugir refugiando-se nas montanhas que circundam a cidade.
A partir daí, começa uma perseguição que envolve além da polícia local também a Guarda Nacional, numa enorme sucessão de fugas espetaculares e confrontos violentos entre o soldado Rambo e seus perseguidores, até culminar numa sequência de grande destruição na cidade, e com a intervenção do Coronel Samuel Trautman (Richard Crenna), enviado pelo exército para tentar solucionar o incidente, sendo que ele foi o comandante de Rambo na Guerra do Vietnã.
O filme é uma grande e movimentada aventura, com muitos momentos de tensão que incitam o público a torcer pelo personagem de Stallone, em sua justificada vingança contra aqueles que o provocaram, confirmando o título original “First Blood”, ou seja, aqueles que iniciaram a confusão derramando o “Primeiro Sangue”, notavelmente o xerife Teasle e seu ajudante arrogante Arthur Gault (Jack Starrett).

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers)

Um destaque é a sequência inverossímil porém divertida, onde Rambo está cercado pela polícia no alto de um penhasco e é ameaçado mortalmente por Gault num helicóptero, forçando o soldado a saltar de um precipício vindo a cair por sobre as árvores e apenas se ferir num dos braços. Aliás, outra cena forte é quando Rambo costura seu braço ferido na queda tentando estancar o sangue e fechando o extenso corte.
Curiosamente, houve até uma pequena cena de humor, quando Rambo foge dos policiais pela floresta e salta num caminhão do exército carregado de armamento pesado e ao entrar na cabine do veículo militar pede ao motorista para não desviar o olhar do caminho à frente, pois “é assim que acidentes acontecem”.
A trilha sonora a cargo de Jerry Goldsmith é excelente e carregada de um forte sentimentalismo, principalmente quando associada à belíssima fotografia de paisagens de montanhas e florestas, como visto por exemplo no início do filme, no momento em que Rambo caminha em direção a um belo lago à procura da casa do ex-parceiro da guerra.
O final do filme também procura passar uma mensagem através de uma crítica à sociedade americana, no desabafo emocionado de Rambo falando do preconceito enfrentado pelos ex-combatentes do Vietnã, apesar de um pouco exagerado quando o forte soldado se desmancha em lágrimas em seu discurso.
“Rambo: Programado Para Matar” teve mais duas sequências muito inferiores, “Rambo 2: A Missão” (Rambo: First Blood Part II, 1985) e “Rambo 3” (Rambo III, 1988), ambas com Stallone voltando ao seu papel do soldado Rambo e também com a companhia de Richard Crenna como o Coronel Trautman, em histórias repletas de ação, correrias, violências, tiroteios, porém num desfile sucessivo de clichês e situações óbvias, acrescentando muito pouco para a franquia. Em “Rambo 2” ele retorna ao Vietnã para tentar localizar prisioneiros de guerra, e na terceira parte Rambo tenta resgatar o Cel. Trautman que estava preso pelos soviéticos na ocupação do Afeganistão.
Enfim, “Rambo: Programado Para Matar” (o subtítulo é desnecessário) traz grandes momentos de diversão sendo um precursor de uma infinidade de filmes similares que vieram em seu rastro, a maioria bem inferior, e Stallone foi também um inspirador para diversos outros atores “brucutus” que surgiram depois. O filme exerce um fascínio diferente principalmente quando visto muitos anos depois num sentimento de nostalgia, destacando-se como um dos mais importantes da carreira de sucesso de Stallone.

“Rambo: Programado Para Matar” (First Blood, 1982) – avaliação: 8 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 12/01/06)