Na Próxima Lua Cheia (livro de André Bozzetto Jr.)


Assim como podemos considerar que o especialista em vampirismo Adriano Siqueira se transformou numa espécie de “embaixador” desse sub-gênero do Horror no Brasil, eu afirmo que o escritor André Bozzetto Junior é o “embaixador” dos lobisomens em nosso país, ele que tem fortalecido progressivamente sua especialidade com grande conhecimento e alta produção de trabalhos com abordagens de assuntos ligados à licantropia, seja na literatura (é o editor do blog específico no tema “Escrituras da Lua Cheia”), ou cinema (como cineasta independente, lançou o interessante curta metragem “Lua Perversa”).
O primeiro livro do autor é “Odisséia nas Sombras”, lançado em 1998, e mais recentemente ele participou com um conto na antologia “Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens”, organizada por Ademir Pascale, e produziu o segundo livro solo, “Na Próxima Lua Cheia”, lançado em 2010 pela parceria entre a “Editora Literata” e o selo “Estronho”, de M. D. Amado.
Um livro pode ser considerado interessante e recomendável principalmente quando a história prende a atenção do leitor o tempo todo, com uma narrativa eficiente que instiga a curiosidade para descobrir todos os próximos eventos até culminar com o desfecho ansiosamente esperado. “Na Próxima Lua Cheia” tem tudo que necessitamos para passar bons momentos de diversão com a leitura: uma história bem escrita, de maneira simples e objetiva, com personagens que permitam criar algum tipo de empatia com o leitor (e outros que estão na história apenas para servir de alimento às feras), recheada de fortes elementos de horror sangrento, e com uma conclusão longe do trivial, permitindo também um gancho para sequência. Não faltam cenas de tensão, perseguições no mato, e ataques violentos de lobisomens destroçando suas vítimas, com direito a muito sangue, miolos, tripas e ossos despedaçados para todos os lados.
Destaco como pontos altos no livro sua belíssima capa e as várias ilustrações internas de autoria de Andrei Bressan, num ótimo trabalho que ajuda ainda mais a chamar a atenção do leitor, além da opção acertada do autor em retratar os lobisomens como criaturas predadoras extremamente violentas, que utilizam a ferocidade e ódio primitivos para matar de forma dolorosa, tentando resgatar características que alguns filmes modernos abandonaram ao retratar seus vampiros e lobisomens como criaturas patéticas.
Outro detalhe curioso e que vale registrar: assim como o cineasta independente Petter Baiestorf tem conseguido através de seus filmes, divulgar a existência de sua pequena cidade natal Palmitos (SC), a qual muitos passaram a conhecer somente depois de terem contato com o criador da “Canibal Produções”, o escritor André Bozzetto Jr. (que atualmente mora em Pinhalzinho/SC), com as devidas proporções, também está ajudando bastante a divulgar sua cidade natal Ilópolis/RS, que muitos, como eu, passaram a saber da existência somente após conhecer os contos, livros, artigos de cinema e filmes do autor de “Na Próxima Lua Cheia”.

NA PRÓXIMA LUA CHEIA
Autor: André Bozzetto Junior (bozzettojunior@yahoo.com.br)
Editora: “Literata”, em parceria com o selo “Estronho”
Páginas: 120
ISBN: 978-85-63586-07-0
Prefácio: M. D. Amado
Apresentação: Ademir Pascale
Texto introdutório: Adriano Siqueira
Blog: http://www.escriturasdaluacheia.blogspot.com

“Na Próxima Lua Cheia” (André Bozzetto Jr.) # 559 – data: 03/11/10
www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 04/11/10)

Lake Mungo (Austrália, 2008)


Lake Mungo” é mais um falso documentário, dessa vez vindo da Austrália, aumentando as estatísticas de produções recentes que adotaram esse estilo, como “Cloverfield”, “Rec”, “Atividade Paranormal”, “O Último Exorcismo” e outros.
A história é centralizada no mistério que envolve a morte por afogamento da adolescente Alice Palmer (Talia Zucker) num imenso lago. Sua família é formada pelo pai Russell (David Pledger), a mãe June (Rosie Treynor) e o irmão Mathew (Martin Sharpe). Eles ficam obviamente abalados com a tragédia, porém os problemas aumentam quando surgem estranhas evidências do paradeiro da moça em fotos e filmagens, levando-os a investigar o caso e procurar a ajuda de um veterano médium, Ray Kemeny (Steve Jodrell).
Ao contrário dos outros falsos documentários, “Lake Mungo” é um filme até esforçado em tentar envolver o espectador no mistério da jovem morta, mas esbarra em inúmeros momentos tediosos que dificultam nosso interesse na história. Alice Palmer é realmente cheia de segredos e o roteiro investe em várias reviravoltas e revelações, mas é frustrante constatar que o elo de ligação com o sobrenatural e consequentemente o horror é frágil demais, quase inexistente, aliado com um final insignificante.

“Lake Mungo” (Austrália, 2008) # 558 – data: 02/10/10
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O Último Exorcismo (The Last Exorcism, EUA / França, 2010)


No dia 24/09/10 entrou em cartaz nos cinemas brasileiros “O Último Exorcismo” (The Last Exorcism), um filme situado no subgênero do Horror sobre “possessão demoníaca”, dirigido por Daniel Stamm e com produção de Eli Roth (cineasta conhecido pelos sangrentos “O Albergue” e “Cabana do Inferno”).
O pastor Cotton Marcus (Patrick Fabian) ganha a vida realizando rituais fraudulentos de exorcismo, onde supostamente expulsaria demônios dos corpos de pessoas facilmente manipuladas, utilizando-se de truques e discursos religiosos exagerados. Depois de saber sobre o caso de uma criança morta num desses rituais fantasiosos, ele decide revelar os segredos de seu ofício e permite que uma equipe de filmagem registre um documentário sobre suas ações. O grupo vai para uma fazenda no interior dos Estados Unidos, atendendo o chamado de Louis Sweetzer (Louis Herthum), um pai angustiado que acredita que sua filha Nell (Ashley Bell) seja a responsável pelo assassinato brutal de vários animais estando possuída por um demônio. Utilizando seus métodos tradicionais, o reverendo inicia mais um ritual de exorcismo, porém não imaginava o que teria realmente que enfrentar.
(Atenção – spoilers). O filme é um eficiente falso documentário sobre a rotina de um pastor em crise de fé, que quer revelar os bastidores dos rituais de exorcismo. Sem cenas de violência extrema, sangue em profusão, blasfêmias vociferadas ou vômitos nojentos, o que vemos é um suspense psicológico bem elaborado que convida o público a participar da história como espectador do documentário, explorando um tema sempre instigante, a possessão demoníaca. Entre os pontos fortes do roteiro, vale evidenciar a crítica ao fanatismo religioso, as cenas da garota possuída (principalmente os contorcionismos), um momento tenso e sangrento envolvendo um gato, o sentimento sinistro ao se deparar com as ilustrações cabalísticas rabiscadas nas paredes da casa, e o final pessimista e depressivo, utilizando-se de elementos de outros filmes como “O Bebê de Rosemary” e “A Bruxa de Blair”, fugindo daqueles desfechos convencionais e sempre esperados pelo público comum.

“O Último Exorcismo” (The Last Exorcism, EUA / França, 2010) # 557 – data: 02/10/10
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Akai (curta-metragem, Brasil/SP, 2006)


Akai” é um curta-metragem de vampirismo de 21 minutos, dirigido, escrito e produzido por Carlos G. Gananian, que tem em seu currículo outros trabalhos igualmente ótimos como “Behemoth” (2003, 6 minutos) e “Coagula” (2005, 3 minutos).
Foi lançado em DVD numa edição caprichada com belíssimas ilustrações na capa e contra capa reproduzindo cenas do filme, enfatizando o vermelho do sangue, e que traz o seguinte texto de divulgação: “Sangue tinge os corredores de uma casa. Um homem sofre de estranhas alucinações. Sozinho e debilitado, suas memória são imagens fragmentadas de um passado recorrente. A dor da culpa e o remorso assombram sua existência cada vez mais distorcida. A sede é quase insuportável. No mar encontra-se a redenção. Akai, um curta-metragem de Carlos G. Gananian, produzido em parceria pela Geral Filmes e Timore Cinema”.
O filme praticamente não tem falas, com uma narrativa lenta e atmosférica, se sustentando em imagens sombrias de uma casa sinistra e nas expressões faciais que representam o sofrimento de um vampiro (interpretado pelo ator Gustavo Arantes), em constante conflito interno entre a necessidade de se alimentar de sangue humano e o tormento pela culpa de sua existência. Os destaques são todas as cenas onde o vampiro seduz e ataca suas vítimas (todas interpretadas por Roberta Youssef), acompanhantes e garotas de programa recrutadas em anúncios de jornal, sempre de forma discreta, sem alardes ou ações exageradas, num exercício de horror sutil e poético. A produção também é caprichada, num ótimo trabalho de sonoplastia, iluminação e edição.
Já fomos presenteados com um ritual demoníaco (“Behemoth”), as ações de um psicopata mascarado (“Coagula”), e o tormento de um vampiro (“Akai”). E agora, qual será o próximo projeto do diretor?

“Akai” (Brasil, 2006) # 556 – data: 27/09/10
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A Vingança de Um Pistoleiro (Ride in the Whirlwind, EUA, 1965)



A Vingança de Um Pistoleiro” (Ride in the Whirlwind, 1965) é um excelente western dos anos 60, dirigido por Monte Hellman (outro nome lançado por Roger Corman), com roteiro de Jack Nicholson e estrelado por ele (bem jovem) e Cameron Mitchell (rosto bastante conhecido no gênero).
Três amigos, Vern (Mitchell), Wes (Nicholson) e Ottis (Tom Filer), são confundidos com assaltantes de uma diligência, e passam a ser perseguidos por um grupo de justiceiros que quer enforcá-los.
O filme foi lançado em DVD no Brasil e o nome nacional “A Vingança de Um Pistoleiro” foi mal escolhido, uma vez induz o espectador para uma idéia errada de vingança sangrenta dos protagonistas, quando na verdade eles tentam apenas fugir e lutar por suas vidas, já que não conseguiriam provar sua inocência. A sinopse que está no DVD lançado pela “Wonder” (Coleção “Gold Western”) está errada, justamente enfatizando a equivocada idéia de vingança dos personagens de Mitchell e Nicholson, após a morte do amigo que completa o grupo.
Monte Hellman dirigiu outras pérolas como “A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From the Haunted Cave, 1959) e ajudou na direção de “Sombras do Terror” (The Terror, 1963), com Boris Karloff e também Jack Nicholson.

“A Vingança de Um Pistoleiro” (Ride in the Whirlwind,, EUA, 1965) # 555 – data: 26/09/10
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Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness, EUA, 1992)



Uma Noite Alucinante 3” (Army of Darkness, 1992) completa a trilogia do diretor Sam Raimi, após o sangrento e indispensável “The Evil Dead” (1982) e a refilmagem com humor negro “Evil Dead II” (1987). Novamente dessa vez, Raimi (agora famoso pelos filmes milionários da franquia “Homem-Aranha”) optou por um filme carregado de humor e situações bizarras, muitas vezes pendendo para um verdadeiro “pastelão”.
Dando continuidade ao final do segundo filme, Ash (Bruce Campbell) retorna para o passado, numa época medieval, e se vê obrigado a encontrar o livro maldito “Necronomicon” para tentar retornar ao seu mundo e livrar os aldeões locais da ameaça de demônios e um exército da escuridão, formado por esqueletos de soldados mortos em batalhas.
O filme tem bons efeitos especiais e interessantes cenas em “stop motion”, mas abandonou o horror no primeiro filme da série. Agora temos apenas lutas e piadas para todos os lados.
(Atenção - Spoilers). Curiosamente, existem dois finais: o oficial mostra Ash retornando ao seu tempo e enfrentando um demônio no supermercado em que trabalha, e o alternativo (e muito mais interessante e pessimista), mostra Ash cometendo uma gafe no procedimento mágico descrito no “Necronomicon” e retornando além da época correta, encontrando um mundo morto pós-apocalíptico.

“Uma Noite Alucinante 3” (Army of Darkness, EUA, 1992) # 554 – data: 26/09/10
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As Noivas do Vampiro (The Brides of Dracula, Inglaterra, 1960)


Transilvânia, terra de florestas escuras, montanhas secas e imensos lagos escuros. Ainda o lar de feitiçaria e da bruxaria como o século 19 a descortinou. Conde Drácula, monarca de todos os vampiros, está morto, mas seus discípulos vivem, para espalhar seu culto e corromper o mundo”.

As Noivas do Vampiro” (The Brides of Dracula, 1960), lançado em DVD no Brasil pela “NBO”, é o segundo filme da série de Drácula do cultuado estúdio inglês “Hammer”, precedido pelo clássico “O Vampiro da Noite” (Horror of Dracula, 1958), com Christopher Lee no papel do vampiro e Peter Cushing como seu incansável oponente Dr. Van Helsing. Depois vieram “Drácula: O Príncipe das Trevas” (1966), “Drácula, O Perfil do Diabo” (1968), “Sangue de Drácula” (1970), “O Conde Drácula” (1970), “Drácula no Mundo da Mini Saia” (1972) e “Os Ritos Satânicos de Drácula” (1973).
Com direção de Terence Fisher, o principal cineasta da “Hammer”, e a presença sempre carismática de Peter Cushing, “As Noivas do Vampiro” apresenta o ator inglês David Peel no papel do vampiro descendente do Conde Drácula, ao contrário de todos os outros filmes da série, estrelados pelo ícone Christopher Lee.
Uma jovem professora de francês, Marianne Danielle (Yvonne Monlaur), chega a um pequeno vilarejo com o objetivo de lecionar numa escola para moças localizada próxima ao Castelo da baronesa Meinster (Martita Hunter). Ela passa uma noite no castelo luxuoso e conhece o jovem e misterioso filho da baronesa (David Peel), que é mantido acorrentado em aposentos isolados, recebendo apenas os cuidados da serviçal Greta (Freda Jackson). Seduzida pelo jovem, Marianne consegue encontrar a chave que o liberta das correntes, e novas mortes surgem nas proximidades do vilarejo, com moças encontradas sem sangue e com duas marcas no pescoço. Para combater o vampiro, um padre local chama o Dr. Van Helsing (Cushing), que chega para tentar salvar a jovem professora e interromper as ações do sugador de sangue.
O filme tem todas as características que marcaram eternamente as produções da “Hammer”, com um pequeno vilarejo atormentado pela ameaça de um vampiro, aldeões amedrontados, florestas fantasmagóricas envoltas em névoas sinistras, e um castelo imponente no alto de uma montanha. Foi o único papel de David Peel como um vampiro, aliás, sua carreira foi curta e deixou de atuar pouco tempo depois desse trabalho. Peter Cushing ainda estava no início do grande legado que deixou na “Hammer”, mas sua presença obviamente foi o grande diferencial para não tornar “As Noivas do Vampiro” apenas mais um filme convencional. Pois o roteiro escrito por várias pessoas (Peter Bryan, Edward Percy, Anthony Hinds e Jimmy Sangster), não conseguiu fugir de uma história trivial centrada no combate entre o vampiro e seu algoz, com uma bela moça indefesa entre eles. Apesar disso, e pela presença de Cushing e da atmosfera característica da “Hammer”, o filme é indispensável no acervo dos fãs e colecionadores.

“As Noivas do Vampiro” (The Brides of Dracula, Inglaterra, 1960) # 553 – data: 05/06/10
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A Aldeia dos Amaldiçoados (Village of the Damned, Inglaterra, 1960)


No cinema de Ficção Científica, um dos sub-gêneros mais interessantes é o de invasões alienígenas, com uma infinidade de filmes significativos. De 1960 temos “A Aldeia dos Amaldiçoados” (Village of the Damned), dirigido pelo alemão Wolf Rilla (1920 / 2005), estrelado pelo ator russo George Sanders (1906 / 1972), e com roteiro baseado na história “The Midwich Cuckoos”, de John Wyndham.
Uma pequena aldeia chamada Midwich, no interior da Inglaterra, repentinamente ficou isolada do mundo por algumas horas, com todos seus habitantes, incluindo os animais, desmaiados de forma misteriosa, despertando a atenção do exército, que isolou a área e tratou o assunto como segredo militar. Em plena época da guerra fria, e temendo ser um ataque de armas químicas, a idéia era evitar pânico na população, escondendo da opinião pública o mistério ocorrido em Midwich, numa típica conspiração militar. Depois de algum tempo, tudo volta lentamente ao normal e descobre-se que várias mulheres da aldeia ficaram grávidas simultaneamente, gerando grande confusão. As crianças que nasceram eram loiras e muito parecidas entre si, além de demonstrarem inteligência muito acima do normal. Elas formam um grupo liderado por David (Martin Stephens), filho do cientista Gordon Zellaby (George Sanders) e de sua esposa Anthea (Barbara Shelley), que é irmã de um importante militar do exército inglês, Alan Bernard (Michael Gwynn). A partir daí, com o objetivo de se protegerem e conseguir se infiltrarem na humanidade, o grupo de estranhas crianças, que utilizam o poder da mente para manipular as pessoas, causa mortes no vilarejo e desperta a fúria dos aldeões, tendo ao seu favor apenas a interferência do Prof. Gordon que quer estudá-los, colocando em risco sua própria vida.
Com fotografia em preto e branco e duração curta com apenas 77 minutos, “A Aldeia dos Amaldiçoados” é um clássico da Ficção Científica com o tema de invasão alienígena, com seu grupo de crianças malignas e seus olhares penetrantes e manipuladores da mente, ficando eternizado na lembrança dos apreciadores do estilo. O filme tornou-se um dos grandes representantes das histórias com crianças vilãs. Teve uma continuação em 1964, “A Estirpe dos Malditos” (Children of the Damned) e uma refilmagem em 1995, “A Cidade dos Amaldiçoados”, dirigida por John Carpenter e com Christopher Reeves (o super homem que ficou paraplégico) e Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker de “Star Wars”). O ator mirim Martin Stephens, nascido em 1948 na Inglaterra, ficou reconhecido por seus papéis de criança misteriosa, pois ele também esteve no clássico de horror “Os Inocentes” (1961). Curiosamente, abandonou a carreira cedo, sendo seu último trabalho em 1966, no filme “Bruxa, a Face do Demônio” (The Witches / The Devil´s Own), produção da “Hammer” com Joan Fontaine.

“A Aldeia dos Amaldiçoados” (Village of the Damned, Inglaterra, 1960) # 552 – data: 05/04/10
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Guerra Entre Planetas (This Island Earth, EUA, 1955)



A década de 1950 está eternamente marcada na lembrança dos fãs do cinema fantástico, graças aos incontáveis filmes preciosos produzidos nesse período como “O Monstro do Ártico” e “O Dia Em Que a Terra Parou” (ambos de 51), “A Guerra dos Mundos” (53), “O Mundo em Perigo” (54), “Vampiros de Almas” e “O Planeta Proibido” (ambos de 56), “O Incrível Homem Que Encolheu” (57), “A Mosca da Cabeça Branca” (58), entre tantos outros. E de 1955 vem também outro clássico memorável: “Guerra Entre Planetas” (This Island Earth), dirigido por Joseph M. Newman e com Jeff Morrow, Rex Reason e Faith Domergue.
Os alienígenas do planeta Metaluna estão enfrentando uma terrível guerra contra o planeta Zagon, que está bombardeando o inimigo com potentes meteoros, destruindo gradativamente seu campo de força. Em busca de novas opções de energia nuclear para tentar salvar seu mundo da destruição, os humanóides de Metaluna montaram uma base secreta na Terra, convocando os principais cientistas de vários países para ajudá-los nas pesquisas de energias alternativas. O líder alienígena é Exeter (Jeff Morrow), que tenta manter ao seu lado as habilidades e conhecimentos de um casal americano de cientistas, Dr. Cal Meacham (Rex Reason) e Dra. Ruth Adams (Faith Domergue). Mas, por falta de tempo disponível para o desenvolvimento de um trabalho que poderia ser a salvação, eles são levados até Metaluna por ordem do monitor supremo do planeta (Douglas Spencer), chegando durante o ápice do conflito, sob um maciço bombardeio de Zagon. Não restando o que fazer para evitar a extinção de Metaluna, os cientistas humanos tentam fugir do caos e retornar para a Terra, onde no caminho, além das explosões de um campo de batalha, eles têm que enfrentar também um monstro mutante.
O roteiro de “Guerra Entre Planetas” se utiliza da tensão da guerra fria dos anos 50, abordando o tema da exploração da energia nuclear, nesse caso também voltada para um conflito bélico. Seus realizadores, numa jogada de marketing, evidenciaram num dos cartazes promocionais do filme, o relevante fato da produção ter levado dois anos e meio para a concepção final dos impressionantes efeitos especiais das cenas de guerra entre Metaluna e Zagon. E realmente, a opinião dos fãs e críticos é unânime em enfatizar a qualidade dos efeitos, principalmente pela distante época em que foram produzidos, sem a facilidade de toda essa tecnologia de computação gráfica do século XXI. Além disso, o filme também é muito lembrado por apresentar uma terrível criatura mutante, que mesmo em aparições rápidas, tornou-se um dos mais significativos monstros do espaço da história do cinema de ficção científica.

“Guerra Entre Planetas” (This Island Earth, EUA, 1955) # 551 – data: 27/03/10
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A Casa de Usher (House of Usher, EUA, 1960)



Quando temos reunidos num mesmo filme o astro Vincent Price, o diretor e produtor Roger Corman, o roteirista Richard Matheson e o escritor Edgar Allan Poe, um verdadeiro “Quarteto Fantástico” do Horror, o resultado é o divertido clássico “A Casa de Usher” (House of Usher, 1960), também conhecido no Brasil como “O Solar Maldito”.
Produzido pela nostálgica “American International”, de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, o filme é o primeiro do famoso ciclo de adaptações que Roger Corman fez de histórias de Edgar Allan Poe, e nesse caso explorando o conto “A Queda da Casa de Usher” (The Fall of House of Usher), publicado em 1839.
O jovem Philip Winthrop (Mark Damon) é apaixonado por Madeline Usher (Myrna Fahey), que conheceu em Boston e que está agora morando na lúgubre mansão da família, numa região inóspita, com o misterioso irmão Roderick (Vincent Price). Ele chega após longa viagem até o antigo casarão à procura de sua amada, com a intenção de levá-la para se casar, mas é mal recebido por Roderick, que insiste para que o rapaz vá embora, alegando que sua irmã e ele próprio sofrem de uma terrível maldição familiar que os levará à morte em breve. A família Usher é conhecida por uma história de selvagens degradações, e a mansão onde eles vivem, sempre envolta numa névoa sinistra, rodeada de um lago profundo de águas fétidas e cercada de árvores mortas e fantasmagóricas, possui uma essência maligna que influencia seus moradores. A casa tem enormes rachaduras nas paredes seculares e está em contante tremor como se ruísse a qualquer momento. Porém, o jovem Winthrop não se convence que Madeline esteja doente, não dá credibilidade às palavras de Roderick e insiste em levá-la da casa, criando um grande conflito na já amaldiçoada família Usher.
“A Casa de Usher” é um dos melhores filmes de horror da cultuada carreira do rei do cinema “B” Roger Corman, na grande parceria que fez com o lendário ator Vincent Price, explorando um clima constante de profunda melancolia de uma família amaldiçoada por um passado de crimes. Roderick sofre com uma acentuada sensibilidade dos sentidos, onde a existência de quaisquer ruídos podem se transformar em tormentos para seu cérebro. Já a bela Madeline, aparentemente saudável, enfrenta problemas graves com catalepsia, um tema recorrente na literatura sombria de Poe, que era obcecado pelo horror agonizante de alguém sendo enterrado vivo. O destaque do pequeno elenco, que ainda conta com um inevitável mordomo, Bristol (Harry Ellerbe), não poderia deixar de ser o ícone Vincent Price (falecido em 1993), que como sempre, esbanja talento ao interpretar um personagem simultaneamente aristocrático e terrivelmente sinistro. Um dos destaques certamente é a sequência do pesadelo do jovem Philip Winthrop, toda filmada numa atmosfera onírica macabra memorável.
A série de filmes de Roger Corman da década de 1960 com histórias baseadas na obra macabra de Edgar Allan Poe, é formada ainda por “A Mansão do Terror” (1961), inspirado em “O Poço e o Pêndulo”; “Obsessão Macabra” (1962), do conto “Enterrado Vivo” e com elenco liderado pelo brilhante Ray Milland; “Muralhas do Pavor” (1962), antologia dos contos “Morella”, “O Gato Preto” e “O Caso do Sr. Valdemar”; “O Corvo” (1963); “O Castelo Assombrado” (1963); “A Orgia da Morte” (1964), do conto “A Máscara da Morte Rubra”; e “O Túmulo Sinistro” (1964), baseado na história “Ligeia”, sendo a maioria estrelada por Vincent Price.
“A Casa de Usher” foi lançado em DVD em 03/11/13 pela Coleção Folha “Grandes Livros no Cinema” número 13, junto com um livro de capa dura e leitura rápida em 64 páginas, trazendo diversas informações, curiosidades e análises críticas do filme e do conto de Poe. Como material extra do DVD, temos a versão francesa muda em preto e branco de 1928, originalmente intitulada “La chute de la maison Usher”, dirigida por Jean Epstein.
A Casa de Usher” (House of Usher, EUA, 1960) # 550 – data: 21/03/10
(postado em 21/03/10)

O Túmulo do Vampiro (Grave of the Vampire, EUA, 1974)


Alguns filmes ficam marcados na memória para sempre, e não necessariamente por suas qualidades impecáveis, mas sim por determinadas cenas que consideramos marcantes. “O Túmulo do Vampiro” (Grave of the Vampire, EUA, 1974), é apenas mais um filme mediano de vampirismo, mas também é um daqueles que possui momentos que estão eternamente guardados na minha lembrança, sendo um filme que assistia frequentemente entre o final da década de 1970 e início dos anos 80 na televisão, em nostálgicas sessões de horror como a “Calafrio” da Record, que exibia filmes da “Hammer” aos sábados às 23:00 horas, depois de jogos de futebol.
A cena em particular é o início ambientado num cemitério fantasmagórico e envolto em neblina, com um vampiro levantando-se de sua tumba gelada e atacando violentamente um casal de jovens que namoravam em um carro estacionado entre as lápides. A criatura da noite matou o rapaz, sugando-lhe o sangue, e estuprou a moça dentro de uma cova aberta, que mais tarde gerou uma criança mutante, mista de humano e vampiro. A ação avança no tempo e o menino, alimentado com o sangue de sua mãe, se torna adulto, James Eastman (William Smith), que revela seu grande objetivo em localizar o pai, o vampiro Caleb Croft (Michael Pataki), para poder se vingar cravando-lhe uma estaca de madeira no coração, e livrar a humanidade de sua existência maligna. Em seu caminho, surge uma mulher, a professora Anne Arthur (Lyn Peters), por quem se apaixona e tenta impedir que se torne outra vítima do vampiro, que agora se esconde sob um novo nome, o professor de ciências ocultas Lockwood.
“O Túmulo do Vampiro” foi lançado em DVD no Brasil e é apenas mais um filme de vampirismo perdido entre tantos outros, mas que possui alguns detalhes que merecem registro como a já comentada cena inicial no cemitério e o desfecho com o confronto sangrento entre pai e filho. Além da presença de William Smith, um rosto conhecido por participações em várias séries de TV dos anos 60 e 70, principalmente pelo papel fixo na divertida série de western “Laredo” (1965/1967), como o Texas Ranger Joe Riley em todos os 56 episódios. Seu personagem é calado e misterioso, em busca de vingança contra quem o transformou num ser amaldiçoado. Vale também destacar a atuação sinistra de Michael Pataki como o vampiro pai, extremamente mórbido, um assassino frio sedento de sangue, nada aristocrático, um predador impiedoso com suas vítimas, não medindo esforços para manter sua existência, sem as frescuras dos vampiros modernos do cinema desse início de século XXI.

“O Túmulo do Vampiro” (Grave of the Vampire, EUA, 1974) # 549 – data: 15/03/10
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Vírus (Carriers, EUA, 2009)


Escolher viver é a forma mais dolorosa de escolher a morte”.

Um grupo formado por quatro jovens, os irmãos Danny (Lou Taylor Pucci) e Brian (Chris Pine), e as garotas Bobby (Piper Perabo) e Kate (Emily VanCamp), tentam sobreviver em meio ao caos apocalíptico que se instalou no mundo com a disseminação de uma doença infecciosa que está dizimando a humanidade. Eles decidem viajar de carro até uma praia na esperança de encontrar algum refúgio, porém o plano esbarra no meio do caminho com a falta de gasolina e uma série de situações imprevistas que os levarão a lutar selvagemente por suas vidas.
Vírus” (Carriers, EUA, 2009) entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 05/03/10, e seu roteiro vai direto ao ponto explorando um tema apocalíptico com o planeta sendo impiedosamente devastado por um vírus incontrolável. Não é um filme de horror sangrento, com infectados devorando os vivos em cenas de ação e suspense, mas sim um drama bem construído e dolorosamente pessimista sobre o fim do mundo e a tentativa desesperada de sobrevivência de quem ainda não sucumbiu à doença. O filme é curto (apenas 84 minutos), e percebemos que algumas situações até poderiam ser melhor trabalhadas ao longo da história, mas parece que a idéia mesmo do roteiro é dar uma porrada no estômago do espectador, mostrando diretamente a civilização perecendo sob os efeitos de uma pandemia com a mensagem para abandonar todas as esperanças. Nada é mais perturbador que vermos tudo a nossa volta deserto ou morto, ou ainda pior, morrendo dolorosamente.
“Vírus” não é um filme para o público comum, que sempre espera ver histórias excessivamente explicadas ou finais felizes (no final da sessão que assisti no cinema ouvi alguém reclamando que é “chato”). Ao contrário, é um filme pessimista que mostra a desesperança de um mundo morrendo, e as dificuldades de relacionamento entre as pessoas, principalmente em situações adversas (é difícil não se sentir incomodado quando alguém infectado é abandonado para trás para enfrentar a morte, soberana e triunfante).
A “PlayArte”, empresa responsável pela distribuição do filme no Brasil, e conhecida pelos erros absurdos que comete, seja na péssima nomeação dos títulos nacionais ou nos cortes imperdoáveis, se equivocou novamente ao escolher o nome “Vírus”, pois em 1999 outro filme já havia recebido o mesmo título, um thriller de ficção científica estrelado por Donald Sutherland, Jamie Lee Curtis e William Baldwin.
Nota do Autor: Foi distribuído também no mercado de “DVD´s alternativos” com o nome de “Infectados”.

“Vírus” (Carriers, EUA, 2009) # 548 – data: 06/03/10
www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 06/03/10)

O Vampiro da Era Atômica (Atom Age Vampire, Itália, 1960)



Uma bela dançarina loira, Jeanette Moreneau (Susanne Loret), apaixonada pelo marinheiro Pierre Mornet (Sergio Fantoni), fica desorientada após o rompimento de seu romance e sofre um acidente de carro que deixa seu rosto desfigurado. Paralelamente, o brilhante cientista Dr. Alberto Levin (Alberto Lupo), auxiliado pela assistente Monique Riviere (Franca Parisi), está envolvido em experiências para regeneração de células mortas, utilizando radiação para retroceder danos graves na pele. Precisando de cobaias humanas para suas pesquisas e sabendo do caso da dançarina acidentada, ele a convence para participar de um tratamento. Porém, acaba se apaixonando de forma obcessiva pela mulher, despertando o ciúme da assistente, e para complicar a situação, os efeitos da regeneração da pele perdem o efeito com o tempo, obrigando o cientista a pensar em alternativas com trágicas consequências, despertando a investigação da polícia, sob o comando do detetive Bouchard (Ivo Garrani).
O Vampiro da Era Atômica” (Atom Age Vampire) foi lançado em DVD no Brasil e é uma divertida tranqueira italiana de 1960 com fotografia em preto e branco, situada dentro do sub-gênero do horror “homem transformado em monstro”, apresentando um tradicional “cientista louco” em meio as suas experiências de regeneração de pele utilizando recursos da “era atômica”, um período conturbado vivido pela humanidade após a Segunda Guerra Mundial e o surgimento da crise da guerra fria entre as principais potências do mundo. O roteiro procura inspiração nos temíveis efeitos radiativos das explosões de bombas atômicas no Japão, com o cientista Dr. Alberto Levin, obcecado por uma paixão não correspondida, perdendo a razão e cometendo crimes hediondos ao utilizar em si próprio uma fómula química que o transformaria num assassino psicótico desfigurado.
Curiosamente, como em todos os filmes com idéias similares, não faltou a presença de um empregado mudo e meio maluco, nesse caso representado por Sacha (Roberto Bertea).

“O Vampiro da Era Atômica” (Atom Age Vampire / Seddok, I´erede di Satana, Itália, 1960) # 547 – data: 03/03/10
www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 04/03/10)

A Revolta dos Zumbis (Revolt of the Zombies, EUA, 1936)


A Revolta dos Zumbis” (Revolt of the Zombies, 1936) é um filme em preto e branco com apenas 65 minutos de duração, e produção de baixo orçamento dos irmãos Halperin (Victor Halperin foi o diretor e Edward Halperin o produtor). As atuações do elenco são teatrais, algo típico do período, e o argumento básico esbarra no gênero fantástico, explorando assuntos como magia negra e ocultismo que são utilizados inadvertidamente para manipular a mente das pessoas, transformando-as em escravos zumbis. Ao dono do conhecimento do segredo proibido, é conferido o poder incomensurável de se criar um exército de soldados zumbis capazes de conquistar o mundo.
Durante a Primeira Guerra Mundial, uma expedição formada por representantes de várias nações imperialistas vai até um pequeno país oriental à procura de um perigoso segredo ancestral capaz de transformar pessoas em zumbis. O tradutor de idiomas antigos Armand Louque (Dean Jagger) foi quem descobriu a fórmula secreta. E por estar apaixonado por um amor não correspondido da bela Claire (Dorothy Stone), filha do General Duval (George Cleveland), que na verdade ama o inglês Clifford Grayson (Robert Nolan), Louque decide manipular todos à sua volta, criando uma legião de zumbis ao seu dispor. Mas, como na maioria dos filmes da época, e parar agradar ao grande público, um desfecho punitivo está reservado ao vilão.
Lançado em DVD no Brasil, o filme tem um título sonoro, mas a narrativa é lenta demais, com um roteiro sem ousadia e totalmente previsível, dificultando uma empatia com o espectador. É considerado um dos precursores dos filmes de zumbis, assim como também seu antecessor “Zumbi Branco” (White Zombie, 1932), com o eterno “Drácula” Bela Lugosi, e igualmente produzido pelos irmãos Halperin, apresentando zumbis bem diferentes dos agressivos comedores de carne humana, que foram introduzidos magnificamente pelo mestre George Romero no clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” (Night of the Living Dead, 1968), influenciando uma infinidade de filmes seguintes. Em “A Revolta dos Zumbis” as pessoas são enfeitiçadas por magia negra, que perdem o auto-controle transformando-se em escravos obedientes sem consciência. Apesar dos defeitos, vale a pena conhecer um filme antigo que apresentou uma história de zumbis há 75 anos atrás.
Curiosamente e de forma não creditada, as várias cenas onde aparecem os olhos manipuladores do poder oculto sobre os zumbis são de Bela Lugosi, retirados de “Zumbi Branco”.

“A Revolta dos Zumbis” (Revolt of the Zombies, EUA, 1936) # 546 – data: 16/02/10
www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 16/02/10)

O Lobisomem (The Wolfman, EUA / Inglaterra, 2010)


Um ator de teatro em excursão pela Inglaterra, Lawrence Talbot (Benicio del Toro), recebe uma carta da bela Gwen Conliffe (Emily Blunt), noiva de seu irmão, que está desaparecido há vários dias, solicitando sua ajuda para encontrar seu paradeiro. Chegando à mansão onde passou uma infância turbulenta com a tragédia da morte de sua mãe, Lawrence reencontra o pai, Sir John Talbot (Anthony Hopkins), e descobre que o cadáver de seu irmão fôra encontrado na floresta dilacerado por uma fera. Decidido a descobrir o que realmente aconteceu, ele entra em contato com uma lenda terrível sobre um lobisomem que está atacando os aldeões, enquanto paralelamente um inspetor da “Scotland Yard”, Aberline (Hugo Weaving), é enviado para investigar o mistério.
Remake do clássico de 1941, com Lon Chaney Jr., Bela Lugosi e Claude Rains, a nova versão de “O Lobisomem” (The Wolfman, 2010), em tempos modernos de tecnologia digital, acertou na homenagem ao filme original, com uma bela recriação da Inglaterra do final do século XIX, procurando resgatar aquele clima sombrio característico dos próprios filmes da “Universal” das décadas de 30 e 40 e até das produções coloridas da “Hammer” dos anos 60, com mansões góticas esquecidas pelo tempo, florestas fantasmagóricas, uma família amaldiçoada por uma tragédia, aldeões revoltados e inquisidores sedentos por vingança, entre outros detalhes típicos dos filmes de horror desse período.
Mas, por outro lado, o excesso de liberdade de criação artística, contribuiu para afastar o remake do original, podendo até funcionar para aqueles que não conhecem o filme de 1941, e desapontando um pouco os fãs do clássico do passado com Lon Chaney Jr. Alguns exemplos que justificam essa idéia: a mudança radical das características de Sir John Talbot, dono de um segredo inexistente no original; as presenças significativas para a condução da história do remake, tanto da noiva do irmão de Lawrence Talbot como do inspetor Aberline, e ambos descartados no filme de 1941; a não utilização do bastão com a ponta de prata, objeto fundamental no clássico, e dispensado na refilmagem; o confronto forçado e deslocado entre pai e filho, em condições bastante selvagens (maiores informações sobre essa cena em particular seria um “spoiler”), num arranjo do roteiro tipicamente “hollywoodiano” e totalmente dispensável; e entre outras coisas mais, o desfecho previsível e até patético envolvendo a criatura e sua “amada”.
Por outro lado, analisando “O Lobisomem” de 2010 como um filme independente de horror explorando o mito da licantropia e seus efeitos devastadores para o portador da maldição da lua cheia, temos um lobisomem predator e extremamente violento em ótimas cenas de ação e horror sangrento como no tribunal inquisitório da junta médica tentando explicar cientificamente a “doença” de Lawrence Talbot, e no massacre do acampamento cigano.

“O Lobisomem” (The Wolfman, EUA / Inglaterra, 2010) # 545 – data: 16/02/10
www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 16/02/10)

A Noite do Lobo (Moon of the Wolf, EUA, 1972)



Lançado em DVD no Brasil, “A Noite do Lobo” (Moon of the Wolf, 1972), conta a história típica de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde um xerife caipira, Aaron Whitaker (David Janssen), investiga o brutal assassinato de uma jovem, supostamente atacada por cães selvagens. Porém, sua linha de investigação o leva para uma descoberta bem pior.
É uma produção diretamente para a televisão, com um elenco formado por David Janssen, o eterno “fugitivo” Dr. Richard Kimble da série de TV “O Fugitivo” (The Fugitive, 1963 / 67), Bradford Dillman (de “A Fuga do Planeta dos Macacos” e do episódio baseado em H. P. Lovecraft “O Modelo de Pickman”, da série de TV “Galeria do Terror”), e o veterano Royal Dano, um rosto conhecido por uma infinidade de papéis coadjuvantes, numa vasta carreira com quase 180 participações em séries e filmes.
Embora o roteiro de “A Noite do Lobo” seja bem previsível, uma vez que adivinhamos a identidade do assassino com muita antecedência, o espectador é convidado a acompanhar a investigação policial do xerife Whitaker para a solução do mistério, abordando a sempre interessante temática do mito do lobisomem. As cenas de horror nos ataques da fera são sutis e a maquiagem do homem transformado em lobo é simples, mas ainda assim o filme garante alguma diversão rápida em cerca de 75 minutos, principalmente pela honestidade em contar uma história clichê e despretensiosa.

“A Noite do Lobo” (Moon of the Wolf, EUA, 1972) # 544 – data: 16/02/10
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Teenage Zombies (EUA, 1959)


Quando o assunto é cinema bagaceiro de horror e ficção científica, uma das maiores tranqueiras que já tive a oportunidade de assistir é o americano “Teenage Zombies” (1959), em preto e branco, e com produção e direção de Jerry Warren, que também assinou o roteiro sob o pseudônimo de Jaques Lecotier.
Lançado no Brasil em DVD pela “Revista Digital Showtime Clássicos”, na coletânea “Lobisomens, Vampiros e Zumbis – Volume 1”, “Teenage Zombies” é aquele tipo de filme extremamente mal feito de forma não intencional, que de tão ruim acaba sendo divertido. O espectador que está acompanhando a história (ridícula e cheia de clichês), fica tão estarrecido com a atuação péssima dos atores, com os diálogos absurdamente ingênuos e artificiais, com a falta de suspense e tensão nas cenas que deveriam enfatizar situações de horror, com a inexistência de qualquer tipo de empatia com os personagens (um grupo de adolescentes acéfalos), com a total escassez de recursos de uma produção paupérrima, entre outras coisas, que passa a sentir vontade de saber o que vai acontecer até o final do filme, conferindo de perto o tamanho colossal da ruindade do conjunto da obra. Esse é o fascínio que o cinema verdadeiramente “trash” (ruim não proposital) exerce sobre o público.
Um grupo de adolescentes americanos desmiolados, Reg (Don Sullivan), Skip (Paul Pepper), e suas namoradas Julie (Mitzie Albertson) e Pam (Bri Murphy), decidem fazer um passeio de barco para esquiar. Porém, eles encontram uma ilha onde desembarcam e conhecem uma misteriosa mulher, Dra. Myra (Katherine Victor), e seu assistente troglodita mudo Ivan (Chuck Niles, não creditado). Ela é uma cientista sinistra envolvida num projeto secreto da guerra fria que tem como objetivo transformar as pessoas em zumbis obedientes e escravos, através de experiências com um produto químico que contaminaria o sistema de distribuição de água nos Estados Unidos. Mas, um outro casal de adolescentes igualmente acéfalos, Morrie (Jay Hawk) e Dotty (Nan Green), ao investigar o sumiço dos amigos, também chega à ilha atrapalhando os planos da cientista e seus comparsas.
Entre as curiosidades observadas ao ver o filme está a insistência do cinema americano dos anos 50 e 60 do século passado em utilizar a Argentina e sua capital Buenos Aires como o representante da América do Sul (em determinado momento, essa citação ocorre ao falar da atuação de um espião internacional da organização secreta que quer dominar seus inimigos), porém, atualmente esse posto passou para o Brasil, que regularmente é o escolhido quando o assunto é América do Sul. Outro fato curioso é o roteiro novamente explorar um argumento dentro do universo ficional da tensão proveniente da guerra fria entre os Estados Unidos e os países comunistas do leste europeu, com um tradicional “cientista louco” (nesse caso, uma mulher) e suas experiências para conquistar o mundo. Também não posso deixar de registrar que os adolescentes do passado igualmente eram desprovidos de cérebro, como todos os jovens na maioria dos filmes de horror e ficção científica, mas apesar dos diálogos banais e ingênuos em excesso, eles ainda assim são melhores que seus similares atuais (de 50 anos depois), principalmente aqueles imbecis dos “slashers”, que sempre merecem morrer nos filmes das maneiras mais dolorosas.
Mais algumas bobagens encontradas em “Teenage Zombies” é a presença de um hilário gorila utilizado como cobaia nas experiências (interpretado por Mitch Evans, não creditado), o inacreditável e ridículo escritório do corrupto xerife local, e as cenas de lutas tão mal coreografadas que nos incitam ao riso involuntário. Sem contar que um filme que tem “zombies” no título não poderia mostrar somente alguns pouquíssimos zumbis numa cena ultra rápida, e não apresentar nem ao menos uma gotinha de sangue.
Enfim, uma porcaria descomunal que de tão ruim vale até a pena conhecer (é curto, apenas 73 minutos). E encerro esse texto reproduzindo a chamada forçada que os responsáveis pelo DVD nacional colocaram na contra capa para anunciar o filme: “... Intriga política e dominação zumbi serão as palavras chaves para entender este super clássico zumbi-cult”.

“Teenage Zombies” (EUA, 1959) # 543 – data: 14/02/10
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Lua Perversa (RS / SC - Brasil, independente, 2010)


Lua Perversa” é um filme independente de horror nacional abordando a sempre interessante temática da licantropia, com roteiro e direção de André Bozzetto Junior, cujo currículo de videomaker ainda conta com os filmes anteriores “Mendigos” (2004) e “Paisagens, Pesadelos e Paranóias” (2007). Ele também é o autor do livro “Odisséia nas Sombras” (1998), tornando-se um especialista em lobisomens, utilizando frequentemente esse personagem clássico do gênero Horror em seus trabalhos, escrevendo contos (participou da antologia “Metamorfose – A Fúria dos Lobisomens”), editando blogs de literatura e cinema (links abaixo), e sendo ainda o dono de uma comunidade no Orkut específica sobre filmes de lobisomens.
No início do século XX, José Diogo, um homem nascido e criado em Porto Alegre, decide visitar alguns parentes que vivem em uma região rural isolada no interior do Rio Grande do Sul. Chegando lá, em meio a festividades movidas a churrasco, chimarrão e vinho, ele se encanta com a beleza da jovem Sofia, mas também descobre que aquelas pessoas vivem amedrontadas pelos “causos” de um lobisomem que habita a região. Incrédulo, ele decide investigar e acaba trazendo à tona um terrível segredo que irá banhar de sangue as noites de lua cheia. (Sinopse oficial de divulgação).
O filme é uma grande homenagem ao cinema de horror mudo da década de 20 do século passado, com fotografia intencionalmente em preto e branco e diálogos dos atores transcritos entre as cenas. O resultado final (em cerca de vinte e seis minutos de duração, aliás, uma metragem perfeita para esse tipo de produção caseira), é muito interessante para os apreciadores dos filmes antigos de horror, privilegiando no roteiro o folclore regional do interior do Brasil, com uma história clássica sobre o mito do lobisomem numa ambientação rural. A despeito da escassez de recursos típica de uma produção idealista e independente, o trabalho de maquiagem do monstro ficou convincente e de uma maneira geral o filme conseguiu captar aquela atmosfera perturbadora do medo coletivo de uma criatura assassina mista de homem e lobo, que espreita nos cantos à procura de suas vítimas.
Tem ainda a participação pequena, mas marcante e ilustre de Petter Baiestorf e Coffin Souza, que estão entre os principais precursores do cinema independente de horror nacional.
“Lua Perversa” é altamente recomendável para os fãs de lobisomens, apreciadores de cinema independente e apoiadores de produções idealistas dentro do gênero fantástico nacional.

FICHA TÉCNICA
“Lua Perversa”. Duração: 26 minutos. Preto e Branco, Mudo.
Santa Catarina / Rio Grande do Sul, 2010.
Direção e roteiro: André Bozzetto Junior (bozzettojunior@yahoo.com.br)
Produção: André Bozzetto Junior e Denise Z. Farneda
Elenco: Norma D. Malaggi, Denise Z. Farneda, Felipe Dall’Agnol, Murilo Signor, André Morrison, Marcelo de Jesus, Petter Baiestorf, Coffin Souza, Vagner Bozzetto, Alan Cassol, Karen Cavagnolli, Luiz Henrique Mosena.
Teaser trailer do filme no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=2lEiuotP9og
http://www.escriturasdaluacheia.blogspot.com
http://www.filmesdelobisomem.zip.net
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=10135976

Lua Perversa” (RS/SC, 2010) # 542 – data: 23/01/10
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The Evil Dead (EUA, 1982)



No cinema de horror, é interessante salientar a existência e fazer uma análise de dois sub-gêneros principais com características e estilos distintos, que foram criados de forma natural ao longo de mais de um século de cinema.
Um deles é mais antigo, numa época onde os filmes se preocupavam em enriquecer os roteiros e transmitir ao público uma sensação de medo e pavor, através principalmente de situações sugeridas que causavam desconforto. As histórias exploravam temas sobrenaturais como mansões assombradas, maldições, “cientistas loucos”, fantasmas, ou mesmo os grandes monstros consagrados do cinema como o vampiro “Drácula” (tendo o filme homônimo de 1931 com Bela Lugosi como um de seus expoentes máximos); a “Criatura de Frankenstein” (retratada no clássico de 1931 pelo magnífico ator Boris Karloff); o “Lobisomem” (1941, com Lon Chaney Jr.); a “Múmia” (1932, com Boris Karloff), o “Monstro da Lagoa Negra” (1954, uma criatura mutante, misto de homem e anfíbio); o “Fantasma da Ópera” (1926, com Lon Chaney como um psicopata desfigurado); e outras dezenas de produções de baixo orçamento, porém de alto entretenimento.
O outro sub-gênero veio somente mais tarde sendo representado pelos filmes de “violência explícita”, ou aqueles cujos roteiros procuram mostrar o horror de forma mais crua e direta em vez de apenas a sugestão. O objetivo não é somente assustar como também enojar o público. As histórias em sua maioria são clichês desgastados prevalecendo muitas vezes os impressionantes efeitos especiais. As características principais desses filmes é a presença de muito sangue, tripas, vômitos, mutilações, massacres, demônios, psicopatas, monstros asquerosos, etc. Pertencentes a esse contexto, citamos apenas alguns entre muitos outros, como o clássico em preto e branco “A Noite dos Mortos Vivos” (dirigido pelo mestre George Romero em 1968, com sua legião de zumbis comedores de carne humana); a enorme franquia “Sexta-Feira 13” (saga que iniciou em 1980 com o imortal psicopata Jason Voorhees batendo o recorde de assassinatos de adolescentes, e de sequências também); o clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974, introduzindo o maníaco da moto-serra “Leatherface”); “Hellraiser” (1987, inspirado em obra do escritor Clive Barker, com suas criaturas do inferno lideradas por “Pinhead”); e sem dúvida nenhuma, um dos maiores e mais definitivos representantes do estilo, “The Evil Dead”.

Infelizmente para nós brasileiros, foi feita uma verdadeira bagunça com os títulos dos dois primeiros filmes da franquia. The Evil Dead (1982) foi lançado em vídeo VHS pela “Look” com o nome de “A Morte do Demônio”. Esse mesmo filme foi exibido nos cinemas como “Uma Noite Alucinante – Parte 1 – Onde Tudo Começou”. Já Evil Dead II (1987) foi lançado em vídeo VHS pela “Tec Home” com o nome de “Uma Noite Alucinante” e foi exibido nos cinemas em 1988 com esse mesmo nome, seguido do subtítulo “Mortos ao Amanhecer”. Toda essa confusão aconteceu porque o segundo filme estreou por aqui antes do original.
E para complicar mais ainda, vale registrar um protesto quanto ao péssimo título nacional escolhido para “The Evil Dead”. O filme recebeu o nome equivocado de “A Morte do Demônio” quando o ideal seria manter o título original. Porém, se ainda assim os responsáveis pela distribuição da fita no país preferissem optar por um nome nacional, o mais correto seria algo como “Os Mortos Malignos”, uma tradução literal e mais coerente com a obra.

Toda essa longa introdução teve por objetivo situar o leitor e fã para uma interpretação de dois tipos básicos do cinema de horror: o “sugerido” e o “explícito”. Nessa última categoria os últimos anos foram invadidos por uma avalanche de produções com verdadeiros banhos de sangue em suas histórias. Filmes como “Fome Animal” (1990, de Peter Jackson, que mais tarde dirigiria a trilogia de “O Senhor dos Anéis”), mostram um excesso tão grande de tripas e corpos decepados que parece que recebemos uma chuva de sangue ao ver o filme. Só que no caso específico desse filme, a história tem muitos elementos de humor negro inseridos em sua trama, a qual tem o objetivo de enojar o público em meio a momentos de risos. Comparando com “The Evil Dead”, este último tem menos “sangue”, mas não há humor negro. Se o espectador rir de alguma coisa que está vendo na tela, não é porque é engraçado, e sim porque está transtornado pelas cenas grotescas apresentadas a sua frente. Nesse aspecto, a “essência” de “The Evil Dead” é infinitamente superior a qualquer outro filme já realizado, mesmo que tenha muito mais violência e sangue. Já o segundo filme da série, “Evil Dead II”, é na verdade uma refilmagem da mesma história do original, só que inserindo elementos de humor negro que inevitavelmente diminuíram sua carga de agressividade brutal. Porém, ainda assim é um bom filme de horror, amparado por um orçamento bem maior e efeitos especiais mais sofisticados.
Ambos os filmes foram escritos e dirigidos pelo jovem e competente cineasta Sam Raimi (que faria mais tarde a mega produção “Homem-Aranha”), e estrelados pelo hábil Bruce Campbell, que também foi produtor. Como já mencionado, há diferenças entre as duas produções mesmo porque não há uma sequência exata entre elas. O segundo filme é apenas uma variação da história do primeiro e está mais voltado para o humor negro. Já o primeiro filme é bem mais violento, repleto de cenas repugnantes e assustadoras, tanto é que foi proibida sua exibição na Inglaterra por dois anos, e mesmo assim ganhou vários prêmios em festivais sendo até hoje aclamado pelos fãs como um dos principais filmes de horror já realizados.

Desde 1978, o jovem Sam Raimi com a ajuda do produtor Robert G. Tapert e do ator Bruce Campbell, estavam planejando realizar um filme diferente e de impacto. Então um ano depois eles lançaram o violento “Within the Woods”, cuja história acabou dando origem em 1982 ao brutal “The Evil Dead”. Nada melhor que o escritor Stephen King para comentar esse projeto: “Eu gosto desse filme, é diferente dos outros”. O apoio de King foi fundamental para o sucesso da produção. A história é simples e sem novidades, girando em torno da descoberta de um livro antigo amaldiçoado chamado de “O Livro dos Mortos”. Esse artefato, confeccionado e escrito há mais de três mil anos atrás, com carne e sangue humanos, era composto de frases e passagens cabalísticas de rituais de sepultamento e feitiços funerários, que uma vez recitadas tinham o poder de ressuscitar demônios até então adormecidos, e forças malignas que vagam pelas florestas e pela escuridão da civilização, as quais uma vez despertadas, podiam se apossar dos vivos. “O Livro dos Mortos” nada mais é do que uma versão do famoso e obscuro “Necronomicon”, mito largamente explorado na literatura macabra do escritor Howard Phillips Lovecraft.

(Atenção: pode conter spoilers)

Um grupo formado por cinco jovens está em passeio nas montanhas do Tenessee e se hospedam numa velha cabana abandonada. Ashley (Bruce Campbell), sua namorada Linda (Betsy Baker) e sua irmã Cheryl (Ellen Sandweiss), além do casal de amigos Scott (Hal Delrich) e Shelly (Sarah York), procuram apenas bons momentos de diversão e descanso, não imaginando o inferno que os aguardava. Eles encontram no porão um estranho livro acompanhado de um gravador com uma fita, material pertencente a um arqueólogo que trabalhava em misteriosas escavações nas Ruínas de Kandar. Os jovens resolvem ouvir a fita, que reproduz a narração do arqueólogo falando de suas descobertas e explicando que involuntariamente invocou entidades demoníacas que tinham o poder de se apossar dos vivos. A única forma de livrar o corpo do espírito maligno era através do esquartejamento. E acidentalmente a fita recita um encantamento diabólico:

Tatra amistrobin azarta, tatis manor manziz hounaz, ansobar saman darobza dahir saika danz deroza, kandar, kandar, kandar”.

(Nota do Autor 1: Não me responsabilizo pela citação dessas palavras e a possibilidade hostil de suas consequências...).
Dessa forma, os jovens inadvertidamente permitiram ressuscitar ferozes demônios “kandarianos” que estavam inativos. Os espíritos malignos estavam apenas aguardando a oportunidade de se manifestarem e se apossar dos humanos um a um, sobrando apenas o herói Ashley para combatê-los e lutar bravamente por sua vida.

São várias as sequências de destaque como a cena perturbadora em que Cheryl sai à noite sozinha pelo bosque e é estuprada violentamente por árvores vivas, possuídas por demônios. Ou ainda quando a mesma garota torna-se a primeira vítima de possessão, gritando com uma voz gutural aos seus amigos: “Por que vocês perturbaram nosso sono? Acordando-nos de nossa duradoura inatividade? Vocês morrerão! Como os outros antes de vocês! Um por um, nós vamos tomá-los!”. Essa sequência já é clássica e define apenas o início da carnificina sangrenta que estava por vir. O desfile de atrocidades continua quando Shelly é a próxima possuída e num momento de insanidade total, ela arranca a própria mão direita vagarosamente com os dentes numa cena grotesca. Após muito sangue, gosmas coaguladas, vísceras expostas, líquidos putrefatos, carne destroçada, ossos partidos, desmembramentos e cabeças decepadas, a noite infernal termina e o início da manhã reservaria um desfecho digno para o herói Ashley, permitindo várias interpretações e certamente fugindo do convencional clichê de final feliz. Sem dúvida nenhuma, uma obra prima do horror com algumas das cenas mais repugnantes e violentas já filmadas, tudo de forma avassaladora.

Tanto Sam Raimi como Bruce Campbell nasceram na mesma pequena cidade de Royal Oak (Michigan, EUA). Campbell veio ao mundo em 22/06/1958, seguido de perto por Raimi (23/10/1959). Uma vez jovens com afinidades em comum, como a preferência pelo cinema fantástico, eles se conheceram na adolescência e decidiram formar uma parceria que resultaria em verdadeiras preciosidades do gênero.
Sam Raimi é um profissional multifuncional, trabalhando como diretor, roteirista, produtor e até ator. Conhecido por seu talento ao manipular uma câmera com rápidos movimentos acrobáticos e cortes bruscos, seu primeiro filme de reconhecimento foi “The Evil Dead” em 1982 (ele tinha apenas 22 anos de idade), que formou depois uma trilogia com mais dois filmes produzidos em 1987 e 93 (N.A. 2: Em 1992 foi lançado “Uma Noite Alucinante 3” (Army of Darkness), completando a trilogia, contando as aventuras de Ashley na época medieval, mantendo a linha humorística do segundo filme e trazendo alguns bons efeitos especiais).Ainda no gênero horror, Raimi dirigiu “Darkman – Vingança Sem Rosto” em 1990 e “O Dom da Premonição” (2001). Também experimentou outras temáticas com a comédia policial “Dois Heróis Bem Trapalhões” (1985), o western “Rápida e Mortal” (95, com Sharon Stone), o suspense “Um Plano Simples” (98, um fenomenal thriller abordando a cobiça humana), o drama romântico “Por Amor” (99), até culminar no mega sucesso “Homem-Aranha” (2002), filme do famoso personagem de quadrinhos que transformou-se numa das maiores bilheterias da história e uma franquia de grande apelo popular. (N.A. 3: Em 2009 ele dirigiu o divertido “Arraste-me Para o Inferno” / "Drag me to Hell").O ator Bruce Campbell foi o astro principal da trilogia “Evil Dead” e demonstrou muita habilidade no papel de herói combatente de demônios ferozes. Sua amizade com Raimi proporcionou algumas participações especiais em pontas rápidas em filmes como “Darkman” e “Homem-Aranha”. Ele também experimentou a direção, sendo responsável por alguns episódios na televisão da série de fantasia “Hércules”, produzida pelo amigo Robert G. Tapert. Sua filmografia inclui ainda atuações na série de TV “Arquivo X” e no filme “Cine Majestic” (2001), dirigido por Frank Darabont.

Como curiosidades, podemos notar no filme algumas possíveis falhas totalmente desprezíveis por se tratar de “The Evil Dead”, como principalmente o fato de Ash, ferido várias vezes, não ter sido possuído por um dos demônios kandarianos, enquanto todos os seus amigos eram brutalmente transformados em mortos malignos. A reposta é simples: alguém tinha que sobrar para combater os zumbis e lutar por sua vida, afinal essa é a premissa de todo o filme. Outro possível erro foi quando Ash toma literalmente um banho de sangue na explosão de um cano e no momento seguinte ele está limpo novamente. O mesmo aconteceu com sua namorada Linda, que ao ser possuída transformou-se numa criatura hedionda repleta de feridas sangrentas e quando Ash a amarrou numa mesa para esquartejá-la com uma moto-serra, ela estava totalmente com o rosto normal e limpo. Como os demônios estavam manipulando a mente de Ash, criando confusões entre ilusão e realidade, essas cenas podem não ter o menor efeito.
O filme foi lançado no Brasil também em DVD com distribuição em bancas pela “LW Editora”, e a seção de “Extras” traz uma coletânea de 20 minutos com filmagens de testes de cena, onde podemos ver o nome do filme como sendo “Book of the Dead” (Livro dos Mortos), provável título inicial que depois foi alterado para o conhecido “The Evil Dead” (aliás, bem melhor e menos convencional). Outra coisa interessante notada no final dos créditos do disco é uma frase com a seguinte tradução aproximada: “The Evil Dead, a experiência definitiva em horror repulsivo.” (aliás, também concordo). E em Novembro de 2005, o filme foi novamente lançado em DVD com distribuição em supermercados e lojas, só que dessa vez através da “Spectra Nova Editora”, com preço popular.

Para concluir de forma também definitiva: Apesar de “The Evil Dead” ter sido conduzido por um diretor e atores ainda estudantes muito jovens e em início de carreira; ter um roteiro clichê com uma história simples e óbvia (porém elementos como cabanas abandonadas em florestas fantasmagóricas e povoadas por demônios são sempre alguns dos melhores ingredientes para um filme assustador); e ter efeitos especiais toscos (fato perfeitamente compreensível pelo baixíssimo orçamento da produção), o filme é um dos mais cultuados na história do cinema de horror e faz parte de qualquer lista dos mais preferidos de qualquer fã do gênero, geralmente liderando o topo das preferências, provando que mesmo com pouco dinheiro, mas com muito talento, pode-se fazer uma obra-prima de valor inestimável.

(N.A. 4: Uma pequena base desse texto foi escrito originalmente em 1989 e publicado no fanzine “Megalon”, abordando os primeiros dois filmes da trilogia. Foi atualizado em outubro de 2002, quando o filme completou 20 anos, acrescentando mais informações e novas impressões pessoais sobre a obra, e novamente atualizado em 06/01/10).

“A Morte do Demônio” (The Evil Dead, 1982)
(1ª versão postada em 25/11/05, 2ª versão postada em 06/01/10)

A Morte do Demônio (The Evil Dead, EUA, 1982). Renaissance Pictures. Filmado em Morristown (Tenessee) e Detroit. Duração: 85 minutos. Direção e roteiro de Sam Raimi. Produção de Robert G. Tapert. Produção Executiva de Robert G. Tapert, Sam Raimi e Bruce Campbell. Fotografia de Tim Philo. Música de Joseph Lo Duca. Efeitos Especiais de Maquiagem de Tom Sullivan. Elenco: Bruce Campbell (Ashley), Hal Delrich (Scott), Ellen Sandweiss (Cheryl), Betsy Baker (Linda), Sarah York (Shelly).