The 8th Plague (EUA, 2006)


“Não importa se você acredita no inferno... Porque o inferno acredita em você”

Logo após assistir “The 8th Plague” (2006), a sensação imediata que se tem é a de um filme de baixo orçamento, produzido por uma equipe e elenco desconhecidos. A direção é de Franklin Guerrero Jr. e roteiro é de Eric Williford. A história é superficial ao extremo e dá a nítida impressão de ser apenas um pretexto para a exposição de uma overdose de cenas sangrentas. Porém, o filme é honesto e despretensioso, ou seja, a idéia é manchar a tela de vermelho, e nesse caso é apenas isso que interessa e importa.

Launa (Leslie Ann Valenza) é uma mulher que mora com sua irmã Nikki (Laura Chaves). Quando Nikki não retorna de um acampamento nas montanhas da pequena cidade de “Halcyon Springs”, principalmente no dia do aniversário do funeral de seus pais, quando costumam visitar o cemitério, Launa fica preocupada e juntamente com o casal de amigos Crystal (Hollis Zemany) e Gavin (Jonathan Rockett), decidem viajar para procurá-la. Encontram sua barraca vazia no meio da floresta e pedem ajuda ao debochado xerife local, Jack Stiver (Paul Bugelski), que não dá a atenção necessária para o caso e pede para seu assistente Buck (Terry Jernigan) que procure a moça numa penitenciária abandonada próxima ao local do acampamento. A prisão tem um passado sinistro, pois ocorreu um motim sangrento e de origem misteriosa. Para ajudá-los na investigação do desaparecimento de Nikki, eles recorrem a um antigo guarda da penitenciária, Mason (Dj Perry), que ainda mora nas proximidades. Lá chegando, eles são obrigados a lutar por suas vidas ao encontrarem um local amaldiçoado por um antigo demônio que quer se apossar de suas almas através dos olhos, ao visualizarem um perigoso sinal cabalístico pichado de sangue nas paredes.

“The 8th Plague” tem relações com a lenda religiosa sobre as pragas lançadas contra um rei egípcio num passado longínquo. Agora um poderoso demônio da escuridão até então oculto foi despertado e quer dominar a humanidade. A história não é banal, mas é simples demais. Não há maiores detalhes, revelações ou informações quaisquer, e parece mesmo que o objetivo é apenas criar uma premissa básica para um massacre sangrento. Existem várias falhas no roteiro com situações criadas tipicamente para facilitar o trabalho de quem escreveu a história. Temos as inevitáveis frases imbecis e óbvias como “temos que sair daqui, pois alguma coisa está errada”, de autoria de Launa, logo após ela ter sido brutalmente atacada por um amigo desfigurado e possuído pelo demônio. A penitenciária poderia ter um aspecto bem mais sombrio, onde faltou um trabalho melhor de qualidade da equipe de produção responsável em torná-la abandonada e como um local maldito e depressivo. Os poucos personagens são completamente superficiais, o roteiro não tem a menor intenção em apresentá-los ao espectador. A única função deles é morrer de forma violenta.
Em compensação (sendo a real proposta do filme), após os momentos iniciais mais lentos, com ênfase num clima de horror psicológico, com a chegada do grupo na penitenciária abandonada para investigar o sumiço de Nikki, o roteiro passa a explorar a possessão demoníaca dos invasores da prisão, com um derramamento de sangue de grandes proporções. De violentos golpes de machado, passando por decapitação, desmembramento, cabeça esmagada com pedra, cérebro, tripas e vísceras expostas, até olhos arrancados das órbitas, corpo perfurado por broca, mutilações e todo tipo de atrocidades. Para completar a sangueira, e fechando em grande estilo, ainda temos um final depressivo e pessimista. A capa do DVD também é um destaque, mostrando uma moça no meio de uma floresta, com um olhar sinistro e segurando um machado ensangüentado. “The 8th Plague” é altamente recomendável para quem não se importa com uma história simples demais e quer ver sangue e violência em excesso.
Obs.: O diretor Franklin Guerrero Jr. parece que tem a intenção de se especializar em filmes violentos, pois em 2008 ele lançou outra produção sangrenta ao extremo, com o título de “Carver”.


“The 8th Plague” (The 8th Plague, Estados Unidos, 2006) # 432 – data: 15/04/07 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 17/04/07)

Criatura Sangrenta (Terror is a Man, EUA / Filipinas, 1959)



O escritor inglês Herbert George Wells foi o autor de inúmeros livros de Ficção Científica e Horror que serviram de inspiração para o cinema fantástico. Histórias como “O Homem Invisível”, “A Guerra dos Mundos”, “O Alimento dos Deuses”, “Daqui a Cem Anos”, “Os Primeiros Homens na Lua”, “A Máquina do Tempo”, transformaram-se em muitos filmes e várias versões. No caso de “A Ilha do Dr. Moreau” (1896), o livro foi filmado em três produções mais conhecidas, em 1933 (com Charles Laughton e Bela Lugosi), 1977 (com Burt Lancaster, Michael York e Richard Basehart), e 1996 (com Marlon Brando e Val Kilmer).
Porém, em 1959 foi lançada uma bagaceira chamada “Criatura Sangrenta” (Blood Creature / Terror is a Man), dirigida pelo filipino Gerry de Leon, cujo roteiro de Harry Paul Harber também é baseado na famosa obra literária de Wells, porém de forma não creditada. E surpreendentemente, o filme teve distribuição em DVD por aqui, para a satisfação dos colecionadores ávidos por filmes bizarros, exóticos, desconhecidos e principalmente ruins de forma não proposital.

O único sobrevivente do naufrágio de um navio de carga, o engenheiro de petróleo William Fitzgerald (Richard Derr), chega inconsciente num bote até o litoral de uma ilha isolada na costa do Oceano Pacífico. Lá, ele é resgatado pelo Dr. Charles Girard (o tcheco Francis Lederer), um médico exilado de New York, que procurou privacidade na ilha para se dedicar às pesquisas e experiências genéticas com animais e homens, dando origem a um grotesco ser mutante. Inevitavelmente, o novo hóspede acaba tendo um romance com a carente esposa solitária e insatisfeita do cientista, Frances (a dinamarquesa Greta Thyssen), cujo marido cirurgião está mais preocupado com seu trabalho, no desenvolvimento de uma raça de homens perfeitos, gerados a partir de uma pantera negra e através da descoberta de um composto químico capaz de controlar o tamanho do cérebro, transformando a matéria viva.
Porém, a “criatura sangrenta” consegue fugir do laboratório, entre uma cirurgia e outra, fazendo vítimas fatais em quem atravessasse seu caminho, como o ajudante do cientista, Walter Perrera (Oscar Keesee Jr.), e uma criada, Selene (Lilio Duran), que vive na casa com seu irmão pequeno Tiago (Peyton Keesee). E, após seqüestrar Frances se refugiando na floresta, o Dr. Girard e o visitante náufrago partem em seu encalço para salvar a mulher das garras da besta assassina.

O filme, com fotografia em preto e branco e apenas 82 minutos de duração, é uma produção das Filipinas, e foi realizado com um orçamento minúsculo. No roteiro, temos o “cientista louco” obcecado em contribuir para o bem da humanidade, e seu assistente que mais tarde não concorda com os resultados das experiências, além do mocinho (alguém que surge para tentar se opor às barbaridades científicas do vilão), e da mocinha (uma mulher infeliz com o casamento e à espera de alguém para salvá-la). Não poderia faltar também o monstro (interpretado por Flory Carlos), que no caso é uma fera gerada através de inúmeros procedimentos cirúrgicos, e que obviamente escapa e volta-se contra o criador em busca de vingança.
A história original de H. G. Wells é famosa e cultuada, explorando um argumento bem interessante, principalmente para a época em que foi escrita, há mais de um século atrás, apresentando um cientista na criação de uma raça mutante, transformando animais em homens. E diante de todas as limitações impostas pela produção barata, o que mais importa é que “Criatura Sangrenta” até consegue atingir seu objetivo de entreter os apreciadores de filmes bagaceiros, ou seja, todos aqueles que sabem antecipadamente o que irão encontrar num filme com essas características: vários defeitos facilmente notáveis, com imagens muito escuras em algumas cenas noturnas, maquiagem tosca do monstro, edição ineficiente e cheia de cortes bruscos, elenco inexpressivo, diálogos banais, desfecho previsível e roteiro superficial.

“Criatura Sangrenta” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD a tranqueira “O Lobisomem no Quarto das Garotas” (Lycanthropus / Werewolf in a Girl´s Dormitory, 1962), de Richard Benson (pseudônimo do diretor italiano Paolo Heusch). Infelizmente, a qualidade das imagens apresentadas no DVD é ruim, com algumas manchas, riscos e imperfeições que parecem causados por deterioração e má conservação dos originais.

“Criatura Sangrenta” (Blood Creature / Terror is a Man, Estados Unidos / Filipinas, 1959) # 408 – data: 04/11/06 – avaliação: 5,5 (de 0 a 10) – site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 06/11/06)

O Cérebro Que Não Queria Morrer (The Brain That Wouldn´t Die, 1962)


"O cérebro dela foi mantido vivo por experimentos científicos! Por um homem com uma paixão anormal, inspirado em tentar o impossível!"– reprodução de trecho narrado no trailer

Com um título sonoro desses e vendo o pôster de divulgação, que traz a cabeça de uma mulher sobre uma bacia inundada com um líquido misterioso e cercada de aparelhos típicos de um laboratório de “cientista louco”, é muito difícil não despertar um interesse e principalmente curiosidade em assistir “O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die, 1962), bagaceira super divertida da “American International Pictures”, dirigida por Joseph Green a partir do roteiro de Rex Carlton, com fotografia em preto e branco e elenco principal formado por Jason Evers, Virginia Leith e Leslie Daniels.

Um jovem cirurgião, Dr. Bill Cortner (Jason Evers, creditado como Herb Evers), faz experiências secretas em seu laboratório numa casa de campo, com o objetivo de conseguir sucesso no transplante de membros humanos, utilizando um soro especialmente desenvolvido para evitar a rejeição. Quando ocorre um grave acidente de carro que vitimou sua noiva Jan Compton (Virginia Leith), ele consegue recuperar apenas sua cabeça dos escombros em chamas e decidiu mantê-la viva em seu laboratório, repousando-a numa bandeja com o soro. Agora, o desafio do cientista é encontrar um corpo de uma bela mulher, sem chamar a atenção da polícia, para tentar uma cirurgia de transplante na cabeça da noiva, que por sua vez não aceita a condição monstruosa em que se encontra, adquirindo poderes não previstos, distorcendo a mente, adquirindo raiva e conseguindo se comunicar e se aliar com uma aberração grotesca que está mantida presa no porão, fruto das experiências fracassadas do cirurgião.

O filme é curto, apenas 82 minutos, e apresenta uma história bastante ousada para a época de produção, há quase meio século atrás, tanto que ocorreram problemas com a censura devido às cenas fortes e bizarras de horror com direito a uma cabeça viva sem o corpo, um enorme monstro mutante formado por pedaços de cadáveres, um braço amputado de forma sangrenta e nacos de carne arrancados a violentas dentadas.
Em “O Cérebro Que Não Queria Morrer”, como já esperado nesse tipo de produção de baixo orçamento, encontramos os elementos típicos dos filmes de horror daquele período, não faltando o “cientista louco” de plantão, sendo nesse caso um jovem cirurgião que faz sucesso entre as mulheres, sempre que não está trabalhando em suas experiências com transplantes de partes danificadas do corpo humano. Nem falta também o tradicional ajudante e cúmplice de suas barbaridades científicas, sendo nesse caso o cirurgião Kurt (Leslie Daniels), que perdeu o braço direito num acidente e serviu de cobaia nas experiências do cientista, sempre apresentando rejeição com o membro transplantado, e acreditando que um dia deixaria de ser deformado. O laboratório do Dr. Cortner faz lembrar o do seu companheiro de ofício e loucuras (porém, bem mais famoso) Dr. Frankenstein, repleto de líquidos borbulhantes, aparelhos elétricos, tubos de ensaio e instrumentos de medição. Sem contar a similaridade também de sua ambição no transplante de pedaços de corpos humanos, criando um ser monstruoso.
É claro que se fizermos uma análise crítica mais apurada, encontraremos vários furos no roteiro e situações manipuladas apenas para favorecer o trabalho do roteirista, como por exemplo o simples fato de não ocorrer nenhuma investigação da polícia sobre o acidente de carro do Dr. Cortner e sua noiva, na estrada que leva ao laboratório, apesar que toda a ação ocorre rapidamente num final de semana.
Curiosamente, não posso deixar de citar uma frase da apaixonada Jan Compton para seu noivo Dr. Bill Cortner, antes de sofrer o acidente. Ela disse: “Sempre que toca em mim eu perco a cabeça”. Ela não imaginaria que pouco tempo depois perderia o corpo carbonizado e ficaria viva justamente apenas com sua cabeça. Seria irônico e hilário se não fosse trágico...
“O Cérebro Que Não Queria Morrer” foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD o filme “A Besta da Caverna Assombrada” (Beast From Haunted Cave, 1959), produzido pelos irmãos Corman (Gene e Roger, esse último mais famoso e cultuado como o “Rei dos Filmes B”).

“O Cérebro Que Não Queria Morrer” (The Brain That Wouldn´t Die / The Head That Wouldn´t Die, Estados Unidos, 1962) # 405 – data: 28/10/06 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 30/10/06)

Os Monstros da Noite (The Navy Vs. the Night Monsters, EUA, 1966)

“Antártica, o continente gelado na extremidade do mundo. Um continente tão misterioso e desconhecido como os outros planetas do nosso Sistema Solar, ou um mundo no espaço imenso há milhões de anos-luz. Durante incontáveis milênios, os segredos deste deserto glacial permaneceram ocultos do resto do mundo, cobertos por uma traiçoeira camada de gelo. Surgiram então os primeiros exploradores antárticos; Wilkes, Scott, Shackelton, Amundsen, Bird. Homens intrépidos, de coragem e tenacidade em busca dos segredos desse continente hostil e gelado. Logo após vieram os exploradores modernos, forças tarefa mecanizadas de cientistas e técnicos de muitas nações, trabalhando juntos na descoberta dos segredos da Antártica. Operações iniciais: O Ano Geofísico Internacional, as pesquisas científicas. E agora, após mais de um ano de explorações e estudos, um grupo desses cientistas está deixando seus acampamentos. Seu destino: os Estados Unidos da América. Sua carga: espécimes de vida animal e vegetal dos confins do mundo.”

Essa é a introdução narrada de mais um filme de ficção científica com elementos de horror da produtiva e nostálgica década de 1960. Trata-se da produção americana “Os Monstros da Noite” (The Navy Vs. The Night Monsters, 1966, que numa tradução literal seria “A Marinha Contra os Monstros da Noite”), e que na Inglaterra recebeu o título de “Monsters of the Night”. Foi escrito e dirigido por Michael A. Hoey, um desconhecido cineasta que se inspirou no livro “Monster From Earth´s End”, de Murray Leinster, para escrever e filmar sua história sobre monstros vegetais assassinos oriundos dos segredos do imenso e gelado continente Antártico.

O filme é mais uma produção paupérrima, desconhecida e completamente rara do fascinante gênero fantástico. A cópia que tenho em VHS (e também preservada em DVD) foi gravada de uma exibição na televisão por volta de 1990 pelo SBT, numa madrugada perdida no meio da semana onde eram exibidos alguns filmes dublados e também com legendas em português, justamente para serem voltados a um público com deficiência auditiva. Obviamente que as legendas atrapalharam a exibição, já que elas somente têm valor quando o filme está em sua versão original em inglês ou outro idioma, o que torna essa versão brasileira de “Os Monstros da Noite” ainda mais exótica.

Atenção: O texto a seguir contém spoilers.

A narração do prólogo tem o objetivo de evidenciar o enorme fascínio que o Continente Antártico exerce sobre a humanidade, com seu imenso território gelado e seus segredos desconhecidos para a nossa Ciência. A história do filme começa quando um grupo de cientistas está retornando de uma expedição nessa região de avião para os Estados Unidos trazendo na bagagem animais e plantas para estudos. Uma vez sendo necessário reabastecer com combustível, os pilotos se comunicam com uma base naval americana na Ilha de Gow, no Pacífico Sul, para a realização de um pouso de escala. Porém, momentos antes do avião chegar ao aeroporto da ilha, ocorre um incidente interno e todos os cientistas e o co-piloto misteriosamente se desesperam com algo que viram e se jogam do avião preferindo cair para a morte ao invés de enfrentar um perigo desconhecido vindo do compartimento de cargas da nave. O piloto sobrevivente consegue ainda aterrissar o avião em segurança, mas ele fica em estado de choque e é internado no hospital da ilha.

Os militares em terra, sob o comando do tenente Charles Brown (Anthony Eisley), passam a investigar o misterioso sumiço dos cientistas do avião e retiram as cargas, basicamente composta por pinguins e amostras de árvores, colocando-as num armazém. (Aqui temos uma falha clara, pois os pinguins são animais oriundos de regiões de baixa temperatura, e no avião eles eram transportados em engradados comuns de madeira sem nenhum controle de temperatura, e certamente morreriam no clima quente da ilha). Quanto às arvores, eram estranhas amostras de vegetais colhidas para posteriores pesquisas na América. Segundo os biólogos exploradores da Antártica, elas foram descobertas numa região de 300 milhas quadradas de terra no meio do continente gelado, onde havia um único tipo de vegetação que estava protegido por lagos aquecidos subterrâneos, e que provavelmente eram tão antigos que precediam a própria Idade do Gelo. Daí vem o fascínio da humanidade pela Antártica, povoando o imaginário com seus segredos desconhecidos.

A situação passou a se complicar na base naval da Ilha de Gow quando começam a surgir os primeiros desaparecimentos de oficiais, supostamente assassinados por um “monstro” desconhecido que atacava nas proximidades das instalações. Mais tarde descobriu-se tratar das árvores vindas da Antártica, que adquiriram o poder de se movimentarem sozinhas e matar tudo a sua volta, desde homens, animais e até outras plantas. Elas possuem um líquido ácido que causa queimaduras corroendo a carne humana e como na Antártica a noite dura seis meses, elas desenvolveram um meio de se locomover atrás de alimento, pois somente no verão essas árvores agiam como as normais conhecidas pelo Homem, com suas raízes superficiais retirando o alimento do solo.

Com a capacidade de se multiplicarem rapidamente, os “monstros da noite” estavam tomando conta da ilha e logo iam se apoderar da base naval, porém aviões da Força Aérea Americana ancorados num navio próximo chegam no momento certo para atacar os vegetais assassinos com bombas incendiárias de napalm, e triunfar mais uma vitória do Homem sobre as forças maléficas do desconhecido.

Um destaque é a cena onde um marujo andando inadvertidamente pela floresta, é atacado por uma das árvores carnívoras e tem seu braço esquerdo arrancado pelo vegetal mutante, vindo depois a sofrer uma morte agonizante envolto em ácido corrosivo.

Os atores são medianos e alguns já foram vistos em participações em séries de televisão e o interesse mesmo fica para a beleza da jovem loira Mamie Van Doren, no papel da enfermeira Nora, que está apaixonada pelo tenente Brown, o comandante da base naval da ilha.

“Os Monstros da Noite” é uma produção extremamente barata, com situações que chegam a ser hilariantes, como o relacionamento militar entre os oficiais de patente, com diálogos recheados de gírias (eles eram amigos entre si, mas a arrogante disciplina militar está acima disso, principalmente quando em serviço). Os efeitos, ou melhor, os defeitos especiais são até engraçados na figura das árvores assassinas. Num momento rápido em que um grupo de vegetais ambulantes está caminhando em direção à base naval, podemos notar nitidamente que os “monstros” nada mais são do que estruturas simulando árvores caminhando sobre pequenas rodas, num efeito tosco bem precário. Na cena final com os aviões despejando bombas sobre as plantas mutantes, percebe-se claramente que são imagens aproveitadas de um exercício militar real numa floresta.

“Ilha de Gow. No passado, virtualmente desconhecida do mundo. Hoje, um ponto de referência na luta do Homem contra o desconhecido. Mais um passo à frente na marcha da Ciência.”

Com esse desfecho narrado, após o desfile vitorioso dos aviões que despejaram suas bombas sobre as plantas mortais, uma cena digna do mais puro e convencional clichê, se encerra mais uma produção de baixo orçamento do cinema fantástico. Um filme representante de um amadorismo tão ingênuo que se transforma numa grande diversão para os fãs de peículas “bagaceiras”, ou seja, repletas de situações comuns, interpretações medíocres, história óbvia e cheia de “furos”, efeitos “toscos” e todo tipo de falhas não propositais que tornam a produção um verdadeiro exemplo do cinema “trash”. Apesar da precariedade do filme, vale a pena conhecer “Os Monstros da Noite”, seja pela curiosidade dos fãs do autor de ficção científica Murray Leinster, de cuja obra se baseou o roteiro, ou principalmente pelo entretenimento garantido de um filme completamente raro, incomum e desconhecido da filmografia de ficção científica e horror dos anos 60 do século passado.

Nota do autor: Através do blog “Canibuk”, veio a informação que o filme recebeu o nome de “A Marinha Contra os Monstros” quando chegou ao Brasil, num interessante texto de Coffin Souza sobre o técnico em maquiagem Harry Thomas. Mais detalhes no link:

http://canibuk.wordpress.com/2011/11/18/harry-thomas-monstros-bananas-a-precos-idem/?mid=5307

site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 08/12/05)

Os Monstros da Noite / A Marinha Contra os Monstros (The Navy Vs. The Night Monsters / Monsters of the Night, Estados Unidos, 1966). Duração: 84 minutos. Direção e roteiro de Michael A. Hoey. Produção de George Edwards. Fotografia de Stanley Cortez. Direção de Arte de Paul Sylos. Música de Gordon Zahler. Maquiagem de Harry Thomas. Efeitos Especiais de Edwin Tillman. Som de Del Harris. Baseado no livro “Monster from Earth´s End, de Murray Leinster. Elenco: Mamie Van Doren, Anthony Eisley, Bobby Van, Walter Sande, Phillip Terry, Pamela Mason, Billy Gray, Edward Faulkner, David Brandon, Del West, Kaye Elhardt, Biff Elliot, Taggart Casey, William Meigs, Russ Bender, Garrett Myles, Mike Sargent, Paul Rhone.

Super 8 (Super 8, EUA, 2011)


É fato que Steven Spielberg é um nome eternamente associado ao cinema de entretenimento de grandes produções e bilheteterias milionárias. E é dele a assinatura da produção de mais um filme com essas características. “Super 8 (Super 8, 2011) entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 12/08/11, com direção de J. J. Abrams, uma aventura juvenil com elementos de horror e ficção científica.

A ação se passa em 1979 numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde um grupo de adolescentes está trabalhando nas filmagens em super 8 de uma história de zumbis. O grupo é formado por Joe Lamb (Joel Courtney), um garoto cuja mãe morreu há pouco tempo num acidente de trabalho e que está tentando solidificar o relacionamento com o pai, o policial Jackson (Kyle Chandler); a bela Alice Dainard (Elle Fanning), a única menina no meio de tantos garotos e que também tem dificuldade na relação com o pai alcoólatra (Louis, interpretado por Ron Eldard); o talentoso aspirante a diretor Charles (Riley Griffiths); o divertido Cary (Ryan Lee), que gosta de se maquiar de zumbi; Martin (Gabriel Basso), que faz o papel do galã detetive; e Preston (Zach Mills). Porém, quando o grupo está filmando algumas cenas à noite, eles testemunham um grave acidente no choque entre um trem e um caminhão, liberando uma carga estranha e permitindo a fuga no meio dos escombros de uma criatura misteriosa, despertando rapidamente a atenção do exército, que se movimenta para isolar a área e abafar as evidências.

“Super 8” parece ter como foco principal a relação de amizade entre os adolescentes e seus dramas familiares, e apenas como pano de fundo uma trama de horror e FC numa típica conspiração governamental. E mesmo que nossa preferência normalmente pendesse para o contrário, a ideia funciona bem. E apesar de prevalecer também um ritmo mais cadenciado na condução da história, não faltam boas cenas noturnas de ação com explosões e perseguições. A diversão está garantida, seja pela história interessante dos adolescentes, seja pelos elementos fantásticos presentes no filme.

Notam-se também homenagens a outros filmes do próprio Spielberg como “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, “E.T.” e “Os Goonies”, além do cineasta George Romero (nome eternamente ligado à temática dos zumbis). Vale a pena ficar atento também à exibição dos créditos finais, onde são apresentadas várias cenas divertidas do filme amador de zumbis dos garotos.

Super 8” (Super 8, EUA, 2011) # 571 – data: 14/11/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 14/11/11)

A Casa dos Sonhos (Dream House, EUA, 2011)


No dia 04/11/11 tivemos a estréia nos cinemas brasileiros do thriller “A Casa dos Sonhos” (Dream House), mais um filme tratando do tema fantasmas e casas assombradas, dirigido pelo irlandês Jim Sheridan e com um elenco de nomes conhecidos como Daniel Craig, Rachel Weisz, Naomi Watts e Elias Koteas.

Na história, Craig é Will Atenton, um editor reconhecido que decide deixar o emprego em New York e muda-se para um casarão no interior com a família formada pela esposa Libby (Rachel Weisz) e as duas filhas pequenas, Trish (Taylor Geare) e Dee Dee (Claire Geare). Com o objetivo de ficar mais tempo com a família e escrever um livro afastado da agitação de uma cidade grande, as coisas começam a se complicar quando as crianças informam que viram vultos espreitando a casa, uma vizinha, Ann Patterson (Naomi Watts), age de maneira fria e desconfiada, e ele descobre que sua casa foi o palco de um massacre alguns anos antes, onde um homem chamado Peter Ward foi acusado de matar a tiros a esposa e filhas, sendo posteriormente internado num manicômio.

Analisando rapidamente a presença de um elenco famoso, temos uma sensação positiva de um filme com potencial interesse, mas após conhecer a sinopse, vem a impressão de apenas mais um filme convencional explorando um assunto desgastado. E é exatamente isso que “A Casa dos Sonhos” é: ótimos atores em um filme típico da sessão “Supercine” das noites de sábado da TV Globo, um thriller fraquinho que tenta contar uma boa história com reviravoltas, mas que não consegue fugir das situações previsíveis e dos clichês do gênero, com cenas medianas de suspense num resultado pouco empolgante. E ainda temos um erro grotesco da equipe de produção, ao divulgar um trailer repleto de “spoilers” absurdos que certamente prejudicam a tentativa do espectador em ver ver o filme sem informações reveladoras.

A Casa dos Sonhos” (Dream House, EUA, 2011) # 570 – data: 13/11/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 13/11/11)

A Casa Que Pingava Sangue (The House That Dripped Blood, Inglaterra, 1970)


A produtora inglesa “Amicus” (rival da mais conhecida “Hammer”) também deixou um legado precioso para os apreciadores do cinema fantástico. “A Casa Que Pingava Sangue” (um título sonoro) é sua valiosa contribuição para o sub-gênero de casas assombradas, sendo também mais um exemplo bem sucedido da especialidade da produtora com os filmes explorando antologias com várias histórias dentro de um mesmo universo ficcional.

Com direção de Peter Duffell e roteiro de Robert Bloch (autor de “Psicose”), temos um detetive investigando o misterioso desaparecimento de um ator de filmes de horror, conhecendo vários casos trágicos de moradores de uma casa que parece ter vida própria, envolvendo temas como insanidade, bruxaria e vampirismo. O elenco é formado por dois dos maiores astros do cinema de horror de todos os tempos, Christopher Lee e Peter Cushing, trazendo também a beleza da musa Ingrid Pitt. Totalmente indispensável.

A Casa Que Pingava Sangue” (The House Thar Dripped Blood, Inglaterra, 1970) # 569 – data: 01/11/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 01/11/11)

O Retorno dos Vermes Malditos (Mongolian Death Worm, EUA, 2010)


Apesar do título nacional oportunista escolhido na distribuição em DVD no Brasil pela “PlayArte”, esse filme não faz parte da divertida e cultuada franquia “O Ataque dos Vermes Malditos” (Tremors). Aliás, em comum temos apenas os monstros similares, vermes imensos despertados de animação suspensa devido a escavações de uma empresa americana à procura de petróleo na Mongólia (daí o título original). Os bichos gigantes subterrâneos e carnívoros partem então para a superfície e atacam o que estiver no caminho. Para combatê-los temos um aventureiro em busca de tesouros e relíquias de uma tumba antiga perdida (protegida segunda lendas locais pelos tais vermes), e uma médica voluntária que tenta salvar a vida de aldeões afetados por uma epidemia. O casal de heróis americanos (é claro, são sempre eles) perdido no outro lado do mundo, é formado por Daniel (Sean Patrick Flanery) e Alicia (Victoria Pratt).

Típico filme bagaceiro com produção para a televisão e um roteiro ruim ao extremo, misturando um caçador de tesouros com mercenários assassinos, médicos em missão humanitária e funcionários corruptos de uma empresa de exploração de petróleo. Sem contar que na região toda só tem um único homem da lei, o xerife Timur (George Kee Cheung). No final, são noventa minutos de muita bobagem, onde provavelmente se salvem apenas as cenas com os ataques mortais dos vermes malditos.

O Retorno dos Vermes Malditos” (Mongolian Death Worm, EUA, 2010) # 568 – data: 08/10/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 08/10/11)

Romântico Defensor (Albuquerque, EUA, 1948)


Lançado em DVD no Brasil, “Romântico Defensor”, dirigido por Ray Enright, é mais um divertido western com o astro Randolph Scott, trazendo também o canastrão Lon Chaney Jr. (sempre com um cigarro na boca) como um dos vilões.

Scott é Cole Armin, que chega à cidade de Albuquerque para trabalhar com o tio John Armin (George Cleveland), um rico empresário local que domina a cidade agindo de forma desonesta para eliminar a concorrência no transporte de minério de uma mina localizada num difícil acesso. Para ajudá-lo nos delitos, temos o capanga Steve Murkill (Lon Chaney Jr.). Mas Cole percebe as intenções hostis do tio e troca de lado para defender a cidade e a companhia de transporte concorrente, liderada por Ted Wallace (Russell Hayden) e sua bela irmã Celia (Catherine Craig).

Western indispensável para os apreciadores do gênero e fãs de Randolph Scott.

Romântico Defensor” (Albuquerque, EUA, 1948) # 567 – data: 23/07/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 08/10/11)

Farsa Trágica (The Comedy of Terrors, EUA, 1964)


Como dizemos aos clientes, quando um ente querido dorme o sono eterno, deixe a Funerária Hinchley & Trumbull cuidar do empacotamento.

Um interessante filme de baixo orçamento produzido pela dupla de especialistas Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson (responsáveis por uma infinidade de pérolas do cinema fantástico) é “Farsa Trágica” (The Comedy of Terrors, 1964), também conhecido como “The Graveside History”, lançado no Brasil nos tempos do vídeo VHS pela “Globo”.
Considerado um clássico absoluto do humor negro, sem a exposição de violência e apenas utilizando discretas sugestões, “Farsa Trágica” reuniu quatro dos maiores atores do cinema de horror de todos os tempos, Vincent Price (1911-1993), Boris Karloff (1887-1969), Peter Lorre (1904-1964) e Basil Rathbone (1892-1967). E foi dirigido por outro grande nome do gênero fantástico, o francês Jacques Tourneur (1904-1977), responsável também por preciosidades como “Cat People” (1942), produzido pelo lendário Val Lewton, “Night of the Demon” (1957) e “War Gods of the Deep” (1965).
Filmado em apenas vinte dias, com turno de trabalho de doze horas diárias, o filme utilizou os mesmos cenários do macabro cemitério que faziam parte do set de filmagens de “The Premature Burial” (1962), dirigido por Roger Corman e baseado em obra de Edgar Allan Poe. O roteiro de “Farsa Trágica” é também de outro especialista no gênero, o consagrado Richard Matheson, um dos principais escritores, junto com Ray Bradbury, dos episódios da série original da televisão “Além da Imaginação” (1959/64), além também de escrever os argumentos de clássicos como “O Incrível Homem Que Encolheu” (1957) e “A Casa da Noite Eterna” (1973).
Trazendo alguns dos momentos de humor negro mais inesquecíveis e antológicos da história, com cenas super engraçadas e muito bem protagonizadas pelo fantástico quarteto de atores principais, que parecem se divertir mais do que o próprio público com suas performances refinadas, o filme é uma aula de cinema no gênero “Comédia dos Terrores”.
Por volta de 1890, uma agência funerária de New England passa por graves dificuldades financeiras com poucos clientes. Seus proprietários são Waldo Trumbull, interpretado por Vincent Price, e seu sogro, Amos Hinchley, um velho decrépito, meio surdo e dominhoco, interpretado por Boris Karloff. Trumbull é casado com a bela Amaryllis (Joyce Jameson), uma esposa negligenciada pelo marido alcoólatra e que vive quebrando os copos da casa com seus gritos agudos de frustração, pois seu sonho era ser cantora de ópera e constantemente ela está exercitando sua arte pela casa. O ex-presidiário fugitivo e desengonçado Felix Gillie (Peter Lorre, excepcional ator húngaro que morreu pouco tempo depois do lançamento do filme) é o assistente de Trumbull e está apaixonado pela desprezada Amaryllis. Trumbull tenta também frequentemente matar seu sogro e sócio através da ingestão de um veneno, o qual o velho esclerosado pensa ser apenas um simples remédio.
A situação ruim da funerária torna-se ainda mais desastrosa quando o proprietário do prédio onde funciona o estabelecimento, John F. Black (Basil Rathbone), aparece para cobrar o aluguel atrasado de um ano inteiro. A única solução que Trumbull descobriu foi a de criar “clientes”, e com a ajuda de seu assistente desajeitado, que já foi ladrão de banco, eles passam a procurar cidadãos ricos à noite para matá-los e oferecer seus serviços funerários à família. Como a sorte não estava do lado deles, sempre que criavam um “cliente”, a viúva desconsolada e supostamente inocente acabava fugindo com o dinheiro do marido e não pagava os honorários da funerária. Diante disso, a solução do problema foi fazer com que o próprio dono do prédio, Sr. Black, que sofria de catalepsia, uma rara e terrível doença que dá a impressão da vítima estar morta, virasse também um “cliente” forçado. Após várias tentativas inúteis de matá-lo, finalmente Trumbull e seu assistente Gillie conseguem seu objetivo, porém, Black acorda da inconsciência de sua doença e saí da cripta pertencente aos seus familiares, partindo para a vingança.
Como curiosidade, no elenco há o destaque até de uma gata atriz devidamente creditada como “Rhubard”, que interpretou o papel de “Cleópatra”, uma gata amarela de estimação da família Hinchley, que aparece em muitas cenas.
São tantas as sequências hilariantes que é impossível não rir com satisfação das cenas, como no confronto mortal e quase interminável entre Black e Trumbull, com o primeiro demonstrando sofrer de catalepsia e simular a morte várias vezes, sempre ressurgindo e declamando poemas de William Shakespeare. Ou no velório do Sr. Black, onde Amaryllis está cantando com sua voz aguda uma música fúnebre em homenagem ao suposto “falecido”, que tem uma letra no mínimo curiosa, parodiando os acontecimentos em torno da doença do Sr. Black:
“Ele não está morto, mas dormindo. Ele não está morto mesmo. Seus olhos se abrirão e ele verá as belezas da eternidade. Ele não nos deixou, pois constantemente poderemos ver que ele observa tudo que fazemos”.
A dupla interpretada por Vincent Price e Peter Lorre é simplesmente impagável, com trocas de diálogos e expressões faciais super engraçadas. Para se ter uma ideia da canastrice de ambos, eles utilizam o mesmo caixão da funerária por 13 longos anos, sendo que após a cerimônia de enterro dos clientes e com suas famílias indo embora do cemitério, eles rapidamente retiram o corpo do caixão e o enterram direto na terra, aproveitando o ataúde para o próximo funeral.
Ambos os atores estiveram juntos também em outro filme igualmente excepcional, “Muralhas do Pavor” (Tales of Terror, 1962), dirigido e produzido por Roger Corman e também com roteiro de Richard Matheson em três histórias baseadas em contos de Edgar Allan Poe. Num dos episódios, Price e Lorre são dois rivais degustadores profissionais de vinho, e eles travam um disputado duelo para reconhecer a qualidade, marca e idade de vários vinhos finos, utilizando métodos estranhos e fora do comum, onde se destacam as mais inusitadas expressões faciais que fariam um morto levantar de sua tumba de tanto rir.
Enfim, “Farsa Trágica” é um clássico do humor negro refinado, sem sangue nem violência, apenas utilizando um roteiro inteligente com um clima mórbido de discreto horror, uma autêntica “comédia dos terrores”, como diz o título original. Um filme para ser homenageado e relembrado sempre, como um exercício de puro entretenimento e para manter eterno o fascinante cinema fantástico produzido por consagrados nomes do passado como Jacques Tourneau, Richard Matheson, Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff, Basil Rathbone, e outros tantos mais...

“Farsa Trágica” (The Comedy of Terrors, 1964) – avaliação: 9 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com / blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 07/12/05)

Farsa Trágica (The Comedy of Terrors / The Graveside History, Estados Unidos, 1964). American International Pictures. Duração: 88 minutos. Direção de Jacques Tourneur. Roteiro de Richard Matheson. Produção de Anthony Carras, Richard Matheson, Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson. Fotografia de Floyd Crosby. Maquiagem de Carlie Taylor. Música de Les Baxter. Edição de Anthony Carras. Desenho de Produção de Daniel Haller. Efeitos Especiais de Pat Dinga e Butler-Glouner. Elenco: Vincent Price (Waldo Trumbull), Boris Karloff (Amos Hinchley), Peter Lorre (Felix Gillie), Basil Rathbone (John F. Black), Joyce Jameson (Amaryllis Trumbull), Buddy Mason (Sr. Phipps), Joe E. Brown (Coveiro), Douglas Williams (Doutor), Beverly Powers (Sra. Phipps), Alan DeWitt (Empregado do Sr. Black), Linda Rogers (Empregada da Sra. Phipps), Luree Holmes (Garota), Gato “Rhubard” (Cleópatra).

Observação: Um primeiro esboço desse artigo foi publicado no meu fanzine “Vortex” # 2 (Julho de 1991), e depois o texto foi revisado e atualizado, acrescentando novas informações e impressões sobre o filme, publicado no “Juvenatrix” # 77 (Agosto de 2003) e também no “Juvenatrix” # 130 (Outubro de 2011).

Tarântula (Tarantula, EUA, 1955)


Os anos 50 do século passado foram muito produtivos para o cinema fantástico, com uma infinidade de bagaceiras super divertidas como “Tarântula” (Tarantula, EUA, 1955), produzido pela Universal em preto e branco, com direção de Jack Arnold e roteiro de Robert M. Fresco e Martin Berkeley.

Curto com apenas 80 minutos de duração, é considerado como um dos mais expressivos filmes com aranhas gigantes, situado dentro do sub-gênero conhecido como “big bug”, ou seja, filmes que apresentam histórias com insetos de tamanhos descomunais como formigas, gafanhotos, louva-deus, vespas e escorpiões. Nesse caso, temos uma tarântula que acidentalmente cresce a uma altura de 30 metros devido ao contato com um hormônio de crescimento de uma fórmula desenvolvida pelo “cientista louco” Prof. Gerald Deemer (o inglês Leo G. Carroll), especialista em biologia nutricional que também se transformou num mutante grotesco por causa da mesma solução química injetada em si mesmo. Trabalhando num laboratório isolado no deserto do Arizona, sua intenção era criar um nutriente especial capaz de auxiliar na alimentação da população mundial, numa preocupação com seu crescimento desenfreado no futuro e os problemas com a fome.

Porém, um casal formado pelo médico local da pequena cidade de “Desert Rock”, Dr. Matt Hastings (John Agar), juntamente com a estudante de biologia Stephanie “Steve” Clayton (Mara Corday), está desconfiado do misterioso trabalho de pesquisa do cientista. Eles tentam investigar o caso e descobrem a ameaça mortal da tarântula gigante faminta por carne, que passa a aterrorizar a região atacando animais e pessoas, sendo combatida por bombas incendiárias dos caças da força aérea americana.

Curiosamente, o então ainda jovem ator Clint Eastwood, tem uma rápida e pequena participação próximo ao final do filme, com o rosto parcialmente coberto por um capacete, no papel do líder do esquadrão de aviões de guerra. Ele que obteve depois um estrondoso sucesso em sua carreira como ator e também como cineasta de grande reconhecimento.

Mesmo sendo uma produção tipicamente de baixo orçamento e pelas dificuldades técnicas existentes numa época de mais de meio século atrás, os efeitos especiais com a aranha gigante são ótimos e impressionam, apesar de obviamente as cenas de ataques do enorme aracnídeo serem escuras de forma proposital para esconder os defeitos e manter ao máximo o clima de tensão.

O diretor Jack Arnold é conhecido por suas incursões no cinema fantástico, sendo o responsável por pérolas como “Veio do Espaço” (53), “O Monstro da Lagoa Negra” (54) e “O Incrível Homem Que Encolheu” (57). A bela atriz Mara Corday esteve também em outro filme de inseto gigante, “O Escorpião Negro” (The Black Scorpion, 1957). O ator John Agar (1921 / 2002) é lembrado por suas participações em inúmeros filmes “B” de horror e ficção científica como “Revenge of the Creature” (1955), “The Mole People” (1956), “The Brain From Planet Arous” (1957), “Attack of the Puppet People” (1958), “Invisible Invaders” (1959), “Journey to the Seventh Planet” (1962), “O Monstro de Vênus” (1966) e “Women of the Prehistoric Planet” (1967).

“Tarântula” foi lançado em DVD no Brasil pela “Continental”, trazendo como material extra breves biografias de Clint Eastwood e Jack Arnold, além de um trailer original.

Tarântula” (Tarantula, EUA, 1955) # 566 – data: 25/06/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 26/06/11)

Quinta Dimensão (The Outer Limits, EUA, 1963/1965)


Não há nada errado com seu aparelho de televisão. Não ajuste o sinal. Nós estamos controlando a transmissão. Nós iremos controlar o horizontal. Iremos controlar o vertical. E se quisermos que ouça mais alto, nós subiremos o volume. E se nós quisermos que seja mais suave, um sussurro será ouvido. Podemos fazer a imagem descer, a imagem vibrar. Podemos mudar o foco até chegar num ponto suave. Ou intensificá-la até chegar numa claridade cristalina. Na próxima hora, sente-se tranquilo e nós controlaremos tudo o que você ver e ouvir. Repetimos, não há nada errado com sua televisão. Você está prestes a participar de uma grande aventura. Você está prestes a experimentar o assombro e o mistério que surgem do interior da mente... até os limites exteriores.

A preciosa série de TV “Quinta Dimensão” (The Outer Limits, EUA, 1963 / 1965), foi produzida em preto e branco por Leslie Stevens e Joseph Stefano, com 49 episódios de 50 minutos de duração, apresentando excelentes histórias de fantasia, horror e principalmente ficção científica. Sempre com pertinentes mensagens e críticas sociais, especulando as virtudes e defeitos da raça humana na eterna procura por conhecimento, desafiando “os limites exteriores”. Sua maior virtude está na qualidade dos roteiros, com uma regularidade notável de grandes histórias que prendem a atenção do espectador e instigam nossa curiosidade pelo desconhecido.

A série é tão interessante quanto a anterior “Além da Imaginação” (The Twilight Zone, EUA, 1959 / 1964), criada por Rod Serling, que é mais conhecida e famosa entre os apreciadores do cinema fantástico.

Entre 1995 e 2002 tivemos outra versão mais moderna da série com 152 episódios em 7 temporadas, sendo que a primeira delas foi até lançada em DVD no Brasil.

Abaixo seguem sinopses e comentários de 29 dos 49 episódios, e o texto pode conter alguns eventuais “spoilers”.

Agradecimentos especiais ao amigo e colecionador E. R. Corrêa pelo fornecimento dos episódios em DVD com legendas.

* “The Galaxy Being”, temporada 1, episódio 1 (16/09/1963), dirigido e escrito por Leslie Stevens.

Um cientista, Alan Maxwell (Cliff Robertson), casado com Carol (Jacqueline Scott), é proprietário de uma rádio chamada KXKVI, juntamente com seu irmão Gene “Buddy” Maxwell (Lee Phillips), um DJ popular. Uma vez obcecado com experiências envolvendo transmissões com microondas, utilizando a potência e os aparelhos da estação de rádio, o cientista entra em contato com uma criatura alienígena de outra galáxia (Wm. O. Douglas), formada por eletricidade. Porém, um aumento inconsequente do uso de potência por um outro DJ, Eddie Phillips (Burt Metcalfe), que queria aumentar o alcance de seu programa, ocasionou um acidente que sugou o alienígena para nosso mundo, espalhando o horror numa pequena cidade.

Excelente episódio explorando as experiências de um cientista que consegue comunicação com um alienígena através das ondas de rádio, com um acidente em seu laboratório trazendo graves consequências. No roteiro, temos vários elementos recorrentes em histórias similares como a esposa infeliz com o marido obcecado pelo trabalho científico e a reação sempre violenta do poder militar que se sente ameaçado contra aquilo que desconhece. Os efeitos especiais do alienígena são muito interessantes e convincentes, principalmente para a época da produção. O veterano ator Cliff Robertson participou da moderna franquia “Homem-Aranha” como o tio de Peter Parker, e a atriz Jacqueline Scott é um rosto conhecido em várias séries de TV dos anos 60 e 70.

* “The Hundred Days of the Dragon”, temporada 1, episódio 2 (23/09/1963), dirigido por Byron Haskin e escrito por Allan Balter e Robert Mintz.

Uma nação comunista do Oriente, sob o comando de um militar tirano, Li-Chin Sung (Richard Loo), está planejando invadir os Estados Unidos, substituindo seus líderes por cópias idênticas, através da injeção no sangue de um soro capaz de modificar o rosto das pessoas com o uso de uma máscara especial, num trabalho de pesquisa do cientista Dr. Sui-Lin (Aki Aleong). O objetivo primeiramente é substituir o principal candidato à eleição para Presidente dos Estados Unidos, William Lyons Selby (Sidney Blackmer), que é trocado por um militar oriental, o Major Ho Chi-Wong (Clarence Lung). A filha do então presidente eleito, Carol Selby Conner (Nancy Rennick), desconfiada de atitudes suspeitas do pai substituído, juntamente com o vice-presidente Ted Pearson (Phillip Pine) e um agente federal, Frank Summers (Bert Remsen), tenta deter o plano maquiavélico dos inimigos.

Episódio com competente trama de espionagem, e apesar de insistir no cansativo clichê dos “americanos bonzinhos a favor da liberdade e salvadores do mundo contra os comunistas frios e malvados”, apresenta um roteiro que prende a atenção do espectador o tempo todo, envolvendo elementos de FC com experiências científicas de plasticidade molecular, e conspiração militar em tempos turbulentos de guerra fria. O diretor Byron Haskin tem em seu currículo o indispensável “A Guerra dos Mundos” (The War of the Worlds, 1953), baseado em livro de H. G. Wells, e o veterano ator Sidney Blackmer esteve no clássico de horror “O Bebê de Rosemary” (1968), de Roman Polanski.

* “The Architects of Fear”, temporada 1, episódio 3 (30/09/1963), dirigido por Byron Haskin e escrito por Meyer Dolinsky.

“Este é o dia? Este é o começo do fim? Não há tempo para pensar. Não há tempo para se perguntar, por que está acontendo, por que finalmente está acontecendo. Só há tempo para o temor, pela dor do pânico. Vamos rezar? Ou vamos fugir agora e rezar depois? Será que vai haver um depois? Ou este é o dia?” – O episódio se inicia com essa dramática narração enquanto uma bomba atômica cruza os céus para explodir em seguida. Um grupo secreto de renomados cientistas americanos, liderados pelo Dr. Phillip Gainer (Leonard Stone), preocupado durante o auge da guerra fria com a constante ameaça do holocausto nuclear, decide que uma possível solução para o problema entre as nações inimigas, seria transformar um deles em laboratório numa criatura monstruosa. O ser de feições horrendas seria tratado como um alienígena invasor, para tentar forçar a união da humanidade em conflito no combate de uma ameaça maior comum, deixando as desavenças e guerras de lado. O grupo escolhe num sorteio aleatório o Dr. Allen Leighton (Robert Culp), que passa a receber injeções de soros especiais e cirurgias diversas para mudar suas características físicas. A idéia é enviá-lo num cápsula ao espaço para simular uma aterrissagem na Terra e colocar o plano em prática. Mas, sempre há detalhes que contrariam o planejamento, como a esposa do escolhido, Yvette (Geraldine Brooks), que está se preparando para ser mãe.

A história desse episódio procura explorar os efeitos perturbadores provenientes da tensão da guerra fria e a paranóia do fim do mundo numa catástrofe nuclear. Outro sub-gênero também utilizado pelo ótimo roteiro é o do “cientista transformado em monstro”, um tema muito recorrente nos filmes de FC & Horror das décadas de 50 e 60 do século passado, sendo nesse caso específico a motivação para um plano de tentativa desesperada de obtenção de paz entre países rivais. A maquiagem tosca da criatura também nos remete aos filmes bagaceiros e super divertidos daquele período dourado do cinema fantástico. O ator Robert Culp, falecido em 2010, é reconhecido por participações em várias séries de TV e filmes menores, e esteve também no episódio “Demon With a Glass Hand”, com história de Harlan Ellison.

* “The Man With the Power”, temporada 1, episódio 4 (07/10/1963), dirigido por Laslo Benedek e escrito por Jerome Ross.

Um professor universitário, Harold J. Finley (Donald Pleasence), entediado com o trabalho e com o relacionamento familiar desgastado com a esposa Vera (Priscilla Morrill), decide ser submetido a uma cirurgia cerebral com a implantação de um dispositivo na cabeça que permite capturar o poder emitido pela energia do campo eletromagnético da natureza. Com esse poder da mente, ele consegue levitar e movimentar objetos imensos, e é convidado para trabalhar num centro de investigação espacial, num projeto liderado pelo Dr. Sigmund Hindeman (John Marley). Nele, cientistas fazem pesquisas para criar condições de enviar astronautas ao espaço em busca de minérios em asteróides e meteoritos, como fonte alternativa para combustíveis e para as reservas naturais limitadas em nosso planeta. Porém, como um efeito colateral indesejado, devido ao poder incontrolável da mente, uma vez o professor contrariado ou irritado com alguém, ele passa inconscientemente a canalizar a energia cósmica associada ao sentimento de raiva, criando uma força invisível mortal contra seus oponentes.

O interessante tema central desse episódio, “os monstros da mente humana”, já havia sido muito bem utilizado no clássico de FC “Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956), quando um cientista colonizador de um planeta distante, em contato com a avançada tecnologia alienígena de uma civilização extinta, acaba criando inconscientemente com o poder da mente, um monstro invisível que ataca os tripulantes de uma nave de resgate da Terra. O ator inglês Donald Pleasence (1919 / 1995) foi um dos grandes nomes do cinema fantástico, tendo atuado em vários filmes do gênero, destacando-se e sendo mais reconhecido como o psiquiatra Dr. Loomis na franquia “Halloween”, o incansável perseguidor do psicopata mascarado Michael Meyers.

* “The Sixth Finger”, temporada 1, episódio 5 (14/10/1963), dirigido por James Goldstone e escrito por Ellis St. Joseph.

Um professor de genética e cientista inglês, Prof. Mathers (Edward Mulhare), vive numa pequena cidade no interior em seu laboratório, pesquisando formas de acelerar a evolução da raça humana, trabalhando com eletrônica de alta frequência com enfoque molecular da genética. Após o sucesso obtido ao utilizar um macaco como cobaia, conferindo ao animal uma inteligência fora do comum, ele aceita utilizar um jovem rapaz, Gwyllin Griffiths (David McCallum), trabalhador braçal nas minas de carvão da região, a príncipio como assistente indicado pela bela jovem Cathy Evans (Jill Haworth), entregadora de pães ao cientista. Depois, pelo interesse do próprio rapaz, ele torna-se um teste da pesquisa científica, submetendo-se à ação de uma máquina capaz de acelerar o processo evolutivo, tornando-se um homem com seis dedos, orelhas pontiagudas e um cérebro imenso, com um poder de inteligência extremamente avançado.

Um dos mais conhecidos episódios da série, situado dentro dos subgêneros “cientista louco” e “homem transformado em monstro”. O Prof. Mathers é um cientista que trabalha incansavelmente visando o bem da humanidade com a intenção de criar o homem do futuro, que superaria as paixões animais que levam nossa espécie à violência e auto-destruição, desenvolvendo uma inteligência necessária para uma existência pacífica e civilizada. Já o jovem Gwyllin, sem perspectivas em sua vida simples de trabalhador numa mina escura, acaba se transformando num monstro, uma criatura disforme com inteligência altamente desenvolvida e em conflito com o homem comum de sua época. Temos também aqueles elementos sempre presentes e indispensáveis nos filmes de FC antigos como o laboratório repleto de painéis elétricos, alavancas, botões e luzes piscantes. O ator escocês David McCallum é conhecido pelo papel principal na série de TV “O Homem Invisível” (1975 / 1976) e o irlandês Edward Mulhare esteve no elenco fixo da divertida série “A Super Máquina” (Knight Rider, 1982 / 1986).

* “The Man Who Was Never Born”, temporada 1, episódio 6 (28/10/1963), dirigido por Leonard Horn e escrito por Anthony Lawrence.

Um astronauta, Capitão Joseph Reardon (Karl Held), partindo da Terra em 1963, está viajando sozinho no espaço e acidentalmente entra num portal temporal, saltando para o futuro quase 200 anos, chegando em nosso planeta em 2148 e encontrando um lugar desolado. Lá, ele entra em contato com um homem disforme, Andro (Martin Landau), um remanescente da humanidade em decadência, que informa que um vírus de origem extraterrestre e manipulado em laboratório por um cientista chamado Bertram Cabot Jr. com propósitos militares, causou uma contaminação com mutações genéticas que levou a raça humana à ruína. Eles decidem então retornar no tempo atravessando o mesmo portal no espaço, para tentar impedir que o cientista desenvolva o micróbio e possibilitar um futuro alternativo melhor. O deformado Andro passa a utilizar sua capacidade hipnótica para sugerir que sua aparência seja normal e não assuste as pessoas, e encontra a bela jovem Noel Anderson (Shirley Knight), a futura mãe do cientista, onde tenta impedir seu nascimento.

Utilizando o sempre instigante tema de “viagem no tempo”, esse memorável episódio de “Quinta Dimensão” tem todos aqueles elementos preciosos dos filmes de Ficção Científica antigos, não faltando a cena clássica de aterrissagem da nave espacial em nosso planeta devastado no futuro, a presença de um homem deformado representando o legado decadente da humanidade, a exposição de uma biblioteca guardando todo o conhecimento acumulado da nossa espécie e transformando-se na única lembrança de uma raça em extinção, além da tentativa desesperada de retorno ao passado num esforço em alterar erros cometidos dando oportunidade de evitar uma catástrofe. No elenco, o destaque é o carismático ator Martin Landau, que esteve na série de TV “Espaço 1999” (1975 / 1978) e interpretou o ícone do cinema de Horror Bela Lugosi no filme “Ed Wood” (1994), de Tim Burton.

* “O.B.T.I.”, temporada 1, episódio 7 (04/11/1963), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Meyer Dolinsky.

O.B.T.I. (“Outer Band Indivituated Teletracer” ou algo como “Tele Observador Individualizado de Limites Exteriores”) é uma máquina eletrônica sofisticada, um computador que capta a imagem em qualquer lugar espionando todos os movimentos dos seres humanos de forma individualizada, uma espécie de “big brother” em tempo integral, sem o conhecimento da vítima vigiada. É um equipamento processador de dados de um projeto secreto governamental de um Centro de Pesquisas de Defesa chamado “Cyprus Hill”. Quando um operador da máquina é encontrado morto estrangulado sobre o equipamento, com o pescoço esmagado de forma incomum por mãos exageradamente fortes, o governo envia ao local o Senador Orville (Peter Breck) para liderar uma investigação detalhada do caso. O político encontra um clima de instabilidade na base secreta, e dificuldade no trabalho de perícia ao interrogar o militar responsável Coronel Grover (Alan Baxter), e vários cientistas, entre eles o misterioso Dr. Byron Lomax (Jeff Corey), um dos chefes da equipe que controla a máquina, e o Dr. Clifford Scott (Harry Townes), que sofreu um colapso nervoso ao espionar sua esposa Barbara (Joanne Gilbert).

Outro episódio excepcional, dessa vez enfatizando como o elemento fantástico da história um super computador que vigia as pessoas, revelando uma origem insuspeita e objetivos completamente obscuros, que poderiam levar nossa civilização à ruína por causa da desestruturação crescente da sociedade. A máquina espiã tem o poder de viciar o operador, levando-o a vigiar de forma compulsiva as pessoas, instaurando uma atmosfera de desconfiança e desagregação progressiva. Também não falta a sempre bem vinda presença de um monstro, dessa vez sendo uma criatura humanóide com um único olho e mãos enormes com apenas três dedos, que aparece no visor da máquina, desestabilizando o operador. A maior parte da história se passa numa sala de interrogatórios, onde o Senador conduz a investigação, sempre sugerindo a curiosidade em descobrirmos a origem e propósitos da misteriosa máquina. O ator Peter Breck esteve no elenco fixo da saudosa série de TV de western “The Big Valley” (1965 /1969).

* “The Human Factor”, temporada 1, episódio 8 (11/11/1963), dirigido por Abner Biberman e escrito por David Duncan.

Numa base militar de pesquisas isolada no Ártico, frequentemente enfrentando pequenos terremotos nas geleiras, um cientista brilhante, Dr. James Hamilton (Gary Merrill), responsável por um projeto secreto no “Centro de Fator Humano”, inventou uma máquina capaz de compartilhar os pensamentos de duas pessoas, através de eletrôdos especiais instalados na cabeça. Após o sucesso da experiência ao utilizar sua bela assistente Ingrid Larkin (Sally Kellerman), obtendo a unificação de suas mentes, o cientista decide fazer o mesmo com um militar paranóico, o Major Roger Brothers (Harry Guardino), que estava tendo alucinações com um fantasma causadas pelo sentimento de culpa ao abandonar um soldado num acidente numa fenda no gelo. Porém, um forte tremor no momento da unificação de pensamentos causou uma anomalia nos intrumentos da máquina e ambos os homens trocaram de corpos, com o atormentado militar utilizando o corpo do cientista e colocando a base em perigo.

História com bons momentos de suspense, e apresentando um cientista obcecado pelo trabalho com experiências bizarras, dessa vez criando um equipamento eletrônico com os habituais botões de regulagem e luzes piscando, capaz de compartilhar os pensamentos. Algo que pode se tornar extremamente perigoso dependendo da condição mental das pessoas envolvidas, sendo nesse caso, um militar perturbado com alucinações fantasmagóricas. O veterano ator Gary Merrill é outro daqueles que podem ser reconhecidos por diversas participações em séries de TV da mesma época como “Combate”, “Viagem ao Fundo Mar” e “O Túnel do Tempo”.

* “Corpus Earthling”, temporada 1, episódio 9 (18/11/1963), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Orin Borsten (roteiro) e Louis Charbonneau (história).

Parasitas alienígenas se manifestam através de aparentemente inofensivas rochas coletadas para estudo pelo geólogo Dr. Jonas Temple (G. B. Atwater). As criaturas extraterrestres planejam invadir nosso planeta se apossando dos seres humanos, e apenas um homem consegue ouví-los se comunicarem, o cirurgião Paul Cameron (Robert Culp), por causa de uma anomalia no cérebro provocada pela presença de um estilhaço de ferro num ferimento de guerra. Pensando estar enlouquecendo ao ser o único a ouvir as estranhas vozes, ele decide fugir com sua esposa Laurie (Salome Jens), assistente do laborário do cientista que estuda as pedras, viajando até uma cidadezinha no México, para um merecido descanso e tentativa de esquecer os problemas. Mas, os alienígenas querem eliminá-lo por considerarem uma ameça aos seus propósitos de invasão, e iniciam o plano se apossando do corpo do cientista Dr. Temple e em seguida de Laurie.

Esse episódio é uma das contribuições da série para o sempre fascinante tema de “invasões alienígenas”, com uma história trazendo elementos claramente inspirados em filmes clássicos e indispensáveis dentro desse sub-gênero como “Vampiros de Almas” (Invasion of the Body Snatchers, 1956). Aqui, simples e inofensivas pedras abrigam criaturas de outro mundo com intenções hostis, nos espreitando e apenas aguardando uma oportunidade de agir. O ator Robert Culp esteve em outros dois episódios da série, “The Architects of Fear” (# 3) e “Demon With a Glass Hand” (# 37). E a atriz Salome Jens esteve no filme de FC “O Segundo Rosto” (Seconds, 1966), ao lado de Rock Hudson.

* “Nightmare”, temporada 1, episódio 10 (02/12/1963), dirigido por John Erman e escrito por Joseph Stefano.

A Terra está em guerra com o planeta Ebon. Uma nave espacial é enviada para enfrentar os inimigos, levando um grupo internacional de militares formado pelo líder americano Coronel Luke Stone (Ed Nelson), o Tenente alemão Esra Krug (Sasha Harden), o Capitão inglês Terrence Ralph Brookman, o Major japonês Jong (James Shigeta), o Tenente africano James P. Willowmore (Bill Gunn) e o soldado americano Arthur Dix (Martin Sheen). Eles são facilmente capturados antes mesmo de iniciar o conflito e encontram-se presos num ambiente vigiado por guardas ebonitas armados, sendo terrivelmente entrevistados e torturados por um interrogador alienígena (interpretado por John Anderson), que quer obter informações privilegiadas sobre as manobras militares dos terráqueos.

Não poderia faltar a exploração do tema “guerra interplanetária” na série, e “Nightmare” é mais um excelente episódio filmado com baixíssimo orçamento, pois temos apenas uma breve cena mostrando a viagem da nave ao planeta Ebon, os cenários são extremamente simples e os alienígenas possuem uma maquiagem tosca, com cabeças enormes e visual típico das deliciosas bagaceiras dos anos 50 e 60 do século passado, deixando claro que o mérito do episódio está no roteiro que esconde uma revelação importante. Entre as curiosidades, vale ressaltar a presença do veterano ator Whit Bissell como um comandante militar, ele que esteve em inúmeros filmes “B” de horror e FC como “O Monstro da Lagoa Negra” (1954) e “Cidade Sob o Mar” (1971), além de participações em várias séries de TV, sendo o General Heywood Kirk de “O Túnel do Tempo”. Esse episódio traz também Martin Sheen no papel do soldado Dix, um ator que se notabilizou no mundo do cinema sendo o protagonista do clássico da guerra do Vietnã “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola.

* “It Crowled Out of the Woodwork”, temporada 1, episódio 11 (09/12/1963), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Joseph Stefano.

Numa estação de pesquisas energéticas chamada “Norco”, o cientista Dr. Bloch (Kent Smith) descobriu uma espécie de entidade maléfica feita de energia pura, que mata as pessoas com quem entra em contato. Por isso, o cientista a mantém sob controle aprisionada numa sala especial. Seu objetivo e de sua assistente Professora Stephanie Linden (Joan Camden), é encontrar um meio de alterar a lei de conservação de energia, e eles recebem a visita e apoio do jovem físico Prof. Stuart Peters (Michael Forest) nessa tarefa desafiadora. Porém, mais mortes misteriosas ocorrem na estação chamando a atenção de investigação policial, através do Sargento Thomas Siroleo (Edward Asner), e também do irmão caçula do físico recém chegado, Jory Peters (Scott Marlowe).

O roteiro desse episódio investe com maior enfâse no horror, através da manifestação de uma energia maligna assassina. Os efeitos especiais nas cenas de mortes são bem toscos, mas mesmo assim ainda convincentes e interessantes, transmitindo uma atmosfera obscura e inquietante. O ator Kent Smith esteve no clássico “Sangue de Pantera” (Cat People, 1942) e na continuação “A Maldição do Sangue de Pantera”, além de ter participado em inúmeras séries de TV, destacando sua presença em muitos episódios de “Os Invasores” (1967 / 68), como um empresário que sabe da existência de alienígenas infiltrados em nosso planeta. Vale registrar a narração do desfecho: “A lei de conservação de energia. Um princípio que estabelece que a energia pode mudar de forma, mas que não pode ser criada nem destruída. E isto acontece com todo tipo de energia. A energia da genialidade, da loucura, do coração, do átomo. É necessário conviver com ela. Deve ser controlada e utilizada para o Bem e afastada do Mal. Deve-se conviver com ela de forma pacífica.”. Parecem sábias palavras, principalmente depois do que acontece na história desse episódio.

* “The Borderland”, temporada 1, episódio 12 (16/12/1963), dirigido e escrito por Leslie Stevens.

“A mente humana sempre quis saber o que havia além do mundo em que vivemos. Os exploradores investigaram as profundidades e as alturas. Alguns desses exploradores são cientistas, outros são místicos. Cada um tem um motivo diferente. O que todos têm em comum é o desejo de atravessar a fronteira que demarca os limites exteriores.” Iniciando com essa brilhante narração, “The Borderland” conta a história de um cientista, Prof. Ian Fraser (Mark Richman), que com o auxílio de sua esposa especialista em matemática, Eva (Nina Foch), e o amigo Lincoln Russell (Philip Abbott), tenta através de experiências com antimatéria utilizando campos magnéticos e energia elétrica (forças invisíveis poderosas), atravessar a fronteira rumo ao desconhecido de uma quarta dimensão. Para obter financiamento para seu projeto científico, eles precisam convencer um rico empresário, Sr. Dwight Hartley (Barry Jones), que tem interesse em contatar seu filho que morreu adolescente num acidente automobilístico, e que tem esperanças de encontrá-lo no mundo do além. Para conseguir a aprovação do empresário e utilizar a energia de bilhões de volts de uma usina elétrica geradora de energia, os cientistas tiveram também que desmascarar as ações fraudulentas de uma médium, Sra. Palmer (Gladys Cooper), e seu assistente Sr. Edgar Price (Alfred Ryder), que também tentavam contatar o garoto morto. E para completar, eles também precisaram enfrentar a desconfiança e descrédito do Sr. Sawyer, um executivo sem escrúpulos que controla as finanças do Sr. Hartley, e tem interesses obscuros nos resultados da pesquisa.

Mesmo sendo repetitivo, tenho que registrar que esse é mais um “excelente” episódio, que prende a atenção do espectador nos 50 minutos de projeção, desde o início com a tentativa da equipe científica em convencer o empresário a financiar o projeto, passando pelas experiências com objetos inanimados, depois um rato como cobaia viva, e finalmente o próprio cientista Prof. Fraser, pressionado pela obtenção de resultados, culminando num desfecho carregado de tensão e curiosidade. A frase “Polaridade... Inversão!” repetida inúmeras vezes no ápice crítico das experiências, ficou marcada no episódio. E um laboratório repleto de computadores imensos, equipamentos elétricos com botões reguladores, interruptores, luzes piscantes, medidores analógicos, geradores gigantescos de energia, e cientistas abnegados exploradores do desconhecido, tudo tipicamente dos anos 60 do século passado, é o palco para a realização de experiências para abrir uma porta dimensional. O ator Mark Richman participou como convidado de uma infinidade de séries de TV antigas como “Além da Imaginação”, “O Fugitivo”, “Jornada nas Estrelas”, “Combate”, “Daniel Boone”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “Gunsmoke”, “Os Invasores”, “Bonanza”, “Lancer”, “Havaí 5-0”, “Terra de Gigantes”, “Missão Impossível”, “Cyborgue”, “A Mulher Biônica”, “São Francisco Urgente”, etc.

* “Tourist Attraction”, temporada 1, episódio 13 (23/12/1963), dirigido por Laslo Benedek e escrito por Dean Riesner.

Um aventureiro americano e milionário, John Dexter (Ralph Meeker), está realizando investigações submarinas com uma câmera especial num lago de um país fictício da América Central. Ele recebe a ajuda de um biólogo marinho local, Tom Evans (Jerry Douglas), contratado para auxiliá-lo nas pesquisas, e a bordo do barco ainda está também a bela Lynn Arthur (Janet Blair), uma jornalista apaixonada pelo aventureiro. O país fictício latino é San Blas, e é governado por um ditador, General Juan Mercurio (Henry Silva), que construiu um sofisticado complexo comercial para atrair turistas internacionais, mas que não deu certo. Porém, as coisas se complicam bastante depois que a equipe submarina encontra e captura um lendário monstro que vive nas profundezas do lago, uma espécie de peixe com uma cabeça imensa, braços e pernas, e que possui poderes misteriosos como romper estruturas com a emissão de sons de alta frequência. Enquanto o aventureiro quer levá-lo para os Estados Unidos em busca de fama, o ditador militar quer usar a criatura para atrair turistas ao seu país.

Com clara referência ao clássico “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), no que diz respeito à descoberta de um monstro marinho ancestral parecido com o homem, o episódio também procura retratar os governos ditatoriais de países pobres da América Latina, com uma mensagem contra o totalitarismo. Os efeitos especiais são hilários e por isso mesmo muito divertidos, típicos dos filmes bagaceiros dos anos 50 e 60 do século passado, na concepção da criatura utilizando um ator dentro de uma fantasia de borracha, com olhos imensos sem expressão e boca repleta de dentes afiados. No elenco, temos Henry Silva no papel do ditador, um eterno ator coadjuvante com imensa lista de participações no currículo, além de Ralph Meeker, que esteve no clássico de guerra “Os Doze Condenados” (1967).

* “The Zanti Misfits”, temporada 1, episódio 14 (30/12/1963), dirigido por Leonard Horn e escrito por Joseph Stefano.

Os habitantes do planeta Zanti possuem uma sociedade disciplinada e perfeccionista, incapaz de eliminar os desajustados de sua própria espécie. Para resolver esse problema social, eles fazem um acordo forçado com a Terra enviando uma nave penal com seus prisioneiros para serem exilados em nosso planeta. A força aérea americana escolhe os arredores de uma cidade fantasma chamada “Necrotério” no deserto da Califórnia para servir de aterrissagem da nave alienígena. No comando estratégico da missão está o General Maximillian R. Hart (Robert F. Simon), ajudado pelo historiador especialista em eventos espaciais Prof. Stephen Grave (Michael Tolan) e outros militares como o Major Roger Hill (Claude Woolman). Porém, um casal em fuga de carro formado pelo ladrão de bancos Ben Garth (Bruce Dern) e uma esposa infiel que decidiu fugir com ele em busca de aventuras, Lisa Lawrence (Olive Deering), entra na área de segurança e coloca o plano em risco, podendo causar um incidente interplanetário.

Esse é um dos episódios da série que mais ficam guardados na memória, devido a sua característica de filme bagaceiro ultra divertido da mais pura ficção científica tranqueira da saudosa década de 1950. Temos todos aqueles efeitos toscos de uma nave alienígena repleta de criaturas inteligentes do espaço semelhantes a formigas com rosto humanóide (olhos, nariz e boca bem definidos). A nave espacial metálica é uma atração à parte de tão tranqueira, e os alienígenas caminhando e atacando os humanos em trabalhosos efeitos “stop-motion” são impagáveis de tão divertidos, num esforço altamente valorizado da equipe de produção da série, numa época em que nem se pensava em computação gráfica. É claro que os americanos não poderiam deixar de serem os eternos heróis salvadores do nosso mundo e representantes da humanidade, um fato patético que o cinema nunca deixou de salientar, mas isso não impede a diversão. No episódio, temos também a sala de operações na condição de um campo de batalha, com radares e computadores enormes que “não sangram”, conforme diz o General Hart como uma vantagem em relação às guerras habituais. Enquanto na Terra mantemos nossos desajustados sociais em penitenciárias ou eles são executados por nossas leis, no planeta Zanti os inadaptados da sociedade são um problema de difícil solução, restando o exílio para outros mundos, uma idéia interessante que só não é utilizada por nós por não dominarmos ainda as viagens espaciais. Como curiosidade, o ator Bruce Dern, que interpretou o fugitivo Ben Garth, esteve no excepcional clássico ecológico da FC “Corrida Silenciosa” (Silent Running, 1972).

* “The Mice”, temporada 1, episódio 15 (06/01/1964), dirigido por Alan Crosland Jr. e escrito por Bill S. Ballinger e Joseph Stefano (roteiro) e Bill S. Ballinger e Lou Morheim (história).

Num projeto secreto do governo americano, o cientista e astrofísico Dr. Thomas Kellander (Michael Higgins), auxiliado pelo Dr. Robert Richardson (Ronald Foster) e pela Dra. Julia Harrison (Diana Sands), é o responsável pela experiência de teleportação entre a Terra e um planeta dez anos-luz distante chamado Chromo. Os alienígenas entraram em contato com os humanos oferecendo a troca de seus cidadãos para estudos e exploração mútua, fornecendo as informações tecnológicas para a construção do laboratório e equipamentos eletrônicos para o sucesso do teletransporte. Com receio de falha no experimento, é escolhido um presidiário como cobaia, o ex-boxeador Chino Rivera (Henry Silva), que cumpre prisão perpétua por assassinato. Porém, a chegada da criatura chromonita ao nosso planeta, traz também uma série de complicações ao esconder uma missão com propósitos misteriosos.

“The Mice” é a contribuição da série para o tema de teleportação, tão bem explorado no cinema de ficção científica tendo como representante significativo o clássico “A Mosca da Cabeça Branca” (The Fly, 1958) e a série de TV “Jornada nas Estrelas” (Star Trek, 1966/1969). Essa que é uma técnica fantástica que consiste em dividir um objeto ou ser vivo em partículas elétricas que se transmitem pelo espaço e que chegando ao destino definido, se unem novamente. Não falta o monstro da vez, agora sendo um alienígena bizarro coberto de substâncias gelatinosas, o ator Hugh Langtry dentro de uma divertida fantasia tosca de borracha. Como característica da série e de todo cinema de FC do passado, também temos novamente o laboratório com seus computadores imensos e equipamentos científicos. O ator Henry Silva merece um destaque especial pela ótima performance como o homem escolhido para a experiência, ele que esteve também no episódio “Tourist Attraction”, num papel menor como um ditador de um pequeno país fictício.

* “The Children of Spider County”, temporada 1, episódio 21 (17/02/1964), dirigido por Leonard Horn e escrito por Anthony Lawrence.

No pequeno Condado de Spider, no interior dos Estados Unidos, um grupo de crianças nasce com poderes especiais e dotados de super inteligência. Muitos anos depois, já profissionais bem sucedidos vivendo em outros lugares e personalidades reconhecidas no mundo científico, eles desaparecem misteriosamente, exceto um deles, o jovem Ethan Wechsler (Lee Kinsolving), que ainda vivia na cidade natal. Acusado injustamente de um assassinato, ele está preso, e apenas sua namorada Anna Bishop (Bennye Gatteys) acredita em sua inocência. Porém, ele é ajudado por um homem estranho, Aabel (Kent Smith), que informa ser seu pai e que guarda segredos obscuros sobre sua origem, envolvendo a importância dos sonhos e querendo levá-lo para longe dali, constituindo-se num mistério que chama a atenção de John Bartlett (John Milford), um investigador do governo para assuntos espaciais.

Esse episódio tem similaridades e influências do clássico da FC “Aldeia dos Amaldiçoados” (Village of the Damned, 1960), onde um grupo de crianças com poderes especiais são na verdade filhos de alienígenas que engravidaram mães terráqueas num pequeno vilarejo inglês. Entre as curiosidades, temos a citação da galáxia Krell, origem do planeta Eros, onde Krell é o nome de uma raça alienígena super avançada e extinta, citada no filme “Planeta Proibido” (1956). Temos também a referência direta ao clássico “A Guerra dos Mundos” (1953), nos efeitos de som da arma de raio do alienígena, que são os mesmos utilizados no filme de Byron Haskin. E para garantir nossa diversão com um genuíno filme bagaceiro de FC, temos o extraterrestre bizarro com olhos esbugalhados e a tosca nave espacial cruzando o espaço. O ator Kent Smith esteve também no episódio “It Crawled Out of the Woodwork”. E Dabbs Greer (que fez o papel do Sr. Bishop) é mais um rosto conhecido de séries de TV, entre elas, o western “Os Pioneiros” (1974 / 1983), onde fez parte do elenco fixo como um reverendo.

* “Specimen: Unknown”, temporada 1, episódio 22 (24/02/1964), dirigido por Leonard Horn e escrito por Anthony Lawrence.

Uma base de pesquisas no espaço flutua a 1000 milhas da Terra, com vários astronautas em missão de exploração. Eles encontram “partículas espaciais” parecidas com fungos agarradas nas paredes externas da estação e as recolhem para estudo num laboratório. Tratadas inicialmente como misteriosas sementes, elas acabaram brotando plantas alienígenas que soltam esporos e emitem um gás venenoso que destrói a hemoglobina do sangue de quem for infectado. Após a morte do Tenente Rupert Lawrence Howard (Dabney Coleman), o primeiro homem a ser contaminado, o líder da expedição espacial, Major Benedict (Russell Johnson), parte numa pequena nave para a Terra, levando os astronautas Tenente Halper (Peter Baldwin), Tenente Gavin (Arthur Batanides) e o Capitão Mike Doweling (Richard Jaeckel), além de amostras dos espécimes vegetais desconhecidos. Porém, uma turbulência durante a viagem libertou as flores extraterrestres que contaminaram o ambiente, obrigando o chefe em comando das operações na Terra, Coronel MacWilliams (Stephen McNally), influenciado pelo Coronel Nathan Jennings (John Kellogg) e pela esposa de Doweling, Janet (Gail Kobe), a tomar uma difícil decisão: destruir a nave ainda numa órbita de segurança ou permitir sua aterrissagem trazendo as desconhecidas plantas letais, podendo colocar em risco toda a humanidade.

História ambientada praticamente o tempo todo no espaço, dentro de uma estação de pesquisas ou numa nave viajando para a Terra, explorando a idéia de contato com uma forma de vida alienígena com consequências perigosas. Entre as curiosidades, é interessante notar como no passado as anotações científicas dos pesquisadores eram realizadas em manuscritos em pranchetas e hoje nossas vidas são rodeadas de pequenos computadores para todos os lados. Por questões orçamentárias de uma produção menor, percebemos a precariedade dos efeitos das plantas do espaço sideral, toscas ao extremo, assim como as ações amadoras e despreparadas que uma incrivelmente pequena equipe de resgate recepciona a chegada da nave, com astronautas feridos e uma ameaça alienígena. No elenco desse episódio temos Russell Johnson, que esteve no clássico de FC “Guerra Entre Planetas” (1955), Richard Jaeckel, que foi um dos soldados do clássico de guerra “Os Doze Condenados” (1967), e Stephen McNally, um rosto reconhecido em inúmeros filmes “B” de western.

* “Second Chance”, temporada 1, episódio 23 (02/03/1964), dirigido por Paul Stanley e escrito por Sonya Roberts (creditada como Lin Dane) e Lou Morheim, a partir de história de Sonya Roberts.

Um disco voador de brinquedo, atração de um parque de diversões pouco movimentado, é operado pelo Capitão Dave Crowell (Don Gordon), um cientista talentoso, mas desiludido com a carreira, e a secretária de bordo Mara Matthews (Janet De Gore), uma bela jovem igualmente insatisfeita com os rumos de sua vida. Suas funções no parque consistem em simular uma viagem espacial para os espectadores. O que ninguém imaginaria é que um alienígena do planeta Empyria (interpretado por Simon Oakland por baixo de forte maquiagem), membro de uma raça muito mais avançada tecnologicamente, e há muito tempo na Terra estudando a humanidade, está secretamente transformando a nave num objeto voador real. Seu objetivo é sequestrar um grupo de pessoas para tentar colonizar um asteróide chamado Pathera, de condições similares à Terra, principalmente pelo fato que nosso planeta está em rota de colisão com outro num prazo de algumas dezenas de anos. O grupo escolhido é formado por pessoas problemáticas ou com suas vidas atormentadas por hipocrisia. São eles, o casal maduro Arjay Beasley (John McLiam) e sua esposa Sue Ann (Angela Clarke), o casal de namorados Buddy Lyman, um jogador de futebol famoso (Yale Summers) e a mocinha Denise Ward (Mimsy Farmer), além do jovem Tommy Shadbury (Arnold Merritt). Mas, após saberem dos planos do alienígena, se instaura um conflito na nave, pois nem todos estão interessados numa “segunda chance” em outro mundo.

Esse episódio tem como ponto forte o roteiro, na tentativa de mostrar a fragilidade do ser humano como espécie em constante conflito de identidade, com pessoas vivendo suas vidas patéticas em situações de mentira, desonestidade, fingimento e decepção, e sendo observadas por uma raça extraterrestre com inteligência superior e caracterísitcas parecidas com o dos pássaros, valorizando o sentimento de liberdade. O disco voador é muito interessante, tanto na parte externa como nos interiores, com ótimos cenários simulando uma nave capaz de realizar viagens espaciais em alta velocidade, com painéis de controle imensos, luminosos e cobertos de botões e interruptores. O ator John McLiam, entre outros trabalhos, esteve na divertida bagaceira de FC “A Fúria das Feras Atômicas” (1976) e no ótimo drama de guerra estrelado por Sylvester Stallone, “Rambo” (1982).

* “Moonstone”, temporada 1, episódio 24 (09/03/1964), dirigido por Robert Florey e escrito por William Bast, a partir de história de Lou Morheim e Joseph Stefano.

Um grupo de terráqueos formado pelo General Lee Stocker (Alex Nicol), o Major Clint Anderson (Tim O´Connor) e o Tenente Ernie Travers (Hari Rhodes), numa missão de exploração em solo lunar, encontra uma misteriosa esfera geometricamente perfeita, que depois de estudada pelos cientistas Professora Diana Brice (Ruth Roman) e Dr. Philip Mendl (Curt Conway), revela-se uma nave espacial trazendo cinco representantes exilados das mentes mais avançadas do planeta Grippia, localizado na constelação Xenys. Eles estão numa rota de fuga, sendo perseguidos por tiranos de seu planeta, que desejam seu conhecimento para conquistar os demais planetas da constelação. As criaturas precisam de energia e aterrissam na Lua, solicitando a ajuda da humanidade em orientar a chegada de uma nave de resgate, fornecendo em troca uma valiosa e imensa quantidade de informação para os computadores dos cientistas humanos. Porém, a situação fica fora de controle quando a nave de resgate é abatida por tiranos que chegam para capturar os exilados, exigindo do General Stocker, líder da base, uma difícil decisão.

Mais um episódio excelente de pura ficção científica: temos um interessante cenário da superfície lunar, com suas rochas e ambiente árido; uma base de pesquisas e exploração na Lua, preparando a colonização pela humanidade e servindo de trampolim para viagens mais distantes para outras estrelas; o sempre presente clima conturbado da guerra fria, com os americanos instalados na base lunar desconfiados da existência de espionagem russa; a nave alienígena esférica abrigando uma raça altamente desenvolvida, seres com aparência bizarra, parecidos com grandes olhos envoltos por membranas e tentáculos; a eterna idéia de tirania em qualquer tipo de civilização, com alguns sempre desejando conquistar os outros com força e violência; a constatação verdadeira da eterna oposição entre os cientistas e os militares, onde enquanto esses últimos se dedicam à destruição, a meta da ciência é a paz e o avanço da humanidade; e a excepcional e trágica conclusão de que no final das contas, são sempre as boas mentes que permitem que o mal prospere, pois são os cientistas talentosos que, obrigados pelos governantes tiranos, criam as condições mais avançadas com bombas e artefatos bélicos para se chegar à destruição. O diretor Robert Florey fez “Murders in the Rue Morgue” em 1932, com Bela Lugosi.

* “The Mutant”, temporada 1, episódio 25 (16/03/1964), dirigido por Alan Crosland Jr. e escrito por Allan Balter e Robert Mintz, a partir de história de Jerome B. Thomas.

Em 1984 (futuro distante para e época da produção e longo passado para o nosso momento de século XXI), a Terra enfrenta graves problemas com guerras e superpopulação, obrigando a humanidade, através de uma agência espacial internacional, a procurar outros mundos para viver. Uma expedição científica chega então num planeta apelidado de Anexo 1, com características similares à Terra. O grupo é formado por Reese Fowler (Warren Oates), Dr. Frederick Riner (Walter Burke), Tenente Peter Chandler (Robert Sampson), Prof. Henry Lacosta (Herman Rudin) e o casal Phillip Griffith (Richard Derr) e Julie (Betsy Jones-Moreland). O planeta a ser explorado tem dois inconvenientes graves que o tornam inadequado à colonização: não há noite, com a presença constante de um sol que obriga a utilização de grossos óculos protetivos, e ocorrem chuvas radioativas extremamente agressivas. Um psiquiatra da Terra, Dr. Evan Marshall (Larry Pennell), é enviado então para o planeta ensolarado para investigar possíveis problemas na equipe de colonização, e encontra um grupo fragilizado em constante medo, sendo vítima da tirania de Reese Fowler, que se transformou numa criatura mutante com olhos imensos esbugalhados, após exposição na chuva radiativa, e que consegue ler os pensamentos.

Episódio com uma forte crítica social em seu roteiro, evidenciando a tendência auto-destrutiva da humanidade, sempre mergulhada em guerras, obrigando-se a procurar outros mundos no espaço, em busca de paz e um local seguro para perpetuar a espécie. Mas, como caracterísitca presente em nossa raça, os conflitos pessoais também se instauram num lugar distante após a ocorrência de um acidente grave com um dos membros da equipe, prevalecendo a tirania associado ao horror e medo. O mutante com olhos gigantescos constantemente esbugalhados é memorável e um dos destaques do episódio. O ator Warren Oates esteve, entre outros, no clássico do western “Meu Ódio Será Sua Herança” (1969), e Walter Burke é bem reconhecido por suas participações na telinha, em inúmeras séries de TV como “Além da Imaginação”, “Paladino do Oeste”, “James West”, “A Feiticeira”, “Perdidos no Espaço”, “Laredo”, “Viagem ao Fundo do Mar”, etc.

* “I, Robot”, temporada 2, episódio 9 (14/11/1964), dirigido por Leon Benson e escrito por Robert C. Dennis, a partir de história de Otto Binder.

Adam é um robô (interpretado por Read Morgan) criado pelo cientista Dr. Charles Link (Peter Brocco), para auxiliar em trabalhos domésticos. Porém, mesmo sendo uma máquina com poderes limitados (não pode ver cores nem sentir cheiros ou saborear comidas), é altamente desenvolvido e tem capacidade de pensar e sentir emoções influenciadas de seu criador, graças a um sofisticado cérebro eletrônico. Após um grave acidente tirar a vida do cientista em seu laboratório, um mal entendido com uma testemunha equivocada coloca o robô como principal suspeito de assassinato, sendo perseguido e preso pela polícia, sob o comando do Xerife Barclay (Hugh Sanders), e posteriormente julgado num tribunal sem juri. Contra ele está o promotor D. A. Thomas Coyle (Ford Rainey), e para defendê-lo foi contratado o advogado Thurman Cutler (Howard da Silva), indicado pelo jornalista Judson Ellis (Leonard Nimoy), sempre à procura de uma boa história, para a bela sobrinha do cientista morto, Nina Link (Marianna Hill).

No elenco desse episódio temos Leonard Nimoy, o eterno Sr. Spock da série clássica “Jornada nas Estrelas” (Star Trek, 1966 / 1969). “I, Robot” é uma excelente história de tribunal, onde o réu é um homem mecânico, acusado injustamente de assassinato. Não falta a tradicional crítica social para a natureza da humanidade, onde a idéia não é julgar os atos de um robô, mas sim a sociedade que o criou e o progresso inconsequente da ciência. Curiosamente, no processo de aprendizagem do robô, são citados em suas leituras dinâmicas o clássico infantil “Alice no País das Maravilhas” e a famosa obra de Mary Shelley, “Frankenstein”, num interessante paralelo dramático ocorrido entre o cientista criador e sua criatura sem alma. O visual futurista de Adam é um destaque notável e a narração final com palavras sábias e memoráveis encerra com chave de ouro: “Depois de cada desastre, um pequeno progresso é feito. O Homem construirá mais robôs, e aprenderá como fazê-los melhor. E dado o tempo suficiente, talvez aprenda a fazer o mesmo com ele próprio.”

* “The Inheritors: Part 1”, temporada 2, episódio 10 (21/11/1964) e “The Inheritors: Part 2, temporada 2, episódio 11 (28/11/1964), dirigidos por James Goldstone e escritos por Seeleg Lester e Sam Neuman, a partir de história de Ed Adamson, Seeleg Lester e Sam Neuman.

(Contém spoilers). Um soldado americano, Tenente Philip Minns (Steve Ihnat), é ferido por uma bala na cabeça durante a Guerra do Vietnã, mas sobrevive milagrosamente. Após a retirada do projétil, ele desenvolve uma anomalia com um novo e adicional padrão de ondas cerebrais, tornando-se extremamente inteligente. Outros três soldados feridos em circunstâncias similares também desenvolvem um cérebro superior, o Sargento James Conover (Ivan Dixon), e os soldados Francis Hadley (Dee Pollock) e Robert Renaldo (James Frawley). Este fato incomum desperta a atenção do Secretário de Ciências do governo americano, Randolph E. Branch (Ted de Corsia), que convoca seu assistente Adam Ballard (Robert Duvall) para investigar o caso, auxiliado por Art Harris (Donald Harron), representante da Segurança Nacional. As investigações trazem revelações sobre a origem da fabricação das balas, impregnadas com materiais retirados de uma cratera de meteoros no Vietnã. Os quatro soldados são então impulsionados por forças misteriosas a formar uma equipe de um projeto científico para a construção de uma nave espacial. Minns é o coordenador responsável pela obtenção do dinheiro, enriquecendo rapidamente na bolsa de valores; Hadley torna-se um bioquímico trabalhando no interior dos Estados Unidos em experiências com ar condicionado, gases inertes e condutos atmosféricos; enquanto Conover é um metalúrgico que desenvolve um metal super resistente e leve na Suécia; e Renaldo é o físico que inventa no Japão uma máquina eletrônica capaz de criar um campo magnético anti-gravitacional. A missão é levar um grupo de crianças com deficiências físicas e doenças terminais, infelizes e rejeitadas na Terra, para uma longa viagem espacial, transformando-se numa nova esperança para uma raça alienígena avançada, cuja capacidade de reprodução foi afetada por uma praga.

Com duração de um filme de longa metragem (duas partes de 50 minutos cada), “The Inheritors” é o único episódio duplo e está entre os melhores de toda a série, com um roteiro excepcional de FC pura. Praticamente não existem efeitos especiais, e o foco está todo centrado na qualidade da história, que prende a atenção do espectador o tempo inteiro, com uma memorável mensagem no desfecho. Quatro homens que desenvolvem inteligência, conhecimento e capacidade muito além do normal, com influência alienígena. Um é o mago das finanças, outro é o jovem bioquímico para projetar a atmosfera, além do físico para criar a transmissão e do metalúrgico para fazer as peças, num projeto científico de construção de uma nave para viajar pelo espaço. Outro ponto forte está na ótima interpretação do elenco, com destaque para Robert Duvall como o investigador e Steve Ihnat como o líder do grupo de soldados. Aliás, o excelente ator Robert Duvall, além de participações em séries de TV dos anos 60, esteve também em diversos filmes como “THX 1138”, “O Poderoso Chefão”, “Apocalipse Now”, “Um Dia de Fúria”, “Impacto Profundo”, “60 Segundos”, “A Estrada”, etc. Curiosamente, o Brasil é citado quando Hadley viaja para a Amazônia à procura de uma erva especial como ingrediente de seu experimento.

* “Keeper of the Purple Twilight”, temporada 2, episódio 12 (05/12/1964), dirigido por Charles F. Haas e escrito por Milton Krims, a partir de história de Stephen Lord.

O cientista Prof. Eric Plummer (Warren Stevens), está obcecado e esgotado física e mentalmente em seu trabalho ultra-secreto de pesquisa de uma fonte de energia infinita, mais poderosa que a energia atômica. Faltam apenas duas equações para desvendar a teoria e possibilitar a construção de um equipamento de desintegração anti-magnética. Ele tem o apoio do cientista diretor do laboratório, Franklin Karlin (Curt Conway), mas é pressionado por seus financiadores representados por David Hunt (Edward C. Platt), que querem resultados para o dinheiro investido. Ele tem também o apoio e compreensão de sua futura esposa, Janet Lane (Gail Kobe), mas a necessidade de obtenção de sucesso na pesquisa científica tem abalado seu relacionamento em crise. As coisas mudam radicalmente após receber a visita de um alienígena, Ikar (Robert Webber), vindo de uma raça avançada tecnologicamente e oriundo de uma sociedade organizada onde os sentimentos foram banidos. O extraterrestre, assumindo a forma humana, propõe uma troca com o cientista terráqueo: ele ajuda na construção da máquina desintegradora, uma arma terrível se usada com propósitos hostis, e quer em troca experimentar as emoções humanas como amor, ódio e medo. Mas, a real intenção dos alienígenas é ainda mais perigosa.

“Não existem limites para a extensão da curiosidade da mente. Vai até o fim da imaginação. E mais além, dentro do mistério dos sonhos, esperando inclusive, transformar os sonhos em realidade, em nome do bem estar da humanidade.” Com essa introdução narrada inicia-se mais um ótimo episódio de FC. Os alienígenas, tradicionais e sempre divertidos em maquiagens toscas, apresentam olhos pequenos e artificiais, mãos e pés enormes, além de cérebros gigantescos para os inteligentes e corpos robustos para os soldados. A sociedade organizada deles é machista (as mulheres somente servem para a reprodução), não há lugar para emoções, todos os indivíduos estão conectados por um cérebro coletivo e agem exclusivamente dentro de padrões lógicos. No elenco temos Warren Stevens, que participou do clássico “Planeta Proibido” (1956) e de diversas séries de TV dos anos 60, além de Edward C. Platt, que foi o Chefe da nostálgica série cômica “Agente 86” (1965 / 1970). E Curt Conway esteve também no episódio “Moonstone”.

* “The Duplicate Man”, temporada 2, episódio 13 (19/12/1964), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Robert C. Dennis, a partir de história de Clifford D. Simak.

Estamos no futuro (para a época da produção e passado para nós). A humanidade conquistou as viagens espaciais e entrou em contato com várias raças alienígenas. Uma delas, conhecida como “megasoid”, é muito inteligente, consegue aprender qualquer idioma facilmente, utiliza poderes telepáticos, mas também é violenta e assassina, e sua captura para a Terra foi proibida desde 1986. Henderson James (Ron Randell) é um homem muito rico e bem sucedido no trabalho com pesquisas na área de comunicação espacial, principalmente depois que contrabandeou ilegalmente um “megasoid” (Mike Lane), com a ajuda de um mercenário espacial, Karl Emmet (Sean McClory). A ambição do cientista trouxe problemas no relacionamento com sua bela esposa Laura (Constance Towers). Depois que o megasoid conseguiu escapar da prisão caseira, no descuido do velho jardineiro Murdock (Konstantin Shayne), Henderson decide apelar também ilegalmente para o cientista Basil Jerichau (Steven Geray), criando uma duplicata temporária de si mesmo, apenas com o objetivo de caçar e matar a criatura alienígena antes que se reproduza e instaure o caos no planeta. Mas os problemas dele não são apenas o monstro solto, e aumentam com a ameaça de sua cópia, que vai recuperando a memória do original com o passar do tempo e com o contato com sua esposa infeliz.

Episódio baseado em história do cultuado escritor de Ficção Científica Clifford D. Simak, num roteiro excepcional que aborda o drama do protagonista em dois crimes graves contra a humanidade, mantendo um monstro do espaço assassino (e permitindo sua fuga), e criando uma cópia de si mesmo apenas para matar o alienígena. Entre as várias curiosidades, temos no elenco Mike Lane por baixo de uma roupagem de monstro, uma criatura peluda e com um bico enorme, ele que esteve ao lado do grande Boris Karloff no filme “B” “O Castelo de Frankenstein” (1958), fazendo o papel do famoso monstro criado pelo cientista. O telefone futurista tem um visor que permite ver a pessoa em contato, e a casa do contrabandista Emmet (gravemente ferido na cabeça no confronto com um megasoid) é similar a um disco voador, instalada no alto de uma torre, e que se chega através de um elevador em plano inclinado. “Em todo o Universo, pode haver criatura mais estranha que a espécie chamada Homem? Ele cria e destrói. Tem êxitos e comete erros. Mas a coisa que o distingue é a habilidade para aprender a partir de seus erros.”

* “Counterweight”, temporada 2, episódio 14 (26/12/1964), dirigido por Paul Stanley e escrito por Milton Krims, a partir de história de Jerry Sohl.

Um grupo de seis homens e duas mulheres participa como voluntários de uma viagem simulada a bordo de uma nave espacial rumo a um distante planeta. O vôo experimental, calculado em aproximadamente 221 dias, tem o objetivo de testar o comportamento físico e psicológico dos passageiros num ambiente de confinamento por muito tempo, para estudar os efeitos (depressão, tédio, ansiedade, etc.) de vôos de longa distância pelo espaço, algo projetado como comum num futuro próximo. O grupo de tripulantes é formado pelo piloto Capitão Harvey Branson (Stephen Joyce) e pela aeromoça Maggie O´Hara (Shary Marshall). E os passageiros são o botânico e biólogo Michael Lint (Charles Radilac), o geólogo Prof. Henry Craif (Sandy Kenyon), a antropóloga Dra. Alicia Hendrix (Jacqueline Scott), o jornalista Keith Ellis (Larry Ward), o engenheiro civil Joe Dix (Michael Constantine), e o médico Dr. Matthew James (Crahan Denton). Todos são estereótipos problemáticos e pessoas que pensam em si mesmos, características aproveitadas por um intruso alienígena que quer misteriosamente sabotar a viagem simulada, causando desconfiança e discórdia no grupo, obrigando alguém a apertar um botão de pânico, cancelando o vôo.

“Counterweight” não tem o mesmo brilho característico da série, com uma história de interesse menor. O destaque fica por conta do alienígena do planeta Antheon, bizarro e tosco como de costume, que tenta desestruturar o ambiente e o relacionamento entre os passageiros, visando o fracasso do vôo simulado, e adiando o máximo possível qualquer tipo de viagem da humanidade ao seu planeta de origem. A atriz Jacqueline Scott também esteve no primeiro episódio da série, “The Galaxy Being”. E Michael Constantine, nascido em 1927, tem mais de 170 trabalhos em seu currículo de ator, com muitas participações em séries de TV dos anos 60 e 70. Jerry Sohl, autor da história desse episódio, foi também o roteirista de “Morte Para Um Monstro” (1965), com Boris Karloff e baseado em obra de H. P. Lovecraft. Curiosamente, nesse episódio temos uma forma diferente de apresentar os créditos finais, mostrando todos os personagens e os respectivos nomes dos atores que os interpretaram.

* “The Brain of Colonel Barham”, temporada 2, episódio 15 (02/01/1965), dirigido por Charles F. Haas e escrito por Robert C. Dennis, a partir de história de Sidney Ellis.

Durante a guerra fria e consequente corrida espacial, o grande desafio da humanidade era como levar os astronautas para Marte em segurança. Visando esse objetivo político, os governantes e militares americanos decidiram utilizar primeiramente na viagem uma máquina para colher informações úteis. Porém, controlada por um cérebro humano, que seria mais capacitado para se adaptar ao desconhecido. O projeto, apoiado pelo exército através do General Daniel Pettit (Douglas Kennedy), é gerenciado pelo Dr. Leo Hausner (Martin Kosleck), um homem apenas interessado no sucesso político da missão, e pelo cientista Dr. Rahm (Wesley Addy), um gênio responsável por manter um cérebro humano vivo fora de seu corpo e conectado a um computador. O voluntário escolhido é o Coronel Alex Barham (Anthony Eisley), um homem extremamente inteligente, mas doente terminal numa cadeira de rodas. Sua esposa, Jennifer (Elizabeth Perry), e principalmente o psicólogo Major Douglas McKinnon (Grant Williams), são contrários ao projeto, por causa da personalidade forte de Barham, podendo desenvolver noções de onipotência, arrogância e paranóia, transformando a máquina com cérebro humano num perigoso monstro.

Outro ótimo episódio explorando os efeitos da guerra fria com a corrida espacial pressionando as principais nações do mundo (antiga União Soviética e os Estados Unidos) a conseguirem o mais rápido possível a conquista do espaço com viagens interplanetárias, mesmo que para isso sejam utilizados meios não convencionais e pouco éticos. É curioso notar como eram os computadores nos anos 60 do século passado, imensos e cheios de luzes piscando, em comparação com a moderna tecnologia de início desse novo milênio, com máquinas cada vez menores e mais potentes. O ator Grant Williams foi o protagonista do clássico “O Incrível Homem Que Encolheu” (1957) e Anthony Eisley esteve em várias pérolas do cinema fantástico de baixo orçamento como “A Mulher Vespa” (1960), “Os Monstros da Noite” (1966) e “Jornada ao Centro do Tempo” (1967).

* “The Premonition”, temporada 2, episódio 16 (09/01/1965), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Sam Roeca e Ib Melchior, a partir de história de Ib Melchior.

Um piloto de avião, Jim Darcy (Dewey Martin), está realizando manobras de teste numa base no deserto. Sua esposa Linda (Mary Murphy) e filha pequena Jane (Emma Tyson) vão de carro até a base para vê-lo pousar. Porém, durante o teste ocorre um misterioso acidente com o avião ao ultrapassar a barreira do tempo. O piloto e sua esposa, que havia deixado a filha na base e se deslocado com o carro até o local de testes, acabam perdidos numa fenda de tempo, onde tudo e todos estão aparentemente congelados. Na verdade, eles saltaram alguns instantes no futuro, estagnando-se num lapso de tempo, com o mundo continuando a se movimentar de forma extremamente devagar até o tempo alcançá-los novamente. Nesse limbo eles encontram uma criatura fantasmagórica (Kay Kuter) e descobrem um perigo mortal envolvendo a segurança da filha.

Histórias sobre lapsos temporais sempre são muito interessantes no cinema de Ficção Científica, e esse episódio é mais uma grande contribuição da série para o tema, mantendo um constante clima de mistério e tensão ao redor do casal perdido num limbo, ou como diz um espectro atormentado e desesperado em voltar para seu tempo normal, “um vazio escuro sem movimento, onde não há noite, nem sol, nem estrelas, nem tempo, um eterno nada onde não existe fome nem sede, uma existência sem fim, e o pior de tudo, onde não se pode morrer”... O autor do roteiro, o dinamarquês Ib Melchior, dirigiu e escreveu o filme “The Time Travelers” (1964), sobre viagens no tempo, além de outras bagaceiras divertidas do cinema fantástico.

* “The Probe”, temporada 2, episódio 17 (16/01/1965), dirigido por Felix E. Feist e escrito por Seeleg Lester, a partir de história de Sam Neuman.

Um avião está enfrentando uma tempestade, sendo obrigado a atravessar um furacão no Oceano Pacífico. Uma vez caindo no mar, alguns tripulantes ficam à deriva num bote salva-vidas. São eles, o piloto Coberly (Ron Hayes), o oficial científico Jefferson Rome (Mark Richman), o navegador Dexter (William Stevens) e a bela aeromoça Amanda Frank (Peggy Ann Garner). Misteriosamente, eles despertam num nevoeiro que rodeia o bote e que se revela depois o interior de uma enorme cápsula repleta de equipamentos científicos e computadores. Atordoados e perdidos, eles iniciam uma investigação do local descobrindo uma criatura rastejante parecida com uma massa gosmenta e disforme, um laboratório que opera de forma automatizada e um computador analógico imenso com um sistema telemétrico para codificar informações e transmiti-las para lugares muito distantes. Mais tarde, descobrem que estão na verdade dentro de uma sonda espacial, cujo objetivo é coletar informações para uma raça alienígena avançada. Tentam então se comunicar para salvar suas vidas, uma vez que a sonda está programada para deixar a Terra.

“A persistência da curiosidade do Homem o levou a novos mundos, sem ter ainda conquistado o seu próprio. Ele invadiu o mundo sob o microscópio e o mundo exterior do espaço. Diz-se que houve uma mudança de rumo da natureza, mas foi assim mesmo?”. Esse é o último episódio da série e fechou também com chave de ouro, apresentando mais uma ótima história especulando uma sonda alienígena que visita nosso planeta para estudar e obter informações sobre o solo, atmosfera, vidas vegetal e animal, raios cósmicos, radioatividade, etc. O ator e dublê húngaro Janos Prohaska (que aqui se rastejou na fantasia de borracha do micróbio alienígena) participou de muitas séries de TV fazendo papéis de monstros. E Mark Richman tem um currículo extenso com mais de 150 trabalhos como ator, tendo participado também do episódio 12 da 1ª temporada, “The Borderland”.

Agora nós lhe devolveremos o controle do seu televisor. Até a próxima semana na mesma hora, quando a voz de controle os levar até... os limites exteriores.

There is nothing wrong with your television set. Do not attempt to adjust the picture. We are controlling transmission. We will control the horizontal. We will control the vertical.If we wish to make it louder, we will bring up the volume. If we wish to make it softer, we will tune it to a whisper. We can reduce the focus to a soft blur, or sharpen it to crystal clarity. For the next hour, sit quietly and we will control all that you see and hear. You are about to experience the awe and mystery which reaches from the inner mind to... The Outer Limits.

Quinta Dimensão” (The Outer Limits, EUA, 1963/1965) # 565 – data: 25/06/11

www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 25/06/11)