O Maquiavélico William Hart (The Greed of William Hart, Inglaterra, 1948)



Uma dupla de criminosos vagabundos, William Hart (Tod Slaughter) e Moore (Henry Oscar), ganham a vida roubando cadáveres nos cemitérios ou assassinando pessoas inocentes e vendendo seus corpos para estudos de dissecação do médico Dr. Cox (Arnold Bell), em Edinburgo, Inglaterra, no século XIX. Porém, após o desaparecimento de uma jovem mulher que estava alcoolizada durante uma noite, seu amigo o aristocrata Sr. Hugh Alston (Patrick Addison), decide investigar por conta própria o misterioso sumiço e desconfia da participação criminosa de Hart e Moore no caso, que também tem a cumplicidade da esposa de Moore (interpretada por Jenny Lynn).
Lançado em DVD junto com “Crimes na Mansão Sombria” (1940), “O Maquiavélico William Hart” traz no elenco o ator inglês Tod Slaughter (1885 / 1956), especialista em cinema de horror, numa história que trata do caso verídico dos ladrões de cadáveres Burke e Hare, e cuja história inspirou além desse filme, vários outros como o clássico “O Túmulo Vazio” (The Bodysnatcher, 1945), dirigido por Robert Wise e com Boris Karloff e Bela Lugosi, e “A Carne e o Diabo” (The Flesh and the Fiends, 1959), que também se chamou no Brasil “O Monstro da Morgue Sinistra”, dirigido por John Gilling e com Peter Cushing e Donald Pleasence. Aliás, o inglês John Gilling (1912 / 1984), que foi o roteirista de “O Maquiavélico William Hart”, dirigiu outros filmes divertidos dentro do gênero para a cultuada produtora inglesa “Hammer” como “Epidemia de Zumbis” (1966), “A Serpente” (1966) e “A Mortalha da Múmia” (1967). Produzido em preto e branco, a duração original é de 80 minutos, mas a versão americana em DVD com o título “Horror Maniacs” tem apenas 53 minutos (a mesma lançada no Brasil). Dessa forma, com o imenso corte, o filme é rápido demais e a trama gira basicamente em torno da dupla Hart e Moore tendo seus planos maquiavélicos descobertos. A censura na época de lançamento proibiu que os nomes dos personagens fossem os mesmos do caso real, então William Burke foi substituído por William Hart e William Hare passou a ser Moore, com o médico receptador dos cadáveres tendo o nome real Dr. Knox trocado por Dr. Cox.

“O Maquiavélico William Hart” (The Greed of William Hart, Inglaterra, 1948) # 541 – data: 06/11/09
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O Ladrão de Cadáveres (The Corpse Vanishes, 1942)


O cientista Dr. Lorenz (Bela Lugosi) é o responsável pelo desaparecimento de jovens noivas no momento de seus casamentos. Em comum, todas as vítimas tiveram contato com o odor nocivo de uma misteriosa orquídea híbrida que as faziam desmaiar. A partir daí, entram em cena os capangas do cientista para sequestrar as moças desacordadas com o objetivo de, em seu laboratório secreto, extrair de seus belos corpos um fluído vital utilizado numa fórmula de rejuvenescimento para que sua esposa doente, a Condessa Lorenz (Elizabeth Russell), pudesse se manter saudável e jovem. Porém, para atrapalhar os planos maquiavélicos do cientista, surge uma repórter investigativa, Patricia Hunter (Luana Walters), que auxiliada pelo médico Dr. Foster (Tris Coffin), tenta descobrir o mistério dos desaparecimentos das noivas e a participação do Dr. Lorenz nos crimes.
O filme foi lançado em DVD pela “Works” como “O Ladrão de Cadáveres” (junto com “O Fantasma Invisível”, 1941), e também foi lançado pela “Fantasy Music” com outro título, “O Cadáver Desaparecido”. Fotografado em preto e branco em 1942, é mais uma produção de baixo orçamento com o lendário ator Bela Lugosi para o estúdio “Monogram”. Aqui, temos novamente uma trama policial com elementos de horror, não faltando a presença do “cientista louco” (Lugosi, sempre à vontade com este tipo de personagem), o “troglodita mudo” (Angel, interpretado por Frank Moran), que é um filho retardado mental da empregada Fagah (Minerva Urecal), o “anão sinistro” (Toby, papel feito por Angelo Rossitto), além do laboratório no porão repleto de instrumentos, ferramentas e líquidos em ebulição, a mansão sombria cheia de quartos e passagens secretas, e todo aquele clima de mistério e insanidade numa história de assassinatos macabros. Por ser um filme curto (cerca de uma hora de duração), os eventos são apresentados de forma exageradamente rápida, deixando vários pontos do roteiro sem um maior desenvolvimento, facilitando o trabalho dos roteiristas. Mas, pela presença sempre marcante de Bela Lugosi e os elementos de horror “B”, a diversão é garantida.

“O Ladrão de Cadáveres” (The Corpse Vanishes, Estados Unidos, 1942) # 540 – data: 04/11/09
www.bocadoinferno.com / www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 22/11/09)

O Fantasma Invisível (Invisible Ghost, 1941)


Um homem rico e proprietário de uma bela mansão, Charles Kessler (Bela Lugosi), conhecido na sociedade por sua educação e generosidade, sofre com a perda da esposa infiel, Sra. Kessler (Betty Compson), que o traiu com seu melhor amigo. Ela perdeu a memória após um acidente de carro, sendo mantida escondida pelos empregados da casa, que não gostariam que o patrão a visse enlouquecida. Porém, toda vez que ela escapa durante à noite e aparece em visões fantasmagóricas para ele, ocorre uma espécie de transe hipnótico levando-o a cometer assassinatos dentro de sua própria casa, chamando a atenção da polícia, sob a investigação do Tenente Williams (George Pembroke), e preocupando sua filha Virginia (Polly Ann Young). Depois que uma jovem arrumadeira, Cecile Mannix (Terry Walker), é encontrada assassinada em seu quarto, e o namorada de Virginia, Ralph Dickson (John McGuire) é considerado suspeito é condenado à morte, o irmão gêmeo do rapaz, Paul, retorna de uma viagem à América do Sul para tentar descobrir a realidade dos misteriosos fatos que cercam a mansão.
Bela Lugosi inaugurou com “O Fantasma Invisível” sua parceria com a produtora “Monogram”, especializada em filmes de baixo orçamento. Com fotografia em preto e branco e duração curta (apenas 65 minutos), o filme procura manter aquele clima sinistro de suspense policial, com assassinatos misteriosos numa mansão sombria. O ator romeno Lugosi (1882 / 1956), mais conhecido como o vampiro Drácula no filme homônimo de 1931 e por diversos papéis de vilão e cientista louco, é o destaque do filme interpretando um homem gentil e aristocrático, acima de qualquer suspeita, que alterna sua conduta para um assassino estrangulador frio e descontrolado, toda vez que entra em contato com visões sinistras de sua esposa, numa referência à clássica história sobre “Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, de Robert Louis Stevenson, quando ocorre uma mudança radical dos perfis psicológicos na mesma pessoa. A narrativa é lenta, com performances teatrais do elenco, algo comum nos filmes de Lugosi das décadas de 30 e 40, mas tem diversão certa para os cultuadores do ator, que faz parte da galeria dos astros imortais do horror, ao lado de Boris Karloff, Vincent Price, Peter Cushing, Christopher Lee e outros, e também para os fãs do cinema do passado, com aquelas histórias que investiam mais num clima de sugestão. Lançado em DVD pela “Works” junto com “O Ladrão de Cadáveres” (1942), igualmente com Lugosi.

“O Fantasma Invisível” (Invisible Ghost, Estados Unidos, 1941) # 539 – data: 02/11/09
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La Raiz del Mal (Espanha, 2008)


Exibido no dia 14/11/09 no evento de cinema fantástico “4º CineFantasy”, em São Paulo, na “Biblioteca Viriato Corrêa” (Vila Mariana), o filme espanhol “La Raiz del Mal”, dirigido por Adrián Cardona e distribuído pela produtora “Imagen Death”, é um banho de sangue de proporções colossais, tanto que depois que saí da sala de exibição, logo pensei na necessidade dos funcionários da Biblioteca de entrarem para limpar o chão embaixo da tela de tanto sangue escorrido e tripas espalhadas...

A história é simples demais e até banal, num grande clichê: um povoado rural tranquilo é ameaçado por uma lenda antiga onde durante a noite os homens são atacados por violentos demônios da floresta, e as mulheres são sequestradas para sofrerem na pele as piores torturas. Uma bela camponesa chamada Ara é portadora de um segredo que pode mudar o tormento que envolve o lugar.

Há muitos anos atrás, publiquei no meu fanzine impresso “Astaroth” um flyer da “Imagen Death”, de Javier Perea, que na época era um fanzine de horror underground oriundo de Toledo, na Espanha. Passados quase quinze anos depois, vejo que é um selo divulgador de filmes extremos de horror como esse “La Raiz del Mal”, que começa com uma história de camponeses que até lembra muitos filmes da produtora inglesa “Hammer”, com aquele clima de aldeões atormentados por lendas malditas, e que passa rapidamente para uma enxurrada sem fim de confrontos sangrentos entre um grupo de lenhadores e demônios do bosque, com muita carne humana destroçada e banhos imensos de sangue para todos os lados, num excesso de violência gráfica. Tanto sangue e vísceras expostas conseguem até incomodar pela repetitividade dos eventos deixando a história, que já é fraca, para um plano secundário. O filme até que diverte ao longo dos cem minutos de duração, mas confesso que também cansa em alguns momentos por causa do exagero de violência. O maior mérito que deve ser enaltecido e registrado é o imenso esforço da equipe técnica na realização dos efeitos especiais à moda antiga, sem o uso artificial da computação gráfica, investindo exclusivamente na criatividade e trabalho exaustivo na concepção das melecas e gosmas asquerosas que simulam as cenas “gore”. Como curiosidade, até a presente data de finalização desse texto, não encontrei nenhum registro do filme no tão conceituado e “completo” site “IMDb” (Internet Movie Database), que é o maior banco de dados de cinema do mundo, tornando “La Raiz del Mal” ainda mais obscuro.

“La Raiz del Mal” (Espanha, 2008) # 538 – data: 16/11/09
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Uma Overdose de Ficção Científica Bagaceira


Abaixo segue uma compilação com comentários de 12 filmes com produção de baixo orçamento no gênero Ficção Científica, lançados em DVD no mercado brasileiro. A palavra “bagaceiro” e outras similares aparecerão com frequência ao longo dos textos, mas na maioria dos casos, não para execrar o trabalho dos filmes, e sim para exaltar a diversão sem compromisso como resultado final dessas produções toscas.

Filmes abordados:
* O Invasor Galáctico (The Galaxy Invader, Estados Unidos, 1985).
* Eles Vieram do Espaço Exterior (They Came From Beyond Space, Inglaterra, 1967).
* O Planeta Fantasma (The Phantom Planet, Estados Unidos, 1961).
* Batalha no Espaço Estelar (War of the Planets / Battaglie Negli Spazi Stellari, Itália, 1977).
* Um Mundo Desconhecido (Unknown World, Estados Unidos, 1951).
* O Fantástico Homem Transparente (The Amazing Transparent Man, Estados Unidos, 1960).
* O Alerta do Espaço (Warning From Space / Uchujin Tokyo Ni Arawaru, Japão, 1956).
* Gammera – O Monstro Invencível (Gammera the Invincible, Estados Unidos, 1966).
* A Batalha dos Monstros (Attack of the Monsters / Gamera tai daiakuju Giron, Japão, 1969).
* Destruam Toda a Terra (Destroy All Planets / Gamera tai uchu kaijû Bairasu, Japão, 1968).
* A Primeira Espaçonave em Vênus (First Spaceship on Venus / Der Schweigende Stern, Alemanha / Polônia, 1960).
* O Monstro de Vênus (Zontar, the Thing From Venus, Estados Unidos, 1966).

* O Invasor Galáctico (The Galaxy Invader, Estados Unidos, 1985), direção de Don Dohler.
Uma nave espacial cai acidentalmente numa floresta nos arredores de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Um rapaz, David Harmon (Greg Dohler) testemunha a queda e juntamente com um ex-professor, Dr. William Tracy (Richard Dyszel), tenta localizar os destroços e ajudar o “invasor galáctico”. Porém, um grupo local de caipiras bêbados e estúpidos, liderados por Joe Montague (Richard Ruxton) e Frank Custor (Don Leifert), quer capturá-lo para ganhar dinheiro com a descoberta.
Bagaceira total de 1985, uma produção “Z” que tenta intencionalmente resgatar a idéia e atmosfera típica dos filmes dos anos 50 e 60, conseguindo o objetivo, remetendo o espectador às produções “trash” daquele período. Tudo é tosco ao extremo, desde o elenco amador, os diálogos banais, o roteiro óbvio, a inexistência de efeitos especiais (a cena da nave caindo é hilária), até a presença de um alienígena verde com roupa de borracha, que cometeu o erro fatal de cair no planeta errado. Lançado no Brasil em DVD pela “Works” junto com “Eles Vieram do Espaço Exterior” (1967), vale destacar uma cena ultra bagaceira com o arremesso de um boneco, digo, corpo, do alto de um barranco, sendo um desafio para o espectador não cair na gargalhada. Para finalizar, um momento de confissão: fiquei com pena do alienígena na sequência final.

* Eles Vieram do Espaço Exterior (They Came From Beyond Space, Inglaterra, 1967), direção de Freddie Francis.
Uma misteriosa chuva de meteoritos ocorre numa fazenda no interior da Inglaterra, chamando a atenção do governo, que convoca o cientista Dr. Curtis Temple (Robert Hutton) e sua namorada e assistente Lee Mason (Jennifer Jayne), entre outros, para estudar o fenômeno. Porém, todos que entram em contato com os meteoros que vieram do espaço exterior são possuídos por alienígenas formando uma conspiração que trabalha secretamente na fazenda com objetivos obscuros. Exceto pelo Dr. Temple, que por ter uma placa de prata no cérebro por causa de um grave acidente de carro, se mantém ileso do poder mental dos extraterrestres.
Produção inglesa da “Amicus”, de Max J. Rosenberg e Milton Subotsky, a grande rival da “Hammer” durante os anos 60 e meados dos 70. A direção é de Freddie Francis, o mesmo cineasta de preciosidades como “O Monstro de Frankenstein” (1964), “As Torturas do Dr. Diabolo” (1967), “Drácula, O Perfil do Diabo” (1968), “Contos do Além” (1972), “A Essência da Maldade” (1973), entre outras. Tem também a participação, apesar de pequena apenas nos dez minutos finais, do malaio Michael Gough (interpretando o líder dos alienígenas), um ator com um rosto conhecido em diversos filmes significativos como “O Vampiro da Noite” (1958) e “O Fantasma da Ópera” (1962). Lançado em DVD por aqui pela “Works”, junto com “O Invasor Galáctico” (1985), vale registrar uma atenção especial com um tremendo spoiler incluso na sinopse que está disponível no menu do disco, revelando o objetivo dos alienígenas ao manipular os seres humanos, um detalhe que é melhor apreciado se descobrirmos vendo o filme.

* O Planeta Fantasma (The Phantom Planet, Estados Unidos, 1961), direção de William Marshall.
A humanidade possui uma base de pesquisas na Lua, de onde foguetes partem para explorações espaciais. Porém, um imenso objeto parecido com um planeta tem causado destruição colidindo contra naves terrestres, surgindo de repente no espaço e desaparecendo misteriosamente. Apelidado de “planeta fantasma”, um astronauta renomado, Capitão Frank Chapman (Dean Fredericks), é enviado numa missão de investigação, junto com o Tenente Ray Makonnen (Richard Weber), que acidentalmente se perde no espaço ao tentar reparar um problema externo no foguete. Quanto à Chapman, ele acaba pousando no tal planeta chamado Raiton, que abriga uma raça de humanóides em miniatura, uma civilização avançada tecnologicamente (tanto que transformaram o planeta numa espécie de nave gigante), mas que preferiram viver de forma primitiva, abolindo as máquinas e o luxo de uma vida entediante, optando pela luta pela sobrevivência. O astronauta terrestre também diminui de tamanho em contato com a atmosfera local e passa a viver entre os alienígenas, liderados pelo veterano Sessom (Francis X. Bushman), tendo que enfrentar a antipatia do rival Herron (Anthony Dexter), além de escolher uma namorada entre a loira ambiciosa Liara (Coleen Gray) e a bela morena silenciosa Zetha (Dolores Faith), enquanto planeja um meio de retornar ao tamanho natural e voltar para a base lunar.
Curiosamente, o filme é ambientado em 1980, um futuro de duas décadas em relação à época de produção (1961), com a Terra mantendo uma base na Lua e com viagens espaciais regulares, porém, ao contrário das previsões otimistas dos escritores de ficção científica, após cerca de três décadas depois desse período abordado no roteiro, ainda caminhamos lentamente em relação à exploração espacial. “O Planeta Fantasma” tem fotografia em preto e branco e foi lançado em DVD juntamente com a space opera italiana “Batalha no Espaço Estelar” (1977). A história é até interessante, abordando um planeta que se move como uma nave e é habitado por uma civilização miniaturizada que vive uma situação paradoxal, possuindo grande conhecimento científico e ao mesmo tempo preferindo uma vida primitiva ao extremo. Os efeitos especiais são precários e exageradamente toscos, apesar da produção de cerca de meio século atrás, onde destaco no quesito “momento bagaceiro” o ataque das naves incendiárias dos solarites, uma raça inimiga dos humanóides, e a presença de um destes alienígenas horrendos com olhos esbugalhados, interpretado pelo gigante ator Richard Kiel, escondido numa fantasia de borracha típica dos filmes dos anos 50 e 60, não faltando a clássica cena do monstro carregando nos braços uma bela mulher desacordada.

* Batalha no Espaço Estelar (War of the Planets / Anno Zero – Guerra Nello Spazio / Battaglie Negli Spazi Stellari, Itália, 1977), direção de Al Bradley (pseudônimo de Alfonso Brescia).
O Capitão Alex Hamilton (John Richardson) é um astronauta respeitado, mas também conhecido pelos atos de indisciplina e aversão aos computadores. Ele é o comandante da nave espacial MK-31, que é chamada para investigar a origem de misteriosos sinais no espaço, juntamente com outros tripulantes como a bela Meela (Yanti Somer). Sua nave encontra um planeta, e ao pousar descobre uma região inóspita e mergulhada em escuridão (as noites são extremamente longas, com centenas de horas). Dentro de uma caverna sua equipe encontra um portal dimensional que os leva ao encontro de uma raça de alienígenas humanóides com pele pintada numa cor mista de verde e azul e com orelhas pontudas (no estilo do “Spock” de “Star Trek”), liderados pelo chefe Etor (Aldo Canti). A princípio, eles se mostram hostis e depois acabam até aceitando a ajuda dos humanos para enfrentar a pior descoberta que ainda viria: o planeta é controlado por um super computador inteligente que tem escravizado os habitantes. No passado, eles viviam felizes em harmonia com as máquinas, que lhes serviam e davam conforto, porém certo dia eles foram atacados por inimigos de outro planeta e tudo foi destruído, restando apenas um único computador que possuía o conhecimento para gerar novas máquinas, mas com propósitos de conquistar a galáxia, escravizando a civilização local. Esse computador psicopata, na intenção de tornar-se ainda mais potente e perfeito, enviou sinais ao espaço para atrair a atenção dos astronautas da Terra, e forçá-los a instalar um componente eletrônico que o deixaria mais forte para poder colocar em prática seu plano tirano e conquistador.
Típico filme bagaceiro italiano com excesso de cores, visual exagerado e naves e estações espaciais com painéis de controle repletos de luzes piscando e botões para todos os lados. O roteiro é simples demais e com uma overdose de clichês, e a narrativa é na maior parte do tempo muito arrastada, gerando uma significativa dose de tédio no espectador, incitando-o ao sono. A idéia de explorar o tema dos computadores dominando civilizações, enfatizando o propósito de tirania, já havia sido visto inúmeras vezes antes, não conseguindo empolgar. Foi lançado em DVD no Brasil junto com “O Planeta Fantasma” (1961), que apesar de ser bem tosco, é ainda assim melhor que esse “Batalha no Espaço Estelar”, que vale mesmo apenas como curiosidade.

* Um Mundo Desconhecido (Unknown World, Estados Unidos, 1951), direção de Terrell O. Morse.
Após duas guerras mundiais e a ameaça gerada pela era atômica com a paranóia de uma catástrofe fatal para nosso planeta, o cientista Dr. Jeremiah Morley (Victor Kilian, não creditado por perseguição do Marcathismo) funda uma “Sociedade Para Salvar a Civilização”, reunindo uma equipe de outros cientistas com o objetivo de apresentar um projeto alternativo para a humanidade: explorar o centro da Terra em busca de um abrigo geológico que pudesse servir de refúgio para o iminente holocausto nuclear. A bordo de um veículo chamado “cyclotram” (uma espécie de tanque blindado com uma broca perfuratriz na proa), temos uma expedição formada pelo geofísico Dr. Max A. Bauer (Otto Waldis), o engenheiro de sistemas Dr. James Paxton (Tom Handley), a bela médica e bioquímica Dra. Joan Lindsey (Marilyn Nash), o técnico em estudos de solos Dr. George Coleman (Dick Cogan), e o especialista em explosivos Andrew Ostergaard (Jim Bannon). Para fechar o grupo, um último membro é aceito de forma forçada, o aventureiro milionário Wright Thompson (Bruce Kellogg), financiador do projeto. Entre os perigos enfrentados nessa aventura, temos a presença de gases venenosos mortais, a falta de água para consumo e a erupção de um vulcão interno.
Existem vários filmes com o tema de exploração do interior do planeta, onde destaca-se o clássico inspirado no livro homônimo de Julio Verne “Viagem ao Centro da Terra” (1954). Em “Um Mundo Desconhecido”, fotografado em preto e branco, a história é interessante ao evidenciar o medo da humanidade daquele período conturbado da guerra fria (início dos anos 50) com o efeito destrutivo de bombas atômicas, levando à idéia de procurar alternativas para a sobrevivência, enfatizando uma providencial fuga para o centro da Terra. Porém, a falta de recursos numa evidente produção de baixo orçamento, somada a um elenco pouco expressivo (exceto por Victor Kilian, que tenta fortalecer seu personagem como um cientista abnegado na busca de uma solução para a continuidade da sobrevivência de nossa espécie), tornam o filme apenas uma pequena e curta (74 minutos) diversão passageira com alguns momentos de sonolência. Faltaram mais elementos fantásticos no roteiro, aproveitando a oportunidade de uma missão de exploração para dentro de nosso planeta. Os perigos enfrentados pelo grupo e as novidades de “um mundo desconhecido” foram pouco inspiradores ao espectador. Lançado em DVD junto com “O Fantástico Homem Transparente” (1960).

* O Fantástico Homem Transparente (The Amazing Transparent Man, Estados Unidos, 1960), direção de Edgar G. Ulmer.
Um presidiário perigoso, Joey Faust (Douglas Kennedy), especialista em arrombar portas e cofres, escapa da penitenciária com a ajuda da bela Laura Matson (Marguerite Chapman), que o aguarda de carro numa estrada próxima. A fuga faz parte de um plano do ambicioso Major Paul Krenner (James Griffith), que quer usar o criminoso como cobaia numa experiência de invisibilidade conduzida pelo cientista nuclear alemão Dr. Peter Ulof (Ivan Triesault), um refugiado da segunda guerra mundial, que trabalha contra sua vontade, sendo chantageado pelo militar americano que mantém sua filha como refém. O objetivo é formar um exército de soldados invisíveis para obter vantagem e lucros nas guerras.
Lançado em DVD no Brasil junto com “Um Mundo Desconhecido” (1951), “O Fantástico Homem Transparente” tem um título sonoro, produzido em preto e branco e sendo exageradamente curto (apenas 57 minutos), parecendo mais um episódio de alguma série de TV com elementos fantásticos no estilo “Além da Imaginação”. É tão rápido que a história carece de mais detalhes, onde tudo é apresentado com pressa e sem a intenção de explorar melhor as idéias. Os personagens são tão superficiais e mal apresentados que nem é possível imaginar com clareza suas origens e motivações. O tema central é novamente aproveitar os efeitos da guerra fria e a ameaça da era atômica para mostrar um cientista fazendo experiências malucas num laboratório secreto, com a finalidade de transformar homens em seres transparentes, obtendo assim vantagens em missões de espionagem. Mas aqui, ao contrário dos outros filmes similares sobre homens invisíveis, o roteiro nem se preocupou com detalhes e o presidiário tornava-se invisível juntamente com suas roupas, quando normalmente apenas o corpo deveria ficar transparente.

* O Alerta do Espaço (Warning From Space / Uchujin Tokyo Ni Arawaru, Japão, 1956), direção de Koji Shima.
Misteriosos corpos luminosos surgem nos céus da capital do Japão, Tóquio, sendo avistados e estudados por cientistas. São alienígenas do planeta Pairan com uma tecnologia superior que querem alertar a humanidade sobre os perigos fatais de um planeta desgovernado de outra galáxia que está em rota de colisão com a Terra. Com dificuldade de comunicação, eles decidem assumir a forma humana, através de uma sósia de uma cantora e dançarina famosa, Hikari Aozora (Toyomi Karita), entrando em contato com um grupo de cientistas formado pelo Dr. Kamura (Bontaro Miake), o físico Dr. Matsuda (Isao Yamagata) e o Dr. Toto Isobe (Shozo Nanbu). A intenção dos estraterrestres é ajudar sugerindo um ataque com armas nucleares no planeta para tentar destruí-lo ou desviar sua rota, mas o plano falha restando uma última tentativa através de um potente explosivo cuja fórmula foi criada pelo Dr. Matsuda e produzida com o auxílio dos seres do espaço.
Primeiro filme japonês de Ficção Científica com fotografia em cores, “O Alerta do Espaço” tem como maior destaque a presença dos alienígenas, mesmo que poucas vezes, num excercício de bizarrice impagável, com atores fantasiados num traje amarelo em forma de estrela e com um único olho imenso no centro, na altura da barriga. Provavelmente, as criaturas do planeta Pairan estão entre as mais ridículas em aparência da história do cinema bagaceiro de Horror e FC, e por isso mesmo garantem uma diversão memorável. De resto, o roteiro esbarra em clichês o tempo todo, com cientistas tentando encontrar um meio de salvar o mundo do choque com outro planeta, além da presença de elementos de conspiração através de uma organização secreta querendo se apossar da descoberta do explosivo. O desfecho óbvio e previsível se resume com a interferência dos alienígenas na solução do problema, cujas consequências também os afetariam, pois seu planeta possui órbita similar ao da Terra, porém no outro lado do Sol. Vale destacar também que esse é um dos poucos filmes que procuraram retratar alienígenas com intenções pacíficas ao invés de propósitos tiranos de invasão e conquista, como a maioria esmagadora dos filmes do gênero. A cena de transformação de um alienígena para a forma humana, através de uma máquina, é uma referência direta ao filme alemão “Metrópolis” (1927), numa sequência similar entre um robô mecânico e a personagem Maria. Foi lançado em DVD no Brasil junto com “Gammera – O Monstro Invencível” (1965), numa versão dublada em inglês e legendas em português.

* Gammera – O Monstro Invencível (Gammera the Invincible, Estados Unidos, 1966), direção de Noriaki Yuasa e Sandy Howard.
Em plena época de grande tensão mundial com a guerra fria, um navio de pesquisas japonês está no polo Ártico, próximo da fronteira com a Sibéria. Eles avistam um grupo de aviões russos fora de seu espaço aéreo e os Estados Unidos são alertados para interceptar os intrusos, causando um incidente internacional com a derrubada de um dos aviões inimigos, que carregava uma bomba atômica, explodindo a geleira e libertando um monstro gigantesco que hiberbnava por 200 milhões de anos. A criatura ancestral, com uma altura de cerca de 50 metros, é semelhante a uma tartaruga dinossauro, conhecida em lendas como “Gammera”, que cospe fogo pela boca e tem a capacidade de voar. O monstro gigante logo ataca o navio e parte pelo oceano em direção ao Japão, destruindo tudo pelo caminho, despertando a atenção mundial para um trabalho cooperativo internacional entre os exércitos de vários países na tentativa de deter o monstro. Uma vez que ele se mostra invulnerável ou “invencível” como diz o subtítulo do filme, não cedendo aos ataques maciços com armas de todos os tipos (inclusive nucleares), além de vapores quentes de uma usina geotérmica e até bombas congelantes, a esperança da humanidade está num misterioso “Plano Z”, mantido em sigilo pelas “Nações Unidas”. O objetivo é atrair a tartaruga gigante para uma ilha japonesa, que esconde um segredo que pode acabar com sua ameaça.
Em 1965 foi produzido um filme japonês com o monstro “Gammera”, que um ano depois se transformou numa versão lançada pelos Estados Unidos, incluindo apenas algumas cenas adicionais e atores americanos como Albert Dekker (do clássico “O Delírio de Um Sábio”, 1939), que fez o Secretário de Defesa, Brian Donlevy (de “A Maldição da Mosca”, 1965), que interpretou o General Terry Arnold, e Dick O´Neill (General O´Neill). A partir de então, a tartaruga gigante que cospe fogo passou a participar de inúmeros filmes, principalmente na década de 60 e início dos anos 70. Os famosos monstros gigantes japoneses como Godzilla e outros similares, se transformaram num subgênero do cinema bagaceiro de horror muito cultuado pelos fãs, e são tantos filmes produzidos dentro desse tema que é difícil catalogar. Geralmente utilizando argumentos inspirados pela paranóia da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, e o medo das consequências do uso de armas atômicas para o futuro da humanidade. Foi lançado em DVD num programa duplo com “O Alerta do Espaço” (1956).

* A Batalha dos Monstros (Attack of the Monsters / Gamera tai daiakuju Giron, Japão, 1969), direção de Noriaki Yuasa.
Duas crianças, o japonês Akio (Nobuhiro Kajima) e o americano Tom (Christopher Murphy), avistam num telescópio caseiro um disco voador que aterrissou perto da casa do primeiro, ao mesmo tempo em que um cientista, Dr. Shiga (Eiji Funakoshi), está estudando a origem de misteriosos sinais vindos do espaço, sendo interrogado pela imprensa. As crianças vão ao encontro da nave e ao entrarem no interior, são transportados por controle remoto ao planeta de origem, chamado Tera, que é similar ao nosso planeta, com mesma atmosfera, e situado no outro lado do Sol (idéia reciclada e já utilizada em “O Alerta do Espaço”, 1956). Esse planeta é habitado por duas mulheres, Barbella e Flobella, as únicas sobreviventes de uma civilização avançada tecnologicamente, mas que permitiu que um computador rebelde criasse monstros gigantes que dominam o lugar. As alienígenas conseguiram aprisionar e manter sob controle como um cão de guarda um desses monstros, Guiron, que é uma espécie de rinoceronte com uma lâmina de aço na cabeça. Elas então sequestram as crianças para devorar seus cérebros e adquirir seus conhecimentos, obtendo informações sobre a Terra. Mas o monstro voador Gamera está atento e parte para o planeta para defender os pirralhos e travar uma batalha contra Guiron.
Distribuído no Brasil em DVD junto com “Destruam Toda a Terra” (1968), “A Batalha dos Monstros” tem fotografia em cores e dublagem em inglês, sendo mais um episódio dentro do universo ficcional da tartaruga gigante Gamera, que depois de ser apresentada no filme de origem “Gammera – O Monstro Invencível” (1966), agora é uma criatura “amiga das crianças” e “defensora da humanidade”. O roteiro é completamente ridículo, cheio de diálogos banais, personagens insignificantes e carregado de situações bagaceiras ao extremo. Todas as cenas com Gamera são toscas e hilárias de tão mal feitas, com direito até a uma performance do monstro numa espécie de barra acrobática parecendo um ginasta olímpico. Além de outra cena memorável de tão ruim onde a tartaruga imensa, que a propósito, voa pelo espaço com jatos propulsores, conserta uma nave cortada ao meio juntando os pedaços e soprando como se fosse uma vela de aniversário. Tanto Gamera como Guiron são interpretados por atores vestidos em trajes de borracha e com olhos de peixe morto, e as cenas de batalhas entre ambos são memoráveis de tão ruins. As instalações da base alienígena no planeta Tera possuem todos aqueles elementos clichês dos filmes “B” antigos de FC, com cenários coloridos e repletos de aparelhos eletrônicos futuristas.

* Destruam Toda a Terra (Destroy All Planets / Gamera tai uchu kaijû Bairasu , Japão, 1968), direção de Noriaki Yuasa.
Uma nave alienígena hostil quer dominar e colonizar a Terra. Sua forma é um conjunto de esferas amarelas com listras pretas, e os invasores são criaturas com tentáculos disfarçadas de humanos. Uma dupla de jovens escoteiros, o japonês Masao Nakaya (Tôru Takatsuka) e seu amigo americano Jim Crane (Carl Craig), são especialistas em fazer trotes e brincadeiras, como o que fizeram com um pequeno submarino projetado pelo cientista Dr. Dobie (Peter Williams), cujos controles foram invertidos, e são sempre repreendidos pelo chefe dos escoteiros, Sr. Shimida (Kojiro Hongo). Porém, as crianças não imaginariam a encrenca em que iriam se meter quando são sequestradas pelos alienígenas, despertando a fúria do monstro protetor Gamera, uma tartaruga imensa que voa e solta fogo pela boca, que parte furiosa na salvação dos meninos. Na batalha, os alienígenas conseguem instalar um mecanismo de controle cerebral no monstro, obrigando-o a se voltar contra os humanos, destruindo uma represa e uma usina elétrica, ameaçando a segurança de Tóquio, a capital do Japão e a cidade preferida para os mais diversos monstros atacarem.
Lançado em DVD pela “Works” num programa duplo com “A Batalha dos Monstros” (1969). Aqui, temos novamente outro filme com Gamera, tão ruim quanto os demais, com efeitos especiais paupérrimos e uma história básica cheia de furos e muito similar ao filme seguinte da série, demonstrando a falta de criatividade dos roteiristas, fazendo com que os filmes de monstros japoneses se pareçam demais uns com os outros. Dessa vez, em “Destruam Toda a Terra”, para preencher a duração de cerca de uma hora e meia, os realizadores optaram por inserir várias cenas de cansativas lutas entre Gamera e monstros rivais, retiradas de outros filmes. E não faltam mais outras novas sequências toscas também como uma em especial mostrando Gamera literalmente surfando sobre um monstro inimigo, formado pela união de vários alienígenas com tentáculos, que se juntaram numa única criatura enorme para combater a tartaruga voadora. De uma forma geral, o filme é até divertido com tanta cena bagaceira para todos os lados, mas dependendo da situação, também cansa bastante e torna-se um convite ao sono.

* A Primeira Espaçonave em Vênus (First Spaceship on Venus / Der Schweigende Stern, Alemanha / Polônia, 1960), direção de Kurt Maetzig.
Um objeto estranho é encontrado levando um grupo de cientistas a investigar sua origem. Eles chegam à conclusão que é proveniente do planeta Vênus, vindo com a queda de uma imensa nave que se acidentou na Terra. A partir daí, é formada uma expedição de celebridades do mundo das ciências para uma viagem inédita a bordo de um foguete chamado “Cosmostrater”, rumo à Vênus para explorar o planeta e descobrir indícios de vida alienígena. O grupo é formado por oito cientistas de diversas nacionalidades: o americano e comandante da missão Harringway Hawling (Oldrich Lukes), o polonês chefe de engenharia e entusiasta em xadrez Orloff (Ignacy Machowski), o chinês especialista em idiomas Tchen Yu (Tang Hua-Ta), o matemático indiano Sikarna (Kurt Rackelmann), o francês expert em robôs Durand (Michail N. Postnikow), criador do robô de exploração “Omegan”, o piloto alemão Robert Brinkmann (Gunther Simon), o técnico em navegação e comunicação africano Talua (Julius Ongewe), e a única mulher da equipe, a bela médica japonesa Sumiko Ogimura (Yoko Tani). Eles partem então para Vênus, passando pela base “Lunar 3”, instalada na Lua. Lá, encontram um planeta deserto envolvido em névoas, além de misteriosos insetos metálicos, uma floresta vitrificada e os restos de uma civilização abatida por uma catástrofe nuclear que dizimou os habitantes. Descobrem também as intenções hostis dos venusianos antes da tragédia.
A história de “A Primeira Espaçonave em Vênus” é ambientada em 1985, que curiosamente significava um futuro distante para a época de produção do filme (1960) e um passado já longo também para nosso momento atual. O roteiro é baseado em obra literária do ucraniano Stanislaw Lem, o mesmo autor de “Solaris”, e a direção foi do alemão Kurt Maetzig. O filme é curto (apenas 78 minutos), provavelmente por questões orçamentárias e por isso percebe-se claramente a rapidez com que os eventos acontecem. Um narrador procura apresentar uma introdução com a equipe de cientistas e a descoberta de um misterioso artefato de origem alienígena, e a partir daí, a história ganha uma dinâmica evidenciando a longa viagem espacial e a exploração de Vênus. Novamente temos um super computador com cérebro eletrônico controlando a nave, não faltando sempre todos os elementos característicos das produções de Ficção Científica do período, com excesso de luzes piscando e painéis cheios de controles e botões. O filme é divertido por instigar o espectador e fã do gênero fantástico a viajar e explorar juntamente com os cientistas o desconhecido planeta Vênus, alertando para os perigos de armas nucleares e o medo de invasões alienígenas. Lançado em DVD junto com “O Monstro de Vênus” (1966).

* O Monstro de Vênus (Zontar, the Thing From Venus, Estados Unidos, 1966), direção de Larry Buchanan.
Keith Ritchie (Anthony Huston) é um cientista brilhante que inventa um sofisticado equipamento capaz de se comunicar com o distante planeta Vênus. Paralelamente, um importante projeto militar chefiado pelo também cientista Dr. Curt Taylor (John Agar), consiste em lançar ao espaço um satélite a laser. Ao se comunicar com Vênus, Keith entra em contato com uma criatura chamada Zontar, que utiliza o satélite para se transportar até a Terra. Ele acredita que está fazendo algo para o bem da humanidade, ou seja, um contato com uma raça alienígena superior que nos ajudaria a acabar com as guerras e problemas de nosso planeta. Porém, as intenções de Zontar são hostis, com objetivos de conquista num plano de invasão para sugar a energia do planeta e que consiste em controlar autoridades através de um sensor colocado em suas cabeças por morcegos venusianos. Dessa forma, resta apenas a tentativa da bela esposa de Keith, Martha Ritchie (Susan Bjurman), em alertar o marido sobre o equívoco em ajudar Zontar, e também do amigo Dr. Curt Taylor, que logo percebe o plano maquiavélico do alienígena e parte para o confronto para salvar a humanidade.
“O Monstro de Vênus” é uma refilmagem de “It Conquered the World” (1956), dirigido por Roger Corman e com Peter Graves, Beverly Garland e Lee Van Cleef. Foi lançado em DVD junto com “A Primeira Espaçonave em Vênus” (1960), e tem a participação do ator John Agar (1921 / 2002), conhecido por interpretar geralmente “cientistas loucos” em inúmeros filmes “B” de horror e ficção científica como “Revenge of the Creature” (1955), “Tarantula” (1955), “The Mole People” (1956), “The Brain From Planet Arous” (1957), “Attack of the Puppet People” (1958), “Invisible Invaders” (1959), “Journey to the Seventh Planet” (1962), “Women of the Prehistoric Planet” (1967), entre outras pérolas do cinema fantástico de baixo orçamento. O filme é uma tranqueira de proporções colossais, desde a produção paupérrima, passando pelo roteiro superficial, até os efeitos especiais bagaceiros, como o satélite a laser (um típico disco voador), os “injectopods” (uma espécie de morcego alienígena ridículo cujas cenas dos ataques em vôos rasantes são hilários de tão mal feitos), e o próprio Zontar, um monstro com três olhos e um par de asas, que está entre os mais bizarros vilões dos filmes sobre invasão alienígena. Na história, percebemos referências a clássicos da ficção científica como “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951), quando Zontar paraliza o planeta, interrompendo todos os serviços de fornecimento de água, luz, telefone e máquinas em geral, instaurando o pânico na população desorientada, e “Vampiros de Almas” (1956), ao controlar as pessoas através de um sensor instalado na nuca, transformando-as em seres obedientes, artificiais e desprovidos de emoções. Como a maioria dos filmes do período, o roteiro também explora a tensão da guerra fria, alegando que o corte de energia seria uma sabotagem comunista, e que as pessoas controladas por Zontar seriam frias e insensíveis.

Uma Overdose de Ficção Científica Bagaceira” # 537 – data: 12/11/09
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O Castelo do Pavor (The Black Castle, 1952)


O lendário ator inglês Boris Karloff (1887 / 1969) é um dos nomes mais associados à história do cinema de horror em todos os tempos, aliado com outros ícones como Bela Lugosi, Vincent Price, Peter Cushing e Christopher Lee, principalmente. A simples presença dele num filme, mesmo que num papel menor e sem ser o vilão, já é garantia de uma diversão indiscutível para aqueles que apreciam o cinema do passado. E em 1952 foi lançada uma produção de baixo orçamento com fotografia em preto e branco chamada “O Castelo do Pavor” (The Black Castle), tendo Boris Karloff e Lon Chaney Jr. (outro nome muito ligado ao cinema “B” de Horror), em papéis coadjuvantes. A direção é do então estreante Nathan Juran, um cineasta conhecido no gênero fantástico por inúmeras bagaceiras divertidas como “The Deadly Mantis” (1957), “20 Million Miles to Earth” (1957), “The Brain From Planet Arous” (1958), “Attack of the 50 Foot Woman” (1958), “The 7th Voyage of Sinbad (1958), “Jack the Giant Killer” (1962), “First Men in the Moon” (1964), “The Boy Who Cried Werewolf” (1973), além de vários episódios de séries dos anos 60 como “Viagem ao Fundo do Mar”, “O Túnel do Tempo”, “Terra de Gigantes” e “Perdidos no Espaço”.

No século XVIII, um renomado aventureiro inglês, Sir Ronald Burton (Richard Greene), consegue através de influência com o Imperador da Inglaterra, um convite para uma caçada na Áustria na propriedade do Conde Karl von Bruno (Stephen McNally), um homem rico e sem escrúpulos, que travou conflitos com os ingleses na África por causa dos nativos locais e os interesses com o marfim. O objetivo de Burton é investigar o desaparecimento de dois amigos numa região conhecida como “Floresta Negra”, nas imediações do castelo do conde, e para isso ele viaja até lá disfarçado com outro nome, o caçador Richard Beckett. No caminho, ele é obrigado a enfrentar dois aliados de von Bruno num combate de espadas, os também condes Steiken (John Hoyt) e Ernst von Melcher (Michael Pate), para defender um criado, Fender (Henry Corden). E após chegar ao castelo ele conhece a Condessa Elga von Bruno (Paula Corday), uma bela mulher, mas infeliz no casamento forçado com o conde. Entre os outros moradores do castelo, temos também o médico Dr. Meissen (Boris Karloff), um ancião bem intencionado que inventou uma fórmula capaz de manter um ser humano desacordado por dez horas simulando a morte, e um serviçal mudo e violento na figura de Gargon (Lon Chaney Jr.). A partir daí, o nobre inglês intensifica a investigação do misterioso sumiço de seus amigos, inevitavelmente se apaixona pela carente condessa e desperta a desconfiança mortal e fúria vingativa do Conde von Bruno.

Em “O Castelo do Pavor” temos todos os elementos associados aos filmes de horror antigos com aquela atmosfera sinistra de um ambiente sombrio, com um castelo imponente no meio de uma floresta, com uma infinidade de cômodos para todos os lados, com direito até a uma masmorra no porão e um poço com crocodilos famintos. Boris Karloff e Lon Chaney Jr. aparecem pouco em cena, com o primeiro sendo um médico criador de um soro que simula a morte, e o segundo sendo um troglodita descerebrado ávido por violência, mas a simples menção de seus nomes no elenco desperta a atenção e agrega um enorme valor ao filme.

“O Castelo do Pavor” (The Black Castle, Estados Unidos, 1952) # 536 – data: 25/10/09
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A Maldição da Mosca (Curse of the Fly, Inglaterra, 1965)


A franquia da “Mosca” é composta por uma trilogia formada por “A Mosca da Cabeça Branca” (The Fly, 1958), seguido por “O Monstro de Mil Olhos” (Return of the Fly, 1959), e fechando a saga com “A Maldição da Mosca” (Curse of the Fly, 1965), com fotografia em preto e branco e estrelado por Brian Donlevy, lançado em DVD no Brasil pela “Fox”. Depois, muitos anos mais tarde, o cineasta David Cronenberg fez a refilmagem “A Mosca” (The Fly, 1986), investindo pesado no sangue, escatologia e efeitos especiais nojentos, que foi seguido por “A Mosca II” (The Fly II, 1989), uma seqüência dispensável.

No terceiro filme da série, com direção de Don Sharp, o filho do cientista da película original de 1958, Henri Delambre (Brian Donlevy), continua trabalhando no projeto de teletransporte da matéria, aperfeiçoando a máquina para enviar seres humanos entre Quebec (Canadá), onde fica baseado um laboratório mantido por seu filho Martin (George Baker), e Londres (Inglaterra), no laboratório administrado pelo outro filho, Albert (Michael Graham). Henri está obcecado em obter sucesso nas experiências, tanto que cobaias humanas foram utilizadas e se transformaram em monstros mutantes por causa de falhas técnicas, mantidas aprisionadas na fazenda do cientista. Ele também tem que enfrentar a desaprovação de seus filhos, que querem ter uma vida comum, montando suas famílias, e que estão cansados de continuar a saga de gerações atrás do sonho (ou será pesadelo?) do teletransporte, o que já causou muitos transtornos e tragédias no passado. Os problemas aumentaram ainda mais depois que Martin, numa viagem a Montreal para comprar um equipamento científico, encontrou a bela jovem Patricia Stanley (Carole Gray), que estava fugindo de um hospital psiquiátrico onde se tratava de um distúrbio emocional, e se apaixonou pela garota trazendo-a consigo para se casar. A moça acabou descobrindo as vítimas deformadas das experiências e chamou a atenção da polícia, que estava em seu encalço, que veio novamente atrapalhar os planos do cientista.

Particularmente, aprecio muito os filmes de “cientista loucos” obcecados por seus trabalhos para o “bem da humanidade”, tornando-se tão concentrados em seus objetivos que perdem os escrúpulos, cometendo crimes para alcançar resultados. É como diz o cientista Henri Delambre em duas oportunidades: “Somos cientistas. Temos de fazer coisas que odiamos e que nos enojam...” e “Há sacrifícios humanos em todos os grandes avanços científicos...”. E em “A Maldição da Mosca”, a idéia principal continua o foco na tão sonhada máquina que permitiria o transporte de seres vivos entre pontos distantes do planeta, através da desintegração e reintegração da matéria, e que por falhas ainda a serem corrigidas, tem causado mutações nas pessoas que participaram dos testes.

Curiosamente, nesse terceiro filme aparece numa ponta o Inspetor Charas (Charles Carson), que foi o policial que investigou o caso em “A Mosca da Cabeça Branca” (aqui, interpretado por Herbert Marshall), criando mais uma ponte de ligação entre os filmes.
Também por curiosidade e apenas para registro, seguem abaixo pequenos comentários sobre os outros quatro filmes dentro desse mesmo universo ficcional:
* “A Mosca da Cabeça Branca”: com direção de Kurt Neumann, fotografia a cores, um elenco formado por David Hedison (o Capitão Lee Crane da série de TV dos anos 60 “Viagem ao Fundo do Mar”) e o ícone do horror Vincent Price, e inspirado num conto de George Langelaan, esse filme é um clássico do subgênero “cientista louco” e “homem transformado em monstro”. Quando o cientista Andre Delambre (Hedison), pioneiro nas experiências de teletransporte de matéria, utilizou a si mesmo como cobaia, ocorreu um acidente e ele teve seu corpo misturado ao de uma mosca intrusa na cabine. Transformou-se num monstro com cabeça e uma das patas da mosca, e o inseto fugiu com uma cabeça e braço humanos.
* “O Monstro de Mil Olhos”: em preto e branco e novamente com Vincent Price, nessa seqüência o filho do cientista do original, Phillipe Delambre (Brett Halsey), com a ajuda do tio François (Price), retoma as experiências de teletransporte novamente criando um monstro metade homem metade mosca. O filme falha por praticamente manter a mesma história do original, investindo exclusivamente no drama do filho do cientista transformado numa criatura mutante. Enquanto no filme anterior, o monstro é pouco mostrado, aqui ele é o foco do roteiro, sem inovações.
* “A Mosca”: ótima nova versão do clássico de 1958, atualizado para os anos 80 por David Cronenberg, com uma overdose de cenas sangrentas e efeitos especiais interessantes. Agora o cientista é Seth Brundle (Jeff Goldblum) que se transforma num monstro após o fracasso de uma experiência de teletransporte. Sua namorada Veronica Quaife (Geena Davis) tenta em vão ajuda-lo.
* “A Mosca II”: o filho do cientista do filme de 1986, Martin Brundle (Eric Stoltz) retoma as experiências do pai, novamente com resultados desastrosos. Filme menor e que poderia ter sido evitado, não acrescentando nada à saga, sendo facilmente esquecido depois de visto.

“A Maldição da Mosca” (Curse of the Fly, Inglaterra, 1965) # 535 – data: 20/08/09
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Escola dos Espíritos (Hau Mo Chu / The Haunted School, Hong Kong, 2007)


Uma escola para moças tem um passado misterioso onde uma antiga inspetora que mantinha um caso amoroso com o diretor casado, foi assassinada, trancafiada e queimada numa sala pela esposa traída. Com uma morte violenta, a inspetora tornou-se um fantasma vingativo que habita a escola e pune todos que desobedecem as rígidas normas do lugar. Por questões financeiras, a escola é obrigada a aceitar a inclusão de rapazes também, e quatro deles são matriculados causando um alvoroço entre as estudantes adolescentes. A partir do momento que eles passam a desacatar as leis internas, terão que enfrentar a fúria do fantasma da antiga inspetora.
Tendo em visto que o cinema oriental sobre fantasmas perturbados geralmente tem uma qualidade admirável, é uma pena ter que dizer que “Escola dos Espíritos” (Hau Mo Chu / The Haunted School, Hong Kong, 2007), lançado em DVD no Brasil pela “Platina Filmes”, é um lixo dispensável. O filme aborda o tema de um fantasma vingativo, porém a imensa quantidade de CGI vagabundo num roteiro repleto de falhas e clichês, não honra o cinema de horror produzido do outro lado do planeta. Até parece com os filmes americanos que apresentam fantasmas ridículos, numa história com adolescentes completamente fúteis e descerebrados (apesar que ainda assim os americanos conseguem ser piores nesse quesito).

“Escola dos Espíritos” (Hau Mo Chu / The Haunted School, Hong Kong, 2007) # 534 – data: 09/08/09
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Força Sinistra (Lifeforce, EUA / Inglaterra, 1985)


Uma missão espacial para investigar e estudar o Cometa Halley, descobre uma nave alienígena oculta na cauda do cometa e resgata os corpos de três misteriosas criaturas humanóides, mantidas em animação suspensa. A nave retorna para a Terra, mas com os tripulantes mortos, e os alienígenas revelam-se vampiros que buscam a energia vital de suas vítimas.
Quando o assunto é o divertido filme “Força Sinistra” (Lifeforce, 1985), baseado no livro “Vampiros do Espaço” (Space Vampires, lançado em 1976), de Colin Wilson, três coisas vem à cabeça instantaneamente: os anos 80 e seus filmes inesquecíveis (também fazem parte dessa década preciosidades como “The Evil Dead”, “Hellraiser”, “A Volta dos Mortos-Vivos”, “Re-Animator”, etc...); o cineasta Tobe Hooper, cujo nome está associado ao Horror, e sua carreira de altos e baixos (ele também dirigiu o clássico absoluto “O Massacre da Serra Elétrica” em 1974, e um monte de porcarias nos anos seguintes, com raras exceções); e a belíssima atriz francesa Mathilda May nua, fazendo o papel de uma escultural vampira do espaço sideral (e que depois sumiu, permanecendo no anonimato).

“Força Sinistra” (Lifeforce, Estados Unidos / Inglaterra, 1985) # 533 – data: 11/07/09
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Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, EUA, 2009)


Eu até gosto de “cinema pipoca”, procuro ver em tela grande o máximo de filmes possível, mas tem hora que “enche o saco”. “Transformers 2”, que estreou nos cinemas brasileiros em 23/06/09, tem barulheira demais, o tempo todo, numa tática do diretor Michael Bay em não deixar o espectador um só minuto pensar na história, porque justamente o filme não tem roteiro, apenas efeitos especiais e robôs gigantes alienígenas que se transformam em carros e aviões, em meio a tiroteios e perseguições para todos os lados. Mesmo sabendo de tudo isso previamente, fui ao cinema e consegui alguma diversão passageira por cerca de duas horas, mas confesso que nos minutos finais, e pela falta de história e o pouco apresentado ainda sendo previsível ao extremo (clichês cansativos, casalzinho de heróis, piadas imbecis, final feliz, gancho para continuação, etc, etc...), fui dominado por um acesso de sono terrível.

“Transformers: A Vingança dos Derrotados” (Transformers: Revenge of the Fallen, Estados Unidos, 2009) # 532 – data: 05/07/09
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Strange Girls (Strange Girls, Estados Unidos, 2008)


Duas irmãs gêmeas, Virginia Gruczechy (Angela Berliner) e Georgia (Jordana Berliner), saem finalmente de um hospital psiquiátrico para tentarem levar uma vida comum. Com comportamentos estranhos perante as outras pessoas, agindo de forma sincronizada e se comunicando apenas entre si, elas enfrentam problemas de adaptação fora da clínica, se envolvendo em assassinatos. As coisas pioram ainda mais quando uma delas se apaixona por um jovem vizinho, despertando o ciúme e ira da irmã.
Strange Girls” é o típico filme arrastado, daqueles que você fica olhando no relógio e torce para acabar logo. Até tem algumas mortes com doses de violência, mas o roteiro possui uma idéia básica que não foi bem aproveitada e desenvolvida, na figura das duas irmãs “estranhas” que poderiam ser bem mais ameaçadoras e insanas. Dirigido, escrito, editado e produzido por Rona Mark, o filme fez parte da “Mostra Competitiva Internacional” do “SP Terror” 2009.

“Strange Girls” (Strange Girls, Estados Unidos, 2008) # 531 – data: 29/06/09
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O Proprietário (El Propietario / The Owner, Argentina, 2008)


Uma atriz lésbica de filmes de horror aluga um apartamento, onde o proprietário (um homem idoso, obeso e careca) mora ao lado e mantém o ambiente todo monitorado por câmeras de vídeo. Dessa forma, ele observa as cenas quentes de sexo da nova inquilina com sua parceira, registrando tudo em filmes. O proprietário acaba ficando obcecado pela jovem e constantemente injeta gás no apartamento para dopar a moça, aproveitando-se para fazer sexo com ela enquanto está inconsciente. Sua obsessão torna-se cada vez mais crescente levando o caso para assassinatos e um final dramático.
Após ver o filme argentino “O Proprietário”, a impressão que se tem é tratar-se de algo diferente e bizarro. Não é necessariamente ruim, mas também não desperta interesse algum (até tem mulheres peladas, mas elas também não são bonitas). Há boas doses de mortes violentas e sangue manchando a tela, mas a história é tão esquisita e arrastada que não acrescenta nada. Filme dispensável, que fez parte do “SP Terror” concorrendo na “Mostra Competitiva Ibero-Americana”.

“O Proprietário” (El Propietario / The Owner, Argentina, 2008) # 530 – data: 29/06/09
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Deixe Ela Entrar (Lat Den Ratte Komma In / Let the Right One In, Suécia, 2008)


Um garoto de 12 anos, Oskar (Kare Hedebrant), enfrenta problemas na escola sendo constantemente ameaçado por um grupo de colegas. Porém, ele encontra em sua recém chegada vizinha de apartamento, Eli (Lina Leandersson), uma amiga noturna misteriosa que o ajuda a encarar o medo.
Para nossa sorte, sempre existem filmes que se diferenciam totalmente da imensa produção comum em todos os cantos do planeta. O sueco “Deixe Ela Entrar” é um deles, com uma história ambientada em 1982 sobre uma bela relação de amizade entre um garoto e uma vampira. Filmaço repleto de sensibilidade e situações sugeridas, não deixando de lado fortes cenas de violência, além do respeito por algumas características tradicionais do vampirismo e sua selvageria peculiar.
O roteiro é tão cativante que é criada uma forte empatia entre o espectador e a dupla de protagonistas mirins, fazendo-nos torcer por eles. Confesso que tenho preferência por finais pessimistas e depressivos em filmes de horror, para que as histórias tenham uma maior veracidade num paralelo com a realidade do mundo, mas no caso de “Deixe Ela Entrar”, apreciei com entusiasmo o desfecho totalmente adequado e bem escolhido.
O filme foi apresentado como uma das grandes atrações do festival de cinema “SP Terror” em São Paulo, fazendo parte de uma “Mostra Competitiva Internacional”.

“Deixe Ela Entrar” (Lat Den Ratte Komma In / Let the Right One In, Suécia, 2008) # 529 – data: 28/06/09
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O Visitante de Inverno (Visitante de Invierno / The Owner, Espanha / Argentina, 2008)


Ariel Lambert (Santiago Pedrero) é um jovem em tratamento psiquiátrico que se muda com a mãe e irmã para uma pequena estância pouco habitada na Argentina durante o inverno para tentar uma reabilitação. Ele se apaixona por uma garçonete espanhola, Marisa (Ana Cuerdo), e enfrenta a ira de uma gang local de deliquentes. Porém, após descobrir que um assassino serial está sequestrando garotos, mantendo-os prisioneiros em sua casa para depois devora-los, seu maior desafio será tentar convencer a todos sobre a existência do psicopata, e que não é apenas mais uma alucinação.
Apresentado no evento “SP Terror” em São Paulo, numa “Mostra Competitiva Ibero-Americana”, “O Visitante de Inverno” é um interessante filme argentino que explora os tradicionais elementos do sub-gênero “slasher”, na figura de um psicopata assassino que devora suas vítimas, com uma história bem elaborada, prendendo a atenção do espectador, e investindo bastante numa atmosfera de suspense, com destaque para as cenas onde o protagonista sofre crises de asma no meio de situações tensas. Porém, infelizmente, uma falha notável não pode deixar de ser registrada: o deslize com um desfecho literalmente “explosivo” e tipicamente “hollywoodiano”, que poderia ter sido evitado.

“O Visitante de Inverno” (Visitante de Invierno / Winter Visitor, Espanha / Argentina, 2008) # 528 – data: 28/06/09
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O Açougueiro (The Butcher, 2006)


Lançado em DVD no Brasil no final de 2007 pela “Platina Filmes”, “O Açougueiro” (The Butcher, 2006) é mais uma tranqueira americana completamente dispensável, explorando pela enésima vez a idéia de alguns jovens acéfalos perdidos numa estrada secundária, que encontram uma casa isolada no mato e são atacados por seus sinistros habitantes, principalmente um homem desfigurado (o “açougueiro” do título), que aprecia retalhar a carne dos invasores de seu território.

O grupo de jovens imbecis é formado por dois homens, Mark (Alan Ritchson) e Adam (Tom Nagel), e quatro garotas, as lésbicas Liz (Tiffany Kristensen) e Atlanta (Ashley Rebecca Hawkins), além de Rachel (Catherine Wreford) e Sophie (Myiea Coy). Em viagem de carro pelo interior dos Estados Unidos e após pegarem uma estrada deserta e sem asfalto, um confronto com um misterioso motorista em seu caminhão causa um acidente que mata uma das garotas. Perdido no meio do nada, o grupo procura ajuda e encontra uma casa de campo habitada por uma família pouco hospitaleira.

É inacreditável como ainda existem profissionais do cinema que continuam insistindo em fazer filmes com roteiros extremamente desgastados e clichês em profusão. A falta de criatividade é constrangedora. “O Açougueiro” até tem algumas mortes violentas, certa dose de sangue, perseguições, mas nada que não seja esquecido completamente logo depois de visto. Provavelmente, o único momento que deverá ficar na memória por um pouco mais de tempo e por causa de seu caráter absurdo de tão improvável seja a cena em que uma garota morre com o corpo decepado ao meio no acidente de carro no início da história. Filmado sem realismo, de forma não convincente e com pouco sangue, o resultado acaba surtindo um efeito contrário, tornando a cena ridícula em vez de perturbadora.

“O Açougueiro” (The Butcher, EUA, 2006) # 527 – data: 23/06/09
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O Ataque das Vespas Mutantes (Swarmed, Canadá, 2005)


Se fizermos um trabalho de pesquisa relacionando os filmes de horror produzidos dentro do sub-gênero “revolta da natureza”, vamos encontrar muita porcaria. Entre a imensa quantidade de filmes dispensáveis temos “O Ataque das Vespas Mutantes” (Swarmed, Canadá, 2005), de Paul Ziller, lançado no Brasil em DVD pela “Europa” no final de 2007.

Numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, o cientista Dr. Kent Horvath (Michael Shanks), está realizando pesquisas com um pesticida e sua experiência em contato com vespas amarelas acidentalmente criou mutações nos insetos, deixando-os mais venenosos e agressivos, escapando do laboratório. Com a ajuda de uma especialista em entomologia, Prof. Christina Brown (Carol Alt), eles tentam encontrar uma forma de deter o ataque das vespas mutantes contra a população local, principalmente por causa de um evento turístico que está acontecendo na cidade, um concurso de churrasco (os insetos tem uma atração especial pela carne crua) patrocinado por uma dupla de inescrupulosos, o prefeito Gibson (Christopher Bondy) e o empresário criador de um molho para churrasco Phineas Washburn (Tim Thomerson), que apenas querem defender seus interesses comerciais, apesar da ameaça mortal das vespas, apoiados pelo corrupto chefe de polícia (Bill Lake).

O nome nacional escolhido é exageradamente sonoro, numa tentativa equivocada da distribuidora em despertar a atenção do público para um filme interessante sobre insetos assassinos. Porém, a história é ridícula, muito carregada de clichês, sem absolutamente nenhum elemento novo ou pelo menos alguma pequena variação de algo já visto inúmeras vezes antes. Ou seja, o roteiro preguiçoso é sempre o mesmo: uma cidadezinha americana atacada por insetos que se revoltam contra a humanidade por culpa exclusiva de experiências descuidadas, restando para um casal de heróis conduzir as ações para salvar o mundo dessa ameaça. Os homens maus devem ser punidos, o ataque é supostamente sempre contido, uma tragédia maior é evitada, e no final (nem pode ser considerado um “spoiler”, já que todos esses filmes são iguais e sabemos com antecedência o desfecho) teremos uma ponta solta para possíveis sequências ou apenas para informar que a ameaça completa ainda não foi eliminada.
Como é um filme produzido para a televisão, é óbvio que não há violência e as mortes são todas bem discretas, mas a quantidade de clichês previsíveis e cenas absurdas é tão grande que nos faz pensar como é possível uma equipe profissional de cinema, formada por técnicos e atores, se unir para rodar um filme tão descartável, algo que não acrescenta absolutamente nada, e ao contrário, apenas contribui para difamar e tornar o cinema de horror inútil e sem graça.
Para finalizar, vale a pena registrar a cena mais ridícula do filme e que para mim ficará na memória como referência de “O Ataque das Vespas Mutantes”: em determinado momento, após a morte previsível de um dos personagens “maus”, uma mulher tenta matar uma única vespa assassina com um enorme rifle, estourando tudo ao seu redor tentando acertar o pequeno inseto. E é interessante salientar a estranheza sobre como o roteirista Miguel Tejada-Flores cometeu esse vacilo, sendo o responsável por essa história dispensável, pois ele teve participação em outros projetos bem melhores como “A Sétima Vítima” (Darkness, 2002), de Jaume Balagueró, e “Re-Animator: Fase Terminal” (Beyond Re-Animator, 2003), de Brian Yuzna.

“O Ataque das Vespas Mutantes” (Swarmed, Canadá, 2005) # 526 – data: 20/06/09
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Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal (Alone in the Dark II, EUA, 2008)


Uwe Boll é um cineasta alemão conhecido por seus filmes ruins, principalmente adaptando histórias dos games para as telas. “House o f the Dead” (2003) é uma das principais porcarias que ele dirigiu e que o tornou conhecido pelo público estabelecendo sua fama negativa. Em 2005, ele lançou “Alone in the Dark”, outra tranqueira desnecessária, a qual recebeu três anos depois uma seqüência, dessa vez apenas produzida por Boll, e dirigida por Michael Roesch e Peter Scheerer.
Em “Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal” (subtítulo nacional idiota e dispensável, como sempre), lançado no Brasil em DVD pela “FlashStar”, o detetive do sobrenatural Edward Carnby (Rick Yune, no filme anterior o papel foi de Christian Slater), envolve-se novamente numa trama sinistra repleta de mistérios e elementos fantásticos, com uma adaga mágica que “mata a alma, não o corpo” e uma bruxa centenária que está atrás do artefato, dizimando o que encontra pela frente. Tem a participação de Lance Henriksen (para mim ele é uma espécie de “John Carradine” moderno, um ator com uma imensa filmografia, boa parte dela voltada para filmes de horror), o canastrão Danny Trejo, de “Um Drink no Inferno” (1996), Bill Moseley, de “O Massacre da Serra Elétrica 2” (1986), Michael Paré, da bagaceira “Komodo vs. Cobra” (2005), e a veterana alemã P. J. Soles, que foi uma das colegas de Jamie Lee Curtis no clássico “Halloween” (1978).
Apesar da presença de coadjuvantes que despertam interesse, a história é tão fraquinha e ingênua que o maior desafio para o espectador é não dormir no meio do filme. A tal adaga com poderes sobrenaturais não tem a menor graça e a velha bruxa (interpretada por Lisette Bross) está perdida no meio de tanto CGI e não consegue estabelecer tensão em suas cenas. É pena que Lance Henriksen esteja perdendo seu tempo em filmes tão dispensáveis.

“Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal” (Alone in the Dark II, Estados Unidos, 2008) # 524 – data: 03/05/09
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Blackout (EUA, 2007)


Um grupo de três pessoas, todas com seus próprios dramas e problemas pessoais, fica preso num elevador de um prédio antigo, devido a um apagão. Logo, o confinamento e o sentimento de claustrofobia, somados à necessidade de cada um de precisar sair o mais rápido possível por causa de assuntos pendentes de grande importância, causarão graves conflitos de relacionamento entre eles, não faltando elementos surpresas. Filme curto (cerca de 75 minutos) e eficiente na construção de um clima de suspense, criando no espectador uma empatia com os dramas dos personagens, principalmente após a revelação do comportamento agressivo de um deles.

“Blackout” (Estados Unidos, 2007) # 523 – data: 28/04/09
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Perkins´14 (EUA, 2009)


O filme apresenta os habituais clichês do gênero, mas o mais interessante foi a abordagem do roteiro com foco não no “serial killer”, que morre logo e nem parece ameaçador, mas sim nas suas vítimas, que se transformaram em monstros por causa do isolamento de muitos anos e os tratamentos com drogas, atacando violentamente a cidade. Por ser um filme americano, está acima da média dos normalmente produzidos por lá, repletos de imagens convencionais e pouca ousadia nas histórias, e que têm sido lançados nos cinemas brasileiros com freqüência.

“Perkins´14” (Estados Unidos, 2009) # 522 – data: 27/04/09
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Martyrs (França / Canadá, 2008)


“Alta Tensão” (Haute Tension / High Tension, 2003), “Eles” (Ils / Them, 2006), “A Invasora” (À L´intérieur / Inside, 2007), “Fronteira (A)” (Frontiere (s) / Frontier (s), 2007), e agora “Martyrs” (2008). O cinema de horror francês é atualmente um dos mais violentos e perturbadores, com filmes tensos, carregados de “gore” em roteiros que prendem a atenção e principalmente que ficam na memória do espectador. E também, com algumas exceções, constatamos que o tão badalado e popular cinema americano de horror não tem conseguido nos dias de hoje deixar de ser comum, trivial, repleto de clichês e excessivamente comercial, em detrimento de histórias originais e imagens ousadas de violência gráfica.

É difícil apresentar a sinopse de “Martyrs” sem esbarrar em armadilhas reveladoras de “spoilers”, portanto a história será resumida em poucas palavras básicas apenas para registro: Lucie (Mylène Jampanoi) é uma jovem em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança e de quem conseguiu fugir de forma desesperada, abandonando o cativeiro. Em sua jornada por justiça pessoal, conta com a ajuda da amiga Anna (Morjana Alaoui), que a apoiou durante anos nos momentos de depressão e com seu problema de auto mutilação. Porém, tanto Lucie (atormentada num mundo de insanidade), quanto principalmente Anna, não imaginariam a horrenda experiência com propósitos obscuros em que seriam vítimas.

Dirigido e escrito por Pascal Laugier, o cineasta escolhido para comandar a refilmagem de “Hellraiser” (com previsão de lançamento em 2011), o filme é ultra violento (a cena de vingança com o tiroteio é memorável), sangrento ao extremo (o líquido vermelho banha a tela em demasia), e explora um tema original (depois de ver o filme o espectador refletirá sobre o real significado de “mártir”), através de elementos interessantes que nos remetem a outros filmes como o americano “O Albergue” (Hostel), de Eli Roth, na idéia de uma sociedade secreta com objetivos sinistros, e as películas orientais com fantasmas atormentados, nas cenas de alucinação de uma das personagens. E ainda temos um desfecho adequado, tão perturbador quanto toda a bizarra história que é apresentada. É interessante também notar como os cineastas franceses procuram colocar mulheres como protagonistas (reparem nos filmes citados no início desse texto), fazendo-as sofrer na carne dores e torturas inimagináveis, transformando-as em mártires literalmente. Altamente recomendável, “Martyrs” é cinema de horror puro, que merece e deve ser respeitado e reverenciado.

Obs.: Em 05/05/16 estreou nos cinemas brasileiros uma refimagem americana produzida em 2015, com direção dos irmãos Kevin e Michael Goetz, e que recebeu por aqui o mesmo título original. De uma forma geral é inferior ao filme francês, mas ainda assim passa a sua mensagem com boas cenas de violência e um final também perturbador. 

“Martyrs” (França / Canadá, 2008) # 521 – datas: 23/04/09 - 14/05/16
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Pânico e Morte na Cidade (The Night Stalker, 1972)


A cultuada e popular série de TV “Arquivo X” (The X-Files), criada por Chris Carter e que durou entre 1993 e 2002, explorando em seus roteiros temas conspiratórios repletos de elementos de horror, mistério e ficção científica, escondendo a verdade sobre casos bizarros da opinião pública, teve inspiração numa outra série de TV dos anos 70 do século passado, “Kolchak: The Night Stalker”, que no Brasil recebeu o nome “Kolchak e os Demônios da Noite”. A série teve apenas uma temporada com episódios de sessenta minutos entre 1974 e 75, estrelando Darren McGavin (1922 / 2006) como o destemido repórter investigativo Carl Kolchak, que testemunha e documenta casos estranhos e misteriosos com desfechos envoltos em situações sobrenaturais com presença de vampiros, demônios, zumbis, alienígenas e lendas urbanas. Seu chefe no jornal, Tony Vincenzo (Simon Oakland), representa o outro lado da moeda, sempre desacreditando as reportagens de Kolchak e impedindo de torná-las públicas.
A série teve dois filmes pilotos produzidos especialmente para a televisão: “Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, 1972) e “A Noite do Estrangulador” (The Night Strangler, 1973), ambos produzidos por Dan Curtis, o diretor de “Drácula – O Demônio das Trevas” (1973), com Jack Palance. Com o sucesso e boa receptividade dos filmes, a ideia de uma série de TV foi colocada em prática e Kolchak protagonizou mais vinte histórias com elementos fantásticos.

Em “Pânico e Morte na Cidade”, escrito por Richard Matheson a partir de livro de Jeffrey Grant Rice, o jornalista Kolchak se depara com uma série de assassinatos misteriosos na cidade de Las Vegas, onde as vítimas apresentam uma característica comum: falta de sangue e dois pequenos orifícios no pescoço. Após intensa investigação, coletando dados de seus informantes da noite, não faltando perigosas correrias, perseguições e confrontos, não demora para ele descobrir que o responsável pelas mortes de mulheres e o desaparecimento de sangue dos estoques dos hospitais deve-se à ação de um vampiro imigrante do leste europeu. Mas, apesar de registros concretos sua reportagem é censurada e ele é obrigado a sair da cidade, ameaçado pelas autoridades policiais.

Um dos destaques do filme é a presença de um ótimo elenco, tanto principal na figura de Darren McGavin, como de apoio, com atores de prestígio na televisão como Claude Akins (no papel do xerife Warren A. Butcher), Ralph Meeker (como Bernie Jenkins), Kent Smith (como o prefeito Tom Paine) e Carol Linley (de “O Destino do Poseidon”, 72), interpretando a namorada de Kolchak, a belíssima Gail Foster. Tem ainda a rápida participação do veterano Elisha Cook Jr., como o informante Mickey Crawford. O vampiro Janos Skorzeny é interpretado por Barry Atwater, também numa performance convincente, sem dizer uma única palavra e utilizando apenas expressões faciais com os olhos vermelhos e pele pálida de uma criatura da noite sedenta por sangue. O diretor é o argentino John Llewellyn Moxey, o mesmo de “Horror Hotel” (1960), com Christopher Lee.
Nesse episódio piloto percebemos algumas características que iriam povoar a série como o uso de efeitos especiais discretos, típicos de uma produção de baixo orçamento, além do argumento central apresentando uma origem sempre fora do comum para a condução dos eventos, com Kolchak investigando e descobrindo a realidade dos fatos, por mais absurdos que pareçam, mas sempre sendo censurado e tido como um jornalista de reputação duvidosa, deixando a “verdade lá fora”, longe do alcance das pessoas.

“Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, EUA, 1972) # 520 – data: 21/04/09
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Filhos das Trevas (Demons / Demoni, Itália, 1985)


Eles farão de suas catedrais, cemitérios, e de suas cidades, tumbas.

Em meados dos saudosos anos 80 do século passado, no início do mercado de fitas VHS no Brasil, tive oportunidade de alugar numa locadora pequena de bairro, um filme de horror que na época ainda fazia parte das chamadas “fitas alternativas” (depois, foi lançado oficialmente pela “FJ Lucas” e hoje é item raro de colecionadores de vídeo VHS), ou seja, aquelas cópias “piratas” de filmes obscuros. “Filhos das Trevas” (Demons / Demoni) é um filme italiano de 1985 dirigido por Lamberto Bava (filho do lendário cineasta Mario Bava, de “A Máscara de Satã”, 1960) e produzido por Dario Argento (“Suspiria”, 1977).

Um misterioso homem mascarado está fazendo a promoção de um filme, distribuindo para as pessoas nas ruas ingressos para uma sessão numa espaçosa sala de cinema chamada “Metropol”. Cheryl (Natasha Hovey) é uma estudante que recebe ingressos para ela e sua amiga Kathy (Paola Cozzo). Lá chegando, elas encontram outros convidados e entre eles dois amigos, George (Urbano Barberini) e Ken (Karl Zinny), que tentam flertar com as moças. Uma vez iniciado o filme, eles descobrem se tratar de uma história de horror onde um grupo de jovens está explorando as ruínas de um castelo e encontram a tumba do profeta Nostradamus. Um deles pega uma máscara e ao colocar no rosto sofre um corte que infecciona e o transforma num demônio que passa a perseguir os amigos. Num exercício de metalinguagem (filme dentro de um filme), de modo similar à película assistida, os espectadores convidados para a sinistra sessão de cinema no “Metropol” também são atacados por demônios enfurecidos que se apossam das vítimas após uma moça também ter se cortado ao colocar no rosto uma misteriosa máscara que estava exposta na entrada da sala de projeção, transformando-a num demônio sedento pelo sangue e que inicia a contaminação. Resta apenas aos sobreviventes lutar por suas vidas, numa correria desenfreada pelos enormes corredores do cinema, deixando um rastro de sangue e tripas.

“Filhos das Trevas” faz parte de um grupo seleto composto pelos melhores filmes italianos de horror de todos os tempos, com um roteiro simples, mas eficiente, explorando um tema apocalíptico geralmente protagonizado por zumbis, e apenas substituindo-os por demônios enfurecidos e ávidos por destroçar a carne humana. A contaminação é semelhante, através de contato com o sangue, espalhando-se em escala progressiva e fora do controle. E para aqueles que ainda não foram afetados, resta apenas fugir e procurar abrigo, lutando pela sobrevivência num mundo mergulhado no caos.
Os clichês característicos estão presentes como era de se esperar, como o tradicional casal de heróis que se sobressai das demais vítimas e juntos tentam combater a praga demoníaca, com um rapaz comum se transformando num guerreiro que demonstra uma improvável força e habilidade para defender-se e proteger a mocinha da ameaça dos demônios. A overdose de sangue, mutilações, olhos arrancados, gargantas destroçadas, membros decepados, vísceras expostas, feridas pestilentas e gosmas putrefatas jorrando em demasia garantem o entretenimento dos apreciadores de um cinema de horror mais extremo, sem o uso dos artificiais efeitos de computação gráfica, numa época onde os efeitos especiais sangrentos eram produzidos graças à criatividade e talentos dos técnicos em maquiagem.
Na trilha sonora, temos músicas de bandas de Heavy Metal populares na década de 80 como “Motley Crue” (EUA), “Saxon” (Inglaterra) e “Accept” (Alemanha), sendo que esta última emprestou a ultra rápida porrada sonora “Fast as a Shark” para ilustrar uma cena de confronto entre o herói e os demônios, com sangue e tripas espalhados para todos os lados. E curiosamente, tem também uma cena bem absurda quando um helicóptero cai pelo telhado e adentra a sala do cinema, facilitando o trabalho dos roteiristas em descobrir um meio de saída do casalzinho de heróis, e também aproveitando para homenagear os filmes de zumbis de George Romero, especialmente “Despertar dos Mortos” (1978), com a tradicional cena da hélice decepando uma parte do cérebro de uma vítima infectada.
“Demons” teve uma seqüência no ano seguinte, também dirigida por Lamberto Bava, mas utilizando a mesma idéia básica, somente alterando os eventos de uma sala de cinema para um condomínio residencial, investindo ainda mais no quesito violência, porém falhando na intenção de mostrar algo diferente no roteiro.

20/06/10: Em Junho de 2010, a “Cult Classic” lançou em DVD no Brasil um pack contendo “Demons” 1 e 2, e um outro filme também dirigido por Lamberto Bava, mas erroneamente considerado “Demons 3”, chamado “O Ogro”. Na verdade, esse filme já tinha outro nome nacional (“O Terror Não Tira Férias”, de 1988, lançado em VHS), e não tem qualquer relação com a franquia “Demons”.

“Filhos das Trevas” (Demons / Demoni, Itália, 1985) # 519 – data: 19/04/09
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Monstros vs. Alienígenas (Monsters vs. Aliens, EUA, 2009)


Confesso que nunca tinha dado muita atenção aos inúmeros filmes de animação com computação gráfica que invadiram os cinemas nos últimos anos. Mas, depois do nascimento de minha filha, e a necessidade de acompanhar alguns desses filmes, cheguei à conclusão que eles são extremamente divertidos e recomendáveis, principalmente aqueles que exploram elementos fantásticos em seus roteiros como por exemplo “Monstros S.A.” (Monsters, Inc., 2001), “Wall-E” (2008) e “Monstros vs. Alienígenas” (Monsters vs. Aliens, DreamWorks, 2009), onde este último estreou nos cinemas brasileiros em 03/04/09, numa grande e bem humorada homenagem ao cinema fantástico da década de 1950, quando desfilavam nas telas cientistas loucos em meios as suas experiências descontroladas, alienígenas hostis de olhos esbugalhados em suas naves espaciais e monstros mutantes imensos oriundos da exposição à radiação atômica de testes nucleares na turbulenta época da guerra fria, sem contar a constante paranóia de conspiração militar ocultando da população os fatos reais sobre os mistérios que assombram a humanidade.

Na história, Susan Murphy (voz de Reese Whiterspoon) é uma bela garota que está prestes a se casar com um apresentador de TV panaca, Derek Dietl (voz de Paul Rudd), porém ela é atingida por um meteoro desgovernado no dia de seu casamento, e uma vez recebendo a radiação de um poderoso elemento químico trazido do espaço, a jovem cresce de forma descomunal atingindo cerca de 15 metros de altura (referência explícita ao filme “O Ataque da Mulher de 15 Metros” / “Attack of the 50 Foot Woman”, 1958, com a bela Alisson Hayes).
Uma vez capturada pelo governo e chamada agora de Ginormica, ela é mantida presa e afastada da sociedade numa base secreta, juntamente com outras aberrações como um cientista com cabeça de barata, Dr. Cockroach (voz de Hugh Laurie), remetendo-nos ao filme “A Mosca da Cabeça Branca”, 1958, com David Hedison e Vincent Price; uma gosma azul sem cérebro e devoradora de qualquer coisa, B.O.B. (voz de Seth Rogen), numa alusão ao clássico “B” de 1958 “A Bolha”, com um ainda jovem Steve McQueen; um ser mutante misto de homem e lagarto, Elo Perdido (voz de Will Arnett), uma homenagem à criatura de “O Monstro da Lagoa Negra”, 1954, dirigido por Jack Arnold; e uma larva gigantesca (Insectosaurus) com mais de 100 metros de comprimento, numa lembrança aos diversos filmes do sub-gênero “Big Bug”, que exploravam em seus roteiros a ameaça devastadora de simples insetos que se transformavam em monstros colossais por causa do uso indiscriminado da energia atômica em testes de armas nucleares.
Quando a Terra passa a ser alvo de uma invasão alienígena com objetivos de conquista, através de um vilão tirano cheio de tentáculos, um cérebro descomunal e olhos esbugalhados, Gallaxhar (voz de Rainn Wilson), o governo americano decide recorrer à ajuda dos monstros segregados por décadas, em troca de liberdade, para defender o planeta de uma ameaça que vem do espaço sideral.

“Monstros vs. Alienígenas” é uma ótima diversão para todas as idades, brincando o tempo todo com os clichês dos filmes de Ficção Científica e Horror da saudosa época de ouro do cinema fantástico, há mais de meio século atrás. Não falta a característica arrogância militar num ambiente conspiratório, com o exército escondendo da população a “verdade que está lá fora”, destacando a presença exagerada do General W. R. Monger (voz de Kiefer Sutherland). Tem também a presença de um típico presidente americano, Hathaway (voz de Stephen Colbert), metido a corajoso, mas que no final não passa de um “bunda mole” no comando de uma nação imperialista, que tenta sem sucesso uma comunicação no estilo “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” com uma imensa sonda robótica enviada para reconhecimento pelos alienígenas. E não poderia deixar de citar as tradicionais risadas debochadas de um “cientista louco”, que numa experiência equivocada em que participou como cobaia, passou a fazer parte da galeria dos “homens transformados em monstros”, outro sub-gênero do cinema fantástico largamente explorado em filmes preciosos do passado.
Enfim, diversão garantida com monstros de todos os tipos, seres que não são deste mundo, paranóia de conspiração governamental e com todos os clichês do cinema fantástico bagaceiro que marcou época.

“Monstros vs. Alienígenas” (Monsters vs. Aliens, Estados Unidos, 2008) # 518 – data: 12/04/09
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Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 2009)


O novo “Sexta-Feira 13”, dirigido por Marcus Nispel, que estreou nos cinemas brasileiros na sugestiva data de Sexta-Feira 13 de Fevereiro de 2009, não é exatamente uma refilmagem do homônimo de 1980, de Sean S. Cunningham. É na verdade mais um filme ambientado dentro do universo ficcional da série com o psicopata mascarado Jason Voorhees. E nele iremos encontrar todos os elementos característicos dos chamados “slasher movies” e mais especificamente da franquia “Sexta-Feira 13”, formada por outros 11 filmes, incluindo o crossover com o rival Freddy Krueger. E a síntese desses clichês está na presença de grupos de jovens idiotas, completamente fúteis e insignificantes, que sentem na pele a fúria de um assassino que deseja cortar suas carnes e espalhar seu sangue para todos os lados. Tem mulheres bonitas mostrando os peitos, piadas sem graça, perseguições, gritarias, sustos fáceis e violência com golpes de armas cortantes. Tem também a participação pequena de um policial campeão em incompetência, além do protagonista que se torna herói (no caso, personagem vivido por Jared Padalecki), enfrentando o vilão (claro, para facilitar o trabalho da equipe de roteiristas, ele não pode morrer logo, apesar da lógica e coerência irem contra essa idéia). E para completar, há o final previsível.
Depois desse pequeno resumo, podemos perguntar se no final das contas (e o que mais interessa) o filme diverte ou é apenas mais um lixo descartável. A resposta é simples: podemos considerar uma diversão rápida desde que se espere apenas um desfile de clichês já conhecidos. Para mim, divertiu durante uma hora e meia de projeção, principalmente pela idéia dos realizadores em tentar humanizar Jason, que parece ter se distanciando daquele psicopata que age apenas por instinto selvagem, conferindo-lhe algo próximo de sentimentos como raiva e dor, e até habilidades com o exercício de inteligência na caça às vítimas, utilizando estratégias e armadilhas. Mas, nada além disso, tanto que depois que saí da sala do cinema, já até esqueci o filme...
Então, para que não caia totalmente no esquecimento tão rapidamente, vale registrar uma breve sinopse: Clay Miller (Padalecki) vai para a floresta do antigo acampamento “Crystal Lake” à procura de sua irmã Whitney (Amanda Righetti), desaparecida misteriosamente na região junto com um grupo de amigos um mês e meio antes. Nessa tarefa, ele conta com a ajuda da jovem Jenna (Danielle Panabaker), que encontra pelo caminho, e que está passeando com amigos para um final de semana numa casa de campo. Porém, nas redondezas vive Jason, um psicopata desfigurado, que busca eterna vingança pelo que aconteceu no passado com sua mãe decapitada e com ele próprio, abandonado para se afogar num lago.

“Sexta-Feira 13” (Friday the 13th, Estados Unidos, 2009) # 517 – data: 14/02/09
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