Viagem ao Fundo do Mar - O Abominável Homem das Neves (Voyage to the Bottom of the Sea - The Abominable Snowman, E18T4, EUA, 1968, série de TV)

 


Fox Filmes do Brasil apresenta: Viagem ao Fundo do Mar. Versão brasileira AIC, São Paulo”.

 

Um sentimento de pura nostalgia sempre vem à tona quando ouvimos essa narração de abertura dos episódios dublados da série de TV “Viagem ao Fundo do Mar” (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964 / 1968), criada pelo lendário produtor Irwin Allen.

Uma série de aventura com elementos de horror, suspense, fantasia e ficção científica, que principalmente a partir da segunda temporada mostrava a tripulação do submarino atômico “Seaview” enfrentando “cientistas loucos” e monstros (das profundezas dos oceanos ao desconhecido espaço sideral), e que foi lançada em DVD por aqui, além de muitos episódios dublados pela AIC (Arte Industrial Cinematográfica) estarem disponíveis no “Youtube”.

O Abominável Homem das Neves” (The Abominable Snowman) é o episódio 18 da quarta temporada, lançado em 1968, dirigido por Robert Sparr e escrito por Robert Hamner, com o “monstro da semana” sendo um tradicional personagem da cultura pop, um enorme “homem transformado em monstro”, coberto por uma pelagem branca típica de regiões de baixas temperaturas, que tem a mente distorcida e intenções hostis de tirania e conquista.

 

Ambientado em 1980 (um futuro para a época da produção e já longo passado para os nossos tempos atuais de século 21), a história é sobre a missão do submarino “Seaview” na Antártida, para descobrir o que aconteceu com uma base experimental de pesquisas sem comunicação, onde cientistas estavam trabalhando com um projeto para alterar a temperatura. Eles encontram um oásis no meio do polo sul, uma espécie de paraíso tropical com árvores e temperaturas quentes, e resgatam dois cientistas desacordados, o Dr. Paulsen (Bart La Rue, não creditado) e Rayburn (Dusty Cadis).

Porém, uma criatura enorme e peluda (voz de Ron Gans, não creditado) também vem a bordo e espalha o horror com mortes violentas entre os marujos, restando à tripulação do submarino, através do Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart), do Capitão Lee Crane (David Hedison), do Tenente Chip Morton (Bob Dowdell), do Chefe Francis Ethelbert Sharkey (Terry Becker) e do marujo Kowalski (Del Monroe), combaterem o monstro mutante invasor e destruírem o projeto científico que estaria ameaçando a segurança da humanidade com o controle da temperatura.

 

A quarta e última temporada da série é considerada a mais fraca pelas histórias repetitivas e exageradas na fantasia escapista. Tanto que os atores principais do elenco fixo, Richard Basehart e David Hedison, fizeram questão de expressar descontentamento com a qualidade dos roteiros e demonstravam cansaço e desinteresse progressivo pelos rumos da série, com as mesmas ideias rasas de confrontos previsíveis com “cientistas loucos” e monstros ameaçando nosso planeta.

É compreensível esse posicionamento pela necessidade de boas histórias, mas independente disso, os monstros disformes de todos os tipos e os cientistas que perderam a sanidade e razão perdidos em suas experiências bizarras, sempre conseguiam garantir a diversão justamente pelas histórias absurdas e efeitos práticos precários e toscos de orçamentos reduzidos.

O “Homem das Neves” do título é uma referência à lendária criatura que habitaria as regiões geladas da Cordilheira do Himalaia, na Ásia, um monstro misto de homem e macaco que também tem similares na América do Norte, conhecido como “Pé Grande” ou “Yeti”.

Curiosamente, esse episódio tem a participação do ator Richard Bull como um oficial médico, um rosto conhecido pela série de TV “Os Pioneiros” (Little House on the Prairie, 1974 / 1983).    

Irwin Allen também produziu outras séries divertidas do mesmo período como “Perdidos no Espaço” (Lost in Space, 1965 / 1968), “Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966) e “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1969).

 

(RR – 25/03/26)



Viagem ao Fundo do Mar - O Homem Sombra (Voyage to the Bottom of the Sea - Shadowman, E21T3, EUA, 1967, série de TV)

 


Viagem ao Fundo do Mar” (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964 / 1968) é uma série de TV criada por Irwin Allen recheada de elementos de horror, suspense, fantasia e ficção científica, explorando as aventuras do submarino atômico “Seaview”, cujas histórias bizarras povoaram a imaginação de quem teve o privilégio de assistir nas telinhas. Principalmente por causa de seus incontáveis monstros vindos das profundezas abissais e desconhecidas dos oceanos e do longínquo espaço sideral, com suas intenções hostis que ameaçavam a segurança da humanidade.

O Homem Sombra” (Shadowman) é o episódio 21 da terceira temporada, lançado em 1967, dirigido por Justus Addiss e escrito por Hendrick Vollaerts, com o “monstro da semana” sendo um alienígena humanoide invasor que é visível apenas como a silhueta de uma sombra sinistra, cujo objetivo é impedir que uma sonda espacial experimental seja lançada em direção ao seu planeta.

A série foi lançada em DVD no Brasil e esse episódio também pode ser encontrado com a dublagem clássica no “Youtube”, numa sessão de nostalgia impagável.

 

O quartel general do Comando Espacial é responsável por um projeto científico de lançamento ao espaço de uma sonda de exploração e reconhecimento, que incomoda um alienígena (voz de Jim Mills, não creditado) parecido com uma sombra, que representa uma raça que está observando as ações da humanidade com relação à exploração espacial. Com intenções hostis de sabotagem da sonda, ele invade o submarino “Seaview” e se apossa do Tenente Chip Morton (Bob Dowdell), do Capitão Lee Crane (David Hedison) e do Chefe Francis Sharkey (Terry Becker), controlando seus corpos e mergulhando o submarino num limbo escuro.

Resta agora ao Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart), acompanhado dos marujos Kowalski (Del Monroe) e Patterson (Paul Trinka), combater a ameaça do “Homem Sombra”, libertando seus companheiros de tripulação da sua influência maligna e tentar impedir a destruição da sonda.

 

A primeira temporada da série foi produzida com fotografia em preto e branco e tinha histórias mais “sérias” explorando temas como espionagem, sabotagem e dramas com conflitos e tensões psicológicas envolvendo governos inimigos durante o momento turbulento de “guerra fria” da época. Somente depois nas temporadas seguintes os roteiros mudaram as temáticas apostando em fantasia exagerada com monstros e efeitos práticos toscos, que mesmo sendo repetitivo, sempre garantiam a diversão justamente pelos excessos e bizarrices escapistas do gênero fantástico bagaceiro.

Esse episódio “O Homem Sombra” situa-se nesse contexto com sua ideia básica previsível de “monstro que ameaça a humanidade”, o alienígena sombra com suas ações de tirania.

Vale a pena sempre citar a importância do produtor Irwin Allen, que deixou um legado precioso com diversas séries de TV do mesmo período e estilo similar com elementos do gênero fantástico como “Perdidos no Espaço” (Lost in Space, 1965 / 1968), “Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966) e “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1969).

 

(RR – 18/03/26)





Viagem ao Fundo do Mar - O Monstro Incandescente (Voyage to the Bottom of the Sea - The Heat Monster, E17T3, EUA, 1967, série de TV)

 


“Não existe o progresso científico sem sacrifício.” – Dr. Bergstrom

 

O quarteto fantástico das séries de TV dos anos 60 do século passado, criadas por Irwin Allen (1916 / 1991), era formado por “Viagem ao Fundo do Mar” (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964 / 1968), “Perdidos no Espaço” (Lost in Space, 1965 / 1968), “Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966) e “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1969).

Quem teve o privilégio de assistir essas séries nas saudosas televisões de tubo certamente se divertiu muito com histórias escapistas com elementos de ficção científica e horror e monstros de todos os tipos com efeitos práticos bagaceiros que ficaram eternizados em nossas memórias.

O Monstro Incandescente” (The Heat Monster) é o episódio 17 da terceira temporada de “Viagem ao Fundo do Mar”, lançado em 1967, com direção de Gerald Mayer e roteiro de Charles Bennett, trazendo como ator convidado da semana o “cientista louco” Alfred Ryder, um rosto conhecido nas telinhas com participações em várias séries. O episódio está disponível no “Youtube” dublado.

 

Numa região remota do Ártico, uma estação de escuta norueguesa é controlada pelo cientista obcecado Dr. Bergstrom (Alfred Ryder), que entra em contato com uma entidade alienígena através de ondas de rádio. A criatura do espaço sideral chega ao nosso planeta revelando-se um monstro falante (voz de Jim Mills, não creditado) incandescente e com intenções hostis de conquista.

O submarino “Seaview” recebe a missão de investigar a estação no gelo, comandado pelo Almirante Nelson (Richard Basehart) e tripulação formada pelo Capitão Crane (David Hedison), Chefe Sharkey (Terry Becker), Tenente Morton (Bob Dowdell), e os marujos Kowalski (Del Monroe) e Patterson (Paul Trinka), entre outros.

O cientista Dr. Bergstrom é resgatado, mas torna-se aliado do monstro incandescente que espalha o caos a bordo do submarino, exigindo uma explosão do reator nuclear para gerar o calor necessário para uma invasão de seus semelhantes. 

 

A maioria dos episódios de “Viagem ao Fundo do Mar” tinha a mesma linha básica de história, apresentando um vilão, geralmente um “cientista louco”, uma ameaça mortal na forma de algum tipo de monstro bizarro, e a tripulação do “Seaview” tentando reestabelecer a ordem das coisas.

Aqui o Dr. Bergstrom, em busca de conhecimento e autor da frase clichê reproduzida no início desse texto, é o vilão que se alia ao alienígena tirano. Para mudar um pouco e tornar talvez mais fácil e ainda mais barato para a equipe de produção, em vez de um tradicional monstro de borracha, temos algo parecido com uma tocha flamejante, um monstro de fogo que usa o calor como arma.

O desafio da tripulação do submarino, como sempre, é combater e eliminar a ameaça, salvando o planeta, tudo muito óbvio e repetitivo, mas também muito divertido justamente pelas histórias rasas e os efeitos práticos toscos. 

 

(RR – 15/03/26)



Viagem ao Fundo do Mar - Os Homens de Cera (Voyage to the Bottom of the Sea - The Wax Men, E24T3, EUA, 1967, série de TV)

 


Durante a década de 1960 do século passado tivemos quatro séries de TV com temática de Ficção Científica com elementos de Horror que fizeram a alegria daqueles fãs privilegiados da saudosa época das televisões de tubo. Criadas pelo lendário produtor Irwin Allen (1916 / 1991), são elas: “Viagem ao Fundo do Mar” (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964 / 1968), “Perdidos no Espaço” (Lost in Space, 1965 / 1968), “Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966) e “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1969).

“Viagem ao Fundo do Mar” teve um filme piloto lançado em 1961 também produzido e dirigido por Irwin Allen, que foi seguido por uma série de TV que teve 110 episódios de aproximadamente 50 minutos, divididos em 4 temporadas.

Os Homens de Cera” (The Wax Men) é o episódio 24 da terceira temporada (1967), dirigido por Harmon Jones e escrito por William Welch. Foi lançado em DVD no Brasil e também está disponível no “Youtube” com a dublagem clássica da “versão brasileira AIC São Paulo”. O ator convidado da vez foi o anão Michael Dunn (1934 / 1973), um rosto conhecido na TV como na série “James West”, onde interpretou o “cientista louco” Dr. Miguelito Loveless em vários episódios.

 

O submarino “Seaview” recebe a missão de transportar várias caixas de madeira com supostamente estátuas recuperadas do continente perdido de Atlântida, para uma exposição do Departamento de Estado em Washington.

Porém, a tripulação do submarino acaba sendo substituída por réplicas de cera (do título) que estavam nas caixas lacradas, passando a agir como zumbis autômatos liderados por um anão maligno sem nome vestido de palhaço (Michael Dunn), um “cientista louco” que pretende dominar o mundo.

Todos são substituídos, desde o Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart), o Tenente Chip Morton (Bob Dowdell), o Chefe Francis Sharkey (Terry Becker) e o marujo Kowalsky (Del Monroe), exceto pelo Capitão Lee Crane (David Hedison), que não estava a bordo e o único que não foi copiado, tendo que lutar sozinho para recuperar o controle do submarino.

 

Uma das maiores características da série é apresentar histórias exageradas no escapismo e fantasia, com monstros de todos os tipos e ameaças de invasão alienígena e ações inescrupulosas de “cientistas loucos”, com efeitos especiais práticos toscos e muito divertidos.

Em “Os Homens de Cera” esses elementos também estão presentes, com um vilão anão vestido de palhaço e intenções hostis manipulando bonecos artificiais de cera, isentos de emoções, que substituem a tripulação do submarino, lembrando o argumento básico de “Vampiros de Almas” (Invasion of the Body Snatchers, 1956) e a refilmagem “Invasores de Corpos” (1978).

A história não tem explicações sobre os objetivos do vilão (apenas temos no final uma revelação pelo Almirante Nelson) e nem detalhes sobre a criação científica das réplicas, mas a ideia do roteiro parece mesmo com a única intenção de explorar os velhos clichês de sempre e garantir o entretenimento de quem desligou o cérebro para relaxar e apenas “viajar ao fundo do mar”.       

 

(RR – 09/03/26)



The Black Cat (Il Gatto Nero, Itália, 1989)

 


Uma mistura de horror e fantasia de Luigi Cozzi, datada dos anos 80, mas que não empolga

O cineasta Luigi Cozzi é um nome lembrado no cinema fantástico italiano, por seus filmes bagaceiros como “Starcrash” (1978), “Alien – O Monstro Assassino” (1980) e “Paganini Horror” (1989), entre outros. Também em 1989 ele dirigiu e escreveu o roteiro (sob o pseudônimo Lewis Coates), da tranqueira “The Black Cat” (Il Gatto Nero), que recebeu o título picareta alternativo internacional “Demons 6: De Profundis”.

Na história, o diretor de cinema Marc Ravenna (Urbano Barberini) e seu sócio, o roteirista Dan Grudzinski (Maurizio Fardo, não creditado), envolvem-se num projeto para a realização de um grande filme de horror, inspirados pela lenda da bruxa Levana, a terceira de três deusas da dor, também conhecida como “mãe das lágrimas”, uma criatura maligna saída das profundezas (“De Profundis”). Marc é casado com a atriz Anne Ravenna (Florence Guérin) e Dan é o namorado da atriz Nora (a inglesa Caroline Munro, um rosto conhecido por vários filmes bagaceiros divertidos do gênero fantástico como “Drácula no Mundo da Minissaia”, 1972, “No Coração da Terra”, 1976, e “O Maníaco”, 1980).
Para conseguir financiamento para o projeto, eles recorrem ao famoso produtor Leonard Levin (Brett Halsey), um arrogante homem de negócios que decide fazer o filme com seu dinheiro. Porém, ninguém esperava que a bruxa Levana se materializasse e por não querer a produção do filme, passasse a aterrorizar Anne com pesadelos perturbadores, além de espalhar sangue e mortes aos envolvidos direta ou indiretamente na realização do filme, como a babá Sara (Luisa Maneri) ou a estudiosa de ocultismo Esther Semerani (Karina Huff).

“The Black Cat” ou “Il Gatto Nero” tem inspiração no conto “O Gato Preto”, de Edgar Allan Poe, e o roteiro de Luigi Cozzi mostra uma história exagerada na fantasia, com exercícios de metalinguagem (filme dentro de filme) e cujo resultado final não empolga muito. Tudo é muito datado dos anos 80, desde a trilha sonora aos efeitos bagaceiros de raios coloridos saindo dos olhos e mãos da bruxa. Tem até bons momentos de cenas “gore”, com tripas saindo de televisão, corpo explodindo, sangue e vômitos espalhados, além da interessante caracterização da bruxa, numa época sem CGI. Mas, o sangue derramado é insuficiente para garantir um interesse maior, já que a história é bem fraca. 
Curiosamente, o cineasta independente gaúcho Felipe M. Guerra lançou um documentário em 2016 sobre a obra de Luigi Cozzi, que recebeu o título “FantastiCozzi”, trazendo depoimentos do diretor e trechos de seus filmes.
Outras curiosidades incluem citações em diálogos sobre o poeta dos malditos “Baudelaire” e do diretor Dario Argento e seu filme mais cultuado, “Suspiria” (1977), sobre a bruxa “Mãe dos Suspiros”.
Ainda tem a participação não creditada do cineasta Michele Soavi (de “O Pássaro Sangrento”, 1987, “A Catedral”, 1989, e “Pelo Amor e Pela Morte”, 1994), fazendo o papel de um diretor de cinema.
A atriz Giada Cozzi fez o papel da adolescente Sybil, uma espécie de fada mirim que orienta a perseguida atriz Anne a combater o mal da bruxa Levana. Ela é filha do diretor Luigi e participou de alguns filmes dele em 1989.

(RR – 23/03/18)

Ogroff / Mad Mutilator (França, 1983)

 



Tranqueira francesa extremamente ruim, do mesmo realizador da bagaceira “Dinosaur From the Deep”

N. G. Mount (creditado como Norbert Georges Mount) é um francês que brincou algumas vezes de diretor, roteirista, produtor e ator de filmes bagaceiros de horror e ficção científica. Em 1993 ele lançou a porcaria colossal “Dinosaur From the Deep”, a qual já escrevi uma breve resenha alertando sobre sua ruindade extrema, apesar da curiosidade de ter no elenco o diretor cultuado Jean Rollin.
Porém, dez anos antes, ele havia lançado um filme mais bagaceiro ainda. Trata-se do bizarro “Ogroff”, que também recebeu o título inglês “Mad Mutilator”. Praticamente não tem roteiro, pois a história é uma bagunça sem qualquer coerência e nada funciona no filme. O elenco é péssimo, os efeitos são toscos, falsos e inconvincentes, a trilha sonora é irritante, não existe continuidade e a produção geral é extremamente amadora.

Trata-se de uma mistura de “slasher”, “zumbis” e “vampirismo”. Ogroff é um lenhador psicopata mascarado assassino que mora numa cabana isolada na floresta. Ele é interpretado pelo próprio N. G. Mount e utiliza um machado alternando com uma motosserra para chacinar suas vítimas. Os mortos também não querem permanecer enterrados e saem de suas covas rasas. E um vampiro interpretado pelo veterano Howard Vernon (de vários filmes de Jesus Franco) tem uma participação rápida.
É até difícil registrar a sinopse, pois como já mencionado, não tem história. O assassino que vive no meio do mato está sempre procurando aleatoriamente oportunidades para matar pessoas desavisadas que invadem seu território. Entre as vítimas, tem uma família que pára o carro numa estrada e um grupo de jovens que está se divertindo na floresta, jogando xadrez. Em paralelo, os mortos decidem sair de seus túmulos, entrando em confronto com o psicopata mascarado, e um vampiro resgata uma mocinha fugitiva das atrocidades, e decide experimentar seu sangue.
Tem até uma criança brutalmente esquartejada, além de braços e pernas decepados, mutilações, vísceras e sangue falso para todos os lados. Mas, tudo filmado de forma tão amadora que não funciona nem como filme bagaceiro. O diretor se inspirou claramente em “A Noite dos Mortos-Vivos”, “Sexta-Feira 13”, “O Massacre da Serra Elétrica” e outros similares, apenas validando sua condição de fã dessas obras importantes do cinema de horror. Mas, em relação ao seu filme, ele não conseguiu agregar nada ao gênero.

A trilha sonora é horrível e irritante, com sons da floresta, pássaros e água corrente, tudo tão exagerado que incomoda. Entre as inúmeras cenas patéticas, podemos citar algumas como o assassino se masturbando com um machado; o descarte de um carro jogado num rio (na verdade é um carrinho miniatura de brinquedo que afunda numa pia de água, numa cena hilária); uma luta pessimamente coreografada entre o assassino e seu machado, com outro homem e sua motosserra; a mocinha perseguida e lutando para não morrer de forma violenta, decidindo se relacionar sexualmente com o psicopata, dormindo com ele. Além dessas bizarrices, tem uma cena onde o assassino sai de dentro do porta-malas de um carro, de forma totalmente aleatória, e surpreende o motorista, que tem uma morte sangrenta.
Todos os personagens não têm nome, nem função no filme, eles surgem do nada apenas para morrer dolorosamente nas mãos do psicopata da floresta. Aliás, o assassino esquarteja suas vítimas para depois fornecer os restos dos cadáveres como alimento para zumbis que ele mantém no porão de sua cabana. Além disso, os mortos também saem de suas sepulturas aleatoriamente, apenas para caminhar errantes por uma estrada deserta no meio do bosque, e perseguir os vivos.
São 90 minutos de duração que parecem intermináveis, numa dificuldade enorme em agüentar assistir até o final. Ficaria bem melhor se fosse apenas um curta metragem de não mais de 15 minutos, compilando algumas cenas razoáveis de violência, mesmo que mal feitas, e com a inclusão de um roteiro.
“Ogroff” é um exemplo de filme bagaceiro que não diverte e apenas passa para o espectador a desconfortável sensação de perda de tempo depois de assistir. Não tem história e os efeitos são tão ruins que um grupo de estudantes adolescentes, igualmente sem dinheiro, consegue reproduzir provavelmente melhor. 

(RR – 17/03/18)


Numa Noite Escura (One Dark Night, EUA, 1982)

 



Uma jovem estudante é obrigada a passar uma noite num mausoléu repleto de cadáveres que não querem ficar em seus caixões

Numa Noite Escura” (One Dark Night, 1982) é mais um daqueles filmes divertidos e claramente datados, associado aos anos 80 do século passado, com direção do então estreante Thomas McLoughlin, que alguns anos depois faria “Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive” (1986).

A estudante Julie Wells (Meg Tilly) aceita se submeter a um processo de iniciação numa irmandade escolar liderada por Carol Mason (Robin Evans), além de Kitty (Leslie Speights), que tem a mania de ficar mastigando uma escova de dente, e Leslie Winslow (Elizabeth Daily). O desafio é dormir uma noite inteira dentro de um enorme mausoléu num cemitério, cercada de dezenas de caixões armazenados em suas respectivas gavetas mortuárias, guardando cadáveres.
Porém, para agravar a situação que já é bizarra e sinistra, chega ao mausoléu um morto diferente. Ele foi o cientista Dr. Karl Raymarseivich, um estudioso da bioenergia, a força eletromagnética de todas as coisas vivas, e que após muitas experiências descobriu possuir poderes telecinéticos para movimentar objetos e pessoas à distância. Ele tornou-se obcecado no assunto e com técnicas de vampirismo psíquico, adquiriu um poder maligno, drenando a energia vital das pessoas e colecionando vítimas.
Uma vez o cadáver do cientista encarcerado no mausoléu, seus poderes de telecinese vem à tona e ele revive os mortos, que saem de seus caixões e vagueiam pelos corredores do lugar, ameaçando a vida da jovem Julie, em seu desafio de passar uma noite, e também das amigas que pretendiam assustá-la com brincadeiras. Para tentar resgatá-la, seu namorado Steve (David Mason Daniels) vai ao mausoléu, assim como a filha do cientista, Olivia McKenna (Melissa Newman), que tem poderes de premonição e foi ao encontro de Julie, entrando em confronto com seu pai, distorcido pela maldade.

O filme tem uma história facilmente classificada como ingênua e clichê, com pouco sangue e violência na maior parte de sua duração, ao mostrar de forma meio arrastada o desafio pessoal da estudante Julie em provar sua coragem às amigas, dormindo uma noite trancada num mausoléu cheio de mortos. Também cansa um pouco acompanharmos a história do cientista que estuda ocultismo e desenvolve poderes de telecinese, apresentada por um escritor de artigos sobre ocultismo, Samuel Dockstader (Donald Hotton).
Mas, a compensação pela espera do horror veio no ato final, onde os cadáveres em putrefação saem de seus repousos nos caixões e povoam os corredores do mausoléu, espalhando o caos para os vivos que por infortúnio estavam em seu caminho. E com o uso dos divertidos efeitos especiais da época, com bonecos toscos simulando cadáveres podres gosmentos, cheios de melecas pingando e com vermes caminhando nos órgãos internos, num trabalho de maquiagem que não apelava para a ajuda de programas de computadores que tornam tudo exageradamente falso. Um tempo onde não existia a artificialidade do CGI, característica do cinema moderno. É verdade que os efeitos bagaceiros dos mortos nos remetiam àqueles bonecos macabros dos trens fantasmas de parques de diversões, mas é inegável que justamente isso é que proporciona o entretenimento.   
Entre as várias curiosidades, o eterno Batman da série pastelão de TV dos anos 1960, Adam West, faz parte do elenco interpretando Allan McKenna, o marido de Olivia, a filha vidente do cientista do mal. Martin Nosseck fez uma rápida participação como o zelador do cemitério em seu único trabalho no cinema, e faleceu dois dias após as filmagens. Inicialmente, o filme iria se chamar “Rest in Peace” (“Descanse em Paz”). Tem uma cena onde estudantes jogam um vídeo game da época, e que hoje, passados mais de 35 anos, parece extremamente bizarro pela simplicidade.

(RR – 26/02/18)


I Was a Teenage Frankenstein (EUA, 1957, PB)

 


“Levará tempo e paciência, mas algum dia, depois de termos confundido os sábios da Ciência, eu contarei ao mundo inteiro a verdade. Como você renasceu, como eu te moldei a partir de diferentes partes, soprei vida em você, injetei conhecimento e sabedoria em um cérebro que estava escondido em um cadáver. Então serei honrado pelo mundo inteiro por ter levado a humanidade um passo adiante na eterna batalha contra a morte.” – Dr. Frankenstein para sua criatura

 

O ator Gary Conway, conhecido como o Capitão Steve Burton na série de TV “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1970) iniciou sua carreira como o monstro do filme de horror bagaceiro “I Was a Teenage Frankenstein” (1957), dirigido por Herbert L. Strock (1918 / 2005) e escrito e produzido por Herman Cohen (1925 / 2002). Com distribuição da lendária “American International Pictures”, de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas em português traduzidas automaticamente.

Foi lançado pouco tempo depois da boa recepção de bilheteria do similar “I Was a Teenage Werewolf”, com um adolescente transformado em lobisomem, feito pelos mesmos realizadores que aproveitaram o momento oportuno para tentar lucrar com mais filmes na mesma temática. Em seguida, para fechar o ciclo de horror juvenil, ainda veio “How to Make a Monster” (1958), um crossover com o lobisomem e a criatura de Frankenstein.

 

O Prof. Frankenstein (Whit Bissell) é um inglês que está nos Estados Unidos fazendo palestras sobre suas ideias científicas e experiências com tecidos mortos, sendo refutado pela maioria de seus colegas de ofício, exceto pelo físico e especialista em radiologia Dr. Karlton (Robert Burton), que mesmo desconfiado sobre as questões éticas das pesquisas, é persuadido a colaborar com o cientista, que também conta com o auxílio da enfermeira apaixonada e noiva Margaret (Phyllis Coates).

Depois que ocorre um acidente de carro nas proximidades do laboratório, eles resgatam o corpo de um jovem (Gary Conway), cujo rosto está terrivelmente desfigurado, e o utilizam como cobaia de medicina experimental com a reconstrução dos tecidos e partes danificadas, trocando por pedaços em boas condições roubados de cadáveres num cemitério. Quando o monstro foge do cativeiro espalhando o horror na região e colecionando vítimas inocentes, a polícia se envolve na investigação das mortes violentas, através dos sargentos Burns (George Lynn) e McAffee (John Cliff).    

 

“I Was a Teenage Frankenstein” é um filme rápido com apenas 73 minutos e felizmente para os apreciadores do cinema bagaceiro de horror mais antigo, e ao contrário da maioria dos filmes similares, a narrativa não se perde em momentos arrastados e entediantes, conseguindo manter um ritmo interessante com sua história de “homem transformado em monstro”, utilizando um personagem clássico do cinema de horror, a criatura de Frankenstein.

O filme explora o monstro do “título” feito de partes de cadáveres (rosto, mãos e uma das pernas) com a temática de “cientista louco” e suas experiências para o bem da humanidade (pelo menos é o que eles sempre dizem), nem que para isso tenha que agir de forma inescrupulosa para defender o valioso trabalho científico, incluindo matar friamente pessoas próximas e eliminar as provas alimentando um crocodilo de estimação. Aliás, essa ideia foi inspirada no caso real de um assassino que supostamente matava pessoas e alimentava jacarés com os cadáveres, e que também foi tema do filme de Tobe Hooper, “Devorado Vivo” (Eaten Alive, 1976).

Os destaques são invariavelmente os efeitos práticos do monstro deformado, com uma maquiagem tosca e divertida, além do laboratório do “cientista louco” repleto de equipamentos elétricos bizarros e painéis com luzes piscando. Tem também a boa performance de Whit Bissell fazendo um Prof. Frankenstein exageradamente abnegado, cheio de discursos justificando a importância de suas experiências bizarras com cadáveres e evidenciando seu caráter frio e calculista, eliminando todos que pudessem de alguma forma ameaçar seu trabalho. 

Como curiosidade, vale citar que o ator Whit Bissell teve uma carreira imensa e participação em vários filmes do gênero como “Continente Perdido” (1951), “O Monstro da Lagoa Negra” (1954) e “I Was a Teenage Werewolf” (1957), além da série de TV “O Túnel do Tempo” (1966), onde fez parte do elenco fixo como o militar Heywood Kirk.

 

(RR – 05/03/26)








A Múmia Azteca Contra o Robô Humano (La Momia Azteca Contra el Robot Humano / The Robot vs. The Aztec Mummy, México, 1958, PB)

 


A Múmia Azteca Contra o Robô Humano (La Momia Azteca Contra el Robot Humano, 1958), também conhecido pelo título alternativo inglês “The Robot vs. The Aztec Mummy”, é uma produção mexicana em preto e branco de 1958 dirigida por Rafael Portillo. O filme tem um nome sonoro que já sinaliza para sua história bizarra de crossover entre uma múmia assassina possuidora de força descomunal, e um robô criado a partir de partes de um cadáver humano, que nos remete ao universo ficcional de “Frankenstein”. 
Tosco ao extremo, desde a produção ao roteiro, passando pelo elenco com interpretações que vão do exagero (caso do “cientista louco”) ao marasmo (demais personagens), o filme diverte os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro justamente por sua ruindade involuntária, apesar da tentativa de ser sério ao contar uma história absurda, repleta de clichês e situações distantes de qualquer lógica. 

Um tesouro da antiga civilização Azteca está escondido e protegido por uma múmia que no passado foi o guerreiro Popoca (difícil não rir desse nome, na interpretação de Angelo De Steffani, atuando sob forte maquiagem tosca). A múmia carrega em si um bracelete e uma couraça peitoral que trazem gravações em hieróglifos que revelam a localização secreta do tesouro. 
De olho em suas riquezas, para financiar seus projetos científicos mirabolantes, temos um “cientista louco”, o Dr. Krupp (Luis Aceves Castañeda), também conhecido como o bandido “Morcego”, sempre acompanhado de seu capanga Tierno (Arturo Martínez), que tem o rosto deformado num acidente com ácido provocado numa luta com a múmia. Ele criou um robô humano unindo a cabeça de um homem com o corpo mecânico de uma máquina radioativa movimentada por controle remoto, para ajudá-lo no combate contra a múmia e se apossar do tesouro. 
Para tentar impedí-los, temos o cientista Dr. Eduardo Almada (Ramón Gay) e seu fiel assistente Pinacate (Crox Alvarado), que utilizam as importantes informações da bela Flor (Rosa Arenas), jovem esposa do cientista, através de sessões de hipnose que revelam sua relação com a vida passada da princesa azteca Xochitl. 

Curiosamente, o filme faz parte de uma série de três, todos com a mesma direção de Rafael Portillo, roteiro de Guillermo Calderón e Alfredo Salazar e elenco principal, sendo precedido por “A Múmia Azteca” (La Momia Azteca,) e “A Maldição da Múmia Azteca” (La Maldición de la Momia Azteca), ambos de 1957, e os quais tiveram várias cenas reaproveitadas na edição final do crossover, para explicar acontecimentos do passado da história, facilitando muito o trabalho dos produtores na redução do orçamento. 
La Momia Azteca Contra el Robot Humano” é bem curto, com apenas 65 minutos, e como na maioria dos filmes bagaceiros de múmias, aqui também não encontramos nenhuma preocupação dos roteiristas com situações inverossímeis e absurdas como o fato da múmia se deslocar livremente sem nunca ser notada, ou como consegue se manter escondida em segredo num mausoléu no interior de um cemitério, ou ainda a reduzida e incompetente ação policial. E também temos obviamente alguns daqueles tradicionais elementos do cinema fantástico tranqueira, como o laboratório do cientista louco, repleto de equipamentos bizarros, a atmosfera sombria de um cemitério sinistro e o interior claustrofóbico cheio de ambientes interligados de uma pirâmide abandonada.
O destaque dessa tranqueira inacreditável vai justamente para aquilo que dá nome ao filme, no conjunto formado pela múmia e sua maquiagem risível e pelo robô extremamente hilário de tão tosco, culminando com o confronto entre eles no desfecho, uma breve sequência dígna de constar na memória por muito tempo pelo elevado grau de bizarrice. Indicado apenas para os apreciadores de bagaceiras antigas. 

(RR – 15/03/15)