I Was a Teenage Frankenstein (EUA, 1957, PB)

 


“Levará tempo e paciência, mas algum dia, depois de termos confundido os sábios da Ciência, eu contarei ao mundo inteiro a verdade. Como você renasceu, como eu te moldei a partir de diferentes partes, soprei vida em você, injetei conhecimento e sabedoria em um cérebro que estava escondido em um cadáver. Então serei honrado pelo mundo inteiro por ter levado a humanidade um passo adiante na eterna batalha contra a morte.” – Dr. Frankenstein para sua criatura

 

O ator Gary Conway, conhecido como o Capitão Steve Burton na série de TV “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1970) iniciou sua carreira como o monstro do filme de horror bagaceiro “I Was a Teenage Frankenstein” (1957), dirigido por Herbert L. Strock (1918 / 2005) e escrito e produzido por Herman Cohen (1925 / 2002). Com distribuição da lendária “American International Pictures”, de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas em português traduzidas automaticamente.

Foi lançado pouco tempo depois da boa recepção de bilheteria do similar “I Was a Teenage Werewolf”, com um adolescente transformado em lobisomem, feito pelos mesmos realizadores que aproveitaram o momento oportuno para tentar lucrar com mais filmes na mesma temática. Em seguida, para fechar o ciclo de horror juvenil, ainda veio “How to Make a Monster” (1958), um crossover com o lobisomem e a criatura de Frankenstein.

 

O Prof. Frankenstein (Whit Bissell) é um inglês que está nos Estados Unidos fazendo palestras sobre suas ideias científicas e experiências com tecidos mortos, sendo refutado pela maioria de seus colegas de ofício, exceto pelo físico e especialista em radiologia Dr. Karlton (Robert Burton), que mesmo desconfiado sobre as questões éticas das pesquisas, é persuadido a colaborar com o cientista, que também conta com o auxílio da enfermeira apaixonada e noiva Margaret (Phyllis Coates).

Depois que ocorre um acidente de carro nas proximidades do laboratório, eles resgatam o corpo de um jovem (Gary Conway), cujo rosto está terrivelmente desfigurado, e o utilizam como cobaia de medicina experimental com a reconstrução dos tecidos e partes danificadas, trocando por pedaços em boas condições roubados de cadáveres num cemitério. Quando o monstro foge do cativeiro espalhando o horror na região e colecionando vítimas inocentes, a polícia se envolve na investigação das mortes violentas, através dos sargentos Burns (George Lynn) e McAffee (John Cliff).    

 

“I Was a Teenage Frankenstein” é um filme rápido com apenas 73 minutos e felizmente para os apreciadores do cinema bagaceiro de horror mais antigo, e ao contrário da maioria dos filmes similares, a narrativa não se perde em momentos arrastados e entediantes, conseguindo manter um ritmo interessante com sua história de “homem transformado em monstro”, utilizando um personagem clássico do cinema de horror, a criatura de Frankenstein.

O filme explora o monstro do “título” feito de partes de cadáveres (rosto, mãos e uma das pernas) com a temática de “cientista louco” e suas experiências para o bem da humanidade (pelo menos é o que eles sempre dizem), nem que para isso tenha que agir de forma inescrupulosa para defender o valioso trabalho científico, incluindo matar friamente pessoas próximas e eliminar as provas alimentando um crocodilo de estimação. Aliás, essa ideia foi inspirada no caso real de um assassino que supostamente matava pessoas e alimentava jacarés com os cadáveres, e que também foi tema do filme de Tobe Hooper, “Devorado Vivo” (Eaten Alive, 1976).

Os destaques são invariavelmente os efeitos práticos do monstro deformado, com uma maquiagem tosca e divertida, além do laboratório do “cientista louco” repleto de equipamentos elétricos bizarros e painéis com luzes piscando. Tem também a boa performance de Whit Bissell fazendo um Prof. Frankenstein exageradamente abnegado, cheio de discursos justificando a importância de suas experiências bizarras com cadáveres e evidenciando seu caráter frio e calculista, eliminando todos que pudessem de alguma forma ameaçar seu trabalho. 

Como curiosidade, vale citar que o ator Whit Bissell teve uma carreira imensa e participação em vários filmes do gênero como “Continente Perdido” (1951), “O Monstro da Lagoa Negra” (1954) e “I Was a Teenage Werewolf” (1957), além da série de TV “O Túnel do Tempo” (1966), onde fez parte do elenco fixo como o militar Heywood Kirk.

 

(RR – 05/03/26)