"Eu sou um cientista.
Pensar é o meu negócio.” – Dr. Charles Conway
“O
Extraordinário” (The Unearthly, EUA, 1957) é um dos filmes “B” de Horror e
Ficção Científica que mais assistia na televisão (o SBT o exibia vez ou outra
em versão original legendada nas madrugadas de dias normais de semana). Não que
esse filme seja uma obra prima do gênero, mas porque é uma divertida produção
de baixo orçamento da “Republic”, digna dos nostálgicos anos 50 do século
passado.
O
filme está em domínio público e não foi lançado no mercado de vídeo brasileiro,
seja VHS ou DVD, mas está atualmente disponível no “Youtube” com opção de
legendas automáticas em português.
Com
fotografia em preto e branco, é um filme pertencente ao subgênero “Cientista
Louco”, estrelado pelo grande John Carradine como o cientista Dr. Charles
Conway. Ele dirige uma casa de repouso afastada da civilização (na verdade, uma
mansão gótica que só é vista externamente nos créditos iniciais e no final do
filme), que interna pessoas com colapso nervoso, as quais são levadas ao asilo
por seu cúmplice, o também médico Dr. Loran Wright (Roy Gordon), que trabalha
numa cidade próxima.
Esses
pacientes serão vítimas de experiências que visam retardar o envelhecimento
através da colocação no cérebro, de uma glândula artificial que controlaria
essa função no organismo. Segundo o Dr. Conway, o corpo humano, que tem 16
glândulas vitais que controlam tudo, poderia receber uma 17ª, de
origem artificial, e que controlaria o envelhecimento, podendo com isso
alcançar a vida eterna.
Ajudado
pela jovem e apaixonada assistente Dra. Sharon Gilchrist (Marilyn Buferd) e pelo
grandalhão com deficiência mental Lobo (Tor Johnson, já visto em muitos outros
filmes bagaceiros, como “Plano 9 do Espaço Sideral”, de Ed Wood Jr.), o
cientista realizava suas experiências utilizando os internos como Harry Jedrow
(Harry Fleer) e Natalie Andries (Sally Todd). Porém, faltava ainda algo de
fundamental importância em suas pesquisas, fazendo com que ele transformasse
seus pacientes em verdadeiros monstros disformes, os quais eram mantidos
encarcerados nos porões da mansão.
O
trabalho secreto do Dr. Conway e seus planos insanos para obter a juventude
eterna são atrapalhados com o aparecimento de um policial disfarçado de
paciente infiltrado no asilo, Mark Houston (Myron Healy), que tenta salvar a
recém-chegada Grace Thomas (Allison Hayes, de “A Mulher de 15 Metros”, 1958), uma
jovem depressiva candidata para ser a próxima vítima das experiências bizarras
do cientista.
Com
efeitos práticos toscos, “O Extraordinário” é uma daquelas preciosidades de
orçamentos minúsculos da década de ouro do cinema fantástico bagaceiro. Em seus
apenas 73 minutos, o filme explora os divertidos clichês com cientistas insanos
e suas experiências para o suposto bem da humanidade, porém com resultados
catastróficos. Um dos destaques é a sequência onde o “cientista louco” e sua
assistente, após operarem uma jovem garota, vão visitá-la numa cela e descobrem
novamente o fracasso da experiência, com a moça deformada e com a pele enrugada,
vindo a se juntar numa galeria de monstros mutantes vítimas das experiências malsucedidas,
e que viveriam o tormento da imortalidade.
O
lendário ator John Carradine nasceu em 05/02/1906 em Nova Yorque (EUA) e seu
nome verdadeiro era Richmond Reed Carradine. Ele participou de centenas de
filmes ao longo de 60 anos de carreira, principalmente nos gêneros Horror,
Ficção Científica e Western, vindo a falecer em 27/11/1988, em Milão, na
Itália.
OBS.:
Esse texto foi escrito originalmente em 1991 e publicado na edição impressa do
fanzine “Vortex” # 4 (que depois mudou o nome para o atual “Juvenatrix”).
(RR – 1991 / revisão
07/09/2026)
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