Halloween H20 - 20 Anos Depois (Halloween H20: 20 Years Later, EUA, 1998)

Em 1978, no clássico “Halloween – A Noite do Terror”, um jovem de apenas 6 anos de idade chamado Michael Myers se apossa de uma grande faca afiada e mata violentamente sua irmã de 17 anos, numa noite de “Halloween”, tradicional festa americana do “Dia das Bruxas”. Após ficar internado num hospício por 15 longos anos, ele foge deixando um rastro enorme de vítimas, à procura de sua outra irmã, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis, uma das grandes “scream queen” do cinema de Horror), e sendo perseguido pelo implacável psiquiatra Dr. Loomis (Donald Pleasence, que morreu em 1995 e considerado um dos ícones sagrados do gênero). Após uma longa série de filmes posteriores (mais cinco sequências), Michael Myers esteve de volta aos cinemas depois de 20 anos para matar sua irmã e deixar novamente seu rastro de sangue, em “Halloween H20 – 20 Anos Depois”, que estreou nos cinemas brasileiros numa data especial de Natal, em 25 de dezembro de 1998.
Criado no final da década de 70 por John Carpenter, conhecido diretor do gênero fantástico responsável por “O Enigma do Outro Mundo” (1982), “Príncipe das Sombras” (87) e “Eles Vivem” (88), entre outros, “Halloween” foi um dos precursores da onda de filmes sequenciais com psicopatas “serial killers” que invadiram os cinemas principalmente durante a década de 1980, vindo após Michael Myers, os seus rivais Jason Voorhees (“Sexta-Feira 13”, 79, com mais nove episódios) e Freddy Krueger (“A Hora do Pesadelo”, 84, com mais seis partes posteriores).
Após uma breve trégua no cinema de horror no início dos anos 90, os filmes com psicopatas, sangue e sustos reapareceram com sucesso nas telas a partir de 1996, com o lançamento de “Pânico” (Scream, de Wes Craven, o criador da saga “A Hora do Pesadelo”), que impulsionou uma safra de filmes similares como “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” (I Know What You Did Last Summer, 97) e “Lendas Urbanas” (Urban Legends, 97, com a participação do ator Robert Englund, o “Freddy Krueger” do cinema). Apesar do excesso de clichês e situações previsíveis, esses filmes até que divertem (que é o seu principal objetivo) e com a grande aceitação do público, principalmente adolescentes, as inevitáveis sequências já surgiram logo em seguida com “Pânico 2 e 3”, “Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” e “Lendas Urbanas 2”, todos já exibidos em nossos cinemas. E essa onda de filmes de sustos fáceis impulsionou a produção do gênero gerando entre outros, “Halloween H20”, a refilmagem de “Psicose” (Psycho, grande clássico em preto e branco de Alfred Hitchcock, de 1960), desta vez sem Anthony Perkins (já falecido) e com Anne Heche, que estreou no Brasil em 15 de janeiro de 1999, e até outro filme (terceira sequência) com o boneco maligno Chucky em “A Noiva de Chucky”.
É pena que a falta de originalidade e criatividade dos roteiristas atuais os obriguem a refilmar clássicos do passado ou insistir com longas e cansativas séries, mas tentando apenas observar os fatos positivos, esses novos filmes trazem bons efeitos especiais e garantem algum entretenimento sem muita exigência.
Sobre “Halloween H20”, dirigido por Steve Miner, de “A Casa do Espanto” (1985) e “Sexta-Feira 13” partes II (81) e III (82), entre outros, o filme traz novamente Jamie Lee Curtis (dos dois primeiros filmes da série) atormentada pelo fantasma de seu irmão psicopata Michael Myers, cujo paradeiro ficou oculto por 20 longos anos. Só que desta vez, sem a participação do falecido ator Donald “Dr. Loomis” Pleasence, seu perseguidor implacável e grande figura do cinema de horror, com inúmeras participações no gênero e que infelizmente faz agora somente parte da galeria dos astros imortais. Mas como curiosidade, há a pequena participação de Janet Leigh (mãe de Jamie Lee Curtis na vida real), veterana atriz conhecida pela personagem que foi brutalmente assassinada por Norman Bates na famosa cena do chuveiro no clássico “Psicose”.
A história é puro clichê sem situações novas, com Curtis (como Laurie Strode / Keri Tate) quarentona e mãe de um filho adolescente mudando de nome e cidade para se esquecer de seu irmão maníaco. Assumindo a diretoria de uma escola rica, ela não consegue evitar totalmente seu trauma com frequentes alucinações envolvendo Michael Myers. Até que o psicopata reaparece novamente e com uma enorme faca (sua marca registrada) contribui significativamente para o aumento do índice de mortandade da região. Mas as vítimas não chegam a uma dezena como era em filmes similares anteriores como os inúmeros “Sexta-Feira 13”, cujos assassinatos ultrapassavam tranquilamente a marca dos 20, demonstrando a tendência desses novos filmes em apostar em sustos e mais suspense ao invés de violência gratuita e explícita demais.
Um detalhe interessante é a referência ao filme “Pânico”, quando numa cena de suspense, a televisão está ligada na exibição do filme citado, e que curiosamente o inverso havia acontecido antes, pois em “Pânico”, um grupo de jovens adolescentes que faziam uma festa assistiam ao clássico “Halloween” com Jamie Lee Curtis, enquanto eram misteriosamente assassinados um a um. Parece mesmo uma troca de cortesias e homenagens entre os produtores.
Após muita correria, gritos e eventuais mortes, Michael Myers é golpeado e supostamente morto. Mas assim como seus companheiros de ofício Jason Voorhees e Freddy Krueger, psicopatas imortais, reanima-se constantemente como se nada tivesse acontecido (nada é impossível aos roteiristas), até que finalmente é decapitado de forma violenta por sua irmã heroína na cena final do filme (não há segredo nenhum em revelar isso pois tudo é previsível com muita antecedência). E a franquia continuou em 2002 com o lançamento do oitavo filme da série: “Halloween: Ressurreição”, dirigido por Rick Rosenthal, novamente com Jamie Lee Curtis no elenco, e com Brad Loree interpretando Michael Myers.
Porém, como já mencionado antes, apesar de toda a previsibilidade, o filme tem alguns bons momentos de sustos sendo uma boa diversão sem muita exigência, e material obrigatório para os fãs em geral do Horror, principalmente para acompanhar a atual safra de produção do gênero. Se bem que a cada ano que passa, sentimos mais saudades dos velhos filmes de Vincent Price, Peter Cushing, Christopher Lee, Boris Karloff, Bela Lugosi, John Carradine, Peter Lorre, Lon Chaney Jr., ...

“Halloween H20 – 20 Anos Depois” (Halloween H20: 20 Years Later, 1998) – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 23/01/06)

Halloween H20 – 20 Anos Depois (Halloween H20: 20 Years Later, EUA, 1998). Dimension Films / Nightfall Productions. Duração: 85 minutos. Direção de Steve Miner. Roteiro de Robert Zappia e Matt Greenberg, baseado em história de Robert Zappia e personagens criados por Debra Hill e John Carpenter. Produção de Paul Freeman. Fotografia de Daryn Okada. Música de John Ottman e Marco Beltrami (tema “Halloween” criado por John Carpenter). Edição de Patrick Lussier. Desenho de Produção de John Willett. Efeitos Especiais de John C. Hartigan e Paul Sokol. Elenco: Jamie Lee Curtis (Laurie Strode / Keri Tate), Josh Hartnett (John Strode / John Tate), Janet Leigh (Norma Watson), Adam Arkim (Will Brennan), Michelle Williams (Molly Cartwell), Adan Hann-Byrd (Charles Deveraux), Jodi Lynn O'Keefe (Sarah Wainthrope), LL Cool J (Ronald Jones), Joseph Gordon Levitt (Jimmy Howell), Nancy Stephens (Enfermeira Marion Chambers Whittington), Brandon Williams (Tony Allegre), Beau Billingslea (Detetive Fitzsimmons), Matt Winston (Detetive Matt Sampson), Larissa Miller (Claudia), Emmalee Thompson (Casey).

Mutantes Assassinos (Snakehead Terror, Canadá, 2004)

É curioso observar e extremamente bizarro imaginar como existem profissionais da indústria de cinema (apesar de que pertencentes a uma categoria secundária), que se dedicam a produzir filmes baratos de horror com ideias tão óbvias e exageradamente já exploradas, sempre insistindo com os velhos e conhecidos clichês, como por exemplo aquele do tipo “produto químico contamina lago e transforma os peixes em monstros mutantes assassinos devoradores de carne humana”. Pois em 2004 foi lançado mais um filme exatamente com esse argumento básico: “Mutantes Assassinos” (Snakehead Terror), dirigido por Paul Ziller e que traz curiosamente no elenco o ator William B. Davis, mais conhecido como o misterioso vilão “canceroso” da cultuada série de TV “Arquivo X”.

Numa pequena cidade do interior, que tem como atração o parque florestal do Lago Cultus, as autoridades locais foram obrigadas a despejar produtos químicos venenosos no imenso lago para dizimar uma população de peixes agressivos conhecidos como “snakehead” (do título original), que estavam devorando as outras espécies prejudicando o ecossistema, a pesca e os bons negócios do comércio da cidade. Dois anos depois, quando todos imaginavam que os peixes predadores tinham desaparecido, animais mortos trucidados por dentes afiados como um urso e um cachorro começam a aparecer nas margens do lago, chamando a atenção do xerife Patrick James (Bruce Boxleitner). O mistério aumenta ainda mais quando surge o cadáver mordido de um velho caçador, Ray Wilkens (Don MacKay), e quando o jovem James (Matthew MacCaull), namorado da adolescente Amber (Chelan Simmons), filha do xerife, é atacado violentamente enquanto nadava no lago.
Tentando com dificuldade interditar o lago para evitar mais mortes enquanto investiga a origem dos assassinatos brutais, o xerife solicita a ajuda de uma bióloga do Departamento de Recursos Naturais, a bela Lori Dale (Carol Alt), e também do médico legista local, Dr. Jenkins (o veterano William B. Davis), onde juntos chegam à conclusão que os causadores das mortes sangrentas são os peixes snakehead, que misteriosamente sobreviveram do ataque de veneno no passado.
Enquanto isso, um grupo de adolescentes tenta resolver o problema por conta própria e saem de barco à procura dos mutantes assassinos. A jovem Amber, magoada com a morte do namorado, e com uma inteligência de uma ostra, reúne seus amigos Craig (Chad Krowchuk), Luke (Ryan McDonell) e Jagger (Juliana Wimbles), e juntos irão oferecer suas carnes para o deleite das criaturas famintas. E para piorar ainda mais a situação, descobre-se que hormônios humanos de crescimento estavam sendo jogados no lago para tentar erguer a atividade pesqueira local em crise, trazendo como resultado desastroso o fato dos peixes mutantes ficarem gigantescos e ainda mais ameaçadores, adquirindo a capacidade de se locomoverem pela terra, em busca de alimento, principalmente a carne humana de quem invadisse seus domínios.

É engraçado, mas quanto mais for absurdo o roteiro, quanto mais elementos ridículos um filme apresentar em sua história, mais curiosidade eu tenho em vê-lo, e principalmente quando a intenção dos produtores é a de filmar algo sério, não apelando intencionalmente para a comédia com piadas idiotas. Talvez porque eu queira ver com os próprios olhos o resultado final de um monte de besteiras agrupadas num filme, e isso pode talvez explicar um dos motivos de tanta atração pelos chamados filmes “trash”, aquele tipo de cinema “lixo” que pode ser mesmo uma grande porcaria dispensável, ou até algo que proporcione uma diversão rápida justamente por ser tão ruim. De qualquer maneira, independente de como classificar a tranqueira, se descartável ou recomendável, confesso que tenho uma incrível curiosidade de ver tralhas, principalmente dentro da temática de “cientistas loucos”, “homens transformados em monstros” e “criaturas mutantes assassinas”, entre outros subgêneros do cinema de horror bagaceiro. Vale sempre lembrar que os nostálgicos anos 50 do século passado foram os principais na produção de filmes paupérrimos com esses argumentos, presenteando-nos com uma infinidade de tranqueiras tão toscas e com histórias tão inacreditavelmente ruins que hoje são pérolas cultuadas por colecionadores.
“Mutantes Assassinos” lembra bastante outros filmes similares como os divertidos “Pânico no Lago” (Lake Placid, 99), sobre um crocodilo imenso e que até foi exibido nos cinemas, e “Frankenfish – A Criatura Assassina” (Frankenfish, 2004), sobre um peixe enorme mutante e que foi lançado por aqui somente no mercado de vídeo, só para citar dois exemplos. O termo “frankenfish” é até citado numa notícia de jornal.
Porém, analisando rapidamente, o filme é ruim de uma maneira geral, pois tem um roteiro (escrito por A. G. Lawrence) infestado de situações absurdas (como a ideia daqueles adolescentes idiotas saírem de barco para caçarem os peixes mutantes), os efeitos especiais são bem toscos, e o elenco é completamente inexpressivo. É claro que tem que ter um casal de heróis, sendo nesse caso o xerife local e a mocinha bióloga que aparece para ajudá-lo com o conhecimento científico. É claro que devem existir personagens dispensáveis inseridos na história apenas para servirem de comida e justificarem os ataques dos peixes mutantes. É claro que sempre tem um personagem que é mais idiota que os outros, como o completamente incompetente policial Reece (Bro Gilbert). E é claro que na maioria desses tipos de filmes, o desfecho é sempre o mesmo, previsível e dispensável.
Talvez, contrastando a ruindade geral, no quesito “sangue e tripas”, até existam algumas cenas razoáveis com mortes violentas, e pode ser que os peixes mutantes assassinos devoradores de carne humana despertem algum interesse, mas sem muita exigência. No mais, é só. Ou seja, saciei novamente minha curiosidade por tranqueiras e cheguei à conclusão que “Mutantes Assassinos” é uma bomba e somente vale mesmo se for por curiosidade em se conhecer todos os tipos de cinema de horror.

“Mutantes Assassinos” (Snakehead Terror, Canadá, 2004) # 364 – data: 20/01/06 – avaliação: 3 (de 0 a 10)
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(postado em 20/01/06)

O Enigma de Talos (Talos the Mummy / Tale of the Mummy, 1998)

“Ouçam, todos os que chegaram aqui, os que vivem sua existência, evitem este lugar abandonado por tudo que é sagrado. Eu que pequei no Lugar da Verdade. Eu que matei os inocentes. Eu que confundi terror com prazer.” – maldição escrita na tumba da múmia Talos

A maioria dos filmes que apresentam como tema uma múmia revelam também uma maldição como lenda em torno da profanação de sua tumba. Este é o caso igualmente de “O Enigma de Talos” (Talos the Mummy, 1998), que tem o privilégio de contar com a participação ilustre, mesmo que pequena apenas no prólogo de dez minutos, do lendário ator Christopher Lee, mais conhecido como o eterno Conde Drácula dos saudosos filmes ingleses da “Hammer” entre o final da década de 50 e meados dos anos 70 do século passado.

A história é simples e trivial, sem grandes variações em relação aos tradicionais clichês de filmes de múmias. Começa no Egito em 1942, mais precisamente numa região conhecida como “Valley of the Kings”, onde uma expedição arqueológica liderada por Sir Richard Turkel (Christopher Lee), procura por tesouros escondidos que pertenceram ao Alto Sacerdote Maya. Porém, o que eles acabam encontrando é uma tumba proibida de um antigo príncipe grego feiticeiro chamado Talos, que foi enterrado há três mil anos atrás com seus órgãos internos removidos. Apesar de identificarem uma maldição inscrita no túmulo da múmia (reproduzida no início desse artigo), os arqueólogos continuaram as escavações e libertaram um terrível mal.
Passados mais de cinquenta anos, a neta de Sir Richard, Samantha Turkel (a bela Louise Lombard), faz parte de um grupo científico do Museu Britânico que está trabalhando no sítio arqueológico onde foi encontrado o túmulo de Talos. A expedição é liderada por Burke (Gerard Butler), noivo de Samantha, e conta ainda com um paranormal, Bradley Cortese (Sean Pertwee), e uma médica, Dra. Claire Mulrooney (Lysette Anthony), além da coordenação externa do Prof. Marcus (Michael Lerner). A equipe consegue localizar a tumba de Talos e remove os envoltórios de sua múmia, transportando-os para Londres, na Inglaterra, e recolhendo também um amuleto misterioso que estava no túmulo. Porém, os trabalhos foram tumultuados por uma série de ocorrências estranhas envolvendo membros ao redor da expedição, com acessos de loucura e comportamentos violentos.
Sete meses depois do incidente no Egito, os envoltórios de Talos estão expostos num museu em Londres e repentinamente desaparecem, coincidindo com a chegada de um raro alinhamento planetário. Paralelamente, várias pessoas começam a ser assassinadas brutalmente e com seus órgãos internos removidos de forma misteriosa e cirúrgica. Quando um político do senado americano é encontrado morto e com os olhos retirados, a embaixada dos Estados Unidos decide enviar o detetive Riley (Jason Scott Lee) para investigar o caso e a possível existência de um serial killer, auxiliado por um policial inglês, Bartone (Jack Davenport).
Outras mortes acontecem (não poupando nem um cachorro que guiava um cego), com as vítimas aparecendo sem determinados órgãos como os pulmões, fígado e maxilar, despertando a atenção do detetive Riley para as investigações e incitando a reação perturbada de um dos arqueólogos da equipe que trouxe os envoltórios de Talos para o museu britânico, Bradley Cortese, que possui estranhos poderes paranormais, na tentativa de alertar as pessoas, especialmente a amiga curandeira espiritual Edith Butros (Shelley Duvall), de uma possível conspiração para a ressurreição de Talos no mundo moderno, durante um evento astrológico envolvendo um raro alinhamento planetário que estaria se formando em breve.

“O Enigma de Talos” é apenas mais um filme comum sobre múmia, que tem como única vantagem em relação às outras produções similares, a honra de ter Christopher Lee no elenco, mesmo que por muito pouco tempo. A história é óbvia e previsível demais, carregada de uma infinidade de situações absurdas, partindo de uma premissa difícil de assimilar, ou seja, as ações assassinas e excessivamente sobrenaturais de um monte de trapos (ou envoltórios, como frisou a personagem Samantha Turkel) da múmia de um antigo feiticeiro herege, que está recolhendo os órgãos internos de suas vítimas num esforço para recompor seu corpo, num plano maquiavélico de transmutação para nosso mundo. O maior destaque do filme, além da beleza da atriz Louise Lombard, é o ousado desfecho escolhido pelos produtores, num estilo parecido com “O Décimo Oitavo Anjo” (The Eighteenth Angel), lançado no mesmo ano, deixando de lado aqueles típicos finais apropriados para agradar ao grande público.

Entre as curiosidades, tem uma cena passada na Fundação Turkel, uma entidade criada pelo prestigiado arqueólogo Sir Richard, onde aparece rapidamente um quadro com uma pintura muito bem produzida de Christopher Lee. E as filmagens ocorreram em locações e estúdios em Luxemburgo, um país menor da Europa que oferece custos mais baixos de produção.
O filme foi lançado em DVD na Inglaterra com o nome original “Talos the Mummy” e nos Estados Unidos como “Tale of the Mummy”. No Brasil, foi lançado em DVD como “O Enigma de Talos” através da “PlayArte”, tendo também distribuição nas bancas com um preço mais acessível, sob encomenda da “Editora D+T”. O DVD traz como material extra apenas uma biografia curta do veterano ator inglês Christopher Lee, nascido em 1922 e que foi condecorado em 2001 pela Rainha Elizabeth com uma medalha de Comandante da Ordem do Império Britânico, e também do ator Jason Scott Lee, americano de Los Angeles nascido em 1966 e com um currículo composto por filmes como “O Soldado do Futuro” (98), “Drácula II – A Ascensão” e “Timecop 2: O Guardião do Tempo” (ambos de 2003). A contra capa do DVD tem dois erros grotescos. Logo abaixo do nome de Christopher Lee aparecem os títulos de alguns filmes em que ele atuou, e houve uma confusão com a citação de “A Casa da Noite Eterna” (73), estrelado por Roddy McDowall, em vez de provavelmente a antologia “A Casa Que Pingava Sangue” (70), esse sim um filme onde Lee participou em uma das histórias. E o mesmo engano aconteceu também no caso de Jason Scott Lee, onde foi citado o filme “Soldado Universal”, com Jean-Claude Van Damme, quando provavelmente era para ser “O Soldado do Futuro”, com Kurt Russell.

“Eu derrotei a vontade de Amun-Ra. Nunca antes olhos humanos viram tal esplendor. Levante-se e ajoelhe-se aos pés de Talos” – da múmia Talos para a arqueóloga Samantha Turkel

“O Enigma de Talos” (Talos the Mummy, 1998) # 288 – data: 23/12/04 – avaliação: 5 (de 0 a 10)
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(postado em 20/01/06)

“O Enigma de Talos” (Talos the Mummy / Tale of the Mummy, Estados Unidos / Inglaterra / Luxemburgo, 1998). Duração: 119 minutos. Direção de Russell Mulcahy. Roteiro de John Esposito e Russell Mulcahy, a partir de história de Keith Williams e Russell Mulcahy. Produção de Silvio Maruglia, Daniel Sladek e Jeffrey White. Produção Executiva de Romain Schroeder, Phil Botana e Scott Vandiver. Fotografia de Gabriel Beristain. Música de Stefano Mainetti. Edição de Armen Minasian. Direção de Arte de Simon Bowles e Peter Powis. Desenho de Produção de Bryce Walmsley. Elenco: Jason Scott Lee (Detetive Riley), Louise Lombard (Samantha Turkel), Sean Pertwee (Bradley Cortese), Lysette Anthony (Dra. Claire Mulrooney), Christopher Lee (Sir Richard Turkel), Shelley Duvall (Edith Butros), Michael Lerner (Prof. Marcus), Jack Davenport (Detetive Bartone), Gerard Butler (Burke), Honor Blackman, Roger Morrisey, Jon Polito, Ronan Vibert, Bill Treacher, Elizabeth Power, Cyrill Nri, Edward Tudor-Pole, Craig Stout, Anthony Beselle, Jamie Treacher, Ann Overstail, Alex Torino, David Sterne, David Henry, Leslie Woodhall.

Ecos do Além (Stir of Echoes, EUA, 1999)

“Em toda mente existe uma porta que não deveria nunca ser aberta”

O período que compreendeu o final dos anos 90 do século passado pode ser bem lembrado pelos apreciadores do cinema de horror, devido à produção de alguns ótimos filmes com temáticas similares explorando histórias de fantasmas, suspense sobrenatural e comunicações com mortos. O pódio resultante da mistura desses atraentes elementos do cinema fantástico é formado principalmente por “O Sexto Sentido” (The Sixth Sense, 1999), de M. Night Shyamalan e com Bruce Willis, “Revelação” (What Lies Beneath, 2000), de Robert Zemeckis e com Harrison Ford e Michelle Pfeiffer, e finalmente por “Ecos do Além” (Stir of Echoes, 1999), de David Koepp e com Kevin Bacon, esse último baseado num livro do especialista Richard Matheson. Todos os três filmes, a propósito, possuem um nível de qualidade muito próximo, apresentando histórias interessantes e bem narradas, garantindo bons momentos de entretenimento.

Em “Ecos do Além”, a história apresenta uma típica família americana formada por Tom Witzky (Kevin Bacon), um técnico da companhia telefônica meio cansado de sua vida “comum”, casado com Maggie (Kathryn Erbe), que está grávida novamente, e pelo pequeno filho do casal, Jake (Zachary David Cope), de apenas cinco anos de idade. Eles se mudam para uma casa alugada num bairro operário de Chicago e a rotina de suas vidas estava seguindo seu rumo normal até que numa festa com os amigos, a cunhada de Tom, Lisa (Illeana Douglas), faz comentários sobre suas atividades com hipnose. Uma vez incrédulo sobre o assunto, Tom aceita um desafio de ser hipnotizado por ela. Como “em toda mente existe uma porta que não deveria nunca ser aberta”, como anuncia sabiamente a “tagline” promocional do filme, Tom faz uma viagem pelos desconhecidos caminhos de sua mente, e ao retornar da transe hipnótica, uma porta ficou aberta permitindo uma comunicação com “o outro lado”.
Tom descobre que seu filho Jake é também um garoto com poderes especiais, sendo considerado uma espécie de “receptor”, e eles passam a partir daí a viverem uma experiência sobrenatural envolvendo comunicação com mortos, pesadelos assombrosos, previsão de eventos trágicos, a aparição de um atormentado fantasma de uma garota chamada Samantha Kozac (Jennifer Morrison), e um terrível mistério relacionando a casa, seus vizinhos, entre eles, Frank McCarthy (Kevin Dunn) e Harry Damon (Conor O’Farrell), e uma jovem adolescente desaparecida há seis meses no bairro. Agora, a somatória desses eventos “fora do comum” poderia colocar em perigo a segurança de sua família.

“Ecos do Além” é uma bem contada história de fantasmas, apesar de inevitavelmente apresentar alguns elementos já vistos anteriormente pelo cinema fantástico. Sua idéia básica mostra um fantasma atormentado com o desejo de que o mundo saiba de seu assassinato e que seu corpo escondido seja localizado. Um pouco antes, em 1998, algo similar foi apresentado no filme japonês “Ringu”, com a temível Sadako Yamamura (e que foi refilmado nos Estados Unidos em 2002 com a vingativa Samara Morgan).
Mas é importante salientar que muitas pessoas se confundem e pensam que o “Ecos do Além” é uma cópia inferior de “O Sexto Sentido”. A verdade é que ambos os filmes foram produzidos coincidentemente no mesmo período, utilizando elementos similares em suas tramas. Devemos lembrar que “Ecos do Além” foi baseado num livro de Richard Matheson escrito em 1958 e consequentemente muito antes do livro de Kôji Suzuki publicado em 1989 e que inspirou “Ringu”, e também muito antes de M. Night Shyamalan escrever o roteiro de seu sucesso de bilheterias “O Sexto Sentido”.

No filme de David Koepp não existem cenas fortes de violência e excesso de sangue em profusão, pois a história procurou se concentrar mais em elementos sobrenaturais com um suspense psicológico e horror sutil que conseguem envolver a atenção do espectador. Mas duas cenas em especial se destacam, que apesar de pouca carga de violência e intensidade, conseguem transmitir um sentimento perturbador e doloroso, mesmo sendo atitudes mais simples e de pouco sangue, quando comparadas a uma infinidade de atrocidades vistas em outros filmes. Primeiro é uma seqüência onde num momento de alucinação e confusão mental, o protagonista Tom Witzky está olhando para seu reflexo num espelho no banheiro e começa a arrancar lentamente com as mãos um de seus dentes frontais, num processo agonizante para quem está testemunhando, como nós, a estranha atitude de auto flagelo (a qual mais tarde seria justificada numa importante revelação). Outra cena perturbadora é quando a jovem Samantha Kozac está tentando se defender de um estupro e ao pressionar sua mão contra o chão, lentamente vemos uma das unhas se desprendendo do dedo até a separação total, se constituindo certamente num ato carregado de muita dor.

Em várias produções de ficção científica e horror podemos observar cenas onde os personagens estão lendo livros ou vendo filmes na televisão ou cinema, e essas oportunidades são aproveitadas pelos cineastas para homenagear outros escritores e diretores colocando-os em evidência. Por exemplo, em “Ecos do Além”, houveram algumas homenagens interessantes, como numa cena onde a babá Debbie Kozac (Liza Weil) está aproveitando sabiamente seu tempo livre enquanto o garoto Jake Witzky está em seu quarto, para ler um livro do próprio Richard Matheson (autor da história que serviu de base para o roteiro de David Koepp). A obra escolhida foi “The Shrinking Man”, que já foi filmada em 1957 como “O Incrível Homem Que Encolheu”, e que terá uma refilmagem com previsão de lançamento em 2005. Outras homenagens foram quando o garoto Jake está em seu quarto assistindo TV e aparecem cenas de um filme antigo sobre múmias e também do eterno clássico de zumbis “A Noite dos Mortos Vivos” (68), de George Romero.

O nome original do filme é “Stir of Echoes”, que traduzido do inglês significaria algo como “Tumulto de Ecos”, e até que a escolha do nome nacional foi boa como sendo “Ecos do Além”, se situando dentro da proposta da história que tem em seu argumento básico uma interação entre o nosso mundo real e um universo habitado por fantasmas.

O americano David Koepp nasceu em 1964 em Wisconsin. Seu currículo como diretor é pequeno, sendo mais conhecido como roteirista, tendo participado de filmes importantes como “Parque dos Dinossauros” (93) e a seqüência “O Mundo Perdido” (97), ambos de Steven Spielberg, “O Pagamento Final” (93), com Al Pacino, e “Missão: Impossível” (96), com Tom Cruise, ambos de Brian De Palma, “O Quarto do Pânico” (2002), com Jodie Foster, e “Homem-Aranha” (2002), de Sam Raimi. Atualmente, ele está envolvido nos projetos de “Secret Window”, baseado em obra literária de Stephen King, e na seqüência “Homem-Aranha II”.
O escritor Richard Matheson nasceu em 1926 em New Jersey e em sua consagrada carreira literária figuram várias obras que serviram de base para o cinema fantástico em filmes como por exemplo “Mortos Que Matam” (64) e “A Última Esperança da Terra” (71), produzidos a partir de seu livro de vampiros “Eu Sou a Lenda”, ou ainda “Em Algum Lugar do Passado” (80), baseado na novela “Bid Time Return”. Sem contar sua ativa participação como roteirista como na série de filmes baseada na obra de Edgar Allan Poe e dirigida por Roger Corman, composta por “O Solar Maldito” (60), “A Mansão do Terror” (61), “Muralhas do Pavor” (62) e “O Corvo” (63), além de “Robur, o Conquistador do Mundo” (61), “Farsa Trágica” (64), “As Bodas de Satã” (68, Hammer), “Encurralado” (71, de Steven Spielberg), “A Casa da Noite Eterna” (73), “Drácula” (73), entre outros. Sua participação em séries de televisão é igualmente marcante tendo escrito vários episódios de “Além da Imaginação” (59/64), “Thriller” (60/62), “Jornada nas Estrelas” (66/69), “Galeria do Terror” (70) e “Histórias Fantásticas” (85/87).
O principal nome do elenco de “Ecos do Além” é o americano Kevin Bacon, nascido na Pennsylvania em 1958. Curiosamente, ele é um daqueles poucos atores que conseguiram destaque e projeção em suas carreiras artísticas tendo praticamente começado como um dos jovens assassinados em “Sexta-Feira 13” (80), filme que deu origem à extensa franquia do psicopata Jason Voorhees, sendo que a maioria dos seus colegas do mesmo período acabaram sumindo no anonimato. Outro ator com histórico semelhante é o talentoso Johnny Depp, que começou sua brilhante carreira numa ponta em “A Hora do Pesadelo” (84). Kevin Bacon tem uma carreira que inclui mais de 50 filmes e algumas outras produções em que participou dentro do gênero fantástico são “O Caso do Demônio Assassino” (83), “O Ataque dos Vermes Malditos” (90), “Linha Mortal” (90), “Garotas Selvagens” (98), “O Homem Sem Sombra” (2000) e “Encurralada” (2002).
Observação: Em 2007, foi lançado “Ecos do Além 2” (Stir of Echoes: The Homecoming), uma produção para a televisão, escrita e dirigida por Ernie Barbarash e com Rob Lowe Um soldado americano é ferido gravemente numa guerra no Iraque após se envolver num incidente com vítimas queimadas e violentamente mortas. Ao retornar para casa e despertar do estado de coma, ele passa a ter visões de um fantasma perturbado, que quer se comunicar em busca de vingança.

“Ecos do Além” (Stir of Echoes, 1999) – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 20/01/06)

Ecos do Além (Stir of Echoes, Estados Unidos, 1999). Artisan Entertainment. Duração: 99 minutos. Direção de David Koepp. Roteiro de David Koepp, baseado no livro “A Stir of Echoes”, de Richard Matheson. Produção de Judy Hofflund e Gavin Polone. Produção Executiva de Michele Weisler. Música de James Newton Howard. Fotografia de Fred Murphy. Edição de Jill Savitt. Elenco: Kevin Bacon (Tom Witzky), Kathryn Erbe (Maggie Witzky), Illeana Douglas (Lisa), Zachary David Cope (Jake Witzky), Kevin Dunn (Frank McCarthy), Conor O’Farrell (Harry Damon), Liza Weil (Debbie Kozac), Lusia Strus (Sheila McCarthy), Stephen Eugene Walker (Bobby), Mary Kay Cook (Vanessa), Larry Neumann Jr. (Lenny), Jennifer Morrison (Samantha Kozac).

Dominação (Lost Souls, EUA, 2000)

“... Um homem que nasce do incesto se tornará Satã, e o mundo que conhecemos não mais existirá.”
Deuteronomy – Livro 17

O diabo já foi e ainda está sendo muito explorado no cinema de horror, formando até um sub-gênero liderado pelo clássico absoluto “O Exorcista” (73). O tema é forte e sempre atraente por inevitavelmente chocar as pessoas, através do histórico confronto entre o “Bem” e o “Mal”. Aproveitando um momento de transição com a virada do século e uma série de expectativas místicas em relação ao aguardado ano 2000, foram produzidos vários filmes envolvendo questões religiosas e a ascensão do demônio na humanidade. “Dominação” (Lost Souls) é um deles, mostrando basicamente a história de um jovem escritor, que sem saber, fora preparado durante sua vida inteira para se transformar em Satã e estabelecer seu reino de sombras entre os homens.

A jovem professora Maya Larkin (Winona Ryder) faz parte de um grupo de religiosos católicos, liderados pelo padre Lareaux (John Hurt), que acredita numa conspiração milenar para evocar Satã no corpo de um homem, assim como Deus historicamente assumiu a forma humana através de Jesus Cristo. O homem escolhido é Peter Kelson (Ben Chaplin), um escritor de livros sobre assassinos assombrosos como sua última obra, “Pensamento Mórbido” (Vicious Intent), onde ele prega que a motivação para matar não tem relações com influências demoníacas. Uma vez não sendo batizado, desprovido de fé e nascido através de uma relação incestuosa, e desconhecendo a verdade de seu passado, Kelson estaria sendo preparado por uma conspiração satânica envolvendo pessoas próximas como sua namorada Claire Van Owen (Sarah Wynter) e seu suposto tio Padre James (Philip Baker Hall), para que em seu aniversário de 33 anos, Satã pudesse assumir a forma humana.
Maya já teve problemas de possessão demoníaca no passado, e participa de um ritual de exorcismo junto com os padres Lareaux e John Townsend (Elias Koteas), tentando livrar o tormento mental de um assassino preso num hospital psiquiátrico, o professor de matemática Henry Birdson (John Diehl), que aleatoriamente matou a família. Com o resultado desastroso do exorcismo, na manifestação das vozes de uma legião de demônios que quase levou o padre Lareaux à morte, Maya encontra algumas anotações do assassino em sua cela e tenta decifrar uma misteriosa codificação de números, que revelou o nome da pessoa que se tornaria Satã.
Uma vez sabendo da conspiração, Maya tenta convencer Peter Kelson de seu destino trágico, num torturante processo de investigação dos fatos, enfrentando juntos uma série de obstáculos, como alucinações macabras, pessoas possuídas por espíritos malignos, grupos da satanistas, num confronto decisivo entre o Bem e o Mal, numa corrida contra o tempo para definir o futuro da humanidade.

“Dominação” lembra filmes similares como principalmente os clássicos “O Exorcista”, de William Friedkin, nas cenas de exorcismo, porém bem menos intensas, e “O Bebê de Rosemary” (68), de Roman Polanski, devido à trama de conspiração maligna e o suspense psicológico através da investigação do protagonista sobre seu destino já pré-estabelecido.
Uma cena de destaque certamente é quando o candidato a incorporar Satã, Peter Kelson, numa fase de perturbação e desorientação pessoal ao tentar entender o que estava acontecendo com ele e a conspiração ao seu redor preparando-o para receber o anticristo, vai até uma igreja e se vê diante de uma grande imagem de Jesus Cristo crucificado. Repentinamente, Cristo se solta da parte superior pregada da cruz e gira violentamente até ficar de cabeça para baixo, numa alusão ao poder do mal supremo prevalecendo naquele momento conturbado.
O filme tem algumas sequências interessantes durante a investigação de Peter Kelson sobre seu passado, descobrindo aos poucos uma série de eventos relacionados entre si; como o enorme pentagrama desenhado sob sua cama; ou o fato de não poder ouvir a gravação do exorcismo do assassino Birdson, uma confusão de vozes infernais que incitaram sua vizinha, uma velha ranzinza, ao suicídio; ou os pesadelos envolvendo a palavra XES, que significa o número diabólico 666 conforme a numeração grega; ou ainda a verdade sobre a morte de seus pais e a interferência na sua criação, de misterioso tio, o padre James.
Porém, “Dominação” também apresenta todos aqueles clichês que o transformam apenas em mais um filme comum sobre o diabo tentando se infiltrar entre os homens. E o final previsível poderia fugir um pouco do trivial e do politicamente correto, aproveitando a oportunidade para surpreender o espectador com um desfecho mais trágico.

Como na maioria dos casos dos filmes que chegam ao Brasil, novamente os responsáveis pela escolha do nome nacional erraram de forma grotesca uma tarefa fácil. Bastava traduzir o original “Lost Souls” para “Almas Pedidas” em vez de inventar um outro título como “Dominação”.
Curiosamente, a atriz Meg Ryan, de “Viagem Insólita” (87) e “Cidade dos Anjos” (99), entre muitos outros filmes interessantes, é uma das produtoras de “Dominação”. Aliás, o filme é o único até agora dirigido pelo polonês Janusz Kaminski, que é mais conhecido como fotógrafo de algumas produções de Steven Spielberg como o drama de guerra “O Resgate do Soldado Ryan” (98), e as divertidas histórias de ficção científica “A. I. – Inteligência Artificial” (2001) e “Minority Report – A Nova Lei” (2002).
O elenco é formado por atores experientes e conhecidos como o casal de protagonistas principais, a bela Winona Ryder e Ben Chaplin, além de Elias Koteas e o veterano John Hurt, entre outros. Winona Ryder nasceu em 1971 e participou de “Os Fantasmas Se Divertem” (88) e “Edward Mãos de Tesoura” (90), sob a direção de Tim Burton, além de “Drácula de Bram Stoker” (92), “Alien - A Ressurreição” (97), “Garota Interrompida” (99) e “Simone” (2002). O inglês Ben Chaplin é de 1970 e foi um soldado no excelente drama da Segunda Guerra Mundial “Além da Linha Vermelha” (98), além de atuar ao lado de Sandra Bullock no suspense policial “Cálculo Mortal” (2002). Elias Koteas nasceu no Canadá em 1961 e atuou em vários filmes de horror e FC como “Os Anjos Rebeldes” (95), “Crash – Estranhos Prazeres” (96), “Gattaca – A Experiência Genética” (97), “Os Possuídos” e “O Aprendiz” (ambos de 98). Já o experiente ator inglês John Hurt, nascido em 1940 e com mais de 100 trabalhos em sua carreira, participou de muitos filmes do cinema fantástico como “O Carniçal / O Ente Diabólico” (75), ao lado de Peter Cushing, o clássico moderno “Alien, O Oitavo Passageiro” (79), “O Homem Elefante” (80), “Frankenstein – O Terror das Trevas” (90), dirigido por Roger Corman, “Contato” (97), e está no elenco de “Hellboy” (com previsão de lançamento em 2004), mais uma produção do cinema adaptando um personagem famoso dos quadrinhos.

“Eles tiveram os seus 2.000 anos. Agora é a nossa vez. A hora da transformação está próxima.”

“Dominação” (Lost Souls, 2000) # 222 – data: 08/02/04 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 20/01/06)

Dominação (Lost Souls, Estados Unidos, 2000). Castle Rock Entertainment / New Line. Duração: 97 minutos. Direção de Janusz Kaminski. Roteiro de Pierce Gardner, baseado em história de Pierce Gardner e Betsy Stahl. Produção de Meg Ryan e Nina R. Sadowsky. Música de Jan A. P. Kaczmarek. Fotografia de Mauro Fiore. Edição de Anne Goursaud e Andrew Mondshein. Desenho de Produção de Garreth Stover. Direção de Arte de Chris Cornwell. Elenco: Winona Ryder (Maya Larkin), Ben Chaplin (Peter Kelson), Sarah Wynter (Claire Van Owen), Philip Baker Hall (Padre James), Elias Koteas (Padre John Townsend), John Hurt (Padre Lareaux), Brian Reddy (Padre Frank Paige), John Beasley (Mike Smythe), John Diehl (Henry Birdson), Brad Greenquist (George Viznik), W. Earl Brown, Leslie Stefanson, Victor Slezak, Ashley Edner, Paul Kleiman, Bob Clendenin, Oliver Clark, Michael Mantell.

Dançando Com o Mal (Witchcraft V – Dance With the Devil, EUA, 1993)

“Desta vez o demônio quer mais do que simplesmente a sua alma”

Após assistir uma hora e meia do filme “Dançando Com o Mal” (Witchcraft V: Dance With the Devil, 1993) e ler a tagline promocional reproduzida acima, numa notória falta de originalidade, podemos realmente dizer e concordar que o demônio quer mais do que a nossa alma. Ele principalmente quer a nossa paciência para conseguir assistir um filme tão ruim e descartável como esse, que curiosamente faz parte de uma série totalmente desconhecida com o manjado nome de “Witchcraft”, e que por incrível que possa parecer tem doze filmes já produzidos.

A história é tão ridícula que não vale a pena registar mais do que algumas linhas com a sinopse. Um discípulo satânico chamado Cain (David Huffman, em seu único filme na vida) está na Terra com o objetivo de coletar almas para o inferno em quantidade suficiente para trazer seu mestre Satã entre os homens através de um ritual de magia negra. Para isso, ele conta com a ajuda de uma loira gostosa, Marta (Nicole Sassaman), que antes de se juntar aos seguidores do demônio costumava seduzir clientes levando-os a um motel para roubá-los. Além da moça, que continua usando sua beleza para seduzir as vítimas, Cain é auxiliado por um jovem advogado, William (Marklen Kennedy), que uma vez hipnotizado num show de magia num clube noturno, passa a ser um forçado mensageiro do diabo, matando e capturando almas para Cain realizar o ritual satânico. Enquanto pessoas são assassinadas, a namorada de William, Keli (Carolyn Taye-Loren, que conseguiu a “proeza” de fazer uma pequena ponta em “Scanner Cop”, 94) e o Reverendo Meredith (Lenny Rose), que foi possuído por um antigo espírito conhecido por Softra, rival de Cain, tentam ajudar William a se libertar do mal e combater o objetivo de invocar Satã na Terra.

O filme é ruim demais, os atores são inexpressivos e amadores, a produção é paupérrima, o roteiro é horrível de tão sem graça, com uma infinidade de furos e clichês que não funcionam em nenhum momento. A trilha sonora é de filme pornô, onde inclusive os realizadores procuram se apoiar, apelando para a exibição de cenas de sexo e mulheres peladas peitudas. Aliás, a única coisa que se salva são as atrizes gostosas (mas péssimas em interpretação), com seus seios fartos à mostra como é o caso de Marta, Keli, e da secretária do Rev. Meredith (cujo personagem nem tem nome e o papel é feito por Kimberly Bolin). Na verdade, tem mais um pequeno ponto positivo, que é a frase dita por Cain ao tentar convencer William em se tornar um discípulo de Satã: “É o ódio que move o mundo. Ódio e medo”. Independente de qual foi a idéia dos roteiristas com a citação dessa frase, seu conteúdo tem uma certa similaridade com a realidade de nosso mundo, principalmente quando vem à mente a violência das guerras irracionais travadas ao redor do planeta.
Porém, isso não é o suficiente para deixarmos de classificar “Dançando Com o Mal” (que nome óbvio e sem criatividade...) como um péssimo exemplo de cinema de horror. Não tem uma história no mínimo decente. Não tem ação nem mortes convincentes, nem suspense, nem clima de horror, nem porra nenhuma. Tem pouco sangue e violência, muito tédio e cenas mal filmadas como por exemplo uma sequência de exorcismo, quando uma praticamente de feitiçaria, Anastasia (Aysha Hauer), tenta livrar William da hipnose que o faz agir em nome do mal. A cena é tão ridícula e mal feita que acredito que qualquer grupo de amigos com uma câmera na mão é capaz de fazer melhor num vídeo independente. Sem contar o desfecho, com uma luta de espadas entre Cain e William, super previsível e tão patética que é difícil acreditar no que estamos vendo. O filme pode ser considerado um exemplar genuíno de cinema “trash”, ou seja, ruim sem ser proposital, pois os produtores estavam tentando fazer o melhor possível, mas por causa de pura incompetência o resultado final ficou um lixo. Mas, ao contrário de muitos outros filmes “trash”, esse dificilmente conseguirá garantir algum entretenimento para o espectador, com exceção da farta exibição dos peitos das mulheres peladas.

“Dançando Com o Mal” foi lançado em DVD no Brasil com distribuição nas bancas, num mesmo disco com o filme “A Lenda da Múmia” (The Legend of the Mummy, 1997), de Jeffrey Obrow e com Louis Gossett Jr., baseado em livro de Bram Stoker, e encartado na revista “DVD World Special” número 24 Ano II, da Editora D+T. O lançamento foi no final de Outubro de 2004, para aproveitar comercialmente a famosa comemoração do “Dia das Bruxas” (Halloween) em 31/10, festa popular nos Estados Unidos e que agora também veio para o Brasil, comprovando nossa incrível e lamentável submissão cultural em relação aos americanos. O DVD traz como material extra apenas uma biografia curta do ator Marklen Kennedy, que é tão desconhecido que não faz a menor diferença.
“Witchcraft” é mais uma daquelas séries de horror completamente obscuras e desconhecidas, sendo difícil de acreditar que se constitui numa franquia com tantos filmes produzidos. São no total doze, todos com subtítulos apelativos e óbvios demais, e dirigidos por gente que nunca ouvimos falar antes e provavelmente jamais iremos voltar a ouvir seus nomes: “Witchcraft” (1988), de Rob Spera, “Witchcraft II: The Temptress” (92), de Mark Woods, “Witchcraft III: The Kiss of Death” (91), de Rachel Feldman, “Witchcraft IV: The Virgin Heart” (92), de James Merendino, “Dançando Com o Mal” (Witchcraft V: Dance With the Devil, 93), de Talun Hsu, “Witchcraft VI: The Devil´s Mistress” (94), de Julie Davis, “A Hora do Terror” (Witchcraft VII: Judgment Hour, 95), de Michael Paul Girard, “Witchcraft VIII: Salem´s Ghost” (96), de Joseph John Barmettler, “Witchcraft IX: Bitter Flesh” (97), de Michael Paul Girard, “Witchcraft X: Mistress of the Craft” (98), de Elisar Cabrera, “Witchcraft XI: Sisters in Blood” (2000), de Ron Ford, e finalmente “Witchcraft XII: Lair of the Serpent” (2002), de Brad Sykes.

Para finalizar, fica um pequeno protesto: enquanto “bombas” como esse “Dançando Com o Mal” são lançadas em formato digital no Brasil, uma imensidão de filmes infinitamente superiores, de todas as épocas e sub-gêneros, estão ainda inéditos por aqui...

“Dançando Com o Mal” (Witchcraft V – Dance With the Devil, 1993) # 280 – data: 04/11/04 – avaliação: 1 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com.br
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(postado em 19/01/06)

Dançando Com o Mal (Witchcraft V – Dance With the Devil, Estados Unidos, 1993). Duração: 92 minutos. Direção de Talun Hsu. Roteiro de James Merendino e Steve Tymon. Produção de Michael Feifer e Drew Peloso. Fotografia de Denis Maloney. Música de Miriam Cutler. Edição de Tony Miller. Desenho de Produção de Helmut Dusek. Elenco: Marklen Kennedy (William), Carolyn Taye-Loren (Keli), Nicole Sassaman (Marta), David Huffman (Cain), Lenny Rose (Reverendo Meredith), Kimberly Bolin (Secretária), Aysha Hauer (Anastasia), Freddy Andreiuci, Ralph Sturges, Richard Skillman, Drew Peloso, Zane Paolo, Greg Grunberg, Jasmine O´Donnell, Laura Hodge-Huffman, Noble J. Lewis, John Mace, Tommy Paslay, Jay Taylor, Anastasia Alexander, Dennis Ziegal, Richard Rosales.

O Décimo Oitavo Anjo (The Eighteenth Angel, EUA, 1998)

“Perto do final de um milênio, Satã retornará e andará entre nós. Não como uma besta, mas como uma coisa bela.”
Livro dos mortos etrusco

Dentre as várias temáticas pertencentes ao cinema de horror, uma ideia que sempre foi muito explorada são as histórias envolvendo conspirações demoníacas com o objetivo de invocar Satã e preparar sua vinda à Terra entre os seres humanos. Um dos principais filmes abordando esse tema da tomada de poder pelo Anticristo é o clássico “A Profecia” (The Omen, 1976), dirigido por Richard Donner e baseado em livro de David Seltzer, fazendo parte na verdade de uma franquia com outros filmes, "Damien – A Profecia II" (Damien – Omen II, 1978) e "Conflito Final – A Última Profecia" (The Final Conflict, 1981), além ainda de um outro filme produzido diretamente para a televisão em 1991, mas com outros personagens, nitidamente feito com intenções comerciais.
E é novamente o escritor David Seltzer que retorna com uma história sobre conspiração satânica, fazendo parte da produção executiva e escrevendo o roteiro de “O Décimo Oitavo Anjo” (The Eighteenth Angel, 1998), filme que vez ou outra é exibido na televisão aberta pela Rede Globo. Com direção do desconhecido William Bindley, e estrelado pela bela Rachel Leigh Cook como uma jovem cobiçada para representar Lucifer entre os homens, e pelo veterano e experiente Maximilian Schell como um padre satanista encarregado de preparar a vinda do demônio na Terra, o filme é uma grata surpresa dentro de um tema já muito desgastado, principalmente pela história interessante e pela ousadia de um desfecho fora do convencional.

Livro de Isaías, Capítulo XIV – E disse Deus à Lucifer, o anjo pecador: “Lucifer, o filho das trevas, será lançado à Terra, banido de meu reino”. Ao que Lucifer respondeu: “Um dia eu subirei ao céu, um dia levantarei meu trono acima das estrelas de Deus, e um dia serei semelhante ao Altíssimo.”

Assim começa “O Décimo Oitavo Anjo”, com um discurso do padre Simeon (Maximilian Schell), dando início à apresentação de uma profecia demoníaca sobre um relógio astronômico construído há cinco séculos atrás em Roma, na Itália, que está em contagem regressiva para anunciar o retorno de Lucifer. Segundo escrituras da misteriosa cultura etrusca, alguns sinais na humanidade indicariam a proximidade da materialização de Satã entre os homens. Um desses sinais seria a ocorrência de experiências científicas de genética para a criação de seres humanos, através da obscura pesquisa de um geneticista, Dr. Bernadetti (Ted Rusoff), banido da comunidade científica por causa de seu trabalho com ratos mutantes, e recebido por uma igreja na Itália, liderada pelo padre Simeon, para continuar sua pesquisa. Pela profecia, como Deus criou o Homem à sua imagem, Satã não poderia nascer do Homem, precisando da ciência para a criação de seres humanos perfeitos permitindo o seu retorno à Terra. E após os satanistas selecionarem dezoito anjos (ou seja, belas crianças e adolescentes escolhidos por sua incrível beleza facial), um deles será definido para fazer o trabalho de Lucifer na humanidade, sendo possuído por ele.
Paralelamente, uma jornalista estudiosa da civilização etrusca, Norah Stanton (Wendy Crewson), entra em contato com o padre Simeon em Boston, EUA, para fazer uma entrevista. Nesse momento, o misterioso padre conhece também a bela filha de sua entrevistadora, Lucy (Rachel Leigh Cook, de “Ameaça Virtual”), que possui um rosto angelical e sonha em ser modelo fotográfico, mesmo contra a vontade da mãe e do pai, Hugh (Christopher McDonald). A beleza impressionante de Lucy desperta a atenção do padre Simeon e logo ele aciona uma conspiração para utilizá-la em seus propósitos obscuros.
Tudo começa com a morte misteriosa da mãe da garota, ao se jogar do alto de um prédio e encontrar a morte no teto de um trator. A partir daí, Lucy e seu pai tentam conviver com a ausência de Norah, e recebem um convite bem oportunista para viajarem à Itália, ela para participar de um curso de modelo fotográfico, e ele para fazer um trabalho de catalogação de documentos raros e antigos de uma igreja. Eles aceitam a oferta e se hospedam numa pousada no interior da Itália, um local rodeado de florestas e por uma misteriosa igreja no alto de uma colina, de aspecto sombrio e que fora pertencente aos etruscos, conhecida como “Igreja dos Dezoito Anjos”.
Enquanto isso, o relógio astronômico da profecia demoníaca apenas vai girando seus ponteiros pelos números que totalizam dezoito, reforçando ainda mais o alerta da tagline do filme: “O corvo voa. O relógio bate as horas. E o Diabo é esperado”
O Prof. Stanton e sua filha Lucy passam a entrar em contato com uma série de eventos estranhos, estando sozinhos no meio de uma conspiração satânica, tendo apenas ao seu favor a tentativa de ajuda do padrinho de Lucy nos Estados Unidos, Todd (Stanley Tucci, de “O Núcleo – Missão ao Centro da Terra”), um médico que também está sendo vigiado pelos conspiradores. E após a bela jovem sofrer um providencial acidente com cavalos, ela é levada ao mosteiro do padre Simeon para ser o décimo oitavo anjo e completar a profecia, com seu pai em seu encalço na busca desesperada de tentar salvá-la.

“O Décimo Oitavo Anjo” é mais um filme a aproveitar uma época marcada pela chegada de um novo milênio (o filme foi produzido em 1998), para explorar a especulação em torno de um tema apocalíptico, ou seja, a vinda de Satã para a Terra. Alguns outros filmes lançados em nossos cinemas e que também embarcaram em histórias similares foram “Fim dos Dias” (End of Days, 1999), com Arnold Schwarzenegger, “A Filha da Luz” (Bless the Child, 2000), com Kim Basinger, e “Dominação” (Lost Souls, 2000), com Winona Ryder.
Além de “A Profecia”, um dos ápices do cinema de horror abordando conspirações satânicas, outro filme igualmente importante e sempre lembrado pelos fãs é o clássico “O Bebê de Rosemary” (Rosemary’s Baby, 1968), dirigido por Roman Polanski, e que também teve a ousadia de mostrar um final fora daqueles padrões previsíveis.
Uma cena de destaque em “O Décimo Oitavo Anjo” certamente é aquela em que uma mulher, Maria Elena (Enrica Maria Modugno), cujo filho pequeno também foi raptado como um dos dezoito anjos escolhidos, é atacada violentamente por uma legião de ferozes gatos pretos. Outro detalhe interessante é a igreja etrusca no alto da colina, a qual lembra aquelas obscuras construções de pedra em estilo gótico, que escondem em seu interior uma história macabra de profanação e mistério.
Curiosamente, numa homenagem muito bem vinda, o Prof. Stanton mostra uma pequena balada aos seus alunos, ao tocar num piano rapidamente a memorável música tema da nostálgica série de TV “Além da Imaginação” (The Twilight Zone, 1959/1964), criada por Rod Serling. O elenco tem a presença marcante de Maximilian Schell como um líder satânico. Austríaco nascido em Viena em 1930, seu currículo tem mais de 100 filmes, e entre eles, dentro do gênero fantástico, destacam-se “O Buraco Negro” (1979), “O Fantasma da Ópera” (1983) e “Vampiros” (1998), de John Carpenter. O nome do filme é “O Décimo Oitavo Anjo” e o número dezoito não foi escolhido aleatoriamente, basta reparar que ele é obtido da somatória de (6 + 6 + 6), que numa combinação chegamos ao apocalíptico número da besta “666”. O povo etrusco, citado no filme, é um dos mais antigos da história da humanidade, ocupando a região da Itália durante muitos séculos, até desaparecer por causa de guerras e com a ascensão do Império Romano. Porém, muitos de seus segredos ainda são um grande mistério, que aos poucos vão sendo revelados através de escavações arqueológicas.

“Irmãos, há milhares de anos que esperamos este momento e agora, segundo o calendário etrusco, o dia chegou. O dia dos dezoito anjos. Desde o início, Lucifer, o anjo expulso, queria um mundo perfeito, mas Deus criou um mundo imperfeito, um mundo cheio de ódio, guerras, sangue. Nunca houve uma época mais sangrenta da história do Cristianismo. É por isso que escolhemos Lucifer, o iluminado, como nosso Deus. A ciência do Homem criou possibilidades humanas para tornar este mundo melhor. Tudo o que precisamos é de beleza e inocência. E achamos ambas.” – padre Simeon

“O Décimo Oitavo Anjo” (The Eighteenth Angel, 1998) # 248 – data: 03/05/04 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 19/01/06)

“O Décimo Oitavo Anjo” (The Eighteenth Angel, Estados Unidos, 1998). Duração: 95 minutos. Direção de William Bindley. Roteiro de David Seltzer. Produção de Douglas Curtis e William Hart. Produção Executiva de Jim Burke e David Seltzer. Fotografia de Thomas E. Ackerman. Música de Jeff Eden Fair e Starr Parodi. Edição de William Hoy. Direção de Arte de Alessandro Alberti. Desenho de Produção de Stefano Maria Ortolani. Cenários de Bruno Cesari. Elenco: Christopher McDonald (Hugh Stanton), Rachel Leigh Cook (Lucy Stanton), Stanley Tucci (Todd Stanton), Wendy Crewson (Norah Stanton), Maximilian Schell (Padre Simeon), Ted Rusoff (Dr. Bernadetti), Enrica Maria Modugno (Maria Elena), Cosimo Fusco, Venantino Venantini, Federico Pacifici, John Crowther, Vanessa Crane, Linda Cerabolini, Orso Maria Guerrini, Linda Gucciardo, Fabrizio Vitale, Rossano Rubicondi, Barbara Berardi, Francesca De Sapio, Branislaw Tesanovic, Ennio Coltorti, Stefano Viali, Urbano Barberini, Leonardo Treviglio, Jim McMullan, Chris Myers.