“Nós veremos três forças do mal. Três
histórias, cada uma obra-prima de estranheza e terror.” – Boris Karloff (apresentador)
“Thriller”
(EUA), que recebeu o título “Impacto” no Brasil, é uma série para a
televisão produzida entre 1960 e 1962 com fotografia original em preto e
branco, e histórias com elementos macabros e sobrenaturais passando pelo suspense,
mistério e horror, apresentadas pelo lendário ator Boris Karloff (1867 / 1969),
nome eternamente associado ao gênero e famoso pelos incontáveis papéis de
“cientista louco” e o “Monstro de Frankenstein” nos filmes da “Universal”.
“Trio
For Terror” é o episódio 25 da primeira temporada, exibido pela primeira vez em
14/03/1961 na forma de uma antologia dividida em três contos curtos de
aproximadamente 15 minutos cada, com direção da atriz Ida Lupino (1918 / 1995),
e que está disponível no “Youtube” numa versão colorizada com a opção de
legendas automáticas em português.
Boris
Karloff apresenta as histórias num pub inglês. A primeira chama-se “The Extra
Passenger”, com roteiro de August Derleth. Simon (Richard Lupino, irmão da
diretora) é o herdeiro da fortuna de seu tio Julian (Terence de Marney). Não
podendo esperar e precisando de dinheiro rápido para manter o relacionamento com
a namorada interesseira Katie (Iris Bristol), ele decide colocar em prática um
plano maquiavélico para assassinar seu tio. Após o crime, ele viaja de trem e não
sabia que o velho era um feiticeiro com uma vingança preparada envolvendo seu
animal de estimação, um galo, como um indesejável “passageiro extra”.
A
seguir vem o conto “The Terrible Strange Bed”, escrito por Wilkie Collins. Um
jogador ganancioso, Collins (Robin Hughes), aproveita o bom momento de sorte
num cassino e mesmo bêbado ganha muito dinheiro na roleta, despertando a cobiça
de um veterano soldado hussardo (Reginald Owen), que prepara uma armadilha com
uma “cama estranha e terrível”.
A
última história é “The Mask of Medusa”, escrita por Nelson Bond, onde um
assassino de luvas pretas e estrangulador de mulheres, Shanner (Michael Pate),
está sendo procurado pelos policiais interpretados por Richard Peel e Noel
Drayton. Para escapar da perseguição pelas ruas escuras da cidade, ele se esconde
num pequeno e misterioso museu de cera, de propriedade do curador Kriss Milo
(John Abbott). Ele fica impressionado com as estátuas petrificadas
incrivelmente bem produzidas, descobrindo uma conexão macabra com assassinos
reais e a lenda da mitologia grega sobre “Medusa”, e o museu pode não ter sido
uma boa escolha de refúgio.
Como
os episódios são curtos, nem há tempo para uma narrativa mais arrastada ou
qualquer tipo de enrolação, algo comum na maioria dos filmes antigos bagaceiros
de horror e ficção científica onde a diversão sempre foram os monstros e
efeitos práticos toscos. Então as histórias são apresentadas rapidamente
contribuindo para o interesse pelos desfechos.
Os
primeiros dois contos são bem triviais com histórias de vingança sobrenatural e
ganância por dinheiro fácil e são esquecidos facilmente se perdendo no limbo. Porém,
o último tem uma atmosfera sinistra de um museu com estátuas macabras, lembrando
os bons episódios da nostálgica série “Além da Imaginação” (The Twilight Zone,
1959 / 1964), produzida no mesmo período e apresentada pelo também lendário escritor
Rod Serling, ou seja, produção de baixo orçamento, efeitos práticos simples,
elenco pequeno, poucos cenários e roteiros interessantes.
Curiosamente,
os atores Michael Pate (1920 / 2008) e John Abbott (1905 / 1996) são rostos facilmente
reconhecidos por uma infinidade de participações em filmes e séries para a TV.
(RR – 15/10/26)

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