Hellraiser - Renascido do Inferno (Hellraiser, Inglaterra, 1987)


Eu vi o futuro do Horror... E seu nome é Clive Barker” – Stephen King

Essa famosa e profética frase do consagrado escritor Stephen King é verdadeira e indicativa do que os apreciadores do gênero fantástico seriam brindados através do fascinante universo ficcional de horror criado pelo genial Clive Barker. Autor inglês nascido em 1952, ele escreveu uma série de coletâneas de contos intituladas “Livros de Sangue” (Books of Blood), lançados no Brasil pela Editora Civilização Brasileira. Sua literatura é recheada de situações de horror explícito aliadas a elementos de sexo e sadomasoquismo, apresentando todo tipo de monstros e criaturas malignas, não poupando sangue, violência e sadismo em suas histórias sobrenaturais.
Alguns de seus contos foram adaptados para o cinema e Clive Barker decidiu também se aventurar nessa mídia estreando em 1987 na direção de um filme que se tornaria um marco e referência do horror nos anos 1980, considerado hoje um clássico moderno do gênero, “Hellraiser – Renascido do Inferno” (Hellraiser). Produzido a partir de um roteiro do próprio Barker, baseado em seu conto “The Hellbound Heart”, o filme acabou dando origem a uma consagrada franquia com vários filmes posteriores e apresentou um personagem que tornou-se imortalizado na galeria de monstros do cinema: “Pinhead”, o líder cenobita “Cabeça de Prego”, interpretado em todos os filmes pelo ator Doug Bradley, num papel que lhe conferiu notoriedade. Pinhead juntou-se a um famoso time de personagens monstruosos e psicopatas assassinos do cinema moderno de horror, responsáveis por dezenas de filmes e por toda uma história do gênero, ao lado de Michael Myers (da saga “Halloween”), Jason Voorhees (“Sexta-Feira 13”), Freddy Krueger (“A Hora do Pesadelo”), Leatherface (“O Massacre da Serra Elétrica”), e Dr. Hannibal Lecter (“O Silêncio dos Inocentes”).

Em “Hellraiser”, um homem sem escrúpulos, Frank (Sean Chapman), comprou uma misteriosa caixa mágica e num ritual de magia negra ele descobriu uma forma de abri-la, permitindo dessa forma o contato entre o nosso mundo e uma dimensão paralela habitada por criaturas infernais chamadas cenobitas, que tinham como função capturar almas e proporcionar experiências fora da compreensão humana, através de horríveis torturas na carne, com o uso de correntes e ganchos pontudos, misturando dor e prazer. Liderados por “Pinhead” (Doug Bradley), o macabro grupo de cenobitas ainda era formado por outras três criaturas bizarras, uma mulher com a garganta dilacerada chamada “Female” (Grace Kirby) e dois homens, um com a boca sempre escancarada e esticada tendo os dentes batendo-se entre si numa ação constante e perturbadora, “Chatterer” (Nicholas Vince), e outro mais obeso com um óculos escuro cravado no rosto, “Butterball” (Simon Bamford). Seus corpos eram todos marcados por cortes profundos e enormes cicatrizes.
Uma vez entrando em contato com os cenobitas, Frank foi capturado e passou a conhecer níveis incalculáveis de dor, ficando com sua alma presa no piso do sótão da velha casa de sua mãe falecida, local onde ele havia realizado o ritual. Mais tarde, seu irmão Larry Cotton (Andrew Robinson, de “Brinquedo Assassino 3” e “Pumpkinhead, o Retorno”), mudou-se para a mesma casa, acompanhado da nova esposa Julia (Claire Higgins), que também havia sido amante de Frank. Sua filha Kirsty (Ashley Laurence, de “Warlock 3: O Fim da Inocência”) não o acompanhou, preferindo alugar um quarto em outra casa, devido a pequenas desavenças com a madrasta Julia. No momento da mudança, Larry sofreu um acidente ao transportar uma cama e rasgou sua mão em um prego, fazendo com que várias gotas de sangue caíssem sobre o piso do sótão e com isso permitissem o retorno de Frank ao nosso mundo, inicialmente como uma massa gosmenta de carne, ossos e músculos (interpretado por Oliver Smith). Seduzindo novamente a ainda apaixonada Julia, Frank conseguiu convencê-la a trazer outros homens até o sótão, atraindo-os com a falsa proposta de fazer sexo, e matando-os a golpes de martelo, para que Frank possa sugar-lhes o sangue e poder assim regenerar seu corpo novamente.
Porém, os cenobitas não sabiam da fuga de Frank de seus domínios e quando a jovem Kirsty descobriu o plano maquiavélico de Julia e Frank para trazê-lo de volta à vida, ela roubou a caixa mágica e abriu as portas dimensionais para o submundo da dor, sendo perseguida por uma enorme criatura deformada e entrando em contato com os temíveis cenobitas. O próprio Pinhead se encarregou de fazer sua apresentação para a desesperada moça: “Nós somos os exploradores das regiões profundas da experiência. Demônios para alguns. Anjos para outros.” Kirsty então revelou a fuga de Frank para as macabras criaturas em troca de sua saída do inferno. Entretanto, ajudada por seu namorado Steve (Robert Hines), a jovem ainda teria que lutar muito por sua vida e para escapar da fúria sangrenta dos cenobitas.
"Hellraiser – Renascido do Inferno" tornou-se uma franquia de sucesso com a comercialização de bonecos, revistas em quadrinhos e todo tipo de material relacionado à série, além principalmente da produção, direto para o mercado de vídeo, de outras sete continuações até o momento. “Hellraiser – Renascido do Inferno II” (Hellbound – Hellraiser II, 88), dirigido por Tony Randel; “Hellraiser III – Inferno na Terra” (Hellraiser III – Hell on Earth, 92), de Anthony Hickox; “Hellraiser IV – A Herança Maldita” (Hellraiser – Bloodline, 96), de Alan Smithee, numa história com elementos de ficção científica, ambientada no futuro numa estação espacial; “Hellraiser V – Inferno” (2000), de Scott Derrickson; e os últimos três com direção de Rick Bota, “Hellraiser VI – Caçador do Inferno” (Hellraiser: Hellseeker”, 2002), “Hellraiser VII – O Retorno dos Mortos” (Hellraiser: Deader) e “Hellraiser VIII – O Mundo do Inferno” (Hellraiser: Hellworld), ambos de 2005, sendo este último aproveitando a moda em explorar o tema da internet. Todas as sequências foram estreladas por Doug Bradley como o líder dos cenobitas “Pinhead” e suas histórias foram inevitavelmente cada vez mais inferiores ao original. (Nota do Autor: em 2011 foi lançado o nono filme da franquia, com o nome de “Hellraiser: Revelations”, sem Doug Bradley, ficando o papel de “Pinhead” para Stephan Smith Collins).
Os primeiros quatro filmes da saga dos cenobitas no cinema foram lançados em DVD no Brasil com preço popular e distribuição em bancas de jornais. “Hellraiser – Renascido do Inferno” saiu encartado na Revista DVD News, os dois filmes seguintes foram lançados em Outubro de 2004 como “Hellraiser 2 – Renascido do Inferno” e “Hellraiser 3 – Inferno na Terra”, numa mesma caixa de DVD, e trazendo como material extra apenas as sinopses curtas e breves biografias de alguns atores. Já o quarto filme da série, “Hellraiser – A Herança Maldita”, foi lançado em Dezembro de 2004 tendo como material extra somente uma breve sinopse e uma biografia simples do ator Doug Bradley.
Por curiosidade, eu criei uma frase para acompanhar o meu trabalho com publicações amadoras sobre todas as manifestações artísticas do horror (cinema, literatura, ficção, quadrinhos, etc.), os fanzines “Juvenatrix, Astaroth e Carnage”, que foi inspirada pelo universo ficcional de “Hellraiser”, onde criaturas infernais, os temíveis cenobitas, vivem ocultas em dimensões paralelas ao mundo que conhecemos, celebrando o mal eterno e confundindo dor, tortura, sofrimento e prazer em seus estados mais absolutos, profundos e definitivos. “A morte é apenas o começo... de uma eterna vida de dor”.

Cada corpo é um livro de sangue. Sempre que nos abrem, a impressão é vermelha.” – Clive Barker

“Hellraiser – Renascido do Inferno” (Hellraiser, 1987) – avaliação: 10 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 11/01/06)

Hellraiser – Renascido do Inferno (Hellraiser, Inglaterra, 1987). Duração: 93 minutos. Direção e roteiro de Clive Barker, baseado em seu conto “The Hellbound Heart”. Produção de Christopher Figg. Produção Executiva de David Saunders, Christopher Webster e Mark Armstrong. Fotografia de Robin Vidgeon. Edição de Richard Marden. Efeitos Especiais de Bob Keen. Música de Christopher Young. Elenco: Andrew Robinson, Clare Higgins, Ashley Laurence, Sean Chapman, Robert Hines, Doug Bradley, Nicholas Vince, Simon Bamford, Grace Kirby, Oliver Smith, Antony Allen, Leon Davis, Michael Cassidy, Frank Baker, Kenneth Nelson, Gay Baynes, Niall Buggy, Dave Atkin, Olive Parker, Pamela Sholto, Sharon Bower, Raul Newney.


Montana - Terra Proibida (Montana, EUA, 1950)

Em Janeiro de 2006 foi lançado o número 5 da revista “West Side”, da “Works Editora”, distribuindo nas bancas mais um divertido filme antigo de western para a satisfação dos apreciadores do estilo e colecionadores de DVD´s. Trata-se de “Montana” (Montana, 1950), dirigido por Ray Enright, com o australiano Errol Flynn (1909 / 1959) liderando o elenco, e que já havia sido exibido na televisão brasileira como “Montana – Terra Proibida”. Como material extra, fomos presenteados com um episódio da nostálgica e imensa série de TV “Bonanza” (1959 / 1973), intitulado “O Grande Prêmio” (The Last Trophy), com a bela Hazel Court como atriz convidada. A revista traz textos abordando o filme em questão, além dos perfis do diretor Ray Enright e dos atores Errol Flynn e James Brown, além de uma listagem de filmes italianos de western lançados em DVD no Brasil.

O filme é ambientado em 1879 em Montana, uma terra proibida por causa dos constantes conflitos entre os poderosos criadores locais de gado e a ameaça provocada pela invasão indesejada de pastores de ovelhas. Segundo os ricos fazendeiros que dominam a região com seu gado, por onde as ovelhas passam o pasto torna-se impróprio para os bois, e por isso os criadores de ovelhas são sempre recebidos com violentas brigas e tiroteios, gerando confrontos com mortes para ambos os lados.
Porém, um criador australiano de ovelhas, Morgan Lane (Errol Flynn), está decidido a ocupar uma parte das belas e férteis terras de Montana, despertando a ira dos vaqueiros locais liderados pelo arrogante rancheiro Rod Ackroyd (Douglas Kennedy) e sua sócia e noiva Maria Singleton (a bela canadense Alexis Smith), por quem inevitavelmente o forasteiro acaba se apaixonando.

“Montana – Terra Proibida” é um filme curto (apenas 76 minutos), produzido pela “Warner” em 1950, com uma bela fotografia colorida das paisagens selvagens do interior dos Estados Unidos, a cargo de Karl Freund. O roteiro de James R. Webb, Borden Chase e Charles O´Neal, baseados em história de Ernest Haycox, é bem despretensioso e com toques de humor, principalmente através do vendedor ambulante escocês Poppa Schultz, interpretado pelo divertido S. Z. Sakall. O filme apresenta todos aqueles clichês característicos do gênero, destacando os papéis do herói e da mocinha e do final sempre previsível e satisfatório para o grande público, sem surpresas ou tentativas de desfechos mais ousados e diferentes do trivial. Porém, a história procura também abordar com seriedade os históricos e violentos conflitos que abalavam a paz nas terras de Montana por causa da disputa de espaço entre os fazendeiros de gado e os criadores de ovelhas. De uma forma geral, é um filme honesto em sua proposta de diversão leve, sendo lembrado principalmente pela participação do astro Errol Flynn, e que atinge seu objetivo sem comprometimento. Curiosamente, o ator James Brown faz um papel coadjuvante como Tex Coyne, sendo que ele é mais conhecido pela série de TV “As Aventuras de Rin Tin Tin” (1954 / 1959).

“Montana – Terra Proibida” (Montana, Estados Unidos, 1950) # 360 – data: 10/01/06 – avaliação: 6,5 (de 0 a 10)
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(postado em 11/01/06)

Hellbound: Hellraiser II (Inglaterra / EUA, 1988)



“Estou no inferno, ajude-me!”

Entre as várias franquias do cinema de horror que possuem uma enorme quantidade de filmes, “Hellraiser” é uma das principais, contando com nove produções até o momento (o último filme é “Hellraiser – Revelations”, 2010), e que pelo desgaste do tema, inevitavelmente vão perdendo a qualidade progressivamente. O filme original, “Hellraiser – Renascido do Inferno” (87) tem direção e roteiro de Clive Barker, baseado em seu conto “The Hellbound Heart” e é um dos mais importantes filmes de horror dos saudosos anos 80, apresentando-nos os misteriosos cenobitas, criaturas infernais habitantes de um universo paralelo onde é celebrada a dor e o sofrimento através de brutais torturas na carne. Os cenobitas são liderados por Pinhead e apenas aparecem quando ocorre uma comunicação entre o inferno e o mundo que conhecemos através da solução de um enigma para abrir uma caixa mágica, a “configuração dos lamentos”.
O sucesso comercial de “Hellraiser” impulsionou a criação de uma franquia, e apenas um ano depois foi lançada a continuação “Hellbound: Hellraiser II”, dessa vez com direção de Tony Randell e tendo Clive Barker apenas na produção. Bem mais sangrento que o anterior e tendo à disposição mais dinheiro para a criação dos efeitos especiais, agora os cenobitas aparecem mais tempo que o filme original, e quase toda a história é ambientada no inferno com a revelação de vários elementos para uma maior compreensão do universo ficcional de “Hellraiser”.
A história complementa os eventos ocorridos no primeiro filme, com Kirsty Cotton (Ashley Laurence) internada num hospital psiquiátrico, ainda atormentada pela experiência traumática com os cenobitas. O sanatório é dirigido pelo Dr. Philip Channard (Kenneth Cranham), que demonstra um interesse maior pela incrível história de Kirsty, cuja versão não é levada a sério pelo detetive da polícia Ronson (Angus McInnes). O assistente do Dr. Channard, Kyle MacRae (William Hope), acaba descobrindo que seu patrão é um estudioso da “configuração dos lamentos” e que tem como objetivo conhecer o mundo dos cenobitas ajudando Julia (Clare Higgins) a ressuscitar do inferno (visto no filme anterior), cedendo-lhe vítimas humanas para recuperar suas energias. Ele conta também com o auxílio de uma jovem adolescente internada na clínica, Tiffany (Imogen Boorman), que não falava por causa de um trauma envolvendo sua mãe, e que possuía um oportuno dom peculiar para a solução de enigmas com caixas e cubos.
O jovem Kyle decide então ajudar Kirsty a fugir do hospital e tentar resgatar do inferno seu pai que fora capturado pelos cenobitas, percorrendo um perturbador labirinto de corredores estreitos sob o domínio demoníaco de Leviathan. A partir daí, ela passa a enfrentar seus piores pesadelos, entre eles o traiçoeiro tio Frank (Sean Chapman), na forma de uma massa de carne sem pele, e os terríveis cenobitas comandados por Pinhead (Doug Bradley), que tem a cabeça coberta de pregos, além de Chatterer (Nicholas Vince), com seus dentes rangendo sem parar, Butterball (Simon Bamford), obeso e com um óculos cravado no rosto, e Female (Barbie Wilde), a única que também fala e que tem a garganta aberta, com todos eles apresentando cortes profundos no corpo e vestindo roupas de couro.
“Hellbound: Hellraiser II” possui duas diferenças significativas em relação ao filme original. Apresenta muito mais violência e cenas sangrentas, e é bem exagerado na fantasia de sua história, com a maior parte do roteiro sendo ambientada no inferno dos cenobitas. De uma forma geral, é um pouco inferior ao filme de Clive Barker, mas ainda assim bastante divertido, com algumas cenas bem perturbadoras, como a visita do Dr. Channard aos subterrâneos da clínica psiquiátrica, onde seus pacientes estão presos em celas individuais. Um deles em especial tem o insano hábito de mutilar o próprio corpo violentamente pensando estar sendo devorado vivo por vermes. Ou a sequência de transformação do próprio Dr. Channard num horrendo cenobita suspenso pela cabeça por um enorme tentáculo, apresentando uma infinidade de objetos cortantes em suas mãos, e que a toda hora faz comentários irônicos e trocadilhos médicos e cirúrgicos. Ou ainda a cena mostrando vários cadáveres decompostos pendurados por cordas no sótão da casa do Dr. Channard, os quais estavam apodrecendo lentamente em meio às moscas e vermes pestilentos depois de servirem de alimento para Julia recuperar a pele e forma física.
Tanto “Hellbound” quanto o terceiro filme da série, “Inferno na Terra” (92), foram lançados em DVD por aqui com um preço mais acessível em Outubro de 2004, recebendo os nomes “Hellraiser 2 – Renascido do Inferno” e “Hellraiser 3 – Inferno na Terra”. Ambos ocupando os dois lados de um mesmo disco, e trazendo como material extra apenas sinopses curtas e pequenas biografias de alguns dos atores. Aliás, em “Hellbound”, foi cometido um erro grotesco ao colocarem a foto da atriz Ashley Laurence na biografia de Clare Higgins.
Curiosamente, o ator inglês Doug Bradley encarnou o personagem Pinhead em oito filmes da franquia, ficando eternamente associado à imagem do principal cenobita de “Hellraiser”, num caso similar ao de Robert Englund, o homem por trás do psicopata assassino dos sonhos (ou pesadelos) Freddy Krueger na saga “A Hora do Pesadelo”. Já a cenobita Female foi a única das criaturas infernais que mudou de atriz, passando de Grace Kirby em “Hellraiser” para Barbie Wilde em “Hellbound”. E Ashley Laurence somente participou ativamente dos dois primeiros filmes da franquia, tendo depois pequenas e discretas aparições em “Hellraiser III – Inferno na Terra” e “Hellraiser VI – Hellseeker” (2002).

“Nós temos a eternidade para conhecer a sua carne”
– do sádico Pinhead para a desesperada Kirsty

“Hellbound: Hellraiser II” (1988) # 278 – data: 01/11/04 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 10/01/06)

Hellbound: Hellraiser II (Inglaterra / EUA, 1988). Duração: 97 minutos. Direção de Tony Randel. Roteiro de Peter Atkins, baseado em história de Clive Barker. Produção de Clive Barker, David Barron, Christopher Figg e Christopher Webster. Fotografia de Robin Vidgeon. Música de Christopher Young. Edição de Richard Marden. Direção de Arte de Andy Harris. Efeitos Especiais de Jesse E. Johnson, Bob Keen e Graham Longhurst. Elenco: Clare Higgins (Julia Cotton), Ashley Laurence (Kirsty Cotton), Kenneth Cranham (Dr. Philip Channard / Cenobita Channard), Imogen Boorman (Tiffany), Sean Chapman (Frank Cotton), William Hope (Kyle MacRae), Doug Bradley (Pinhead / Capitão Elliot Spencer), Barbie Wilde (Cenobita Female), Simon Bamford (Cenobita Butterball), Nicholas Vince (Cenobita Chatterer), Oliver Smith (Browning / Frank, sem pele), Angus MacInnes (Detetive Ronson), Deborah Joel (Julia, sem pele), James Tillitt (Oficial Cortez), Bradley Lavelle (Oficial Kucich).

Halloween III - A Noite das Bruxas (Halloween III – Season of the Witch, EUA, 1982)

O horror do Halloween continua na noite em que ninguém voltou para casa.

A franquia “Halloween”, criada em 1978 por John Carpenter, é uma das maiores da história do cinema de horror, contando com oito filmes, e o mais recente, “Ressurreição”, sendo produzido em 2002. Porém, um dos filmes da série não faz parte do universo ficcional que introduziu o psicopata mascarado Michael Myers para a galeria dos famosos e imortais vilões modernos do gênero. “Halloween III – A Noite das Bruxas” (Halloween III – Season of the Witch, 1982), de Tommy Lee Wallace, foi lançado pela mesma equipe que criou a franquia, porém apenas aproveitando o sucesso comercial do nome para contar uma história de horror completamente diferente da mitologia da série, com o único evento em comum sendo o fato de ser ambientada durante a época do tradicional “Dia das Bruxas” americano, no final de Outubro.
Mesmo sendo oficialmente um filme com a marca “Halloween” (ao contrário de uma infinidade de outros filmes que se apropriam indevidamente dos nomes de séries famosas para benefício próprio e interesses comerciais), esse terceiro episódio não traz nenhum dos personagens dos filmes anteriores, os quais eram a base da franquia, como a babá Laurie Strode (a scream queen Jamie Lee Curtis), o psiquiatra Dr. Sam Loomis (o veterano Donald Pleasence) e principalmente o psicopata Michael Myers (o dublê Dick Warlock, que voltou aqui, mas num outro papel menor). Esse fato acabou criando um sentimento incrível de rejeição por parte dos fãs, que certamente não era esperado pelos produtores, transformando o filme numa obra esquecida, abandonada, pouco comentada, muito criticada e relegada eternamente ao limbo dos filmes de horror.
Na verdade, “A Noite das Bruxas” é um filme injustiçado e não merece essa carga tão grande de desaprovação do público, pois apresenta uma história atrativa, que é independente do universo da série “Halloween”, mas que traz elementos interessantes de horror, com mortes violentas, se constituindo num bom exemplar do cinema do gênero produzido nos saudosos anos 1980. O único erro grave cometido por seus idealizadores foi certamente a utilização indevida do nome da famosa franquia, numa clara e oportunista atitude de marketing visando apenas o lucro que seria obtido. Talvez se o filme recebesse um nome alternativo desvinculado da série, seu destino poderia ser diferente, encontrando uma aceitação maior e um espaço garantido entre vários outros bons filmes produzidos no mesmo período.

O filme é ambientado no norte da California numa última semana de Outubro, antecedendo o tradicional “Halloween” (Dia das Bruxas), festa comemorada anualmente nos Estados Unidos, e com um enfoque voltado para um horror leve e sutil. O Dr. Daniel Challis (Tom Atkins) é um médico divorciado que enfrenta problemas com o alcoolismo e relacionamentos com sua ex-esposa Linda (Nancy Kyes), que reclama da falta de atenção aos seus dois filhos pequenos. Durante um plantão noturno no hospital, ele testemunha a chegada de um assustado velho ferido, Harry Grimbridge (Al Berry), que diz coisas estranhas e é assassinado no leito por um homem misterioso que se suicida com fogo logo em seguida. Intrigado com este acontecimento bizarro, o Dr. Challis recebe a visita da filha do velho assassinado, Ellie (a jovem e bela Stacey Nelkin), e juntos partem para uma investigação particular sobre o que aconteceu, culminando na chegada à pequena cidade de colonização irlandesa Santa Mira, local controlado por um poderoso e obscuro empresário, Conal Cochran (o irlandês Dan O´Herlihy), dono de uma fábrica de máscaras de Halloween, a “Silver Shamrock Corporation”.
Eles então entram em contato com algumas pessoas, entre elas o dono do hotel em que se hospedaram, Rafferty (Michael Currie), um igualmente visitante, o bem sucedido vendedor de máscaras em San Diego, Buddy Kupfer (Ralph Strait), e sua família, a esposa Betty (Jadeen Barbor) e o filho (Brad Schacter), uma outra forasteira cliente da fábrica de máscaras, Marge Guttman (Garn Stephens), e um bêbado falador, Starker (Jonathan Terry). A partir daí, uma série de mortes bem violentas começam a ocorrer numa provável ligação com a fábrica de Cochran e seus estranhos capangas de comportamentos suspeitos.
Após uma perigosa investigação, o Dr. Challis e Ellie se vêem obrigados a lutar por suas vidas numa sinistra trama diabólica onde o maquiavélico Cochran, através de sua fábrica de máscaras mortais de Halloween, planeja ressuscitar um antigo ritual de sacrifício envolvendo forças sobrenaturais de uma pedra roubada do santuário de “Stonehenge”, espalhando o terror em um sangrento infanticídio no “Dia das Bruxas”, ao implantar nas máscaras das crianças um pequeno dispositivo computadorizado com uma amostra da pedra mística.

"Halloween III" tem uma história interessante, com elementos de puro horror, magia negra, assassinatos brutais, a figura do tradicional vilão tipo “cientista louco”, e até ficção científica na introdução de avançados andróides como importantes coadjuvantes na trama. As cenas de mortes são bem planejadas e memoráveis com direito a olhos esmagados, cabeça decepada, rosto desfigurado, insetos e cobras saindo do crânio, cabeça perfurada com uma broca, e uma dose de violência que não fica atrás de vários filmes cultuados e produzidos na mesma época.
A música tema da propaganda das máscaras na televisão, aparece tantas vezes ao longo do filme, que acabamos gravando sua melodia na mente, e associando sua imagem a uma idéia de tragédia com um massacre de crianças cantando vestidas com as máscaras que lhe tirariam a vida violentamente (“Happy, Happy Halloween, Silver Shamrock”).
Os enormes computadores e painéis elétricos do laboratório central da fábrica de máscaras trazem lembranças dos antigos filmes de ficção científica dos anos 1950 e 60, com seus aparelhos repletos de luzes piscando para todos os lados.
Uma sequência em especial demonstra bem a insanidade e propósitos maléficos do vilão Cochran, como um verdadeiro e sinistro “cientista louco” planejando suas atrocidades, quando revela para o Dr. Challis suas intenções:

Era o início do ano em nossas terras celtas e esperávamos em nossas casas de madeira e barro. Não havia mais barreiras entre o real e o irreal. E os mortos estavam à espreita para sentar perto do fogo. Dia das Bruxas. O festival de Samhain. O último aconteceu há mais de 300 anos e as montanhas ficaram vermelhas com o sangue de animais e de crianças.

O desfecho de “Halloween III” foge do tradicional, e mesmo sendo um pouco previsível a história se conclui de forma satisfatória no ato desesperado do Dr. Challis em tentar avisar as autoridades sobre o desastre que estaria por vir.
Porém, uma falha bastante notável, e que curiosamente já havia acontecido também no filme anterior, dirigido por Rick Rosenthal em 1981, foi a ausência de movimentação no hospital, mesmo durante à noite, permitindo que um assassino transite tranquilamente por seus corredores, mate um paciente e saia sem maiores dificuldades.

Curiosamente, o ator Dick Warlock, que interpretou o psicopata Michael Myers nos dois primeiros filmes da saga, não precisando falar uma única palavra, voltou novamente em “Halloween III”, numa provável cortesia dos produtores, fazendo um papel similar, na pele de um assassino, além também de ser o coordenador dos dublês e atuar como um deles. E o diretor Tommy Lee Wallace, seguindo a interessante idéia já muito utilizada pelo cineasta Alfred Hitchcock em seus filmes, também faz uma rápida aparição não creditada, como um anunciante de comercial.
Outras curiosidades interessantes incluem um momento em que o Dr. Challis está num bar onde a televisão está ligada e exibindo um desenho animado. Ele pede para mudar de canal e aparece rapidamente uma cena do primeiro filme da saga, “Halloween – A Noite do Terror”, com a imagem de Michael Myers descendo uma escada, e com o filme sendo apresentado como um “clássico imortal” oferecido pela propaganda que vem logo em seguida, das máscaras de Halloween da obscura empresa “Silver Shamrock”. Em outra sequência, quando o mesmo médico está preso e amarrado numa sala sendo obrigado a usar uma das máscaras mortais, é induzido a ver uma televisão ligada onde rapidamente aparece outra cena de filme anterior, só que dessa vez com Jamie Lee Curtis.
Em Outubro de 2003, “Halloween III” foi lançado no Brasil em DVD, num disco duplo junto com “Halloween II”, pela revista “DVD Premium” ano 3 número 29, da “nbo Editora”, com distribuição em bancas e um preço popular. Só que infelizmente houveram muitas falhas, começando pelos paupérrimos extras. No terceiro filme da saga, os extras são apenas uma sinopse curta e muito mal feita, e pequenas filmografias dos atores Tom Atkins e Stacey Nelkin. O filme foi batizado de forma errada como “Halloween III – A Noite do Terror”, quando o correto é “A Noite das Bruxas” (conforme lançamento anterior no Brasil já com esse nome), sem contar que o subtítulo adotado dessa vez é justamente o mesmo do primeiro filme de John Carpenter, de 1978. Que confusão desnecessária... bastava fazerem uma pesquisa prévia para evitarem esses erros. Outro equívoco é chamar o assassino da saga de Mike Myers (não confundir com o ator comediante homônimo), tanto num artigo da revista como na sinopse da capa do DVD, sendo que nunca durante a franquia se referiram ao psicopata dessa forma mais íntima e sim como seu nome Michael Myers. E os erros não param por aí, e apenas para tentar impressionar os consumidores fãs do Horror, ambos os filmes estão anunciados na capa do DVD como “Dois clássicos do terror agora em um único DVD!”. Os filmes são muito bons e valem a aquisição pelos colecionadores, apesar de todos os erros cometidos pela editora, mas chamá-los de clássicos é exagerado e equivocado, numa falta de respeito com os fãs, os quais a editora pensa que está enganando. A quantidade de erros cometidos no caso de “Halloween II” não é menor, e para se ter uma idéia disso basta ver a capa do DVD anunciando o filme como sendo de John Carpenter, quando o diretor foi Rick Rosenthal, e a participação de Carpenter foi na autoria do roteiro e produção.

Tommy Lee Wallace fez sua estréia na direção com “Halloween III”, e sua participação no gênero ainda inclui os filmes “A Hora do Espanto 2” (1989) e “It – Uma Obra-Prima do Medo” (1990, baseado em obra de Stephen King), e mais recentemente com “Vampiros: Os Mortos” (2002), continuação do filme “Vampiros” (1998), de John Carpenter. E em 1982 ele foi o roteirista de “Amityville 2”.
O ator americano Tom Atkins nasceu em 1935 em Pittsburgh, Pennsylvania, e entre seus filmes destacam-se trabalhos em “A Bruma Assassina” (1980) e “Fuga de Nova York” (1981), ambos também de John Carpenter, “Terror nas Sombras” (1985), “Noite dos Arrepios” (1986), o policial “Máquina Mortífera” (1987) e “Maniac Cop” (1988). A partir do final dos anos 80, ele se dedicou mais em trabalhos voltados para a televisão, entre filmes e séries.

A feitiçaria entra na era da computação, e um terror diferente inicia

“Halloween III – A Noite das Bruxas” (Halloween III – Season of the Witch, 1982) – avaliação: 6,5 (de 0 a 10)
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(postado em 10/01/06)

Halloween III – A Noite das Bruxas (Halloween III – Season of the Witch, Estados Unidos, 1982). Duração: 96 minutos. Direção de Tommy Lee Wallace. Roteiro de Tommy Lee Wallace e Nigel Kneale (não creditado). Produção de John Carpenter e Debra Hill. Produção Executiva de Moustapha Akkad, Joseph Wolf e Irwin Yablans. Música de John Carpenter e Alan Howarth. Fotografia de Dean Cundey. Edição de Millie Moore. Elenco: Tom Atkins (Dr. Daniel Challis), Stacy Nelkin (Ellie Grimbridge), Dan O’Herlihy (Conal Cochran), Michael Currie (Rafferty), Ralph Strait (Buddy Kupfer), Jadeen Barbor (Betty Kupfer), Brad Schacter (Buddy Kupfer Jr.), Garn Stephens (Marge Guttman), Nancy Kyes (Linda Challis), Jonathan Terry (Starker), Al Berry (Harry Grimbridge), Wendy Wessberg (Teddy), Essex Smith (Walter Jones), Maidie Norman (Enfermeira Agnes), John MacBride (Xerife), Loyd Catlett (Charlie), Paddi Edwards, Morman Merrill, Patrick Pankhurst, Dick Warlock, Martin Cassidy, Michelle Walker, Joshua John Miller, Jeffrey D. Henry, Michael W. Green.

Halloween II (EUA, 1981)

Eles não puderam detê-lo... Agora ele está de volta... O pesadelo não acabou.

São poucos os filmes considerados como sequência que conseguiram manter a qualidade de seu original, e ainda mais, que continuaram realmente a história a partir do momento exato onde terminou o anterior. “Halloween II” (1981), de Rick Rosenthal, continuação do clássico de John Carpenter produzido em 1978 e que iniciou a sangrenta saga cinematográfica do psicopata Michael Myers, pode ser considerado um desses casos raros, e que juntamente com seu filme anterior formam uma interessante história de aproximadamente 3 horas de duração.
A franquia gerou vários outros filmes, sendo o último produzido em 2002, “Halloween: Ressurreição”, lançado um ano depois no Brasil, e coincidentemente também dirigido pelo próprio Rick Rosenthal. Porém, a história do assassino mascarado Michael Myers poderia ter sido concluída apenas com os dois primeiros filmes da longa série. Pois o terceiro, “A Noite das Bruxas” (1982), não tem nada relacionado ao universo ficcional da saga, tanto que Michael Myers nem faz parte da trama, e os outros filmes produzidos a partir de 1988, foram criados claramente por interesses comerciais através dos lucros das bilheterias, pois os produtores transformaram o psicopata num ser imortal e indestrutível, com roteiros óbvios, previsíveis e repletos de clichês desgastados.

Em “Halloween II”, a história inicia logo após o psiquiatra Dr. Sam Loomis (Donald Pleasence) salvar a babá Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) no filme anterior, ao disparar vários tiros de revólver no psicopata Michael Myers (Dick Warlock), que utiliza uma máscara de “bicho papão” (boogeyman) para ocultar seu rosto, e uma faca para matar suas vítimas. Porém, mesmo caindo baleado do alto da sacada de uma casa, Michael Myers consegue fugir, levando em seu currículo o assassinato de três jovens e sendo perseguido pela polícia da pequena cidade de Haddonfield, em Illinois.
Enquanto Laurie é levada ao hospital local, o Dr. Loomis se junta ao xerife Leigh Brackett (Charles Cyphers) e partem à procura do maníaco Michael Myers, que era seu paciente na distante cidade de Smith’s Grove por quinze longos anos, até conseguir escapar do hospital psiquiátrico em que estava internado, e iniciar sua vingança na cidade natal (conforme eventos relatados no filme original de 1978). É noite, e como o psicopata estava obcecado em matar Laurie, numa motivação que vem de um segredo revelado por Marion Chambers (Nancy Stephens), funcionária do manicômio de onde Myers fugiu, ele vai ao encontro da jovem no hospital de Haddonfield, e até encontrá-la, deixa um rastro enorme de vítimas que cruzam seu caminho, entre várias enfermeiras e até um experiente médico plantonista, Dr. Mixter (interpretado pelo veterano Ford Rainey).
Entre as cenas de mortes, destaca-se aquela em que uma bela enfermeira nua tem seu rosto completamente queimado em feridas pútridas e gosmentas ao ser violentamente mergulhado numa banheira com água fervendo utilizada para fisioterapia dos pacientes, isso após o assassino ter matado seu namorado momentos antes.
Após muita correria, perseguições, disparos de revólver, cortes brutais com faca, muito sangue e mortes violentas, finalmente Michael Myers se confronta num momento de extrema tensão com Laurie e o Dr. Loomis, numa sequência literalmente explosiva, fechando a história de forma satisfatória, e que deveria e poderia ser definitiva se os produtores não continuassem a saga do psicopata mascarado com vários outros filmes seguintes, com roteiros descartáveis e onde predominariam uma infinidade de situações absurdas e desnecessárias.

“Halloween II” tem bem mais mortes, violência e ação que seu filme anterior, o clássico de 1978 dirigido por John Carpenter, que é mais voltado para um suspense psicológico numa história conduzida num ritmo mais cadenciado. E nessa continuação ficou evidente a invulnerabilidade do maníaco Michael Myers, reforçando sua característica imortal e força descomunal que viriam a ser exaustivamente exploradas nos filmes seguintes, através da sua reação com desprezo aos inúmeros disparos de revólver que liquidariam um ser humano normal facilmente. No filme original essa característica não existia, aproximando o psicopata de um homem de força comum, diferenciado apenas nas atitudes violentas e na sede de vingança e fúria assassina.
A história se passa durante a noite com a escuridão reforçando ainda mais um clima sombrio de morte pairando sobre a pequena cidade de Haddonfield, com um perigoso assassino solto nas ruas e rasgando a carne de suas vítimas. Porém, é inevitável não notar uma falha grotesca no roteiro quanto ao hospital onde foi internada Laurie, e para onde Myers se dirigiu e aumentou significativamente o índice de mortandade local. Numa situação completamente inverossímil, o hospital estava durante todo o tempo escuro e vazio demais, facilitando as ações do psicopata, que aliás não teve que se preocupar nem com a polícia, sempre longe dali.
Uma curiosidade interessante em “Halloween II” foi a homenagem que John Carpenter e Rick Rosenthal fizeram ao também cineasta George A. Romero, quando o porteiro e guarda do hospital está com a televisão ligada para se distrair em seu turno noturno e justamente está sendo exibido o clássico absoluto do horror “A Noite dos Mortos-Vivos” (The Night of the Living Dead, 1968), primeiro filme da famosa trilogia de zumbis de Romero. Esse tipo de homenagem já havia sido feita antes no filme original de 1978, quando a babá Laurie está tomando conta de duas crianças, e a televisão exibia cenas de dois grandes clássicos da ficção científica, “O Monstro do Ártico” (The Thing, 1951), de Howard Hawks, e “Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956), de Fred McLeod Wilcox.
O ator inglês Donald Pleasence nasceu em 5 de outubro de 1919, e faleceu em 2 de fevereiro de 1995 na França, participando de aproximadamente 150 filmes de todos os gêneros, na maioria como coadjuvante. Porém, ficou marcado e é muito lembrado por suas participações em filmes de horror como “A Carne e o Diabo” (1959, ao lado de Peter Cushing), “Circo dos Horrores” (60), “Viagem Fantástica” (66), “THX 1138” (71), “Estranhas Mutações” (73), “Drácula” (79), “Fuga de New York” (81), “Drácula em Veneza” (86), “Príncipe das Sombras” (87) e “Enterrado Vivo” (89), entre outros.
A atriz americana Jamie Lee Curtis nasceu em 22 de novembro de 1958, sendo filha de artistas, o casal de atores Tony Curtis e Janet Leigh (atriz da famosa “cena do chuveiro” no clássico “Psicose”, 1960). Sua participação em filmes de horror e ficção científica é pequena mas ela sempre é lembrada principalmente por sua atuação nos dois primeiros filmes da série “Halloween” e mais recentemente por voltar em “Halloween H20” (1998) e “Halloween: Ressurreição” (2002). Em sua filmografia destacam-se também “Fog – A Bruma Assassina” (1980), “Fuga de New York” (1981) e “Vírus” (1999), no gênero fantástico, e “True Lies” (1995), um “blockbuster” de ação onde atuou ao lado de Arnold Schwarzenegger.

“Halloween II” (Halloween II, 1981) – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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(postado em 09/01/06)

Halloween II (Halloween II, Estados Unidos, 1981). Duração: 92 minutos. Direção de Rick Rosenthal. Roteiro e Produção de John Carpenter e Debra Hill. Produção Executiva de Moustapha Akkad. Música de John Carpenter e Alan Howarth. Fotografia de Dean Cundey. Elenco: Donald Pleasence (Dr. Sam Loomis), Jamie Lee Curtis (Laurie Strode), Charles Cyphers (Xerife Leigh Brackett), Lance Guest (Jimmy Lloyd), Dick Warlock (Michael Myers), Hunter von Leer (Deputado Gary Hunt), Nancy Stephens (Marion Chambers), Tawny Moyer (Enfermeira Jill Franco), Ana Alicia (Enfermeira Janet Marshall), Pamela Susan Shoop (Enfermeira Karen Bailey), Gloria Gifford (Enfermeira chefe Mrs. Alves), Ford Rainey (Dr. Mixter), Leo Rossi (Budd).

Expresso Para o Inferno (Runaway Train, EUA, 1985)

Duas temáticas muito interessantes exploradas pelo cinema se juntaram de forma complementar resultando num filme inesquecível e significativo dos anos 1980. “Expresso Para o Inferno” (Runaway Train, 1985), dirigido por Andrei Konchalovsky, é uma excepcional e marcante aventura envolvendo fuga de uma penitenciária com a tragédia de um trem desgovernado.
O cinema já apresentou vários filmes que mostravam em suas histórias fugas de prisões, como o divertido “Alcatraz: Fuga Impossível” (Escape from Alcatraz, 1979), dirigido por Don Siegel e com Clint Eastwood; e situações envolvendo trens fora de controle, como “O Trem Desgovernado” (Final Run, 1999). Mas a união dessas duas idéias combinadas resultou num filme perturbador cujo título nacional, surpreendentemente muito bem escolhido, reflete de forma definitiva seu significado: um “Expresso Para o Inferno”.

Com um elenco liderado pelo genial Jon Voight, a história fala de um lendário prisioneiro, Manny (Voight, numa maquiagem que lhe conferiu deformações e cicatrizes no rosto), um perigoso ladrão de bancos, que cumpre pena no presídio de segurança máxima “Stonehaven”, localizado no Alasca (EUA), com sua baixíssima temperatura e constantes tempestades de neve. Ele é notícia na televisão, pois estava enjaulado por três anos numa cela solitária devido a uma guerra particular com o diretor do presídio, Ranken (John P. Ryan), sendo inimigos de longa data. Uma vez ganhando um processo contra seus carcereiros, e anunciado pela televisão, ele é finalmente transferido para uma cela normal, com direito aos passeios pelo pátio e ver a luz do dia novamente.
Manny é considerado um ídolo e herói pelos outros detentos, devido ao fato dele ser um especialista em fugas e um criminoso famoso por sua coragem e valentia. E tão logo ele sai da solitária, já planeja uma forma de fugir, contando com a ajuda de um jovem lutador de boxe, Buck Logan (Eric Roberts, irmão da estrela Julia Roberts), que estava preso com a acusação de estupro de uma menor de idade, e era o responsável pela condução do carrinho que transporta as roupas sujas. Porém, Logan, um típico jovem idiota com pouca inteligência no cérebro e tendência para falar e cometer erros demais, insiste em fugir com Manny e ambos acabam escapando da prisão pelo sistema de esgoto. Uma vez do lado de fora, eles tem que enfrentar a gélida temperatura numa tortuosa caminhada até chegarem numa estação ferroviária. De forma aleatória, Manny escolhe um trem com quatro vagões para fugir do local.
O maquinista do trem escolhido acaba tendo um ataque cardíaco e morre caindo na estrada de ferro momentos após sua partida. Com um problema mecânico, os freios falham e o trem passa então a vagar sem condução em alta velocidade. A equipe da central de controle, liderada pelo superintendente da companhia de trens, Eddy MacDonald (Kenneth McMillan), e pelo engenheiro Barstow, responsável pelo projeto de segurança da ferrovia, tentam de todas as formas parar a máquina desgovernada e evitar algum acidente com outros veículos. Porém, uma manobra de desvio vagarosa de um trem de carga ocasionou um choque entre eles com sérias avarias, eliminando agora a possibilidade de controlar o trem desgovernado através dos computadores.
À bordo do trem fora de controle, está também uma funcionária da ferrovia, Sara (Rebecca DeMornay), que junta-se aos presidiários Manny e Logan na tentativa de salvarem suas vidas. Enquanto isso, o diretor Ranken inicia uma perseguição por helicóptero para recapturar seu detento fugitivo, e ele e Manny travam uma guerra particular em meio ao caos de um trem desgovernado rumo ao inferno.

O filme tem vários momentos antológicos, numa história eletrizante que é impossível de se esquecer. O personagem de Manny é o arquétipo do homem que não acredita em milagres, somente em si mesmo e nas suas atitudes e ações para definir o destino, utilizando-se de muita coragem para enfrentar todos os tipos de perigos que o cercam, e encarando a morte constantemente com valentia, sendo um criminoso idolatrado pelos companheiros de ofício por sua bravura exemplar. Porém, ele faz questão de tentar explicar para o jovem rebelde Logan que toda essa “grandeza” de personalidade é uma ilusão e que gostaria de ter uma vida diferente. Roubar, ser preso, fugir, voltar ao crime, voltar a ser preso, num ciclo vicioso sem perspectiva. Nada melhor do que o agressivo discurso do diretor Ranken definindo seus prisioneiros, para compreender a angústia de quem perdeu a liberdade: “Vocês são vagabundos escondidos aí e gritando no escuro! Ouçam qual é a posição de vocês! Primeiro vem Deus, depois o diretor do presídio. Depois vem meus guardas, depois os cães lá no canil. E por fim, vem vocês, restos da escória humana! Imprestáveis para si mesmos ou para o mundo!
Durante um momento de tensão no trem desgovernado, numa briga entre Manny e Logan, o roteiro baseado num texto do prestigiado cineasta Akira Kurosawa, nos reservou um diálogo entre Manny e a jovem Sara que sintetiza de forma totalmente definitiva, o conceito de irracionalidade da humanidade. Nossa espécie, em muitos momentos de sua constante evolução, consegue atingir níveis de bestialidade de dimensões incomensuráveis, através de guerras e atitudes de extrema barbaridade. Dentro de um dos vagões com destino ao inferno, Sara, desesperada por Manny estar agredindo violentamente o companheiro de fuga Logan, gritou para ele: “Você é um animal!”. E a resposta foi avassaladora: “Não!... Pior... sou um Humano!”.
Como curiosidade, temos uma cena em que o engenheiro Barstow, desanimado pela impossibilidade de controlar o trem desgovernado através de seus computadores, pergunta-se para que adianta tanta tecnologia se não consegue parar um trem. A tecnologia está a serviço da humanidade (para fazer guerras por exemplo), mas não é soberana e não consegue controlar plenamente o mundo e seus problemas. É interessante notar que a alta tecnologia existente nos equipamentos modernos no filme, é completamente obsoleta em comparação com os dias de hoje. No filme, podemos ver computadores antiquados e ultrapassados, num prova clara da velocidade do desenvolvimento tecnológico que está em curso atualmente. O filme não é velho, fazendo parte da recente década de 1980 do século passado, mas após quase vinte anos desde sua produção, podemos notar as enormes diferenças de modernidade entre os equipamentos.
O desfecho final é simplesmente um dos mais espetaculares da história, impossível de esquecer, figurando para sempre na memória dos apreciadores do cinema, num misto de clichê feliz (mas que pode ser totalmente aceitável, sendo explicado pela citação de William Shakespeare antes da exibição dos letreiros, e reproduzida a seguir) e principalmente perturbador, envolvendo a guerra particular sem vencedores entre Manny e Ranken.
E eu encerro este texto com as palavras de Manny, para refletir:
Ambos somos escória... Vencer... perder... Qual é a diferença?

Nenhuma fera é tão cruel que não conheça algum toque de piedade. Mas eu não conheço nenhuma, e portanto não sou uma fera” (No beast so fierce but knows some touch of pielty. But I know none, and therefore am no beast)
– Ricardo III (William Shakespeare)

“Expresso Para o Inferno” (Runaway Train, 1985) – avaliação: 9 (de 0 a 10)
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(postado em 06/01/06)

Expresso Para o Inferno (Runaway Train, Estados Unidos, 1985). Duração: 111 minutos. Em vídeo VHS pela América. Direção de Andrei Konchalovsky. Roteiro de Djorje Milicevic, Paul Zindel e Edward Bunker, baseado em roteiro de Akira Kurosawa. Produção de Menahem Golan e Yoram Globus. Fotografia de Alan Hume. Música de Trevor Jones. Elenco: Jon Voight, Eric Roberts, Rebecca DeMornay, John P. Ryan, T. K. Carter, Kyle T. Heffner, Kenneth McMillan, Stacey Pickren, Reid Cruikshanks.

Cujo (EUA, 1983)

Agora existe um novo nome para o terror

O popular escritor Stephen King, autor de dezenas de livros de sucesso de horror, também é um dos que mais possui histórias adaptadas para o cinema. Ainda no início dos anos 80, um de seus primeiros trabalhos literários transformado em filme foi “Cujo” (Cujo, 1983), a partir de seu livro homônimo escrito dois anos antes, com direção de Lewis Teague, veterano cineasta nascido em 1938 e responsável por filmes como “Alligator – O Jacaré Gigante (80) e “Olho de Gato” (85), este também baseado na obra do “mestre do horror moderno”.

Cujo é o nome de um imenso cão da raça São Bernardo, aquele conhecido por suas características de resgate e salvamento de pessoas em regiões ermas, e com a imagem associada ao fato de levar um pequeno barril no pescoço. O cachorro é o animal de estimação de um garoto chamado Brett Camber (Billy Jayne), que vive num sítio nas proximidades de uma pequena cidade do interior no norte dos Estados Unidos, em Castle Rock, no Estado do Maine (local onde se passa a maioria das histórias de King). O garoto mora com sua mãe, Charity (Kaiulani Lee), uma mulher infeliz no casamento com Joe (Ed Lauter), um mecânico de automóveis egoísta que só está preocupado com seus interesses pessoais, deixando a família para segundo plano.
Ao perseguir um coelho pelo mato, Cujo acaba entrando com a cabeça numa caverna infestada de morcegos doentes, onde um deles morde seu nariz e lhe transmite a terrível raiva. Aos poucos, o anteriormente dócil cachorro vai se transformando num monstro assassino, com os olhos vermelhos, babas e gosmas escorrendo pela boca, e com o pêlo todo sujo e manchado de sangue, num aspecto extremamente ameaçador.
Enquanto isso, a ação volta-se paralelamente para uma família comum formada pelo casal Vic Trenton (Daniel Hugh Kelly), um publicitário bem sucedido mas que está enfrentando uma crise no trabalho, e pela bela Donna (Dee Wallace Stone), uma esposa adúltera que está tendo um romance com um marceneiro que presta serviços para a família, Steve Kemp (Christopher Stone). Eles ainda tem um filho pequeno, Tad (Danny Pintauro), que insiste em dizer que seu armário oculta um monstro imaginário.
Após a ocorrência de uma série de eventos coincidentes, a mãe e seu filho acabam tornando-se prisioneiros em seu próprio carro do raivoso cachorro, ávido por sentir o sabor de suas carnes na boca gosmenta. Os proprietários do sítio estão fora de casa, com Charity Camber indo visitar sua irmã com o filho Brett, e com Joe indo gastar o dinheiro ganho numa loteria numa viagem para Boston com o amigo Gary Pervier (Mills Watson), onde na verdade eles foram brutalmente atacados por Cujo antes de viajarem. Já Vic Trenton descobre a traição de sua esposa e decide fazer uma viagem de negócios, e Donna aproveita a oportunidade para levar seu carro com problemas mecânicos para o sítio de Joe, na intenção de consertá-lo.
A partir daí, o cachorro doente e assassino passa a ameaçar violentamente Donna e seu filho Tad, obrigados a ficarem presos em seu próprio carro quebrado, isolados num sítio distante e sem ninguém para socorrê-los, tendo ainda o agravante do menino sofrer de crises respiratórias que colocam ainda mais sua vida em risco, além do imenso cão tornar-se cada vez mais insano e agressivo com o passar do tempo e principalmente em reação ao barulho dos gritos de suas vítimas desesperadas.

Enfatizando a tagline promocional do filme, reproduzida no início desse texto, realmente “Cujo” faz por merecer seu nome associado ao terror, pois todas as cenas envolvendo sua participação como um cão assassino enlouquecido são de tirar o fôlego e causar pesadelos. Basta imaginar a terrível transformação de um animal de estimação inicialmente manso para uma criatura enraivecida e descontrolada, avançando mortalmente com os dentes afiados contra o pescoço de seus donos e todos que o cercam, passando de “o melhor amigo do Homem” para seu maior carrasco.
A longa sequência de claustrofobia em que uma mãe e seu filho estão presos dentro do próprio carro com pane mecânica, isolados e sem ter como fugir, sendo ferozmente vigiados o tempo inteiro e atacados por um cão que quer matá-los, é o grande destaque do filme, reservando ótimos momentos de tensão e suspense (aqueles em que o cão choca-se violentamente contra a porta do carro, na tentativa insana de entrar em seu interior, e arrebentando sua própria cabeça contra a superfície sólida do veículo são especialmente perturbadores).
As cenas de mortes são poucas, mas carregadas de intensa violência de um animal enfurecido rasgando a carne de suas vítimas. Com seu pêlo todo ensanguentado e sujo de lama, e sua boca expelindo fluídos gosmentos, sua aparência assustadora contribui significativamente para associá-lo à figura de uma monstruosa fera assassina.

“Cujo” foi lançado no mercado brasileiro de DVD no início de 2004, distribuído em bancas com preço popular, encartado na revista “DVD Collection” ano 2, número 15, da Editora “Van Blad”. O disco traz apenas o filme em formato de tela “Fullscreen” e legendas em português, sem nenhum material extra.
Seguem algumas curiosidades. Numa cena podemos ver o desenho animado “Scooby-Doo”, criado em 1969 pela dupla William Hanna e Joseph Barbera, sendo exibido na televisão para a audiência do garoto Tad. Outra curiosidade é que o filme teve locações nas cidades de Mendocino, Petaluma e Santa Rosa, no Estado da California, conforme informa os créditos de agradecimento dos produtores nos letreiros finais. A atriz Dee Wallace Stone, protagonista principal de “Cujo”, nasceu em 1949 e foi casada com Christopher Stone (que coincidentemente fez o papel de seu amante Steve no filme). Ela foi creditada sem o sobrenome Stone, e seu marido morreu em 1995, vítima de um ataque cardíaco. Sua filmografia é bastante significativa dentro do gênero fantástico, tendo atuado em filmes como “Quadrilha de Sádicos” (77), “Grito de Horror” (81), “E.T. – O Extraterrestre” (82), “A Hora das Criaturas” (86), “Popcorn” (91) e “Os Espíritos” (96). Já o veterano ator Ed Lauter, nascido em 1940, tem quase 120 filmes em seu currículo, e entre eles, “Tropas Estelares 2” (2004), continuação do sucesso do cinema em 1997 e lançado em DVD no Brasil, onde faz o papel de um general.

“Cujo” (Cujo, 1983) # 265 – data: 11/07/04 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 06/01/06)

“Cujo” (Cujo, Estados Unidos, 1983). Duração: 91 minutos. Direção de Lewis Teague. Roteiro de Don Carlos Dunaway e Lauren Currier, a partir de história homônima de Stephen King. Produção de Daniel H. Blatt e Robert Singer. Fotografia de Jan de Bont. Música de Charles Bernstein. Edição de Neil Travis. Desenho de Produção de Guy J. Comtois. Efeitos Especiais de Rick Josephsen. Efeitos Visuais de Peter Knowlton. Elenco: Dee Wallace Stone (Donna Trenton), Danny Pintauro (Tad Trenton), Daniel Hugh Kelly (Vic Trenton), Christopher Stone (Steve Kemp), Ed Lauter (Joe Camber), Kaiulani Lee (Charity Camber), Billy Jayne (Brett Camber), Mills Watson (Gary Pervier), Sandy Ward, Arthur Rosenberg, Jerry Hardin, Merritt Olsen, Terry Donovan Smith, Robert Elross, Robert Behling, Clare Nono, Daniel N. Blatt.