Oldboy (Coreia do Sul, 2003)

“Ria… e o mundo rirá com você. Chore... e chorará sozinho.” - Dae-su Oh

Para a satisfação dos fãs do Horror, o cinema oriental do gênero foi finalmente reconhecido pelo resto do mundo e agora temos diversas produções japonesas, coreanas ou tailandesas chegando ao Brasil, sendo que até alguns destes filmes são exibidos nos cinemas, como “Visões” (The Eye 2) e “Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado” (Shutter), distribuídos pela “PlayArte”, e outros vão diretamente para o mercado de vídeo. O coreano “Oldboy” (2003), escrito e dirigido por Chan-wook Park, foi exibido nas telas grandes por aqui em Maio de 2005, e lançado em DVD e VHS pela “Europa” na segunda quinzena de Outubro.

Um homem, Dae-su Oh (Min-sik Choi), é preso por bebedeira e depois de solto da cadeia com a ajuda do amigo No Joo-hwan (Dae-han Ji), é misteriosamente seqüestrado numa cabine telefônica quando tentava falar com sua filha pequena. Ele é então mantido prisioneiro num quarto por quinze longos anos, sem ter a mínima idéia do motivo. Ele é alimentado normalmente e tem apenas uma televisão como diversão, de onde descobre num noticiário policial que sua esposa foi encontrada morta e que o principal suspeito era ele, através de provas plantadas para incriminá-lo. Ele também fica sem saber o destino de sua filha de três anos.
Durante todos os anos de cárcere forçado, o homem passa o tempo fazendo condicionamento físico e treinando movimentos de luta marcial golpeando uma parede, e por causa do isolamento, sofre com alucinações envolvendo formigas. Seu maior desejo, alimentado por anos de ódio, é sair da prisão, descobrir o motivo do cárcere e se vingar violentamente do responsável. Mas, para sua surpresa, após quinze anos, ele é solto dentro de uma mala no alto de um prédio no mesmo lugar onde no passado estava a cabine telefônica, recebendo dinheiro, um telefone celular e roupas novas.
A partir daí, começa sua trajetória em busca de informação para poder cumprir seu desejo de vingança, onde surge em seu caminho uma bela cozinheira de restaurante, a jovem Mi-do (Hye-jeong Kang), que o ajuda na jornada e com quem inevitavelmente se apaixona, além de outros personagens sinistros e fundamentais para o entendimento de todos os eventos do passado de sua vida (incluindo antigos colegas de colégio, conhecidos como “Evergreen Old Boys”), como um homem poderoso chamado Woo-jin Lee (Ji-tae Yu).

“Seja grão de areia, seja pedra. Ambos afundam na água.” - Woo-jin Lee

Eu estava bastante curioso em conhecer “Oldboy”, pois o filme estava sendo muito elogiado e não tive a oportunidade de ver nos cinemas. Portanto, minha expectativa seria o lançamento em DVD, e somente consegui ver o filme no final de Janeiro de 2006, numa cópia de serviço da “Europa”, dublada em francês e com legendas em português. E realmente sou obrigado a concordar com todos os comentários positivos sobre esse filme, que foi um dos principais lançamentos do cinema de horror no Brasil em 2005.
“Oldboy” é o filme intermediário de uma trilogia sobre vingança, precedido em 2002 por “Boksuneun naui geot” (Sympathy for Mr. Vengeance), e sucedido em 2005 por “Chinjeolhan geumjassi” (Sympathy for Lady Vengeance). E tem o roteiro baseado num mangá homônimo japonês criado por Minegishi Nobuaki e Tsuchiya Garon.
O filme do meio, apesar da história básica de vingança, possui revelações crescentes e reviravoltas que mantém a atenção e interesse todo o tempo em suas duas horas de duração. Normalmente estamos acostumados a ouvir a frase “A vingança é um prato que se come frio”, referindo-se ao fato de que não há pressa para se consumar uma vingança, pois ela pode tardar, mas uma hora chega, e a paciência nesses casos é um grande segredo para o sucesso do objetivo. Porém, no caso de “Oldboy”, e como diz uma campanha de marketing do filme, “A vingança é um prato que se come quente, muito quente”, pois após ser libertado de sua prisão particular o protagonista tornou-se obcecado em obter sua vingança o mais rápido possível, além também de tentar descobrir o motivo do cárcere. Sem contar que depois de conhecer pessoalmente o responsável por perder quinze anos de sua vida, ele é obrigado a participar de um jogo onde tinha apenas cinco dias para encontrar a resposta, ou a jovem Mi-do seria assassinada.
Podemos considerar que “Oldboy” é mais um filme dramático, com um roteiro inteligente que tem boas doses de ação, pancadarias e violência, do que propriamente um filme de horror, apesar dos fortes elementos desse gênero presentes em sua história, com as cenas sangrentas de tortura com direito a dentes arrancados com alicate e língua cortada, sem contar ainda uma cena onde o protagonista Dae-su devora um polvo vivo. Isso pode até ser comum nos restaurantes coreanos, mas por aqui certamente é encarado como um ato no mínimo bizarro e de gosto duvidoso, e fico imaginando o sofrimento do animal vivo ao sentir as dentadas de seu algoz rasgando-lhe o corpo.
Curiosamente, quando Dae-su está assistindo TV em seu cárcere privado, aparece rapidamente na tela uma cena do clássico “A Noiva de Frankenstein” (1935), onde o monstro (o lendário Boris Karloff sob forte maquiagem) está aprendendo a fumar. E na cena final, numa floresta coberta de neve, as filmagens foram na Nova Zelândia, país conhecido por suas paisagens belíssimas (como as vistas na trilogia de “O Senhor dos Anéis”).

“Embora eu não passe de um animal... não tenho o direito de viver?” - Dae-su Oh

“Oldboy” (Oldboy, Coréia do Sul, 2003) # 366 – data: 24/01/06 – avaliação: 9 (de 0 a 10)
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(postado em 25/01/06)

As Loucas Aventuras de James West (Wild Wild West, EUA, 1999)

“Desde o início da história escrita, o poder de uma nação é determinado pelo tamanho do seu exército”
– Dr. Arliss Loveless

A indústria americana do cinema tem passado por uma grande crise de originalidade nos últimos tempos. Os roteiristas não estão conseguindo criar novos argumentos para seus filmes e a opção mais fácil dos produtores foi utilizar idéias já existentes apostando em refilmagens ou histórias baseadas em séries de TV do passado, com resultados apenas medianos. Esse é também o caso de “As Loucas Aventuras de James West” (Wild Wild West, 1999), de Barry Sonnenfeld, diretor da comédia de humor negro “A Família Addams” (91) e da aventura de FC “Homens de Preto” (97). É um filme produzido para o cinema e baseado numa divertida série homônima de western da televisão dos saudosos anos 1960, que tinha como maior interesse apresentar elementos de horror e ficção científica em suas histórias.

O roteiro do filme é ambientado no velho oeste americano de 1869, onde um “cientista louco” ferido na guerra e aleijado sem as pernas, o diabólico Dr. Aliss Loveless (Kenneth Branagh), um confederado sulista inconformado com a derrota na guerra da Secessão, está sequestrando os melhores cientistas dos Estados Unidos para utilizá-los na criação de sofisticados dispositivos e engenhocas de destruição, com o intuito de atacar o Presidente Grant (Kevin Kline) e dominar o país com tirania definindo seu destino da forma que achar melhor. Seu objetivo é criar a “Terra de Loveless” e dividir o resto do país em colônias de outras nações como a Inglaterra, Espanha e México. Com a ajuda forçada dos principais especialistas da América em metalúrgica, química, física, hidráulica e explosivos, foram criadas uma série de invenções bizarras, destacando-se uma enorme máquina de guerra com o formato de uma aranha tarântula, de quase vinte e cinco metros de altura e enorme poder de fogo e matança em massa.
Para combatê-lo em seu plano maquiavélico, o Presidente Grant convoca os agentes secretos James West (Will Smith), um pistoleiro famoso, e também Artemus Gordon (Kevin Kline, novamente), um inteligente e cavalheiro inventor. A princípio eles são rivais no mesmo objetivo de capturar o insano Dr. Loveless, mas aos poucos vão construindo uma amizade e confiança mútua, unindo suas forças a serviço do governo americano. Para atrapalhar surge no caminho deles o violento General McGrath (Ted Levine), um assassino conhecido como “Bloodbath” (“Banho de Sangue”) ou “The Butcher of New Liberty” (“O Açougueiro de New Liberty”), por ter sido o comandante de um massacre cruel numa pequena cidade. E também aparece uma bela mulher, a atrapalhada Rita Escobar (Salma Hayek, de “Um Drink no Inferno”, 96), por quem os agentes inevitavelmente se sentem atraídos. Ela se apresenta como filha de um dos cientistas capturados e pode fornecer informações importantes para o sucesso da missão.
Depois de muita correria, perseguições, explosões, aventuras, tiroteios, brigas corporais, piadas idiotas e cenas absurdas, eles finalmente se encontram com o psicótico Dr. Loveless e sua máquina gigante de destruição que anda sobre patas mecânicas, num confronto decisivo para o destino e futuro da nação americana.

Para um fã da série de TV dos anos 1960 como eu, esse filme para o cinema baseado nas façanhas do agente secreto James West pode ser considerado em vários momentos como uma ofensa. A começar pelo próprio ator Will Smith, especialista em comédias e que foi pessimamente escolhido para o papel principal, uma vez que o James West da série é completamente diferente, sendo um pistoleiro temível e habilidoso, com um humor discreto e refinado, e exímio galã para as mulheres. O novo James West é ridículo, autor de piadas sem graça e atitudes risíveis que não lembra em nada o personagem em que se inspirou. Na série, James West e Artemus Gordon são amigos fiéis e importantes companheiros nas diversas e perigosas missões secretas. No filme, eles inicialmente são distantes e até rivais, para somente depois trabalharem juntos por conveniência. Outro detalhe difícil de aceitar é a horrível trilha sonora, que destruiu o charme da música tema original, e que merecia uma adaptação mais fiel e honrosa.
Algumas cenas são tão ridículas que chegam a incomodar, como uma sequência onde James West se fantasia de mulher com um vestido verde exagerado para tentar enganar o Dr. Loveless, num momento que deveria ser teoricamente tenso, quando o insano vilão está discursando suas intenções com as terras americanas, e tendo o presidente Grant sob seu cárcere. West está tão ridículo como uma prostituta barata que estragou completamente a cena. Todos os momentos previstos para servirem de humor, acabaram transformando um filme com potencial num produto totalmente descartável, fazendo-nos torcer ainda mais, e infelizmente em vão, para o sucesso dos planos maquiavélicos do Dr. Loveless em destruir seus inimigos e dominar o país ao seu modo.
Curiosamente, o filme foi agraciado em várias categorias pelo “Prêmio Framboesa de Ouro”, que escolhe os piores trabalhos entre as maiores “bombas” a cada ano. É o tipo de premiação que todos gostariam de passar longe, e “As Loucas Aventuras de James West” marcou presença significativa, apenas confirmando o imenso equívoco cometido pelos responsáveis por sua produção.
O que realmente impressiona positivamente (e provavelmente somente isso) são os belos efeitos especiais destacando a enorme tarântula mecânica, uma incrível arma de guerra que torna-se fascinante por ser inventada e construída numa época onde não era possível ainda a existência de veículos motorizados similares, constituindo-se num dos principais e mais interessantes elementos fantásticos da história.
Acredito até que “As Loucas Aventuras de James West” funcionaria melhor se fosse totalmente desvinculado da série em que se baseou, apresentando sua história de forma independente e sem o humor ridículo que estragou o que poderia ter sido um bom filme. E a similaridade com a antiga série de TV deveria ser apenas uma espécie de homenagem. Algo bem similar ocorreu também com “Perdidos no Espaço” (98), filme do cinema que também não honrou a série de TV dos anos 1960, com o folclórico Dr. Smith.

“As Loucas Aventuras de James West” foi inspirado numa série de TV de western homônima criada por Michael Garrison e produzida pela “Columbia” entre 1965 e 1969. A série teve um total de 104 episódios de 50 minutos cada, com a primeira temporada fotografada em preto e branco e as demais a cores. Exibida na televisão brasileira, era estrelada por Robert Conrad, como o agente secreto do governo americano e homem de confiança do Presidente Grant, James West, e pelo ator polonês Ross Martin (1920/1981) no papel de seu versátil companheiro, o inventor e mestre dos disfarces Artemus Gordon. Os episódios eram ambientados no velho oeste selvagem dos Estados Unidos do século XIX, onde James West e Artemus Gordon, morando num vagão de trem em constante movimento, enfrentavam todo tipo de vilões bizarros e criminosos estranhos, apoiados por uma sofisticada tecnologia inexistente na época e claramente inspirada nas aventuras mirabolantes do agente secreto inglês James Bond. Na série, víamos com frequência “cientistas loucos” que pretendiam dominar o mundo, com histórias misturando de forma interessante o western com elementos de horror, espionagem, mistério, suspense, aventura e até um pouco de ficção científica e fantasia.
Uma curiosidade é que o vilão do filme do cinema, Dr. Arliss Loveless, feito por Kenneth Branagh, tem o mesmo sobrenome de um dos mais importantes vilões da série de TV, o anão Dr. Miguelito Loveless, interpretado por Michael Dunn (1934/1972), que participou de 10 episódios, sendo um dos inimigos mais perigosos e inteligentes de James West. Outra curiosidade interessante é que a série gerou também dois filmes produzidos especialmente para a televisão e ainda inéditos no Brasil. São eles, “The Wild Wild West Revisited” (79) e “More Wild Wild West” (80), ambos com os astros originais Robert Conrad e Ross Martin repetindo seus papéis.
A escolha do título nacional do filme foi novamente bem infeliz, pois já que a série de TV recebeu o nome de “James West” quando chegou no Brasil nos anos 1970, o mais fácil, correto e coerente seria chamar o filme do cinema também de “James West”, e apenas isso, sendo totalmente desnecessário acrescentar as palavras “As Loucas Aventuras”.
Sobre o elenco, seguem algumas informações. O ator negro Will Smith nasceu em 1968 e participou anteriormente das mega produções de Ficção Científica “Independence Day” (96) e “Homens de Preto”, e um de seus próximos projetos é o thriller de FC “I, Robot”, baseado em livro homônimo de Isaac Asimov e com previsão de lançamento em 2004. Já Kenneth Branagh, nascido na Irlanda do Norte em 1960, participou de “Frankenstein de Mary Shelley” (94).

“As Loucas Aventuras de James West” (Wild Wild West, 1999) # 220 – data: 07/02/04 – avaliação: 4 (de 0 a 10)
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(postado em 24/01/06)

As Loucas Aventuras de James West (Wild Wild West, Estados Unidos, 1999). Warner Bros. Duração: 107 minutos. Direção de Barry Sonnenfeld. Roteiro de S. S. Wilson, Brent Maddock, Jeffrey Price e Peter S. Seaman, baseado em história de Jim Thomas e John Thomas. Produção de Jon Peters e Barry Sonnenfeld. Fotografia de Michael Ballhaus e Stefan Czapsky. Edição de Jim Miller. Desenho de Produção de Bo Welch. Direção de Arte de Tom Duffield. Elenco: Will Smith (Capitão James West), Kevin Kline (Agente Artemus Gordon / Presidente Ulysses Simpson Grant), Kenneth Branagh (Dr. Arliss Loveless), Salma Hayek (Rita Escobar), M. Emmet Walsh (Coleman), Ted Levine (General McGrath), Frederique Van Der Wal (Amazonia), Musetta Vander (Munitia), Sofia Eng (Srta. Lippenreider), Ling Bai (Srta. East).

A Lenda da Múmia (The Legend of the Mummy, EUA, 1997)

“Os deuses não virão. Seus nomes não serão insultados. Ela permanecerá só. Não entre aqui. A vingança aguarda” – inscrição numa tumba de uma múmia egípcia

A Múmia está entre os principais monstros tradicionalmente utilizados em argumentos para o cinema de horror, juntamente com o vampiro Drácula, a Criatura de Frankenstein, o Lobisomem, o Fantasma da Ópera, o Monstro da Lagoa Negra, e outros. Cada um desses personagens ficou marcado para sempre na história do gênero através de uma infinidade de filmes explorando suas imagens e toda a mitologia criada em torno de suas origens e características.
Entre os diversos filmes com múmias, um bem obscuro e pouco comentado é “A Lenda da Múmia” (The Legend of the Mummy, 1997), dirigido por Jeffrey Obrow (um cineasta com um currículo pequeno, onde destaca-se “Criação Monstruosa” / The Kindred, 86, com Kim Hunter e Rod Steiger), a partir da história “The Jewel of the Seven Stars”, do famoso escritor irlandês Bram Stoker (criador de “Drácula”).

O prólogo de “A Lenda da Múmia” é ambientado em 1947 no “Vale do Feiticeiro”, Egito, onde um menino testemunha a profanação de um túmulo numa pirâmide, despertando uma maldição lançada contra o invasor. A ação volta-se para a atualidade em Marin County, California, na mansão de Abel Trelawny (Lloyd Bochner), um famoso e rico empresário e egiptólogo que coleciona artefatos antigos recolhidos em expedições arqueológicas no Egito. Entre os objetos raros que estão expostos em sua casa, destaca-se uma tumba onde está guardada a múmia da Rainha Tera (Rachel Naples), que tem a particularidade de possuir sete dedos nas mãos e ser a responsável por uma antiga maldição envolvendo uma bela jóia vermelha de sete faces.
Ao juntar dois pedaços de uma pedra mágica com algumas inscrições misteriosas, o Sr. Trelawny desperta acidentalmente a fúria da múmia que o ataca violentamente. Ele é encontrado em estado de coma por sua filha Margaret (a bela Amy Locane), que chama seu ex-namorado Robert Wyatt (Eric Lutes), um historiador de arte, para ajudá-la a tentar desvendar o que aconteceu. Juntam-se a eles ainda o médico da família, Dr. Winchester (Aubrey Morris), o chefe de segurança das Indústrias Trelawny, Sargento Daw (Mark Lindsay Chapman), um ex-policial que inicia um trabalho de investigação, e também um velho companheiro de escavações do egiptólogo, John Corbeck (Louis Gossett Jr.), que acompanhou no passado a remoção da tumba da Rainha Tera e que tem a fama de ser um experiente “ladrão de sepulturas”.
A situação passa a ficar complicada quando o jovem casal Robert e Margaret tenta descobrir o que aconteceu com o Sr. Trelawny, e vários acidentes misteriosos começam a ocorrer envolvendo os empregados da casa e pessoas ligadas à família, entre elas a fiel governanta Sra. Gwen Grant (Mary Jo Catlett), sua jovem filha Lily (Laura Otis), o desonesto motorista Jimmy (Julian Stone), além de um amigo de Robert, o curador de uma exposição egípcia num museu, o brincalhão Brice Renard (Richard Karn).

Filmes com múmias geralmente são interessantes, apesar de não haver muitas variações em torno de sua história básica, ou seja, uma múmia que desperta depois de muitos anos e lança uma maldição aos que profanaram sua tumba. “A Lenda da Múmia” não foge a essa regra, com a mesma história de sempre, porém existe uma grande diferença em relação aos outros filmes desse subgênero como o clássico “A Múmia” (32) com Boris Karloff, ou as várias produções divertidas dos anos 60 e 70 da “Hammer”, como por exemplo “Sangue no Sarcófago da Múmia” (Blood From the Mummy´s Tomb, 71), também baseado na mesma novela de Bram Stoker), pois nesse caso “A Lenda da Múmia” é ruim demais. O elenco é desconhecido, com exceção de Louis Gossett Jr. que empresta seu nome para o poster de divulgação, com fracas interpretações de todos os atores. O roteiro não empolga em nenhum momento, com uma imensidão de furos, situações mal explicadas e clichês previsíveis. A múmia da Rainha Tera é totalmente decepcionante com um visual banal e longe de impor medo às suas vítimas. E não há suspense nem situações de tensão dificultando muito a tarefa do espectador em se envolver com a história, lutando para não dormir na frente da televisão. Até a tagline promocional do filme não tem impacto numa completa falta de criatividade: “Uma rainha antiga. Sua maldição mortal. O terror começa”. As duas últimas palavras ficariam melhor se fossem substituídas por “O sono começa”.
Uma das únicas coisas que se salvam é a beleza da atriz Amy Locane onde aparece nua em algumas cenas de sexo, sendo muito pouco para despertar o interesse pelo filme, que de uma forma geral não passa de uma pequena e questionável diversão, rápida e dispensável.

“A Lenda da Múmia” foi lançado em DVD no Brasil com distribuição nas bancas, num mesmo disco juntamente com o péssimo “Dançando Com o Mal” (Witchcraft V: Dance With the Devil, 93), encartado na revista “DVD World Special” número 24 Ano II, da Editora D+T. O lançamento foi no final de Outubro de 2004 e o DVD traz como material extra apenas uma biografia curta do veterano ator negro Louis Gossett Jr., único nome mais conhecido do elenco.

Curiosamente, o veterano ator inglês Aubrey Morris, que fez o papel do médico Dr. Winchester em “A Lenda da Múmia”, também participou do já citado “Sangue no Sarcófago da Múmia”, da “Hammer”, dirigido por Seth Holt, fazendo igualmente o papel de um médico, o Dr. Putnum.

“A Lenda da Múmia” (The Legend of the Mummy, 1997) # 282 – data: 09/11/04 – avaliação: 3 (de 0 a 10)
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(postado em 24/01/06)

A Lenda da Múmia (The Legend of the Mummy, Estados Unidos, 1997). Duração: 95 minutos. Direção de Jeffrey Obrow. Roteiro de Jeffrey Obrow, John Penney e Lars Hauglie, baseados na novela “The Jewel of the Seven Stars”, de Bram Stoker. Produção de Bill Barnett, Harel Goldstein e Tad Driscoll. Produção Executiva de Jeffrey Obrow e Robert E. Baruc. Fotografia de Antonio Soriano. Música de Rick Cox. Edição de Gary Meyers. Desenho de Produção de Ken Larson. Elenco: Louis Gossett Jr. (John Corbeck), Amy Locane (Margaret Trelawny), Eric Lutes (Robert Wyatt), Mark Lindsay Chapman (Sargento Daw), Lloyd Bochner (Abel Trelawny), Mary Jo Catlett (Sra. Gwen Grant), Aubrey Morris (Dr. Winchester), Laura Otis (Lily Grant), Julian Stone (Jimmy), Richard Karn (Brice Renard), Portia Doubleday (Jovem Margaret), Rachel Naples (Rainha Tera), Donald Monet, Kelly Perine, Kahlil G. Sabbagh, Victoria Tennant, Stayce Allison, Cher Summers, Tico Wells, John Rixey Moore.

A Lenda do Cavaleiro Fantasma (Legend of the Phantom Rider, EUA, 2002)

“Serão os dias finais, quando o Mal se levantará e os mortos reviverão.”
– palavras de um padre interpretado pelo sinistro Angus Scrimm

Pelgidium é um misterioso cavaleiro fantasma, que repentinamente surge do nada, possuindo longos e imponentes cabelos negros, além de chapéu, sobretudo e luvas pretas num visual macabro. Ele não diz nenhuma palavra e está sempre com a cabeça abaixada e o corpo levemente curvado para frente, escondendo de forma sinistra o rosto desfigurado e coberto de cicatrizes. Pelgidium é uma espécie de “anjo da guarda” que permanece sempre nas sombras, sendo materializado através de uma forte e intensa manifestação de desejo de vingança. Somente dessa forma a lenda se concretiza, trazendo para nosso mundo um homem ameaçador, extremamente rápido no gatilho e de agilidade incomum, cujas ações podem ser mais perigosas até do que o próprio mal a ser combatido. Ele é uma criatura sobrenatural, de aspecto fantasmagórico, um ser criado para satisfazer o horror da vingança, representando uma combinação equilibrada entre o Bem e o Mal, invocado em nossos piores pesadelos.

Em “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” (Legend of the Phantom Rider, 2002), temos uma clássica história de western recheada com interessantes elementos de horror. Tudo começa no “Velho Oeste Americano” no ano 1165 D.C., onde dois guerreiros índios fazem um rápido e mortal duelo por causa de uma mulher. A ação passa então para 700 anos depois, na época da Guerra Civil Americana, onde uma família de pioneiros em viagem pelo deserto é brutalmente atacada por um grupo de pistoleiros. O pai e o filho são friamente assassinados pelo cruel Blade (Robert McRay) e seus capangas liderados por Suicide (Zen Gesner), além de Victor (Jamie McShane), Danny (Scott Eberlein) e Peanut (John Henry Whitaker), entre outros. A mulher, Sarah Jenkins (Denise Crosby) e a filha pequena, Melanie (Alexis Bond) tem suas vidas poupadas e uma vez abandonadas sozinhas, elas vão procurar ajuda na cidade mais próxima.
Ao chegarem em Saugus, um pequeno povoado no meio do deserto, elas são socorridas por um velho casal de comerciantes, Nathan (Stefan Gierash) e Jane (Juli Erickson). Porém, a cidade está sob o domínio tirano de Blade, um demônio em pessoa, um pistoleiro assassino que controla os habitantes com o uso da força e intimidação, matando friamente quem se opõe a ele, como o jovem e inexperiente xerife Tom Farris (Mark Collver) e o veterano juiz (George Murdock), entre vários outros. Curiosamente a cidade está repleta de placas espalhadas entre as casas, com mensagens autoritárias exigindo obediência.
Blade se auto nomeia o novo xerife e concede plenos poderes para seus homens causarem badernas na cidade de forma impune, despertando a ira de alguns habitantes mais tradicionais que se reúnem para planejar uma reação. Entre eles juntou-se agora a viúva Sarah, que tem mais motivos do que todos para uma vingança sangrenta contra Blade. E após um breve contato com um velho índio curandeiro (Saginaw Grant), ela inconscientemente invocou a materialização de “Pelgidium” (também interpretado pelo ator Robert McRay), um fantasma de rosto desfigurado que é despertado através da existência de um forte desejo de vingança.
O sinistro Pelgidium começa a surgir então em momentos oportunos para vingar as atrocidades cometidas por Blade e seus capangas, matando-os um a um e instaurando o medo e horror entre seus inimigos, até culminar num confronto final e decisivo com Blade, numa espécie de batalha onde “O Bem e o Mal são as faces da mesma moeda”, conforme evidencia a tagline da capa do DVD.

A primeira metade de “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” é um filme de puro western, com todos aqueles elementos básicos do gênero, como as belas paisagens naturais, uma pequena cidade no meio do deserto com seus tradicionais comércios como o armazém, o bar e a igreja (administrada pelo pastor protagonizado por Angus “The Tall Man” Scrimm), além do vilão na figura de um pistoleiro sanguinário que não mede esforços para propagar sua tirania entre os inocentes habitantes, duelos, tiroteios, enforcamentos, e outras coisas mais. Depois de 40 minutos, com o surgimento do cavaleiro fantasma Pelgidium, uma criatura sobrenatural invocada pelo desejo de vingança, o filme passa a apresentar os elementos de horror que o tornam diferente e ainda mais interessante, lembrando outros no mesmo estilo como “A Cidade Fantasma” (88) e “Um Drink no Inferno 3 – A Filha do Carrasco” (2000).
É curioso notar como o filme procura inverter os tradicionais papéis de “vilão” e “mocinho” em relação ao normal e monstruoso. Ou seja, Blade é uma pessoa normal com uma aparência comum, e é um vilão assassino calculista. Já Pelgidium é uma criatura macabra, com o rosto deformado numa aparência sinistra, e faz o papel de uma espécie de anjo negro vingador, se opondo às barbaridades cometidas por Blade. Se bem que o cavaleiro fantasma não faz um tipo propriamente de “mocinho”, pois sua imagem impõe muito mais medo e mistério do que simpatia e segurança. Mas inevitavelmente ele desperta também admiração justamente por sua postura de um ser temido pela habilidade com o revólver.
Algumas cenas de destaque são quando os capangas de Blade invadem a loja de Nathan e para castigá-lo por insubordinação (ele tentou ajudar Sarah e sua filha Melanie), eles decidem tomar do velho algo mais doloroso e macabro do que apenas roubar mantimentos. Outro momento tenso é quando Blade também resolve punir o Dr. Fisher (Rance Howard) por ter cuidado de um ferimento de bala na cabeça de Melanie, fazendo o médico perder literalmente sua cabeça.

Podemos considerar que “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” é quase que totalmente de Robert McRay, pois além de escrever o roteiro, ele interpretou de forma magistral os papéis do sanguinário pistoleiro Blade e do fantasma vingador Pelgidium, atraindo todas as atenções para a sua dupla performance. Entre suas participações anteriores, destaca-se a série de TV “Conan” (97). O elenco principal também tem a presença feminina de Denise Crosby, nascida em 1957, sendo um rosto conhecido por sua participação na série de TV “Jornada nas Estrelas – A Nova Geração” (1987/94), onde atuou como a Oficial de Segurança Tenente Tasha Yar nas duas primeiras temporadas, entre 1987 e 88. Ela também teve presença em outros filmes de horror e FC como “O Cemitério Maldito” (89), com história baseada em Stephen King, e “Mutant Species” (95). E o sinistro e veterano Angus Scrimm, nascido em 1926, é famoso entre os fãs do cinema de horror pelo seu personagem “The Tall Man / Jebediah Morningside” na série de filmes “Fantasma” (Phantasm), iniciada em 1979 com “Fantasma – Noite Macabra” e com as respectivas continuações, “Fantasma 2” (88), “Fantasma 3 – O Senhor da Morte” (Lord of the Dead, 94), “Fantasma 4 – O Pesadelo Continua” (Oblivion, 98) e finalmente em 2004 com a parte 5, “Phantasm’s End”.
“A Lenda do Cavaleiro Fantasma” foi produzido em 2000 e lançado apenas dois anos depois, recebendo também outros nomes originais alternativos como “Pelgidium Granger” e “Trigon: The Legend of Pelgidium”, sendo esse inclusive o nome no DVD lançado no Brasil pela “FlashStar”.
Aliás, o DVD traz como material extra uma breve biografia e filmografia dos atores Denise Crosby, Robert McRay e Angus Scrimm, além do diretor Alex Erkiletian. Traz ainda um trailer de aproximadamente um minuto de duração e um texto curto com informações sobre a “Lenda de Pelgidium”. Um erro grosseiro é que na exibição do filme aparece o nome nacional como sendo “A Vingança do Cavaleiro Fantasma” e o original como “Trigon: The Legend of Pelgidium”, e na capa do DVD está o título oficialmente divulgado “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” e “Legend of the Phantom Rider”.

“A Lenda do Cavaleiro Fantasma” (Legend of the Phantom Rider, 2002) # 243 – data: 27/04/04 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 24/01/06)

“A Lenda do Cavaleiro Fantasma” (Legend of the Phantom Rider, Estados Unidos, 2002). Seek Productions / Rolles Range Farm Productions / The Tod Evan Company. Duração: 100 minutos. Direção de Alex Erkiletian. Roteiro de Robert McRay e Alex Erkiletian (não creditado). Produção de Alex Erkiletian, Hans Rodionoff, Tod Swindell e Patrick Roddy. Fotografia de John Roy Morgan. Música de Lee Montgomery. Edição de Reed Buccholz e Hans Rodionoff. Direção de Arte de Lee Ross. Desenho de Produção de Will Stewart. Figurinos de Jerry Whitworth. Cenários de Diana Mickey. Maquiagem de Lisa Bertuzzi e Judy Holman. Elenco: Denise Crosby (Sarah Jenkins), Robert McRay (Blade / Pelgidium), Stefan Gierasch (Nathan), Zen Gesner (Suicide), Angus Scrimm (Padre), George Murdock (Juiz), Rance Howard (Dr. Fisher), Scott Eberlein (Danny), Jamie McShane (Victor), Robert Peters (Joey), Saginaw Grant (Índio curandeiro), Irwin Keyes (Bigfoot), Juli Erickson (Jane), John Henry Whitaker (Peanut), G. Larry Butler (John Berman), Mark Collver (Xerife Tom Farris), Al Fleming (Garver), Lee McKechnie (Pee Wee), Bo Greigh (T.J.), Michael Heistand (Billy Bronson), Jason Tatum (T-Bone), Clark Ray (Snake), Chris Schaar (Outlaw), Alexis Bond (Melanie Jenkins), Tony Romeo (Matthew Jenkins), Ross Clay, Phil Quigley, Jon Proudstar, Rudy Red Eagle, Maria Ortiz.

Phenomena (Itália, 1985)



Em Janeiro de 2006 foi lançada pelo selo “Dark Side” da “Works Editora” a revista “Cine Monstro” número 6, trazendo encartado o DVD do filme italiano “Phenomena” (Phenomena, 1985), de Dario Argento, tendo no elenco a bela Jennifer Connelly ainda adolescente e o veterano Donald Pleasence (que faleceria dez anos depois), e que é mais conhecido como o implacável psiquiatra perseguidor do assassino mascarado Michael Myers na franquia “Halloween”. Apesar do DVD não disponibilizar materiais extras, esse lançamento é verdadeiro um presente para os fãs e colecionadores por vários motivos: por ser um filme escrito, produzido e dirigido pelo mestre Dario Argento (de “Suspiria”), por apresentar uma história exagerada no surrealismo, mas ainda assim com um resultado bem interessante e algumas cenas memoráveis de horror grotesco, e porque essa versão sem cortes de 110 minutos estava inédita no Brasil até então, sendo que era conhecida por aqui apenas uma versão bastante reduzida e editada especialmente para o mercado americano, chamada “Creepers”.
A revista traz artigos sobre o filme em questão, resenhas de “O Exorcismo de Emily Rose” e a refilmagem de “King Kong”, de Peter Jackson, comentários sobre lançamentos em vídeo (entre eles, “Terra dos Mortos”, de George Romero), além de um cartaz espetacular do clássico “King Kong” (1933).

No prólogo, uma jovem dinamarquesa, Vera Brandt (Fiore Argento, filha do cineasta) chega atrasada para pegar um ônibus e se perde num bosque próximo da estrada deserta, indo parar numa casa de campo onde enfrenta uma recepção trágica.
Enquanto isso, uma jovem americana, Jennifer Corvino (Jennifer Connelly, de “Hulk” e “Água Negra”), filha de um famoso ator de cinema (Paul Sorvino), vai para a Suíça estudar numa escola internacional para moças. Lá chegando, ela é recepcionada pela coordenadora do internato Sra. Bruckner (Daria Nicolodi), e vai se alojar num quarto com a adolescente francesa Sophie (Frederica Mastroianni).
A colega de quarto informa para ela que existe uma grande preocupação na vizinhança por causa das ações de um assassino psicopata que está matando as moças e escondendo seus cadáveres, desafiando a polícia, que investiga o caso através do Inspetor Rudolf Geiger (Patrick Bauchau), que por sua vez conta com o auxílio do veterano escocês John McGregor (Donald Pleasence), um professor paraplégico de entomologia, sendo um perito em insetos e que fornece seus conhecimentos para a investigação de cadáveres assassinados, os quais são consumidos por vermes e insetos.
Além de preocupada com os assassinatos violentos das moças, a adolescente Jennifer ainda sofre de sonambulismo e tem terríveis pesadelos, e após uma crise onde se perdeu nos arredores da escola, ela acabou conhecendo o professor especialista em insetos e seu chimpanzé de estimação Tanga, descobrindo mais tarde que possui um misterioso e sobrenatural dom de comunicação telepática com os insetos de todos os tipos. Esse fato serviu de motivo para a garota ser importunada pelas colegas de escola, que a tratavam como louca e até diabólica, obrigando-a a fugir dali e a tentar por conta própria, ajudada por uma mosca saprófaga (que transporta vermes devoradores de carne morta), localizar os corpos desaparecidos das meninas, culminando num confronto com o responsável pelos brutais assassinatos.

“Phenomena” tem algumas similaridades com “Suspiria”, onde podemos encontrar elementos comuns como a idéia da escola para moças, a jovem personagem americana num país estranho, os misteriosos assassinatos em série e o prólogo perturbador e bastante carregado de violência. A história é bizarra, mas consegue prender a atenção do espectador durante todo o tempo, ao tentar descobrir a identidade do assassino e imaginar o confronto decisivo com a garota que se comunica com insetos. Na fotografia destacam-se as cenas noturnas de perseguições, e as tomadas de belas paisagens durante o dia. A trilha sonora me surpreendeu quando ouvi duas das mais lendárias bandas de heavy metal mundial emprestando suas músicas pesadas para o filme, servindo de inspiração para cenas intensas de morte e perseguição: o “Iron Maiden” com a música “Flash of the Blade”, do fantástico álbum “Powerslave” (84), e o “Motorhead” com o petardo “Locomotive” (nota 10 para Dario Argento pelas escolhas, numa clara homenagem a todos os fãs de metal e horror). Entre as cenas grotescas, vale registrar a piscina mantida pelo maníaco assassino, repleta de cadáveres em decomposição em meio aos vermes pestilentos, e onde a jovem Jennifer foi obrigada a dar um mergulho asqueroso.

“Phenomena” (Phenomena, Itália, 1985) # 365 – data: 23/01/06 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 23/01/06)



Hellraiser - A Herança Maldita (Hellraiser IV – Bloodline, EUA, 1996)

“O passado, presente e futuro se encontrarão todos nas encruzilhadas do inferno”

O quarto filme da série “Hellraiser”, lançado em 1996 com o subtítulo “A Herança Maldita” (Bloodline), tem uma tagline promocional (reproduzida acima) muito bem escolhida, dizendo em poucas palavras a síntese da história desse episódio da franquia. Pois ao mostrar eventos ocorridos tanto no passado, na França do século 18, explicando a origem da caixa mágica que permite a abertura dos portões do inferno, passando pelo período presente da produção, em meados dos anos 90 em New York, e chegando até o futuro no século 22, numa estação espacial, podemos concluir que todas as épocas se encontram nos cruzamentos do inferno, com a exaustiva tentativa da família do fabricante de brinquedos que construiu a caixa e seus descendentes, ao longo dos séculos, de destruírem os cenobitas livrando a humanidade de sua ameaça, e fechando definitivamente as portas que permitem sua entrada em nosso mundo.

A história se inicia no ano 2127 na Base Espacial Minos, onde um cientista, Dr. Paul Merchant (o canadense Bruce Ramsay), sequestra uma nave que ele mesmo havia projetado e é surpreendido por uma equipe de segurança no momento em que está invocando o surgimento do demônio Pinhead (o inglês Doug Bradley, presença marcante em todos os filmes da série), o líder dos cenobitas, as criaturas do inferno que celebram a dor e o sofrimento eternos. O grupo de agentes é formado por cinco policiais, Edwards (Paul Perri), Carducci (Pat Skipper), a bela Rimmer, a única mulher da equipe (Christine Harnos), Parker (Wren T. Brown) e Chamberlain (Tom Dugan). O cientista é preso e ao ser interrogado por Rimmer, ele conta a história de sua família e a “herança maldita” que é passada por gerações através da missão de impedir o domínio dos cenobitas entre os homens.
Voltando no tempo para o século 18, na França, seu ancestral Phillip L’Merchant (também Bruce Ramsay) é um habilidoso fabricante de brinquedos que vive com sua esposa grávida Genevieve (Charlotte Chatton). A pedido de um misterioso ocultista obcecado por magia negra, Duc de L’Isle (Mickey Cottrell), ele fabrica uma complexa caixa que num ritual se transforma na “Configuração dos Lamentos”, um cubo com várias combinações de movimentos que permite a abertura dos portais do inferno e o acesso de demônios ao nosso mundo. O assistente do mágico, Jacques (Adam Scott), requisita os serviços de uma prostituta (a chilena Valentina Vargas), que passa a servir de hospedeira para a possessão de um demônio, recebendo o nome de Angelique.
A ação vai então para o ano de 1996, época presente da produção do filme, onde um famoso arquiteto, John Merchant (novamente Bruce Ramsay), vive com sua esposa Bobbi (Kim Myers) e o filho pequeno Jack (Courtland Mead) nos Estados Unidos, na cidade de New York. Porém, sua vida torna-se um pesadelo quando aparece Angelique em seu caminho com o objetivo de destruí-lo para evitar que construa uma caixa que possa eliminar o efeito da “Configuração dos Lamentos”, através do projeto complexo de um sistema que permitiria a formação de luz perpétua, seguindo os instintos ancestrais de sua família, que acidentalmente permitiu o surgimento dos cenobitas.
Retornando para o futuro na estação espacial, o cientista Dr. Paul Merchant tenta convencer a policial Rimmer do perigo mortal que estão todos enfrentando com a materialização de Pinhead, juntamente com outros cenobitas como Angelique (com a cabeça aberta e a pele repuxada e fixada por ganchos nos ombros) e dois irmãos gêmeos unidos grotescamente pela cabeça e que tem o poder de se separarem quando quiserem, além de uma fera similar a um cachorro, conhecida como “Chatter Beast”, por causa do incessante e perturbador bater dos dentes.

“Hellraiser – A Herança Maldita” mantém a característica da série e apresenta uma significativa dose de violência e sangue, não faltando os tradicionais ganchos e correntes que rasgam a frágil carne humana, cenas caprichadas de decapitações e vísceras expostas, transformações bizarras de cenobitas (como na unificação sangrenta de dois irmãos gêmeos que eram guardas de segurança num prédio), além da presença de um cachorro mutante e a participação sempre imponente, ameaçadora e indispensável de Pinhead, com seus discursos sobre a essência da dor (como no exemplo reproduzido no final desse texto).

A direção é na verdade de Kevin Yagher, mais conhecido como técnico em efeitos especiais, e que por discordar de vários cortes no filme impostos pelos produtores, decidiu em protesto não colocar seu nome nos créditos, adotando o famoso pseudônimo Alan Smithee, que sempre é utilizados pelos diretores quando não concordam com a interferência externa significativa na condução de seus filmes. Aliás, o cineasta Joe Chappelle rodou algumas cenas também e não foi creditado, aparecendo seu nome apenas no final dos créditos como um colaborador recebendo um agradecimento. O roteiro é de Peter Atkins, que também escreveu as histórias das partes 2 e 3 da série “Hellraiser”, além de criar a franquia “O Mestre dos Desejos” (Wishmaster, 97), que teve ainda mais três sequências.
Curiosamente, a exemplo do que também aconteceu no filme anterior, “Hellraiser III – Inferno na Terra” (92), quando a ação é ambientada na época presente na cidade de New York, aparece uma tomada noturna muito rápida onde podemos ver ao fundo as imponentes torres gêmeas do World Trade Center, as quais não existem mais por causa dos terríveis atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, que culminou com suas quedas e consequentemente a trágica morte de milhares de pessoas.
A quarta parte da saga infernal dos cenobitas, “Hellraiser – A Herança Maldita”, foi lançada no Brasil em Dezembro de 2004 no formato DVD pela NBO Editora, com distribuição nas lojas dos supermercados “Extra”, com um preço popular de R$ 9,90. Porém, para encontrar o filme era necessário um enorme esforço na procura, já que normalmente estava perdido no meio de um monte de outras tranqueiras espalhadas (eu mesmo perdi cerca de longos trinta minutos para encontrar a minha cópia). Como material extra temos apenas uma breve sinopse e uma biografia simples do ator Doug Bradley.

“O que vocês chamam de dor é apenas um vestígio. A dor tem uma face. Permitem-me mostrá-la a vocês, cavalheiros... Eu sou a dor!” – Pinhead

“Hellraiser – A Herança Maldita” (Hellraiser IV – Bloodline, 1996) # 286 – data: 08/12/04 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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Hellraiser – A Herança Maldita (Hellraiser IV – Bloodline, Estados Unidos, 1996). Dimension. Duração: 84 minutos. Direção de Alan Smithee (Kevin Yagher) e Joe Chappelle (não creditado). Roteiro de Peter Atkins, baseado em personagens criados por Clive Barker. Produção de Nancy Rae Stone e Anna C. Miller. Produção Executiva de Clive Barker e Paul Rich. Fotografia de Gerry Lively. Música de Daniel Licht. Edição de Randolph K. Bricker, Rod Dean e Jim Prior. Desenho de Produção de Ivo Cristante. Direção de Arte de Bruce Robert Hill, Ken Larson e Carol Lavoie. Maquiagem de Mike J. Regan, Gary J. Tunnicliffe, Damon Charles e Kevin Yagher. Elenco: Bruce Ramsay (Phillip L’Merchant / John Merchant / Dr. Paul Merchant), Valentina Vargas (Angelique), Doug Bradley (Pinhead), Kim Myers (Bobbi Merchant), Charlotte Chatton (Genevieve L’Merchant), Adam Scott (Jacques), Mickey Cottrell (Duc de L’Isle), Louis Turenne (Auguste), Courtland Mead (Jack Merchant), Louis Mustillo (Sharpe), Jody St. Michael (Chatter Beast), Paul Perri (Edwards), Pat Skipper (Carducci), Christine Harnos (Rimmer), Wren T. Brown (Parker), Tom Dugan (Chamberlain), Michael Polish (Cenobita gêmeo 1), Mark Polish (Cenobita gêmeo 2), Jimmy Schuelke (Guarda de segurança 1), David Schuelke (Guarda de segurança 2).

Hellraiser III - Inferno na Terra (Hellraiser III – Hell on Earth, EUA, 1992)

“O sofrimento de estranhos. A agonia dos amigos. Há uma música secreta no centro do mundo. Seu som é como o de uma lâmina atravessando a carne.” – Pinhead, durante o massacre no bar “The Boiler Room”

“Pinhead”, o líder dos cenobitas, criaturas infernais que habitam uma dimensão paralela onde a dor, o sofrimento e os prazeres da carne são eternamente celebrados, está de volta para recuperar o seu poder e instaurar o Inferno na Terra no terceiro filme da franquia “Hellraiser”, iniciada em 1987 pelo clássico homônimo do moderno cinema de horror, através da mente genial do escritor Clive Barker. Pois, conforme diz uma das taglines oficiais de divulgação, “O que começou no Inferno, terminará na Terra”.

Em “Hellraiser III – Inferno na Terra” (Hellraiser III – Hell on Earth), dirigido por Anthony Hickox em 1992, Pinhead (Doug Bradley) está preso numa escultura macabra comprada em um antiquário por um jovem empresário da noite, J. P. Monroe (Kevin Bernhardt), que guarda a obra bizarra em seu bar noturno, “The Boiler Room”. Quando num acidente um pouco de sangue espirra na escultura, Pinhead inicia seu processo de libertação e vem à Terra para alimentar-se dos prazeres da carne, começando por um massacre sangrento dos frequentadores da boate, justificando no melhor estilo um de seus lemas, “Apetite saciado, desejo satisfeito”.
Enquanto isso, uma jovem repórter decadente em busca de uma boa matéria jornalística para levantar sua carreira em crise, Joey Summerskill (Terry Farrell, a Tenente Comandante Jadzia Dax da série de TV “Star Trek: Deep Space Nine”), presencia uma cena bizarra num hospital, onde um homem tem sua cabeça explodida e vários ganchos e correntes cravados em seu corpo. Ela decide então investigar a ocorrência, com a ajuda do fotógrafo Daniel Fisher (Ken Carpenter), apelidado de “Doc”, e entra em contato com Terri (Paula Marshall), ex-namorada do dono do clube noturno, que lhe fornece informações importantes sobre o caso, como uma série de materiais pertencentes anteriormente à Clínica Psiquiátrica Channard (de “Hellbound”), com desenhos de caixas mágicas que permitem uma passagem para o inferno, e fotos de Kirsty Cotton (Ashley Laurence), além de um depoimento dela gravado em vídeo, onde revela a existência dos cenobitas e o perigo que eles representam para a humanidade.
Joey tem constantes pesadelos onde ela aparece num campo de batalha nas selvas do Vietnã, e vê seu pai sendo morto pelo fogo inimigo, além de visões perturbadoras onde se encontra numa espécie de limbo, uma região entre o paraíso e o inferno, andando sobre os escombros e cadáveres em decomposição de soldados abatidos na guerra, entrando em contato com um misterioso homem, Capitão Elliot Spencer (Doug Bradley), que pede sua ajuda num confronto com Pinhead.
A partir daí, Joey passa a enfrentar a fúria de novos cenobitas, criados para aumentar a legião de Pinhead, tentando desvendar os segredos da “configuração dos lamentos”, e travando uma luta incansável para evitar que o Inferno venha definitivamente à Terra.

Eu tive o privilégio de assistir “Hellraiser III – Inferno na Terra” nos cinemas em 1992, um fato significativo uma vez que todos os outros filmes da série não foram exibidos na tela grande, sendo lançados diretamente no mercado de vídeo VHS e DVD. Nesse terceiro filme da saga dos cenobitas, existem várias similaridades e relações com elementos do filme anterior, “Hellbound – Hellraiser II”, filmado quatro anos antes por Tony Randel, inclusive na intensidade de violência, onde temos desde cabeças estouradas (no melhor estilo de “Scanners – Sua Mente Pode Destruir”), passando por peles arrancadas, vísceras extraídas, até ganchos afiados e correntes pesadas rasgando e mutilando a carne, espalhando sangue para todos os lados.

Entre as curiosidades interessantes de “Hellraiser III”, em uma tomada noturna rápida da cidade de New York, podemos ver as imponentes torres gêmeas do World Trade Center, sendo que ninguém imaginaria que seriam alvos de um ataque terrorista quase dez anos depois que causou suas quedas e a morte para milhares de pessoas. Tem também uma cena onde o fotógrafo Daniel Fisher, que tem um destino cruel ao se transformar num cenobita com uma câmera de vídeo no lugar de um dos olhos, está dormindo quando é interrompido no meio da noite por um telefonema da repórter Joey Summerskill, que lhe pede ajuda para investigar um massacre de jovens ocorrido momentos antes num clube noturno. Ela pede a ele para ligar a televisão e procurar pelo noticiário, e quando o fotógrafo pega o controle remoto e passa aleatoriamente pelos canais, aparece uma imagem super rápida do próprio diretor do filme, Anthony Hickox. Aliás, o cineasta, assim como o produtor Lawrence Mortorff, o roteirista Peter Atkins e o editor James D. R. Hickox aparecem em pontas no filme. Outro detalhe interessante é a presença da banda de Heavy Metal “Armored Saint”, interpretando a si mesma num show no mesmo clube noturno do massacre, com a música “Hanging Judge”. Uma das músicas que faz parte da trilha sonora é chamada de “Hellraiser”, escrita por Ozzy Osbourne e Lemmy Kilmister, e tocada pela lendária banda de metal “Motorhead”.
“Hellraiser III” é bastante intenso em violência, apresentando cinco novos cenobitas depois que os anteriores Chatterer, Butterball e Female foram destruídos no filme anterior. As novas criaturas infernais são três homens, um com vários CD´s cravados na cabeça, outro com um câmera de vídeo servindo de olho, e o último com um aparelho mecânico em constante movimento no interior do cérebro, além de duas mulheres, sendo uma com arames farpados cobrindo-lhe o rosto e que solta fogo pela boca como se fosse um daqueles dragões mitológicos, e outra com um cigarro aceso pendurado por uma abertura exposta na garganta.
Uma cena em especial é digna de registro por sua extrema ousadia. Ambientada no interior de uma igreja católica, a sequência é bastante ofensiva aos princípios religiosos cristãos, com Pinhead derretendo um crucifixo na mão de um padre (Clayton Hill), e simulando a sua própria crucificação retirando pregos da cabeça e cravando-os nas palmas das mãos, vociferando com a voz gutural e em tom de deboche: “Eu sou o caminho!”.
Aliás, nesse mesmo momento, existe ainda um diálogo hilariante entre a repórter Joey e o padre.
Ela grita em desespero: “Eles continuam vindo! Os demônios!”
E vem a resposta calma do padre: “Demônios não são reais, são apenas metáforas, parábolas...”.
A repórter então retruca em tom de ironia: “Então que porra é aquela?”, apontando para a entrada da igreja, onde aparece na porta, de forma imponente e ameaçadora, a figura de Pinhead.

“Não existe o Bem nem o Mal. Existe só a carne” – Pinhead

“Hellraiser III – Inferno na Terra” (Hellraiser III – Hell on Earth 1992) # 279 – data: 02/11/04 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 23/01/06)

Hellraiser III – Inferno na Terra (Hellraiser III – Hell on Earth, Estados Unidos, 1992). Dimension. Duração: 92 minutos. Direção de Anthony Hickox. Roteiro de Peter Atkins, baseado em sua história em parceria com Tony Randell, inspirados em personagens criados por Clive Barker. Produção de Christopher Figg e Lawrence Mortorff. Produção Executiva de Clive Barker. Fotografia de Gerry Lively. Música de Randy Miller. Edição de Christopher Cibelli e James D. R. Hickox. Direção de Arte de Tim Eckel. Desenho de Produção de Steve Hardie. Elenco: Doug Bradley (Pinhead / Capitão Elliot Spencer), Kevin Bernhardt (J. P. Monroe), Terry Farrell (Joey Summerskill), Ken Carpenter (Daniel Fisher / Cenobita Camerahead), Paula Marshall (Terri), Ashley Laurence (Kirsty Cotton), Brent Bolthouse (Blake Regan / Cenobita CD the DJ), Peter Atkins, Sharon Hill, Lawrence Mortorff, James D. R. Hickox, Peter G. Boynton, Robert C. Treveiler, Chris Frederick, Lawrence Kuppin, Clayton Hill.