A Mansão do Morcego (The Bat, EUA, 1959)

Quando o Morcego voa... Alguém morre.

O que podemos esperar de um filme do final dos anos 50 do século passado, com fotografia em preto e branco, e estrelado pelo ícone Vincent Price e por Agnes Moorehead (mais conhecida como Endora, a megera mãe da bruxinha Samantha na nostálgica série de TV da década de 60 “A Feiticeira”)? A resposta é simples e direta: uma impagável sessão de entretenimento.
Pois é exatamente isso que nos proporciona “A Mansão do Morcego” (The Bat, 59), escrito e dirigido por Crane Wilbur (que foi o roteirista de “Museu de Cera”, 53), um verdadeiro presente do selo “Dark Side” (“Works Editora”) para nós, apreciadores do cinema fantástico e admiradores incondicionais do talento de Vincent Price, um exemplo de ator aristocrático que não existe mais nesses tempos modernos que privilegiam os efeitos especiais. Não que eu desaprove a moderna tecnologia do cinema, que transforma em realidade nas telas praticamente tudo que já foi imaginado, mas é um fato óbvio que atores com o carisma de Price, Peter Cushing e Boris Karloff, entre outros, não possuem similares em nosso tempo (exceto pelo genial Christopher Lee, que também faz parte desse time e ainda está vivo e atuando).

Em “A Mansão do Morcego”, uma consagrada escritora de livros de mistérios, Srta. Cornelia van Gorder (Agnes Moorehead), aluga a mansão de verão conhecida como “The Oaks”, através da imobiliária de Mark Fleming (John Bryant), sem o conhecimento do proprietário, o seu tio e banqueiro John Fleming (Harvey Stephens). O objetivo da nova moradia temporária é buscar inspiração para a criação de uma história de seu novo livro. Porém, apenas sua governanta de muitos anos, Lizzie Allen (Lenita Lane), permanece ao seu lado, pois os outros empregados desistem de acompanhá-la por causa da notícia das ações de um ladrão assassino que está rondando as imediações da imensa casa. Chamado pela imprensa e polícia de “O Morcego” (daí o título original do filme), o criminoso tem o hábito de soltar morcegos no ambiente de suas vítimas e sua característica é utilizar uma máscara preta ocultando o rosto, além de garras artificiais numa das mãos, que servem para rasgar o pescoço e matar as pessoas que atravessarem seu caminho.
A escritora contrata então novos empregados como Sra. Jane Patterson (Riza Royce), e seu antigo motorista, Warner (John Sutton), transforma-se agora em mordomo. Mas, eles são surpreendidos pelas visitas constantes do assassino mascarado, que à espreita, escondido nos cantos, planeja encontrar uma enorme quantia em dinheiro (US$ 1 milhão), o qual foi misteriosamente roubado do banco do Sr. Fleming e que poderia estar escondido em algum local secreto na mansão.
A Srta. van Gorder recebe também como hóspedes outras duas mulheres, a Sra. Dale Bailey (Elaine Edwards), esposa de Victor (Mike Steele), tesoureiro do banco e preso injustamente acusado de participar da fraude do dinheiro roubado, e a Srta. Judy Hollander (Darla Hood), secretária do Sr. Fleming. Juntas, elas terão que enfrentar a fúria assassina do criminoso mascarado, e contando ao seu favor com a ajuda do Tenente Andy Anderson (Gavin Gordon), responsável pelas investigações da polícia, e do conceituado médico Dr. Malcolm Wells (Vincent Price), que tentam descobrir a identidade do ladrão misterioso.

O filme teve uma versão anterior da época do cinema mudo, filmada em 1926 e dirigida por Roland West. Essa versão de 1959 foi produzida pela “Allied Artists”, tem apenas 80 minutos e é um típico thriller policial com elementos sutis de horror, mistério e suspense, contando uma história até ingênua e despretensiosa, numa ausência de violência e sangue (as mortes são apenas discretas e sugeridas). Mas que mantém o interesse e prende a atenção do espectador ao acompanhar a trajetória do ladrão e assassinado mascarado conhecido como “O Morcego”, e a tentativa de descobrir sua identidade em meio à investigação policial e as mortes misteriosas que estão ocorrendo na imensa mansão, que mais parece um local perfeito para a manifestação de assombrações.
Entretanto, não existem fantasmas, e os crimes são cometidos por uma pessoa real, possuidora de admirável inteligência e astúcia para se manter desconhecido. Porém, do outro lado, além do Tenente Anderson na liderança das investigações, está também a escritora Srta. van Gorden, igualmente inteligente e experiente na criação de histórias de mistérios e assassinatos para seus livros. Em paralelo, tem ainda a presença sempre marcante de Vincent Price, dessa vez interpretando o misterioso médico legista Dr. Malcolm Wells, que nas horas vagas gosta de fazer experiências com morcegos de verdade.
Não faltam aqueles elementos típicos de filmes de mistério, como os famosos ruídos estranhos e assustadores, provenientes da ação do vento nos cômodos da uma mansão desgastada pelo tempo, a tradicional suspeita do “mordomo” como o responsável pelos crimes, o jogo de pistas para se descobrir a verdade, as reviravoltas na trama, e o final numa tentativa de “surpresa”.
Vale registrar um momento em especial, que deveria causar espanto, mas que inevitavelmente resultou num efeito contrário, através de uma cena envolvendo o ataque de um morcego supostamente de verdade contra uma mulher que estava dormindo. O efeito “especial” é tão tosco e bizarro que é difícil esconder o riso. Mas é só lembrar que o ano é 1959 e a produção é de baixíssimo orçamento e logo aceitamos a precariedade da cena que deve até ser enaltecida, pois foi executada com garra por seus técnicos e realizadores.

“A Mansão do Morcego” foi lançado em DVD no Brasil pela “Dark Side”, sendo que o disco traz como material extra duas boas biografias de Vincent Price e Agnes Moorehead, além da reprodução da breve sinopse que está na capa traseira do estojo e um trailer de dois minutos de duração, com a disponibilidade de legendas em português.

“A Mansão do Morcego” (The Bat, 1959) # 330 – data: 03/08/05 – avaliação: 8,5 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br
(postado em 07/12/05)

A Mansão do Morcego (The Bat, Estados Unidos, 1959). Allied Artists. Preto e Branco. Duração: 80 minutos. Direção de Crane Wilbur. Roteiro de Crane Wilbur, a partir de obra de Mary Roberts Rinehart e Avery Hopwood. Produção de C. J. Tevlin. Música de Louis Forbes. Fotografia de Joseph F. Biroc. Edição de William Austin. Direção de Arte de David Milton. Maquiagem de Kiva Hoffman. Elenco: Vincent Price (Dr. Malcolm Wells), Agnes Moorehead (Cornelia van Gorder), Gavin Gordon (Tenente Andy Anderson), Lenita Lane (Lizzie Allen), Elaine Edwards (Dale Bailey), Mike Steele (Victor Bailey), John Sutton (Warner), Darla Hood (Judy Hollander), Riza Royce (Jane Patterson), John Bryant (Mark Fleming), Harvey Stephens (John Fleming), Robert B. Williams (Detetive Davenport).

O Extraordinário (The Unearthly, EUA, 1957)


"Eu sou um cientista. Pensar é o meu negócio.” – Dr. Charles Conway

 

O Extraordinário” (The Unearthly, EUA, 1957) é um dos filmes “B” de Horror e Ficção Científica que mais assistia na televisão (o SBT o exibia vez ou outra em versão original legendada nas madrugadas de dias normais de semana). Não que esse filme seja uma obra prima do gênero, mas porque é uma divertida produção de baixo orçamento da “Republic”, digna dos nostálgicos anos 50 do século passado.

O filme está em domínio público e não foi lançado no mercado de vídeo brasileiro, seja VHS ou DVD, mas está atualmente disponível no “Youtube” com opção de legendas automáticas em português.

 

Com fotografia em preto e branco, é um filme pertencente ao subgênero “Cientista Louco”, estrelado pelo grande John Carradine como o cientista Dr. Charles Conway. Ele dirige uma casa de repouso afastada da civilização (na verdade, uma mansão gótica que só é vista externamente nos créditos iniciais e no final do filme), que interna pessoas com colapso nervoso, as quais são levadas ao asilo por seu cúmplice, o também médico Dr. Loran Wright (Roy Gordon), que trabalha numa cidade próxima.

Esses pacientes serão vítimas de experiências que visam retardar o envelhecimento através da colocação no cérebro, de uma glândula artificial que controlaria essa função no organismo. Segundo o Dr. Conway, o corpo humano, que tem 16 glândulas vitais que controlam tudo, poderia receber uma 17ª, de origem artificial, e que controlaria o envelhecimento, podendo com isso alcançar a vida eterna.

Ajudado pela jovem e apaixonada assistente Dra. Sharon Gilchrist (Marilyn Buferd) e pelo grandalhão com deficiência mental Lobo (Tor Johnson, já visto em muitos outros filmes bagaceiros, como “Plano 9 do Espaço Sideral”, de Ed Wood Jr.), o cientista realizava suas experiências utilizando os internos como Harry Jedrow (Harry Fleer) e Natalie Andries (Sally Todd). Porém, faltava ainda algo de fundamental importância em suas pesquisas, fazendo com que ele transformasse seus pacientes em verdadeiros monstros disformes, os quais eram mantidos encarcerados nos porões da mansão.

O trabalho secreto do Dr. Conway e seus planos insanos para obter a juventude eterna são atrapalhados com o aparecimento de um policial disfarçado de paciente infiltrado no asilo, Mark Houston (Myron Healy), que tenta salvar a recém-chegada Grace Thomas (Allison Hayes, de “A Mulher de 15 Metros”, 1958), uma jovem depressiva candidata para ser a próxima vítima das experiências bizarras do cientista.

 

Com efeitos práticos toscos, “O Extraordinário” é uma daquelas preciosidades de orçamentos minúsculos da década de ouro do cinema fantástico bagaceiro. Em seus apenas 73 minutos, o filme explora os divertidos clichês com cientistas insanos e suas experiências para o suposto bem da humanidade, porém com resultados catastróficos. Um dos destaques é a sequência onde o “cientista louco” e sua assistente, após operarem uma jovem garota, vão visitá-la numa cela e descobrem novamente o fracasso da experiência, com a moça deformada e com a pele enrugada, vindo a se juntar numa galeria de monstros mutantes vítimas das experiências malsucedidas, e que viveriam o tormento da imortalidade.

O lendário ator John Carradine nasceu em 05/02/1906 em Nova Yorque (EUA) e seu nome verdadeiro era Richmond Reed Carradine. Ele participou de centenas de filmes ao longo de 60 anos de carreira, principalmente nos gêneros Horror, Ficção Científica e Western, vindo a falecer em 27/11/1988, em Milão, na Itália.

 

OBS.: Esse texto foi escrito originalmente em 1991 e publicado na edição impressa do fanzine “Vortex” # 4 (que depois mudou o nome para o atual “Juvenatrix”).

 

(RR – 1991 / revisão 07/09/2026)





O Castelo de Frankenstein (Frankenstein 1970, EUA, 1958)

Durante o final da década de 1950, a frequente exibição na televisão americana de velhos filmes fotografados em preto e branco sobre a “criatura de Frankenstein” estrelados por Boris Karloff e dos coloridos produzidos pela inglesa “Hammer”, ajudou a reacender a chama de um novo ciclo de horror em Hollywood. Entre os muitos filmes produzidos de baixo orçamento, dois foram inspirados na famosa personagem criada por Mary Shelley, “I Was a Teenage Frankenstein” (1957) e “Frankenstein’s Daughter” (1958). A produtora “Allied Artists” decidiu então modernizar a clássica história e lançou em 1958 o filme “O Castelo de Frankenstein” (Frankenstein 1970), chamando Boris Karloff para o papel principal. Ao contrário de seus filmes anteriores, ele interpretou o cientista criador, Barão Victor von Frankenstein, deixando o papel da criatura para Mike Lane. Seu último filme para a produtora havia sido “The Ape” em 1940, quando o estúdio ainda se chamava “Monogram” (somente em 1953 mudou o nome para “Allied Artists”).

“O Castelo de Frankenstein” mostra o último elemento vivo da família Frankenstein, o Barão Victor von Frankenstein, interpretado pelo genial Boris Karloff, tentando recriar a lendária criatura concebida muitos anos antes por seu ancestral. Seu castelo na Alemanha foi palco de perseguições durante a Segunda Guerra Mundial e ele tornou-se prisioneiro de um campo de concentração nazista por quinze anos, sofrendo violentas torturas dos soldados alemães, deixando no corpo do veterano barão marcas profundas, como cicatrizes no rosto e ferimentos na perna direita. Com o propósito de conseguir dinheiro para poder comprar um reator atômico que lhe daria energia para seus experimentos, ele permite que uma rede de televisão americana realize um filme sobre sua família utilizando seu castelo gótico como cenário. Ele próprio participa do filme em uma cena onde faz um discurso (fora do script original) verdadeiramente memorável. O cientista está na cripta subterrânea do castelo, onde estão enterrados seus ancestrais e após a leitura de um texto inscrito em uma lápide, ele inicia seu depoimento macabro.
Seguem as palavras inscritas na sepultura:
Richard Freiherr Von Frankenstein I (1702-1761) – Eu, Frankenstein, comecei meu trabalho no ano de 1740, com a melhor das intenções e esforço, com o elevado propósito de pesquisar os segredos da vida em si e conseguir o melhor para a humanidade.

E seu discurso em seguida:
Do que adiantou isso, meu querido ancestral? É,... primeiro ele tinha que aprender do que a carne é feita, ele teria que descobrir a arte de transplantar órgãos vitais de seres humanos para suas criaturas, costurando os pedaços até que tivesse todos os atributos da vida concebida por Deus. É claro... eu tenho que admitir... talvez ele não tenha sido muito escrupuloso a respeito de onde ele conseguia a matéria bruta. Mas, após 17 anos, seus esforços foram finalmente compensados. Ele criou um ser com vida. Mas para seu horror, ele descobriu que havia criado apenas um monstro, horroroso, forte, com um cérebro perverso, com um único pensamento de sobreviver. E para sobreviver ele matou, matou, matou e matou de novo. Até se transformar na imagem do diabo encarnado. Aí ele percebeu que o que havia criado teria que ser morto. Mas por ter sido seu criador, não sentiu remorsos de destruí-lo. Aí está, dentro daquele sarcófago. Nesta tumba, bem no fundo da terra, ele enterrou a sua criatura, a sua criação, no antigo túmulo onde foram enterradas várias gerações de sua família. Ele o fechou aqui para todo o sempre. Os seus órgãos vitais foram destruídos para que nunca mais nenhum outro mortal pudesse desafiar a Deus, o único e verdadeiro criador, ao qual pedimos misericórdia e perdão.

O monólogo foi interpretado com tamanho realismo pelo barão que os membros da equipe de filmagens se assustaram. Ele passa então a trabalhar secretamente em seu laboratório oculto embaixo da cripta, pois estava decidido a dar novamente vida à criatura selada na sepultura por seu ancestral. Enquanto trabalhava, um gravador registrava suas palavras:

Quinta-feira, dia 28, 3 horas. Voltando ao trabalho. Como resultado da retirada da carne do crânio, mantendo-o limpo e na temperatura exigida, os ossos se tornaram cristalizados. Agora iniciarei a reconstrução da fisionomia... assim que eu quiser... Mãos perfeitas, ambas verdadeiras e com transplantes de pele sintética. Poros abertos e normais. Tonalidade e textura dos tecidos firmes, não apresentando deterioração. Movimentos dos pulsos estáveis. Aguardando cirurgia plástica posterior para a retirada de todas as cicatrizes. O corpo apresenta um perfeito estado de conservação. Agora, pronto para os passos finais, para os transplantes cirúrgicos dos órgãos vitais necessários para completar a última etapa antes da utilização do reator atômico para reproduzir a vida.

O mordomo do barão, Shuter (Norbert Schiller), descobre acidentalmente o laboratório e é morto, sendo seu cérebro e coração transplantados para a criatura. Os registros das experiências prosseguem:

Agora cortando a aorta e as cavidades inferior e superior. Sistema automático de transfusão continua a fornecer sangue fresco. Ambos os corpos recebendo oxigênio. Os órgãos recentemente transplantados permanecem vivos e saudáveis. O coração retirado. Está recebendo massagem constante. Agora colocando-o no lado esquerdo do peito. Suturando a aorta na cavidade do coração. Mas prosseguindo com massagem ininterrupta durante a cirurgia. Mantendo o pulso e a circulação artificial do sangue no ritmo normal... O cérebro de Shuter está restaurado. Todas as membranas intactas. Continuidade entre a medula e o cordão espinhal restaurada. Cerebelo fechado e tudo reparado para as ligações padrões através da técnica microscópica.

A criatura estava finalmente pronta para receber vida e com a chegada do reator atômico, o barão pode finalmente realizar seu sonho insano.

Hora, 21:27. Temperatura da cápsula atômica, 7o C. Radiação normal. Agora estou ligando o gerador atômico de vapor. Ligando agora o tubo. Temperatura em 52o C. Grau de vapor em 3,6. Prosseguindo a experiência muito bem. Hora, 22:03. Toda a radiação acabou. Zero no mostrador.

E a criatura estava revivida, porém sem a visão. Para obter os olhos, ela assassinou dois membros da equipe de televisão. Mas por motivos científicos seus olhos não puderam ser aproveitados, cabendo a Wilhelm Gottfried (Rudolph Anders) a doação forçada dos mesmos. Ele era um velho amigo do barão e que por suspeitar de suas experiências, foi morto e seus olhos transplantados para o moderno monstro que estava sendo criado. E sua próxima vítima seria a estrela feminina da equipe de filmagens, Carolyn Hayes (Jana Lund), mas a criatura acaba poupando a vida da jovem garota e se volta contra seu criador.
Enquanto o barão e o monstro se confrontam, o reator atômico é acidentalmente acionado espalhando radiação pelo laboratório. Criador e criatura morrem.

“O Castelo de Frankenstein” tem uma história alternativa interessante dentro do sub-gênero do cinema de horror que aborda a temática da criatura homônima criada pela escritora Mary Shelley em 1818. Com elementos de ficção científica num roteiro ambientado em 1970, um futuro para a época da produção (que é de 1958), o filme explora uma combinação de horror gótico com o medo da era atômica, e tem a presença sempre marcante do imortal ator Boris Karloff, dessa vez como o cientista criador e não como o famoso monstro, que foi o papel que o consagrou na história do gênero.

“O Castelo de Frankenstein” (Frankenstein 1970, 1958) – avaliação: 6,5 (de 0 a 10)
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(postado em 07/12/05)

O Castelo de Frankenstein (Frankenstein 1970, Estados Unidos, 1958). Allied Artists. Preto e Branco. Duração: 83 minutos. Direção de Howard W. Koch. Produção de Aubrey Schenck. Roteiro de Richard Landau e George Worthing Yates, baseado em história de Aubrey Schenck e Charles A. Moses. Fotografia de Carl E. Guthrie. Maquiagem de Gordon Bau. Música de Paul A. Dunlop. Edição de John A. Bushelman. Assistência de direção de George Vieira. Elenco: Boris Karloff (Barão Victor von Frankenstein), Rudolph Anders (Wilhelm Gottfried), Norbert Schiller (Shuter), Jana Lund (Carolyn Hayes), Mike Lane (criatura), Tom Duggan (Mike Shaw), Irwin Berke (Inspetor Raab), Donald Barry (Douglas Row), Charlotte Austin (Judy Stevens), John Dennis (Morgan Haley), Franz Roehn, Joe Ploski, Otto Reichow.

A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, EUA, 1958, PB)



Apenas os fantasmas desta casa estão felizes em estarmos aqui – Watson Pritchard

De todos os filmes com histórias situadas dentro do subgênero do cinema de horror que trata o tema de casas assombradas por fantasmas perturbados, um dos maiores representantes é uma produção despretensiosa de baixo orçamento do final dos anos 50, fotografada em preto e branco, com duração de apenas 75 minutos, dirigida pelo criativo cineasta William Castle e estrelada pelo lendário Vincent Price, no ápice de sua carreira de sucesso.

Em “A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, 58), um milionário excêntrico, Frederick Loren (Vincent Price), convida cinco pessoas desconhecidas (mas escolhidas criteriosamente), para participarem de uma festa assombrada numa mansão alugada e com fama de amaldiçoada por causa de um passado de violência envolvendo o assassinato de sete pessoas. O desafio proposto pelo playboy rico é para os convidados passarem uma noite inteira na casa e caso sobrevivam à macabra experiência, receberiam um cobiçado prêmio de US$ 10 mil cada um.
O grupo é formado por Watson Pritchard (Elisha Cook Jr.), um homem bêbado e atormentado pelo passado obscuro de uma mansão de sua propriedade e onde ocorreram vários assassinatos violentos e anormais; Lance Schroeder (Richard Long), um galã piloto de testes de aviões a jato, homem corajoso e ganancioso pelo prêmio em dinheiro; Dr. David Trent (Alan Marshal), um médico psiquiatra interessado em estudar os efeitos de histeria no grupo provocado pelo medo; além de duas mulheres, a jornalista Ruth Bridgers (Julie Mitchum), que além do dinheiro quer também coletar informações para um artigo sobre fantasmas; e a bela e jovem Nora Manning, uma datilógrafa funcionária de uma das empresas de Frederick Loren, escolhida por necessitar do dinheiro para sua família impossibilitada de trabalhar por causa de um acidente. Ao grupo junta-se ainda Annabelle Loren (Carol Ohmart), a quarta esposa do misterioso milionário e anfitrião, uma bela mulher mas infeliz no casamento, com uma crise conjugal que evidencia apenas interesses na relação. A enorme mansão ainda tem um casal de velhos empregados formado pelo assustador Jonas Slydes (Howard Hoffman) e sua tétrica esposa cega (interpretada por Leona Anderson).
A festa, supostamente em homenagem à Annabelle, demonstra claramente uma característica de excentricidade, onde após as apresentações entre o anfitrião e os convidados, é formalizado o desafio do prêmio em dinheiro para quem sobrevivesse naquela noite, onde depois da meia-noite todas as portas seriam trancadas e seria impossível sair ou solicitar ajuda externa, com os empregados deixando a casa apenas para os cinco convidados, além do casal de anfitriões.
Uma série de eventos misteriosos passa então a envolver o ambiente sinistro da casa, aumentando a tensão com um clima perturbador de claustrofobia, com direito a sangue pingando do teto, porão com um tanque de ácido corrosivo, portas rangendo que abrem e fecham sozinhas, cabeças decepadas, enforcamento, assassinatos, paredes que se movimentam, tempestade com relâmpagos, piano que toca sozinho, candelabro despencando do teto, aparições de fantasmas e esqueletos, e outras bizarrices mais, as quais tentam tornar cada vez mais dificultosa a tarefa de sobreviver àquela noite na “casa da colina amaldiçoada”.

“A Casa dos Maus Espíritos” custou apenas US$ 150 mil e recebeu um incrível retorno de bilheteria que motivou William Castle a continuar filmando suas produções baratas. O sucesso comercial desse filme serviu até de inspiração para o lendário Alfred Hitchcock fazer também o seu filme de baixo orçamento, nascendo para nossa sorte o antológico clássico em preto e branco “Psicose” (Psycho, 60). O roteiro de Robb White, que colaborou com Castle em vários outros filmes, consiste basicamente numa história simples de mansão assombrada por fantasmas, possuindo todos aqueles elementos típicos do estilo. Mas a presença de Vincent Price, a campanha criativa de marketing, e o fato de pertencer à década de ouro do cinema fantástico, tornaram-no uma preciosidade que não pode deixar de fazer parte do acervo de horror dos colecionadores e apreciadores de filmes antigos.

O diretor e produtor americano William Castle, nascido em New York em 1914 e falecido na Califórnia em 1977, ficou eternamente conhecido no cinema de horror por sua criatividade em campanhas de marketing no lançamento de seus filmes produzidos com pouco dinheiro. Em “Macabro” (Macabre, 58), ele ofereceu apólices de seguro de vida para quem morresse de medo no cinema. Já em “A Casa dos Maus Espíritos”, o diretor utilizou um dispositivo especial para assustar o público nas salas de exibição, um sistema batizado de “Emergo”, que consistia num esqueleto humano iluminado movimentado por um complexo mecanismo de polias, cordas e correias, que era arremessado por cima das pessoas justamente na cena do filme onde um esqueleto emergia de um tanque de ácido. Suas inovações em interagir com o público continuaram e no ano seguinte, em “Força Diabólica” (The Tingler), ele inventou um truque chamado de “Percepto” onde as cadeiras do cinema vibravam e liberavam pequenos choques elétricos nas cenas de tensão do filme. E em 1960, com “Treze Fantasmas” (13 Ghosts), o efeito inovador dessa vez, conhecido por “Illusion-O”, era um óculos de papel com uma das lentes na cor azul e a outra vermelha, que permitia ao espectador visualizar os espectros do filme.
Em 1993, o diretor Joe Dante homenageou o criativo William Castle em seu filme “Matinee – Uma Sessão Muito Louca” (Matinee), que contava justamente a história de um cineasta nos anos 50 que inovava o gênero horror e ficção científica com filmes baratos e sistemas de interação com o público dos cinemas.

O selo “Dark Side” (que já editou também a revista de horror “Cine Monstro”) presenteou o público que aprecia os filmes antigos de horror e lançou “A Casa dos Maus Espíritos” em 2004 por aqui no formato DVD, trazendo como material extra uma pequena sinopse, além de um interessante trailer original de cinema legendado em português, e duas boas biografias do diretor William Castle e do lendário astro Vincent Price.

Curiosamente, o filme é o último trabalho da curta carreira artística de Julie Mitchum, irmã do consagrado ator Robert Mitchum. O esqueleto que aparece na história recebeu uma atenção especial nos créditos finais, onde os produtores registraram sua participação informando a interpretação dele mesmo. A casa utilizada para as filmagens de tomadas externas foi construída em 1924 em Los Angeles. Em 1999 foi produzida uma refilmagem pela “Dark Castle”, com direção de William Malone e que recebeu o nome por aqui de “A Casa da Colina” (House on Haunted Hill). O ator Geoffrey Rush, que fez o papel do milionário Stephen Price, tem o sobrenome de seu personagem igual ao sobrenome do cultuado astro Vincent Price de “A Casa dos Maus Espíritos”. E reparando bem, coincidentemente ambos os atores até que possuem semelhanças físicas. Aliás, no filme de 1958, o milionário Frederick Loren oferecia a quantia de US$ 10 mil para cada um dos convidados passarem uma noite numa casa assombrada, e na refilmagem de mais de quarenta anos depois, o valor do prêmio oferecido subiu para incríveis US$ 1 milhão, ou seja, cem vezes mais, refletindo a mudança para os tempos modernos.

“A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, 1958) – artigo # 307 – data: 03/04/05 – avaliação: 8,5 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br
(postado em 06/12/05)

“A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, Estados Unidos, 1958). Allied Artists, Preto e branco, 75 minutos. Direção e produção de William Castle. Roteiro de Robb White. Fotografia de Carl Guthrie. Música de Von Dexter. Edição de Roy Livingston. Direção de Arte de David Milton. Efeitos Especiais de Herman Townsley. Maquiagem de Dick Jack Dusick. Elenco: Vincent Price (Frederick Loren), Carol Ohmart (Annabelle Loren), Richard Long (Lance Schroeder), Alan Marshal (Dr. David Trent), Carolyn Craig (Nora Manning), Elisha Cook Jr. (Watson Pritchard), Julie Mitchum (Ruth Bridgers), Howard Hoffman (Jonas Slydes), Leona Anderson (Sra. Slydes), Esqueleto (Ele mesmo).









O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles, Inglaterra, Hammer, 1959)

 


O escritor escocês Sir Arthur Conan Doyle (1859 / 1930) é bastante conhecido na literatura fantástica principalmente pela criação do detetive Sherlock Holmes, um homem aristocrático de grande inteligência e astúcia para desvendar casos misteriosos e de difícil solução. Entre suas diversas histórias envolvendo o famoso detetive, uma das mais conhecidas e utilizadas como inspiração para o cinema é “O Cão dos Baskervilles” (The Hound of the Baskervilles).
A história procura explorar uma trama com supostos elementos sobrenaturais e recebeu muitas versões no cinema, sendo que as mais importantes são a produção em preto e branco de 1939 dirigida por Sidney Lanfield e estrelada por Basil Rathbone, Nigel Bruce, Lionel Atwill e John Carradine, e o filme colorido da “Hammer” lançado vinte anos depois, com direção do especialista Terence Fisher (cineasta responsável pelos filmes mais cultuados do estúdio inglês), e protagonizado pela dupla Peter Cushing e Christopher Lee, dois dos maiores ícones do horror de todos os tempos.

O filme começa com uma narração do médico Dr. Richard Mortimer (Francis De Wolff), falando da lenda do “Cão dos Baskervilles”, intercalada com um prólogo apresentando um nobre excêntrico, Sir Hugo Baskerville (David Oxley), que gosta de realizar encontros em sua mansão com os amigos de bebida, em Dartmoor, no interior da Inglaterra, onde ele aproveita para exibir seu comportamento arrogante e prepotente, características que despertaram a ira de seus inimigos e a criação de uma lenda maldita que se abateu sobre sua família.

Vou lhes contar a lenda do Cão dos Baskervilles. Saibam que a grande mansão dos Baskervilles uma vez foi ocupada por um certo Sir Hugo, um homem violento, profano, ateu e perverso. Na verdade, nele existia um certo humor cruel e ameaçador, que fez do seu nome objeto de desprezo no país...”
“… Então, o destino de Sir Hugo Baskerville apareceu sob a forma de um cão do inferno, e trouxe eternamente para a família Baskerville a desgraça. Portanto, atenção, e tenha cuidado nos pântanos durante a noite, quando o Mal está à espreita. Ou então, com certeza você encontrará o Cão do Inferno, o Cão dos Baskervilles... Assim termina a lenda...


O Dr. Mortimer convoca então o detetive Sherlock Holmes (Peter Cushing) e seu fiel parceiro Dr. John H. Watson (Andre Morell, de “Epidemia de Zumbis”, filme de mortos-vivos também da “Hammer”, de 1966), para tentarem desvendar a maldição da lenda do “Cão dos Baskervilles”, após a morte em circunstâncias misteriosas de Sir Charles, encontrado morto no pântano nas redondezas da mansão da família, com o rosto marcado por um olhar completamente aterrorizado.
As atenções estão voltadas agora para a segurança de Sir Henry Baskerville (Christopher Lee), sobrinho do falecido e o último descendente vivo da família amaldiçoada. Ele chegou para tomar posse da mansão, a qual está sob os cuidados de um velho casal de empregados, Sr. Barrymore (John Le Mesurier) e sua esposa (Helen Goss). Nas imediações, existem apenas florestas e campos de caça, sendo que os vizinhos mais próximos são um fazendeiro mais pobre, Sr. Stapleton (Ewen Solon), e sua bela filha Cecile (Marla Landi), por quem Sir Henry se sente perigosamente atraído.
O desafio do detetive Sherlock Holmes e seu companheiro Dr. Watson é investigar a verdade por trás da lenda do “cão do inferno” que aterroriza a família Baskerville, e tentar evitar que a maldição transforme Sir Henry em sua próxima vítima.

O filme apresenta basicamente uma história de vingança e maldição histórica na forma de uma lenda envolvida em eventos sobrenaturais. Para a satisfação dos apreciadores das produções da “Hammer”, não faltam aqueles elementos tradicionais e característicos dos filmes do estúdio na figura de uma mansão gótica localizada numa floresta fantasmagórica e ameaçadora à noite, envolta em névoas que poderiam ocultar charcos mortais, além de ruínas abandonadas e uivos noturnos aterrorizantes.

Entre as curiosidades, podemos citar o fato de que os produtores tinham a intenção de criar uma série de filmes com Peter Cushing fazendo papel de Sherlock Holmes, mas “O Cão dos Baskervilles” foi o único por causa da reação desfavorável do público, que demonstrou sua preferência pelos filmes com monstros como o vampiro Drácula, a criatura de Frankenstein e a Múmia, entre outros. Esse filme também pode ser lembrado como um dos poucos da “Hammer” em que Christopher Lee não aparece como um vilão, e ao contrário, ele faz o papel de um homem aristocrático e galã conquistador (mesmo que discreto), tanto que não faltam cenas mais românticas envolvendo Sir Henry Baskerville e a jovem Cecile, vizinha de sua mansão. Outra curiosidade notável é que o destemido detetive Sherlock Holmes não deixou de dizer para seu amigo e confidente Dr. Watson, a conhecida frase que caracterizou suas performances nas investigações dos diversos casos misteriosos: “Elementar, meu caro Watson”.

Para a felicidade da imensa legião de fãs da produtora “Hammer”, “O Cão dos Baskervilles” foi lançado em DVD no Brasil pela “PlayArte” em 02/06/05. Porém, sem extras relacionados ao filme, pois o disco traz apenas três trailers de divulgação de outros lançamentos da distribuidora, o clássico de horror “O Corvo” (The Raven, 63), de Roger Corman e com Vincent Price, Boris Karloff e Peter Lorre, “A Ilha da Garganta Cortada” (Cuthroat Island, 95), uma aventura de capa e espada com Geena Davis, e o drama de suspense “Justiça Vermelha” (Red Corner, 97), com Richard Gere. Em compensação, o DVD traz a opção de dublagem em português, com as mesmas vozes da época em que foi exibido na televisão, e que são bem conhecidas por aqueles que acompanhavam os filmes da “Hammer” na telinha nos anos 70 e 80.

“O Cão dos Baskervilles” (The Hound of the Baskervilles, 1959) # 332 – data: 13/08/05 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 06/12/05)

O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles, Inglaterra, 1959). Hammer. Duração: 87 minutos. Direção de Terence Fisher. Roteiro de Peter Bryan, a partir de história de Sir Arthur Conan Doyle. Produção de Anthony Hinds. Produção Executiva de Michael Carreras. Elenco: Peter Cushing (Sherlock Holmes), Christopher Lee (Sir Henry Baskerville), Andre Morell (Dr. John H. Watson), Francis De Wolff (Dr. Richard Mortimer), David Oxley (Sir Hugo Baskerville), John Le Mesurier (Sr. Barrymore), Helen Goss (Sra. Barrymore), Ewen Solon (Sr. Stapleton), Marla Mandi (Cecile Stapleton).






Além da Imaginação: Os Invasores (The Twilight Zone: The Invaders, EUA, 1959/64) - série de TV


Entraremos numa dimensão não só de imagem e som, mas da mente. Sua fronteira ultrapassa a imaginação. Um cartaz diz: Próxima Parada: Além da Imaginação

Esse é um dos textos alternativos de abertura da fantástica série de televisão “Além da Imaginação” (The Twilight Zone, 1959/64), criada por Rod Serling e que apresentava histórias de viagens no tempo, mundos paralelos, andróides, alienígenas, viagens espaciais, fantasmas, vampiros e demônios. Um dos maiores méritos da série era justamente conseguir contar histórias fascinantes ambientadas na “Zona do Crepúsculo” (do nome original), ou “Além da Imaginação” (no igualmente interessante nome nacional), com poucos recursos, orçamentos mínimos para a produção, utilizando na maioria das vezes poucos cenários e atores, e com casos de apenas um único cenário e um único ator, como é o caso do episódio “Os Invasores” (The Invaders), exibido pela primeira vez nos Estados Unidos em 27 de Janeiro de 1961.
Aliás, esse episódio é um daqueles que você vê uma vez e não se esquece jamais, de tão marcante que é a história, e que fica na nossa lembrança para sempre. Episódios como “Onde Estão Todos?”, “Tempo Suficiente”, “Terceiro Planeta do Sol”, “A Nave da Morte”, “O Túmulo Submerso”, e vários outros, são inesquecíveis para quem aprecia uma boa história de Horror e Ficção Científica. Eu assisti “Os Invasores” pela primeira vez há muitos anos atrás numa rara mostra de séries de TV promovida pelo extinto fanzine “E No Próximo Episódio...”, em versão original sem legendas. O fato de estar sem legendas não trazia grandes problemas, pois o filme tem apenas uma fala e no final, e era perfeitamente possível entender o que estava acontecendo. Somente agora, muito tempo depois, é que pude assistir novamente através do lançamento de um DVD pela “Global”, contendo três episódios curtos da série, e entre eles “Os Invasores”.

É muito difícil abordar esse episódio sem revelar importantes “spoilers”, portanto para quem não viu ainda e não quer saber os detalhes reveladores, a sugestão é não ler as informações que seguem abaixo. Mas se você já teve o prazer de assistir ou não viu ainda mas está curioso e tem dificuldade em conseguir uma forma de ver esse episódio em particular, prepara-se então para mergulhar na “Zona do Crepúsculo”...

“Os Invasores”, assim como todos os episódios da série, inicia com uma narração de Rod Serling introduzindo algumas informações sobre a história que será apresentada:

Este é um lugar longe de tudo, um lugar onde ninguém vem. Abandonado, quase morto. É uma casa de fazenda. Feita à mão, rústica, uma casa sem eletricidade e sem gás. Uma casa onde o progresso não chegou.”
“Esta é a mulher que mora na casa. Uma mulher que vive sozinha há muitos anos. Uma mulher forte, cujo único problema até agora era se alimentar. Uma mulher que está para encarar o terror que está chegando agora da zona Além da Imaginação.


O episódio inicia mostrando uma mulher já idosa (Agnes Moorehead), que vive reclusa numa casa simples de madeira no meio do mato, preparando seu jantar num enorme caldeirão no fogo. Concentrada no que estava fazendo, ela de repente ouve um ruído estranho e muito alto vindo do telhado, e logo depois percebe que algo pesado se chocou contra o teto, a ponto dela perder o equilíbrio e cair no chão, além da formação de uma nuvem de poeira que preencheu a cozinha.
Ela decide subir por uma escada e checar o que houve no telhado. Para sua surpresa, ela encontra uma nave em forma de um disco voador, que aterrissou no topo de sua casa. Enquanto desconfiava o que poderia ser aquele estranho objeto, uma plataforma se abre no disco e uma criatura pequenina sai de seu interior, utilizando uma roupa especial como armadura (parecendo na verdade um pequeno robô de brinquedo, enfatizando o baixo orçamento para a produção do episódio). Assustada, a mulher reage ao invasor e o agride, enquanto uma outra criatura igual também sai da nave e a ataca com uma espécie de arma que emite uns ruídos típicos daquelas pistolas dos filmes bagaceiros de ficção científica.
A partir daí, começa uma intensa batalha entre a enorme mulher e os seres invasores pequeninos, com direito a um intenso clima de suspense no confronto entre eles. De um lado, uma mulher solitária e apenas querendo se defender e proteger sua casa. De outro, dois seres invasores totalmente desconhecidos, vindos numa misteriosa nave voadora, com propósitos de explorar um ambiente diferente e trazendo consigo o terror.
A guerra entre a mulher e os invasores do espaço vai aumentando gradativamente sua intensidade de violência e luta pela sobrevivência de ambos os lados, num interessante jogo de gato e rato na escuridão da casa, iluminada apenas pela luz fraca de arcaicas lamparinas. A mulher luta bravamente por sua vida, mesmo dispondo de recursos precários para se defender como um pedaço de madeira e um machado, e que de tão descabelada e babando de forma desenfreada, mais parece um monstro desesperado. Já os pequeninos invasores, protegidos por uma roupa especial e armados, pareciam estar em vantagem acuando a pobre mulher dentro de sua própria casa.
Depois de uma intensa luta, um dos invasores é brutalmente morto pela mulher, que se utilizando do fato de ser gigante em relação a eles, conseguiu capturar um com as mãos e matá-lo chocando-o violentamente contra um banco de madeira, e jogando-o logo em seguida para queimar no fogo de uma lareira. O outro invasor, revoltado, ainda tentou contra atacar mas preferiu fugir em direção à nave.
Porém, antes que ele pudesse levantar vôo, a mulher gigante sobe rapidamente no telhado e munida de um pequeno machado estraçalha o objeto voador com uma enorme série de golpes. Em meio às fortes pancadas desferidas pela mulher, alucinada em destruir a nave, surge a única fala de todo o episódio, na voz desesperada de um astronauta prestes a morrer.

Controle central, responda! Controle central, está ouvindo? Graston está morto! Repito, Graston está morto! A nave está destruída! Incrível raça de gigantes aqui! Raça de gigantes... Pare, Controle Central! Não ataque! Repito, não ataque! É demais para nós. São poderosos. Afastem-se daqui! Vou morrer... É o meu fim... Afastem-se! Afastem-se!...

A câmera então faz uma tomada da mulher segurando o machado, depois da nave destruída, e por fim focalizando uma inscrição no disco voador revelando ser originário da Terra... Os invasores eram seres humanos, pequenos homens exploradores do espaço sideral, e que encontraram a morte ao invadirem um mundo povoado por seres gigantes...
O narrador Rod Serling retorna então e encerra mais uma excepcional história passada na “Zona do Crepúsculo”, com as seguintes palavras:

Estes eram os invasores, seres minúsculos de um minúsculo lugar chamado Terra, que se lançaram ao espaço para chegar à interrogação que acena na imensidão do Universo que é só imaginado. Os invasores viram que esta viagem é sem volta e pagaram um alto preço. E vimos agora a penetração na razão que recobre as transações com o Universo. Uma nota pronta e que é encontrada vazia na zona Além da Imaginação”.

Entre as curiosidades destaca-se o fato da nave de “Os Invasores”, com seu formato tipicamente de um tradicional disco voador, ser a mesma que apareceu num outro episódio igualmente excepcional da série chamado “A Nave da Morte” (Death Ship), de 50 minutos, escrito por Richard Matheson, pertencente à quarta temporada e exibido pela primeira vez em 07/02/1963. Dirigido por Don Medford, o elenco tinha rostos conhecidos da televisão naquela época como Ross Martin (o Artemus Gordon de “James West”) e Jack Klugman. A mesma nave foi também utilizada anteriormente no clássico da Ficção Científica “Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956), de Fred McLeod Wilcox e com Walter Pidgeon, Leslie Nielsen, Anne Francis e Warren Stevens, além do famoso robô Robby, um dos mais fascinantes de toda a história do gênero. No filme, a nave é o imponente Cruzador Interplanetário C-57D, criado pela humanidade para percorrer longas distâncias no espaço sideral e colonizar planetas desconhecidos.
Outros detalhes curiosos são que a única fala do filme, em seu trágico desfecho, foi feita pelo próprio diretor Douglas Heyes, e a única atriz do episódio foi interpretada pela veterana Agnes Moorehead (1900/1974), mais conhecida como a bruxa Endora, mãe de Samantha Stephens (Elizabeth Montgomery), na divertida série de TV “A Feiticeira” (Bewitched, 1964/72).
O escritor americano Rodman Edward Serling nasceu em 25/12/1924 em Syracuse, New York, e faleceu em 28/06/1975, devido a complicações coronárias por ser um fumante obsessivo. Entre seus trabalhos no cinema fantástico, destaca-se o roteiro do clássico da Ficção Científica “O Planeta dos Macacos” (68), além de ser o criador e apresentador de séries como “Além da Imaginação” (filmada em preto e branco e que teve 138 episódios de 25 minutos e mais 18 com 50 minutos), e “Galeria do Terror” (Night Gallery, 1970/73).
A maioria dos episódios de “Além da Imaginação” foram escritos por Rod Serling e por outros dois escritores igualmente consagrados, Charles Beaumont e Richard Matheson. Aliás, Matheson nasceu em 1926 e suas histórias aparecem em uma infinidade de filmes divertidos como “O Incrível Homem Que Encolheu” (57) e o mais recente “Ecos do Além” (99), ou ainda “Mortos Que Matam” (64) e “A Última Esperança Sobre a Terra” (71), produzidos a partir de seu livro de vampiros “Eu Sou a Lenda”. Sua contribuição como roteirista inclui a série de filmes baseada na obra de Edgar Allan Poe e dirigida por Roger Corman, com “A Queda da Casa de Usher” (60), “O Poço e o Pêndulo” (61), “Muralhas do Pavor” (62) e “O Corvo” (63), além de outros como “Robur, o Conquistador do Mundo” (61), “Farsa Trágica” (64), “As Bodas de Satã” (68), “Encurralado” (71), “A Casa da Noite Eterna” (73) e “Drácula” (73), este com Jack Palance no papel do vampiro.

O DVD da série clássica “Além da Imaginação” lançado no Brasil ainda traz outros dois episódios, igualmente interessantes.
“Noite de Natal” (Night of the Meek), também chamado de “A Noite dos Humildes”, é o número 47, exibido pela primeira vez em 23/12/1960, com direção de Jack Smight, escrito por Rod Serling e estrelado por Art Carney, John Fiedler e Burt Mustin. É uma fábula sobre um homem bêbado e angustiado, Henry Corwin (Art Carney), que trabalha numa loja de departamentos na época do natal, vestindo uma roupa de Papai Noel para tentar alegrar as crianças, porém uma experiência fantástica iria mudar completamente os rumos de sua vida.
“Nada no Escuro” (Nothing in the Dark), é o episódio número 81, exibido pela primeira vez em 05/01/1962, dirigido por Lamont Johnson, escrito por George Clayton Johnson, e estrelado por Robert Redford, Gladys Cooper e R. G. Armstrong. Uma senhora idosa, Wanda Dunn (Gladys Cooper) está há muito tempo isolada em sua casa, não saindo para nada, com medo da chegada da morte para levá-la. Porém, quando um jovem policial, Harold Beldon (o consagrado astro Robert Redford, em início de carreira), é baleado e pede ajuda à velha senhora, ela aprende que a morte pode não ser tão horrível assim.
Entre o material extra temos apenas uma biografia de Rod Serling e uma sinopse resumida de cada episódio (com direito até à revelação de um importante “spoiler” no caso de “Os Invasores”). Na capa do DVD está anunciado um documentário especial chamado “Por Dentro de Além da Imaginação” que não está incluso, numa falha grotesca e desrespeito ao colecionador que comprou o DVD. Aliás, o disco foi lançado em Março de 2003, mas desapareceu do mercado rapidamente, sendo muito difícil encontrar ainda cópias disponíveis nas lojas, e a coleção infelizmente não teve prosseguimento, sendo que foi lançado apenas esse disco com três episódios e descrito como “Volume 1”.

“Além da Imaginação – Os Invasores” (The Twilight Zone, 1959/64 – The Invaders, 27/01/61) – artigo # 233 – data: 31/03/04
avaliação: 10 (de 0 a 10)
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“Além da Imaginação” (The Twilight Zone, Estados Unidos, 1959/64). Metro-Goldwyn-Mayer – O episódio “Os Invasores”, tema desse artigo, pertence à segunda temporada da série, de 1960/61, número 51, exibido pela primeira vez na televisão americana em 27/01/1961. “Os Invasores” (The Invaders) – Roteiro de Richard Matheson. Produção de Buck Houghton. Direção de Douglas Heyes. Fotografia de George T. Clemens. Música de Jerry Goldsmith. Elenco: Agnes Moorehead (Mulher), Douglas Heyes (Voz do astronauta). Duração: 25 minutos. Preto e Branco.



Além da Imaginação: O Túmulo Submerso (The Twilight Zone: The Thirty-Fathom Grave, EUA, 1959/64) - série de TV


Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação.

Esse é um dos nostálgicos e memoráveis textos de abertura de uma das mais fantásticas e imortais séries de televisão de ficção científica, horror e fantasia de todos os tempos: Além da Imaginação (The Twilight Zone, 1959/1964). A introdução é narrada por seu criador Rod Serling, que também é o responsável por outra série similar do início dos anos 1970, Galeria do Terror (Night Gallery, 1970/1972), que teve um filme piloto chamado “Retrato de Um Pesadelo”, dividido em três episódios independentes e onde curiosamente um deles foi dirigido por Steven Spielberg em sua estréia profissional.
Serling, juntamente com os escritores Richard Matheson e Charles Beaumont, são os autores da maior parte dos roteiros de “Além da Imaginação”, com seus inesquecíveis episódios com temática fantástica, abordando histórias com elementos sobrenaturais ou inexplicáveis, como viagens no tempo, mundos paralelos, robôs, andróides, viagens espaciais, alienígenas, assombrações, fantasmas, vampiros, demônios, monstros e todo tipo de situações misteriosas e estranhas ambientadas na chamada “Zona do Crepúsculo” (Twilight Zone, do título original).
A série teve 138 episódios de 25 minutos de duração cada, e mais 18 episódios de 50 minutos num total de 5 temporadas. Produzida em preto e branco e filmada com baixo orçamento, sem grandes efeitos especiais, sua maior qualidade está no alto nível das histórias com o melhor do horror e ficção científica de uma época de ouro do cinema fantástico, comprovado também por outras séries similares e do mesmo período como “Alfred Hitchcock Apresenta” (Alfred Hithcock Presents, 1955/1961, com 260 episódios de 25 minutos) e “Quinta Dimensão” (The Outer Limits, 1963/1964, com 49 episódios de 50 minutos).
Em 1983 foi lançado o filme “No Limite da Realidade” (The Twilight Zone – The Movie), dividido em quatro episódios e produzido por Spielberg como uma homenagem à Rod Serling e a série original. E pouco tempo depois, entre 1985 e 1988 foi produzida uma nova versão para “Além da Imaginação”, só que desta vez a cores. Ainda no mesmo ano foi lançada outra série nos mesmos moldes, “Histórias Fantásticas” (Amazing Stories, 44 episódios de 25 minutos), com o filme piloto “Contos Assombrosos” apresentando três histórias. Ambas as séries não conseguiram atingir o mesmo nível daquelas saudosas das décadas de 1950 e 60, apesar da participação de grandes nomes nos projetos como John Landis, Joe Dante, Robert Zemeckis, Wes Craven, Richard Donner, George Miller, William Friedkin e Steven Spielberg, e em pouco tempo ambas foram canceladas.
Além da nova versão de “Além da Imaginação” de meados dos anos 1980, teve também uma outra série com o mesmo nome produzida em 2002, apresentada pelo ótimo ator Forest Whitaker (de “Platoon” e “O Quarto do Pânico”). A primeira temporada teve 22 programas com 2 episódios de 30 minutos cada, totalizando 44 histórias filmadas entre 18/09/02 e 21/05/03. Vários episódios são literalmente refilmagens de originais dos anos 60 como “The Monsters Are On Maple Street” e “Eye of the Beholder”. Outros são variações de argumentos da primeira série como “Dream Lover”, inspirado em “A World of His Own”, “The Path”, baseado em “Nick of Time”, “Into the Light”, inspirado em “The Purple Testament”, ou ainda o episódio duplo “The Lineman”, baseado em “A Penny For Your Thoughts”. E os outros são histórias novas com abordagens mais atuais. Porém, a produção da segunda temporada foi cancelada devido à pequena audiência na televisão americana.

Voltando ao original preto e branco de “Além da Imaginação”, um episódio que merece uma atenção especial por sua temática de horror e história de fantasmas é “O Túmulo Submerso” (The Thirty-Fathom Grave), com duração de 50 minutos e escrito pelo genial Rod Serling, sobre uma missão naval de rotina da marinha americana em 1963 que é interceptada por um misterioso ruído vindo de um submarino naufragado há mais de 20 anos na Segunda Guerra Mundial.

Incidente à 100 milhas da Costa de Guadalcanal. Época presente. Um destroyer da marinha dos Estados Unidos num cruzeiro dos mais monótonos. Dentro em pouco mandarão um homem descer à 30 braças e apurar a origem do ocorrido. Alguém ou alguma coisa está batendo no metal. Talvez se possa, talvez não, ver os resultados num relatório naval, porque o Capitão Beecham e sua tripulação entraram com este navio num rumo que o levará e a todos que nele se encontram, além da imaginação.

Com esta introdução narrada por Serling, inicia-se mais uma história fantástica, dessa vez ambientada num navio militar no Oceano Pacífico Sul em 1963. Ao interceptar um estranho barulho seco, como batidas contra algo metálico, vindas do fundo do mar, o Capitão Beecham (Simon Oakland) ordena à tripulação para parar o navio e averiguar o ocorrido. Um mergulhador é enviado ao mar e descobre um submarino de 300 pés de comprimento e 23 pés de largura semi enterrado no fundo, com sinais de destruição por bombas e projéteis em seu casco. De seu interior são ouvidos ruídos misteriosos que podem indicar algum sobrevivente em busca de socorro. Mais tarde descobre-se também através de seu número de série (714) que se trata de uma embarcação americana que naufragou em 07/08/1942 em combate contra os japoneses na Segunda Guerra Mundial. Enquanto isso, um dos marinheiros do navio, Chefe Bell (Mike Kellin) começa a ter estranhos delírios e alucinações, sentindo como se homens o estivessem chamando, e tendo visões de fantasmas de marinheiros mortos do submarino naufragado. As batidas metálicas persistem e então o Capitão Beecham resolve chamar uma equipe de salvamento para o submarino, apesar da improbabilidade de sobreviventes na embarcação afundada há muitos anos. Enquanto a equipe de resgate faz seu trabalho no submarino abatido, é revelada uma misteriosa relação entre o Chefe Bell e o “túmulo submerso de trinta toneladas”.
Uma fantástica história de horror, fantasmas e psicose com as seguintes palavras do narrador Rod Serling encerrando o episódio. “Uma pequena missão naval no mês de abril de 1963. Não constará de nenhum anal histórico mas será arquivado sob a letra C de Caçada além da imaginação”.

Curiosamente, uma frase do Capitão Beecham reforça ainda mais a irracionalidade da guerra. “... a pior coisa que a guerra faz não é apenas o que ela faz aos corpos, mas o que ela faz às mentes”. E um fato real acontecido há pouco tempo nos mares gelados do norte da Europa indica uma forte relação com esse episódio de “Além da Imaginação”. Trata-se do naufrágio de um submarino russo devido a um acidente, e que vitimou com uma morte horrenda dezenas de marinheiros num túmulo submerso.

“Além da Imaginação – O Túmulo Submerso” (The Twilight Zone, 1959/64 – The Thirty-Fathom Grave) – avaliação: 8,5 (de 0 a 10)
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blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 06/12/05)

Além da Imaginação (The Twilight Zone, Estados Unidos, 1959/64). Metro-Goldwyn-Mayer – O episódio “O Túmulo Submerso”, tema desse artigo, pertence à quarta temporada da série, de 1963. O Túmulo Submerso (The Thirty-Fathom Grave) – Roteiro de Rod Serling. Produção de Herbert Hirschman. Direção de Perry Lafferty. Fotografia de George T. Clemens. Elenco: Mike Kellin (Chefe Bell), Simon Oakland (Capitão Beecham), David Sheiner (Doctor), John Considine (McClure), Bill Bixby, Tony Call, Derrick Lewis, Conlan Carter, Charles Kuenstle, Forrest Compton, Henry Scott, Vince Bagetta, Louie Elias. 50 minutos. Preto e Branco.