“Lembre-se: gritar na hora certa pode salvar sua vida.”
– William Castle
Imagine
num mesmo filme a parceria de dois nomes com grande relevância e associação com
o gênero horror, o produtor e diretor William Castle e o ator Vincent Price
(ícone eterno ao lado de Bela Lugosi, Boris Karloff, Christopher Lee e Peter Cushing).
Pois essa dupla esteve em dois projetos divertidos do final doa anos 50 do
século passado: “A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, EUA, 1958),
explorando o tema de casas assombradas, e “Força Diabólica” (The
Tingler), lançado no ano seguinte e com uma história de “cientista louco” em
experiências com uma criatura bizarra que se materializava na espinha dorsal das
pessoas quando em estado de medo extremo.
No roteiro de Robb White, o patologista Dr. Warren Chapin (Vincent
Price) trabalha numa penitenciária realizando autópsias nos presidiários com
pena de morte. Ele tem um interesse especial em experiências com os cadáveres
para estudar uma teoria onde todas as pessoas possuem um pequeno monstro
internamente nas vértebras atrás do pescoço, que se desenvolve pelo medo e
pavor, podendo ser combatido apenas com a reação de gritos desesperados como
único mecanismo de defesa.
Seu assistente é o jovem David Morris (Darryl Hickman), namorado
de Lucy Stevens (Pamela Lincoln), que é a irmã da esposa infiel do cientista,
Isabel Stevens Chapin (Patricia Cutts), em crise de relacionamento conjugal
repleta de ameaças e ironias recíprocas.
Depois que o Dr. Chapin conhece Oliver Higgins (Philip Coolidge) e
sua esposa surda e muda Martha (Judith Evelyn), proprietários de uma pequena sala
de cinema, ele aproveita a oportunidade de fazer experiências com a mulher
incapaz de gritar. Ele também utiliza drogas em si mesmo como o LSD, para
ajudar com efeitos alucinógenos. Sua teoria é comprovada, confirmando a existência
da criatura bizarra, uma espécie de centopeia mutante, batizada como “The
Tingler” (algo como “Formigador” ou “Arrepio”). O monstro é extraído da coluna
vertebral da mulher, mas consegue escapar e invade a sala de cinema causando
pânico e espalhando o horror nos espectadores, que precisam gritar para salvar
suas vidas (conforme as sábias palavras de William Castle, que apareceu no
início do filme com uma narração de alerta do perigo mortal).
Além
do lendário Vincent Price, cuja presença sempre marcante já agrega grande valor
para qualquer filme, graças ao carisma e associação principalmente com o cinema
bagaceiro de horror e ficção científica, os destaques de “Força Diabólica” são
os divertidos efeitos práticos com o monstro tosco e suas movimentações hilárias
com “fios invisíveis”. Tem também uma cena memorável e colorida (a única em
contraste com o restante produzido com fotografia em preto e branco) envolvendo
uma banheira cheia de sangue.
William
Castle (1914 / 1977) ficou conhecido pela criatividade em campanhas de
marketing de seus filmes com orçamentos pequenos, apresentando surpresas para o
público nas salas de exibição. Em “Macabro” (Macabre, 1958), ele ofereceu
apólices de seguro de vida para quem morresse de medo no cinema. Já em “A Casa
dos Maus Espíritos”, utilizou um dispositivo especial para assustar o público,
um sistema batizado de “Emergo” que consistia num esqueleto humano iluminado
movimentado por um complexo mecanismo de polias, cordas e correias, que era
arremessado por cima das pessoas. Em “Treze Fantasmas” (13 Ghosts, 1960), o
efeito utilizado, conhecido por “Illusion-O”, era uns óculos de papel com uma
das lentes na cor azul e a outra vermelha, que permitia ao espectador
visualizar os espectros do filme. E em “Força Diabólica”, o truque recebeu o
nome “Percepto”, com dispositivos instalados nas cadeiras, que vibravam liberando
pequenos choques elétricos.
Curiosamente,
em 1993, o diretor Joe Dante homenageou William Castle em “Matinee – Uma Sessão
Muito Louca” (Matinee), que contava a história de um cineasta nos anos 1950 que
inovava o gênero horror com filmes baratos e sistemas de interação com o
público nas salas de cinema.
“Força Diabólica” foi exibido na televisão e lançado em DVD no
Brasil, sendo que uma das versões foi pela “Versátil Home Vídeo” no box “Mestres
do Terror: William Castle”, além também de ser encontrado no “Youtube” com a
opção de legendas em português.
(RR – 04/01/26)
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