Interzone (Itália, 1989)

 

Interzone” (1989) é uma cópia bagaceira italiana com orçamento paupérrimo, de filmes com temática pós-apocalíptica no estilo de “Mad Max”. Foi dirigido pelo norte-americano Deran Sarafian, produzido pelo italiano Joe D´Amato (sob o pseudônimo David Hills) e teve como um dos roteiristas o também italiano Claudio Fragasso, mais conhecido pela direção de tranqueiras como “Predadores Assassinos” (1980), “Ratos: A Noite do Terror” (1984) e “A Terceira Porta do Inferno” (1989), entre outros.

O filme é estrelado por Bruce Abbott, ator reconhecido como o estudante de medicina Dan Cain em “Re-Animator” (1985), de Stuart Gordon, e está disponível no “Youtube” numa versão dublada, além também de ter sido lançado no Brasil em vídeo VHS pela “Alvorada”.

 

Num futuro com a Terra devastada por uma guerra nuclear e com regiões contaminadas por radiação, uma gangue de guerreiros liderada pela tirana Mantis (Teagan Clive, de “Alienator – A Exterminadora Indestrutível”, 1990), conhecida como um diabo em forma de mulher, e o segundo em comando, o cruel Balzakan (John Armstead), tenta invadir um mosteiro que guarda um suposto tesouro e é protegido por um grupo de monges com poderes de controle mental.

Panasonic (Kiro Wehara) é o monge responsável e guardião do mosteiro, um santuário também conhecido como “Interzone”, com riquezas que despertam a cobiça dos ladrões. Ele se une ao forasteiro Swan (Bruce Abbott) e Tera (Beatrice Ring), uma bela escrava resgatada de um mercenário extravagante chamado Rat (Franco Diogene). 

Após diversas lutas e perseguições com motos e carros modificados, e com o herói Swan se destacando pela coragem e bravura, ocorre um confronto final entre a gangue de Mantis e os monges resistentes, pelo destino da “Interzone” e sua importância como legado do passado da humanidade antes do holocausto.  

 

O filme é obscuro e ruim, mas não daquele tipo de cinema bagaceiro que consegue divertir justamente pela precariedade de recursos. Apesar de Bruce Abbott tentar salvar o projeto com seu nome vinculado ao popular e bem-sucedido “Re-Animator”, seu personagem não possui carisma suficiente para despertar algum interesse.

As cenas de lutas são extremamente patéticas e não convincentes, e ainda existem muitos elementos propositais de humor que não funcionam, com tentativas de piadas que somente contribuem para um inevitável tédio.

A única boa chance de mostrar um monstro disforme pelos efeitos da radiação foi desperdiçada num momento muito rápido que deveria ter sido melhor explorado, quando prisioneiros eram obrigados a entrar num buraco para divertir a tirana Mantis, tendo que lutar por suas vidas contra uma criatura humanoide deformada. Era uma boa oportunidade de mostrar os efeitos toscos e divertidos da maquiagem do monstro, porém ele quase não apareceu no filme.

Por outro lado, até que teve uma cena bastante ousada no assassinato violento de uma mulher grávida, com a vítima sendo interpretada por Laura Gemser (uma ponta não creditada), a musa da extensa franquia “Emanuelle”.

 

(RR – 19/01/26)