O cinema antigo de horror mexicano tem
algumas preciosidades que não podem ficar esquecidas. “A Maldição da Chorona” (
Na história do filme, a jovem Amelia (a
venezuelana Rosita Arenas, de “
Chegando ao destino, o casal é recebido
pelo rude serviçal Juan (Carlos López Moctezuma), manco e com o rosto
desfigurado. No encontro da jovem Amelia com sua tia Selma, logo é informada a
real intenção do convite, com a revelação da existência de uma maldição
familiar envolvendo a antiga bruxa maléfica Marina, que renegou todos os seus
bens e adquiriu um poder sobrenatural das trevas. Ela foi executada com uma
lança no peito, e ficou conhecida como “a mulher chorona”, devido seus gritos
aterrorizantes de agonia (daí o título original). Seu cadáver apodrecido está
escondido no porão da casa, aguardando apenas a oportunidade de ressurgir entre
os vivos. E como elas eram suas únicas descendentes, a ideia seria reviver a
feiticeira num ritual de magia negra, no aniversário de 25 anos de Amelia, cujo
presente seria o seu sacrifício, dando a vida para trazer a antiga bruxa de
volta.
“A Maldição da Chorona” é uma pérola do
cinema gótico com todas as suas tradicionais características de um horror
sutil, mas extremamente eficiente na elaboração de uma atmosfera sombria e
sinistra. Temos a carruagem como meio de transporte da época, tornando sempre
árdua e demorada a tarefa de se locomover; a floresta com árvores secas e
aspecto fantasmagórico envoltas numa tenebrosa névoa espessa; e o casarão frio
e deprimente de pedra, repleto de passagens secretas e ambientes tétricos,
decorado por teias de aranha, habitado por ratos e morcegos e protegido por
imensos cães assassinos, que mais parecem guardiões dos portais do inferno. Estão
também presentes aqueles esperados clichês que contribuem de forma decisiva
para a construção de um clima mórbido como o serviçal demente com o rosto
desfigurado; o porão sinistro que esconde um segredo aterrador; e a música
tétrica de um órgão tocando acordes de gelar a espinha.
Além de um espelho mágico que reflete a
personalidade sombria escondida na jovem Amelia, que é vítima de uma maldição
familiar; um alçapão que serve de inesperada armadilha; e os gritos estridentes
de uma mulher chorona ecoando pelos corredores do casarão. Sem contar a
presença de um homem preso no sótão, deformado pela loucura (no caso, é o
marido de Selma, o Dr. Daniel Jaramillo, interpretado por Enrique Lucero, e que
perdeu a sanidade nos anos forçados de reclusão, vivendo como um animal).
A maquiagem da maléfica Selma, quando
transformada em bruxa, com o rosto modificado simulando a região dos olhos como
escuras cavidades vazias, é um dos pontos fortes do filme, passando a sensação
do Mal absoluto.
Curto, com apenas uma hora e quinze
minutos de duração, e com uma constante atmosfera de tensão e horror sugerido, “A
Maldição da Chorona” é recomendável para apreciadores do cinema gótico e história
de bruxas e maldição familiar, e para quem procura por produções antigas (nesse
caso, da década de 60 do século passado) fora do tradicional mercado americano
ou europeu.
(RR – 29/03/15)
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