Histórias sobre mundos
perdidos, terras esquecidas pelo tempo e regiões selvagens inexploradas e desconhecidas
pela humanidade, são sempre interessantes e divertidas exercendo um fascínio
que instiga nossa imaginação. Felizmente para nós, apreciadores do cinema
fantástico bagaceiro e espectadores ávidos por filmes antigos com roteiros exagerados
no escapismo e efeitos práticos toscos, a oferta de títulos é imensa, como por
exemplo “Continente Perdido” (Lost
Continent, EUA, 1951), que tem fotografia em preto e branco, produção de baixo
orçamento da “Lippert Pictures”, direção de Sam Newfield e elenco liderado por
Cesar Romero.
Disponível no “Youtube” com a
opção de legendas em português geradas automaticamente, a história lembra
elementos já apresentados antes como no livro “O Mundo Perdido”, de Sir Arthur
Conan Doyle, também adaptado no cinema várias vezes.
Durante o tenso período da
guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, os militares
norte-americanos estão testando a propulsão de um foguete atômico sobrevoando o
Pacífico Sul, e após atingir uma grande velocidade o míssil não consegue
retornar à base de lançamento, ficando fora de controle e caindo numa região
desconhecida.
Temendo que o foguete secreto pudesse ser descoberto por inimigos, uma expedição de resgate parte imediatamente de avião à sua procura, formada por três militares, o piloto Major Joe Nolan (Cesar Romero), o co-piloto Tenente Danny Wilson (Chick Chandler) e o mecânico Sargento Willie Tatlow (Sid Melton), o responsável pelo alívio cômico com tentativas de piadas. Completam o grupo mais três cientistas especialistas no foguete, o russo Dr. Michael Rostov (John Hoyt), o Dr. Stanley Briggs (Whit Bissell) e o Dr. Robert Phillips (Hugh Beaumont).
Após uma forte turbulência desestabilizar o avião ao sobrevoar uma região radioativa, falhas nos controles elétricos e magnéticos obrigam um pouso forçado numa ilha com mata fechada. Sem sinais de rádio, lá eles encontram alguns nativos supersticiosos que informam que um “pássaro de fogo” cruzou o céu em direção à “montanha sagrada”. O grupo decide escalar a montanha que tem um imenso platô no topo, onde estaria o foguete acidentado, para cumprir a missão de recuperar os dados registrados no teste de voo.
Porém, eles não imaginavam que
encontrariam um ambiente hostil de um “continente perdido”, uma região selvagem
pré-histórica com gases venenosos e minas de urânio, além de ser habitada por
criaturas enormes e ameaçadoras supostamente extintas.
Como um filme de orçamento
reduzido, infelizmente os dinossauros aparecem pouco e para preencher a metragem
de 83 minutos, o roteiro desperdiçou muito tempo na escalada da montanha pela
expedição de resgate do foguete, com um excesso de cenas cansativas num convite
ao tédio.
Os destaques obviamente são os
animais pré-históricos que somente entraram em cena no terço final, com
divertidos efeitos práticos em “stop motion”, que certamente deviam encantar os
espectadores daquele período sem o auxílio da computação gráfica, com direito a
um duelo mortal entre dois triceratops, um ataque de brontossauro e uma
aparição de um pterodáctilo.
Entre as diversas curiosidades,
as cenas com os dinossauros foram filmadas num tom verde e foram reaproveitadas
na tranqueira “O Robô Alienígena” (Robot Monster, 1953).
O ator Whit Bissell (1909 /
1996), que fez o papel do cientista Dr. Briggs, é um rosto conhecido pelos fãs
do cinema fantástico de baixo orçamento, presente em vários filmes e séries
como “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), “Invasão do Mundo” (1954), “Vampiros de
Almas” (1956), “I Was a Teenage Werewolf” (1957), “I Was a Teenage
Frankenstein” (1957), “O Monstro Sanguinário” (1958), “A Máquina do Tempo”
(1960), “No Mundo de 2020” (1973) e “O Túnel do Tempo” (1966).
Um dos cartazes principais de
divulgação estampa um tiranossauro, o mais temível e predador dos animais
pré-históricos, mas que não aparece no filme. A produtora inglesa “Hammer”
também lançou a sua versão de “mundo perdido” em 1968 com “O Continente
Esquecido” (The Lost Continent).
(RR
– 13/01/26)

.jpeg)
.jpeg)
