Quinta Dimensão (The Outer Limits, EUA, 1963/1965)


Não há nada errado com seu aparelho de televisão. Não ajuste o sinal. Nós estamos controlando a transmissão. Nós iremos controlar o horizontal. Iremos controlar o vertical. E se quisermos que ouça mais alto, nós subiremos o volume. E se nós quisermos que seja mais suave, um sussurro será ouvido. Podemos fazer a imagem descer, a imagem vibrar. Podemos mudar o foco até chegar num ponto suave. Ou intensificá-la até chegar numa claridade cristalina. Na próxima hora, sente-se tranquilo e nós controlaremos tudo o que você ver e ouvir. Repetimos, não há nada errado com sua televisão. Você está prestes a participar de uma grande aventura. Você está prestes a experimentar o assombro e o mistério que surgem do interior da mente... até os limites exteriores.


A preciosa série de TV “Quinta Dimensão” (The Outer Limits, EUA, 1963 / 1965), foi produzida em preto e branco por Leslie Stevens e Joseph Stefano, com 49 episódios de 50 minutos de duração, apresentando excelentes histórias de fantasia, horror e principalmente ficção científica. Sempre com pertinentes mensagens e críticas sociais, especulando as virtudes e defeitos da raça humana na eterna procura por conhecimento, desafiando “os limites exteriores”. Sua maior virtude está na qualidade dos roteiros, com uma regularidade notável de grandes histórias que prendem a atenção do espectador e instigam nossa curiosidade pelo desconhecido.
A série é tão interessante quanto a anterior “Além da Imaginação” (The Twilight Zone, EUA, 1959 / 1964), criada por Rod Serling, que é mais conhecida e famosa entre os apreciadores do cinema fantástico.
Entre 1995 e 2002 tivemos outra versão mais moderna da série com 152 episódios em 7 temporadas, sendo que a primeira delas foi até lançada em DVD no Brasil.
Abaixo seguem sinopses e comentários de 29 dos 49 episódios, e o texto pode conter alguns eventuais “spoilers”.
Agradecimentos especiais ao amigo e colecionador E. R. Corrêa pelo fornecimento dos episódios em DVD com legendas.




* “The Galaxy Being”, temporada 1, episódio 1 (16/09/1963), dirigido e escrito por Leslie Stevens.
Um cientista, Alan Maxwell (Cliff Robertson), casado com Carol (Jacqueline Scott), é proprietário de uma rádio chamada KXKVI, juntamente com seu irmão Gene “Buddy” Maxwell (Lee Phillips), um DJ popular. Uma vez obcecado com experiências envolvendo transmissões com microondas, utilizando a potência e os aparelhos da estação de rádio, o cientista entra em contato com uma criatura alienígena de outra galáxia (Wm. O. Douglas), formada por eletricidade. Porém, um aumento inconsequente do uso de potência por um outro DJ, Eddie Phillips (Burt Metcalfe), que queria aumentar o alcance de seu programa, ocasionou um acidente que sugou o alienígena para nosso mundo, espalhando o horror numa pequena cidade.
Excelente episódio explorando as experiências de um cientista que consegue comunicação com um alienígena através das ondas de rádio, com um acidente em seu laboratório trazendo graves consequências. No roteiro, temos vários elementos recorrentes em histórias similares como a esposa infeliz com o marido obcecado pelo trabalho científico e a reação sempre violenta do poder militar que se sente ameaçado contra aquilo que desconhece. Os efeitos especiais do alienígena são muito interessantes e convincentes, principalmente para a época da produção. O veterano ator Cliff Robertson participou da moderna franquia “Homem-Aranha” como o tio de Peter Parker, e a atriz Jacqueline Scott é um rosto conhecido em várias séries de TV dos anos 60 e 70.

* “The Hundred Days of the Dragon”, temporada 1, episódio 2 (23/09/1963), dirigido por Byron Haskin e escrito por Allan Balter e Robert Mintz.
Uma nação comunista do Oriente, sob o comando de um militar tirano, Li-Chin Sung (Richard Loo), está planejando invadir os Estados Unidos, substituindo seus líderes por cópias idênticas, através da injeção no sangue de um soro capaz de modificar o rosto das pessoas com o uso de uma máscara especial, num trabalho de pesquisa do cientista Dr. Sui-Lin (Aki Aleong). O objetivo primeiramente é substituir o principal candidato à eleição para Presidente dos Estados Unidos, William Lyons Selby (Sidney Blackmer), que é trocado por um militar oriental, o Major Ho Chi-Wong (Clarence Lung). A filha do então presidente eleito, Carol Selby Conner (Nancy Rennick), desconfiada de atitudes suspeitas do pai substituído, juntamente com o vice-presidente Ted Pearson (Phillip Pine) e um agente federal, Frank Summers (Bert Remsen), tenta deter o plano maquiavélico dos inimigos.
Episódio com competente trama de espionagem, e apesar de insistir no cansativo clichê dos “americanos bonzinhos a favor da liberdade e salvadores do mundo contra os comunistas frios e malvados”, apresenta um roteiro que prende a atenção do espectador o tempo todo, envolvendo elementos de FC com experiências científicas de plasticidade molecular, e conspiração militar em tempos turbulentos de guerra fria. O diretor Byron Haskin tem em seu currículo o indispensável “A Guerra dos Mundos” (The War of the Worlds, 1953), baseado em livro de H. G. Wells, e o veterano ator Sidney Blackmer esteve no clássico de horror “O Bebê de Rosemary” (1968), de Roman Polanski.

* “The Architects of Fear”, temporada 1, episódio 3 (30/09/1963), dirigido por Byron Haskin e escrito por Meyer Dolinsky.
“Este é o dia? Este é o começo do fim? Não há tempo para pensar. Não há tempo para se perguntar, por que está acontendo, por que finalmente está acontecendo. Só há tempo para o temor, pela dor do pânico. Vamos rezar? Ou vamos fugir agora e rezar depois? Será que vai haver um depois? Ou este é o dia?” – O episódio se inicia com essa dramática narração enquanto uma bomba atômica cruza os céus para explodir em seguida. Um grupo secreto de renomados cientistas americanos, liderados pelo Dr. Phillip Gainer (Leonard Stone), preocupado durante o auge da guerra fria com a constante ameaça do holocausto nuclear, decide que uma possível solução para o problema entre as nações inimigas, seria transformar um deles em laboratório numa criatura monstruosa. O ser de feições horrendas seria tratado como um alienígena invasor, para tentar forçar a união da humanidade em conflito no combate de uma ameaça maior comum, deixando as desavenças e guerras de lado. O grupo escolhe num sorteio aleatório o Dr. Allen Leighton (Robert Culp), que passa a receber injeções de soros especiais e cirurgias diversas para mudar suas características físicas. A idéia é enviá-lo num cápsula ao espaço para simular uma aterrissagem na Terra e colocar o plano em prática. Mas, sempre há detalhes que contrariam o planejamento, como a esposa do escolhido, Yvette (Geraldine Brooks), que está se preparando para ser mãe.
A história desse episódio procura explorar os efeitos perturbadores provenientes da tensão da guerra fria e a paranóia do fim do mundo numa catástrofe nuclear. Outro sub-gênero também utilizado pelo ótimo roteiro é o do “cientista transformado em monstro”, um tema muito recorrente nos filmes de FC & Horror das décadas de 50 e 60 do século passado, sendo nesse caso específico a motivação para um plano de tentativa desesperada de obtenção de paz entre países rivais. A maquiagem tosca da criatura também nos remete aos filmes bagaceiros e super divertidos daquele período dourado do cinema fantástico. O ator Robert Culp, falecido em 2010, é reconhecido por participações em várias séries de TV e filmes menores, e esteve também no episódio “Demon With a Glass Hand”, com história de Harlan Ellison.

* “The Man With the Power”, temporada 1, episódio 4 (07/10/1963), dirigido por Laslo Benedek e escrito por Jerome Ross.
Um professor universitário, Harold J. Finley (Donald Pleasence), entediado com o trabalho e com o relacionamento familiar desgastado com a esposa Vera (Priscilla Morrill), decide ser submetido a uma cirurgia cerebral com a implantação de um dispositivo na cabeça que permite capturar o poder emitido pela energia do campo eletromagnético da natureza. Com esse poder da mente, ele consegue levitar e movimentar objetos imensos, e é convidado para trabalhar num centro de investigação espacial, num projeto liderado pelo Dr. Sigmund Hindeman (John Marley). Nele, cientistas fazem pesquisas para criar condições de enviar astronautas ao espaço em busca de minérios em asteróides e meteoritos, como fonte alternativa para combustíveis e para as reservas naturais limitadas em nosso planeta. Porém, como um efeito colateral indesejado, devido ao poder incontrolável da mente, uma vez o professor contrariado ou irritado com alguém, ele passa inconscientemente a canalizar a energia cósmica associada ao sentimento de raiva, criando uma força invisível mortal contra seus oponentes.
O interessante tema central desse episódio, “os monstros da mente humana”, já havia sido muito bem utilizado no clássico de FC “Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956), quando um cientista colonizador de um planeta distante, em contato com a avançada tecnologia alienígena de uma civilização extinta, acaba criando inconscientemente com o poder da mente, um monstro invisível que ataca os tripulantes de uma nave de resgate da Terra. O ator inglês Donald Pleasence (1919 / 1995) foi um dos grandes nomes do cinema fantástico, tendo atuado em vários filmes do gênero, destacando-se e sendo mais reconhecido como o psiquiatra Dr. Loomis na franquia “Halloween”, o incansável perseguidor do psicopata mascarado Michael Meyers.

* “The Sixth Finger”, temporada 1, episódio 5 (14/10/1963), dirigido por James Goldstone e escrito por Ellis St. Joseph.
Um professor de genética e cientista inglês, Prof. Mathers (Edward Mulhare), vive numa pequena cidade no interior em seu laboratório, pesquisando formas de acelerar a evolução da raça humana, trabalhando com eletrônica de alta frequência com enfoque molecular da genética. Após o sucesso obtido ao utilizar um macaco como cobaia, conferindo ao animal uma inteligência fora do comum, ele aceita utilizar um jovem rapaz, Gwyllin Griffiths (David McCallum), trabalhador braçal nas minas de carvão da região, a príncipio como assistente indicado pela bela jovem Cathy Evans (Jill Haworth), entregadora de pães ao cientista. Depois, pelo interesse do próprio rapaz, ele torna-se um teste da pesquisa científica, submetendo-se à ação de uma máquina capaz de acelerar o processo evolutivo, tornando-se um homem com seis dedos, orelhas pontiagudas e um cérebro imenso, com um poder de inteligência extremamente avançado.
Um dos mais conhecidos episódios da série, situado dentro dos subgêneros “cientista louco” e “homem transformado em monstro”. O Prof. Mathers é um cientista que trabalha incansavelmente visando o bem da humanidade com a intenção de criar o homem do futuro, que superaria as paixões animais que levam nossa espécie à violência e auto-destruição, desenvolvendo uma inteligência necessária para uma existência pacífica e civilizada. Já o jovem Gwyllin, sem perspectivas em sua vida simples de trabalhador numa mina escura, acaba se transformando num monstro, uma criatura disforme com inteligência altamente desenvolvida e em conflito com o homem comum de sua época. Temos também aqueles elementos sempre presentes e indispensáveis nos filmes de FC antigos como o laboratório repleto de painéis elétricos, alavancas, botões e luzes piscantes. O ator escocês David McCallum é conhecido pelo papel principal na série de TV “O Homem Invisível” (1975 / 1976) e o irlandês Edward Mulhare esteve no elenco fixo da divertida série “A Super Máquina” (Knight Rider, 1982 / 1986).

* “The Man Who Was Never Born”, temporada 1, episódio 6 (28/10/1963), dirigido por Leonard Horn e escrito por Anthony Lawrence.
Um astronauta, Capitão Joseph Reardon (Karl Held), partindo da Terra em 1963, está viajando sozinho no espaço e acidentalmente entra num portal temporal, saltando para o futuro quase 200 anos, chegando em nosso planeta em 2148 e encontrando um lugar desolado. Lá, ele entra em contato com um homem disforme, Andro (Martin Landau), um remanescente da humanidade em decadência, que informa que um vírus de origem extraterrestre e manipulado em laboratório por um cientista chamado Bertram Cabot Jr. com propósitos militares, causou uma contaminação com mutações genéticas que levou a raça humana à ruína. Eles decidem então retornar no tempo atravessando o mesmo portal no espaço, para tentar impedir que o cientista desenvolva o micróbio e possibilitar um futuro alternativo melhor. O deformado Andro passa a utilizar sua capacidade hipnótica para sugerir que sua aparência seja normal e não assuste as pessoas, e encontra a bela jovem Noel Anderson (Shirley Knight), a futura mãe do cientista, onde tenta impedir seu nascimento.
Utilizando o sempre instigante tema de “viagem no tempo”, esse memorável episódio de “Quinta Dimensão” tem todos aqueles elementos preciosos dos filmes de Ficção Científica antigos, não faltando a cena clássica de aterrissagem da nave espacial em nosso planeta devastado no futuro, a presença de um homem deformado representando o legado decadente da humanidade, a exposição de uma biblioteca guardando todo o conhecimento acumulado da nossa espécie e transformando-se na única lembrança de uma raça em extinção, além da tentativa desesperada de retorno ao passado num esforço em alterar erros cometidos dando oportunidade de evitar uma catástrofe. No elenco, o destaque é o carismático ator Martin Landau, que esteve na série de TV “Espaço 1999” (1975 / 1978) e interpretou o ícone do cinema de Horror Bela Lugosi no filme “Ed Wood” (1994), de Tim Burton.

* “O.B.T.I.”, temporada 1, episódio 7 (04/11/1963), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Meyer Dolinsky.
O.B.T.I. (“Outer Band Indivituated Teletracer” ou algo como “Tele Observador Individualizado de Limites Exteriores”) é uma máquina eletrônica sofisticada, um computador que capta a imagem em qualquer lugar espionando todos os movimentos dos seres humanos de forma individualizada, uma espécie de “big brother” em tempo integral, sem o conhecimento da vítima vigiada. É um equipamento processador de dados de um projeto secreto governamental de um Centro de Pesquisas de Defesa chamado “Cyprus Hill”. Quando um operador da máquina é encontrado morto estrangulado sobre o equipamento, com o pescoço esmagado de forma incomum por mãos exageradamente fortes, o governo envia ao local o Senador Orville (Peter Breck) para liderar uma investigação detalhada do caso. O político encontra um clima de instabilidade na base secreta, e dificuldade no trabalho de perícia ao interrogar o militar responsável Coronel Grover (Alan Baxter), e vários cientistas, entre eles o misterioso Dr. Byron Lomax (Jeff Corey), um dos chefes da equipe que controla a máquina, e o Dr. Clifford Scott (Harry Townes), que sofreu um colapso nervoso ao espionar sua esposa Barbara (Joanne Gilbert).
Outro episódio excepcional, dessa vez enfatizando como o elemento fantástico da história um super computador que vigia as pessoas, revelando uma origem insuspeita e objetivos completamente obscuros, que poderiam levar nossa civilização à ruína por causa da desestruturação crescente da sociedade. A máquina espiã tem o poder de viciar o operador, levando-o a vigiar de forma compulsiva as pessoas, instaurando uma atmosfera de desconfiança e desagregação progressiva. Também não falta a sempre bem vinda presença de um monstro, dessa vez sendo uma criatura humanóide com um único olho e mãos enormes com apenas três dedos, que aparece no visor da máquina, desestabilizando o operador. A maior parte da história se passa numa sala de interrogatórios, onde o Senador conduz a investigação, sempre sugerindo a curiosidade em descobrirmos a origem e propósitos da misteriosa máquina. O ator Peter Breck esteve no elenco fixo da saudosa série de TV de western “The Big Valley” (1965 /1969).

* “The Human Factor”, temporada 1, episódio 8 (11/11/1963), dirigido por Abner Biberman e escrito por David Duncan.
Numa base militar de pesquisas isolada no Ártico, frequentemente enfrentando pequenos terremotos nas geleiras, um cientista brilhante, Dr. James Hamilton (Gary Merrill), responsável por um projeto secreto no “Centro de Fator Humano”, inventou uma máquina capaz de compartilhar os pensamentos de duas pessoas, através de eletrôdos especiais instalados na cabeça. Após o sucesso da experiência ao utilizar sua bela assistente Ingrid Larkin (Sally Kellerman), obtendo a unificação de suas mentes, o cientista decide fazer o mesmo com um militar paranóico, o Major Roger Brothers (Harry Guardino), que estava tendo alucinações com um fantasma causadas pelo sentimento de culpa ao abandonar um soldado num acidente numa fenda no gelo. Porém, um forte tremor no momento da unificação de pensamentos causou uma anomalia nos intrumentos da máquina e ambos os homens trocaram de corpos, com o atormentado militar utilizando o corpo do cientista e colocando a base em perigo.
História com bons momentos de suspense, e apresentando um cientista obcecado pelo trabalho com experiências bizarras, dessa vez criando um equipamento eletrônico com os habituais botões de regulagem e luzes piscando, capaz de compartilhar os pensamentos. Algo que pode se tornar extremamente perigoso dependendo da condição mental das pessoas envolvidas, sendo nesse caso, um militar perturbado com alucinações fantasmagóricas. O veterano ator Gary Merrill é outro daqueles que podem ser reconhecidos por diversas participações em séries de TV da mesma época como “Combate”, “Viagem ao Fundo Mar” e “O Túnel do Tempo”.

* “Corpus Earthling”, temporada 1, episódio 9 (18/11/1963), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Orin Borsten (roteiro) e Louis Charbonneau (história).
Parasitas alienígenas se manifestam através de aparentemente inofensivas rochas coletadas para estudo pelo geólogo Dr. Jonas Temple (G. B. Atwater). As criaturas extraterrestres planejam invadir nosso planeta se apossando dos seres humanos, e apenas um homem consegue ouví-los se comunicarem, o cirurgião Paul Cameron (Robert Culp), por causa de uma anomalia no cérebro provocada pela presença de um estilhaço de ferro num ferimento de guerra. Pensando estar enlouquecendo ao ser o único a ouvir as estranhas vozes, ele decide fugir com sua esposa Laurie (Salome Jens), assistente do laborário do cientista que estuda as pedras, viajando até uma cidadezinha no México, para um merecido descanso e tentativa de esquecer os problemas. Mas, os alienígenas querem eliminá-lo por considerarem uma ameça aos seus propósitos de invasão, e iniciam o plano se apossando do corpo do cientista Dr. Temple e em seguida de Laurie.
Esse episódio é uma das contribuições da série para o sempre fascinante tema de “invasões alienígenas”, com uma história trazendo elementos claramente inspirados em filmes clássicos e indispensáveis dentro desse sub-gênero como “Vampiros de Almas” (Invasion of the Body Snatchers, 1956). Aqui, simples e inofensivas pedras abrigam criaturas de outro mundo com intenções hostis, nos espreitando e apenas aguardando uma oportunidade de agir. O ator Robert Culp esteve em outros dois episódios da série, “The Architects of Fear” (# 3) e “Demon With a Glass Hand” (# 37). E a atriz Salome Jens esteve no filme de FC “O Segundo Rosto” (Seconds, 1966), ao lado de Rock Hudson.

* “Nightmare”, temporada 1, episódio 10 (02/12/1963), dirigido por John Erman e escrito por Joseph Stefano.
A Terra está em guerra com o planeta Ebon. Uma nave espacial é enviada para enfrentar os inimigos, levando um grupo internacional de militares formado pelo líder americano Coronel Luke Stone (Ed Nelson), o Tenente alemão Esra Krug (Sasha Harden), o Capitão inglês Terrence Ralph Brookman, o Major japonês Jong (James Shigeta), o Tenente africano James P. Willowmore (Bill Gunn) e o soldado americano Arthur Dix (Martin Sheen). Eles são facilmente capturados antes mesmo de iniciar o conflito e encontram-se presos num ambiente vigiado por guardas ebonitas armados, sendo terrivelmente entrevistados e torturados por um interrogador alienígena (interpretado por John Anderson), que quer obter informações privilegiadas sobre as manobras militares dos terráqueos.
Não poderia faltar a exploração do tema “guerra interplanetária” na série, e “Nightmare” é mais um excelente episódio filmado com baixíssimo orçamento, pois temos apenas uma breve cena mostrando a viagem da nave ao planeta Ebon, os cenários são extremamente simples e os alienígenas possuem uma maquiagem tosca, com cabeças enormes e visual típico das deliciosas bagaceiras dos anos 50 e 60 do século passado, deixando claro que o mérito do episódio está no roteiro que esconde uma revelação importante. Entre as curiosidades, vale ressaltar a presença do veterano ator Whit Bissell como um comandante militar, ele que esteve em inúmeros filmes “B” de horror e FC como “O Monstro da Lagoa Negra” (1954) e “Cidade Sob o Mar” (1971), além de participações em várias séries de TV, sendo o General Heywood Kirk de “O Túnel do Tempo”. Esse episódio traz também Martin Sheen no papel do soldado Dix, um ator que se notabilizou no mundo do cinema sendo o protagonista do clássico da guerra do Vietnã “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Coppola.

* “It Crowled Out of the Woodwork”, temporada 1, episódio 11 (09/12/1963), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Joseph Stefano.
Numa estação de pesquisas energéticas chamada “Norco”, o cientista Dr. Bloch (Kent Smith) descobriu uma espécie de entidade maléfica feita de energia pura, que mata as pessoas com quem entra em contato. Por isso, o cientista a mantém sob controle aprisionada numa sala especial. Seu objetivo e de sua assistente Professora Stephanie Linden (Joan Camden), é encontrar um meio de alterar a lei de conservação de energia, e eles recebem a visita e apoio do jovem físico Prof. Stuart Peters (Michael Forest) nessa tarefa desafiadora. Porém, mais mortes misteriosas ocorrem na estação chamando a atenção de investigação policial, através do Sargento Thomas Siroleo (Edward Asner), e também do irmão caçula do físico recém chegado, Jory Peters (Scott Marlowe).
O roteiro desse episódio investe com maior enfâse no horror, através da manifestação de uma energia maligna assassina. Os efeitos especiais nas cenas de mortes são bem toscos, mas mesmo assim ainda convincentes e interessantes, transmitindo uma atmosfera obscura e inquietante. O ator Kent Smith esteve no clássico “Sangue de Pantera” (Cat People, 1942) e na continuação “A Maldição do Sangue de Pantera”, além de ter participado em inúmeras séries de TV, destacando sua presença em muitos episódios de “Os Invasores” (1967 / 68), como um empresário que sabe da existência de alienígenas infiltrados em nosso planeta. Vale registrar a narração do desfecho: “A lei de conservação de energia. Um princípio que estabelece que a energia pode mudar de forma, mas que não pode ser criada nem destruída. E isto acontece com todo tipo de energia. A energia da genialidade, da loucura, do coração, do átomo. É necessário conviver com ela. Deve ser controlada e utilizada para o Bem e afastada do Mal. Deve-se conviver com ela de forma pacífica.”. Parecem sábias palavras, principalmente depois do que acontece na história desse episódio.

* “The Borderland”, temporada 1, episódio 12 (16/12/1963), dirigido e escrito por Leslie Stevens.
“A mente humana sempre quis saber o que havia além do mundo em que vivemos. Os exploradores investigaram as profundidades e as alturas. Alguns desses exploradores são cientistas, outros são místicos. Cada um tem um motivo diferente. O que todos têm em comum é o desejo de atravessar a fronteira que demarca os limites exteriores.” Iniciando com essa brilhante narração, “The Borderland” conta a história de um cientista, Prof. Ian Fraser (Mark Richman), que com o auxílio de sua esposa especialista em matemática, Eva (Nina Foch), e o amigo Lincoln Russell (Philip Abbott), tenta através de experiências com antimatéria utilizando campos magnéticos e energia elétrica (forças invisíveis poderosas), atravessar a fronteira rumo ao desconhecido de uma quarta dimensão. Para obter financiamento para seu projeto científico, eles precisam convencer um rico empresário, Sr. Dwight Hartley (Barry Jones), que tem interesse em contatar seu filho que morreu adolescente num acidente automobilístico, e que tem esperanças de encontrá-lo no mundo do além. Para conseguir a aprovação do empresário e utilizar a energia de bilhões de volts de uma usina elétrica geradora de energia, os cientistas tiveram também que desmascarar as ações fraudulentas de uma médium, Sra. Palmer (Gladys Cooper), e seu assistente Sr. Edgar Price (Alfred Ryder), que também tentavam contatar o garoto morto. E para completar, eles também precisaram enfrentar a desconfiança e descrédito do Sr. Sawyer, um executivo sem escrúpulos que controla as finanças do Sr. Hartley, e tem interesses obscuros nos resultados da pesquisa.
Mesmo sendo repetitivo, tenho que registrar que esse é mais um “excelente” episódio, que prende a atenção do espectador nos 50 minutos de projeção, desde o início com a tentativa da equipe científica em convencer o empresário a financiar o projeto, passando pelas experiências com objetos inanimados, depois um rato como cobaia viva, e finalmente o próprio cientista Prof. Fraser, pressionado pela obtenção de resultados, culminando num desfecho carregado de tensão e curiosidade. A frase “Polaridade... Inversão!” repetida inúmeras vezes no ápice crítico das experiências, ficou marcada no episódio. E um laboratório repleto de computadores imensos, equipamentos elétricos com botões reguladores, interruptores, luzes piscantes, medidores analógicos, geradores gigantescos de energia, e cientistas abnegados exploradores do desconhecido, tudo tipicamente dos anos 60 do século passado, é o palco para a realização de experiências para abrir uma porta dimensional. O ator Mark Richman participou como convidado de uma infinidade de séries de TV antigas como “Além da Imaginação”, “O Fugitivo”, “Jornada nas Estrelas”, “Combate”, “Daniel Boone”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “Gunsmoke”, “Os Invasores”, “Bonanza”, “Lancer”, “Havaí 5-0”, “Terra de Gigantes”, “Missão Impossível”, “Cyborgue”, “A Mulher Biônica”, “São Francisco Urgente”, etc.

* “Tourist Attraction”, temporada 1, episódio 13 (23/12/1963), dirigido por Laslo Benedek e escrito por Dean Riesner.
Um aventureiro americano e milionário, John Dexter (Ralph Meeker), está realizando investigações submarinas com uma câmera especial num lago de um país fictício da América Central. Ele recebe a ajuda de um biólogo marinho local, Tom Evans (Jerry Douglas), contratado para auxiliá-lo nas pesquisas, e a bordo do barco ainda está também a bela Lynn Arthur (Janet Blair), uma jornalista apaixonada pelo aventureiro. O país fictício latino é San Blas, e é governado por um ditador, General Juan Mercurio (Henry Silva), que construiu um sofisticado complexo comercial para atrair turistas internacionais, mas que não deu certo. Porém, as coisas se complicam bastante depois que a equipe submarina encontra e captura um lendário monstro que vive nas profundezas do lago, uma espécie de peixe com uma cabeça imensa, braços e pernas, e que possui poderes misteriosos como romper estruturas com a emissão de sons de alta frequência. Enquanto o aventureiro quer levá-lo para os Estados Unidos em busca de fama, o ditador militar quer usar a criatura para atrair turistas ao seu país.
Com clara referência ao clássico “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), no que diz respeito à descoberta de um monstro marinho ancestral parecido com o homem, o episódio também procura retratar os governos ditatoriais de países pobres da América Latina, com uma mensagem contra o totalitarismo. Os efeitos especiais são hilários e por isso mesmo muito divertidos, típicos dos filmes bagaceiros dos anos 50 e 60 do século passado, na concepção da criatura utilizando um ator dentro de uma fantasia de borracha, com olhos imensos sem expressão e boca repleta de dentes afiados. No elenco, temos Henry Silva no papel do ditador, um eterno ator coadjuvante com imensa lista de participações no currículo, além de Ralph Meeker, que esteve no clássico de guerra “Os Doze Condenados” (1967).


* “The Zanti Misfits”, temporada 1, episódio 14 (30/12/1963), dirigido por Leonard Horn e escrito por Joseph Stefano.
Os habitantes do planeta Zanti possuem uma sociedade disciplinada e perfeccionista, incapaz de eliminar os desajustados de sua própria espécie. Para resolver esse problema social, eles fazem um acordo forçado com a Terra enviando uma nave penal com seus prisioneiros para serem exilados em nosso planeta. A força aérea americana escolhe os arredores de uma cidade fantasma chamada “Necrotério” no deserto da Califórnia para servir de aterrissagem da nave alienígena. No comando estratégico da missão está o General Maximillian R. Hart (Robert F. Simon), ajudado pelo historiador especialista em eventos espaciais Prof. Stephen Grave (Michael Tolan) e outros militares como o Major Roger Hill (Claude Woolman). Porém, um casal em fuga de carro formado pelo ladrão de bancos Ben Garth (Bruce Dern) e uma esposa infiel que decidiu fugir com ele em busca de aventuras, Lisa Lawrence (Olive Deering), entra na área de segurança e coloca o plano em risco, podendo causar um incidente interplanetário.
Esse é um dos episódios da série que mais ficam guardados na memória, devido a sua característica de filme bagaceiro ultra divertido da mais pura ficção científica tranqueira da saudosa década de 1950. Temos todos aqueles efeitos toscos de uma nave alienígena repleta de criaturas inteligentes do espaço semelhantes a formigas com rosto humanóide (olhos, nariz e boca bem definidos). A nave espacial metálica é uma atração à parte de tão tranqueira, e os alienígenas caminhando e atacando os humanos em trabalhosos efeitos “stop-motion” são impagáveis de tão divertidos, num esforço altamente valorizado da equipe de produção da série, numa época em que nem se pensava em computação gráfica. É claro que os americanos não poderiam deixar de serem os eternos heróis salvadores do nosso mundo e representantes da humanidade, um fato patético que o cinema nunca deixou de salientar, mas isso não impede a diversão. No episódio, temos também a sala de operações na condição de um campo de batalha, com radares e computadores enormes que “não sangram”, conforme diz o General Hart como uma vantagem em relação às guerras habituais. Enquanto na Terra mantemos nossos desajustados sociais em penitenciárias ou eles são executados por nossas leis, no planeta Zanti os inadaptados da sociedade são um problema de difícil solução, restando o exílio para outros mundos, uma idéia interessante que só não é utilizada por nós por não dominarmos ainda as viagens espaciais. Como curiosidade, o ator Bruce Dern, que interpretou o fugitivo Ben Garth, esteve no excepcional clássico ecológico da FC “Corrida Silenciosa” (Silent Running, 1972).

* “The Mice”, temporada 1, episódio 15 (06/01/1964), dirigido por Alan Crosland Jr. e escrito por Bill S. Ballinger e Joseph Stefano (roteiro) e Bill S. Ballinger e Lou Morheim (história).
Num projeto secreto do governo americano, o cientista e astrofísico Dr. Thomas Kellander (Michael Higgins), auxiliado pelo Dr. Robert Richardson (Ronald Foster) e pela Dra. Julia Harrison (Diana Sands), é o responsável pela experiência de teleportação entre a Terra e um planeta dez anos-luz distante chamado Chromo. Os alienígenas entraram em contato com os humanos oferecendo a troca de seus cidadãos para estudos e exploração mútua, fornecendo as informações tecnológicas para a construção do laboratório e equipamentos eletrônicos para o sucesso do teletransporte. Com receio de falha no experimento, é escolhido um presidiário como cobaia, o ex-boxeador Chino Rivera (Henry Silva), que cumpre prisão perpétua por assassinato. Porém, a chegada da criatura chromonita ao nosso planeta, traz também uma série de complicações ao esconder uma missão com propósitos misteriosos.
“The Mice” é a contribuição da série para o tema de teleportação, tão bem explorado no cinema de ficção científica tendo como representante significativo o clássico “A Mosca da Cabeça Branca” (The Fly, 1958) e a série de TV “Jornada nas Estrelas” (Star Trek, 1966/1969). Essa que é uma técnica fantástica que consiste em dividir um objeto ou ser vivo em partículas elétricas que se transmitem pelo espaço e que chegando ao destino definido, se unem novamente. Não falta o monstro da vez, agora sendo um alienígena bizarro coberto de substâncias gelatinosas, o ator Hugh Langtry dentro de uma divertida fantasia tosca de borracha. Como característica da série e de todo cinema de FC do passado, também temos novamente o laboratório com seus computadores imensos e equipamentos científicos. O ator Henry Silva merece um destaque especial pela ótima performance como o homem escolhido para a experiência, ele que esteve também no episódio “Tourist Attraction”, num papel menor como um ditador de um pequeno país fictício.

* “The Children of Spider County”, temporada 1, episódio 21 (17/02/1964), dirigido por Leonard Horn e escrito por Anthony Lawrence.
No pequeno Condado de Spider, no interior dos Estados Unidos, um grupo de crianças nasce com poderes especiais e dotados de super inteligência. Muitos anos depois, já profissionais bem sucedidos vivendo em outros lugares e personalidades reconhecidas no mundo científico, eles desaparecem misteriosamente, exceto um deles, o jovem Ethan Wechsler (Lee Kinsolving), que ainda vivia na cidade natal. Acusado injustamente de um assassinato, ele está preso, e apenas sua namorada Anna Bishop (Bennye Gatteys) acredita em sua inocência. Porém, ele é ajudado por um homem estranho, Aabel (Kent Smith), que informa ser seu pai e que guarda segredos obscuros sobre sua origem, envolvendo a importância dos sonhos e querendo levá-lo para longe dali, constituindo-se num mistério que chama a atenção de John Bartlett (John Milford), um investigador do governo para assuntos espaciais.
Esse episódio tem similaridades e influências do clássico da FC “Aldeia dos Amaldiçoados” (Village of the Damned, 1960), onde um grupo de crianças com poderes especiais são na verdade filhos de alienígenas que engravidaram mães terráqueas num pequeno vilarejo inglês. Entre as curiosidades, temos a citação da galáxia Krell, origem do planeta Eros, onde Krell é o nome de uma raça alienígena super avançada e extinta, citada no filme “Planeta Proibido” (1956). Temos também a referência direta ao clássico “A Guerra dos Mundos” (1953), nos efeitos de som da arma de raio do alienígena, que são os mesmos utilizados no filme de Byron Haskin. E para garantir nossa diversão com um genuíno filme bagaceiro de FC, temos o extraterrestre bizarro com olhos esbugalhados e a tosca nave espacial cruzando o espaço. O ator Kent Smith esteve também no episódio “It Crawled Out of the Woodwork”. E Dabbs Greer (que fez o papel do Sr. Bishop) é mais um rosto conhecido de séries de TV, entre elas, o western “Os Pioneiros” (1974 / 1983), onde fez parte do elenco fixo como um reverendo.

* “Specimen: Unknown”, temporada 1, episódio 22 (24/02/1964), dirigido por Leonard Horn e escrito por Anthony Lawrence.
Uma base de pesquisas no espaço flutua a 1000 milhas da Terra, com vários astronautas em missão de exploração. Eles encontram “partículas espaciais” parecidas com fungos agarradas nas paredes externas da estação e as recolhem para estudo num laboratório. Tratadas inicialmente como misteriosas sementes, elas acabaram brotando plantas alienígenas que soltam esporos e emitem um gás venenoso que destrói a hemoglobina do sangue de quem for infectado. Após a morte do Tenente Rupert Lawrence Howard (Dabney Coleman), o primeiro homem a ser contaminado, o líder da expedição espacial, Major Benedict (Russell Johnson), parte numa pequena nave para a Terra, levando os astronautas Tenente Halper (Peter Baldwin), Tenente Gavin (Arthur Batanides) e o Capitão Mike Doweling (Richard Jaeckel), além de amostras dos espécimes vegetais desconhecidos. Porém, uma turbulência durante a viagem libertou as flores extraterrestres que contaminaram o ambiente, obrigando o chefe em comando das operações na Terra, Coronel MacWilliams (Stephen McNally), influenciado pelo Coronel Nathan Jennings (John Kellogg) e pela esposa de Doweling, Janet (Gail Kobe), a tomar uma difícil decisão: destruir a nave ainda numa órbita de segurança ou permitir sua aterrissagem trazendo as desconhecidas plantas letais, podendo colocar em risco toda a humanidade.
História ambientada praticamente o tempo todo no espaço, dentro de uma estação de pesquisas ou numa nave viajando para a Terra, explorando a idéia de contato com uma forma de vida alienígena com consequências perigosas. Entre as curiosidades, é interessante notar como no passado as anotações científicas dos pesquisadores eram realizadas em manuscritos em pranchetas e hoje nossas vidas são rodeadas de pequenos computadores para todos os lados. Por questões orçamentárias de uma produção menor, percebemos a precariedade dos efeitos das plantas do espaço sideral, toscas ao extremo, assim como as ações amadoras e despreparadas que uma incrivelmente pequena equipe de resgate recepciona a chegada da nave, com astronautas feridos e uma ameaça alienígena. No elenco desse episódio temos Russell Johnson, que esteve no clássico de FC “Guerra Entre Planetas” (1955), Richard Jaeckel, que foi um dos soldados do clássico de guerra “Os Doze Condenados” (1967), e Stephen McNally, um rosto reconhecido em inúmeros filmes “B” de western.

* “Second Chance”, temporada 1, episódio 23 (02/03/1964), dirigido por Paul Stanley e escrito por Sonya Roberts (creditada como Lin Dane) e Lou Morheim, a partir de história de Sonya Roberts.
Um disco voador de brinquedo, atração de um parque de diversões pouco movimentado, é operado pelo Capitão Dave Crowell (Don Gordon), um cientista talentoso, mas desiludido com a carreira, e a secretária de bordo Mara Matthews (Janet De Gore), uma bela jovem igualmente insatisfeita com os rumos de sua vida. Suas funções no parque consistem em simular uma viagem espacial para os espectadores. O que ninguém imaginaria é que um alienígena do planeta Empyria (interpretado por Simon Oakland por baixo de forte maquiagem), membro de uma raça muito mais avançada tecnologicamente, e há muito tempo na Terra estudando a humanidade, está secretamente transformando a nave num objeto voador real. Seu objetivo é sequestrar um grupo de pessoas para tentar colonizar um asteróide chamado Pathera, de condições similares à Terra, principalmente pelo fato que nosso planeta está em rota de colisão com outro num prazo de algumas dezenas de anos. O grupo escolhido é formado por pessoas problemáticas ou com suas vidas atormentadas por hipocrisia. São eles, o casal maduro Arjay Beasley (John McLiam) e sua esposa Sue Ann (Angela Clarke), o casal de namorados Buddy Lyman, um jogador de futebol famoso (Yale Summers) e a mocinha Denise Ward (Mimsy Farmer), além do jovem Tommy Shadbury (Arnold Merritt). Mas, após saberem dos planos do alienígena, se instaura um conflito na nave, pois nem todos estão interessados numa “segunda chance” em outro mundo.
Esse episódio tem como ponto forte o roteiro, na tentativa de mostrar a fragilidade do ser humano como espécie em constante conflito de identidade, com pessoas vivendo suas vidas patéticas em situações de mentira, desonestidade, fingimento e decepção, e sendo observadas por uma raça extraterrestre com inteligência superior e caracterísitcas parecidas com o dos pássaros, valorizando o sentimento de liberdade. O disco voador é muito interessante, tanto na parte externa como nos interiores, com ótimos cenários simulando uma nave capaz de realizar viagens espaciais em alta velocidade, com painéis de controle imensos, luminosos e cobertos de botões e interruptores. O ator John McLiam, entre outros trabalhos, esteve na divertida bagaceira de FC “A Fúria das Feras Atômicas” (1976) e no ótimo drama de guerra estrelado por Sylvester Stallone, “Rambo” (1982).

* “Moonstone”, temporada 1, episódio 24 (09/03/1964), dirigido por Robert Florey e escrito por William Bast, a partir de história de Lou Morheim e Joseph Stefano.
Um grupo de terráqueos formado pelo General Lee Stocker (Alex Nicol), o Major Clint Anderson (Tim O´Connor) e o Tenente Ernie Travers (Hari Rhodes), numa missão de exploração em solo lunar, encontra uma misteriosa esfera geometricamente perfeita, que depois de estudada pelos cientistas Professora Diana Brice (Ruth Roman) e Dr. Philip Mendl (Curt Conway), revela-se uma nave espacial trazendo cinco representantes exilados das mentes mais avançadas do planeta Grippia, localizado na constelação Xenys. Eles estão numa rota de fuga, sendo perseguidos por tiranos de seu planeta, que desejam seu conhecimento para conquistar os demais planetas da constelação. As criaturas precisam de energia e aterrissam na Lua, solicitando a ajuda da humanidade em orientar a chegada de uma nave de resgate, fornecendo em troca uma valiosa e imensa quantidade de informação para os computadores dos cientistas humanos. Porém, a situação fica fora de controle quando a nave de resgate é abatida por tiranos que chegam para capturar os exilados, exigindo do General Stocker, líder da base, uma difícil decisão.
Mais um episódio excelente de pura ficção científica: temos um interessante cenário da superfície lunar, com suas rochas e ambiente árido; uma base de pesquisas e exploração na Lua, preparando a colonização pela humanidade e servindo de trampolim para viagens mais distantes para outras estrelas; o sempre presente clima conturbado da guerra fria, com os americanos instalados na base lunar desconfiados da existência de espionagem russa; a nave alienígena esférica abrigando uma raça altamente desenvolvida, seres com aparência bizarra, parecidos com grandes olhos envoltos por membranas e tentáculos; a eterna idéia de tirania em qualquer tipo de civilização, com alguns sempre desejando conquistar os outros com força e violência; a constatação verdadeira da eterna oposição entre os cientistas e os militares, onde enquanto esses últimos se dedicam à destruição, a meta da ciência é a paz e o avanço da humanidade; e a excepcional e trágica conclusão de que no final das contas, são sempre as boas mentes que permitem que o mal prospere, pois são os cientistas talentosos que, obrigados pelos governantes tiranos, criam as condições mais avançadas com bombas e artefatos bélicos para se chegar à destruição. O diretor Robert Florey fez “Murders in the Rue Morgue” em 1932, com Bela Lugosi.

* “The Mutant”, temporada 1, episódio 25 (16/03/1964), dirigido por Alan Crosland Jr. e escrito por Allan Balter e Robert Mintz, a partir de história de Jerome B. Thomas.
Em 1984 (futuro distante para e época da produção e longo passado para o nosso momento de século XXI), a Terra enfrenta graves problemas com guerras e superpopulação, obrigando a humanidade, através de uma agência espacial internacional, a procurar outros mundos para viver. Uma expedição científica chega então num planeta apelidado de Anexo 1, com características similares à Terra. O grupo é formado por Reese Fowler (Warren Oates), Dr. Frederick Riner (Walter Burke), Tenente Peter Chandler (Robert Sampson), Prof. Henry Lacosta (Herman Rudin) e o casal Phillip Griffith (Richard Derr) e Julie (Betsy Jones-Moreland). O planeta a ser explorado tem dois inconvenientes graves que o tornam inadequado à colonização: não há noite, com a presença constante de um sol que obriga a utilização de grossos óculos protetivos, e ocorrem chuvas radioativas extremamente agressivas. Um psiquiatra da Terra, Dr. Evan Marshall (Larry Pennell), é enviado então para o planeta ensolarado para investigar possíveis problemas na equipe de colonização, e encontra um grupo fragilizado em constante medo, sendo vítima da tirania de Reese Fowler, que se transformou numa criatura mutante com olhos imensos esbugalhados, após exposição na chuva radiativa, e que consegue ler os pensamentos.
Episódio com uma forte crítica social em seu roteiro, evidenciando a tendência auto-destrutiva da humanidade, sempre mergulhada em guerras, obrigando-se a procurar outros mundos no espaço, em busca de paz e um local seguro para perpetuar a espécie. Mas, como caracterísitca presente em nossa raça, os conflitos pessoais também se instauram num lugar distante após a ocorrência de um acidente grave com um dos membros da equipe, prevalecendo a tirania associado ao horror e medo. O mutante com olhos gigantescos constantemente esbugalhados é memorável e um dos destaques do episódio. O ator Warren Oates esteve, entre outros, no clássico do western “Meu Ódio Será Sua Herança” (1969), e Walter Burke é bem reconhecido por suas participações na telinha, em inúmeras séries de TV como “Além da Imaginação”, “Paladino do Oeste”, “James West”, “A Feiticeira”, “Perdidos no Espaço”, “Laredo”, “Viagem ao Fundo do Mar”, etc.

* “I, Robot”, temporada 2, episódio 9 (14/11/1964), dirigido por Leon Benson e escrito por Robert C. Dennis, a partir de história de Otto Binder.
Adam é um robô (interpretado por Read Morgan) criado pelo cientista Dr. Charles Link (Peter Brocco), para auxiliar em trabalhos domésticos. Porém, mesmo sendo uma máquina com poderes limitados (não pode ver cores nem sentir cheiros ou saborear comidas), é altamente desenvolvido e tem capacidade de pensar e sentir emoções influenciadas de seu criador, graças a um sofisticado cérebro eletrônico. Após um grave acidente tirar a vida do cientista em seu laboratório, um mal entendido com uma testemunha equivocada coloca o robô como principal suspeito de assassinato, sendo perseguido e preso pela polícia, sob o comando do Xerife Barclay (Hugh Sanders), e posteriormente julgado num tribunal sem juri. Contra ele está o promotor D. A. Thomas Coyle (Ford Rainey), e para defendê-lo foi contratado o advogado Thurman Cutler (Howard da Silva), indicado pelo jornalista Judson Ellis (Leonard Nimoy), sempre à procura de uma boa história, para a bela sobrinha do cientista morto, Nina Link (Marianna Hill).
No elenco desse episódio temos Leonard Nimoy, o eterno Sr. Spock da série clássica “Jornada nas Estrelas” (Star Trek, 1966 / 1969). “I, Robot” é uma excelente história de tribunal, onde o réu é um homem mecânico, acusado injustamente de assassinato. Não falta a tradicional crítica social para a natureza da humanidade, onde a idéia não é julgar os atos de um robô, mas sim a sociedade que o criou e o progresso inconsequente da ciência. Curiosamente, no processo de aprendizagem do robô, são citados em suas leituras dinâmicas o clássico infantil “Alice no País das Maravilhas” e a famosa obra de Mary Shelley, “Frankenstein”, num interessante paralelo dramático ocorrido entre o cientista criador e sua criatura sem alma. O visual futurista de Adam é um destaque notável e a narração final com palavras sábias e memoráveis encerra com chave de ouro: “Depois de cada desastre, um pequeno progresso é feito. O Homem construirá mais robôs, e aprenderá como fazê-los melhor. E dado o tempo suficiente, talvez aprenda a fazer o mesmo com ele próprio.”

* “The Inheritors: Part 1”, temporada 2, episódio 10 (21/11/1964) e “The Inheritors: Part 2, temporada 2, episódio 11 (28/11/1964), dirigidos por James Goldstone e escritos por Seeleg Lester e Sam Neuman, a partir de história de Ed Adamson, Seeleg Lester e Sam Neuman.
(Contém spoilers). Um soldado americano, Tenente Philip Minns (Steve Ihnat), é ferido por uma bala na cabeça durante a Guerra do Vietnã, mas sobrevive milagrosamente. Após a retirada do projétil, ele desenvolve uma anomalia com um novo e adicional padrão de ondas cerebrais, tornando-se extremamente inteligente. Outros três soldados feridos em circunstâncias similares também desenvolvem um cérebro superior, o Sargento James Conover (Ivan Dixon), e os soldados Francis Hadley (Dee Pollock) e Robert Renaldo (James Frawley). Este fato incomum desperta a atenção do Secretário de Ciências do governo americano, Randolph E. Branch (Ted de Corsia), que convoca seu assistente Adam Ballard (Robert Duvall) para investigar o caso, auxiliado por Art Harris (Donald Harron), representante da Segurança Nacional. As investigações trazem revelações sobre a origem da fabricação das balas, impregnadas com materiais retirados de uma cratera de meteoros no Vietnã. Os quatro soldados são então impulsionados por forças misteriosas a formar uma equipe de um projeto científico para a construção de uma nave espacial. Minns é o coordenador responsável pela obtenção do dinheiro, enriquecendo rapidamente na bolsa de valores; Hadley torna-se um bioquímico trabalhando no interior dos Estados Unidos em experiências com ar condicionado, gases inertes e condutos atmosféricos; enquanto Conover é um metalúrgico que desenvolve um metal super resistente e leve na Suécia; e Renaldo é o físico que inventa no Japão uma máquina eletrônica capaz de criar um campo magnético anti-gravitacional. A missão é levar um grupo de crianças com deficiências físicas e doenças terminais, infelizes e rejeitadas na Terra, para uma longa viagem espacial, transformando-se numa nova esperança para uma raça alienígena avançada, cuja capacidade de reprodução foi afetada por uma praga.
Com duração de um filme de longa metragem (duas partes de 50 minutos cada), “The Inheritors” é o único episódio duplo e está entre os melhores de toda a série, com um roteiro excepcional de FC pura. Praticamente não existem efeitos especiais, e o foco está todo centrado na qualidade da história, que prende a atenção do espectador o tempo inteiro, com uma memorável mensagem no desfecho. Quatro homens que desenvolvem inteligência, conhecimento e capacidade muito além do normal, com influência alienígena. Um é o mago das finanças, outro é o jovem bioquímico para projetar a atmosfera, além do físico para criar a transmissão e do metalúrgico para fazer as peças, num projeto científico de construção de uma nave para viajar pelo espaço. Outro ponto forte está na ótima interpretação do elenco, com destaque para Robert Duvall como o investigador e Steve Ihnat como o líder do grupo de soldados. Aliás, o excelente ator Robert Duvall, além de participações em séries de TV dos anos 60, esteve também em diversos filmes como “THX 1138”, “O Poderoso Chefão”, “Apocalipse Now”, “Um Dia de Fúria”, “Impacto Profundo”, “60 Segundos”, “A Estrada”, etc. Curiosamente, o Brasil é citado quando Hadley viaja para a Amazônia à procura de uma erva especial como ingrediente de seu experimento.

* “Keeper of the Purple Twilight”, temporada 2, episódio 12 (05/12/1964), dirigido por Charles F. Haas e escrito por Milton Krims, a partir de história de Stephen Lord.
O cientista Prof. Eric Plummer (Warren Stevens), está obcecado e esgotado física e mentalmente em seu trabalho ultra-secreto de pesquisa de uma fonte de energia infinita, mais poderosa que a energia atômica. Faltam apenas duas equações para desvendar a teoria e possibilitar a construção de um equipamento de desintegração anti-magnética. Ele tem o apoio do cientista diretor do laboratório, Franklin Karlin (Curt Conway), mas é pressionado por seus financiadores representados por David Hunt (Edward C. Platt), que querem resultados para o dinheiro investido. Ele tem também o apoio e compreensão de sua futura esposa, Janet Lane (Gail Kobe), mas a necessidade de obtenção de sucesso na pesquisa científica tem abalado seu relacionamento em crise. As coisas mudam radicalmente após receber a visita de um alienígena, Ikar (Robert Webber), vindo de uma raça avançada tecnologicamente e oriundo de uma sociedade organizada onde os sentimentos foram banidos. O extraterrestre, assumindo a forma humana, propõe uma troca com o cientista terráqueo: ele ajuda na construção da máquina desintegradora, uma arma terrível se usada com propósitos hostis, e quer em troca experimentar as emoções humanas como amor, ódio e medo. Mas, a real intenção dos alienígenas é ainda mais perigosa.
“Não existem limites para a extensão da curiosidade da mente. Vai até o fim da imaginação. E mais além, dentro do mistério dos sonhos, esperando inclusive, transformar os sonhos em realidade, em nome do bem estar da humanidade.” Com essa introdução narrada inicia-se mais um ótimo episódio de FC. Os alienígenas, tradicionais e sempre divertidos em maquiagens toscas, apresentam olhos pequenos e artificiais, mãos e pés enormes, além de cérebros gigantescos para os inteligentes e corpos robustos para os soldados. A sociedade organizada deles é machista (as mulheres somente servem para a reprodução), não há lugar para emoções, todos os indivíduos estão conectados por um cérebro coletivo e agem exclusivamente dentro de padrões lógicos. No elenco temos Warren Stevens, que participou do clássico “Planeta Proibido” (1956) e de diversas séries de TV dos anos 60, além de Edward C. Platt, que foi o Chefe da nostálgica série cômica “Agente 86” (1965 / 1970). E Curt Conway esteve também no episódio “Moonstone”.

* “The Duplicate Man”, temporada 2, episódio 13 (19/12/1964), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Robert C. Dennis, a partir de história de Clifford D. Simak.
Estamos no futuro (para a época da produção e passado para nós). A humanidade conquistou as viagens espaciais e entrou em contato com várias raças alienígenas. Uma delas, conhecida como “megasoid”, é muito inteligente, consegue aprender qualquer idioma facilmente, utiliza poderes telepáticos, mas também é violenta e assassina, e sua captura para a Terra foi proibida desde 1986. Henderson James (Ron Randell) é um homem muito rico e bem sucedido no trabalho com pesquisas na área de comunicação espacial, principalmente depois que contrabandeou ilegalmente um “megasoid” (Mike Lane), com a ajuda de um mercenário espacial, Karl Emmet (Sean McClory). A ambição do cientista trouxe problemas no relacionamento com sua bela esposa Laura (Constance Towers). Depois que o megasoid conseguiu escapar da prisão caseira, no descuido do velho jardineiro Murdock (Konstantin Shayne), Henderson decide apelar também ilegalmente para o cientista Basil Jerichau (Steven Geray), criando uma duplicata temporária de si mesmo, apenas com o objetivo de caçar e matar a criatura alienígena antes que se reproduza e instaure o caos no planeta. Mas os problemas dele não são apenas o monstro solto, e aumentam com a ameaça de sua cópia, que vai recuperando a memória do original com o passar do tempo e com o contato com sua esposa infeliz.
Episódio baseado em história do cultuado escritor de Ficção Científica Clifford D. Simak, num roteiro excepcional que aborda o drama do protagonista em dois crimes graves contra a humanidade, mantendo um monstro do espaço assassino (e permitindo sua fuga), e criando uma cópia de si mesmo apenas para matar o alienígena. Entre as várias curiosidades, temos no elenco Mike Lane por baixo de uma roupagem de monstro, uma criatura peluda e com um bico enorme, ele que esteve ao lado do grande Boris Karloff no filme “B” “O Castelo de Frankenstein” (1958), fazendo o papel do famoso monstro criado pelo cientista. O telefone futurista tem um visor que permite ver a pessoa em contato, e a casa do contrabandista Emmet (gravemente ferido na cabeça no confronto com um megasoid) é similar a um disco voador, instalada no alto de uma torre, e que se chega através de um elevador em plano inclinado. “Em todo o Universo, pode haver criatura mais estranha que a espécie chamada Homem? Ele cria e destrói. Tem êxitos e comete erros. Mas a coisa que o distingue é a habilidade para aprender a partir de seus erros.”

* “Counterweight”, temporada 2, episódio 14 (26/12/1964), dirigido por Paul Stanley e escrito por Milton Krims, a partir de história de Jerry Sohl.
Um grupo de seis homens e duas mulheres participa como voluntários de uma viagem simulada a bordo de uma nave espacial rumo a um distante planeta. O vôo experimental, calculado em aproximadamente 221 dias, tem o objetivo de testar o comportamento físico e psicológico dos passageiros num ambiente de confinamento por muito tempo, para estudar os efeitos (depressão, tédio, ansiedade, etc.) de vôos de longa distância pelo espaço, algo projetado como comum num futuro próximo. O grupo de tripulantes é formado pelo piloto Capitão Harvey Branson (Stephen Joyce) e pela aeromoça Maggie O´Hara (Shary Marshall). E os passageiros são o botânico e biólogo Michael Lint (Charles Radilac), o geólogo Prof. Henry Craif (Sandy Kenyon), a antropóloga Dra. Alicia Hendrix (Jacqueline Scott), o jornalista Keith Ellis (Larry Ward), o engenheiro civil Joe Dix (Michael Constantine), e o médico Dr. Matthew James (Crahan Denton). Todos são estereótipos problemáticos e pessoas que pensam em si mesmos, características aproveitadas por um intruso alienígena que quer misteriosamente sabotar a viagem simulada, causando desconfiança e discórdia no grupo, obrigando alguém a apertar um botão de pânico, cancelando o vôo.
“Counterweight” não tem o mesmo brilho característico da série, com uma história de interesse menor. O destaque fica por conta do alienígena do planeta Antheon, bizarro e tosco como de costume, que tenta desestruturar o ambiente e o relacionamento entre os passageiros, visando o fracasso do vôo simulado, e adiando o máximo possível qualquer tipo de viagem da humanidade ao seu planeta de origem. A atriz Jacqueline Scott também esteve no primeiro episódio da série, “The Galaxy Being”. E Michael Constantine, nascido em 1927, tem mais de 170 trabalhos em seu currículo de ator, com muitas participações em séries de TV dos anos 60 e 70. Jerry Sohl, autor da história desse episódio, foi também o roteirista de “Morte Para Um Monstro” (1965), com Boris Karloff e baseado em obra de H. P. Lovecraft. Curiosamente, nesse episódio temos uma forma diferente de apresentar os créditos finais, mostrando todos os personagens e os respectivos nomes dos atores que os interpretaram.

* “The Brain of Colonel Barham”, temporada 2, episódio 15 (02/01/1965), dirigido por Charles F. Haas e escrito por Robert C. Dennis, a partir de história de Sidney Ellis.
Durante a guerra fria e consequente corrida espacial, o grande desafio da humanidade era como levar os astronautas para Marte em segurança. Visando esse objetivo político, os governantes e militares americanos decidiram utilizar primeiramente na viagem uma máquina para colher informações úteis. Porém, controlada por um cérebro humano, que seria mais capacitado para se adaptar ao desconhecido. O projeto, apoiado pelo exército através do General Daniel Pettit (Douglas Kennedy), é gerenciado pelo Dr. Leo Hausner (Martin Kosleck), um homem apenas interessado no sucesso político da missão, e pelo cientista Dr. Rahm (Wesley Addy), um gênio responsável por manter um cérebro humano vivo fora de seu corpo e conectado a um computador. O voluntário escolhido é o Coronel Alex Barham (Anthony Eisley), um homem extremamente inteligente, mas doente terminal numa cadeira de rodas. Sua esposa, Jennifer (Elizabeth Perry), e principalmente o psicólogo Major Douglas McKinnon (Grant Williams), são contrários ao projeto, por causa da personalidade forte de Barham, podendo desenvolver noções de onipotência, arrogância e paranóia, transformando a máquina com cérebro humano num perigoso monstro.
Outro ótimo episódio explorando os efeitos da guerra fria com a corrida espacial pressionando as principais nações do mundo (antiga União Soviética e os Estados Unidos) a conseguirem o mais rápido possível a conquista do espaço com viagens interplanetárias, mesmo que para isso sejam utilizados meios não convencionais e pouco éticos. É curioso notar como eram os computadores nos anos 60 do século passado, imensos e cheios de luzes piscando, em comparação com a moderna tecnologia de início desse novo milênio, com máquinas cada vez menores e mais potentes. O ator Grant Williams foi o protagonista do clássico “O Incrível Homem Que Encolheu” (1957) e Anthony Eisley esteve em várias pérolas do cinema fantástico de baixo orçamento como “A Mulher Vespa” (1960), “Os Monstros da Noite” (1966) e “Jornada ao Centro do Tempo” (1967).

* “The Premonition”, temporada 2, episódio 16 (09/01/1965), dirigido por Gerd Oswald e escrito por Sam Roeca e Ib Melchior, a partir de história de Ib Melchior.
Um piloto de avião, Jim Darcy (Dewey Martin), está realizando manobras de teste numa base no deserto. Sua esposa Linda (Mary Murphy) e filha pequena Jane (Emma Tyson) vão de carro até a base para vê-lo pousar. Porém, durante o teste ocorre um misterioso acidente com o avião ao ultrapassar a barreira do tempo. O piloto e sua esposa, que havia deixado a filha na base e se deslocado com o carro até o local de testes, acabam perdidos numa fenda de tempo, onde tudo e todos estão aparentemente congelados. Na verdade, eles saltaram alguns instantes no futuro, estagnando-se num lapso de tempo, com o mundo continuando a se movimentar de forma extremamente devagar até o tempo alcançá-los novamente. Nesse limbo eles encontram uma criatura fantasmagórica (Kay Kuter) e descobrem um perigo mortal envolvendo a segurança da filha.
Histórias sobre lapsos temporais sempre são muito interessantes no cinema de Ficção Científica, e esse episódio é mais uma grande contribuição da série para o tema, mantendo um constante clima de mistério e tensão ao redor do casal perdido num limbo, ou como diz um espectro atormentado e desesperado em voltar para seu tempo normal, “um vazio escuro sem movimento, onde não há noite, nem sol, nem estrelas, nem tempo, um eterno nada onde não existe fome nem sede, uma existência sem fim, e o pior de tudo, onde não se pode morrer”... O autor do roteiro, o dinamarquês Ib Melchior, dirigiu e escreveu o filme “The Time Travelers” (1964), sobre viagens no tempo, além de outras bagaceiras divertidas do cinema fantástico.

* “The Probe”, temporada 2, episódio 17 (16/01/1965), dirigido por Felix E. Feist e escrito por Seeleg Lester, a partir de história de Sam Neuman.
Um avião está enfrentando uma tempestade, sendo obrigado a atravessar um furacão no Oceano Pacífico. Uma vez caindo no mar, alguns tripulantes ficam à deriva num bote salva-vidas. São eles, o piloto Coberly (Ron Hayes), o oficial científico Jefferson Rome (Mark Richman), o navegador Dexter (William Stevens) e a bela aeromoça Amanda Frank (Peggy Ann Garner). Misteriosamente, eles despertam num nevoeiro que rodeia o bote e que se revela depois o interior de uma enorme cápsula repleta de equipamentos científicos e computadores. Atordoados e perdidos, eles iniciam uma investigação do local descobrindo uma criatura rastejante parecida com uma massa gosmenta e disforme, um laboratório que opera de forma automatizada e um computador analógico imenso com um sistema telemétrico para codificar informações e transmiti-las para lugares muito distantes. Mais tarde, descobrem que estão na verdade dentro de uma sonda espacial, cujo objetivo é coletar informações para uma raça alienígena avançada. Tentam então se comunicar para salvar suas vidas, uma vez que a sonda está programada para deixar a Terra.
“A persistência da curiosidade do Homem o levou a novos mundos, sem ter ainda conquistado o seu próprio. Ele invadiu o mundo sob o microscópio e o mundo exterior do espaço. Diz-se que houve uma mudança de rumo da natureza, mas foi assim mesmo?”. Esse é o último episódio da série e fechou também com chave de ouro, apresentando mais uma ótima história especulando uma sonda alienígena que visita nosso planeta para estudar e obter informações sobre o solo, atmosfera, vidas vegetal e animal, raios cósmicos, radioatividade, etc. O ator e dublê húngaro Janos Prohaska (que aqui se rastejou na fantasia de borracha do micróbio alienígena) participou de muitas séries de TV fazendo papéis de monstros. E Mark Richman tem um currículo extenso com mais de 150 trabalhos como ator, tendo participado também do episódio 12 da 1ª temporada, “The Borderland”.

Agora nós lhe devolveremos o controle do seu televisor. Até a próxima semana na mesma hora, quando a voz de controle os levar até... os limites exteriores.

There is nothing wrong with your television set. Do not attempt to adjust the picture. We are controlling transmission. We will control the horizontal. We will control the vertical.If we wish to make it louder, we will bring up the volume. If we wish to make it softer, we will tune it to a whisper. We can reduce the focus to a soft blur, or sharpen it to crystal clarity. For the next hour, sit quietly and we will control all that you see and hear. You are about to experience the awe and mystery which reaches from the inner mind to... The Outer Limits.

Quinta Dimensão” (The Outer Limits, EUA, 1963/1965) # 565 – data: 25/06/11
www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 25/06/11)

Lua Sangrenta (Die Sage des Todes / Bloody Moon, Alemanha, 1981)


Dirigido pelo cultuado cineasta espanhol Jesus Franco, “Lua Sangrenta” (Die Sages des Todes / Bloody Moon) é um slasher alemão do início da década de 1980.


Miguel (Alexander Waechter) é um jovem com o rosto parcialmente desfigurado, que tem uma paixão platônica pela bela irmã Manuela (Nadja Gerganoff). Com dificuldades em se aproximar das mulheres devido ao machucado no rosto, num momento de fúria após a rejeição de uma delas, ele comete um assassinato brutal com golpes de tesoura. É internado numa clínica psiquiátrica e ao sair da instituição cinco anos depois, ele vai com a irmã para um resort na Espanha, onde um grupo de mulheres está estudando espanhol numa escola internacional de idiomas. Ele é herdeiro de uma fortuna da Condessa Maria Gonzales (Maria Rubio), uma senhora idosa numa cadeira de rodas e que não gosta de Manuela. Entre as belas estudantes temos Angela (Olivia Pascal), Eva (Ann-Beate Engelke), Laura (Corinna Gillwald) e Inga (Jasmin Losensky), e entre os homens do local está o administrador da escola Alvaro (Christopher Brugger) e o jardineiro e tenista metido a galã Antonio (Peter Exacoustos). Porém, a aparente tranquilidade do lugar é terrivelmente abalada quando ocorre uma série de violentos assassinatos envolvendo as belas mulheres como vítimas, instigando a curiosidade do espectador em descobrir a identidade e os motivos do criminoso.


“Lua Sangrenta”, a despeito da reconhecida trajetória de Jesus Franco como diretor, é um filme europeu apenas comum dentro do subgênero “slasher”. O roteiro de Erich Tomek é tão convencional que os destaques ficam apenas por conta da presença de belas mulheres e nas cenas ousadas de mortes sangrentas, principalmente pela época da produção. Apesar de trazer uma cena desnecessária e equivocada de decapitação real de uma cobra, temos em contrapartida vários momentos interessantes com direito a decapitação com uma serra gigante de cortar pedras, o atropelamento cruel de uma criança, além de mortes dolorosas com fogo, golpes de faca e até motossera. Fora isso, a história é banal demais, com furos imensos e final previsível. Vale como curiosidade.


Lua Sangrenta” (Die Sages des Todes / Bloody Moon, Alemanha, 1981) # 564 – data: 08/03/11

www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 08/03/11)

Daqui a Cem Anos (Things to Come, Inglaterra, 1936, PB)

  


“O fim está próximo. A vitória está chegando. O inimigo está próximo de ser destruído. Algumas aeronaves não foram localizadas. Evite áreas onde bombas caíram, pois estão infectadas pela Peste dos Errantes. Não beba água estagnada.” – trecho de um jornal de Setembro de 1964

 

Em 1940 o mundo está às voltas novamente com a ameaça de uma guerra mundial. O medo da população é grande, principalmente com um ataque de gases letais, levando todos a procurar proteção em máscaras contra gases. O conflito chega trazendo destruição por muitos anos e como principal consequência do colapso geral, surge uma doença terrível, chamada de “Peste dos Errantes”, onde os infectados passam a caminhar como zumbis desnorteados, espalhando o horror pelo mundo devastado e sendo dizimados friamente com tiros certeiros. Parte da humanidade do pós-guerra regride tecnologicamente e volta para uma condição de barbárie, com uma luta selvagem constante pela sobrevivência.

Surgem então pequenas comunidades independentes e totalitárias. Uma delas é comandada por um militar tirano (Ralph Richardson) conhecido como “O Chefe”. Em determinado momento, eles recebem a visita inesperada de um avião pilotado por John Cabal (Raymond Massey), um representante de uma sociedade pacifista que preza “a irmandade da eficiência” e “a liberdade da ciência”. E que, ao contrário de boa parte da população, não regrediu e ainda conseguiu manter conquistas importantes como voar pelos céus a bordo de aviões, algo impensável para muitos após a guerra. O visitante veio em missão de paz, tentando introduzir nos grupos isolados novamente um conceito de civilidade, mas logo é preso e considerado uma ameaça. Porém, ele consegue escapar com a ajuda de um mecânico de aviões, Richard Gordon (Derrick De Marney).

Mais algumas décadas se passam e a humanidade progride tecnologicamente vivendo em 2035 em belas cidades futuristas rodeadas de máquinas e carros voadores, estando prestes a realizar uma viagem espacial com destino à Lua, através de uma cápsula lançada por um imenso canhão. Mas, novamente surge uma crise com a população inflamada se revoltando contra o progresso, colocando-o como o responsável pelas guerras que devastaram o planeta no passado. Reunidos num grupo numeroso, eles decidem destruir o canhão espacial, símbolo máximo desse progresso supostamente letal. Porém, antes de conseguirem o objetivo, uma cápsula pilotada por um casal de jovens aventureiros intrépidos, é lançada ao espaço pelo canhão, iniciando uma exploração espacial e uma possível nova era para a humanidade.

 

Daqui a Cem Anos” (Things to Come, 1936), dirigido por William Cameron Menzies, é considerado um dos primeiros filmes ingleses grandiosos de Ficção Científica, com história baseada na obra do cultuado escritor H. G. Wells (1866 / 1946). Apesar de sua importância para o gênero, ainda assim é um filme menos conhecido em comparação com outros mais populares como “A Guerra dos Mundos” (1953) e “A Máquina do Tempo” (1960), também inspirados em sua literatura. Wells escreveu muitos livros que se transformaram em filmes divertidos, e por sua formação científica, as histórias ganharam um cuidado maior com os aspectos da ciência ao invés, por exemplo, dos livros do escritor francês Jules Verne, que também se destacavam pelo entretenimento, mas com histórias mais voltadas para a fantasia descompromissada com a ciência.

A obra de H. G. Wells desfilou por vários temas interessantes como viagens no tempo e invasão alienígena (os já citados “A Máquina do Tempo” e “A Guerra dos Mundos”), além de manipulação genética (“A Ilha do Dr. Moreau”), viagens espaciais (“Os Primeiros Homens na Lua”), cientistas loucos (“O Homem Invisível”) e efeitos radiativos (“O Alimento dos Deuses”), entre outros.

“Daqui a Cem Anos” foi lançado em DVD no Brasil em 2007 pela “NFK Filmes”, dentro de sua coleção de Ficção Científica e Fantasia. O filme, com fotografia em preto e branco, apesar de apresentar um elenco com atuações nitidamente teatrais, possui efeitos especiais muito interessantes principalmente para a época da produção, na longínqua década de 1930. Entre os destaques, temos os aviões imensos, os prédios enormes com elevadores panorâmicos e arquitetura futurista (similar ao clássico alemão “Metrópolis”, 1926, de Fritz Lang) e a plataforma colossal que abriga o canhão espacial. Muitas coisas vistas no filme só foram inventadas ou aperfeiçoadas muitos anos depois.

 

“Nunca contabilizaram a devastação causada pela Peste dos Errantes, assim como a peste negra na Idade Média. Ela matou mais da metade da humanidade. Ninguém que a contraiu sobreviveu. Aos poucos, viram que a epidemia havia terminado e que a vitalidade social estava retornando.”

 

(RR – Escrito originalmente em 02/2011 e revisado em 02/2024)


Daqui a Cem Anos” (Things to Come, Inglaterra, 1936) # 563 – data: 27/02/11

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Jornada ao Centro do Tempo (Journey to the Center of Time, EUA, 1967)


“Ao longo da evolução do Homem, o tempo vem sendo medido pela jornada do planeta ao redor da escuridão do espaço. Cientistas usaram nosso sistema solar e nomearam vastas regiões do Universo como gigantes dispositivos do tempo. O tempo é equivalente, em névoa e distância, a nossa própria galáxia. A névoa às vezes se dissipa daquelas mentes mostrando a natureza real do próprio tempo. E dois significados de tempo são revelados. Tempo, da criação até hoje, mostrando todos os ontens tão fortemente quanto amanhãs que estendem-se pela eternidade. Um dia, os Homens encontrarão o equilíbrio entre essas duas forças. O passado e o futuro. Então o Homem poderá fazer uma fantástica Jornada ao Centro do Tempo.”


Jornada ao Centro do Tempo” (Journey to the Center of Time, EUA, 1967) é um daqueles filmes divertidos de ficção científica com uma produção de baixo orçamento, e que era exibido na saudosa “Sessão da Tarde” da TV Globo, há muito, muito tempo atrás, junto com outras pérolas do cinema fantástico como “Destino: Lua” (1951), “Viagem Fantástica” (1966), “Robur, o Conquistador do Mundo” (1961), “Viagem ao Centro da Terra” (1959) e outros. Foi lançado em 2007 em DVD no Brasil pela “NFK Filmes” (já difícil de encontrar), e também é conhecido pelo título “Viagem ao Núcleo do Tempo” nas exibições na televisão.

Um empresário milionário e sem escrúpulos, Stanton Junior (Scott Brady, de “Viagem Rumo ao Infinito”, 1966), acaba de herdar as empresas da família após a morte de seu pai, e decide acompanhar de perto as ações de um projeto científico que desenvolve pesquisas de viagens no tempo, patrocinado pelo pai. Porém, visando unicamente a obtenção de lucros nos investimentos, ele exige que a equipe responsável pelo laboratório apresente resultados positivos urgentes, com a ameaça de suspensão das verbas e o consequente encerramento do projeto, substituindo-o por fabricação de armas. A equipe é formada pelos cientistas Dr. Gordon (o veterano Abraham Sofaer), e o jovem casal de namorados Mark Manning (Anthony Eisley, um ator com rosto conhecido em várias séries de TV dos anos 60 e em filmes tranqueiras como “A Mulher Vespa”, 1960 e “Os Monstros da Noite”, 1966) e a bela Karen White (Gigi Perreau).
O projeto é dividido nas Fases A (volta ao passado) e B (viagem ao futuro). Sob forte pressão, os três cientistas, juntamente com o indesejável Stanton, se lançam numa cápsula do tempo para 5.000 anos no futuro (ano 6968), e encontram o mundo numa guerra nuclear contra alienígenas, que procuram um planeta apropriado para se instalarem, e estão fazendo reparos em sua gigantesca nave espacial, enquanto são atacados pelos humanos, interessados em suas armas e tecnologia avançada. O líder dos alienígenas é interpretado por Lyle Waggoner, sob o comando principal da Conselheira Vina (Poupée Gamin). Após um confronto mortal com os humanos, armados com pistolas futuristas de raios, os cientistas do século XX conseguem escapar e a cápsula retorna no tempo para um milhão de anos no passado, indo parar dessa vez num mundo pré-histórico habitado por dinossauros gigantescos.
Paralelamente, enquanto os cientistas tentam voltar ao seu tempo normal, no laboratório central, outros profissionais da ciência tentam auxiliar no processo rastreando o paradeiro dos viajantes do tempo. São os jovens Dave (Andy Davis) e Susan (Tracy Olsen), sempre observados de perto pelo Sr. Denning (Austin Green), um representante das empresas de Stanton e amigo particular do falecido patrocinador do projeto.
Após diversas aventuras em fantásticas viagens no tempo, com direito a encontros com alienígenas humanóides prateados, perigosas cavernas vulcânicas repletas de pedras preciosas e dinossauros assassinos, o grupo de cientistas tenta retornar ao ano de 1968, reservando ainda surpresas num desfecho pessimista.

A despeito da produção paupérima e do roteiro simples, “Jornada ao Centro do Tempo” é um filme de ficção científica bagaceira que certamente garante a diversão desde que o espectador entre no clima de pura fantasia e desconsidere os defeitos, falhas na história e a overdose de clichês. Sendo um filme de FC dos anos 60 do século passado, temos o típico laboratório científico com cores exageradas cheio de luzes piscantes, botões para todos os lados, mostradores analógicos, interruptores, fitas magnéticas e computadores imensos. 
O tema do tempo como quarta dimensão e as viagens temporais é sempre muito interessante, e também difícil de ser tratado pela produção de um filme, com as óbvias dificuldades orçamentárias em se retratar um ambiente futurista ou mesmo algo no passado, principalmente para a tecnologia do cinema de meio século atrás. Assim como em outros filmes como “O Mundo Perdido” (The Lost World, 1960), aqui o dinossauro também é um lagarto de “pet shop” filmado sob uma perspectiva que o torna um animal gigantesco e aterrador. Como na maioria dos filmes desse período de ouro do cinema fantastico, o roteiro se preocupa em mostrar a bestialidade da raça humana sempre envolta em guerras, desde sua origem com conflitos primitivos até num futuro longínquo, às voltas com guerras mais tecnológicas contra seres invasores vindos de outros planetas. Mas, sempre enfocando a violência, tirania e luta pelo poder e liberdade como focos de nossa existência como espécie.
“Jornada ao Centro do Tempo” é altamente recomendável para os apreciadores do divertido cinema bagaceiro de Ficção Científica das décadas de 1950 e 1960, e que está na lista das sugestões dentro do sub-gênero de viagens no tempo, ao lado de outras pérolas como “A Máquina do Tempo” (The Time Machine, 1960), “Além da Barreira do Tempo” (Beyond the Time Barrier, 1960), “Passagem Para o Futuro” (The Time Travelers, 1964), “A Guerra dos Daleks” (Dr. Who and the Daleks, 1965), a série de TV “O Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966), a franquia “O Planeta dos Macacos” (1967), “Degraus Para o Passado” (Time Travelers, 1976), a trilogia dos anos 80 “De Volta Para o Futuro” (Back to the Future), e outros.


“Jornada ao Centro do Tempo” (Journey to the Center of Time, EUA, 1967) # 562 – data: 20/02/11
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Demônios da Mente (Demons of the Mind, Inglaterra, Hammer, 1972)

Lançado no Brasil nos tempos das fitas de vídeo VHS, ainda inédito em DVD, mas disponível para download na internet, “Demônios da Mente” (Demons of the Mind, 1972) é um filme menor da consagrada lista da produtora inglesa “Hammer”. Tem os tradicionais elementos que tornaram-se marca registrada do estúdio como a ambientação antiga com direito a carruagens, vilarejos escondidos em florestas escuras, aldeões supersticiosos e sempre ávidos por vingança com tochas nas mãos, além de castelos imponentes e sinistros, explorando o interessante tema da “maldição familiar”. Mas, a quase ausência de sangue somada à narrativa lenta contribuem significativamente para um resultado apenas mediano, principalmente em comparação com o memorável legado de excelentes filmes que a “Hammer” deixou na história do cinema de horror.


Uma jovem moça, Elizabeth (Gillian Hills), está fugindo desesperada pela floresta quando é resgatada por Carl Richter (Paul Jones), um jovem estudante que mora sozinha numa cabana. Porém, poucos dias depois ela é recapturada por Klaus (Kenneth Warren, de “O Soro Maldito”, 1971 e “A Essência da Maldade”, 1973), o capataz troglodita do Barão Zorn (Robert Hardy), o pai da moça e que vive num castelo, mantendo tanto a filha como o outro filho, Emil (Shane Briant), presos em seus quartos e sem contato entre si. O motivo alegado é que sua família carrega uma maldição, com histórias de incestos, insanidade, pesadelos perturbadores, com o mal no sangue em uma desordem hereditária. A situação piorou gradativamente após o suicídio da mãe dos jovens, que não suportou sua existência de loucura. Eles vivem encarcerados no castelo, sob os cuidados da tia Hilda (Yvonne Mitchell).

Tentando obter a cura de seus filhos, o barão convocou o psiquiatra Dr. Falkenberg (o irlandês Patrick Magee, de vários filmes divertidos como “Dementia 13”, “A Orgia da Morte”, “Morte Para Um Monstro” e “Laranja Mecânica”), um médico considerado charlatão por muitos e que possui métodos suspeitos para obter os resultados.

Paralelamente, enquanto belas mulheres são brutalmente assassinadas na floresta, instigando a supertição local que demônios estariam agindo na região, um padre fanático (Michael Hordern) está vagando pelos arredores pregando a necessidade de lutar contra o mal, orientando os aldeões a fazer justiça em nome de Deus, trazendo mais problemas ainda para o Barão Zorn.


O diretor australiano Peter Sykes, de carreira curta, não estava inspirado em “Demônios da Mente”, mas em compensação ele corrigiu a mão no trabalho seguinte para a “Hammer”, a história de conspiração satânica “Uma Filha Para o Diabo” (To the Devil a Daughter, 1976), estrelada pelo ícone Christopher Lee ao lado de Richard Widmark, Denholm Elliot e a belíssima Nastassja Kinski.

Demônios da Mente” (Demons of the Mind, Inglaterra, 1972) # 561 – data: 07/02/11

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Fantomas – O Guerreiro da Justiça (Ogon Batto, Japão, 1967)


Um dos desenhos animados que mais marcou minha infãncia foi sem dúvida “Fantomas – O Guerreiro da Justiça” (Ogon Batto, Japão, 1967), exibido na televisão brasileira na década de 70 do século passado, em 52 episódios com aproximadamente 25 minutos de duração. “Fantomas” era um esqueleto poderoso, com sua capa negra e vermelha, que voava e tinha uma força descomunal, portando um bastão mágico que soltava raios e dilacerava qualquer sólido, sempre dando gargalhadas debochadas contra seus inimigos.


O desenho animado era marcante principalmente pelo clima sombrio e sinistro das histórias, com elementos de horror presentes de forma significativa. É claro que no final das contas, era sempre aquela previsibilidade da eterna luta do Bem (Fantomas) vencendo o Mal ( o “cientista louco” Dr. Zero), com a justiça prevalecendo, e revisitando agora após mais de 40 anos da produção, os roteiros ingênuos envelheceram e inevitavelmente perderam sua carga dramática de horror para uma época atual onde a exposição de sangue e violência tornaram-se banais.


Mas independente disso, o vilão principal Dr. Zero, obcecado em dominar o mundo, com seus quatro olhos coloridos (vermelho, azul, verde e amarelo) que soltam raios mortais e uma garra mecânica no lugar da mão esquerda, era realmente assustador, não hesitando em matar a sangue frio seus subalternos que fracassavam em alguma missão. E são inesquecíveis as marcas registradas do vilão, a sua nave como uma torre em forma de cone e com a capacidade de uma perfuratriz, e o jarguão tradicional com sua voz cavernosa, “Zeeeeerooooo”...


E tinham também os vários monstros e máquinas destrutivas criadas por ele e que realmente passavam uma sensação de desconforto, principalmente para a época, como uma ameaça constante para a humanidade. Sem contar a sinistra trilha sonora, que conseguia transmitir uma sensação sombria na condução das histórias.


Estão disponíveis na internet e/ou através de colecionadores uma parte dos episódios da série, com a abertura original japonesa e as histórias com a dublagem original da época. Abaixo seguem pequenas sinopses de 29 desses episódios, apenas como registro e resgate da nossa memória de infância e da nostalgia do mundo mágico da TV dos anos 70.


Atenção: as informações abaixo contém “spoilers”.


* “A Civilização Perdida” (The Secret of Atlantis) – Episódio piloto que apresenta os principais personagens, o brilhante cientista Dr. Steele (criador do super carro, uma espécie de disco voador), seu filho adolescente Terry, o grandalhão desajeitado Gabi (sempre faminto e responsável pelos momentos cômicos, mas que participou apenas parcialmente da série), a mocinha Marie (filha do arqueólogo Dr. Miller e única sobrevivente do naufrágio de um navio de pesquisas), o terrível vilão Dr. Zero, um cientista louco que quer dominar o mundo, e a origem do Fantomas, encontrado adormecido numa tumba ancestral no continente perdido de Atlântida. Aqui temos o primeiro combate entre o herói e o Dr. Zero, enfrentando uma “mão gigante” mecânica, que afundava navios.


* “Terror no Gelo” (Ice Terror) – Agora o Dr. Steele e as crianças enfrentam o Dr. Zero e sua máquina de fazer gelo, criando imensos icebergs. Fantomas é requisitado para salvar seus amigos de uma enorme piranha faminta enviada pelo vilão, e para eliminar a ameaça do plano maquiavélico do congelamento dos mares ao redor do planeta.


* “A Invasão do Dr. Zero” (Slavery) – Nesse episódio, o vilão Dr. Zero juntamente com o auxílio de seu ajudante Gorgo (tão sinistro quanto ele), invade uma pequena cidade rural e escraviza seus moradores, obrigando-os a trabalhar na construção de uma fortaleza como base para sua conquista do mundo. Fantomas é então chamado pela garotinha indefesa Marie para deter “a invasão do Dr. Zero” e livrar os aldeões da escravidão, impedindo que fossem dizimados após a conclusão do trabalho, enfrentando um robô gigante criado pelo cientista louco.


* “O Robô Gigante” (The Giant Robot) – A história mostra o Dr. Zero tentando se apossar à força de uma fazenda experimental de produtos agrícolas, supervisionada pelo Dr. Steele, e o herói Fantomas é convocado para combater o cientista louco, que auxiliado por Gorgo, enviou um “robô gigante” com o formato de um misterioso animal para o combate.


* “Fantasmagórico” (The Space Monster) – O alvo do Dr. Zero agora é destruir a cidade internacional, criada por vários nações em conjunto e com prédios futuristas, abrigando centros científicos de pesquisa tecnológica para o bem da humanidade, e onde vivem grandes cientistas do mundo todo. Enfatizando os elementos de ficção científica presentes no episódio, temos uma criatura alienígena capturada numa expedição espacial e que foi raptada pelo Dr. Zero e transformada num monstro gigante e agressivo que ataca a cidade. Resta apenas a convocação de Fantomas para deter o rastro de destruição do “fantasmagórico” monstro.


* “O Verme Dourado” (The Golden Worm) – Os rios da “Ilha do Ouro” estão secando misteriosamente deixando em seus leitos grande quantidade de ouro, que está sendo roubado pelo Dr. Zero através de um monstro gigantesco parecido com uma larva ou lagarta. Para salvar o Dr. Steele e seus amigos da ameaça do imenso “verme dourado” e impedir o sucesso do plano maquiavélico de enriquecimento do Dr. Zero, que traz novamente à tona seu robô gigante, surge Fantomas e o “morcego dourado” que sempre precede sua chegada.


* “A Garrafa Mágica” (The Battle of Uranus Island) – O Dr. Steele e outros cientistas estão trabalhando para resgatar um depósito de urânio no fundo do mar, trazendo-o à tona novamente para a superfície formando uma ilha. Após o sucesso do projeto, eles constróem uma usina subterrânea de extração debaixo de uma montanha, operada por robôs, para gerar urânio como combustível para navios. Logicamente, para atrapalhar os planos, o Dr. Zero envia um monstro mecânico parecido com um dinossauro para destruir a ilha, sendo combatido por Fantomas. Paralelamente, o maligno assistente Gorgo cria uma “garrafa mágica”, capaz de desmaterializar qualquer coisa, de aviões a pessoas, transformando tudo em fumaça e aprisionando em seu interior.


* “Os Cogumelos” (The Mystery of the Exhilirating Mushrooms) – Durante uma conferência mundial de paz realizada numa grande metrópole, os cientistas ficaram loucos após ingerirem no almoço misteriosos “cogumelos” envenenados, que mais tarde transformam suas vítimas em criatura bizarras. Os efeitos dsses cogumelos são o resultado de uma pesquisa de um cientista traidor, que sucumbiu para o lado do vilão Dr. Zero por dinheiro. Mas, Fantomas surge novamente para reestabelecer a ordem e eliminar a ameaça com um antídoto para o veneno dos cogumelos.


* “O Gato Preto” (The Black Cat) – Uma fábrica de produção de energia atômica para o bem da humanidade é o objeto de desejo do Dr. Zero, que quer utilizá-la para conquistar o planeta. Ele então cria um enorme “gato preto” robô para atacar e destruir trens e edifícios, causando mortes e acidentes por todos os lados, chamando a atenção das autoridades policiais e científicas. O diabólico felino mecânico guarda um terrível segredo, escondendo uma bomba em seu interior para surpreender a linha de defesa da usina de energia atômica no melhor estilo “cavalo de Tróia”, restando para o herói Fantomas a tarefa de impedi-lo.


* “O Disco Voador” (The Flying Saucer) – Um grupo de homens a serviço do Dr. Zero, liderados pelo ambicioso Comandante Nero, está realizando testes com um “disco voador” repleto de poderosas armas, atacando e destruindo as forças de defesa de uma união internacional de vários países. Paralelamente, o Dr. Steele e seu filho Terry estão investigando as ruínas de uma antiga civilização quando são atacados pelo monstro Zargon, enviado pelo Dr. Zero, obrigando um combate entre o esqueleto dourado Fantomas e a enorme criatura alada.


* “O Monstro Galgar” (Galgar the Monster) – Misteriosamente navios e trens começam a levitar, graças à ação de raios vermelhos emitidos por um imenso pássaro chamado Galgar, que foi despertado pelo Dr. Zero do fundo da terra. Esse monstro tem o poder de emitir raios anti-gravidade através dos olhos, permitindo que grandes e pesados objetos sejam levitados. O objetivo do cientista louco é se apossar de um armazém repleto com as mais poderosas armas atômicas do planeta, estrategicamente localizado no meio de montanhas, utilizando os raios de Galgar. Como o mapa da localização do armazém secreto foi roubado, o Dr. Steele foi então convocado pelo quartel general das Forças Aliadas para receber a missão de comandar a segurança do local, recebendo a ajuda de Fantomas para enfrentar o “Monstro de Galgar”.


* “Titã, o Terrível” (Titan the Terrible) – Na remota “Ilha Oriental” existem diversas estátuas em ruínas de uma civilização antiga, as quais guardam o segredo da localização de um poderoso cristal com superfícies mais duras que os diamantes comuns, chamado de “Estrela da Polinésia”. Esse artefato é cobiçado por cientistas liderados pelo Dr. Steele, que pretende utilizá-lo na indústria mundial com fins pacíficos, mas também é procurado para a construção de armas letais tanto pelo vilão Dr. Zero como por “Titã, o Terrível”, um rei do subterrâneo, que quer o cristal para utilizar contra a humanidade num plano de invasão da superfície. Para isso, ele envia um monstro com quatro tentáculos similar a uma aranha, restando para Fantomas a salvação da humanidade e a posse da poderosa jóia.


* “A Pedra do Dragão” (The Dragon Stone) – Um misterioso meteorito chamado “A Pedra do Dragão” encontra-se escondido no laboratório de um cientista. Ele possui alto poder de destruição, com uma energia além da imaginação, e que foi roubado pelo Dr. Zero para a fabricação de um arsenal de bombas que seriam utilizadas contras as bases militares do mundo, em seu eterno plano de conquista do planeta. Sua fábrica está secretamente localizada no interior de um vulcão numa ilha, e o Dr. Steele e seus amigos, auxiliados por Golas, um dos comandantes do Dr. Zero, que foi capturado e se voltou contra o vilão, tentam recuperar o meteorito. Mas, o vulcão é protegido por três monstros pré-históricos chamados de “Candar”, encontrados e despertados pelo Dr. Zero durante as escavaçãoes no interior do vulcão, restando novamente para o herói Fantomas eliminar sua ameaça.


* “Máscara Negra” (The Black Mask) – Um poderoso aretefato bélico chamado de “bomba furacão” é cobiçado pelo Dr. Zero, cuja fórmula secreta está dividida em duas partes, uma com o cientista Dr. Harold e outra com o Dr. Steele. O misterioso “Máscara Negra”, a serviço do Dr. Zero, é enviado para tentar roubar a fórmula, assassinando o Dr. Harold com uma arma de raios especiais e conseguindo a sua parte, porém ainda resta um confronto com o Dr. Steele para obter o restante das anotações. Ele envia o enorme monstro Ingra, com tem uma cabeça bizarra com tentáculos e que solta uma gosma ácida corrosiva, mas Fantomas surge para o duelo com o vilão e seu monstro.


* “A Pérola Atômica” (The Atomic Pearl) – Um cemitério de navios no Oceano Atlântico é um dos mistérios ocultos do fundo do mar. Lá, um submarino esconde um poderoso artefato chamado de “A Pérola Atômica”, um objeto esférico descoberto na Antártida por um cientista famoso, e que ficou soterrado no gelo por milhões de anos, absorvendo o magnetismo do planeta. O Dr. Zero está atrás dessa esfera poderosa para utilizar sua força magnética na criação de algum metal super resistente ao calor e choque. O Dr. Steele e seus amigos também estão procurando a pérola atômica e Marie é capturada por um polvo gigante que a leva até o submarino naufragado, mas tanto ela quanto a esfera são trazidos pelos homens do Dr. Zero até sua torre. Resta para Fantomas salvar a garota e impedir o uso maligno do artefato atômico, enfrentando mais um monstro enviado pelo cientista vilão, sendo dessa vez uma anaconda aquática gigantesca, com a cabeça parecida com a de um morcego.


* “O Raio da Morte” (The Deadly Rays) – Valdo é mais um vilão a serviço do Dr. Zero, também conhecido como “fantasma da luz”, que solta um poderoso “raio da morte” através de sua mão. Ele está atacando diversos depósitos de urânio pelo mundo com o objetivo de roubar o elemento químico para fabricar as terríveis “bombas de ouro”, com alto poder de destruição. O Dr. Zero decidiu então dar um ultimato à população da Terra, exigindo rendição num prazo de 24 horas, ou atacaria o planeta com suas bombas. A garotinha Marie pede ajuda para Fantomas, e durante um sonho ela recebe a informação da localização do arsenal de urânio roubado e a fábrica de bombas do vilão. Terry e o grandalhão desajeitado Gabi partem então na busca da descoberta do local. A base secreta é atacada pelas forças militares de defesa do planeta, mas uma explosão liberta um imenso monstro do subsolo, uma espécie de dinossauro alado e com chifres pelo corpo, cabendo ao herói Fantomas eliminá-lo num confronto violento.


* “A Mulher Fantasma” (The Ghost Woman) – Uma misteriosa mulher azul com vestido vermelho tocando flauta nas noites de lua cheia, como uma “mulher fantasma”, está matando cientistas ao redor do mundo, sempre procurando por seu filho. O historiador Dr.Mury procura o Dr. Steele alertando-o para se proteger e explica a história da mulher, que tem mais de 500 anos e foi a rainha de um remoto país basco, sendo vítima do irmão corrupto, um alquimista que raptou seu filho pequeno para poder assumir o poder. Paralelamente, um guarda espião do Dr. Zero vai informando o vilão sobre as aparições e objtivos da poderosa mulher e o cientista louco se interessa em usá-la em seus planos malignos. Fantomas é então chamado por Marie para intervir, protegendo o Dr. Steele e lutando contra monstros de pedra que se regeneram após serem desmembrados, aliados da mulher fantasma.


* “Morcego Espacial” (The Space Bat) – Episódio com muitos elementos de ficção científica, com roteiro totalmente ambientado no espaço sideral, onde um “morcego espacial” gigantesco está atacando e destruindo naves e estações espaciais à procura de alimento. O monstro é uma criação do Dr. Zero, uma nave espacial em forma de morcego, e os alimentos roubados nos vários saques são destinados na criação de filhotes de diversos monstros bizarros, mantido por um vilão alienígena chamado Sauron, escondido numa base espacial abandonada. Quando Terry, o filho do Dr. Steele, se perde no espaço ao tentar consertar uma avaria no casco do super carro, e encontra a estação abandonada, Fantomas surge para salvá-lo e destruir o “morcego espacial”.


* “Robôs Olímpicos” (The Robot Olympics) – Gorgo, o assistente do Dr. Zero, apresenta seu mais novo plano para eliminar os governantes do mundo, utilizando a realização dos tradicionais Jogos Olímpicos, onde muitos dirigentes estariam acompanhando nas tribunas de honra. Como o cientista louco ajudou um ditador a criar um país novo chamado “Estrela Negra”, financiando armas para suas guerras, ele agora irá utilizar esse país nos jogos, substituindo os atletas por “robôs olímpicos” parecidos com homens normais, mas extremamente fortes e competitivos. Dessa forma, eles iriam ganhar muitas medalhas e chamar a atenção e popularidade para a Estrela Negra, ingressando na Liga das Nações e facilitando o plano de conquista do mundo pelo Dr. Zero. Mas, um outro robô também disfarçado de atleta e representando o Japão, e o surgimento de Fantomas atrapalham os planos malignos do vilão. Dessa vez, o monstro enfrentado por Fantomas é uma espécie de leão gigante, com chifres na cabeça e que solta raios mortais pelos olhos.


* “O Castelo” (The Ghost) – Um autêntico e antigo “castelo” localizado na beira de um precipício próximo ao mar, tem mais de 690 anos e é guardado por um velho, em memória de seus ancestrais, cavaleiros que lutaram pela justiça em suas épocas. Considerado um dos cinco mais famosos castelos do mundo, ele é cobiçado pelo Dr. Zero por sua localização estratégica, com o objetivo de transformá-lo num forte para a conquista do mundo. Para isso, ele envia Gorgo e seus homens para persuadir o velho a vender a imensa construção de pedra. O Dr. Steele e as crianças também aparecem com a missão de tentar comprar o castelo, só que para construir em seu lugar um observatório espacial. Porém, o velho não quer vender em hipótese alguma, obrigando Gorgo a invadir a propriedade e tomá-lo à força. Já o Dr. Steele consegue convencer o velho a pelo menos visitar o castelo. Em seu imenso interior, eles descobrem a existência de um fantasma gelatinoso que protege o lugar e tem o poder de engolir as pessoas e se transformar na aparência de qualquer um. Fantomas então aparece para impedir os planos de Gorgo e lutar contra o monstro gelatinoso, que ficou louco após ser atacado pelas armas do Dr. Zero.


* “O Monstro do Vulcão” (The Monster of the Volcano) – O Dr. Steel e seus amigos estão jogando golfe quando repentinamente vários jatos de água quente brotam no campo, devido à erupção de um vulcão próximo que estava extinto há centenas de anos. O novo plano maligno do Dr. Zero, colocado em prática por seu assistente Gorgo auxiliado pelo cientista Dr. Wolf, instalados numa base secreta muito abaixo da superfície, é detonar uma bomba no centro da Terra para acionar a erupção dos vulcões ao redor do mundo, deixando a humanidade com medo e fragilizada para a conquista do planeta. Para isso, o Dr. Zero conta também com vários “monstros do vulcão”, toupeiras imensas mecânicas em forma de dinossauros que podem atravessar pedras e suportar o calor das larvas vulcânicas, além de soltar fogo pela boca. O Dr. Steel é então enviado para uma missão no subsolo com um carro especial que voa e possui poderosas brocas perfuratrizes, mas é atacado pelos monstros, restando para Fantomas destruir a ameaça.


* “A Fábrica de Vulcões” (The Factory of Volcanoes) – Os diversos vulcões extintos ao redor do mundo estão misteriosamente entrando novamente em erupção e o Dr. Steele e seu filho Terry são encarregados de investigar o fenômeno. Eles chegam num laboratório de pesquisas do uso pacífico do calor subterrâneo e encontram apenas o cientista Dr. Gardner, pois todos fugiram de medo após serem ameaçados pelo Dr. Zero. Reunidos, eles partem num carro especial com brocas perfuratrizes para o subsolo encontrando no centro do planeta um sol interno, lagos e florestas, além de uma base secreta do vilão, mantida por Gorgo e o cientista especialista em vulcões Dr. Wolf (o mesmo do episódio anterior “O Monstro do Vulcão), onde eles montaram uma “fábrica de vulcões”com o objetivo de destruir a Terra. Fantomas é então chamado para intervir no plano maquiavélico do Dr. Zero, tendo que enfrentar vários monstros subterrâneos, sendo um deles um gigantesco animal com cabeleira branca e chifre na testa.


* “O Monstro Marinho” (The Sea Monster) – Um submarino atômico conhecido como “diabo do mar”, construído pelas forças de defesa da Terra para pesquisas científicas, numa idéia do Dr. Steele, é cobiçado pelo vilão Dr. Zero para auxiliá-lo na conquista do mundo. Para isso, Gorgo envia uma missão para instalar um aparelho oscilador no casco do submarino, permitindo localizá-lo no mar. A missão é formada por três homens com habilidades especiais, um deles tem olhos imensos, o outro um nariz avantajado e o outro possui grandes ouvidos. No caminho, eles são atacados por ferozes tubarões, que são combatidos por Golias, um “monstro marinho” com duas cabeças, enviado por Gorgo. Paralelamente, Terry e Marie, que estão no submarino, pedem para nadar e são atacados também por Golias, e ao fugirem entram numa caverna habitada por uma imensa cobra marinha. Resta para Fantomas a missão de combater a cobra e o monstro Golias, onde esse último é ferido na batalha e devorado pelo grupo de tubarões.


* “O Vampiro” (Mysterious Vampire Man) – O Dr. Zero está intimando seu assistente Gorgo para apresentar um plano definitivo em eliminar Fantomas e conquistar o planeta. Gorgo informa então que a resposta para a derrota de Fantomas está num computador eletrônico, que indicou um super morcego que vive nas selvas da América do Sul. Gorgo e seus homens partem então numa missão para localizá-lo, encontrando uma floresta selvagem habitada por cobras e plantas carnívoras. Através de uma passagem por uma caverna, eles encontram um castelo sinistro no alto de um penhasco rodeado por um pântano cheio de monstros. Ele é habitado por um misterioso “vampiro” que entre outras habilidades, solta morcegos pela boca. A criatura não humana aceita a proposta de Gorgo em lutar contra Fantomas, sequestrando Marie para atrair o herói. Enquanto isso, o Dr. Steele e seu filho Terry partem para o Amazonas no super carro para tentar encontrar Marie, e são atacados por um monstro com chifres que vive no pântano. Fantomas surge então para combater a ameaça e travar também um confronto mortal com o vampiro, que se transformou num morcego gigante.


* “O Monstro do Circo” (The Circus of Monsters) – Uma caravana de circo está transportando um imenso monstro de 20 metros e cabeça de rinoceronte com corpo de jacaré, que é a atração principal de um espetáculo. Porém, o ruído de um carro voador que estava sendo testado pelo Dr. Steele, faz com que o monstro ficasse violento e atacasse tudo ao seu redor, obrigando Fantomas a intervir. Sabendo da existência desse monstro, o Dr. Zero pede para Gorgo capturá-lo e criar uma forma de torná-lo ainda mais agressivo para utilizá-lo em seu eterno plano tirano de domínio do mundo. Para controlá-lo, eles sequestram o chefe do circo, que hipnotizado, obedece cegamente às ordens do vilão. O monstro novamente é apresentado pelo circo num número bizarro onde faz acrobacias num trapézio, mas se revolta e ataca a platéia, que é salva por Fantomas, numa luta mortal contra o imenso bicho.


* “O Cíclope” (The Cyclops) – Um grupo de homens do Dr. Zero, liderados por Gui, estão atacando o Dr. Steele e sua família, quando são surpreendidos por Fantomas, que os coloca em fuga. Pelo fracasso da missão, os homens são executados friamente pelo vilão, e Gui é poupado para uma nova chance. Agora, ele é enviado para matar Moro, o secretário do Dr. Zero, que decidiu fugir da torre levando importantes informações com ele. Na fuga, ele chega até uma cidade abandonada chamada Eastwood e entra numa mina desativada por quase meio século, sendo perseguido por Gui e seus homens. Antes, porém, Moro havia conseguido contato telefônico com o Dr. Steele pedindo socorro. O cientista surge no super carro e todos vão para a mina, que abriga um monstro conhecido como “cíclope”, que tem um único olho enorme no lugar da cabeça, e que solta raios mortais, além de uma boca imensa com dentes afiados localizada entre o peito e o abdômen. A horrível criatura é comedora de gente e os homens do Dr. Zero são suas primeiras vítimas, e para salvar o Dr. Steele, Terry e Marie do monstro, aparece Fantomas que o elimina num confronto violento.


* “O Homem Leão” (The Lion Man) – A nova invenção do Dr. Zero agora é um monstro sintético conhecido como “homem leão”, que agrega a agilidade do leão com a fúria do gorila e a ruindade do ser humano. Entre suas habilidades, ele solta fogo pela boca e dispara agulhas em alta velocidade pelas garras. O monstro está na África para testar sua força contra um grupo de panteras negras, eliminando-as facilmente. Em paralelo, o Dr. Steele com seu filho Terry e a garotinha Marie, também vão para o continente africano com o objetivo de realizar um estudo do desenvolvimento industrial da região, mas eles são surpreendidos por Gorgo e seus homens, que construíram uma represa, secando um rio que abastece uma tribo, obrigando os aldeões a trabalharem como escravos numa fábrica do Dr. Zero. Resta para o cientista Dr. Steele tentar libertar os aldeões, enquanto Fantomas encara um combate mortal contra o homem leão construído pelo vilão.


* “O Segredo do Diamante” (The Secret of Diamond) – Peggy é uma bela adolescente que não aparenta sua verdadeira condição de perigosa. Enquanto é passageira de um avião, ela decide utilizar uma metralhadora disparando diversos tiros no casco da aeronave e matando pessoas, fugindo de pára quedas momentos antes de detonar uma granada e explodir o avião no ar. Observando a coragem da menina, o Dr. Zero, através de seu fiel assistente Gorgo, convida a moça para se juntar com outro vilão, um homem com uma barra de ferro no lugar de uma das pernas, para uma missão que consiste em roubar uma maleta repleta de valiosos diamantes, que está com um milionário que quer doar sua fortuna para pesquisas científicas. Ele está hospedado no mesmo hotel onde estão o Dr. Steele, seu filho Terry e a mocinha Marie, que faz amizade com a aparentemente inocente Peggy. Fantomas é chamado para lutar com a moça, que tem uma habilidade incomum no manuseio com facas e armas de fogo, além também de ter que eliminar a ameaça de um monstro marinho com os olhos nas pontas de tentáculos.


* “A Quarta Dimensão – Final” (The End of Dr. Zero) – No último episódio da série, o Dr. Steele e seu filho Terry mergulham próximo de uma ilha à procura da base secreta do Dr. Zero, cujo reino subterrâneo está carregado com um imenso arsenal de bombas e instalações militares, e estaria localizado nas imediações. Eles são capturados por Gorgo e seus homens, e Fantomas aparece para tentar salvá-los, enfrentando primeiramente um monstro verde gigantesco e logo em seguida sendo obrigado a lutar novamente com o Dr. Morte, um ser negro com a mesma aparência de Fantomas, com o confronto acontecendo no mundo da “quarta dimensão”. O Dr. Steele consegue escapar da base, mas antes ele deixa preparada uma detonação de um dos mísseis do arsenal para desencadear uma reação em cadeia com as outras bombas. Enquanto Fantomas vence a guerra contra seu rival Dr. Morte, a ilha inteira explode, sendo também bombardeada por forças militares do lado de fora, que estavam preparadas para o ataque. Na explosão, o super carro é destruído, e com a base se desintegrando nos ares, é o fim do Dr. Zero, de Gorgo e seus homens, eliminando definitivamente a incansável ameaça de conquista do planeta.


Fantomas – O Guerreiro da Justiça” (Ogon Batto, Japão, 1967) # 560 – data: 02/02/11


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