Comentários de Cinema - Parte 20

Filmes abordados:

Dama e o Monstro, A (The Lady and the Monster, EUA, 1944, PB)
Galeria dos Alienígenas, A / Breeders – A Ameaça de Destruição (Breeders, EUA, 1986)
Homem Que Enganou a Morte, O (The Man Who Could Cheat Death, Inglaterra, 1959)
Invasores Invisíveis (Invisible Invaders, EUA, 1959, PB)
Jacarés Mutantes, Os / Alligators – Crocodilos em Fúria (Ragin´ Cajun Redneck Gators / Alligator Alley, EUA, 2013)
Jamie Marks Está Morto (Jamie Marks Is Dead, EUA, 2014)
Monstro de Duas Caras, O (The Two Faces of Dr. Jekyll, Inglaterra, 1960)
Monstro do Himalaia, O (The Abominable Snowman, Inglaterra, 1957, PB)
Vampiro de Black Water, O / Assassino das Sombras, O (The Black Water Vampire, EUA, 2014)



* A Dama e o Monstro (1944) – Direção de George Sherman, cineasta mais conhecido pelos filmes de western, produção da “Republic” com fotografia em preto e branco, e história baseada no conto “O Cérebro de Donovan”, escrita em 1942 por Curt Siodmak. Teve outras duas refilmagens, “Experiência Diabólica” (Donovan´s Brain, 1953) e “The Brain” (1962). Em “A Dama e o Monstro”, o “cientista louco” Prof. Franz Mueller (o austríaco Erich von Stroheim) está trabalhando em seu castelo no deserto do Arizona com experiências para tentar manter vivo o cérebro mesmo após a morte do corpo. Auxiliado por dois assistentes, o Dr. Patrick Cory (Richard Arlen) e a bela Janice Farrell (a atriz Tcheca Vera Hubra Halston), o cientista tenta obter sucesso utilizando animais como um macaco doente à beira da morte, mas seu interesse maior está em testar a experiência em seres humanos. Após surgir a oportunidade com o cadáver de um famoso e misterioso milionário, William H. Donovan, morto no acidente com a queda de um pequeno avião, o Prof. Mueller consegue êxito em manter o cérebro vivo e ativo mergulhado numa solução química especial. Porém, continuando o projeto científico com a tentativa de comunicação com o cérebro, eles não imaginariam que o Dr. Cory seria controlado telepaticamente pelo cérebro de Donovan, obrigando-o inconscientemente a fazer suas vontades obscuras, colocando em risco a vida de todos. A premissa central é de ficção científica bagaceira com elementos de horror, típica dos anos dourados do cinema fantástico das décadas de 40 a 60 do século passado, e nesse caso especificamente misturado com uma história policial. Com 82 minutos de duração e uma interessante atmosfera sinistra nas cenas no interior do castelo gótico, o filme apresenta os clichês característicos dessas divertidas tranqueiras. Temos o tradicional laboratório sombrio do “cientista louco”, que por sua vez tenta se convencer que seu trabalho traz resultados para o bem da humanidade, através da capacidade em manter vivo um cérebro separado do corpo morto, e com isso preservar o conhecimento, sabedoria e pensamentos de personalidades importantes como cientistas, inventores, escritores e estadistas. Porém, apesar desses elementos do cinema bagaceiro de FC sempre garantirem a diversão, temos alguns fatores negativos que chegam a incomodar um pouco, mesmo para os apreciadores do estilo. A atuação forçada e sem expressão da atriz Vera Hubra Halston, que deixa claro que não possui as habilidades necessárias para a arte de atuar, e o roteiro que dá maior enfâse para uma história policial com um assassinato misterioso e pessoas interessadas em dinheiro, em detrimento do mais interessante que é a ficção científica com horror. (RR – 10/05/15)


* A Galeria dos Alienígenas (1986) – Com produção executiva não creditada de Charles Band, da “Empire Pictures”, e escrito e dirigido por Tim Kincaid, “A Galeria dos Alienígenas” (Breeders) é o nome nacional quando exibido na TV de uma tosqueira de ficção científica com elementos de horror. Completamente datado dos anos 80 do século passado, tem uma história tão manjada e rasa de invasão alienígena que mais parece apenas um pretexto para mostrar belas e jovens mulheres nuas. Ambientada na famosa metrópole americana New York, o roteiro tosco mostra mulheres virgens sendo estupradas misteriosamente, ficando deformadas pela ação de um ácido corrosivo. Um detetive da polícia, Dale Andriotti (Lance Lewman) está encarregado das investigações para tentar descobrir o autor dos crimes. Ele é auxiliado pela médica Dra. Gamble Pace (Teresa Farley), que trabalha no Hospital Geral de Manhattan, para onde as vítimas são encaminhadas e ficam internadas em observação. Eles descobrem resquícios de um estranho material orgânico nas mulheres atacadas, que após um tempo despertam em transe e rumam como zumbis para os subterrâneos do hospital, onde numa estação abandonada do metrô está escondido um imenso ninho gosmento de uma raça alienígena capez de assumir a forma humana e que quer dominar nosso planeta. Com pouco mais que 70 minutos de duração, o filme é uma típica tranqueira dos anos 80, com trilha sonora e figurinos datados, e um elenco amador com atuações inexpressivas, além de uma história patética com tantas situações absurdas que até os apreciadores de cinema bagaceiro encontrarão dificuldades para digerir. As únicas coisas que podem se salvar são os efeitos toscos exagerados com borracha e sangue falso nas cenas violentas dos ataques do monstro de olhos esbugalhados do espaço, e que mesmo com orçamentos minúsculos ainda conseguem divertir, diferente dos efeitos de CGI atuais que tornam as cenas sangrentas artificiais demais, e a overdose de exposição gratuita de mulheres peladas gritando por suas vidas. Entre as curiosidades, podemos citar que o filme foi lançado em VHS no Brasil e recebeu o nome alternativo “Breeders – A Ameaça de Destruição”. E teve uma refilmagem inglesa em 1997, com roteiro e direção de Paul Matthews. Além disso, o diretor e roteirista Tim Kincaid é o responsável por outras tranqueiras ruins ao extremo do mesmo período como “Robot Holocaust” e “Mutant Hunt – O Exterminador de Andróides”. O técnico em efeitos de maquiagem Ed French atuou no filme fazendo o papel do médico Dr. Ira Markum, que auxilia a Dra. Pace na pesquisa sobre os misteriosos esporos encontrados nas vítimas do monstro. (RR – 17/05/15)


* O Homem Que Enganou a Morte (1959) – Filme de Horror com elementos de Ficção Científica produzido pelo cultuado estúdio inglês “Hammer”. A direção é de Terence Fisher, o principal cineasta da produtora com grande quantidade de trabalhos, o roteiro é de Jimmy Sangster (baseado em peça de Barré Lyndon), autor das histórias de outras preciosidades como “O Vampiro da Noite” (1958) e “A Múmia” (1959), e com o lendário Christopher Lee, um dos grandes ícones do cinema de horror em todos os tempos. “O Homem Que Enganou a Morte” é ambientado na Paris de 1890, onde o médico Dr. Georges Bonnet (o alemão Anton Diffring, de “Fahrenheit 451”, 1966), que nas horas livres faz esculturas de bustos de belas mulheres servindo de modelo, carrega um mistério em sua longa vida de 104 anos, mesmo aparentando menos de 40. Ele descobriu como “enganar a morte” junto com outro médico famoso, Dr. Ludwigg Weiss (Arnold Marle), através de cirurgias em intervalos regulares de tempo, com a substituição das glândulas paratireóides. Porém, o “cientista louco” precisa ingerir um líquido especial, no melhor estilo de “O Médico e o Monstro”, em momentos críticos quando ocorrem atrasos na realização das cirurgias, para impedir um desequilíbrio mental que o torna um assassino frio e cruel. Apaixonado pela bela Janine Du Bois (Hazel Court, de “A Maldição de Frankenstein”, 1957), o médico centenário precisa tomar uma decisão, continuar prolongando a vida com cirurgias, enfrentando a oposição do velho companheiro Dr. Weiss, que desaprova sua conduta em matar pessoas inocentes para usar suas glândulas, sendo obrigado também a se separar de Janine, que envelhecerá normalmente. Ou eliminar todos aqueles que cruzam seu caminho obrigando sua amada também a ser eterno como ele, enfrentando um rival na figura do cirurgião Dr. Pierre Gerrard (Christopher Lee), que também se interessa por Janine. Além de fugir da investigação policial liderada pelo Inspetor Legris (Francis De Wolff), que desconfia de suas atitudes suspeitas. Mais uma divertida produção da “Hammer”, com menos ação e mais diálogos, numa história interessante de um médico enfrentando o drama de desafiar as leis da natureza, descobrindo o segredo da vida e saúde eterna, mas que não impede a inevitável ocorrência de consequências desconfortáveis, como não poder formar uma família, vivendo eternamente em solidão. E quando a dificuldade de se conseguir glândulas de cadáveres torna-se progressivamente pior, ele encontra a alternativa em retirar de pessoas vivas, com os assassinatos despertando a atenção de investigação policial e a desaprovação do cirurgião Dr. Weiss,  que sempre esteve ao seu lado mantendo o segredo. Entre as curiosidades, o filme é considerado uma versão do americano “O Homem Que Desafiou a Morte” (The Man in Half Moon Street, 1945). E o igualmente ícone do cinema de Horror Peter Cushing estava escalado inicialmente para fazer o papel do Dr. Bonnet, mas desistiu alegando problemas de saúde. (RR – 23/05/15)


* Invasores Invisíveis (1959) – Produção em preto e branco com direção de Edward L. Cahn (1899 / 1963), o mesmo cineasta de outras divertidas tranqueiras do cinema bagaceiro como “O Cadáver Atômico” (1955), “Os Zumbis de Mora Tau” (1957) e “A Ameaça do Outro Mundo” (1958). No elenco temos John Agar (1921 / 2002), de pérolas como “Tarântula” (1955) e “O Cérebro do Planeta Arous” (1957), além do cultuado John Carradine (1906 / 1988), ator com forte relação com o cinema fantástico, tanto que ele aparece em destaque num dos cartazes originais do filme, mesmo com uma participação pequena apenas no início fazendo o papel de um “cientista louco”. Alienígenas conquistadores oriundos de um planeta de outra galáxia invadiram a nossa lua há 20.000 anos e aniquilaram suas formas de vida, instalando uma base para suas naves espaciais. São criaturas invisíveis que adquiriram a capacidade de alterar a estrutura molecular de seus corpos. Até então, a Terra não interessava devido seu lento desenvolvimento tecnológico, mas depois que a humanidade entrou na era espacial, com testes de armas nucleares e foguetes para viajar pelo espaço, os alienígenas ditadores decidiram dominar nosso planeta tomando os corpos dos mortos para dizimar os vivos. Com suas naves construídas com materiais que também poderiam tornar-se invisíveis, eles primeiramente se apossaram do cadáver do cientista Dr. Karol Noymann (John Carradine), morto numa explosão em seu laboratório. O zumbi visita seu colega veterano cientista Dr. Adam Penner (Philip Tonge), solicitando para avisar as autoridades militares para se renderem, ou seria iniciada uma invasão com destruições catastróficas, arrasando edifícios governamentais, unidades de comunicação, depósitos, arsenais de armas, estradas de ferro e aeroportos. Desacreditado pelos governos e ridicularizado pela imprensa com manchetes pejorativas dos jornais, o alerta de rendição não funcionou e os alienígenas invisíveis iniciaram a invasão com uma guerra desproporcional. Restando ao cientista Dr. Penner, sua bela filha Phyllis (Jean Byron), o jovem cientista John Lamont (Robert Hutton, de “Eles Vieram do Espaço Exterior”, 1967) e o militar Major Bruce Jay (John Agar), se refugiarem num abrigo subterrâneo secreto e bem equipado, para tentarem encontrar um meio ou arma eficaz para deter os inimigos do espaço. “Invasores Invisíveis” está situado dentro do sub-gênero da Ficção Científica que aborda invasões alienígenas com elementos de horror, explorando novamente o tema da guerra fria do período pós-Segunda Guerra Mundial, com a corrida armamentista e as consequências nocivas das experiências nucleares.  Para facilitar o baixo orçamento da produção, além da metragem curta com apenas 67 minutos de duração, o roteiro de Samuel Newman apresenta alienígenas invisíveis, com respiração ofegante e que deixam rastros no chão de terra ao caminharem, diminuindo os gastos com efeitos e maquiagem. Eles se apossam dos corpos de seres humanos mortos, transformando-os em zumbis assassinos, numa ideia que serviu de inspiração para George Romero conceber o clássico absoluto “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968), que traz semelhanças tanto na concepção dos zumbis como na forma de caminharem. O filme é mais uma preciosidade do cinema fantástico bagaceiro dos anos 50 do século passado, divertido justamente pela forma simplória e ingênua de condução da história, acontecendo tudo rapidamente e repleto de clichês. Não faltam os “cientistas loucos” cercados de aparelhos em experiências exageradas e os militares truculentos em ações de força. Também não poderia deixar de ter uma jovem mulher bonita sem função na história (a filha do cientista), com o objetivo de criar um triângulo amoroso em meio ao caos, e nesse caso incluindo o Dr. Lamont e o Major Jay. E com aquela tradicional mensagem de cooperação entre as nações do mundo para uma causa comum, deixando os conflitos entre si para unirem-se no combate ao inimigo maior na figura de alienígenas hostis, que por sua vez, são o alvo de uma crítica social contra as ações opressoras de ditadores conquistadores, com o uso de força e destruição. Curiosamente, o ator Philip Tonge morreu aos 61 anos logo após completar suas filmagens e não conseguiu ver seu trabalho editado. E, ao longo do filme, um narrador conduz a história, com constantes informações sobre as ações dos alienígenas. “Num prazo de três dias, os mortos exterminarão todos os vivos, e nós iremos governar a Terra. Para a raça humana, este é o fim de sua existência” – mensagem dos alienígenas invasores. (RR – 09/05/15)


* Os Jacarés Mutantes (2013) – Exibido na TV a cabo “SyFy” como “Os Jacarés Mutantes”, também é conhecido por aqui como “Alligators – Crocodilos em Fúria”. É uma produção americana de 2013 que tem dois títulos por lá: “Ragin´ Cajun Redneck Gators” e “Alligator Alley”. Ou seja, com tantos títulos, torna-se evidente a imensa dificuldade em se fazer um trabalho de catalogação dessas tranqueiras. Dirigido por Griff Furst (de “Pânico no Lago 3” e outras porcarias similares), a história mostra uma jovem estudante, Avery (Jordan Hinson), que retorna da faculdade para visitar a família em sua pequena cidade natal, no Estado da Louisiana, que fica ao lado de lagos e pântanos onde vive uma comunidade colossal de jacarés. Em seu retorno ela terá que enfrentar a histórica rivalidade entre sua família Doucette e os vizinhos Robichaud, além de administrar a dificuldade em namorar um rapaz da família inimiga, Dathan (John Chriss), numa típica história “Romeu e Julieta”. E principalmente, ela terá que lutar contra o ataque feroz de jacarés mutantes assassinos devoradores de homens. Os enormes bichos foram contaminados por uma estranha “mistura azul” tóxica despejada regularmente nas águas dos lagos que cercam a região, transformando-os em criaturas enormes e violentas. E, além da ameaça natural desses animais rastejantes, suas mordidas infectam as vítimas com uma contaminação misteriosa que transforma as pessoas em jacarés. Os americanos gostam muito de fazer filmes bizarros e picaretas com tubarões assassinos. São tantas porcarias que é árdua a tarefa de listar e acompanhar. Mas, eles também se divertem produzindo filmes bagaceiros com outros animais como os jacarés, que são os protagonistas dessa tranqueira ruim ao extremo, com um roteiro absurdo e CGI vagabundo. E para quem tiver a corajosa intenção de ver esse filme um dia, aviso que abaixo seguem alguns “spoilers” inofensivos, que provavelmente não devem ser tão comprometedores para atrapalhar a diversão. O filme é tão tosco que algumas cenas conseguem até ficar divertidas e guardadas na memória por algum tempo para serem citadas em conversas sobre cinema bagaceiro de ficção científica e horror. Por exemplo, em determinado momento, os patriarcas das duas famílias inimigas finalmente encontram a oportunidade de fazerem um duelo mortal, para encerrarem o assunto da inimizade histórica. A questão bizarra é que um deles, o pai da mocinha estudante que volta para casa, se transformou num imenso jacaré depois de ser mordido por um destes bichos contaminados. Os dois ficam de frente um para o outro, no melhor estilo dos duelos de pistoleiros dos filmes de western, e ambos sucumbem ao mesmo tempo, com o jacaré acertando o rival com o disparo de um potente espinho localizado na cauda, e o outro homem mata o animal com um tiro de arma de fogo. Continuando as bizarrices, ainda tem uma cena onde um grupo de pessoas está encurralado por um crocodilo, e um deles tem a ideia de arremessar o cachorro de estimação da família na boca do jacaré, para ganharem tempo e poderem fugir. Ninguém imaginaria o destino do pobre cachorrinho. “Os Jacarés Mutantes” é apenas mais um daqueles filmes ruins e patéticos demais, perdido na imensidão de produções similares, e que um dia no futuro poderá até ser cultuado justamente por isso. (RR – 30/05/15)


* Jamie Marks Está Morto (2014) – Filme americano dirigido e escrito por Carter Smith, baseado em livro de Christopher Barzak, “Jamie Marks Está Morto” é um drama sobrenatural com elementos sutis de horror que foi exibido no Brasil na “38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”, em Outubro de 2014. Um adolescente que está sempre isolado e sofre bullyng na escola, Jamie Marks (Noah Silver), é encontrado morto misteriosamente na beira de um rio gelado numa pequena cidade dos Estados Unidos, descoberto pela jovem Gracie Highsmith (Morgan Saylor), enquanto procurava pequenas pedras para sua coleção. Como um fantasma desorientado, ele fica perdido entre os mundos dos vivos e mortos, precisando de um amigo para ajudar a guiá-lo pelo túnel para o outro lado, que parece ser Adam McCormick (Cameron Monaghan), esportista bem sucedido na escola e que não participava das sessões de bullyng.. O fantasma de Jamie Marks podia ser visto apenas por Gracie e Adam, criando uma relação estranha e misteriosa entre eles. Melancólico, depressivo, uma história de fantasma perturbado em busca de paz. Com uma narrativa lenta, mas não entediante, como um bom roteiro deve ser, sem precisar apelar para sangue, violência ou sustos fáceis, nem efeitos especiais mirabolantes e artificiais. Não é para todos os públicos, sendo um típico filme para exibição em festivais, com pequeno apelo comercial e por isso difícil de ser exibido nos cinemas em geral. A química de amizade formada por Jamie e Adam funciona bem e de forma convincente, mantendo a atenção do espectador e o interesse pela condução da história. Curiosamente, a bela atriz Liv Tyler, também conhecida por ser filha de Steven Tyler, o líder da banda “Aerosmith”, e que esteve em filmes populares como “Armageddon” (1998), a trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001 / 2002 / 2003) e “O Incrível Hulk” (2008), tem uma participação menor no papel da mãe de Adam, num momento meio frio de sua carreira, com poucos trabalhos. (RR – 29/04/15)


* O Monstro de Duas Caras (1960) – Mais uma produção colorida do estúdio inglês “Hammer”, com direção do especialista Terence Fisher e com o ícone Christopher Lee. Apresentando outra versão da conhecida história “O Médico e o Monstro” (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde), de Robert Louis Stevenson, famosa obra literária de 1886 que foi adaptada inúmeras vezes no cinema, inclusive com outras duas versões da própria “Hammer”, “The Ugly Duckling” (1959) e “O Médico & Irmã Monstro” (1971). “Em cada personalidade humana, duas forças lutam pela supremacia.” Com estas palavras, o obcecado cientista Dr. Henry Jekyll (o canadense Paul Massie) se convence e tenta argumentar para seu amigo, o médico Dr. Ernst Litauer (David Kossof), sobre a importância de suas experiências na descoberta de uma solução química que depois de ingerida poderia trazer à tona o lado mal do ser humano. Ou a sua personalidade mais agressiva e livre de obrigações morais. E uma vez testando a poção em si mesmo, desperta em seu interior o Sr. Edward Hyde, um homem elegante quando é de seu interesse, mas que age sem escrúpulos, sentindo-se livre para se envolver no submundo de Londres de 1874. Relacionando-se com prostitutas, bebendo em bares de categoria inferior, apostando em lutas ilegais e fumando ópio em locais próprios para se consumir a droga. A esposa do pacato Dr. Henry Jekyll, a bela Kitty (Dawn Addams, de “Os Vampiros Amantes”, 1970), cansada da falta de atenção do cientista abnegado em seu trabalho, prefere participar de festas sociais da alta sociedade londrina, sendo amante do amigo de seu marido, Paul Allen (Christopher Lee), que é um homem sedutor, mas sem afeição pelo trabalho. Ele está sempre perdendo dinheiro em jogos de cartas, vivendo endividado e recorrendo à ajuda financeira do Dr. Jekyll. As coisas pioram bastante depois que mortes misteriosas ocorrem despertando a atenção da polícia, e o cientista perde progressivamente o controle da situação, permitindo o domínio do Sr. Hyde. Um destaque notável é a interpretação de Paul Massie, que alterna de forma eficaz a voz e o comportamento geral quando interpreta o educado Dr. Jekyll e o descontraído Sr. Hyde, num trabalho convincente de duas personagens de uma mesma pessoa. Curiosamente, o consagrado ator Christopher Lee também esteve em outra adaptação do livro de Stevenson, “O Soro Maldito” (I, Monster, 1971), produzido pelo estúdio rival “Amicus”, e dessa vez fazendo o papel do “cientista louco”, atuando ao lado do lendário parceiro Peter Cushing. Oura curiosidade é a participação pequena, com uma breve ponta, do ator Oliver Reed. Ele está na mesma casa noturna sofisticada em que se encontra o casal de amantes formado por Paul Allen e Kitty, além do Sr. Hyde, e para defender uma prostituta de luxo, se envolve numa briga com eles. Reed atuou um ano depois em outro filme da “Hammer”, “A Maldição do Lobisomem” (The Curse of the Werewolf) no papel do homem que se transforma em lobo. Ele também esteve em “Dr. Heckyl and Mr. Hype” (1980), outra adaptação do livro de Stevenson, no papel do cientista. (RR – 01/06/15)


* O Monstro do Himalaia (1957) – Um filme da década de 50 do século passado, da produtora inglesa “Hammer”, com fotografia em preto e branco, estrelado por Peter Cushing e com uma história explorando o lendário “abominável homem das neves”, assunto que inspirou a realização de vários filmes especulando sua misteriosa existência. Esse conjunto de fatores é mais do que suficiente para a garantia de diversão em mais uma preciosidade do cinema fantástico bagaceiro. “O Monstro do Himalaia” tem direção de Val Guest, o mesmo de “O Dia Em Que a Terra se Incendiou” (61) e “Quando os Dinossauros Dominavam a Terra” (70), e roteiro de Nigel Kneale, o criador do universo ficcional de “The Quatermass Experiment”. É o primeiro de muitos filmes do “Cavalheiro do Horror” Peter Cushing (1913 / 1994) para o cultuado estúdio “Hammer”. Ele que ficou eternizado no cinema fantástico por sua imensa contribuição ao gênero com participações em dezenas de filmes de horror e ficção científica, interpretando papéis marcantes e se especializando em “caçador de vampiros” e “cientistas loucos”. O cientista botânico Dr. John Rollason (Cushing) está hospedado num monastério situado na base das montanhas geladas do Himalaia, uma região inóspita onde se encontram as montanhas mais altas do mundo, abrangendo lugares como o Tibete (na China) e o Nepal. Junto com sua esposa Helen (Maureen Connell) e o assistente Sr. Peter Fox (Richard Wattis), eles estudam ervas raras que sobrevivem nesse ambiente hostil de frio intenso. Porém, o Dr. Rollason também tem outro objetivo maior, que é fazer parte de uma expedição rumo ao topo da montanha para tentar encontrar o lendário “Yeti”, ou “homem das neves”, uma criatura primitiva enorme com pegadas de 40 cm e altura de 3 m, que poderia ser o elo evolutivo entre o macaco e o homem, e cuja lenda de sua existência fascina o mundo, tendo um equivalente paralelo nas florestas dos Estados Unidos, chamado de “Sasquatch” ou “Pé Grande”. A expedição é liderada pelo explorador Tom Friend (Forrest Tucker), e fazem parte outros três homens, o caçador Edward Shelley (Robert Brown), o fotógrafo Andrew McNee (Michael Brill) e o guia local Kusang (Wolfe Morris). Mesmo com a oposição da esposa Helen, que teme os perigos da empreitada, e do mestre espiritual do monastério, Lhama (Arnold Marle), que tem motivos misteriosos para manter os exploradores afastados da região, o Dr. Rollason decide acompanhar a expedição. Descobrindo mais tarde as reais intenções comerciais de Tom Friend em contraste com seus objetivos científicos, e desvendando o mistério que envolve os imensos antropóides que se escondem nas mais remotas e geladas regiões do planeta. A narrativa é lenta em boa parte do filme, mas em compensação temos a bem sucedida intenção dos realizadores em manter em segredo as enormes criaturas peludas, expondo-as sutilmente apenas no desfecho, instigando a imaginação do espectador. Mesmo que tal intenção também possa ser algo inevitável devido às deficiências orçamentárias da produção, que não permitiria uma grande exposição do “monstro do Himalaia”. Também é bastante louvável o roteiro especular que as misteriosas criaturas que são o foco da expedição, não sejam necessariamente primitivas, e que poderiam ter evoluído em paralelo com a raça humana, desenvolvendo inteligência e preferindo viver em isolamento com receio do poder de autodestruição da humanidade. O filme é uma refilmagem de “The Creature” (1955), episódio de TV da série “BBC Sunday-Night Theatre”, também com Peter Cushing fazendo o mesmo papel do Dr. John Rollason. Além dele, outros dois atores reprisaram seus personagens, Wolfe Morris como o guia da expedição e Arnold Marle como o líder espiritual do mosteiro. Em 1954 foi lançado “O Terror do Himalaia” (The Snow Creature), que é considerado o primeiro filme a abordar a lenda do “Yeti”. Produzindo nos Estados Unidos com baixo orçamento e em preto e branco, tem direção de W. Lee Wilder. “O Monstro do Himalaia” ainda faz parte da fase em preto e branco da “Hammer”. Porém, no mesmo ano de 1957 já começaria a produção dos filmes em cores como “A Maldição de Frankenstein”, também com Peter Cushing no papel do “cientista louco”, só que dessa vez ao lado de Christopher Lee como o monstro, outro ator que se transformou em ícone no gênero e que fez inúmeras parcerias com Cushing. Os filmes coloridos da “Hammer” ajudaram o estúdio a torna-se cultuado, ao mostrar o vermelho vivo do sangue e revitalizando os monstros clássicos da produtora americana “Universal”. O ator americano Forrest Tucker (1919 / 1986), que tem um dos papéis principais no filme, tanto que seu nome aparece em destaque nos cartazes de divulgação, é mais conhecido pelos inúmeros filmes de western. Mas, ele também participou de outros dois filmes ingleses bagaceiros de ficção científica e horror, “The Trollenberg Terror” e “O Monstro Cósmico” (The Strange World of Planet X), ambos de 1958.
Curiosidades:
* Na divertida animação “Monstros S.A.” (2001), cuja história apresenta monstros diversos que vivem num universo paralelo interligado ao nosso através de portas dimensionais, o “abominável homem das neves” é um monstro banido desse mundo oculto. Ele foi obrigado a viver no nosso, isolado nas terras geladas do Himalaia e longe da humanidade. E, inevitavelmente ele despertaria uma lenda sobre sua misteriosa existência.
* “Quando a humanidade lançar a bomba atômica, também nossos descendentes viverão no gelo”. Essas palavras do explorador Tom Friend evidenciam o medo naquela época conturbada da catástrofe nuclear, um temor fortemente presente durante a paranoia da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, sendo um assunto abordado à exaustão numa infinidade de filmes, principalmente nas décadas de 1950 e 60.
* O roteiro de “O Monstro do Himalaia” procurou especular o “abominável homem das neves” como um ser inteligente e não primitivo. Porém, curiosamente, apenas dois anos depois do lançamento do filme, em 2 de Fevereiro de 1959 ocorreu um massacre de nove estudantes esquiadores que viajavam pelo Norte dos Montes Urais, uma cordilheira de montanhas geladas e inóspitas na Rússia, região que divide a Europa da Ásia. Os cadáveres dos jovens foram encontrados mutilados e semi nus, e a autoria dos assassinatos tornou-se um grande mistério conhecido como “Incidente do Passo Dyatlov”, que era o nome do líder da expedição de esquiadores mortos. Existe também a especulação sobre uma investigação da polícia secreta russa KGB, escondendo informações que ajudariam a desvendar o mistério. Para muitos jornalistas investigativos e habitantes de aldeias locais, o responsável pelas mortes sangrentas é um “Yeti”, demonstrando que a criatura seria primitiva e violenta. Em 2013 tivemos um filme baseado nessa história, “O Mistério da Passagem da Morte” (The Dyatlov Pass Incident / Devil´s Pass, EUA / Inglaterra / Rússia), dirigido pelo finlandês Renny Harlin, especulando ainda mais sobre o mistério da morte sem explicações dos esquiadores.  (RR – 20/05/17 , 17/07/15 e 10/09/17)


* O Vampiro de Black Water (2014) – Também conhecido no Brasil como “O Assassino das Sombras”, o filme foi exibido na TV a cabo “SyFy” como “O Vampiro de Black Water”. Escrito e dirigido por Evan Tramel, em seu primeiro trabalho, está situado dentro do sub-gênero “found footage”, com muita influência de “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999) e elementos de “O Bebê de Rosemary” (Rosemary´s Baby, 1968) no desfecho. Uma equipe de filmagem de documentários está trabalhando no misterioso caso de assassinatos em série de mulheres nas florestas geladas de Black Water, no Estado americano de Washington. As vítimas são encontradas sem sangue e com uma enorme mordida no pescoço. A polícia encerra o caso ao prender um morador da região, Raymond Banks (Bill Oberst Jr.), que é condenado à morte de maneira suspeita. A equipe de documentaristas é formada por Danielle Mason (Danielle Lozeau), Andrea Adams (Andrea Monier), o cinegrafista Anthony Russell (Anthony Fanelli) e o técnico de som Robin Allen (Robin Steffen). O objetivo é investigar os assassinatos, entrevistando os moradores e visitando os locais onde foram encontradas as vítimas. Porém, ao ficarem perdidos na floresta e sendo ameaçados por estranhos ruídos noturnos, eles terão que lutar por suas vidas ao serem atacados por uma violenta criatura de dentes pontudos. Este é um daqueles típicos filmes do cinema bagaceiro de horror do século 21. Ruim e repleto de clichês e ideias de outros filmes, e que talvez um dia no futuro possa até ser cultuado justamente por ser uma tranqueira que não agrega grande coisa ao gênero, mas que até poderia divertir. Assim como fazemos com os filmes bagaceiros de roteiros absurdos e efeitos toscos produzidos dezenas de anos atrás, principalmente as preciosas tranqueiras dos anos 50 e 60 do século passado, podendo até se estender à década de 80. O estilo “found footage” já está saturado ao extremo, mas ainda continua chamando a atenção dos realizadores. “O Vampiro de Black Water” não apresenta nada que já não tenha sido explorado numa infinidade de filmes anteriores, inclusive tem uma imensa similaridade com o já citado “A Bruxa de Blair”. A opção do diretor em mostrar o monstro em vez de apenas sugerir sua presença ameaçadora, com a artificialidade do CGI, também contribui para situá-lo num imenso grupo de filmes apenas comuns. E pelo título, é plenamente óbvio saber com antecedência a identidade da criatura. É para assistir, tentar não dormir, talvez até se divertir um pouco, e esquecer logo em seguida. (RR – 26/05/15)

Comentários de Cinema - Parte 19

Filmes abordados:

Dinosaur From the Deep (França, 1993)
El Espanto Surge de la Tumba (Horror Rises From the Tomb, Espanha, 1973)
Il Coltello di Ghiaccio (Knife of Ice, Itália / Espanha, 1972)
A Múmia Azteca Contra o Robô Humano (La Momia Azteca Contra el Robot Humano / The Robot vs. The Aztec Mummy, México, 1958, PB)
Legend of Dinosaurs and Monster Birds (Japão, 1977)
A Maldição da Chorona (La Maldición de la Llorona / The Curse of the Crying Woman, México, 1963, PB)



* Dinosaur From the Deep (1993) – Inacreditável “filme Z” francês de orçamento quase inexistente, escrito, produzido, editado e dirigido por N. G. Mount (Norbert Moutier), que também atua sob o pseudônimo Bert Goldman. Ele é o responsável por outras porcarias como “Mad Mutilator” (1983) e “Le Syndrome d´Edgar Poe” (1995). Tem ainda a participação no elenco do veterano cineasta e roteirista francês Jean Rollin (1938 / 2010), que interpreta o papel de um “cientista louco”. Rollin teve uma vasta carreira no cinema com uma infinidade de bagaceiras de horror, atuando também em muitas delas, com seu nome tornando-se associado ao gênero. Em 2004, um futuro para a época da produção em 1993, e um passado para nosso momento atual, a pena de morte para criminosos violentos está abolida e então a polícia decide enviar um perigoso prisioneiro junto numa expedição científica para o passado na época dos dinossauros. A missão é comandada pelo cientista Prof. Nolan (Jean Rollin), e o objetivo é estudar os gigantescos animais pré-históricos. O criminoso seria levado junto com seus carrascos para ser executado nesse passado sem lei. No retorno da nave que é uma máquina do tempo, um ovo de dinossauro é trazido à bordo e um pequeno monstro desperta, atacando os tripulantes com mortes sangrentas. Em “Dinosaur From the Deep” tudo é ruim ao extremo, nada se salva, nem a presença de Jean Rollin. A história é ridícula, com algumas piadas sem resultado, os atores são péssimos, e a edição com cortes bruscos é horrível. O diretor claramente demonstra não possuir qualquer tipo de conhecimento sobre como fazer cinema. Sem contar a música totalmente deslocada e que apenas contribui para aumentar o sentimento de rejeição do espectador. Até os créditos são extremamente amadores. Mas, o pior de tudo são os efeitos patéticos, que vão da nave espacial tosca, uma maquete estática paupérrima, aos dinossauros feitos de papel e com alguns movimentos num péssimo “stop motion”, que crianças em idade escolar do ensino fundamental conseguem fazer bem melhor e de forma mais convincente. É até difícil descrever a colossal ruindade geral desse filme. Curiosamente, em determinado momento há uma citação irônica para “Parque dos Dinossauros” (Jurassic Park), de Steven Spielberg, lançado na mesma época em 1993, onde o criminoso condenado à morte e que conseguiu escapar de seus executores, encontra uma “mulher das cavernas” e afirma que agora é o “Rei do Parque Jurássico”. Produzido diretamente para o vídeo, o filme está disponível no “Youtube” na íntegra em francês sem legendas. (RR – 22/04/15)


* El Espanto Surge de la Tumba (1973) – “França, meados do século XV. Quando a superstição e a ignorância controlavam toda a Europa, homens e mulheres acusados de bruxaria eram executados na fogueira, na forca ou por lâminas afiadas. A peste, a mais devastadora das pragas, e a guerra, com todas as calamidades em seu rastro, não são tão temidos quanto o poder sombrio de Satanás, e de sua sinistra corte de demônios e bruxos.” O espanhol Paul Naschy (pseudônimo de Jacinto Molina Álvarez) nasceu em 06/09/1934 em Madri, e faleceu em 30/11/2009 aos 75 anos, sendo considerado um nome cultuado relacionado ao cinema de horror, com uma infinidade de créditos como diretor, roteirista e ator. “El Espanto Surge de la Tumba” (conhecido também pelo título inglês “Horror Rises From the Tomb”) é mais uma de suas várias bagaceiras preciosas com roteiros bizarros e todos os elementos do horror da época da inquisição européia. Dirigido por Carlos Aured, inicia-se na França de 1454, onde um casal é condenado à morte por prática de magia negra. Alaric de Marnac (Paul Naschy) é executado por decapitação e sua cabeça é enterrada longe do corpo, e sua companheira Mabille De Lancré (Helga Line) é morta após ser torturada pendurada de cabeça para baixo numa árvore. Antes de morrerem, eles lançam uma maldição para seus executores, o próprio irmão Armand de Marnac (também Naschy) e Andre Roland (Vic Winner), dizendo que seus corpos morreriam, mas seus espíritos continuariam vivos buscando por vingança contra seus descendentes. Mais de quinhentos anos depois, dois casais de amigos, Hugo de Marnac (novamente Naschy) e a namorada Sylvia (Betsabe Ruiz), e o pintor Maurice Roland (também Vic Winner) e a bela Paula (Cristina Suriani), decidem participar de uma sessão espírita comandada pela médium Madame Irina Komarova (Elsa Zabala). Eles recebem uma mensagem que desperta a curiosidade em encontrar a cabeça decepada de Alaric de Marnac, enterrada em terras próximas das ruínas de um antigo mosteiro, atualmente pertencentes ao descendente Hugo. Lá chegando, eles se juntam ao caseiro que cuida da propriedade, e que mora no local com suas duas belas filhas, Chantal (Maria Jose Cantudo) e Elvira (Emma Cohen), sendo que esta última tem um caso amoroso com Hugo. Juntos, todos eles lutam para sobreviver dos ataques brutais de Alaric de Marnac, que consegue reviver da tumba junto com sua companheira, e utiliza seu poder satânico para controlar as pessoas e transformá-las em zumbis assassinos, além de beber seu sangue e comer seus corações. “El Espanto Surge de la Tumba” é o típico cinema bagaceiro divertido, com uma sinistra trilha sonora gótica de órgão, mortes com significativo grau de violência e sangue, ambientes tétricos envoltos em névoa, corpos que saem de caixões, zumbis deformados caminhando lentamente em busca de suas vítimas, uma cripta em ruínas com atmosfera de gelar o sangue, um talismã mágico capaz de combater as forças demoníacas, a impagável expressão facial de Paul Naschy com seu olhar hipnotizador no melhor estilo imortalizado pelo vampiro “Drácula”, belíssimas mulheres semi nuas desfilando para o abate, e uma história repleta de clichês e situações absurdas que justamente por isso garantem o entretenimento bizarro. Entre as curiosidades, podemos citar: * É mencionado no filme o conhecido demônio “Astaroth”, que foi o nome de um fanzine de horror que editei entre 1995 e 2008, sendo que utilizei como inspiração uma referência de outro filme, “Uma Filha Para o Diabo” (To the Devil a Daughter, 1976). * “El Espanto Surge de la Tumba” é o nome do terceiro disco da banda de metal extremo “Dorso” (Chile), lançado em 1993, com letras inspiradas em filmes de horror. * Foi filmada uma sequência em 1983, “Latidos de Pánico”, escrito, dirigido e atuado pelo multi funcional Paul Naschy. (RR – 12/04/15)


* Il Coltello di Ghiaccio (1972) – O sub-gênero do cinema italiano que aborda histórias de assassinos em série ficou conhecido como “Giallo”, que significa “amarelo” em italiano, numa referência às capas amarelas das revistas populares de suspense e romance policial, com assassinatos sendo investigados por detetives. Esses tipos de filmes tiveram seu ápice entre as décadas de 70 e 80 do século passado, apresentando as ações de assassinos usando luvas pretas, com as vítimas na maioria das vezes sendo mulheres, e com a investigação policial tentando descobrir o mistério por trás das mortes, com a solução apenas no final e reservando surpresas. Com o título original italiano “Il Coltello di Ghiaccio”, o espanhol “Detrás del Silencio” e o inglês “Knife of Ice”, o filme foi lançado em 1972 e dirigido por Umberto Lenzi, um cineasta italiano conhecido por outros significativos trabalhos dentro do Horror como os violentos “Os Vivos Serão Devorados” (80) e “Canibal Ferox” (81), sobre canibais, e “Nightmare City” (80), sobre zumbis. Na história, Martha Caldwell (Carroll Baker) é uma mulher que perdeu a capacidade de falar após um evento traumático ocorrido quando era adolescente, através de um acidente ferroviário que matou seus pais num incêndio. Ela mora com seu tio inglês Ralph (George Rigaud) numa casa ao lado de um cemitério, localizada numa pequena cidade espanhola próxima de Barcelona. Ela recebe a visita de sua prima Jenny Ascot (Ida Galli, atuando sob o pseudônimo de Evelyn Stuart), uma cantora bem sucedida. Porém, mortes misteriosas começam a ocorrer na casa e proximidades, colocando pessoas do círculo de amigos e empregados da família numa lista de suspeitos, como o sinistro motorista Marcos (Eduardo Fajardo) e o médico Dr. Laurent (Alan Scott), além do próprio proprietário da casa, o idoso Ralph, um estudioso de ocultismo. Outro suspeito dos crimes é um jovem hippie viciado em morfina e simpatizante de cultos satânicos. Entre as candidatas a tornarem-se vítimas do misterioso assassino, temos a governanta Sra. Annie Britton (Silvia Monelli) e a adolescente Christina (Rosa-Maria Rodrigues), filha adotiva de um padre local, Martin (José Marco). E para tentar desvendar a autoria dos crimes e impedir mais mortes, o Inspetor Duran (Franco Fantasia) está na liderança das investigações. O filme é um “Giallo” com as tradicionais características desse sub-gênero, tentando manipular o espectador no mistério que envolve os assassinatos, com pistas falsas, elementos de satanismo e investigação policial. Não é muito empolgante e as cenas com as poucas mortes são filmadas “off screen”, reduzindo a intensidade de violência. Mas, ainda assim, a história até desperta algum interesse, principalmente pela surpresa no final, com a esperada revelação da identidade e motivações do assassino. Entre as curiosidades, podemos citar que o diretor Umberto Lenzi procurou mostrar muitas cenas evidenciando os olhos dos personagens, uma característica que ficou mais conhecida e associada com outro diretor italiano de filmes de horror, o cultuado Lucio Fulci. E, em determinado momento, a jovem Jenny recém chegada de viagem, presenteia seu tio Ralph, apreciador de ciências ocultas, com livros sobre feitiçaria, zumbis e demônios, e informa que são materiais raros comprados no Brasil. O cineasta Lenzi, que também participa do roteiro, talvez quisesse apenas citar nosso país como uma breve homenagem, mas com um resultado estranho, uma vez que não somos conhecidos por esses tipos de livros com temáticas não convencionais, principalmente sendo raros. (RR – 03/04/15)



* A Múmia Azteca Contra o Robô Humano (La Momia Azteca Contra el Robot Humano, 1958) – Também conhecido pelo título alternativo inglês “The Robot vs. The Aztec Mummy”, essa produção mexicana em preto e branco de 1958 e dirigida por Rafael Portillo, tem um nome sonoro que já sinaliza para sua história bizarra de crossover entre uma múmia assassina possuidora de força descomunal, e um robô criado a partir de partes de um cadáver humano, que nos remete ao universo ficcional de “Frankenstein”. Tosco ao extremo, desde a produção ao roteiro, passando pelo elenco com interpretações que vão do exagero (caso do “cientista louco”) ao marasmo (demais personagens), o filme diverte os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro justamente por sua ruindade involuntária, apesar da tentativa de ser sério ao contar uma história absurda, repleta de clichês e situações distantes de qualquer lógica. Um tesouro da antiga civilização Azteca está escondido e protegido por uma múmia que no passado foi o guerreiro Popoca (difícil não rir desse nome, na interpretação de Angelo De Steffani, atuando sob forte maquiagem tosca). A múmia carrega em si um bracelete e uma couraça peitoral que trazem gravações em hieróglifos que revelam a localização secreta do tesouro. De olho em suas riquezas, para financiar seus projetos científicos mirabolantes, temos um “cientista louco”, o Dr. Krupp (Luis Aceves Castañeda), também conhecido como o bandido “Morcego”, sempre acompanhado de seu capanga Tierno (Arturo Martínez), que tem o rosto deformado num acidente com ácido provocado numa luta com a múmia. Ele criou um robô humano unindo a cabeça de um homem com o corpo mecânico de uma máquina radioativa movimentada por controle remoto, para ajudá-lo no combate contra a múmia e se apossar do tesouro. Para tentar impedí-los, temos o cientista Dr. Eduardo Almada (Ramón Gay) e seu fiel assistente Pinacate (Crox Alvarado), que utilizam as importantes informações da bela Flor (Rosa Arenas), jovem esposa do cientista, através de sessões de hipnose que revelam sua relação com a vida passada da princesa azteca Xochitl. Curiosamente, o filme faz parte de uma série de três, todos com a mesma direção de Rafael Portillo, roteiro de Guillermo Calderón e Alfredo Salazar e elenco principal, sendo precedido por “A Múmia Azteca” (La Momia Azteca,) e “A Maldição da Múmia Azteca” (La Maldición de la Momia Azteca), ambos de 1957, e os quais tiveram várias cenas reaproveitadas na edição final do crossover, para explicar acontecimentos do passado da história, facilitando muito o trabalho dos produtores na redução do orçamento. “La Momia Azteca Contra el Robot Humano” é bem curto, com apenas 65 minutos, e como na maioria dos filmes bagaceiros de múmias, aqui também não encontramos nenhuma preocupação dos roteiristas com situações inverossímeis e absurdas como o fato da múmia se deslocar livremente sem nunca ser notada, ou como consegue se manter escondida em segredo num mausoléu no interior de um cemitério, ou ainda a reduzida e incompetente ação policial. E também temos obviamente alguns daqueles tradicionais elementos do cinema fantástico tranqueira, como o laboratório do cientista louco, repleto de equipamentos bizarros, a atmosfera sombria de um cemitério sinistro e o interior claustrofóbico cheio de ambientes interligados de uma pirâmide abandonada.
O destaque dessa tranqueira inacreditável vai justamente para aquilo que dá nome ao filme, no conjunto formado pela múmia e sua maquiagem risível e pelo robô extremamente hilário de tão tosco, culminando com o confronto entre eles no desfecho, uma breve sequência dígna de constar na memória por muito tempo pelo elevado grau de bizarrice. Indicado apenas para os apreciadores de bagaceiras antigas. (RR – 15/03/15)


* Legend of Dinosaus and Monster Birds (1977) – Filme japonês de monstros gigantes com um título sonoro, dirigido por Junji Kurata e produzido pela “Toei”. Com o nome original “Kyoryu Kaicho no Densetsu”, podemos traduzir o título em inglês para algo como “A Lenda dos Dinossauros e Pássaros Monstruosos”. Na história, acompanhamos os esforços de um geólogo, Ashizawa (Tsunehiko Watase), acompanhado de sua namorada, a fotógrafa submarina Akiko (Nobiko Sawa), na tentativa de desvendar para o mundo a existência de um gigantesco réptil marinho. O plesiossauro estaria vivendo nos lagos do Monte Fuji (algo como “O Monstro do Lago Ness” japonês), e deveria ser o responsável pela ocorrência de mortes misteriosas e violentas na região. Em paralelo, uma caverna de gelo é descoberta em local próximo e em seu interior um ovo pré-histórico traz à vida um enorme pássaro monstruoso. As criaturas esquecidas pelo tempo inevitavelmente se encontram numa floresta e travam um confronto mortal no meio de um terremoto com a erupção de um vulcão. Os monstros desses filmes bagaceiros são sempre uma atração, independente da qualidade da história, justamente por sua concepção tosca ao extremo, numa época sem computação gráfica, e onde os esforços da equipe de produção devem ser valorizados pela intenção séria de apresentar monstros gigantescos atacando os humanos ou em combate entre si. Mesmo fazendo parte de histórias repletas de situações absurdas com elementos fantásticos. Porém, no caso específico de “Legend of Dinosaurs and Monster Birds”, pouca coisa se salva, principalmente por causa da péssima trilha sonora, irritante e totalmente deslocada, convidando o espectador a desistir de acompanhar o roteiro ruim com atores medíocres. A duração de pouco mais de uma hora e meia de projeção poderia ser reduzida para minimizar o tédio, pois as únicas exceções ficam por conta de alguns poucos momentos sangrentos com vítimas desmembradas, e pelas cenas com os monstros. Aliás, eles aparecem pouco na maior parte do filme e se enfrentam no desfecho numa sequência mais longa que acaba tornando-se a mais interessante. (RR – 31/03/15)


* A Maldição da Chorona (1963) – O cinema antigo de horror mexicano tem algumas preciosidades que não podem ficar esquecidas. Essa é uma produção de 1961, porém lançada dois anos depois, com fotografia em preto e branco, dirigida e escrita por Rafael Baledón, a partir de uma história de Fernando Galiana, que por sua vez utilizou elementos de uma lenda popular sobre uma mulher fantasma que chora de forma assustadora. Na história do filme, a jovem Amelia (a venezuelana Rosita Arenas, de “La Momia Azteca Contra el Robot Humano” / “The Robot vs. The Aztec Mummy”, 1958), recém casada com Jaime (Abel Salazar, de “El Barón del Terror” / “The Brainiac”, 1962), recebe o convite para visitar sua tia Selma (Rita Macedo), que não vê há 15 anos e que mora solitária num casarão afastado no meio de uma floresta. A casa de aspecto sombrio é conhecida na região por ser assombrada e temida pelos moradores das aldeias próximas por causa da ocorrência misteriosa de assassinatos noturnos na estrada em seus arredores, cuja autoria é investigada sem sucesso pelo capitão da polícia local (Mario Sevilla), e onde as vítimas são encontradas sem sangue. Chegando ao destino, o casal é recebido pelo rude serviçal Juan (Carlos López Moctezuma), manco e com o rosto desfigurado. No encontro da jovem Amelia com sua tia Selma, logo é informada a real intenção do convite, com a revelação da existência de uma maldição familiar envolvendo a antiga bruxa maléfica Marina, que renegou todos os seus bens e adquiriu um poder sobrenatural das trevas. Ela foi executada com uma lança no peito, e ficou conhecida como “a mulher chorona”, devido seus gritos aterrorizantes de agonia (daí o título original). Seu cadáver apodrecido está escondido no porão da casa, aguardando apenas a oportunidade de ressurgir entre os vivos. E como elas eram suas únicas descendentes, a ideia seria reviver a feiticeira num ritual de magia negra, no aniversário de 25 anos de Amelia, cujo presente seria o seu sacrifício, dando a vida para trazer a antiga bruxa de volta. “A Maldição da Chorona” é uma pérola do cinema gótico com todas as suas tradicionais características de um horror sutil, mas extremamente eficiente na elaboração de uma atmosfera sombria e sinistra. Temos a carruagem como meio de transporte da época, tornando sempre árdua e demorada a tarefa de se locomover; a floresta com árvores secas e aspecto fantasmagórico envoltas numa tenebrosa névoa espessa; e o casarão frio e deprimente de pedra, repleto de passagens secretas e ambientes tétricos, decorado por teias de aranha, habitado por ratos e morcegos e protegido por imensos cães assassinos, que mais parecem guardiões dos portais do inferno. Estão também presentes aqueles esperados clichês que contribuem de forma decisiva para a construção de um clima mórbido como o serviçal demente com o rosto desfigurado; o porão sinistro que esconde um segredo aterrador; e a música tétrica de um órgão tocando acordes de gelar a espinha. Além de um espelho mágico que reflete a personalidade sombria escondida na jovem Amelia, que é vítima de uma maldição familiar; um alçapão que serve de inesperada armadilha; e os gritos estridentes de uma mulher chorona ecoando pelos corredores do casarão. Sem contar a presença de um homem preso no sótão, deformado pela loucura (no caso, é o marido de Selma, o Dr. Daniel Jaramillo, interpretado por Enrique Lucero, e que perdeu a sanidade nos anos forçados de reclusão, vivendo como um animal). A maquiagem da maléfica Selma, quando transformada em bruxa, com o rosto modificado simulando a região dos olhos como escuras cavidades vazias, é um dos pontos fortes do filme, passando a sensação do Mal absoluto. Curto, com apenas uma hora e quinze minutos de duração, e com uma constante atmosfera de tensão e horror sugerido, “A Maldição da Chorona” é recomendável para apreciadores do cinema gótico e histórias de bruxas e maldição familiar, e para quem procura por produções antigas (nesse caso, da década de 60 do século passado) fora do tradicional mercado americano ou europeu. (RR – 29/03/15)

Comentários de Cinema - Parte 18

Filmes abordados:

O Cadáver Atômico (Creature With the Atom Brain, EUA, 1955, PB)
O Demônio Imortal (Yilmayan Seytan / The Deathless Devil, Turquia, 1973)
Mandroid (EUA, 1993)
A Máscara do Mágico (The Mad Magician, EUA, 1954, PB)
A Noite do Terror Rastejante (Squirm, EUA, 1976)
Uma Fenda no Mundo (Crack in the World, EUA, 1965)




* Cadáver Atômico, O (1955) – Produção de baixo orçamento com fotografia em preto e branco, da “Clover Productions”, de Sam Katzman, vindo diretamente dos nostálgicos anos 50 do século passado, um período repleto de bagaceiras divertidas de horror e ficção científica com histórias absurdas. Sendo nesse caso explorando os efeitos destrutivos do uso indevido da energia nuclear, durante a paranóia da guerra fria entre as potências da época, Estados Unidos e antiga União Soviética, logo após o final da Segunda Guerra Mundial. A direção é de Edward L. Cahn, cineasta conhecido por inúmeras tranqueiras como “Os Zumbis de Mora Tau” (57), “Invasion of the Saucer Men” (57), “A Maldição do Homem Sem Cara” (58), “A Ameaça do Outro Mundo” (58) e “Invasores Invisíveis” (59). O roteiro é do escritor alemão Curt Siodmak, colaborador de vários filmes da “Universal”, e no elenco temos Richard Denning, que esteve em “O Monstro da Lagoa Negra” (54), “Invasão do Mundo” (54), “Day the World Ended” (55) e “O Escorpião Negro” (57), entre outras pérolas do cinema fantástico bagaceiro. Em “O Cadáver Atômico”, um “cientista louco” alemão, Dr. Wilhelm Steigg (Gregory Gaye), realiza experiências radioativas com o envio de ondas curtas de radio para o cérebro de pessoas recentemente mortas, cujos cadáveres foram roubados, permitindo o movimento involuntário de seus corpos, fazendo-as andar como zumbis, controladas à distância e alimentadas por energia atômica. Com força sobre humana, essas “criaturas com cérebro atômico” do sonoro título original, transformam-se em monstros assassinos a serviço de um perigoso gangster italiano, Frank Buchanan (Michael Granger), que foi deportado para seu país de origem. Uma vez sendo o financiador das experiências do cientista, decide trazê-lo da Europa para os Estados Unidos com o objetivo de vingar-se de todos seus delatores e inimigos do passado. Para combater seu plano maquiavélico, surge uma dupla de policiais formada pelo chefe do laboratório Dr. Chet Walker (Richard Denning), e seu amigo Capitão Dave Harris (S. John Launer). Eles investigam os misteriosos assassinatos e descobrem a presença de elementos radiativos nas cenas dos crimes e com a ajuda do exército tentam encontrar o laboratório do cientista alemão e impedir a invasão dos cadáveres atômicos. O filme tem a curiosidade de apresentar mortos que voltam a caminhar entre os vivos, despertados pela ciência com o uso da radioatividade, diferente dos métodos anteriores de criação de zumbis pela magia negra. Eles também não são comedores de carne e putrefatos, algo que se tornaria comum depois do clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968), de George Romero. Mas, são criaturas frias e assassinas, com seus cérebros controlados por terceiros para a violência. Não poderia faltar o sinistro laboratório do “cientista louco” e seus aparelhos sofisticados para a época, e hilários nos dias atuais. As cenas de mortes também são bem datadas, exageradas na ingenuidade e inverossimilhança quando comparados aos filmes violentos de sessenta anos depois. Porém, é justamente esse tipo de roteiro absurdo, aliado a todos esses fatores das antigas produções de baixo orçamento, que despertam o interesse e a diversão pelas tranqueiras do cinema fantástico da década de 1950. (RR – 08/02/15)


* Demônio Imortal, O (1973) – Filme obscuro, tanto pela produção tosca quanto pela história clichê e quantidade de bizarrices que desfilam para todos os lados, mas principalmente por ser da Turquia, numa bagaceira com elementos de espionagem, humor pastelão e ficção científica tranqueira. “O Demônio Imortal” (“Yilmayan Seytan” no original turco e “The Deathless Devil” nos Estados Unidos) tem direção de Yilmaz Atadeniz (que utilizou o óbvio pseudônimo de Robert Gordon na versão americana), e roteiro bagaceiro de seu irmão Orhan Atadeniz. O jovem Tekin (Kunt Tulgar) recebe de seu pai a notícia que foi adotado, e que o verdadeiro pai morreu, sendo conhecido como um vigilante super-herói mascarado. Para combater o crime, ele é convencido então a personificar o justiceiro mascarado “Serpente”, com um patético laço vermelho no pescoço. Com a ajuda do atrapalhado Bitik (Erol Gunaydin), o alvo principal é combater o vilão bigodudo Dr. Seytan (Erol Tas), uma cópia barata do mais famoso “Dr. Fu Manchu” (interpretado várias vezes pelo ícone Christopher Lee). O vilão pretende roubar uma invenção militar do cientista Prof. Dogan (Yalin Tolga), um dispositivo capaz de controlar aviões no ar e a descarga de bombas em alvos planejados. Sua intenção maléfica é tornar-se um governante tirano do mundo, auxiliado também por um robô assassino criado por ele, e que serviria de protótipo para a construção de um exército. E para completar a enxurrada de clichês, não poderia faltar a presença da tradicional mocinha, Sevgi (Mine Mutlu), a bela filha do Prof. Dogan, que é obviamente apaixonada pelo herói Tekin. Assistir esse filme em seu idioma original turco não é fácil, pois soa muito estranho e nem um pouco convidativo. Para ajudar na bizarrice como um todo, temos ainda uma história ridícula e entediante, num imenso convite ao sono. A narrativa até que não é lenta, e ao contrário é bem frenética, mas isso não impede o desinteresse, com cortes bruscos na edição. As atuações são patéticas ao extremo, e as cenas de lutas e perseguições do herói contra os capangas do Dr. Seytan são hilárias de tão ruins. É uma mistura de espionagem com piadas horríveis do panaca ajudante do herói e elementos toscos de ficção cientítica, onde o robô provavelmente é um dos piores de todos os tempos (com um ator dentro de uma fantasia que não tem palavras para definir a tosquice). A duração de uma hora e vinte e cinco minutos poderia ser reduzida para um filme de curta metragem de não mais que trinta minutos, e talvez isso pudesse funcionar para despertar algum interesse. Curiosamente, “O Demônio Imortal” é considerado uma refilmagem do americano “O Misterioso Dr. Satã” (Mysterious Doctor Satan, 1940), um seriado produzido em preto e branco dividido em quinze capítulos. Mas, de uma forma geral, esse filme turco é um daqueles ruins que são mais chatos que divertidos, diferente da maioria das outras bagaceiras do cinema fantástico de baixo orçamento, onde os clichês e excesso de situações bizarras com efeitos toscos tornam-se justamente o diferencial que leva ao entretenimento. (RR – 08/03/15)


* Mandroid (1993) – Existem centenas de filmes bagaceiros de ficção científica e horror, principalmente dos anos 50, 60 e 70 do século passado, cultuados justamente pela bizarrice de seus roteiros e pela produção tosca. Mas, as tranqueiras existem em todas as épocas e são lançadas o tempo todo, vindas de todos os lados do planeta. “Mandroid” é de 1993, e tem direção de Jack Ersgard e produção executiva de Charles Band, pela “Full Moon Pictures”. Ele que foi o criador da extinta “Empire”, empresa responsável por preciosidades como “A Hora dos Mortos-Vivos” (Re-Animator, 85) e “Do Além” (From Beyond, 86). Uma dupla de “cientistas loucos”, Dr. Karl Zimmer (Robert Symonds) e Dr. Drago (Curt Lowens), está trabalhando secretamente na Europa oriental num projeto científico com a descoberta de um poderoso cristal chamado “Supercon”. Por causa da alta carga radioativa, esse produto tóxico somente pode ser manipulado por um robô humanóide, o “mandroid” do título, que é controlado à distância, inicialmente através dos movimentos de uma pessoa ligada à máquina por um complexo sistema de computador, e depois apenas através dos pensamentos de seu controlador. O Dr. Zimmer, juntamente com seu assistente Benjamin (Michael Della Femina) e sua bela filha Zanna (Jane Caldwell), quer oferecer a invenção com fins pacíficos para o governo americano, que através da CIA envia um agente negociador, Joe Smith (Patrik Ersgard, irmão do diretor), e um cientista, Wade Franklin (Brian Cousins), para conhecer melhor o projeto. Porém, o sócio Dr. Drago não concorda e quer oferecer o mandroid como arma de guerra, gerando um confronto de interesses entre eles e causando um acidente que desfigurou seu rosto. Ele foge e transforma-se num vilão que planeja roubar o mandroid com objetivos sinistros. Com locações na Romênia, para baratear os custos de produção, é uma tranqueira de ação com elementos de ficção científica, apresentando um robô similar ao robocop (que já faz parte da cultura popular). Uma vez controlado à distância e altamente resistente, é o objeto de desejo de um “cientista louco” transtornado que quer vender a ideia para propósitos militares na construção de um exército invencível de andróides. O filme está repleto de situações absurdas e clichês exaustivos, com o eterno conflito entre a ciência para o bem da humanidade e o vilão com intenções maléficas. E claro, não poderia faltar uma mulher lindíssima no meio da bagunça toda, sempre bem maquiada, mesmo nos momentos de tiroteios e perseguições. Teve uma continuação ainda no mesmo ano e pelo mesmo cineasta, “Invisible: The Chronicles of Benjamin Knight”. Curiosamente, Benjamin teve apenas uma pequena participação no primeiro filme, sofrendo um acidente que o tornou invisível, e ficando afastado da trama principal. Mas, acabou tornando-se a ponte para uma continuação, ganhando bem mais destaque. (Spoiler): Outra curiosidade está no principal poster adotado para a divulgação, que mostra o mandroid sendo controlado por um homem numa cadeira de rodas. Trata-se do cientista americano Wade, que recebe um tiro e fica paraplégico, porém isso somente acontece no desfecho do filme, tornando a escolha da ilustração do poster uma atitude equivocada, uma vez que o robô só é controlado pelo deficiente físico uma única vez e numa das últimas cenas do filme. (RR – 18/02/15)


* Máscara do Mágico, A (1954) – Produção em 3-D com fotografia em preto e branco, trazendo Vincent Price, um dos maiores astros do Horror de todos os tempos. A direção é do alemão John Brahm, com carreira mais associada às séries de TV, e o roteiro é de Crane Wilbur, que também escreveu o anterior “Museu de Cera” (53), igualmente com Price. “A mágica é a ciência da ilusão, a arte de dirigir pensamentos”, é o que diz o criativo artista Don Gallico (Price), especialista em construir dispositivos e engenhocas na produção de ilusionismo para mágicos. Porém, quando ele decide ter seu próprio espetáculo de mágica, é impedido por questões contratuais, sendo obrigado a passar suas ideias e criações para o inescrupuloso empresário Ross Ormond (Donald Randolph) e o mágico rival Rinaldi (John Emery). Frustrado por perder o trabalho e a esposa interesseira, Claire (Eva Gabor), e uma vez sedento por vingança, Gallico utiliza sua invenção com máscaras que retratam com perfeição o rosto das pessoas (daí o título nacional), e planeja eliminar seus adversários. Os assassinatos misteriosos despertam a atenção da polícia, com as investigações sob o comando do Tenente Alan Bruce (Patrick O´Neal), namorado da bela assistente de palco Karen Lee (Mary Murphy). O detetive ainda recebe a colaboração de uma observadora escritora de livros de mistérios e assassinatos, Alice Prentiss (Lenita Lane), que se envolve com o caso ao se aproximar do mágico louco. Filme curto com apenas 72 minutos, mais considerado um thriller policial com elementos de horror, onde Vincent Price, como sempre graças ao seu carisma único, rouba toda a atenção para si, como um mestre dos disfarces num plano maquiavélico de vingança. Algo já característico em muitas de suas interpretações como vilão em filmes como o já citado “Museu de Cera”, ou nas cultuadas preciosidades dos anos 70, os dois episódios com o Dr. Phibes e em “Teatro da Morte”, também conhecido como “As Sete Máscaras da Morte”. Curiosamente, “A Máscara do Mágico” foi exibido em 3-D nos cinemas em seu lançamento na década de 50, e também é considerado como o primeiro filme exibido nesse formato na televisão americana em 1987, sendo necessária a utilização de um óculos especial para experimentar os efeitos tridimensionais. (RR – 22/02/15)


* Noite do Terror Rastejante, A (1976) – “Na noite de 29 de Setembro de 1975, uma tempestade elétrica repentina abateu a zona rural da costa marinha da Georgia. Os cabos de alta tensão, derrubados pelos ventos fortes, mandaram centenas de milhares de volts para a terra enlameada, deixando sem eletricidade a pequena e afastada cidade de Fly Creek. Durante o período que se seguiu à tempestade, os cidadãos de Fly Creek experimentaram os que os cientistas acreditam ser um dos mais bizarros episódios da natureza já registrados. Esta é a história...” O cinema fantástico bagaceiro já mostrou uma infinidade de filmes com histórias de revoltas da natureza e ataques e invasões de animais e insetos de todos os tipos. Sapos, morcegos, pássaros, ovelhas, ratos, coelhos, aranhas, abelhas, vespas, lesmas, formigas, tubarões, cobras, etc, já foram assunto explorado em diversas tranqueiras divertidas justamente pelo absurdo dos roteiros. Em “A Noite do Terror Rastejante” (Squirm), a vez agora é das minhocas se revoltarem contra os humanos, sentindo o gosto do sangue e saboreando a carne, num filme com direção e roteiro de Jeff Lieberman (de “O Ajudante de Satã”, 2004), e produção da AIP (“American International Pictures”). Conforme informa a introdução acima, uma pequena cidade americana no Estado americano da Georgia, enfrenta uma forte tempestade que derrubou os cabos de energia no solo, deixando a cidade sem luz e descarregando alta voltagem na terra, incitando uma imensa população de minhocas que se transformam em criaturas mutantes carnívoras, para invadir a superfície à noite, uma vez que são sensíveis à luz, atacando violentamente os humanos. Um casal de jovens namorados, Geri Sanders (Patricia Pearcy), uma moça local, e Mick (Don Scardino), um rapaz recém-chegado de New York, descobre os esqueletos de vítimas dos seres rastejantes. Eles tentam avisar a polícia, através do xerife Jim Reston (Peter Mac Lean), sem muito sucesso e com uma recepção indiferente e desacreditada, restando apenas lutar por suas vidas e esperar pelo término da “noite do terror rastejante”. Um dos posters originais do filme, mostrando um homem enterrado e apenas com a cabeça para fora, cercado de minhocas interessadas em sua carne e já com algumas rastejando sob a pele do rosto, desperta a atenção em conhecer a história, principalmente para os apreciadores de bagaceiras divertidas do cinema fantástico. Os bons efeitos de maquiagem garantem vários momentos de tensão e horror nos ataques das criaturas melequentas, com os trabalhos liderados pelo especialista Rick Baker, mais conhecido por “Um Lobisomem Americano em Londres” (81). Em seu consagrado currículo, ainda temos os créditos em pérolas como “Nasce um Monstro” (74), “O Incrível Homem Que Derreteu” (77) e “Videodrome – A Síndrome do Vídeo” (83), entre diversas outras, sem contar as produções com mais recursos como “O Planeta dos Macacos” (2001), “O Chamado” (2002) e “O Lobisomem” (2010). O início é meio arrastado, com muita enrolação na apresentação dos personagens e a lenta investigação do mistério sobre a invasão das minhocas, com as mortes só começando a acontecer a partir da metade da projeção, onde percebemos um resgate àquela divertida atmosfera dos antigos filmes bagaceiros dos anos 50 do século passado. Como um filme de revolta da natureza e invasão de animais enfurecidos, temos alguns dos tradicionais clichês desfilando livremente pelo roteiro. Como o casalzinho descobrindo o mistério e não conseguindo convencer as autoridades locais do perigo (nesse caso, um único xerife incompetente). Ou o manjado fato da pequena cidadezinha do interior dos Estados Unidos devastada pelas minhocas, como se estivesse isolada do mundo. Tem também as origens absurdas do terror (nesse caso, rastejante), conferindo às antes inofensivas minhocas uma fúria devoradora de homens. Até poderia ser plausível que uma descarga elétrica na terra encharcada de água fizesse com que as minhocas saíssem do subsolo, mas sem a fome por carne humana, e ainda emitindo grunhidos intimidadores (na verdade, foi relevado que os sons eram realmente ruídos eletrônicos de porcos reais em matadouros). (RR – 17/02/15)


* Uma Fenda no Mundo (1965) – Filme situado no sub-gênero do cinema fantástico que aborda catástrofes de dimensões colossais, sendo nesse caso a tragédia causada pela ação equivocada da humanidade no uso da energia nuclear, e com a retaliação da natureza com consequências devastadoras. Também é conhecido no Brasil como “O Fim do Mundo”, conforme informação do livro “Ficção Científica”, de Gilberto Schoereder (Editora Francisco Alves, 1986). O cientista Dr. Stephen Sorenson (Dana Andrews), é informado por seu médico que está com uma doença terminal, devido a grande exposição de radiação em suas experiências. Ele é casado com a bela jovem Dra. Maggie (Janette Scott), e lidera uma equipe científica à frente de um projeto audacioso que consiste em trazer para a superfície o magma derretido do interior do planeta, que em condições controladas transforma-se em energia, através do calor limpo e ilimitado. Trabalhando num complexo centro de operações abaixo da superfície, eles precisam romper uma última camada sólida para chegar ao magma, e tentam alcançar o objetivo com a explosão de um míssil nuclear. Contra essa perigosa estratégia, um jovem geólogo, Dr. Ted Rampion (Kieron Moore), defende a teoria de que a explosão atômica poderia causar uma imensa rachadura ou fenda no crosta terrestre (daí o título do filme), e o calor do magma em contato com os oceanos causaria uma série de terremotos, maremotos, tsunamis e destruições em escala apocalíptica. Porém, uma vez pressionado pelos investidores de vários países, liderados pelo inglês Sir Charles Eggerston (Alexander Knox), que exigem resultados lucrativos e imediatos com o projeto de alto custo, o Dr. Sorenson escolhe pelo lançamento da bomba numa decisão arriscada que pode levar o mundo ao colapso. “Uma Fenda no Mundo” tem ótimos efeitos especiais para a época, sob o comando do diretor de arte Eugene Lourie, que também é conhecido como o cineasta responsável por algumas preciosidades do cinema bagaceiro de FC e Horror como “O Monstro do Mar” (1953), “O Monstro de New York” (1958), “O Monstro Submarino” (1959) e “Gorgo” (1961). Passado meio século, esses efeitos podem parecer ingênuos, mas numa época sem computação gráfica, o trabalho de Lourie e sua equipe de técnicos certamente é um dos grandes destaques do filme, misturando-se a imagens reais de explosões, terremotos e erupções vulcânicas. Curiosamente, a ideia central do roteiro, inspirado numa história de Jon Manchip White, é inverter o foco da maioria dos filmes similares, onde a temática é voltada à exploração do espaço exterior, com a humanidade partindo para fora do planeta em busca de conhecimento, contato com outras raças ou refúgio. Aqui, a opção da história é direcionar a atenção para o interior da Terra, explorando regiões desconhecidas com o objetivo de utilizar a energia do calor do magma para o desenvolvimento industrial da humanidade. Por outro lado, como ponto negativo, temos um desnecessário triângulo amoroso entre os três principais personagens, com a jovem Dra. Sorenson no meio de dois cientistas interessados em sua beleza. Essa relação a três ficou bastante deslocada no meio da grande confusão criada pela gigantesca rachadura que ameaçava a estabilidade do planeta. Mas, independente desse detalhe desfavorável, o filme é uma grande diversão, típica da saudosa e nostálgica “Sessão da Tarde” da TV Globo. Por curiosidade, vale registrar outros filmes com histórias explorando o espaço interior, como “Um Mundo Desconhecido (Unknown World, 1951), “Viagem ao Centro da Terra” (Journey to the Center of the Earth, 1959, baseado em livro de Jules Verne), “No Coração da Terra” (At the Earth´s Core, 1976), “Catástrofe” (The Deep Core, 2000) e “O Núcleo – Missão ao Centro da Terra” (The Core, 2003). (RR – 02/02/15)

Comentários de Cinema - Parte 17

Filmes abordados:

13 Fantasmas (13 Ghosts, EUA, 1960)
Brinquedo de Criança (Child´s Play, Inglaterra, 1984, “Hammer House of Mystery and Suspense”)
A Cripta dos Sonhos (The Vault of Horror, Inglaterra / EUA, 1973)
O Demônio de Fogo (The Night of the Big Heat, Inglaterra, 1967)
Desafio do Além (The Haunting, Inglaterra / EUA, 1963)
A Essência da Maldade (The Creeping Flesh, Inglaterra, 1973)
A Fúria das Feras Atômicas (The Food of the Gods, EUA, 1976)
A Múmia (The Mummy, Inglaterra, 1959)
The Bat People (EUA, 1974)
Os Zumbis de Mora Tau (Zombies of Mora Tau, EUA, 1957)




* 13 Fantasmas (1960) – Produzido e dirigido por William Castle (1914 / 1977), o mesmo responsável por outras preciosidades como “A Casa dos Maus Espíritos” e “Força Diabólica”, ambos do final dos anos 50 e com o ícone Vincent Price, “13 Fantasmas” tem fotografia em preto e branco e recebeu uma refilmagem sangrenta em 2001, com produção da “Dark Castle”. Na história, o professor de paleontologia, Cyrus Zorba (Donald Woods) está falido quando recebe a notícia que seu tio ocultista e recluso morreu, deixando como herança uma imensa e tétrica mansão. O advogado do falecido, Benjamen Rush (Maltin Milner, da série de TV “Rota 66”), está tratando dos documentos e informa que a casa é assombrada por fantasmas. Mas, o herdeiro ignora e se muda com a família, a esposa Hilda (Rosemary De Camp) e os filhos, a jovem Medea (Jo Morrow) e o pequeno Buck (Charles Herbert, que esteve em outros filmes bagaceiros do período como “A Mosca da Cabeça Branca”). Uma vez na casa, eles encontram uma sinistra governanta médium, Elaine Zacharides (Margaret Hamilton), e são testemunhas de objetos que se movem sozinhos e aparições de fantasmas que só podem ser visualizados através de óculos especial criado pelo falecido tio, que estudava as ciências ocultas e o mundo sobrenatural. Filme bastante ingênuo quando comparado aos tempos modernos, com produções recheadas de CGI e histórias barulhentas com sangue em profusão. Pois em “13 Fantasmas” temos apenas um roteiro sem sangue e violência, com uma mansão assombrada por fantasmas e uma nova família de moradores que enfrenta a ameaça, além de uma trama paralela envolvendo uma grande quantidade em dinheiro misteriosamente escondido e despertando cobiça. Serviu muito bem para assustar as plateias da época, com as habituais jogadas de marketing providas por William Castle, e atualmente serve como diversão pela ingenuidade involuntária e para quem aprecia as características gerais de filmes bagaceiros de baixo orçamento. Curiosamente, temos uma tradicional sessão espírita e uma brincadeira com o famoso tabuleiro ouija, na tentativa de comunicação com os mortos. E os efeitos que apresentavam os fantasmas eram conhecidos pela técnica “Illusion-O”, com os espectadores recebendo nos cinemas óculos apropriado para a visualização. Numa versão mais completa do filme, o próprio diretor e produtor William Castle explica como funciona o processo através de um prólogo e epílogo. (RR – 24/12/14)


* Brinquedo de Criança (1984) – A produtora inglesa “Hammer” foi responsável em mais de 20 anos de atividades regulares por dezenas de filmes de horror, ficção científica, fantasia, mistério e suspense, principalmente entre meados da década de 1950 e meados dos anos 70. Filmes abordando todos os tipos de temas e subgêneros do fantástico, que conquistaram uma legião fiel de apreciadores. Em 1980 tivemos uma série de TV chamada “A Casa do Terror” (Hammer House of Horror) com 13 episódios de 50 mimutos. E em 1984 veio mais uma série de TV, que recebeu o nome de “Suspense” (Hammer House of Mystery and Suspense), numa produção em parceria com a Fox (por isso também era conhecida como “Fox Mystery Theatre”), com outros 13 episódios com duração maior (70 min.) e características de filmes independentes. Um deles recebeu o nome por aqui de “Brinquedo de Criança” (Child´s Play), quando foi exibido na televisão, sendo o episódio 12 da única temporada. Curiosamente, o nome original é o mesmo que foi adotado em 1988 no início da enorme e popular franquia do boneco Chucky, chamado no Brasil de “Brinquedo Assassino”. Com direção de Val Guest (1911 / 2006), que fez “Terror Que Mata” (1955), o excelente roteiro de Graham Wassell apresenta uma típica família que acorda e descobre que sua casa está cercada por paredes de aço nas portas e janelas, impedindo qualquer tipo de acesso para o ambiente externo. Formada pela mãe Ann Preston (Mary Crosby), o pai Mike (Nicholas Clay) e a filha pequena Sarah (Debbie Chasan), eles especulam sobre a situação surreal, tentando encontrar explicações nas possibilidades de um isolamento devido uma guerra nuclear, ou um ataque alienígena, ou algum tipo de apocalipse. Mas, não encontram respostas nem na televisão, nem no rádio, ou nas inúmeras tentativas de fuga pelo telhado, garagem ou piso. As paredes de aço não são afetadas em ataques com machado ou explosões de pólvora. E alguns mistérios intensificam o sentimento de tensão, claustrofobia e desconforto: o aumento gradual da temperatura, o relógio parado sempre na mesma hora, o sinal de um estranho logotipo encontrado em todos os objetos e até mesmo tatuado num dos braços do pai. Ou a presença de uma gosma borbulhante invadindo a casa pela chaminé, a inexistência de lembranças referentes ao passado da família ou acontecimentos comuns do lado de fora da casa, o comportamento grosseiro da filha pequena em relação à mãe. Além de outros detalhes que contribuem para o desespero da família presa em sua própria casa e tendo que lutar pela vida. Filme curto, com poucos personagens, e ambientado apenas em alguns cômodos de uma casa. É o suficiente para um memorável exercício de suspense com um desfecho interessante no melhor estilo para surpreender o espectador. A história possui muitos atrativos com elementos de horror e ficção científica que superam a maioria dos filmes comerciais com orçamentos generosos, mas repletos de clichês e bobagens, que são exibidos frequentemente em nossos cinemas. (RR – 30/12/14)


* Cripta dos Sonhos, A (1973) – Antologia com histórias curtas de horror, produzida pelo estúdio inglês “Amicus”, de Max Rosenberg e Milton Subotsky, rival da “Hammer”, com direção de Roy Ward Baker, de outras pérolas do cinema fantástico como “Uma Sepultura na Eternidade” (67), “Os Vampiros Amantes” e “O Conde Drácula” (ambos de 70). São cinco contos inspirados nos quadrinhos americanos dos anos 50, publicados pela “EC Comics” em revistas como “The Vault of Horror” e “Tales From the Crypt”, dos autores Al Feldstein e William M. Gaines. Cinco homens entram num elevador que os leva até um porão, e sem entender o que está acontecendo, entram numa sala e sentam-se à mesa que surge diante deles. A partir daí, cada um deles conta um relato pessoal de história de horror que vivenciou em sonhos, e que parecia real, enfatizando sua origem em visões, fobias, medos ou obsessões. A primeira história chama-se “Midnight Mess”, e apresenta um homem inescrupuloso, Harold Rodgers (Daniel Massey), à procura de sua irmã Donna (Anna Massey), após a morte de seu pai. Seu objetivo é resolver assuntos relacionados à herança. Porém, a cidade onde sua irmã mora tem um mistério noturno, onde “eles” aparecem para se alimentar. O conto a seguir tem o título de “The Neat Job”, onde um homem bem sucedido, Arthur Critchit (Terry-Thomas), é obcecado por organização em sua casa. Ele então decide se casar com uma mulher mais jovem, Eleanor (Glynis Johns), que tem muita dificuldade em administrar a paranóia do marido com a organização domiciliar, culminando num desfecho trágico. No terceiro segmento, “This Trick´ll Kill You”, um mágico veterano, Sebastian (o alemão Curt Jurgens), e sua esposa Inez (Dawn Addams), estão visitando a misteriosa Índia pesquisando novos truques de mágica. Eles encontram uma jovem (Jasmina Hilton) que consegue controlar uma corda através do toque de uma flauta. Não conseguindo descobrir o segredo, o mágico ambicioso decide roubar a moça, mas não imaginava a vingança que o aguardava. Na história número 4, “Bargain in Death”, Maitland (Michael Craig), é um homem com um plano para fraudar o seguro de vida, ingerindo um medicamento que simularia sua morte. A ideia seria ser resgatado depois de enterrado e com o retorno da consciência. Porém, ele não contava com a intenção de dois estudantes de medicina, Tom (Robin Nedwell) e Jerry (Geoffrey Davies), que estavam à procura de um cadáver para estudos de dissecação. No último episódio, intitulado “Drawn and Quartered”, o pintor Moore (Tom Baker) vive numa ilha tropical no Haiti, país conhecido pelas práticas de voodoo. Quando ele descobre que está sendo enganado e seus quadros lesados, perdendo dinheiro para um grupo formado por um crítico de arte, um avaliador e um negociador, o pintor decide retornar para Londres e se vingar de seus algozes utilizando magia negra em suas obras. “A Cripta dos Sonhos” mostra cinco histórias rápidas com cerca de quinze minutos cada, acrescidas de pequenos comentários entre elas, além do prólogo e epílogo que situam o espectador no contexto do objetivo do filme. Os contos fluem muito bem graças às narrativas curtas. Não há destaques, pois todas as histórias estão num nível similar, com conclusões pessimistas e perturbadoras. A produtora “Amicus” apostou bastante no formato de antologias, todas interessantes, e além desse “A Cripta dos Sonhos”, tivemos ainda outras preciosidades como “As Profecias do Dr. Terror” (65), “As Torturas do Dr. Diabolo” (67), “A Casa Que Pingava Sangue” (70), “Contos do Além” (72), “O Asilo do Terror / Asilo Sinistro” (72) e “Vozes do Além” (74). (RR – 01/01/15)


* Demônio de Fogo, O (1967) – Tranqueira de horror com elementos de ficção cientítica, produzida pelo estúdio inglês “Planet Film” em 1967 e que traz como atrações a direção do especialista Terence Fisher e a presença sempre carismática da dupla de ícones do gênero Christopher Lee e Peter Cushing. Em pleno inverno rigoroso na Inglaterra, uma ilha misteriosamente apresenta um calor imenso que desperta a curiosidade de seus moradores e em especial do cientista Godfrey Hanson (Lee). Homem de poucas palavras, ele está hospedado num hotel de propriedade do escritor Jeff Callum (Patrick Allen) e sua esposa Frankie (Sarah Lawson), e está realizando observações na ilha com experiências secretas em seu quarto. Suas ações estranhas também chamam a atenção do médico local, o Dr. Vernon Stone (Cushing). Além do calor infernal e crescente, para tumultuar ainda mais o lugar, surge uma bela jovem, Angela Roberts (Jane Merrow), que se apresenta como secretária do escritor Callum, mas na verdade é sua amante. Após a ocorrência de algumas mortes com os corpos misteriosamente carbonizados, eles são obrigados a unirem forças para combater criaturas alienígenas gosmentas e rastejantes que precisam de calor para sobreviver, e estão utilizando a ilha para realizar testes adaptando o ambiente para uma invasão. O roteiro de “O Demônio de Fogo” é baseado no livro “Night of the Big Heat” de John Lymington, e apesar de contar com o cineasta Terence Fisher, especialista em filmes góticos da “Hammer”, esse é um filme menor da dupla Lee e Cushing. A ideia da história é bem bagaceira e até interessante, mas a narrativa em geral é arrastada, e somente perto do desfecho ocorre uma movimentação maior, com a participação mais intensa dos monstros gosmentos motivando as reações do elenco, principalmente do cientista interpretado por Lee, pois infelizmente Cushing aparece pouco. Devido às notórias dificuldades de orçamento, os efeitos dos alienígenas são toscos ao extremo, tornando-os mais hilários do que ameaçadores. Mas, é inegável que apenas o fato da participação do trio Terence Fisher, Christopher Lee e Peter Cushing, já garante a conferida. Curiosamente, o filme também é conhecido pelo sonoro título alternativo de “Island of the Burning Damned”. (RR – 04/01/15)


* Desafio do Além (1963) – “Uma casa má e velha, do tipo que algumas pessoas chamam de assombrada. É como um país não descoberto esperando ser explorado. Hill House se manteve por 90 anos e poderá se manter por mais 90. O silêncio cobre sólido a madeira e a pedra de Hill House, e seja o que for que andou lá, andou sozinho”. Esse é o prólogo de “Desafio do Além”, produção em preto e branco dirigida por Robert Wise, o mesmo cineasta de “O Túmulo Vazio” (45), “O Dia Em Que a Terra Parou” (51) e “O Enigma de Andrômeda” (71), entre outros. O roteiro de Nelson Gidding é baseado no livro “Assombração na Casa da Colina” (The Haunting of Hill House), escrito em 1959 por Shirley Jackson. O antropólogo Dr. John Markway (Richard Johnson) aluga uma misteriosa e imensa mansão chamada “Hill House” por alguns dias, com o objetivo de realizar estudos e pesquisas sobre os estranhos fenômenos que dão fama de assombrada para a casa. Ele convida duas mulheres para participar da missão, Eleanor Lance (Julie Harris), que tem alguns distúrbios psicológicos decorrentes de muitos anos de sofrimento ao cuidar de sua mãe doente, e Theodora (Claire Bloom), que possui poderes extra-sensoriais. Completa o time o herdeiro da mansão, o jovem Luke Sanderson (Russ Tamblyn), cético e piadista, cujo único interesse é conhecer melhor o imóvel que fará parte de seu patrimônio. A ideia do cientista é coletar informações e provas da existência do sobrenatural, mas não imaginava que o grupo teria que lutar para manter a sanidade no ambiente sombrio da mansão, conhecida por sua história de tragédias, mortes e loucura. Não falta o casal de sinistros caseiros, o Sr. Dudley (Valentine Dyall) e esposa (Rosalie Crutchley), que alerta os visitantes do perigo noturno de Hill House, algo que se transformaria num clichê muito explorado posteriormente. As hipóteses que poderiam explicar as perturbações da casa como o movimento de águas subterrâneas, eletricidade, pressão do ar, manchas solares, tremores de terra, foram substituídas por batidas grotescas e aterradoras nas paredes e portas, gritos e sussurros, além de ambientes misteriosamente frios e tétricos. “Desafio ao Além” é um exercício de puro horror insinuado, onde não se vê os fantasmas ou uma única gota de sangue, mas os efeitos de luz e sombra, sons sinistros e a cena da “porta.que respira”, que tornou-se famosa, promovem um perturbador estado de desconforto, acentuado pela ótima performance do elenco aterrorizado, principalmente a dupla de mulheres convidadas pelo cientista. Curiosamente, tivemos uma refilmagem em 1999 com Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones e Owen Wilson, que recebeu o título nacional de “A Casa Amaldiçoada”. Sua história abandonou o horror psicológico e sugerido do clássico de 1963, priorizando as cenas gráficas com mortes violentas e sangue. E em 1973 foi lançada a preciosidade “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of Hell House), com roteiro do especialista Richard Matheson baseado em sua obra homônima, e com Roddy McDowall liderando o elenco. A história é bem similar à obra-prima de Robert Wise, porém com um horror mais explícito. Mas, o resultado é igualmente interessante e recomendável, juntando-se ao clássico dos anos 60 e situando-se entre os mais representativos filmes do sub-gênero de casas assombradas de todos os tempos. (RR – 03/01/15)


* Essência da Maldade, A (1973) – Filme inglês estrelado pela dupla Christopher Lee e Peter Cushing, dois dos maiores ícones do cinema de horror de todos os tempos, e dirigido por Freddie Francis, de preciosidades como “O Monstro de Frankenstein” (64), “A Maldição da Caveira” (65) e “As Torturas do Dr. Diabolo” (67), entre outras. O cientista Dr. Emmanuel Hildern (Cushing) retorna de uma viagem para a Papua-Nova Guiné, na Oceania, trazendo na bagagem o esqueleto de uma criatura ancestral e desconhecida, que possui um crânio imenso. Ao chegar à Inglaterra vitoriana, ele inicia os estudos de sua nova descoberta, na esperança de conseguir dinheiro para as dívidas e manter o conforto de sua única filha, a jovem Penelope (Lorna Heilbron). Seu irmão ambicioso, James (Lee), é o diretor de um asilo penal para pacientes mentalmente insanos, e também tem grande interesse nas pesquisas do cientista, fazendo questão de manter um clima de rivalidade entre eles. O paleontólogo alega a descoberta de um vírus que seria responsável pela “essência do mal” (daí o bem escolhido título nacional), que deveria ser tratada como uma doença que poderá aniquilar a humanidade. Porém, ele é desacreditado e a situação perde o controle quando o esqueleto se recobre novamente de carne após contato com a água, fugindo após um acidente e espalhando o horror. Em “A Essência da Maldade” encontramos os elementos do horror gótico típico do cinema inglês, similar às produções da “Hammer” ou “Amicus”. Porém, aqui dessa vez a produção é da “Tigon Pictures” em parceria com a “World Film Services”. Peter Cushing interpreta novamente um cientista abnegado que trabalha incansavelmente à procura de descobertas científicas que possam ajudar a humanidade, e que se transforma em vítima pela ousadia em invadir os domínios da ciência desconhecida. E Christopher Lee é o vilão inescrupuloso despreocupado com o ser humano e interessado apenas em projeção pessoal, não se importando em cometer crimes para a obtenção de seus objetivos. O monstro, um esqueleto que volta a ter carne após contato com água, é tosco ao extremo e diverte justamente por essas características. Recomendável para fãs de Cushing & Lee e apreciadores em geral de bagaceiras antigas, especialmente o horror gótico inglês. (RR – 31/12/14)


* Fúria das Feras Atômicas, A (1976) – A produção é do especialista em bagaceiras Samuel Z. Arkoff, da “American International Pictures”, a direção é de Bert I. Gordon (“Mister B.I.G.”, ou “senhor grande” numa tradução do inglês para as iniciais de seu nome), cineasta conhecido por seus inúmeros filmes com monstros, animais e pessoas gigantes, e a história é parcialmente inspirada em livro do popular escritor de Ficção Científica H. G. Wells. “A Fúria das Feras Atômicas” tem um título nacional sonoro para o original “The Food of the Gods” (“O Alimento dos Deuses”). Um jogador profissional de futebol americano, Morgan (Marjoe Gortner), vai com seu amigo também jogador Davis (Chuck Courtney) e seu empresário Brian (Jon Cypher), para uma ilha canadense com o objetivo de descansar alguns dias e caçar. Porém, eles enfrentam o ataque de vespas, galinhas e ratos gigantescos, que ficaram enormes e violentos após ingerirem uma misteriosa gosma branca que surgiu nas terras da fazenda do Sr. e Sra. Skinner (John McLiam e Ida Lupino, respectivamente). A descoberta do estranho alimento despertou o interesse comercial do empresário ganancioso Jack Bensington (Ralph Meeker), que juntamente com a jovem bacteriologista Lorna Scott (Pamela Franklin), visita a fazenda para comprar os direitos do misterioso “alimento dos deuses”. Em paralelo, um casal em passeio pelo lugar num motor home, Thomas (Tom Stovall) e sua esposa grávida Rita (Belinda Balaski), sofre um acidente com o carro e todos juntos ficam encurralados na casa da fazenda, lutando por suas vidas contra um ataque de dezenas de ratos imensos famintos por suas carnes. Os ataques dos ratos assassinos foram realizados com animais reais filmados como se fossem gigantes em meio a maquetes de carros e casas. E muitos deles foram mortos para a obtenção do realismo das cenas. Já para os momentos de confrontos diretos com os atores, foram utilizadas cabeças mecânicas de ratos imensos. Quando o grupo de pessoas está encurralado na casa de campo sob o ataque enlouquecido dos roedores, não faltaram os tradicionais conflitos internos num ambiente sob forte pressão psicológica na luta pela vida, com diferenças de opiniões entre os sobreviventes sobre as ações a serem tomadas, além de constantes questionamentos pela liderança. Os ataques das vespas e galinhas gigantes ficaram bem toscos e até hilários, mas por outro lado, as imensas ratazanas garantem bastante tensão em suas investidas ferozes, com interessantes efeitos simulando seus tamanhos descomunais e as agressões sangrentas contra as pessoas. Curiosamente, o cultuado escritor H. G. Wells teve muitas de suas divertidas obras adaptadas para o cinema em várias versões, como “Daqui a Cem Anos”, “O Homem Invisível”, “A Ilha do Dr. Moreau”, “A Guerra dos Mundos”, “A Máquina do Tempo” e “Os Primeiros Homens na Lua”. O multifuncional Bertram Ira Gordon ficou conhecido como diretor, roteirista, produtor e técnico em efeitos especiais de inúmeros filmes com criaturas gigantes, como “King Dinosaur” (55), “O Começo do Fim” (1957), “A Maldição do Monstro” (57), “O Monstro Atômico” (1957), “Attack of the Puppet People” (58), “War of the Colossal Beast” (58), “A Maldição da Aranha” (58), “A Cidade dos Gigantes” (65) e “O Império das Formigas” (77). E por isso ganhou o apelido de “Mister BIG” do lendário editor, colecionador e pesquisador de cinema de ficção científica e horror Forrest J. Ackerman. No elenco temos Pamela Franklin, que foi uma garotinha no clássico de fantasmas “Os Inocentes” (1961), e também esteve em “O Feiticeiro” (1972) e “A Casa da Noite Eterna” (1973), além da presença dos experientes Ida Lupino (1918 / 1995) e Ralph Meeker (1920 / 1988). (RR – 11/01/15)


* Múmia, A (1959) – O cultuado estúdio inglês “Hammer” refilmou em cores no final de década de 50 do século passado, os grandes clássicos com fotografia em preto e branco dos anos 30, de monstros da produtora americana “Universal”. Tivemos então “A Maldição de Frankenstein” (57), “O Vampiro da Noite” (58) e “A Múmia” (59), todos com a “dupla dinâmica” de ícones do horror Peter Cushing e Christopher Lee. Ficando para o aristocrático Cushing os papéis de “cientista louco”, caçador de vampiros e arqueólogo, e para Lee a missão de interpretar os vilões e monstros. Dirigido pelo especialista Terence Fisher e com roteiro de Jimmy Sangster (ambos com muitos créditos na “Hammer”), “A Múmia” é inspirada nos filmes “A Mão da Múmia” (The Mummy´s Hand, 40) e “A Sombra da Múmia” (The Mummy´s Ghost, 44). A história é ambientada inicialmente no Egito de 1895, onde um grupo de arqueólogos liderado por John Banning (Peter Cushing), encontra o Templo do deus pagão Karnak, onde está a tumba da princesa e sacerdotisa Ananka (Yvonne Furneaux). Uma vez o túmulo transportado para a Inglaterra, as ações se voltam para três anos depois, onde o egípcio Mehemet Bey (George Pastell), um fanático religioso dos costumes antigos de seu país, está descontente com a violação dos templos sagrados em escavações dos arqueólogos ingleses. Ele consegue, através da leitura de um pergaminho místico de 4000 anos, despertar a múmia Kharis (Christopher Lee), um ancestral guardião da tumba da princesa, que foi condenado à morte, tendo a língua cortada e sendo enfaixado e confinado num ataúde. A múmia recebeu a missão de espalhar uma maldição vingando-se de todos que profanaram a tumba egípcia. Assim como a grande maioria dos filmes da “Hammer”, a diversão aqui também é garantida para quem aprecia as cultuadas produções com elementos góticos e exploração dos monstros clássicos do horror. A múmia é um tema já filmado à exaustão, apresentando basicamente as consequências de uma maldição vingativa contra os profanadores de tumbas misteriosas. E faz parte da cultura popular ao lado dos vampiros, zumbis, lobisomens, demônios, fantasmas e monstros gigantes. São muitos filmes com a ideia central similar, e a própria “Hammer” possui outros trabalhos no mesmo segmento como “A Maldição da Múmia” (64), “A Mortalha da Múmia” (67) e “Sangue no Sarcófago da Múmia” (71). Só o fato da participação de Peter Cushing e Christopher Lee no elenco, já é motivo para agregar muito valor ao filme e servir de recomendação para os apreciadores de suas lendárias carreiras. Seus currículos dentro do cinema de horror são parte integrante e inquestionável da história do gênero. Lee é mais lembrado como o vampiro Drácula, mas também foi a criatura de Frankenstein e a múmia, atuando sob forte maquiagem e enfaixado em bandagens. Suas cenas ambientadas num pântano sombrio são memoráveis, num dos grandes ápices do filme, e seu papel de múmia também deve ser lembrado como destaque em sua filmografia, num paralelo de igual importância à múmia interpretada por Boris Karloff no clássico da “Universal” de 1932. Curiosamente, “A Múmia” é o único filme da “Hammer” em que aparecem juntos Peter Cushing, Cristopher Lee e o eterno coadjvante Michael Ripper, rosto visto com frequência em papéis pequenos de diversos outros filmes tanto da própria “Hammer” como também da rival “Amicus”. (RR – 24/01/15)


* The Bat People (1974) – Também conhecido como “It Lives by Night” ou pelo título nacional “Morcegos Humanos” (conforme informação do blog “Cine Space Monster”), de download de filmes bagaceiros, “The Bat People” está situado dentro do sub-gênero conhecido como “Man Into Monster” ou “Homem Transformado em Monstro”, um segmento extremamente divertido do cinema tranqueira de Horror e Ficção Científica, justamente pelas situações absurdas, roteiros distantes de qualquer tipo de lógica e produções toscas ao extremo. Um casal formado pelo médico Dr. John Beck (Stewart Moss) e sua bela esposa Cathy (Marianne McAndrew), que curiosamente são casados também na vida real, está tentando fazer uma segunda lua de mel. Numa visita turística pelo interior de uma caverna, o homem é acidentalmente mordido por um morcego infectado pela raiva. Uma vez hospitalizado e tomando fortes medicamentos para o tratamento da doença, supervisionado pelo colega médico Dr. Kipling (Paul Carr), ele começa a ter ataques de fúria descontrolada e agir de modo estranho, transformando-se aos poucos num monstro assassino com características de morcego. As várias mortes misteriosas e violentas de pessoas próximas ao Dr. John despertam a atenção da investigação policial do Sargento Ward (Michael Pataki). O xerife fica em seu encalço o tempo inteiro, enquanto o médico doente luta desesperadamente contra as crises de loucura e metamorfose emocional, física e mental, se aproximando cada vez mais de um animal conhecido pelo sentimento de medo e repugnância que desperta nos humanos. Bagaceira obscura dos anos 70 do século passado que traz como maior curiosidade o fato de ser um dos primeiros trabalhos de maquiagem do cultuado técnico em efeitos especiais Stan Winston (falecido em 2008). Ele foi o responsável pela concepção do homem transformado em morcego, provavelmente se inspirando nos macacos criados por John Chambers na saga “O Planeta dos Macacos”, iniciada em 1968. Numa espécie de homenagem ao próprio Winston, em determinado momento do filme, o transtornado Dr. John Beck invade o hospital e se identifica falsamente como Dr. Winston, para conseguir localizar uma bolsa de sangue e matar sua sede de morcego. No elenco, conseguimos reconhecer os rostos de atores com presença regular em diversas séries de TV do período como Paul Carr, ou filmes igualmente bagaceiros e divertidos como “O Túmulo do Vampiro” (72), “Zoltan – o Cão Vampiro de Drácula” (78) e “Os Mortos-Vivos” (81), como Michael Pataki. Entre os destaques podemos citar as cenas com dezenas de morcegos reais nos pesadelos e alucinações do protagonista amaldiçoado na transformação de monstro, mas em compensação negativa, temos a horrível trilha sonora escolhida nos momentos de perseguições e ataques do assassino, totalmente deslocada eliminando a tensão de forma patética. Vale lembrar que o cinema bagaceiro de Horror e FC possui uma galeria imensa de produções tranqueiras de “humanos transformados em monstros”, utilizando a mistura com animais, insetos e até plantas, que é bem difícil catalogar. Alguns exemplos são “A Mosca da Cabeça Branca” (58), “O Jacaré Humano” (59), “A Mulher Vespa” (60), “A Serpente” (66), “O Homem Cobra” (73), “Estranhas Mutações” (73) e “A Ilha do Dr. Moreau” (77, e com várias outras versões). E mais recentemente tivemos diversas produções da produtora picareta “Nu Image” como “MosquitoMan” e “Sharkman” (ambos de 2005), entre outras. (RR – 27/01/15)


* Zumbis de Mora Tau, Os (1957) – Produção em preto e branco de Sam Katzman (“Clover Productions”), dos saudosos anos 50 do século passado. Com duração curta (apenas 70 minutos), foi apresentado pelo canal de TV a cabo “Cinemax” como “Os Zumbis de Mora Tau”, sendo que o primeiro título nacional que recebeu quando exibido por aqui foi “O Fantasma de Mora Tau”. A direção é de Edward L. Cahn (1899 / 1963), o mesmo cineasta de outras tranqueiras do período como “A Ameaça do Outro Mundo” (58) e “Invasores Invisíveis” (59), e no elenco temos a bela Allison Hayes (1930 / 1977), mais conhecida pelo papel título de “A Mulher de 15 Metros” (58). Um grupo de dez marinheiros é vítima de uma maldição, transformando-se em zumbi após o naufrágio de seu navio 60 anos atrás na costa da África. Eles são obrigados a proteger um tesouro de diamantes numa caixa dentro do navio afundado, não permitindo que ninguém roube as pedras preciosas, com várias expedições de caçadores de tesouros sucumbindo à sua fúria e aumentando a população do cemitério local. Porém, não acreditando nas lendas e rumores sobre a existência dos guardiões mortos-vivos, uma nova expedição financiada pelo ambicioso George Harrison (Joel Ashley) tenta encontrar os diamantes. Fazem ainda parte da equipe, sua bela esposa Mona Harrison (Allison Hayes), o mergulhador galã Jeff Clark (Gregg Palmer) e o pesquisador Dr. Jonathan Eggert (Morris Ankrum). Em paralelo, uma velha senhora (Marjorie Eaton) que mora na região e é a viúva do capitão do navio naufragado, recebe a visita de sua bisneta Jan Peters (Autumn Russell), e tem interesse na chegada da expedição para tentar eliminar o tesouro amaldiçoado e com isso libertar os zumbis de seu tormento de décadas. Bagaceira divertida justamente pela overdose de falhas, que vão desde furos no roteiro, clichês, situações absurdas, diálogos patéticos e interpretações toscas do elenco. Não podendo deixar de citar as incrivelmente hilárias cenas supostamente aquáticas com os mergulhadores à procura do tesouro e os ataques de zumbis submersos (muitos anos antes dos zumbis aquáticos de “Zombie – A Volta dos Mortos”, 1979, de Lucio Fulci, e de “O Lago dos Zumbis”, 1981, dirigido por Jean Rollin e com roteiro de Jess Franco). Curiosamente, no texto original de abertura do filme, foi utilizado o termo “twilight zone”, que é o nome de uma das mais importantes séries de TV da história do cinema fantástico, “Além da Imaginação”, dois anos antes de seu lançamento em 1959. Ao contrário do que acontece principalmente desde o início do século 21, onde o sub-gênero dos zumbis é explorado à exaustão, com o lançamento de dezenas de filmes a todo momento, na época da produção de “Os Zumbis de Mora Tau”, os roteiros envolvendo mortos-vivos eram escassos e se inspiravam geralmente no vodu e magia negra, e somente bem depois os zumbis seriam apresentados como cadáveres putrefatos comedores de carne humana. Dentro dessa ideia, podemos considerar o filme como um dos poucos antigos precursores desse sub-gênero tão popular atualmente, e que depois do clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” (68), de George Romero, ganhou tanta força e motivação para se tornar um dos principais temas do cinema de horror. (RR – 23/12/14)