Martyrs (França / Canadá, 2008)


“Alta Tensão” (Haute Tension / High Tension, 2003), “Eles” (Ils / Them, 2006), “A Invasora” (À L´intérieur / Inside, 2007), “Fronteira (A)” (Frontiere (s) / Frontier (s), 2007), e agora “Martyrs” (2008). O cinema de horror francês é atualmente um dos mais violentos e perturbadores, com filmes tensos, carregados de “gore” em roteiros que prendem a atenção e principalmente que ficam na memória do espectador. E também, com algumas exceções, constatamos que o tão badalado e popular cinema americano de horror não tem conseguido nos dias de hoje deixar de ser comum, trivial, repleto de clichês e excessivamente comercial, em detrimento de histórias originais e imagens ousadas de violência gráfica.

É difícil apresentar a sinopse de “Martyrs” sem esbarrar em armadilhas reveladoras de “spoilers”, portanto a história será resumida em poucas palavras básicas apenas para registro: Lucie (Mylène Jampanoi) é uma jovem em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança e de quem conseguiu fugir de forma desesperada, abandonando o cativeiro. Em sua jornada por justiça pessoal, conta com a ajuda da amiga Anna (Morjana Alaoui), que a apoiou durante anos nos momentos de depressão e com seu problema de auto mutilação. Porém, tanto Lucie (atormentada num mundo de insanidade), quanto principalmente Anna, não imaginariam a horrenda experiência com propósitos obscuros em que seriam vítimas.

Dirigido e escrito por Pascal Laugier, o cineasta escolhido para comandar a refilmagem de “Hellraiser” (com previsão de lançamento em 2011), o filme é ultra violento (a cena de vingança com o tiroteio é memorável), sangrento ao extremo (o líquido vermelho banha a tela em demasia), e explora um tema original (depois de ver o filme o espectador refletirá sobre o real significado de “mártir”), através de elementos interessantes que nos remetem a outros filmes como o americano “O Albergue” (Hostel), de Eli Roth, na idéia de uma sociedade secreta com objetivos sinistros, e as películas orientais com fantasmas atormentados, nas cenas de alucinação de uma das personagens. E ainda temos um desfecho adequado, tão perturbador quanto toda a bizarra história que é apresentada. É interessante também notar como os cineastas franceses procuram colocar mulheres como protagonistas (reparem nos filmes citados no início desse texto), fazendo-as sofrer na carne dores e torturas inimagináveis, transformando-as em mártires literalmente. Altamente recomendável, “Martyrs” é cinema de horror puro, que merece e deve ser respeitado e reverenciado.

Obs.: Em 05/05/16 estreou nos cinemas brasileiros uma refimagem americana produzida em 2015, com direção dos irmãos Kevin e Michael Goetz, e que recebeu por aqui o mesmo título original. De uma forma geral é inferior ao filme francês, mas ainda assim passa a sua mensagem com boas cenas de violência e um final também perturbador. 

“Martyrs” (França / Canadá, 2008) # 521 – datas: 23/04/09 - 14/05/16
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(postado em 23/04/09)

Pânico e Morte na Cidade (The Night Stalker, EUA, 1972)

A cultuada e popular série de TV “Arquivo X” (The X-Files), criada por Chris Carter e que durou entre 1993 e 2002, explorando em seus roteiros temas conspiratórios repletos de elementos de horror, mistério e ficção científica, escondendo a verdade sobre casos bizarros da opinião pública, teve inspiração numa outra série de TV dos anos 70 do século passado, “Kolchak: The Night Stalker”, que no Brasil recebeu o nome “Kolchak e os Demônios da Noite”. A série teve apenas uma temporada com episódios de sessenta minutos entre 1974 e 75, estrelando Darren McGavin (1922 / 2006) como o destemido repórter investigativo Carl Kolchak, que testemunha e documenta casos estranhos e misteriosos com desfechos envoltos em situações sobrenaturais com presença de vampiros, demônios, zumbis, alienígenas e lendas urbanas. Seu chefe no jornal, Tony Vincenzo (Simon Oakland), representa o outro lado da moeda, sempre desacreditando as reportagens de Kolchak e impedindo de torná-las públicas.
A série teve dois filmes pilotos produzidos especialmente para a televisão: “Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, 1972) e “A Noite do Estrangulador” (The Night Strangler, 1973), ambos produzidos por Dan Curtis, o diretor de “Drácula – O Demônio das Trevas” (1973), com Jack Palance. Com o sucesso e boa receptividade dos filmes, a ideia de uma série de TV foi colocada em prática e Kolchak protagonizou mais vinte histórias com elementos fantásticos.

Em “Pânico e Morte na Cidade”, escrito por Richard Matheson a partir de livro de Jeffrey Grant Rice, o jornalista Kolchak se depara com uma série de assassinatos misteriosos na cidade de Las Vegas, onde as vítimas apresentam uma característica comum: falta de sangue e dois pequenos orifícios no pescoço. Após intensa investigação, coletando dados de seus informantes da noite, não faltando perigosas correrias, perseguições e confrontos, não demora para ele descobrir que o responsável pelas mortes de mulheres e o desaparecimento de sangue dos estoques dos hospitais deve-se à ação de um vampiro imigrante do leste europeu. Mas, apesar de registros concretos sua reportagem é censurada e ele é obrigado a sair da cidade, ameaçado pelas autoridades policiais.

Um dos destaques do filme é a presença de um ótimo elenco, tanto principal na figura de Darren McGavin, como de apoio, com atores de prestígio na televisão como Claude Akins (no papel do xerife Warren A. Butcher), Ralph Meeker (como Bernie Jenkins), Kent Smith (como o prefeito Tom Paine) e Carol Linley (de “O Destino do Poseidon”, 72), interpretando a namorada de Kolchak, a belíssima Gail Foster. Tem ainda a rápida participação do veterano Elisha Cook Jr., como o informante Mickey Crawford. O vampiro Janos Skorzeny é interpretado por Barry Atwater, também numa performance convincente, sem dizer uma única palavra e utilizando apenas expressões faciais com os olhos vermelhos e pele pálida de uma criatura da noite sedenta por sangue. O diretor é o argentino John Llewellyn Moxey, o mesmo de “Horror Hotel” (1960), com Christopher Lee.
Nesse episódio piloto percebemos algumas características que iriam povoar a série como o uso de efeitos especiais discretos, típicos de uma produção de baixo orçamento, além do argumento central apresentando uma origem sempre fora do comum para a condução dos eventos, com Kolchak investigando e descobrindo a realidade dos fatos, por mais absurdos que pareçam, mas sempre sendo censurado e tido como um jornalista de reputação duvidosa, deixando a “verdade lá fora”, longe do alcance das pessoas.

“Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, EUA, 1972) # 520 – data: 21/04/09
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(postado em 21/04/09)

Filhos das Trevas (Demons / Demoni, Itália, 1985)


“Eles farão de suas catedrais, cemitérios, e de suas cidades, tumbas.”

Em meados dos saudosos anos 80 do século passado, no início do mercado de fitas VHS no Brasil, tive oportunidade de alugar numa locadora pequena de bairro, um filme de horror que na época ainda fazia parte das chamadas “fitas alternativas” (depois, foi lançado oficialmente pela “FJ Lucas” e hoje é item raro de colecionadores de vídeo VHS), ou seja, aquelas cópias “piratas” de filmes obscuros. “Filhos das Trevas” (Demons / Demoni) é um filme italiano de 1985 dirigido por Lamberto Bava (filho do lendário cineasta Mario Bava, de “A Máscara de Satã”, 1960) e produzido por Dario Argento (“Suspiria”, 1977).

Um misterioso homem mascarado está fazendo a promoção de um filme, distribuindo para as pessoas nas ruas ingressos para uma sessão numa espaçosa sala de cinema chamada “Metropol”. Cheryl (Natasha Hovey) é uma estudante que recebe ingressos para ela e sua amiga Kathy (Paola Cozzo). Lá chegando, elas encontram outros convidados e entre eles dois amigos, George (Urbano Barberini) e Ken (Karl Zinny), que tentam flertar com as moças. Uma vez iniciado o filme, eles descobrem se tratar de uma história de horror onde um grupo de jovens está explorando as ruínas de um castelo e encontram a tumba do profeta Nostradamus. Um deles pega uma máscara e ao colocar no rosto sofre um corte que infecciona e o transforma num demônio que passa a perseguir os amigos. Num exercício de metalinguagem (filme dentro de um filme), de modo similar à película assistida, os espectadores convidados para a sinistra sessão de cinema no “Metropol” também são atacados por demônios enfurecidos que se apossam das vítimas após uma moça também ter se cortado ao colocar no rosto uma misteriosa máscara que estava exposta na entrada da sala de projeção, transformando-a num demônio sedento pelo sangue e que inicia a contaminação. Resta apenas aos sobreviventes lutar por suas vidas, numa correria desenfreada pelos enormes corredores do cinema, deixando um rastro de sangue e tripas.

“Filhos das Trevas” faz parte de um grupo seleto composto pelos melhores filmes italianos de horror de todos os tempos, com um roteiro simples, mas eficiente, explorando um tema apocalíptico geralmente protagonizado por zumbis, e apenas substituindo-os por demônios enfurecidos e ávidos por destroçar a carne humana. A contaminação é semelhante, através de contato com o sangue, espalhando-se em escala progressiva e fora do controle. E para aqueles que ainda não foram afetados, resta apenas fugir e procurar abrigo, lutando pela sobrevivência num mundo mergulhado no caos.
Os clichês característicos estão presentes como era de se esperar, como o tradicional casal de heróis que se sobressai das demais vítimas e juntos tentam combater a praga demoníaca, com um rapaz comum se transformando num guerreiro que demonstra uma improvável força e habilidade para defender-se e proteger a mocinha da ameaça dos demônios. A overdose de sangue, mutilações, olhos arrancados, gargantas destroçadas, membros decepados, vísceras expostas, feridas pestilentas e gosmas putrefatas jorrando em demasia garantem o entretenimento dos apreciadores de um cinema de horror mais extremo, sem o uso dos artificiais efeitos de computação gráfica, numa época onde os efeitos especiais sangrentos eram produzidos graças à criatividade e talentos dos técnicos em maquiagem.
Na trilha sonora, temos músicas de bandas de Heavy Metal populares na década de 80 como “Motley Crue” (EUA), “Saxon” (Inglaterra) e “Accept” (Alemanha), sendo que esta última emprestou a ultra rápida porrada sonora “Fast as a Shark” para ilustrar uma cena de confronto entre o herói e os demônios, com sangue e tripas espalhados para todos os lados. E curiosamente, tem também uma cena bem absurda quando um helicóptero cai pelo telhado e adentra a sala do cinema, facilitando o trabalho dos roteiristas em descobrir um meio de saída do casalzinho de heróis, e também aproveitando para homenagear os filmes de zumbis de George Romero, especialmente “Despertar dos Mortos” (1978), com a tradicional cena da hélice decepando uma parte do cérebro de uma vítima infectada.
“Demons” teve uma seqüência no ano seguinte, também dirigida por Lamberto Bava, mas utilizando a mesma idéia básica, somente alterando os eventos de uma sala de cinema para um condomínio residencial, investindo ainda mais no quesito violência, porém falhando na intenção de mostrar algo diferente no roteiro.

20/06/10: Em Junho de 2010, a “Cult Classic” lançou em DVD no Brasil um pack contendo “Demons” 1 e 2, e um outro filme também dirigido por Lamberto Bava, mas erroneamente considerado “Demons 3”, chamado “O Ogro”. Na verdade, esse filme já tinha outro nome nacional (“O Terror Não Tira Férias”, de 1988, lançado em VHS), e não tem qualquer relação com a franquia “Demons”.

“Filhos das Trevas” (Demons / Demoni, Itália, 1985) # 519 – data: 19/04/09
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(postado em 19/04/09)

Monstros vs. Alienígenas (Monsters vs. Aliens, EUA, 2009)

Confesso que nunca tinha dado muita atenção aos inúmeros filmes de animação com computação gráfica que invadiram os cinemas nos últimos anos. Mas, depois do nascimento de minha filha, e a necessidade de acompanhar alguns desses filmes, cheguei à conclusão que eles são extremamente divertidos e recomendáveis, principalmente aqueles que exploram elementos fantásticos em seus roteiros como por exemplo “Monstros S.A.” (Monsters, Inc., 2001), “Wall-E” (2008) e “Monstros vs. Alienígenas” (Monsters vs. Aliens, DreamWorks, 2009), onde este último estreou nos cinemas brasileiros em 03/04/09, numa grande e bem humorada homenagem ao cinema fantástico da década de 1950, quando desfilavam nas telas cientistas loucos em meios as suas experiências descontroladas, alienígenas hostis de olhos esbugalhados em suas naves espaciais e monstros mutantes imensos oriundos da exposição à radiação atômica de testes nucleares na turbulenta época da guerra fria, sem contar a constante paranóia de conspiração militar ocultando da população os fatos reais sobre os mistérios que assombram a humanidade.

Na história, Susan Murphy (voz de Reese Whiterspoon) é uma bela garota que está prestes a se casar com um apresentador de TV panaca, Derek Dietl (voz de Paul Rudd), porém ela é atingida por um meteoro desgovernado no dia de seu casamento, e uma vez recebendo a radiação de um poderoso elemento químico trazido do espaço, a jovem cresce de forma descomunal atingindo cerca de 15 metros de altura (referência explícita ao filme “O Ataque da Mulher de 15 Metros” / “Attack of the 50 Foot Woman”, 1958, com a bela Alisson Hayes).
Uma vez capturada pelo governo e chamada agora de Ginormica, ela é mantida presa e afastada da sociedade numa base secreta, juntamente com outras aberrações como um cientista com cabeça de barata, Dr. Cockroach (voz de Hugh Laurie), remetendo-nos ao filme “A Mosca da Cabeça Branca”, 1958, com David Hedison e Vincent Price; uma gosma azul sem cérebro e devoradora de qualquer coisa, B.O.B. (voz de Seth Rogen), numa alusão ao clássico “B” de 1958 “A Bolha”, com um ainda jovem Steve McQueen; um ser mutante misto de homem e lagarto, Elo Perdido (voz de Will Arnett), uma homenagem à criatura de “O Monstro da Lagoa Negra”, 1954, dirigido por Jack Arnold; e uma larva gigantesca (Insectosaurus) com mais de 100 metros de comprimento, numa lembrança aos diversos filmes do sub-gênero “Big Bug”, que exploravam em seus roteiros a ameaça devastadora de simples insetos que se transformavam em monstros colossais por causa do uso indiscriminado da energia atômica em testes de armas nucleares.
Quando a Terra passa a ser alvo de uma invasão alienígena com objetivos de conquista, através de um vilão tirano cheio de tentáculos, um cérebro descomunal e olhos esbugalhados, Gallaxhar (voz de Rainn Wilson), o governo americano decide recorrer à ajuda dos monstros segregados por décadas, em troca de liberdade, para defender o planeta de uma ameaça que vem do espaço sideral.

“Monstros vs. Alienígenas” é uma ótima diversão para todas as idades, brincando o tempo todo com os clichês dos filmes de Ficção Científica e Horror da saudosa época de ouro do cinema fantástico, há mais de meio século atrás. Não falta a característica arrogância militar num ambiente conspiratório, com o exército escondendo da população a “verdade que está lá fora”, destacando a presença exagerada do General W. R. Monger (voz de Kiefer Sutherland). Tem também a presença de um típico presidente americano, Hathaway (voz de Stephen Colbert), metido a corajoso, mas que no final não passa de um “bunda mole” no comando de uma nação imperialista, que tenta sem sucesso uma comunicação no estilo “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” com uma imensa sonda robótica enviada para reconhecimento pelos alienígenas. E não poderia deixar de citar as tradicionais risadas debochadas de um “cientista louco”, que numa experiência equivocada em que participou como cobaia, passou a fazer parte da galeria dos “homens transformados em monstros”, outro sub-gênero do cinema fantástico largamente explorado em filmes preciosos do passado.
Enfim, diversão garantida com monstros de todos os tipos, seres que não são deste mundo, paranóia de conspiração governamental e com todos os clichês do cinema fantástico bagaceiro que marcou época.

“Monstros vs. Alienígenas” (Monsters vs. Aliens, Estados Unidos, 2008) # 518 – data: 12/04/09
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(postado em 12/04/09)

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 2009)


O novo “Sexta-Feira 13”, dirigido por Marcus Nispel, que estreou nos cinemas brasileiros na sugestiva data de Sexta-Feira 13 de Fevereiro de 2009, não é exatamente uma refilmagem do homônimo de 1980, de Sean S. Cunningham. É na verdade mais um filme ambientado dentro do universo ficcional da série com o psicopata mascarado Jason Voorhees. E nele iremos encontrar todos os elementos característicos dos chamados “slasher movies” e mais especificamente da franquia “Sexta-Feira 13”, formada por outros 11 filmes, incluindo o crossover com o rival Freddy Krueger. E a síntese desses clichês está na presença de grupos de jovens idiotas, completamente fúteis e insignificantes, que sentem na pele a fúria de um assassino que deseja cortar suas carnes e espalhar seu sangue para todos os lados. Tem mulheres bonitas mostrando os peitos, piadas sem graça, perseguições, gritarias, sustos fáceis e violência com golpes de armas cortantes. Tem também a participação pequena de um policial campeão em incompetência, além do protagonista que se torna herói (no caso, personagem vivido por Jared Padalecki), enfrentando o vilão (claro, para facilitar o trabalho da equipe de roteiristas, ele não pode morrer logo, apesar da lógica e coerência irem contra essa idéia). E para completar, há o final previsível.
Depois desse pequeno resumo, podemos perguntar se no final das contas (e o que mais interessa) o filme diverte ou é apenas mais um lixo descartável. A resposta é simples: podemos considerar uma diversão rápida desde que se espere apenas um desfile de clichês já conhecidos. Para mim, divertiu durante uma hora e meia de projeção, principalmente pela idéia dos realizadores em tentar humanizar Jason, que parece ter se distanciando daquele psicopata que age apenas por instinto selvagem, conferindo-lhe algo próximo de sentimentos como raiva e dor, e até habilidades com o exercício de inteligência na caça às vítimas, utilizando estratégias e armadilhas. Mas, nada além disso, tanto que depois que saí da sala do cinema, já até esqueci o filme...

Então, para que não caia totalmente no esquecimento tão rapidamente, vale registrar uma breve sinopse: Clay Miller (Padalecki) vai para a floresta do antigo acampamento “Crystal Lake” à procura de sua irmã Whitney (Amanda Righetti), desaparecida misteriosamente na região junto com um grupo de amigos um mês e meio antes. Nessa tarefa, ele conta com a ajuda da jovem Jenna (Danielle Panabaker), que encontra pelo caminho, e que está passeando com amigos para um final de semana numa casa de campo. Porém, nas redondezas vive Jason, um psicopata desfigurado, que busca eterna vingança pelo que aconteceu no passado com sua mãe decapitada e com ele próprio, abandonado para se afogar num lago.

“Sexta-Feira 13” (Friday the 13th, Estados Unidos, 2009) # 517 – data: 14/02/09
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(postado em 14/02/09)

Acampamento Sinistro (Sleepaway Camp II: Unhappy Campers, EUA, 1988)

“Rolling Hills” é um campo de férias repleto de adolescentes com cérebros de ameba, e serve de palco para as ações de um psicopata, que elimina violentamente todos aqueles com padrões de comportamentos diferentes ou que ao cruzarem seu caminho, poderão colocar em risco sua identidade.

“Slasher” convencional, continuação do original de 1983 com Felissa Rose. No Brasil, como os responsáveis pela distribuição e nomeação dos títulos são especialistas em gerar confusão, o filme foi lançado como “Acampamento Sinistro” (Sleepaway Camp II: Unhappy Campers, 1988), como se fosse o primeiro de uma franquia que inclui ainda outros dois filmes.
Aqui, Pamela Springsteen substitui Felissa Rose no papel de Angela Baker, que não pode repetir seu personagem assassino, e a história é a mesma de um milhão de filmes similares, com diversos jovens idiotas sendo dizimados pela fúria do vilão. Clichês, furos e incoerências no roteiro desfilam em demasia, e talvez o único atrativo sejam as mortes violentas, muitas por sinal (quase duas dezenas), demonstrando coragem e ousadia do diretor Michael A. Simpson, num típico filme dos anos 80 do século passado. Vale uma conferida como diversão rápida.

“Acampamento Sinistro” (Sleepaway Camp II: Unhappy Campers, Estados Unidos, 1988) # 516 – data: 09/02/09
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(postado em 09/02/09)

Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura Nella Città Dei Morti Viventi / City of the Living Dead, Itália, 1980)


Um jornalista, Peter Bell (Christopher George), une-se a uma vidente, Mary Woodhouse (Katherine MacColl), e partem para a cidade de Dunwich (local abordado na literatura macabra de H. P. Lovecraft) com o objetivo de investigar o misterioso suicídio de um padre chamado William Thomas (Fabrizio Jovine), e a relação com uma lenda sobre os mortos levantarem de seus túmulos. Lá, eles contam com a ajuda de um psiquiatra local, Gerry (Carlos de Mejo), e uma pintora, Sandra (Janet Agren), e juntos tentam combater uma invasão de zumbis.
A primeira vez que vi a bagaceira italiana “Pavor na Cidade dos Zumbis” (City of the Living Dead, 1980), de Lucio Fulci, foi no final dos anos 80, na época das fitas de vídeo VHS. Achei a história ruim demais com um ritmo exageradamente lento, porém ficou marcado para sempre na memória algumas cenas de forte impacto, consideradas bem ousadas para a época da produção. Entre elas, destaco uma mulher enterrada viva, uma outra moça vomitando sangue misturado com vermes pestilentos, um rapaz que teve a cabeça perfurada por uma broca num torno mecânico, e um dos protagonistas tendo pedaços do cérebro arrancados violentamente com as mãos por uma morta-viva, sendo arremessado para os ratos devorarem.
Vendo novamente cerca de vinte anos depois, em DVD, baixado na internet, a sensação é muito parecida: história péssima, demonstrando grande falta de vontade dos roteiristas em investir em lógica e coerência (o próprio Fulci, junto com Dardano Sacchetti), além da narrativa arrastada num convite ao sono, juntamente com uma trilha sonora de batidas fúnebres que funcionam apenas parcialmente (depois de um tempo, tornam-se cansativas), e tendo praticamente como únicos interesses as perturbadoras cenas “gore”. Até o desfecho é ridículo, com um aparente final feliz misturado com pessimismo, deixando o espectador com dúvidas sobre qual a verdadeira intenção dos realizadores do filme.
O diretor italiano Lucio Fulci tem uma grande legião de admiradores, e certamente seu nome está marcado na história do cinema de horror, principalmente pela ousadia em mostrar cenas ultra violentas em seus filmes, numa época onde o horror explícito não era tão banalizado como nesse início de século XXI, com o sangue jorrando de forma descontrolada no cinema, tendo o auxílio da tecnologia de efeitos de computação gráfica. Mas, se fôssemos analisar a maioria das histórias de seus filmes, chegaríamos à conclusão que estão longe de ser interessantes, e seu grande mérito está mesmo na exposição de sangue e vísceras. “Pavor na Cidade dos Zumbis” exemplifica bem essa questão, é um filme que vale a pena conhecer não pela história desmiolada, mas sim pelas cenas exageradamente sangrentas.

“Pavor na Cidade dos Zumbis” (Paura Nella Città Dei Morti Viventi / City of the Living Dead, Itália, 1980) # 515 – data: 27/01/09
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