Comentários de cinema - Parte 10 (16/12/13 a 05/01/14)

Filmes abordados:

A Serbian Film – Terror Sem Limites (A Serbian Film / Srpski Film, Sérvia, 2010)
Avenida do Terror, 388 (388 Arletta Avenue, Canadá, 2011)
Deus Irae (Argentina, 2010) curta metragem
Dia da Besta, O (El Día de la Bestia / The Day of the Beast, Espanha, 1995)
Dredd (Dredd, EUA / Inglaterra / Índia / África do Sul, 2012)
Ender´s Game – O Jogo do Exterminador (Ender´s Game, EUA, 2013)
Enigmas de um Crime (The Oxford Murders, Espanha / Inglaterra / França, 2008)
Halo 4: Em Direção ao Amanhecer (Halo 4: Forward Unto Dawn, EUA, 2012)
Mansão da Meia-Noite, A (House of the Long Shadows, Inglaterra, 1983)
Mistério no Lago (Beneath Still Waters / Bajo Aguas Tranquilas, Espanha / Inglaterra, 2005)
Mundo Perdido, O (The Lost World, EUA, 1960)
Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (When Dinosaurs Ruled the Earth, Inglaterra, 1970)
Rasputin: O Monge Louco (Rasputin: The Mad Monk, Inglaterra, 1966)
Reveillon Maldito (New Year´s Evil, EUA, 1980)
Segredo do Lago Ness, O (Das Wunder von Loch Ness, Alemanha / Áustria, 2008)
Sobrenatural (Insidious, EUA / Canadá, 2010)
Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2, EUA, 2013)
Torturas do Dr. Diabolo, As (Torture Garden, Inglaterra, 1967)


* A Serbian Film – Terror Sem Limites (2010) – Filme produzido na Sérvia, um país europeu que vivenciou uma guerra civil repleta de cruéis atrocidades nos anos 90 do século passado. Teve grande repercussão no Brasil devido à censura que recebeu, ficando proibida sua exibição por aqui por algum tempo. Na história, um famoso ator pornô que estava afastado das câmeras e tentava viver com sua família, esposa e filho pequeno, recebe uma proposta milionária para participar de um filme misterioso. Devido aos problemas financeiros, ele aceita o trabalho, mesmo não recebendo nenhuma informação sobre o roteiro. Mais tarde, ele descobre que o filme explorava perversão, tortura, pedofilia e necrofilia, mas não consegue mais abandonar o projeto colocando em risco até a vida de sua família. Ousado e transgressor, o filme tem sua primeira metade abordando com mais enfâse o convite ao ator para fazer um filme “diferente”, e a metade final parte para a violência com cenas fortes e sangrentas. Tem muitas cenas de sexo violento e não faltam cabeças esmagadas e sangue espalhado pelo chão, além de um final perturbador. A ideia geral passa a sensação que o objetivo não é fazer apologia à violência extrema e sim ser um filme corajoso ao mostrar sem pudores a crueldade doentia da raça humana. (RR – 24/12/13)

* Avenida do Terror, 388 (2011) – Lançado em DVD no Brasil pela “California”, é um filme canadense situado dentro do sub-gênero “found footage”, com produção executiva de Vincenzo Natali, mais conhecido por dirigir “Cubo” (1997) e “Splice – A Nova Espécie” (2009). Um casal comum formado por James (Nick Stahl) e Amy (Mia Kirshner), mora na “Arletta Avenue” (do título original). Eles não sabem, mas são observados constantemente através de diversas câmeras estrategicamente posicionadas, por alguém sinistro e com intenções hostis. Depois que Amy dasaparece misteriosamente, e não tendo êxito em contar com o auxílio da polícia incompetente, o marido James decide fazer uma investigação própria. O “found footage” foi muito bem utilizado no italiano “Cannibal Holocaust” (1980), de Ruggero Deodato, e redescoberto em 1999 com “A Bruxa de Blair”. Desde então, tornou-se um estilo bastante explorado no cinema de horror, e que de certa forma já está saturado, substituindo a originalidade e interesse iniciais por um grande clichê repetitivo. E aqui, apesar do marketing utilizando o nome do canadense Vincenzo Natali para vender o filme, temos apenas mais um exemplo mediano desse sub-gênero, flertando mais com o suspense e menos com o horror, apesar do desfecho pessimista. (RR – 31/12/13)

* Deus Irae (2010) – Curta metragem (13:31 minutos) argentino escrito e dirigido por Pedro Cristiani. Disponível na internet em versão original em espanhol com legendas em inglês. Uma mãe está cuidando de sua filha doente, que está amarrada na cama, quando surge um grupo de religiosos, dois homens e uma mulher. Eles tentam confortar a mãe cansada e aliviar o sofrimento da garota com orações de exorcismo. Mas, existe uma frágil linha separando nosso mundo de um universo paralelo sombrio e habitado por criaturas demoníacas. Excelente curta muito bem produzido que inicia calmo e termina no caos, com violência, sangue e demônios. Deixando ao final uma ansiosa sensação de querer mais, e que o curta poderia inspirar um ótimo filme maior e mais desenvolvido. Altamente recomendável. (RR – 24/12/13)

* Dia da Besta, O (1995) – Comédia espanhola de humor negro e elementos de horror e ação, dirigida pelo cultuado cineasta Álex de la Iglesia, o mesmo de “Ação Mutante” (1993) e “A Comunidade” (2000). Um padre, pesquisador e professor de teocracia, Cura (Álex Angulo), descobre em seus estudos da bíblia que o anticristo deverá nascer no natal de 1995 em Madrid, a capital da Espanha. Recorrendo à ajuda de um obeso fã de Death Metal, José Maria (Santiago Segura), e um apresentador charlatão de um programa esotérico de TV, Prof. Cavan (Armando de Razza), o grupo tenta descobrir o local do nascimento do filho de Satã, para eliminá-lo e salvar a humanidade do martírio de um reinado de trevas. “O Dia da Besta” tem uma história divertida e criada para não ser levada a sério de forma proposital, com diversas correrias, perseguições e ritmo frenético a maior parte do tempo, além de muito humor negro e uma mensagem interessante de crítica social, onde os piores e mais cruéis demônios são os próprios homens, envenenados em intolerância e preconceito. (RR – 25/12/13)

* Dredd (2012) – Ação com elementos de ficção científica que estreou nos cinemas brasileiros em 21/09/12. No futuro, o planeta Terra sofre com uma superpopulação vivendo nos escombros de cidades decadentes, lutando para sobreviver em meio à violência e criminalidade. Para combater quem desrespeita a lei, existem os “Juízes”, policiais bem armados e treinados, que tem o poder de julgar e executar a pena sem burocracias. Dredd (Karl Urban) é um desses juízes, que percorre as ruas para tentar limpá-las da escória dos criminosos. Uma novata, Anderson (Olivia Thirlby), que é uma mutante com poderes que permitem ler os pensamentos, acompanha Dredd numa missão para ser avaliada. Eles atendem uma ocorrência de assassinatos brutais num enorme prédio residencial, que é controlado por uma gangue de traficantes de drogas, liderada por uma mulher cruel conhecida como Ma-Ma (Lena Headey). Dredd e a novata são emboscados quando o prédio é lacrado pelos criminosos, iniciando uma guerra pela sobrevivência. Muita ação e tiroteios ensurdecedores com overdose de sangue e corpos empilhados. Os criminosos são tão desprezíveis e Dredd é tão focado em seus objetivos que inevitavelmente passamos a torcer por seu sucesso. O temido juiz lembra o policial do futuro “Robocop” (1987), só que ele é bem mais agressivo nas ações. Curiosamente, outro filme com Dredd foi produzido em 1995, com o título nacional “O Juiz”, e com Sylvester Stallone no papel principal. (RR – 30/12/13)

* Ender´s Game – O Jogo do Exterminador (2013) – Baseado em livro de Orson Scott Card e dirigido pelo sul africano Gavin Hood, entrou em cartaz nos cinemas em 20/12/13, trazendo no elenco nomes experientes como Harrison Ford e Ben Kingsley. Após muitos anos de uma guerra contra uma invasão de alienígenas insectóides que quase levou a humanidade à extinção, uma Federação Internacional Militar pretende atacar os inimigos antes de uma nova invasão. Para isso, diversos jovens são exaustivamente treinados numa academia orbitando a Terra, para que um seja escolhido na liderança de um ataque final para encerrar o conflito. Ender Wiggin (Asa Butterfield) é o garoto escolhido por sua inteligência e habilidades mentais numa batalha para definir o futuro da humanidade, sob a tutela do severo Coronel Graff (Harrison Ford). Ficção Científica movimentada, com efeitos especiais excepcionais em jogos simulados de guerra e batalhas reais no espaço. Parte do filme se concentra na intensa preparação e treinamento do garoto, enfrentando diversos desafios e dificuldades de relacionamentos, e parte dedica-se a explorar a tensão de um ambiente de guerra, genocídio e destruição, mesmo que num comando à distância, manipulando as ações e estratégias de combate. (RR – 23/12/13)

* Enigmas de um Crime (2008) – Dirigido pelo espanhol Álex de la Iglesia, mais conhecido por seus filmes de humor negro com elementos de horror como “Ação Mutante” (1993) e “O Dia da Besta” (1995). Um estudante americano de matemática, Martin (Elijah Wood, da trilogia “O Senhor dos Anéis”), vai até a Inglaterra para conhecer um renomado professor, Arthur Seldom (o veterano John Hurt, de “Alien, o Oitavo Passageiro”). Ele conhece duas belas mulheres, a enfermeira Lorna (Leonor Watling), e Beth (Julie Cox), que toca violoncelo numa orquestra, e envolve-se com todos eles numa complexa trama de assassinatos supostamente atribuídos para um “serial killer” utilizando símbolos matemáticos, desafiando a investigação da polícia, sob a liderança do Inspetor Petersen (Jim Carter). Típico thriller sobre mortes em série, com diversos enigmas nas ações do assassino e a especulação de vários suspeitos, não faltando as tradicionais reviravoltas e jogos no roteiro para estimular o pensamento e chamar a atenção do espectador. Tem a presença sempre carismática do experiente ator John Hurt num dos papéis centrais. Não é nenhuma obra prima dentre os filmes de suspense com investigação policial, mas pode ser considerado acima da média e garante um bom entretenimento, tendo o nome do diretor Álex de la Iglesia como um interessante atrativo, por seus trabalhos anteriores. (RR – 05/01/14)

* Halo 4: Em Direção ao Amanhecer (2012) – “Halo” é uma popular franquia de vídeo games com um argumento central futurista sobre a eterna batalha da humanidade contra alienígenas. Em 2012, com direção de Stewart Hendler, foi produzido um filme especialmente como campanha de marketing para o lançamento do jogo “Halo 4”, sendo na verdade uma compilação de uma web série com cinco episódios de aproximadamente 15 minutos. Ambientado no século 26, o filme mostra a dura rotina de treinamento de jovens numa academia militar, preparando-se para uma longa guerra contra insurgentes rebeldes, focando mais o ponto de vista do cadete Tomas Lasky (Tom Green), e suas dúvidas e questionamentos sobre a carreira militar. Porém, após a inesperada invasão de uma aliança de raças alienígenas e a destruição da escola de treinamento militar, o foco da humanidade volta-se para combater o inimigo extraterrestre, com o jovem Lasky e um grupo de amigos tentando lutar por suas vidas e sendo resgatado por Master Chief (Daniel Cudmore), um lendário soldado misterioso. Mais uma Ficção Científica explorando a guerra contra alienígenas e o severo treinamento militar de jovens cadetes. É interessante a ideia da produção de um filme especialmente como veículo de marketing de um jogo, com o objetivo de divulgar a franquia “Halo”. O DVD lançado no Brasil traz grande quantidade de materiais extras, com informações sobre os bastidores, figurinos, concepção das armas, os ótimos efeitos especiais, a ideia do roteiro, e entrevistas com atores e realizadores. (RR – 23/12/13)

* Mansão da Meia-Noite, A (1983) – Produzido pela “Cannon Group”, é o único filme da história que conseguiu reunir quatro dos mais consagrados nomes do cinema de horror de todos os tempos: Vincent Price, Christopher Lee, Peter Cushing e John Carradine. Um jovem escritor americano, Kenneth Magee (Desi Arnaz), aceita uma aposta de seu editor, Sam Allyson (Richard Todd), para escrever um livro em 24 horas, se isolando numa mansão abandonada no interior do País de Gales, cujo ambiente tétrico e atmosfera sombria poderia servir de inspiração. Porém, várias pessoas misteriosas aparecem em seu caminho, como dois idosos caseiros da mansão (interpretados por John Carradine e Sheila Keith), a secretária de seu editor, Mary Norton (Julie Peasgood), antigos moradores do casarão e membros da histórica família Grisbane (Vincent Price e Peter Cushing), e um empresário investidor em imóveis antigos, Sr. Corrigan (Christopher Lee). Além da existência de um terrível segredo do passado da mansão e da família amaldiçoada que vivia nele quarenta anos antes. O roteiro de Michael Armstrong, baseado no livro “Seven Keys to Baldpate”, de Earl Derr Biggers, não foge muito dos habituais clichês do gênero, explorando sutilmente elementos de horror psicológico e apostando em reviravoltas. Mas, o que interessa mesmo é a presença num único filme dos ícones Price, Lee, Cushing e Carradine, alguns dos mestres que deram vida ao fascinante cinema de horror, e que povoaram nossos sonhos e pesadelos com o puro entretenimento de seus filmes. Este fato torna “A Mansão da Meia-Noite” um filme único, indispensável e altamente recomendável, com seu lugar garantido na memória do gênero. Curiosamente, foi apenas lançado no Brasil em VHS, através da “Globo Vídeo”, cuja mesma cópia original em inglês e com legendas em português, pode também ser encontrada na internet em blogs que permitem que sejam baixados em versão DVD. (RR – 27/12/13)

* Mistério no Lago (2005) – Esse filme faz parte de um grupo de poucos (apenas nove) que foram produzidos pela extinta “Fantastic Factory” (2001 / 2006). Ela foi uma empresa espanhola criada pelo produtor Julio Fernández (da franquia “Rec”) e pelo cineasta Brian Yuzna, que é mais conhecido por seu envolvimento na cultuada franquia “Re-Animator”, tendo dirigido as partes 2 e 3 (“A Noiva de Re-Animator” / 1989 e “Re-Animator – Fase Terminal” / 2003). “Mistério no Lago” também tem direção de Yuzna e o roteiro é baseado no livro “Beneath Still Waters”, de Matthew Costello. Em 1965, uma pequena cidade é submersa para dar lugar a uma represa e impulsionar o desenvolvimento na região. Porém, um praticante de magia negra, Mordecai Salas (Patrick Gordon), criou uma seita com vários seguidores da cidade e após quarenta anos da inundação do lago e da ocorrência de misteriosos desaparecimentos, ele deseja retornar com poderes ocultos para instaurar o caos e espalhar o horror. Sendo combatido por um jornalista forasteiro, Dan Quarry (Michael McKell), que surgiu para fazer uma matéria sobre a cidade submersa, e por uma repórter local, Teresa Borgia (Raquel Meroño), mãe da jovem Clara (Charlotte Salt), que é desejada pelo vilão do além. Por ser dirigido por Brian Yuzna, a espectativa inicial é nos depararmos com algo divertido, devido suas credencias favoráveis na franquia “Re-Animator”, mas o que vemos é apenas um filme com uma história banal e comum demais que não engrena em nenhum momento. Tem algumas poucas cenas razoáveis de sangue, mas nada que desperte uma atenção maior. O filme não passa de um grande clichê onde até o desfecho pessimista numa reviravolta não funciona por ser tão óbvio, e provavelmente não deve ter sido coincidência que foi o último filme produzido pela “Fantastic Factory”, encerrando suas atividades em seguida. (RR – 28/12/13)

* Mundo Perdido, O (The Lost World, EUA, 1960) – Baseado em livro homônimo de Arthur Conan Doyle e com direção de Irwin Allen, o criador de nostálgicas e memoráveis séries de TV dos anos 60 do século passado, como “Perdidos no Espaço”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “Terra de Gigantes” e “O Túnel do Tempo”. E também produtor de clássicos do subgênero “catástrofe”, como “O Destino do Poseidon” (1972) e “Inferno na Torre” (1974). Além dessas ótimas credenciais, “O Mundo Perdido” tem em seu elenco Claude Rains (“O Homem Invisível”, 1933 e “O Fantasma da Ópera”, 1943), Michael Rennie (“O Dia Em Que a Terra Parou”, 1951) e David Hedison, o capitão Crane da série “Viagem ao Fundo do Mar” e o “cientista louco” de “A Mosca da Cabeça Branca” (1958). O excêntrico Prof. George Edward Challenger (Claude Rains) consegue reunir uma expedição científica com destino à Amazônia, para localizar e explorar um imenso platô onde supostamente ainda existem dinossauros gigantes. O grupo ainda conta com um famoso aventureiro, Lord John Roxton (Michael Rennie), um jornalista, Ed Malone (David Hedison), outro cientista, o Prof. Summerlee (Richard Haydn), a filha de um investidor da expedição, Jennifer Holmes (Jill St. John), o jovem irmão dela, David (Ray Stricklyn), e dois homens da região do Amazonas, Costa (Jay Novello) e o piloto de helicóptero Manuel Gomez (Fernando Lamas). Chegando à região misteriosa, eles encontram dinossauros e índios nativos hostis, e depois que o helicóptero é destruído, o desafio é conseguir encontrar um meio de sair do “mundo perdido”, retornar para a civilização com vida e se possível, trazendo alguma prova da existência dos monstros pré-históricos. Clássico da saudosa “Sessão da Tarde”, da época quando ainda eram exibidos filmes antigos e divertidos. “O Mundo Perdido” é uma aventura com elementos de ficção científica e humor, onde o destaque é a forma como são mostrados os dinossauros. Numa época sem a tecnologia de computação gráfica para a criação dos monstros, Irwin Allem preferiu não utilizar os tradicionais bonecos em “stop motion” e optou por filmar ainimais vivos (lagartos maquiados com chifres) caminhando sobre cenários em miniatura, com a perspectiva de filmagem por baixo, dando a sensação de serem monstros gigantescos. Curiosamente, vale citar que o livro de Conan Doyle teve várias outras adaptações para o cinema, sendo a primeira em 1925, na época do cinema mudo. Teve também um telefilme em 1999 que originou uma série de TV produzida até 2002. (RR – 01/01/14)

* Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (1970) – Produzido pelo cultuado estúdio inglês “Hammer”, sendo uma de suas contribuições para o sub-gênero dos filmes com dinossauros. A direção de é Val Guest, de outros divertidos trabalhos da mesma produtora como “Terror Que Mata” (1955) e “A Usina dos Monstros” (1957), com roteiro desenvolvido a partir de uma história do escritor J. G. Ballard. Numa época fictícia, onde humanos e animais gigantescos convivem no mesmo local, uma tribo de aborígenes tem o hábito de sacrificar mulheres loiras em tributo ao Sol, considerado por eles um “deus”. Porém, uma das escolhidas, Sanna (Victoria Vetry), consegue escapar do ritual e é resgatada por Tara (Robin Hawdon), um nativo de um grupo rival. Ambos agora precisam lutar por suas vidas, sendo perseguidos pelos antigos companheiros e enfrentando a fúria de dinossauros interessados em matá-los. É um filme menor da “Hammer” e o fato de ser falado numa língua “inventada”, com palavras simulando um idioma aborígene, o filme acaba tornando-se entediante e arrastado, valendo a pena somente mesmo pelas cenas com os dinossauros, filmados com o auxílio da técnica do “stop motion”. Um destaque são os ataques de caranguejos gigantes numa praia contra os nativos. (RR – 01/01/14)

* Rasputin: O Monge Louco (1966) – Produção inglesa do cultuado estúdio “Hammer” e com o ícone do horror Christopher Lee no papel principal, numa história inspirada na vida real de Rasputin, um monge com supostos poderes místicos, e que conseguiu se infiltrar no alto escalão da política na Rússia no início do século XX. No filme, Grigori Rasputin (interptetado por Lee), é expulso de um monastério por causa de seu comportamento devasso, sempre envolvido com mulheres e bebida alcoólica. Porém, devido seus supostos poderes de cura e hipnose, conseguiu conquistar a confiança da czarina (Renée Asherson) e se infiltrou no poder político da Rússia, ganhando inimigos e detratores interessados em sua morte. Com a típica ambientação dos filmes da Hammer, não faltando tabernas cheias de bêbados e castelos imponentes, o grande destaque certamente é a atuação de Christopher Lee, mais conhecido pelos papéis do conde vampiro Drácula. Porém, dessa vez ele mostra outro lado de seu talento artístico, fazendo o papel de um homem misterioso que exagera na bebida, dança com habilidade, conquista mulheres e é temido pelos homens. (RR – 26/12/13)

* Reveillon Maldito (1980) – “Slasher” típico do início dos anos 80 do século passado, com produção da lendária “Cannon”, de Yoram Globus e Menahem Golan, responsáveis por uma infinidade de tranqueiras divertidas. Um assassino utiliza a tradicional festa de fim de ano nos Estados Unidos para matar mulheres, se beneficiando do fuso horário americano que permite a comemoração várias vezes de acordo com a região. Ele faz a conexão das mortes se comunicando por telefone constantemente com a apresentadora de um show de punk rock ao vivo, desafiando a polícia e ameaçando a vida da mulher e pessoas próximas dela. Esse é um filme extremamente datado, que ficou no passado, e que apresenta todos os clichês do estilo, tendo como um fato depreciativo apenas mostrar mortes sem ousadia, com pouca violência e sangue. Mas, ainda assim é divertido justamente por tudo isso, pelas características bagaceiras, pela relação fiel ao ano de 1980 (música, ambientação, vestuário, contexto geral), e por ser um “slasher” que apresenta um “serial killer” inspirado por uma sempre trivial motivação tosca e previsível (com o diferencial que aqui o psicopata não usa máscara e é logo revelado já no início do filme). E, apesar do enorme gancho para continuação, não teve sequência. (RR – 27/12/13)

* Segredo do Lago Ness, O (2008) – Filme alemão e austríaco dirigido por Michael Rowitz e produzido especialmente para a televisão (foi exibido na TV Cultura de São Paulo/SP no dia 28/12/13 às 18:30 horas, na sessão “Matinê Cultura”). Um garoto de 11 anos, Tim Bender (Lukas Schust), está procurando por seu pai, Erik Winter (Hans-Werner Meyer), que desapareceu antes de seu nascimento, com o paradeiro escondido pela mãe, Anna (Lisa Martinek), que não queria que o filho conhecesse o pai. Porém, desconfiando que seu pai seja um biólogo que estuda a existência do lendário monstro do Lago Ness, na Escócia, que supostamente seria uma espécie de plessiossauro da época dos dinossauros, o garoto faz uma viagem clandestina até a região do misterioso lago para encontrar o pai. Sua mãe descobre o plano e parte em seu rastro, e os três vivem uma aventura envolvendo também um mitológico tesouro druida escondido numa caverna nos arredores do lago escocês, e um vilão, Paul (Serge Falck), interessado no tesouro. Fantasia infanto-juvenil com uma história pouco atraente, explorando elementos do folclore sobre o monstro do lago Ness, que fica num plano secundário. E do tesouro que contém uma pedra preciosa protegida pelos druidas, cuja ideia torna-se a principal no roteiro, inserindo grande quantidade de bobagens fantasiosas com direito até para a participação do mago Merlin disfarçado. Teve uma continuação em 2010 com parte do mesmo elenco e direção, “Das Zweite Wunder von Loch Ness”. (RR – 29/12/13)

* Sobrenatural (2010) – Dirigido pelo malaio James Wan (de “Jogos Mortais” e “Invocação do Mal”), “Sobrenatural” mostra o cotidiano de uma família típica americana formada pelo pai Josh Lambert (Patrick Wilson), a mãe Renai (Rose Byrne), e três filhos pequenos. Porém, após uma mudança de casa começam a ocorrer eventos estranhos e misteriosos, além de aparições de fantasmas. E depois que um dos filhos entra numa espécie de coma sem explicação, a mãe solicita a ajuda de uma mulher sensitiva, Elise Rainier (Lin Shaye), que trabalha com dois auxiliares manipulando equipamentos eletrônicos, na tentativa de desvendar o mistério que ronda sua família. Mais uma história de fantasmas com elementos que nos remetem a filmes como “Poltergeist” (1982), entre outros, evidenciando que não é a casa que é assombrada e sim o garoto, que possui habilidades para viagens astrais, conforme até anunciado numa tagline do cartaz do filme. Com lançamento nos cinemas e bem recebido pelo público, motivou os produtores a investir numa franquia, tanto que em 2013 foi lançado “Sobrenatural: Capítulo 2” e já existem informações sobre um terceiro projeto para 2015. “Sobrenatural” é um filme de horror com fantasmas levemente acima da média, mas não consegue impedir os clichês com excesso de barulho para auxiliar nos sustos e cenas exageradas na fantasia. Porém, tem a seu favor a interessante sequência passada num ambiente onírico de puro pesadelo quando o personagem do pai da família parte em busca de seu filho no mundo dos mortos. (RR – 16/12/13)

* Sobrenatural: Capítulo 2 (2013) – Como o próprio título obviamente diz, trata-se da sequência de “Sobrenatural”, lançado em 2010 e dirigido pelo mesmo James Wan. Entrou em cartaz em nossos cinemas em 22/11/13 e até pode ser assistido como um filme independente, mas certamente é bem mais indicado e recomendável conhecer primeiro o original, uma vez que ambos se complementam na história criada pelo roteirista Leigh Wannell (que também atua nos dois filmes). Após um breve prólogo com o pai da família Lambert, Josh (Patrick Wilson), ainda criança (Garrett Ryan), enfrentando problemas com sua habilidade incomum de se comunicar com os mortos em viagens astrais, acompanhamos novamente os mesmos personagens do filme anterior tentando levar uma vida normal. Mas, algo sobrenatural continua atormentando a rotina da família, colocando em risco suas vidas, obrigando dessa vez o garoto Dalton (Ty Simpkins) a migrar para o limbo sombrio de uma dimensão paralela, na tentativa de resgatar a alma do pai. Nessa continuação são apresentadas novas ideias e revelações que compõe o universo ficcional imaginado pelo roteirista, não faltando muitas cenas de sustos e aparições de fantasmas, com destaque novamente para os tensos momentos ambientados no sinistro mundo dos mortos, sempre envoltos num clima mórbido e obscuro de constante insegurança. Assim como o filme anterior, essa sequência também é uma produção acima da média, mas não tem nada de muito especial, chegando até a cometer alguns deslizes com o excesso de barulho e fantasia, em detrimento de um horror mais sutil. (RR – 21/12/13)

* Torturas do Dr. Diabolo, As (1967) – Produção inglesa do também cultuado estúdio “Amicus”, de Max Rosenberg e Milton Subotsky, rival da “Hammer”, com direção de Freddie Francis, de diversos filmes de horror dos nos 60 e 70 como “O Monstro de Frankenstein” (1964), “A Maldição da Caveira” (1965) e “A Essência da Maldade” (1973). Trata-se de uma antologia de contos de horror com roteiro de Robert Bloch, autor do clássico “Psicose”, e no elenco temos nomes consagrados como Jack Palance, Peter Cushing e Burgess Meredith. Com esses créditos indicando a qualidade dos realizadores, já dá para imaginar a diversão garantida. Em “As Torturas do Dr. Diabolo”, um título nacional sonoro, uma atração de circo com foco no horror é apresentada pelo Dr. Diabolo (Meredith), que convida os espectadores a conhecer situações trágicas em seus destinos futuros, ao olharem fixamente para a imagem da deusa dos destinos Átropos (da mitologia grega). São apresentadas então quatro histórias de horror. A primeira chama-se “Enoch” e mostra um homem ganancioso, Colin Williams (Michael Bryant) visitando o tio doente interessado na herança de sua misteriosa riqueza, e não imagina o terrível segredo que envolve sua casa, habitada anteriormente por uma bruxa. Em seguida temos “Terror Over Hollywood”, onde uma atriz ambiciosa, Carla Hayes (Beverly Adams), não mede esforços para conseguir um papel de destaque no cinema, envolvendo-se com um produtor, Eddie Storm (John Phillips) e um veterano e famoso ator, Bruce Benton (Robert Hutton), que também escondem um misterioso segredo sobre suas longevidades. O terceiro episódio, “Mr. Steinway”, apresenta um famoso pianista, Leo Winston (John Standing), que se apaixona pela bela Dorothy Endicott (Barbara Ewing), mas não consegue manter o romance por causa de um piano amaldiçoado. A última história, “The Man Who Collected Poe”, tem Jack Palance no papel de Ronald Wyatt, um obcecado colecionador de livros e objetos do cultuado escritor americano de horror Edgar Allan Poe. Ele visita outro colecionador, Lancelot Canning (Peter Cushing), que entre livros e manuscritos raríssimos, também esconde um terrível segredo sobre o próprio escritor Poe. Todos os episódios são muito bons, carregados de elementos de horror e até FC (no segundo episódio), e que ficam guardados por muito tempo em nossas memórias. Como o sinistro gato preto Balthazar, da primeira história, ou o piano assassino tocando a marcha fúnebre, do terceiro conto, ou ainda a dupla Palance e Cushing obcecada pela literatura sombria de Edgar Allan Poe, com graves consequências. Curiosamente, “As Torturas do Dr. Diabolo” é o sucessor direto de outro filme de antologia de contos também produzido pela “Amicus” e dirigido por Freddie Francis, “As Profecias do Dr. Terror” (Dr. Terror´s House of Horrors, 1965), com Christopher Lee e Peter Cushing. (RR – 27/12/13)