Abelhas Assassinas (Killer Bees, EUA, 1974)

 


“Ela controla as abelhas. Elas matarão por ela – e morrerão por ela. Ela é a rainha delas... e viverá para sempre.

 

Abelhas Assassinas” (Killer Bees, 1974) é um filme produzido diretamente para a televisão, com apenas 71 minutos, apresentado no programa “ABC Movie of the Week” da rede de TV americana “ABC”, sendo o número 56 da temporada 5.

O filme foi dirigido por Curtis Harrington, conhecido por bagaceiras divertidas como “O Planeta Pré-Histórico” (1965) e “Planeta Sangrento” (1966), e está disponível dublado no “Youtube” com a “versão brasileira Herbert Richers”. No elenco temos Kate Jackson, uma das panteras da série de TV “As Panteras” (1977 / 1981), a veterana Gloria Swanson (1899 / 1983), em sua estreia na televisão e curiosamente sendo um de seus últimos filmes da carreira que teve grande reconhecimento no cinema, iniciada na época dos filmes mudos, e Craig Stevens, um rosto conhecido nas telinhas.

A história aborda um tema muito explorado no cinema de horror, com insetos se voltando contra a humanidade, no caso as temíveis abelhas africanas assassinas, que além desse filme de 1974 para a televisão já tivemos vários outros similares como “A Picada Mortal” (The Deadly Bees, 1966), “Abelhas Selvagens” (The Savage Bees, 1976) e sua sequência “O Terror Que Vem do Céu” (Terror Out of the Sky, 1978), “Ataque Final” (The Bees, 1978), “O Enxame” (The Swarm, 1978), “Invasão Mortal” (Deadly Invasion: The Killer Bee Nightmare, 1995), o homônimo “Abelhas Assassinas” (Killer Bees, 2002) e “Enxame Negro” (Black Swarm, 2007). 

 

A reclusa família van Bohlen, de origem europeia, é conhecida e temida numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos na região da Califórnia, atuando no ramo de negócios com plantação de uvas. Eles são proprietários de grandes vinhas com mudas oriundas da África do Sul, que vieram acompanhadas das abelhas.

A matriarca da família é a Madame Maria van Bohlen (Gloria Swanson), que comanda os negócios com austeridade e exerce grande domínio sobre seu filho Rudolf (Craig Stevens) e os netos Dr. Helmut (Roger Davis), Mathias (Don McGovern) e Edward (Edward Albert), sendo que este último foi embora para São Francisco para estudar e se tornar advogado. Porém, Edward é obrigado contra a vontade a retornar para sua cidade para apresentar sua noiva Vitoria Wells (Kate Jackson), que queria conhecer a família.

A moça é recebida com desconfiança por uma família exageradamente tradicional, enquanto em paralelo ocorrem vários incidentes trágicos próximos das plantações com mortes violentas e envolvendo as abelhas africanas, conhecidas como assassinas e que voam à noite, além do fato de estranhamente serem obedientes e controladas pela Madame van Bohlen, despertando a atenção da polícia na investigação do xerife Sargento Jeffreys (John S. Ragin). 

 

“Abelhas Assassinas” é um filme de baixo orçamento e roteiro simples, com horror moderado para se adequar ao formato de exibição na televisão. Seu maior interesse está no saudosismo da dublagem dos anos 70 e no elenco com Gloria Swanson e Kate Jackson em grandes performances. A primeira no papel da rígida anciã da família van Bohlen e que tem a capacidade de controlar as abelhas (justificando o slogan promocional reproduzido no início desse texto). E a segunda, bem mais jovem, interpretando a futura nova integrante da família, que tem que superar várias barreiras de desconfiança e ainda lidar com eventos misteriosos e acidentes trágicos envolvendo as abelhas mortais.  

Por curiosidade, nos créditos da equipe técnica aparece o nome Joel Schumacher (1939 / 2020) como o responsável pelo Desenho de Produção. Ele que seria mais tarde reconhecido como diretor de filmes importantes como “Os Garotos Perdidos” (1987), “Linha Mortal” (1990), “Um Dia de Fúria” (1993), “Batman Eternamente” (1995), “Batman & Robin” (1997), “8 mm: Oito Milímetros” (1999), “Número 23” (2007), e outros.

 

(RR – 24/02/25)






Grito de Pânico (Cry Panic, EUA, 1974)

 


Grito de Pânico” (Cry Panic, 1974) é um filme produzido diretamente para a televisão, com apenas 74 minutos, apresentado no programa “ABC Movie of the Week” da rede de TV americana “ABC”, sendo o número 50 da temporada 5.

A direção é de James Goldstone, o roteiro é de Jack B. Sowards, a produção é da dupla Leonard Goldberg e Aaron Spelling (da série de TV “As Panteras”, 1976/1981), e o elenco principal tem rostos conhecidos da telinha como John Forsythe (o Blake Carrington nos 220 episódios da série “Dinastia, 1981/1989), além de Earl Holliman, Ralph Meeker e Anne Francis (do clássico de FC “Planeta Proibido”, 1956).

 

Disponível dublado no “Youtube” com a “versão brasileira BKS”, o filme conta a história de David Ryder (John Forsythe), que está viajando cansado por uma estrada vicinal deserta a caminho de São Francisco, Califórnia, para uma entrevista de emprego, quando no início da manhã acidentalmente atropela um homem que surge de repente no meio da pista. Com o carro avariado e a vítima morta no fundo de um barranco, ele tenta obter ajuda procurando por um telefone numa casa próxima, onde é recepcionado por uma mulher misteriosa, Julie (Anne Francis).

Seus problemas pioram progressivamente quando o xerife Ross Cabot (Earl Holliman) atende o chamado de socorro e eles descobrem que o cadáver do homem atropelado desapareceu misteriosamente, iniciando uma série de eventos estranhos, com o quarto do hotel onde David se hospedou invadido e todo revirado, sua história sendo desmentida pela Sra. Ethel Hanson (Claudia McNeil), que é a governanta da casa onde procurou ajuda, entre outras bizarrices, além de descobrir que o morto é na verdade Norman Gaines, um rico e influente empresário na cidade.

David percebe então que está no meio de uma conspiração com o sumiço do corpo do homem atropelado e várias pessoas corruptas tentando confundir os fatos com interesses obscuros, como o agressivo dono da oficina mecânica Chuck Braswell (Ralph Meeker), o tradicional médico rural Doc Potter (Norman Alden), o advogado Dozier (Eddie Firestone), o dono do frigorífico Jackson (Harry Basch), o dono do motel, um funcionário dos correios e outros como o próprio xerife. Para David, só resta encontrar provas de sua inocência ou desmascarar a trama de corrupção, procurando ajuda com o Sargento Lipscombe (Gene Tyburn), policial de uma cidade vizinha.

 

Com uma produção de baixo orçamento, “Grito de Pânico” é um divertido thriller de mistério com aquelas características dos filmes feitos diretamente para a televisão nos anos 70 do século passado, exibido por aqui nos bons tempos da TV de tubo.

O espectador é convidado a acompanhar o drama do personagem principal que se envolve num atropelamento mortal, algo que já é extremamente trágico e perturbador, e ainda se torna vítima de uma conspiração que ameaça sua sanidade e segurança.

John Forsythe está ótimo com uma performance convincente como a vítima da rede de intrigas e Anne Francis, belíssima como sempre, também está muito bem como uma mulher misteriosa e amargurada que conhece os segredos da cidade e está no centro de uma turbulência com o xerife e a vítima de atropelamento.

Como destaque, além de toda a atmosfera estranha de uma cidade cheia de segredos, é uma cena com David se escondendo de seus algozes numa câmara frigorífica com uma revelação perturbadora.    

 

(RR – 22/02/25)






Rasputin: O Monge Louco (Rasputin: the Mad Monk, Inglaterra, Hammer, 1966)

 


"Rasputin: O Monge Louco" (Rasputin: the Mad Monk, 1966) é uma produção inglesa do cultuado estúdio “Hammer” e com o ícone do horror Christopher Lee no papel principal, numa história inspirada na vida real de Rasputin, um monge com supostos poderes místicos, e que conseguiu se infiltrar no alto escalão da política na Rússia no início do século XX.


No filme, Grigori Rasputin (interptetado por Lee), é expulso de um monastério por causa de seu comportamento devasso, sempre envolvido com mulheres e bebida alcoólica. Porém, devido seus supostos poderes de cura e hipnose, conseguiu conquistar a confiança da czarina (Renée Asherson) e se infiltrou no poder político da Rússia, ganhando inimigos e detratores interessados em sua morte. 


Com a típica ambientação dos filmes da Hammer, não faltando tabernas cheias de bêbados e castelos imponentes, o grande destaque certamente é a atuação de Christopher Lee, mais conhecido pelos papéis do conde vampiro Drácula. Porém, dessa vez ele mostra outro lado de seu talento artístico, fazendo o papel de um homem misterioso que exagera na bebida, dança com habilidade, conquista mulheres e é temido pelos homens.


(RR – 26/12/13)

A Casa dos Horrores Mortais (The Strange and Deadly Occurrence, EUA, 1974)

 


Os anos 70 do século passado foram bastante produtivos para os filmes com elementos fantásticos produzidos especialmente para a televisão, e muitos deles foram exibidos por aqui nos bons tempos da TV de tubo. “A Casa dos Horrores Mortais” (The Strange and Deadly Occurrence, EUA, 1974) é um exemplo com história explorando suspense, mistério e atmosfera de horror moderado. Com distribuição da “NBC” (National Broadcasting Corporation), o filme está disponível no “Youtube” com a dublagem original da época (“versão brasileira Herbert Richers”) e também foi lançado no Brasil no formato em vídeo VHS, do nostálgico tempo das locadoras.

 

Dirigido por John Llewellyn Moxey, especialista na telinha, a história é sobre a família Rhodes que se muda para uma casa de campo mais afastada da cidade grande (Los Angeles), formada pelo advogado Michael (Robert Stack, da série de TV “Os Intocáveis”), sua esposa Christine (Vera Miles, de “Psicose”) e a filha de 16 anos Melissa (Margaret Willock).

Nos primeiros seis meses tudo estava indo bem, e depois de descobrirem que o local foi palco de uma tragédia em 1834 com uma missão espanhola, gerando lendas sobre assombração, e também que o morador anterior foi um padre que morreu afogado na piscina, somado com o surgimento de eventos misteriosos (a tal ocorrência estranha e mortal do título original), com blecautes, barulhos noturnos, gritos, portas trancadas, infestação de ratos, assassinato do cachorro de estimação, entre outras bizarrices, a família fica extremamente assustada tendo que lidar com a atmosfera sinistra que envolve sua nova moradia e ameaça sua segurança.

Para aumentar ainda mais o clima de mistério surge o Dr. David Gillgreen (Ted Gehring), médico de uma penitenciária, com a insistência em comprar a casa, enquanto o xerife local Berlinger (L. Q. Jones), sempre demonstra descaso quando é acionado nas investigações, minimizando as ocorrências estranhas e justificando com explicações lógicas.  

 

“A Casa dos Horrores Mortais” é um título nacional meio exagerado e certamente apelativo para chamar a atenção, e o filme não consegue sustentar esse nome sonoro, mesmo com as tais “ocorrências estranhas”. Tem até um clima de mistério que levanta a possibilidade de alguma assombração sobrenatural em atividade no local, especulando sobre espíritos perturbados que querem tirar o sossego da nova família de moradores. Mas, a história tem uma narrativa cadenciada em seus apenas 78 minutos e os elementos de horror e suspense são bem sutis e sem sangue, para atender o formato de produção para a televisão.

Ainda assim o filme tem seus momentos interessantes, como a cena da adolescente Melissa envolvendo um manequim sem cabeça, e os sons sinistros durante a noite no lado de fora da casa, aterrorizando a família e mantendo todos em estado de tensão constante.

Provavelmente não deverá agradar ao público mais contemporâneo e acostumado com correrias, sustos exagerados e mortes sangrentas, mas vale assistir pela diversão rápida, o bom elenco com nomes de peso como Robert Stack e Vera Miles, pela dublagem clássica dos anos 70 e 80 na versão disponível no “Youtube” e pela nostalgia daqueles que viveram intensamente o saudoso período das locações de fitas de vídeo VHS.

 

(RR – 20/02/25)






Desafio ao Além (The Haunting, Inglaterra / EUA, 1963, PB)

 


“Uma casa má e velha, do tipo que algumas pessoas chamam de assombrada. É como um país não descoberto esperando ser explorado. Hill House se manteve por 90 anos e poderá se manter por mais 90. O silêncio cobre sólido a madeira e a pedra de Hill House, e seja o que for que andou lá, andou sozinho”. 


Esse é o prólogo de “Desafio ao Além” (The Haunting, Inglaterra / EUA, 1963), produção em preto e branco dirigida por Robert Wise, o mesmo cineasta de “O Túmulo Vazio” (45), “O Dia Em Que a Terra Parou” (51) e “O Enigma de Andrômeda” (71), entre outros. O roteiro de Nelson Gidding é baseado no livro “Assombração na Casa da Colina” (The Haunting of Hill House), escrito em 1959 por Shirley Jackson.


O antropólogo Dr. John Markway (Richard Johnson) aluga uma misteriosa e imensa mansão chamada “Hill House” por alguns dias, com o objetivo de realizar estudos e pesquisas sobre os estranhos fenômenos que dão fama de assombrada para a casa. Ele convida duas mulheres para participar da missão, Eleanor Lance (Julie Harris), que tem alguns distúrbios psicológicos decorrentes de muitos anos de sofrimento ao cuidar de sua mãe doente, e Theodora (Claire Bloom), que possui poderes extra-sensoriais. Completa o time o herdeiro da mansão, o jovem Luke Sanderson (Russ Tamblyn), cético e piadista, cujo único interesse é conhecer melhor o imóvel que fará parte de seu patrimônio. A ideia do cientista é coletar informações e provas da existência do sobrenatural, mas não imaginava que o grupo teria que lutar para manter a sanidade no ambiente sombrio da mansão, conhecida por sua história de tragédias, mortes e loucura.


Não falta o casal de sinistros caseiros, o Sr. Dudley (Valentine Dyall) e esposa (Rosalie Crutchley), que alerta os visitantes do perigo noturno de Hill House, algo que se transformaria num clichê muito explorado posteriormente. As hipóteses que poderiam explicar as perturbações da casa como o movimento de águas subterrâneas, eletricidade, pressão do ar, manchas solares, tremores de terra, foram substituídas por batidas grotescas e aterradoras nas paredes e portas, gritos e sussurros, além de ambientes misteriosamente frios e tétricos. “Desafio ao Além” é um exercício de puro horror insinuado, onde não se vê os fantasmas ou uma única gota de sangue, mas os efeitos de luz e sombra, sons sinistros e a cena da “porta.que respira”, que tornou-se famosa, promovem um perturbador estado de desconforto, acentuado pela ótima performance do elenco aterrorizado, principalmente a dupla de mulheres convidadas pelo cientista.


Curiosamente, tivemos uma refilmagem em 1999 com Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones e Owen Wilson, que recebeu o título nacional de “A Casa Amaldiçoada”. Sua história abandonou o horror psicológico e sugerido do clássico de 1963, priorizando as cenas gráficas com mortes violentas e sangue. E em 1973 foi lançada a preciosidade “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of Hell House), com roteiro do especialista Richard Matheson baseado em sua obra homônima, e com Roddy McDowall liderando o elenco. A história é bem similar à obra-prima de Robert Wise, porém com um horror mais explícito. Mas, o resultado é igualmente interessante e recomendável, juntando-se ao clássico dos anos 60 e situando-se entre os mais representativos filmes do sub-gênero de casas assombradas de todos os tempos.


(RR – 03/01/15)













O Triângulo do Diabo (Satan´s Triangle, EUA, 1975)

 


“Nesses últimos trinta anos, logo além da costa leste dos Estados Unidos, mais de mil homens, mulheres e crianças tem desaparecido da face da Terra. Ninguém sabe como ou porquê. Esta é uma explicação...”

 

Com essa introdução narrada tem início “O Triângulo do Diabo” (Satan´s Triangle, EUA, 1975), dirigido por Sutton Roley e com elenco expressivo formado por Doug McClure, Kim Novak, Ed Lauter e Jim Davis, entre outros. Foi produzido diretamente para a televisão, com apenas 74 minutos, no programa “ABC Movie of the Week”, uma série semanal da década de 1970 que foi ao ar na rede de TV “ABC” (American Broadcasting Company), apresentando filmes de diversas temáticas, muitos deles com histórias flertando com ficção científica, suspense, mistério e horror, como “A Fazenda Crowhaven” (1970, “Escravos da Noite” (1970), “A Última Criança” (1971), “Encurralado” (1971), “A Força do Mal” (1972), “Pânico e Morte na Cidade” (1972), “A Noite do Lobo” (1972), “Os Demônios dos Seis Séculos” (1972), “Satan´s School for Girls” (1973), “All the Kind Strangers” (1974), etc.

“O Triângulo do Diabo” é o filme número 27 da temporada 6 e explorou o tema do satanismo, um assunto muito utilizado nos anos 1970 tendo como ápice “O Exorcista” (1973), mesclando também com o sempre interessante mistério do “Triângulo das Bermudas”, uma região entre a Flórida, Porto Rico e Bermudas, responsável pelo desaparecimento misterioso de aviões, navios e barcos, também conhecida como “Triângulo de Satã”, do título original, ou do “Diabo”, na escolha do nome nacional.

O filme foi exibido nas nossas telinhas, sendo uma pequena preciosidade de baixo orçamento da nostalgia dos bons tempos da televisão de tubo, e está disponível dublado no “Youtube” na “versão brasileira Herbert Richers” (quem assistia os incontáveis filmes divertidos de horror e FC na televisão nos anos 70 e 80 do século passado certamente se lembrará da referência).

 

Um helicóptero da guarda costeira americana pilotado pelo rígido Tenente Comandante Pagnolini (Michael Conrad) e o auxiliar mulherengo Tenente Haig (Doug McClure), parte numa missão de resgate de um barco pesqueiro à deriva no mar, na temida região do Triângulo das Bermudas. Haig vai até o barco, descobre que a tripulação desapareceu e encontra três pessoas mortas de forma enigmática e violenta, o ganancioso capitão Strickland (Ed Lauter), o pescador aventureiro e milionário Hal Bancroft (Jim Davis) e o misterioso padre Peter Martin (Alejandro Rey), além de localizar no porão uma mulher sobrevivente em estado de choque, Eva (Kim Novak), a acompanhante de Hal.

Depois de uma tentativa frustrada de resgate, Haig e Eva são obrigados a permanecer no barco e a mulher decide então contar sobre a tragédia que começou com a chegada do padre Martin, náufrago num pedaço da fuselagem de um avião que caiu no mar. A partir daí, ocorre uma sucessão de eventos misteriosos com o barco sem comunicação por rádio, motor não funcionando, tripulação supersticiosa fugindo em motim, e uma forte tempestade ameaçando a segurança da embarcação. Haig tenta encontrar respostas lógicas para as mortes, minimizando o efeito sobrenatural, mas pode ser que forças demoníacas estejam em ação no “Triângulo do Diabo”.

  

A história das mortes é contada em flashback com uma constante atmosfera sinistra envolvendo o barco e seus ocupantes, especulando sobre o mistério do local e elementos satânicos. Mesmo sendo uma produção de baixo orçamento feita para a televisão, com a obrigatoriedade de um horror mais sutil, o filme mantém o interesse o tempo todo, com o espectador ansioso por desvendar o mistério. Longe de ser uma obra prima, um fato curioso é que o tipo de filme cuja história básica e algumas cenas ficam eternizadas na memória de quem teve a oportunidade de ver na telinha nos anos 80, com seu desfecho perturbador, sendo uma experiência gratificante rever no “Youtube” com a dublagem original da época.

Existem muitos filmes abordando o mistério do Triângulo das Bermudas e curiosamente um deles também recebeu o título “O Triângulo do Diabo” por aqui, além do alternativo “O Triângulo Diabólico das Bermudas”. Trata-se de “The Bermuda Triangle” (México / Itália, 1978), de René Cardona Jr. e com John Houston no elenco.

 

(RR – 17/02/25)





Godzilla vs. Megalon (Gojira tai Megaro, Japão, 1973)

 


"Godzilla vs. Megalon" (Gojira tai Megaro, 1973) é um filme japonês de monstros, bagaceiro e divertido ao extremo. 


O Japão está realizando testes nucleares numa ilha, causando terremotos e fissuras que chamam a atenção de uma civilização chamada “Seatopia”, que vive secretamente abaixo do mar. Sentindo-se ameaçados, eles decidem atacar a capital Tóquio e enviam o monstro “Megalon”, que voa e solta bolas explosivas de fogo pela boca. Para auxiliá-lo no ataque é também recrutado um outro monstro espacial, “Gigan”. 


Porém, para a defesa os japoneses contam com o robô “Jet Jaguar” (similar ao “Ultraseven”), que tem a ajuda sempre providencial do popular “Godzilla”. 


Tranqueira absurdamente tosca de uma época sem computação gráfica, onde os efeitos especiais eram realizados com maquetes e maquiagens, e que diverte justamente por isso. Tudo é ruim demais, desde os atores, a história, e principalmente a luta dos monstros num estilo comédia pastelão “gigantes do ringue”, com os monstros realizando movimentos que desafiam as leis da física (sempre imagino como aqueles atores vestidos em roupas de borracha simulando monstros deviam se divertir com o que faziam...). 


A cópia que tive acesso é um DVD original japonês com legendas em inglês e curiosamente, o monstro “Megalon” inspirou com seu sonoro e interessante nome a escolha do título do lendário fanzine brasileiro de Ficção Científica e Horror, editado por Marcello Simão Branco, que teve 71 edições entre 1988 e 2004. 


(RR – 25/02/13)








A Essência da Maldade (The Creeping Flesh, Inglaterra, 1973)

 


"A Essência da Maldade" (The Creeping Flesh, 1973) é um filme inglês estrelado pela dupla Christopher Lee e Peter Cushing, dois dos maiores ícones do cinema de horror de todos os tempos, e dirigido por Freddie Francis, de preciosidades como “O Monstro de Frankenstein” (64), “A Maldição da Caveira” (65) e “As Torturas do Dr. Diabolo” (67), entre outras.


O cientista Dr. Emmanuel Hildern (Cushing) retorna de uma viagem para a Papua-Nova Guiné, na Oceania, trazendo na bagagem o esqueleto de uma criatura ancestral e desconhecida, que possui um crânio imenso. Ao chegar à Inglaterra vitoriana, ele inicia os estudos de sua nova descoberta, na esperança de conseguir dinheiro para as dívidas e manter o conforto de sua única filha, a jovem Penelope (Lorna Heilbron). Seu irmão ambicioso, James (Lee), é o diretor de um asilo penal para pacientes mentalmente insanos, e também tem grande interesse nas pesquisas do cientista, fazendo questão de manter um clima de rivalidade entre eles. O paleontólogo alega a descoberta de um vírus que seria responsável pela “essência do mal” (daí o bem escolhido título nacional), que deveria ser tratada como uma doença que poderá aniquilar a humanidade. Porém, ele é desacreditado e a situação perde o controle quando o esqueleto se recobre novamente de carne após contato com a água, fugindo após um acidente e espalhando o horror. 


Em “A Essência da Maldade” encontramos os elementos do horror gótico típico do cinema inglês, similar às produções da “Hammer” ou “Amicus”. Porém, aqui dessa vez a produção é da “Tigon Pictures” em parceria com a “World Film Services”. Peter Cushing interpreta novamente um cientista abnegado que trabalha incansavelmente à procura de descobertas científicas que possam ajudar a humanidade, e que se transforma em vítima pela ousadia em invadir os domínios da ciência desconhecida. E Christopher Lee é o vilão inescrupuloso despreocupado com o ser humano e interessado apenas em projeção pessoal, não se importando em cometer crimes para a obtenção de seus objetivos. O monstro, um esqueleto que volta a ter carne após contato com água, é tosco ao extremo e diverte justamente por essas características. Recomendável para fãs de Cushing & Lee e apreciadores em geral de bagaceiras antigas, especialmente o horror gótico inglês.


(RR – 31/12/14)





A Última Criança (The Last Child, EUA, 1971)


“A hora: em algum momento no futuro. A Sra. Miller vai ter um filho. Mas a lei diz que ela não pode. A lei diz que o mundo está superpovoado. Corra, Sra. Miller! Corra!”

 

A Última Criança” (The Last Child, 1971) é um filme de Ficção Científica distópica produzido diretamente para a televisão, com metragem mais curta (73 minutos) para ser adaptado com os comerciais e totalizar o tempo padrão de uma hora e meia. Foi exibido como o sétimo filme da terceira temporada do programa americano “ABC Movie of the Week”, uma série semanal do início dos anos 1970 que foi ao ar na rede de TV “ABC”, com filmes de temáticas variadas, muitos deles com elementos de FC, suspense, mistério e horror sutil. Alguns exemplos: “A Fazenda Crowhaven” (1970, “Escravos da Noite” (1970), “Encurralado” (1971), “A Força do Mal” (1972), “Pânico e Morte na Cidade” (1972), “A Noite do Lobo” (1972), “Os Demônios dos Seis Séculos” (1972), “Satan´s School for Girls” (1973), “All the Kind Strangers” (1974), “O Triângulo do Diabo” (1975), entre outros.

Foi exibido nas nossas telinhas e está disponível no “Youtube” com a dublagem clássica com direito até para a frase nostálgica “versão brasileira Cine Castro Rio de Janeiro e São Paulo”. Bons tempos de filmes divertidos na televisão de tubo.

 

Com direção de John Llewellyn Moxey e produção executiva de Aaron Spelling (da série de TV “As Panteras”, 1976/1981), a história é ambientada nos Estados Unidos “num futuro não muito distante”, com a sociedade sofrendo as consequências de superpopulação e um governo autoritário que controla a natalidade com leis rígidas e perversas, onde os casais somente podem ter um único filho e os idosos acima de 65 anos de idade são abandonados para morrer sem assistência médica do poder público.

Nesse ambiente opressor, com excesso de gente se esbarrando para todos os lados, temos o casal formado por Allen Miller (Michael Cole) e a esposa Karen (Janet Margolin), que está grávida novamente depois de perder uma filha com poucos dias de nascimento. Porém, como a lei proíbe o segundo filho, eles são identificados e detidos pela polícia repressora para impedir o nascimento da criança.

O irmão da futura mãe, Howard Drumm (Harry Guardino), um funcionário do governo, tenta ajudá-la utilizando sua influência para tirá-la da prisão, mas ainda assim impedindo o nascimento da criança. Desesperados para proteger o filho, Allen e Karen fogem num trem, onde conhecem e são ajudados pelo senador aposentado Quincy George (Van Heflin), que não concorda com a tirania da lei de controle populacional e hospeda o casal em sua casa, para depois tentarem fugir para o Canadá, sendo perseguidos implacavelmente pelo agente especial Barstow (Edward Asner), obcecado em capturá-los e cumprir a lei.  

 

“A Última Criança” apresenta a história de um futuro distópico com tirania do governo controlador, e uma sociedade oprimida que enfrenta o desconforto com o excesso de pessoas, o controle de natalidade e o descaso com os veteranos.

Entre os destaques que valem registro, além de todo o contexto de crítica social contra a falta de liberdade, temos a presença de Van Heflin no elenco em seu último filme, um excelente ator veterano de clássicos como “Os Brutos Também Amam”, western de 1953, e que morreu logo após as filmagens aos 62 anos. E em especial, vale também citar uma tensa perseguição de carros numa estrada com destino ao Canadá.

Curiosamente, na distopia do filme o Estado controla os cidadãos através de um cartão de identificação com todas as informações das pessoas, o qual é inserido num computador imenso cheio de botões e luzes piscando. E diferente da visão do roteirista Peter S. Fischer (em seu primeiro trabalho), mais de meio século depois do ano de lançamento do filme, e provavelmente já atingindo a data imaginada na linha de tempo do “futuro próximo” da história, nossos computadores são bem menores e mais eficazes, incluindo os smartphones que conectam o mundo.

Também por curiosidade, vale citar alguns outros filmes que também abordaram o tema distópico de controle populacional: “É Proibido Procriar” (1972), “No Mundo de 2020” (1973), “Fuga do Século 23” (1976), “A Fortaleza” (1992) e “Onde Está Segunda?” (2017).

 

(RR – 11/02/25)






 

Quarta Dimensão (4D Man, EUA, 1959)

 


“Ele atravessa paredes de aço sólido e pedra... para a 4ª dimensão!”

 

Quarta Dimensão” (4D Man, EUA, 1959), também conhecido por aqui como “O Demônio Enfurecido”, é um filme de baixo orçamento de Ficção Científica com elementos de Horror, que felizmente para os apreciadores dessas preciosidades antigas está disponível no Youtube com a dublagem clássica de quando era exibido na TV, incluindo aquela nostálgica frase “versão brasileira AIC São Paulo”. E aqueles que tiveram a sorte de ver na televisão aberta nos anos 70 e 80 do século passado uma infinidade de filmes e séries do gênero fantástico, irão reconhecer as vozes que marcaram essa saudosa época.

 

Produzido por Steve H. Harris e dirigido por Irvin S. Yeaworth Jr., na história temos o jovem cientista Dr. Tony Nelson (James Congdon) realizando experiências exaustivas tentando atravessar objetos sólidos em outros, como um lápis numa chapa de aço, com sucessivos fracassos. Depois de um acidente em seu laboratório destruir o prédio num incêndio, ele procura seu irmão mais velho, o também cientista Dr. Scott Nelson (Robert Lansing), que está trabalhando num Centro de Pesquisas financiado pelo ganancioso Dr. Theodore W. Carson (Edgar Stehli). Liderando o projeto de desenvolvimento de um material especial resistente, apelidado de Carbonite, supostamente impenetrável e à prova de bombas e calor, uma alternativa para o tradicional aço com uso militar, no conturbado período de guerra fria entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética.

Sua equipe é formada pela namorada e secretária Linda Davis (Lee Meriwether, que foi uma cientista na série de TV “O Túnel do Tempo”) e pelo ambicioso assistente Roy Parker (Robert Strauss), especialista em eletrodinâmica e ansioso por liderar sua própria equipe e laboratório. Scott convida Tony para trabalhar na pesquisa de materiais, o que acabou formando um triângulo amoroso com Linda, com o irmão mais velho afastando-se dela e priorizando cada vez mais as experiências.

Depois de uma exposição exagerada num ambiente com radiação, o cientista desenvolveu um poder com ampliação dos impulsos elétricos do cérebro possibilitando transpassar objetos sólidos através de concentração mental, porém com o prejuízo de perder energia vital envelhecendo rapidamente.

Com a mente distorcida e enlouquecendo, tendo dificuldades para administrar sua nova condição de “cientista louco” e “homem transformado em monstro”, ele passou a cometer crimes como roubos de bancos e assassinatos, absorvendo a energia de vida das vítimas. Sendo agora um homem indestrutível da “quarta dimensão”, um “demônio enfurecido” que desperta a atenção da polícia com a investigação do Capitão Rogers (Elbert Smith), e restando para o irmão Tony e a ex-namorada Linda tentarem convencê-lo a parar com as mortes.

 

Lembrando temas similares de “O Raio Invisível” (The Invisible Ray, 1936) com Boris Karloff no papel de um “cientista louco” que adquiriu o poder de matar apenas com o toque, “Quarta Dimensão” tem como maior destaque os efeitos práticos toscos, além da história interessante com a exploração do poder desconhecido da radiação e a ideia de um cientista perder a sanidade se transformando num assassino com a capacidade de atravessar material sólido. Os efeitos de maquiagem das vítimas com a energia vital drenada do corpo e as cenas do cientista atravessando paredes são obviamente datados e simplórios para os tempos modernos com auxílio de computação gráfica, porém convincentes e principalmente muito divertidos considerando a época de produção e os recursos disponíveis.

Por outro lado (e apenas uma opinião), a trilha sonora com jazz o tempo todo não combinou com as ações da história, ficando deslocada e estranha dentro do contexto de um filme bagaceiro com elementos de FC e Horror antigos e entretenimento garantido.

Curiosamente, o produtor Jack H. Harris estabeleceu uma parceria com o diretor Irvin S. Yeaworth Jr., e juntos fizeram também o anterior “A Bolha” (The Blob, 1958), com Steve McQueen e o posterior “A Volta ao Mundo Pré-Histórico” (Dinosaurus!, 1960).

Outra curiosidade foi a opção dos realizadores por um desfecho inconclusivo e aberto (que pode ter desagradado alguns) com uma eventual possibilidade de retomada da história, que não aconteceu.

 

(RR – 10/02/25)






As Bodas de Satã (The Devil Rides Out, Inglaterra, 1968)

 


A produtora inglesa “Hammer” também contribuiu significativamente para o sub-gênero do cinema de horror que aborda o satanismo. No final dos anos 60 e início da década seguinte, tivemos um período com ótimos filmes com propostas similares, como “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, e “Balada Para Satã”, de Paul Wendkos. 


Em 1968 foi lançado “As Bodas de Satã” (The Devil Rides Out), com direção do especialista Terence Fisher, o mais importante cineasta do cultuado estúdio, e com o ícone Christopher Lee no elenco. O roteiro é do renomado escritor Richard Matheson, a partir de um livro de Dennis Wheatley, cujas histórias serviram de inspiração para “O Continente Esquecido” (1968) e “Uma Filha Para o Diabo” (1976), ambos também da “Hammer”. 


Ambientado em 1929, os amigos Duque Nicholas de Richleau (Christopher Lee) e Rex Van Ryn (Leon Greene) prometeram ao pai falecido do jovem Simon Aron (Patrick Mower), que cuidariam dele. E pensando nisso, e após sem vê-lo por alguns meses, eles decidem visitá-lo em sua casa, surpreendendo-o no meio de uma estranha reunião de uma suposta sociedade astronômica. Como profundo conhecedor de doutrinas e ciências ocultas, o duque desconfia dos misteriosos diagramas desenhados no chão de um grande salão no andar de cima da casa e após encontrar galinhas escondidas numa cesta como se estivessem prontas para o abate num ritual de sacrifício, ele acredita que Simon faz parte de uma seita demoníaca. Ele tenta retirar o jovem e outra garota, Tanith Carlisle (Nike Arrighi), da influência maligna dos seguidores do culto, uma vez que eles estavam sendo preparados para um batismo num sabbath, onde passariam a servir o diabo. Então, Nicholas e o amigo Rex, apaixonado por Tanith, juntam esforços com a sobrinha do duque Marie Eaton (Sarah Lawson) e seu marido Richard (Paul Eddington), e todos tentam salvar os jovens das forças do mal e das garras do líder satânico Mocata (Charles Gray), mestre em nível superior do culto demoníaco. 


Na magia não existe o bem e o mal. É somente uma ciência. A ciência de fazer com que ocorram mudanças por meio da vontade própria. A reputação sinistra que a acompanha não tem fundamento. É baseada em superstições, não em observações objetivas”. Essas são as palavras de Mocata, e segundo ele, não há motivos para se temer a magia. Porém, não é o que se vê no filme, principalmente em cenas onde dezenas de seguidores do culto se banham freneticamente com o sangue fresco de um bode abatido em sacrifício, ou quando surge a presença física do demônio Baphomet numa missa negra, uma aparição extremamente sinistra, de uma criatura meio homem e meio bode. 


É curioso notar que o ator Christopher Lee, segundo o site “IMDB” (Internet Movie Database), afirmou que “As Bodas de Satã” é seu filme preferido da “Hammer”, e ele esteve em muitas produções do estúdio, interpretando personagens de todos os tipos, principalmente o vampiro Conde Drácula. E que ele insistiu bastante com os produtores para filmarem uma história de Dennis Wheatley. Porém, contrapondo um pouco o entusiasmo de Christopher Lee, o filme é bem exagerado na fantasia, com demônios surgindo envolvidos em névoas, através de rituais sombrios, e parece bem estranho ver o cultuado ator recitando energicamente palavras mágicas de uma oração para combater o poder das trevas. O desfecho também é bastante previsível, onde podemos imaginar com razoável antecedência os rumos das ações, culminando com o manjado confronto final entre o bem e o mal e a óbvia punição para os derrotados. 


Entre os momentos de destaque certamente vale registrar uma cena tensa envolvendo uma aranha gigante, que ameaça o Duque e seus amigos quando estão no interior de um círculo desenhado no chão, participando de um ritual para combater o demônio e tentar libertar os jovens Simon e Tanith de sua influência maligna. O enorme aracnídeo peludo utilizado na cena é real, filmado numa perspectiva que o faz parecer bem maior e imponente, realmente passando uma sensação imensa de desconforto, mesmo para quem não sofre de aracnofobia. 


Lançado em DVD no Brasil pela “Cult Classic”, os letreiros de abertura do filme são ilustrados por diversos símbolos e imagens de magia negra, causando um efeito interessante e perturbador logo no início. 


(RR – 24/11/15)