Zombi 3 (Zombie Flesh Eaters 2, Itália, 1988)




Também conhecido como “Zombie Flesh Eaters 2”, “Zombi 3” é uma bagaceira italiana no sub-gênero “mortos-vivos” dirigida por Lucio Fulci e Bruno Mattei (não creditado). Tudo é muito confuso e longe de qualquer coerência, desde o roteiro de Claudio Fragasso, um clichê imenso dentro do universo ficcional largamente já explorado sobre as criaturas que retornam da morte, até a bagunça com o título do filme. “Zombi 3” é considerado uma sequência (mesmo sem relação direta entre as histórias) de “Zombie – A Volta dos Mortos” (Zombie Flesh Eaters, 1979, lançado em DVD no Brasil pela “Dark Side”), que por sua vez também era conhecido como “Zombi 2”, numa jogada de marketing picareta insinuando alguma relação (inexistente) com o americano “Despertar dos Mortos” (Dawn of the Dead, 1978, de George Romero). É tudo tão confuso que nem vale a pena gastar energia tentando encontrar alguma lógica nesses títulos.
Um cientista maluco está trabalhando num projeto militar de arma química e depois que um grupo terrorista rouba um poderoso vírus, ocorre uma contaminação numa ilha das Filipinas, com a população se transformando em zumbis carnívoros repletos de feridas pútridas e sangue gosmento escuro. Alguns soldados unem-se com um grupo de turistas e todos lutam por suas vidas refugiando-se num hotel abandonado, combatendo um ataque de zumbis.     
                O filme é ruim, com elenco amador e efeitos toscos, sendo infinitamente inferior ao anterior de 1979, bem mais violento e significativo dentro da história do subgênero do cinema de horror sobre zumbis comedores de carne humana. Sempre esperamos por uma boa diversão no cinema bagaceiro de horror, mas em “Zombi 3” a história é entediante e a enorme quantidade de absurdos, furos no roteiro e cenas risíveis de ataques dos zumbis contribuem para o desinteresse.
Não existe um padrão para os mortos-vivos, às vezes são lentos e pouco ameaçadores, e em outros momentos são ágeis, violentos e letais. Até tem algumas cenas sangrentas, mas que perdem em comparação com outros filmes de Lucio Fulci, um cineasta especialista no gênero e conhecido pelos excessos de violência.
Existem cenas envoltas em quantidade exagerada de névoa, algo compreensível uma vez que o objetivo é aumentar uma já desconfortável sensação de insegurança com os ataques dos zumbis, mas que desaparecem de forma abrupta, evidenciando falhas de continuidade significativas, e uma falta de atenção para detalhes que desrespeita o espectador.
Entre as curiosidades, tem uma cena patética envolvendo uma cabeça decepada zumbi, que escondida numa geladeira, surpreende uma vítima voando para rasgar sua garganta. Cena similar aparece também no posterior “Pelo Amor e Pela Morte” (Dellamorte Dellamore, 1993), outra bagaceira italiana, dirigida por Michele Soavi.
O cineasta Lucio Fulci (1927 / 1996) é bastante cultuado por seus filmes exagerados em violência e sangue, como “Pavor na Cidade dos Zumbis” (1980) e “Terror nas Trevas” (1981). Ele revelou que não gostou do roteiro de “Zombi 3” e filmou cerca de 70 minutos, obrigando os produtores a chamar outro diretor para a conclusão. O escolhido foi Bruno Mattei (1931 / 2007), também conhecido pelo currículo repleto de tranqueiras utilizando pseudônimos, muitas delas no gênero Horror e várias igualmente pouco divertidas.

“Os mortos se levantam, matam seus amigos e comem seus corpos.”

(Juvenatrix – 03/06/19)

A Noite do Demônio (Night of the Demon, Inglaterra, 1957, PB)


Que terrível destino acontecerá àqueles que desafiam a “Noite do Demônio”?

Lançado em DVD no Brasil pela “Versátil”, na coleção “Obras Primas do Terror – Volume 1”, “A Noite do Demônio” (Night of the Demon / Curse of the Demon, 1957) é uma produção inglesa de horror psicológico, com fotografia em preto e branco e direção do francês Jacques Tourneur, famoso cineasta com preciosidades no currículo como “Sangue de Pantera” (1942), “A Morta-Viva” (1943),  “Farsa Trágica” (1963) e “Monstros da Cidade Submarina” (1965), esses dois últimos com Vincent Price.

“Está escrito desde o início do tempo, até mesmo nessas antigas pedras (referência ao monumento histórico Stonehenge, na Inglaterra), que criaturas malignas sobrenaturais existem em um mundo de trevas. E também se diz que o Homem que pode utilizar o poder mágico dos antigos símbolos rúnicos, pode invocar esses poderes das trevas e os demônios do inferno. Ao longo das eras, o Homem tem temido e venerado tais criaturas. A prática da bruxaria e dos cultos do mal resistiu e ainda continua em nossos dias.” 

Um psicólogo americano, John Holden (Dana Andrews, de “Uma Fenda no Mundo”, 1965), viaja até Londres, Inglaterra, para participar de uma convenção científica com o objetivo de investigar e denunciar como fraude as ações de um culto demoníaco liderado pelo ocultista Dr. Julian Karswell (Niall MacGinnis).
Holden recebe a ajuda da jovem Joanna Harrington (Peggy Cummins), uma professora de escola infantil que é sobrinha do Prof. Harrington (Maurice Denham), um cientista que investigava a seita satânica e que morreu de forma misteriosa num acidente de carro. Ela tenta convencer o cético psicólogo americano dos perigos reais do satanismo e das práticas de bruxaria, e que ele pode ser uma vítima de uma maldição demoníaca que ameaça sua vida, através de um pergaminho com inscrições rúnicas.
“A Noite do Demônio” é um filme de horror psicológico e magia negra, cuja ideia central é o questionamento da existência do Mal, representado por criaturas do inferno invocadas em cultos satânicos. Combatendo o ceticismo e em alguns momentos o sarcasmo de John Holden, um homem da ciência que defende que os demônios são apenas invenções de auto-sugestão ou histeria em massa. Mas, os conceitos de feitiçaria não são apenas originários de princípios simplórios como a lendária bruxa cavalgando sobre sua vassoura, ou o mau olhado que tortura os pensamentos de sua vítima, ou o alfinete espetado na imagem que enfraquece a mente e o corpo. Os demônios podem ser reais e o cético John Holden irá arriscar sua vida para conhecer a verdade sobre essas criaturas ancestrais que já faziam parte de diversas culturas antigas, como o “Baal” dos babilônios, “Seth” dos egípcios, “Asmodeu” dos persas, ou “Moloch” dos hebreus.
Entre as curiosidades, vale destacar que o filme é baseado no conto “Casting the Runes”, de Montagne R. James, publicado em 1911. E uma questão bastante comentada é sobre a exposição do demônio, que aparece pouco e mesmo visto apenas em alguns momentos rápidos, muitos fãs e profissionais que trabalham com o gênero parecem concordar que seria mais eficaz para a história se ele nem aparecesse. Tanto que o diretor Jacques Tourneur, que prefere o horror sugestivo, fez questão de evidenciar que não era sua intenção mostrar a criatura, deixando para a imaginação do espectador, e que a decisão da exposição do monstro do inferno foi dos produtores, com as cenas adicionadas na pós-produção, sem a participação do diretor. Eu, particularmente, como apreciador do cinema bagaceiro de horror, gostei da aparição do demônio em efeitos toscos e divertidos (a criatura infernal estampa o pôster e recebeu grande destaque, ajudando muito na divulgação e trabalho de marketing).  

“Como quem vai com medo e horror num caminho deserto. Pois sabe que algum demônio medonho o segue bem de perto.” – trecho do poema “A Balada do Velho Marinheiro”

(RR – 07/03/19)







O Chicote e o Corpo (The Whip and the Body, Itália / França, 1963)



Horror gótico italiano de primeira linha, dirigido pelo mestre Mario Bava e com o ícone Christopher Lee

Lançado em DVD no Brasil pela “Versátil”, na coleção “Obras Primas do Terror – Volume 1”, “O Chicote e o Corpo” (The Whip and the Body) é um filme de horror gótico dirigido pelo especialista italiano Mario Bava e com Christopher Lee como vilão.
Curto, com apenas 78 minutos de duração, a história é ambientada na Europa do século XIX, num castelo à beira do mar, de propriedade do Conde Vladimir Menliff (Gustavo De Nardo, creditado como Dean Ardow). Lá vivem também seu filho Cristiano (Tony Kendall), prestes a se casar com a noiva Nevenka (Daliah Lavi), além de Katia (Evelyn Stewart, creditada como Isli Oberon) e os empregados Giorgia (Harriet Medin, creditada como Harriet White) e Losat (Luciano Pigozzi, creditado como Alan Collins). O ambiente fica bastante tenso com a chegada de Kurt Menliff (Christopher Lee), outro filho do conde, que já teve um relacionamento conturbado com Nevenka e foi o responsável pelo suicídio de Tanya, a filha da empregada Giorgia, após outro romance mal resolvido.
Kurt é recebido com hostilidade pela família, com conflitos constantes e sentimentos de desconfiança e ódio. Depois que ele é assassinado misteriosamente, como num plano de vingança, as tensões no castelo se intensificam ainda mais e Nevenka passa a sofrer terrivelmente com alucinações e ataques do fantasma perturbado de Kurt, que retorna da tumba para assombrar o castelo.
O cineasta Mario Bava (1914 / 1980), de clássicos como “A Maldição do Demônio” (1960), “As Três Máscaras do Terror” (1963) e “O Planeta dos Vampiros” (1965), entre outros, é considerado um mestre italiano do Horror gótico. Em “O Chicote e o Corpo” temos a tradicional ambientação sombria de um castelo imponente no alto de uma montanha beirando o mar. Com o barulho constante de fortes ventanias e ondas se chocando contra as rochas, contribuindo ainda mais para uma atmosfera sinistra que perdura o tempo todo pelos aposentos e becos escuros do castelo, com suas passagens secretas e armaduras medievais decorativas. Vozes, sombras, o horror à espreita, mortes, perseguições, loucura, todos esses elementos juntos para fazer do castelo um palco de pesadelos num horror gótico de gelar a alma dos vivos.
Christopher Lee (1922 / 2015), com seu currículo de quase 300 filmes, está imponente como sempre, no papel de um vilão que chicoteia uma mulher e assombra o castelo da família em busca de vingança contra seus detratores.

“Eu te assusto? Você gostava de mim antes. Você sempre gostou de violência. Você não mudou nada. Você não mudou e nunca mudará.” – Kurt para Nevenka    

(RR – 25/11/18)

O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, Inglaterra, Hammer, 1958)



Clássico absoluto da Hammer, um dos mais importantes filmes do sub-gênero vampirismo, da história do Conde Drácula e da carreira de Christopher Lee

No final da década de 50 do século passado, o cinema de Horror enfrentava uma crise com perdas de audiência para a televisão. Nessa época, a produtora inglesa “Hammer”, sob a liderança dos executivos Michael Carreras e Anthony Hinds, decidiu revitalizar o gênero trazendo novamente às telas do cinema os famosos monstros consagrados pelo estúdio americano “Universal” com seus filmes em fotografia em preto e branco. Dessa forma, os famosos ícones populares do Horror voltaram, e novos filmes foram produzidos com “Drácula”, “Criatura de Frankenstein”, “Múmia”, “Fantasma da Ópera”, “Lobisomem”, e outros. Porém, dessa vez com fotografia em cores e destacando o vermelho do sangue, surgindo clássicos absolutos do Horror gótico como “A Maldição de Frankenstein” (1957) e “O Vampiro da Noite” (1958), lançando atores que se transformaram em lendas do gênero como Christopher Lee e Peter Cushing. Além de diretores que se tornaram nomes conhecidos como Terence Fisher, o principal cineasta do estúdio, e roteiristas como Jimmy Sangster.
A história é baseada no famoso livro de Bram Stoker, mas nesse caso com alguma liberdade de criação artística e alterações que não prejudicaram. Jonathan Harker (John Van Eyssen) vai trabalhar como bibliotecário no castelo do Conde Drácula (Christopher Lee), numa cidadezinha alemã, para supostamente catalogar os livros de seu acervo. Ele tem um encontro tenso tanto com seu anfitrião quanto com uma vampira escravizada (Valerie Gaunt). Drácula conhece a noiva de Harker através de uma foto, Lucy Holmwood (Carol Marsh), e fica obcecado por ela, decidindo viajar para a Inglaterra a sua procura. Lá, conhece também seu irmão Arthur (Michael Gough) e a esposa Mina (Melissa Stribling), que se transforma em mais uma de suas vítimas vampirizadas. Para combatê-lo, surge o Prof. Van Helsing (Peter Cushing), estudioso de vampirismo e que tenta salvar Lucy das garras do “vampiro da noite”.    
Como infelizmente uma infinidade de filmes com vampiros contribuíram para desqualificar a mitologia tradicional dessas criaturas da noite, é extremamente louvável que a “Hammer” e seu clássico “O Vampiro da Noite” tenha respeitado alguns dos elementos típicos do vampirismo, como aversão ao sol, ao cheiro do alho, ao crucifixo como símbolo religioso do bem contra o mal, e a evidência da tão temida estaca de madeira cravada no coração como ato de destruição de um vampiro.
Ao contrário do igualmente clássico de Tod Browning lançado em 1931, com fotografia em preto e branco e Bela Lugosi interpretando magistralmente Drácula, e que tinha interpretações teatrais do elenco e uma narrativa mais pausada, o filme de 1958 da “Hammer” tem mais ação e cenas com violência e sangue. Como quando Drácula agride uma vampira escravizada em seu castelo, jogando-a brutalmente no chão, além dos vários momentos onde o sangue escorre das vítimas do conde vampiro.
Christopher Lee (1922 / 2015) aparece e fala pouco, mas todas as suas cenas são sinistras e marcantes. Com sua atuação como Drácula nesse e em vários outros filmes, tanto da “Hammer” como de outras produtoras, ele registrou para sempre seu nome na história do cinema de Horror e vampirismo. Seu parceiro de muitos filmes, Peter Cushing (1913 / 1994), também se tornou outro ícone do Horror e é muito lembrado pelas diversas performances como Van Helsing, o eterno inimigo de Drácula. O confronto final entre eles em “O Vampiro da Noite” é antológico.
Aliás, esse filme inaugurou uma série da “Hammer” com Drácula e foi seguido por “As Noivas do Vampiro” (The Brides of Dracula, 1960, esse sem Christopher Lee e com David Peel interpretando um descendente de Drácula), “Drácula, o Príncipe das Trevas” (Dracula, Prince of Darkness, 1965), “Drácula, O Perfil do Diabo” (Dracula Has Risen From the Grave, 1968), “O Sangue de Drácula” (Taste the Blood of Dracula, 1970), “O Conde Drácula” (Scars of Dracula, 1970), “Drácula no Mundo da Mini Saia” (Dracula AD 1972), “Os Ritos Satânicos de Drácula” (The Satanic Rites of Dracula, 1973), e “A Lenda dos Sete Vampiros” (The Legend of the 7 Golden Vampires, 1974, esse também sem Christopher Lee, e com John Forbes-Robertson em seu lugar).    

(RR -  19/11/2018)











Comentários de Cinema - Parte 40





Invasion of the Saucer Men (1957)

FC bagaceira divertida dos anos 50 com discos voadores e pequenos alienígenas cabeçudos com olhos esbugalhados

Para os apreciadores dos antigos filmes bagaceiros de ficção científica e horror da década de 1950 (principalmente), um filme que sempre é lembrado por suas características que moldaram o sub-gênero de invasão alienígena é “Invasion of the Saucer Men”. Tem o tradicional disco voador pousando numa floresta perto de uma pequena cidade americana, os alienígenas pequenos com cabeças enormes e olhos esbugalhados, ameaçadores e hostis para a humanidade, e as ações (nesse caso incompetentes) da polícia local e principalmente do exército em ocultar as evidências para não criar pânico.
O filme foi distribuído em 1957 pela cultuada “American International”, da dupla de especialistas James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff. Com fotografia em preto e branco, a direção é de Edward L. Cahn, que também foi o responsável por diversas outras tosquices divertidas do período como “O Cadáver Atômico” (55), “O Fantasma de Mora Tau” (57) e “Invasores Invisíveis” (59). Curto com apenas 69 minutos, seu roteiro tem muitos elementos de humor interagindo com os momentos de horror e sua ideia básica de FC fuleira, baseado na história “The Cosmic Frame”, de Paul W. Fairman. 
Um jovem casal de namorados, Johnny Carter (Steven Terrell) e Joan Hayden (Gloria Castillo), vão de carro para um local conhecido como parada tradicional para namorar e beber cerveja, localizado dentro da propriedade do fazendeiro Larkin (Raymond Hatton), que não gosta da invasão dos intrusos e dos restos de cerveja jogados no campo e que são consumidos depois por seu touro de estimação. Quando os jovens decidem retornar para a cidade, atropelam acidentalmente um pequeno alienígena que acabara de chegar com sua nave espacial em forma de disco voador.
A partir daí, inicia-se uma série de confusões depois que dois sócios oportunistas e interessados em ganhar dinheiro de qualquer forma, Joe Gruen (Frank Gorshin) e Artie Burns (Lyn Osborn), se envolvem com a descoberta da nave e seus ocupantes cabeçudos, que emitem ruídos estranhos e possuem garras nas mãos que injetam álcool nas suas vítimas. Para aumentar o tumulto, ainda tem o exército atrapalhado, que tenta esconder a nave e ocultar a invasão, em ações lideradas pelo Coronel Ambrose (Sam Buffington) e o Tenente Wilkins (Douglas Henderson).
“Invasion of the Saucer Men” é o exemplo típico do cinema bagaceiro de ficção científica que diverte com suas inúmeras bobagens, em histórias ingênuas e exageradas na fantasia, representando o período conturbado da década de 1950, com a paranoia de invasão alienígena depois do famoso incidente ufológico em 1947 na cidade americana Roswell.
O disco voador é uma maquete tosca (numa época sem computação gráfica), os alienígenas invasores são interpretados por atores anões vestindo roupas e máscaras de borracha, com imensas cabeças e olhos esbugalhados, encarnando o típico estereótipo criado pelo cinema para esses seres hostis vindos de outros mundos. A história é simples e sem profundidade, não há explicações sobre o disco voador e os extraterrestres, eles apenas vieram e são ameaçadores. Tudo é tratado de forma superficial e conveniente para os baixos custos da produção, com diálogos rasos e situações previsíveis. Mas, o resultado final é pura diversão para quem aprecia o cinema fantástico bagaceiro.    
Curiosamente, tanto a nave espacial quanto a maquiagem dos alienígenas foram confeccionados pelo técnico em efeitos especiais Paul Blaisdell (1927 / 1983), que trabalhou para vários outros filmes similares na época, marcando seu nome no gênero. E foi lançada uma refilmagem em 1965 com o título “The Eye Creatures”, dirigido por Larry Buchanan.
(RR – 29/04/18)





The War in Space (Japão, 1977)

Ficção Científica bagaceira japonesa da Toho e clone pobre de Star Wars

“The War in Space” é o título americano dessa bagaceira de FC japonesa produzida pela “Toho” em 1977, aproveitando o lançamento de “Star Wars” para tentar lucrar com as histórias de guerras no espaço. O filme também é conhecido como “Battle in Outer Space 2”, numa referência como algum tipo de sequência para “Os Bárbaros Invadem a Terra” (The Mysterians, 1957) e “Mundos em Guerra” (Battle in Outer Space, 1959), ambos dirigidos por Ishirô Honda.
A história é ambientada em 1988, um futuro para a época da produção e um passado já distante para os tempos atuais, 30 anos depois. A Terra está sendo atacada por alienígenas de um planeta muito distante que está em processo de extinção, e que procuram outro lugar para viverem, um dos clichês mais saturados desse sub-gênero da FC. Eles estabelecem uma base em Vênus e promovem um ataque destrutivo nas principais cidades do nosso mundo. Para combatê-los, um renomado cientista japonês, Professor Takigawa (Ryô Ikebe, que esteve também no anterior “Mundos em Guerra”), projetou a nave de guerra “Gothen”, que é utilizada como representante da humanidade e da “Federação Espacial das Nações Unidas” para deter a invasão alienígena.
A “Gothen” tem uma broca perfuradora gigante localizada na parte frontal e com suas armas de raios laser e um sistema de lançamento de aviões similar ao disparo de projéteis de um revólver, vai até Vênus para destruir a base inimiga. A bela filha do cientista, June (Yûko Asano), é sequestrada pelo líder dos vilões e seu antigo namorado, Miyoshi (Kensaku Morita), tenta resgatá-la, respondendo um pedido do atual noivo da moça, o piloto Morrei (Masaya Oki), formando um tradicional e clichê triângulo amoroso. Trava-se então uma guerra no espaço longínquo, no distante planeta Vênus, entre os humanos e os alienígenas invasores, com sua imensa nave na forma de um galeão típico de navegação em nossos oceanos, com suas esferas voadoras que soltam raios laser.
“The War in Space” ou “Wakusei Daisenso” (no original japonês) é um filme bagaceiro de ficção científica dirigido por Jun Fukuda, com uma história típica das exageradas batalhas espaciais entre os humanos e invasores alienígenas, pela defesa de nosso planeta tão cobiçado. A única característica realmente interessante, para os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro, são as esperadas maquetes e miniaturas de naves e aviões de guerra, os cenários coloridos tanto das bases terrestre como a alienígena, os computadores gigantes imaginados pelas mentes dos roteiristas da época, e o vilão estranho, aqui representado pelo líder tirano Comandante Supremo do Império da Galáxia, de pele verde e usando um capacete e vestuário hilários. As naves são barulhentas e a “Gohten” até solta fumaça, “poluindo” o espaço.
Porém, de resto, o filme é muito ruim. A interpretação dos atores é sofrível, sendo impossível estabelecer alguma empatia com os personagens e seus destinos. O inexpressivo ator David Perin, que faz o papel do piloto Jimmy, tem uma cena patética onde tenta esboçar alguma emoção ao saber da morte da família num ataque alienígena. Mas, ele falha de forma desastrosa na tentativa. O roteiro é extremamente superficial, explorando os mesmos elementos de dezenas de filmes similares sobre invasão alienígena pela posse da Terra.
Curiosamente, em outra cena patética, temos um clone pobre do “Chewbacca”,o “Wookiee” que se tornou um ícone popular pela cultuada saga “Star Wars”. Só que a cópia japonesa tem chifres bizarros e é um simples guarda que aterroriza a mocinha presa pelo vilão. Porém, ao contrário do famoso guerreiro original, esse é tão incompetente que dá pena.
(RR – 26/07/18)




Drácula (1931)


Um dos mais importantes filmes do famoso conde vampiro, definitivo para registrar Bela Lugosi na história do gênero

Em 1897, o escritor irlandês Bram Stoker presenteou o mundo com seu livro de horror gótico “Drácula”, que conta a história do famoso conde vampiro que deixa seu castelo na Transilvânia (Romênia) e vai para a Inglaterra, onde compra alguns imóveis e se alimenta do sangue de suas vítimas.
Em 1931, os fãs do cinema de horror e vampirismo são novamente presenteados com o clássico “Drácula”, produção com fotografia em preto e branco, direção de Tod Browning, o mesmo de “Monstros” (Freaks, 1932), e com o ator húngaro Bela Lugosi encarnando magistralmente o conde vampiro.
O advogado Reinfield (Dwight Frye) está a caminho da Transilvânia com o objetivo de entregar para o Conde Drácula em seu castelo no alto de uma montanha, alguns documentos referentes à locação de uma velha abadia em Londres. Quando chega ao vilarejo próximo do castelo, ele é alertado pelos aldeões supersticiosos que é “Noite de Walpurgis”, e que os vampiros saem de seis caixões para se transformar em lobos e morcegos, vagando à noite em busca de sangue dos vivos.
Desconsiderando os avisos, ele é levado até o castelo numa carruagem conduzida por um cocheiro sinistro. Ao entrar na imponente construção de pedra, se depara com aposentos enormes repletos de poeira e teias de aranhas, numa atmosfera sinistra de gelar a alma. Depois, é recepcionado pelo misterioso anfitrião Conde Drácula e acertam os detalhes burocráticos do aluguel da abadia inglesa.
Depois de transformar Reinfield em seu servo através de controle hipnótico, tornando-o um louco comedor de moscas e aranhas, eles vão para Londres num navio que chega ao destino com seus tripulantes misteriosamente mortos. Ao se apossar da abadia de Carfax, que fica ao lado de um sanatório dirigido pelo Dr. Seward (Herbert Bunston), o conde vampiro instaura o horror alimentando-se do sangue de suas vítimas. Ele também conhece os novos vizinhos, as belas jovens Lucy (Frances Dade) e Mina (Helen Chandler), além de John Harker (David Manners) e o temível Prof. Van Helsing (Edward Van Sloan), que se tornaria seu inimigo mortal.
A versão americana de 1931 para “Drácula” é curta, com apenas 75 minutos de duração. Tem produção com orçamento reduzido e as características daqueles primeiros filmes sonoros que foram concebidos naquela distante época, com interpretações exageradamente teatrais do elenco, num ritmo narrativo lento e com efeitos toscos na criação dos morcegos. Porém, a história cativante do conde vampiro assustou de forma decisiva as plateias do período e marcou para sempre o cinema de horror gótico, popularizando o mito do vampirismo em uma infinidade de filmes posteriores.
O roteiro apresentou com respeito algumas das características tradicionais dos vampiros e que se tornariam eternizadas no imaginário popular, como o fato deles não terem reflexo em espelhos, não tolerarem símbolos religiosos como crucifixos, não gostarem de sol, não suportarem uma erva conhecida como acônito, dormirem em caixões com terra de seu local de origem, e serem criaturas imortais, porém que poderiam ser destruídos com uma estaca de madeira cravada no coração.
O filme é altamente recomendado para os apreciadores do vampirismo e do cinema gótico de horror, seja pela atmosfera sombria do castelo na Transilvânia ou da abadia abandonada em Londres, e pela interpretação convincente de Bela Lugosi, tornando o Conde Drácula um vilão ameaçador, povoando os pesadelos dos espectadores da época e registrando para sempre seu nome na galeria de astros do Horror. Ele é reconhecido como o principal Drácula do cinema, ao lado do ícone Christopher Lee, que fez o vampiro em vários filmes da cultuada produtora inglesa “Hammer”.
 
“Tem coisas bem piores à espera do Homem que a morte” – Conde Drácula
  
(RR – 14/10/18)


Comentários de Cinema - Parte 39


 


Filmes abordados:

A Criatura do Cemitério (Graveyard Shift, EUA / Japão, 1990)
Dia das Mães Macabro (Mother´s Day, EUA, 1980)


* A Criatura do Cemitério (1990)

Típico filme bagaceiro divertido, com monstro gosmento e o diferencial de ser baseado em conto de Stephen King

O escritor Stephen King é recordista em histórias adaptadas para o cinema, num trabalho difícil de catalogação pela grande e variada quantidade. Infelizmente, muitas delas tiveram resultados ruins, mas por outro lado, também tivemos filmes bem divertidos como é o caso de “A Criatura do Cemitério” (Graveyard Shift, 1990), baseado em conto que foi publicado na antologia “Sombras da Noite”.
Com direção de Ralph S. Singleton (em seu único trabalho no cinema, sendo mais conhecido como produtor), a história se passa numa pequena cidade americana que tem uma importante atividade comercial com a produção de tecidos num moinho, supervisionada pelo arrogante Sr. Warwick (Stephen Macht), que contrata o recém-chegado John Hall (David Andrews), um pacato viúvo à procura de trabalho.
O que ele não sabe é que o moinho é uma fábrica velha infestada de ratos, vizinha de um cemitério macabro, e que esconde um porão cheio de ambientes abandonados. E as coisas se complicam quando ele e outros funcionários como seu par romântico, a mocinha Jane Wisconsky (Kelly Wolf), e os colegas Danson (Andrew Divoff), Brogan (Vic Polizos), Carmichael (Jimmy Woodard) e Ippeston (Robert Alan Beuth), são convidados para fazer um trabalho especial de limpeza no porão para ativar uma nova produção, e precisam enfrentar além dos ratos famintos, uma imensa criatura assassina que quer provar o sabor de suas carnes e sangue.
“A Criatura do Cemitério” é o exemplo típico de um filme bagaceiro divertido, com produção de baixo orçamento, e com um monstro mutante gosmento concebido pelos antigos efeitos especiais dos anos 80- 90 do século passado, sem a artificialidade da moderna computação gráfica. Em seu roteiro temos as esperadas mortes sangrentas, perseguições, claustrofobia, situações de tensão e confrontos, aliados com uma infestação de ratos, esqueletos e cadáveres de um cemitério. E, de brinde, a sua história básica é inspirada num conto do mestre Stephen King.
O cultuado ator Brad Dourif, conhecido pela voz do boneco assassino Chucky, além de diversos outros filmes de horror, faz o papel de Cleveland, um insano exterminador de ratos, obcecado com sua tarefa de eliminar os roedores. Sua atuação é ótima, sendo um dos destaques do elenco, juntamente com Stephen Macht, que faz o chefe Warwick, um sujeito desonesto e carrasco com os funcionários.
Os cenários são ótimos, mostrando de forma convincente uma fábrica têxtil suja, cheia de bagunça, equipamentos velhos e com dezenas de ratos se movimentando livremente pelos corredores, tubulações e orifícios, além de um porão úmido, depressivo, evidenciando abandono e sujeira, escondendo passagens ocultas para outros ambientes ainda mais obscuros.
Não faltam mortes violentas, brutais, dolorosas, com sangue, mutilações e vísceras espalhadas, em ataques ferozes de uma “criatura do cemitério” ávida em experimentar a carne humana dos invasores de seu território. Recomendado como um filme de horror simples e de diversão garantida.
(RR – 28/03/18)


* Dia das Mães Macabro (1980)

Bagaceira divertida dos anos 80 da cultuada produtora Troma, com torturas, perseguições na floresta, sangue e perversão

A produtora “Troma”, especializada em filmes bagaceiros de horror, lançou em 1980 a divertida tranqueira “Dia das Mães Macabro” (Mother´s Day), dirigida por Charles Kaufman, irmão do fundador da produtora, Lloyd Kaufman.
Três amigas da época da escola, unidas por uma irmandade, se encontram para um passeio de diversão descompromissada. Jackie (Deborah Luce), Abbey (Nancy Hendrickson) e Trina (Tiana Pierce) decidem ir para um local isolado numa floresta, aproveitando um final de semana para sair de suas rotinas diárias e se afastar dos problemas, relembrando os bons momentos do passado na escola. Porém, logo a diversão se transforma em tensão e medo depois que são surpreendidas por dois irmãos psicopatas, Ike (Frederick Coffin, creditado como Holden McGuire) e Addley (Michael McCleery, creditado como Billy Ray McQuade). Eles moram com sua mãe insana e autoritária, interpretada por Beatrice Pons (creditada como Rose Ross), numa cabana no meio do mato.
Os irmãos lunáticos sequestram as garotas e iniciam uma série de torturas físicas e psicológicas, carregadas de violência e perversidade, para satisfazer, além de seus próprios desejos pessoais, também a mãe maluca, que se diverte com o sofrimento das moças capturadas.
É verdade que os primeiros 30 minutos do filme são arrastados, perdendo muito tempo com futilidades envolvendo as três moças, mas depois que elas são capturadas pelos psicopatas assassinos, as ações ganham intensidade com as torturas e violência, espalhando sangue. Além também do plano de fuga e vingança das moças contra seus algozes, que apesar dos inevitáveis clichês, gerou um ritmo tenso com as perseguições e confrontos sangrentos.
Tanto os atores que interpretaram os irmãos sádicos, quanto principalmente a veterana Rose Ross (na verdade, Beatrice Pons), como a mãe perversa, tiveram ótimas atuações, convencendo com seus personagens insanos e ameaçadores, contribuindo significativamente para tornar “Dia das Mães Macabro” mais um exemplo de filme divertido de horror bagaceiro.   
Curiosamente, a primeira vez que vi o filme foi em 1985 através de uma fita “alternativa” de vídeo VHS, um nome diferente na época para “pirata”, e a experiência registrou algumas cenas definitivamente em minha memória, como a decapitação do início e as mãos severamente dilaceradas de uma das garotas, por causa do atrito de uma corda.
Em 2010 tivemos uma refilmagem com o título nacional “Dominados Pelo Ódio”, dirigido por Darren Lynn Bousman e com Rebecca De Mornay no papel da mãe perversa.
(RR – 05/04/18)

Comentários de Cinema - Parte 38


Filmes abordados:

Numa Noite Escura (One Dark Night, EUA, 1982)
Ogroff / Mad Mutilator (França, 1983)
The Black Cat (Il Gatto Nero / Demons 6: De Profundis, Itália, 1989)

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* Numa Noite Escura (1982)

Uma jovem estudante é obrigada a passar uma noite num mausoléu repleto de cadáveres que não querem ficar em seus caixões

“Numa Noite Escura” (One Dark Night, 1982) é mais um daqueles filmes divertidos e claramente datados, associado aos anos 80 do século passado, com direção do então estreante Thomas McLoughlin, que alguns anos depois faria “Sexta-Feira 13 – Parte 6 – Jason Vive” (1986).
A estudante Julie Wells (Meg Tilly) aceita se submeter a um processo de iniciação numa irmandade escolar liderada por Carol Mason (Robin Evans), além de Kitty (Leslie Speights), que tem a mania de ficar mastigando uma escova de dente, e Leslie Winslow (Elizabeth Daily). O desafio é dormir uma noite inteira dentro de um enorme mausoléu num cemitério, cercada de dezenas de caixões armazenados em suas respectivas gavetas mortuárias, guardando cadáveres.
Porém, para agravar a situação que já é bizarra e sinistra, chega ao mausoléu um morto diferente. Ele foi o cientista Dr. Karl Raymarseivich, um estudioso da bioenergia, a força eletromagnética de todas as coisas vivas, e que após muitas experiências descobriu possuir poderes telecinéticos para movimentar objetos e pessoas à distância. Ele tornou-se obcecado no assunto e com técnicas de vampirismo psíquico, adquiriu um poder maligno, drenando a energia vital das pessoas e colecionando vítimas.
Uma vez o cadáver do cientista encarcerado no mausoléu, seus poderes de telecinese vem à tona e ele revive os mortos, que saem de seus caixões e vagueiam pelos corredores do lugar, ameaçando a vida da jovem Julie, em seu desafio de passar uma noite, e também das amigas que pretendiam assustá-la com brincadeiras. Para tentar resgatá-la, seu namorado Steve (David Mason Daniels) vai ao mausoléu, assim como a filha do cientista, Olivia McKenna (Melissa Newman), que tem poderes de premonição e foi ao encontro de Julie, entrando em confronto com seu pai, distorcido pela maldade.
O filme tem uma história facilmente classificada como ingênua e clichê, com pouco sangue e violência na maior parte de sua duração, ao mostrar de forma meio arrastada o desafio pessoal da estudante Julie em provar sua coragem às amigas, dormindo uma noite trancada num mausoléu cheio de mortos. Também cansa um pouco acompanharmos a história do cientista que estuda ocultismo e desenvolve poderes de telecinese, apresentada por um escritor de artigos sobre ocultismo, Samuel Dockstader (Donald Hotton).
Mas, a compensação pela espera do horror veio no ato final, onde os cadáveres em putrefação saem de seus repousos nos caixões e povoam os corredores do mausoléu, espalhando o caos para os vivos que por infortúnio estavam em seu caminho. E com o uso dos divertidos efeitos especiais da época, com bonecos toscos simulando cadáveres podres gosmentos, cheios de melecas pingando e com vermes caminhando nos órgãos internos, num trabalho de maquiagem que não apelava para a ajuda de programas de computadores que tornam tudo exageradamente falso. Um tempo onde não existia a artificialidade do CGI, característica do cinema moderno. É verdade que os efeitos bagaceiros dos mortos nos remetiam àqueles bonecos macabros dos trens fantasmas de parques de diversões, mas é inegável que justamente isso é que proporciona o entretenimento.   
Entre as várias curiosidades, o eterno Batman da série pastelão de TV dos anos 1960, Adam West, faz parte do elenco interpretando Allan McKenna, o marido de Olivia, a filha vidente do cientista do mal. Martin Nosseck fez uma rápida participação como o zelador do cemitério em seu único trabalho no cinema, e faleceu dois dias após as filmagens. Inicialmente, o filme iria se chamar “Rest in Peace” (“Descanse em Paz”). Tem uma cena onde estudantes jogam um vídeo game da época, e que hoje, passados mais de 35 anos, parece extremamente bizarro pela simplicidade.
(RR – 26/02/18)

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* Ogroff / Mad Mutilator (1983)

Tranqueira francesa extremamente ruim, do mesmo realizador da bagaceira “Dinosaur From the Deep”

N. G. Mount (creditado como Norbert Georges Mount) é um francês que brincou algumas vezes de diretor, roteirista, produtor e ator de filmes bagaceiros de horror e ficção científica. Em 1993 ele lançou a porcaria colossal “Dinosaur From the Deep”, a qual já escrevi uma breve resenha alertando sobre sua ruindade extrema, apesar da curiosidade de ter no elenco o diretor cultuado Jean Rollin.
Porém, dez anos antes, ele havia lançado um filme mais bagaceiro ainda. Trata-se do bizarro “Ogroff”, que também recebeu o título inglês “Mad Mutilator”. Praticamente não tem roteiro, pois a história é uma bagunça sem qualquer coerência e nada funciona no filme. O elenco é péssimo, os efeitos são toscos, falsos e inconvincentes, a trilha sonora é irritante, não existe continuidade e a produção geral é extremamente amadora.
Trata-se de uma mistura de “slasher”, “zumbis” e “vampirismo”. Ogroff é um lenhador psicopata mascarado assassino que mora numa cabana isolada na floresta. Ele é interpretado pelo próprio N. G. Mount e utiliza um machado alternando com uma motosserra para chacinar suas vítimas. Os mortos também não querem permanecer enterrados e saem de suas covas rasas. E um vampiro interpretado pelo veterano Howard Vernon (de vários filmes de Jesus Franco) tem uma participação rápida.
É até difícil registrar a sinopse, pois como já mencionado, não tem história. O assassino que vive no meio do mato está sempre procurando aleatoriamente oportunidades para matar pessoas desavisadas que invadem seu território. Entre as vítimas, tem uma família que pára o carro numa estrada e um grupo de jovens que está se divertindo na floresta, jogando xadrez. Em paralelo, os mortos decidem sair de seus túmulos, entrando em confronto com o psicopata mascarado, e um vampiro resgata uma mocinha fugitiva das atrocidades, e decide experimentar seu sangue.
Tem até uma criança brutalmente esquartejada, além de braços e pernas decepados, mutilações, vísceras e sangue falso para todos os lados. Mas, tudo filmado de forma tão amadora que não funciona nem como filme bagaceiro. O diretor se inspirou claramente em “A Noite dos Mortos-Vivos”, “Sexta-Feira 13”, “O Massacre da Serra Elétrica” e outros similares, apenas validando sua condição de fã dessas obras importantes do cinema de horror. Mas, em relação ao seu filme, ele não conseguiu agregar nada ao gênero.
A trilha sonora é horrível e irritante, com sons da floresta, pássaros e água corrente, tudo tão exagerado que incomoda. Entre as inúmeras cenas patéticas, podemos citar algumas como o assassino se masturbando com um machado; o descarte de um carro jogado num rio (na verdade é um carrinho miniatura de brinquedo que afunda numa pia de água, numa cena hilária); uma luta pessimamente coreografada entre o assassino e seu machado, com outro homem e sua motosserra; a mocinha perseguida e lutando para não morrer de forma violenta, decidindo se relacionar sexualmente com o psicopata, dormindo com ele. Além dessas bizarrices, tem uma cena onde o assassino sai de dentro do porta-malas de um carro, de forma totalmente aleatória, e surpreende o motorista, que tem uma morte sangrenta.
Todos os personagens não têm nome, nem função no filme, eles surgem do nada apenas para morrer dolorosamente nas mãos do psicopata da floresta. Aliás, o assassino esquarteja suas vítimas para depois fornecer os restos dos cadáveres como alimento para zumbis que ele mantém no porão de sua cabana. Além disso, os mortos também saem de suas sepulturas aleatoriamente, apenas para caminhar errantes por uma estrada deserta no meio do bosque, e perseguir os vivos.
São 90 minutos de duração que parecem intermináveis, numa dificuldade enorme em agüentar assistir até o final. Ficaria bem melhor se fosse apenas um curta metragem de não mais de 15 minutos, compilando algumas cenas razoáveis de violência, mesmo que mal feitas, e com a inclusão de um roteiro.
“Ogroff” é um exemplo de filme bagaceiro que não diverte e apenas passa para o espectador a desconfortável sensação de perda de tempo depois de assistir. Não tem história e os efeitos são tão ruins que um grupo de estudantes adolescentes, igualmente sem dinheiro, consegue reproduzir provavelmente melhor. 
(RR – 17/03/18)

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* The Black Cat (1989)

Uma mistura de horror e fantasia de Luigi Cozzi, datada dos anos 80, mas que não empolga

O cineasta Luigi Cozzi é um nome lembrado no cinema fantástico italiano, por seus filmes bagaceiros como “Starcrash” (1978), “Alien – O Monstro Assassino” (1980) e “Paganini Horror” (1989), entre outros. Também em 1989 ele dirigiu e escreveu o roteiro (sob o pseudônimo Lewis Coates), da tranqueira “The Black Cat” (Il Gatto Nero), que recebeu o título picareta alternativo internacional “Demons 6: De Profundis”.
Na história, o diretor de cinema Marc Ravenna (Urbano Barberini) e seu sócio, o roteirista Dan Grudzinski (Maurizio Fardo, não creditado), envolvem-se num projeto para a realização de um grande filme de horror, inspirados pela lenda da bruxa Levana, a terceira de três deusas da dor, também conhecida como “mãe das lágrimas”, uma criatura maligna saída das profundezas (“De Profundis”). Marc é casado com a atriz Anne Ravenna (Florence Guérin) e Dan é o namorado da atriz Nora (a inglesa Caroline Munro, um rosto conhecido por vários filmes bagaceiros divertidos do gênero fantástico como “Drácula no Mundo da Minissaia”, 1972, “No Coração da Terra”, 1976, e “O Maníaco”, 1980).
Para conseguir financiamento para o projeto, eles recorrem ao famoso produtor Leonard Levin (Brett Halsey), um arrogante homem de negócios que decide fazer o filme com seu dinheiro. Porém, ninguém esperava que a bruxa Levana se materializasse e por não querer a produção do filme, passasse a aterrorizar Anne com pesadelos perturbadores, além de espalhar sangue e mortes aos envolvidos direta ou indiretamente na realização do filme, como a babá Sara (Luisa Maneri) ou a estudiosa de ocultismo Esther Semerani (Karina Huff).
“The Black Cat” ou “Il Gatto Nero” tem inspiração no conto “O Gato Preto”, de Edgar Allan Poe, e o roteiro de Luigi Cozzi mostra uma história exagerada na fantasia, com exercícios de metalinguagem (filme dentro de filme) e cujo resultado final não empolga muito. Tudo é muito datado dos anos 80, desde a trilha sonora aos efeitos bagaceiros de raios coloridos saindo dos olhos e mãos da bruxa. Tem até bons momentos de cenas “gore”, com tripas saindo de televisão, corpo explodindo, sangue e vômitos espalhados, além da interessante caracterização da bruxa, numa época sem CGI. Mas, o sangue derramado é insuficiente para garantir um interesse maior, já que a história é bem fraca. 
Curiosamente, o cineasta independente gaúcho Felipe M Guerra lançou um documentário em 2016 sobre a obra de Luigi Cozzi, que recebeu o título “FantastiCozzi”, trazendo depoimentos do diretor e trechos de seus filmes.
Outras curiosidades incluem citações em diálogos sobre o poeta dos malditos “Baudelaire” e do diretor Dario Argento e seu filme mais cultuado, “Suspiria” (1977), sobre a bruxa “Mãe dos Suspiros”.
Ainda tem a participação não creditada do cineasta Michele Soavi (de “O Pássaro Sangrento”, 1987, “A Catedral”, 1989, e “Pelo Amor e Pela Morte”, 1994), fazendo o papel de um diretor de cinema.
A atriz Giada Cozzi fez o papel da adolescente Sybil, uma espécie de fada mirim que orienta a perseguida atriz Anne a combater o mal da bruxa Levana. Ela é filha do diretor Luigi e participou de alguns filmes dele em 1989.
(RR – 23/03/18)

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