Comentários de Cinema - Parte 22

Filmes abordados:

Ataque da Mulher Aranha, O (Mesa of Lost Women, EUA, 1953, PB)
Ataque do Tubarão de 3 Cabeças, O (3 Headed Shark Attack, EUA, 2015)
Forca, A (The Gallows, EUA, 2015)
Guerras na Estrada (Road Wars, EUA, 2015)
Pânico em Seattle (Seattle Superstorm, EUA, 2012)
Pé Grande, O (Bigfoot, EUA, 2012)
Queda da Terra, A (Earth Fall, EUA, 2015)
Sobrenatural: A Origem (Insidious: Chapter 3, EUA / Canadá, 2015)
Vinte Milhões de Léguas a Marte (World Without End, EUA, 1956)



Ataque da Mulher Aranha, O (1953) – Mais uma história de “cientista louco” do cinema bagaceiro de horror e ficção científica dos anos 50 do século XX. Com fotografia em preto e branco e curto com apenas 70 minutos de duração, a direção é de Ron Ormond e Herbert Tevos, sendo que este último também é o responsável pelo roteiro. Um avião faz um pouso forçado num deserto no México, próximo à fronteira com os Estados Unidos, conhecido como “Deserto da Morte”. Os passageiros são o piloto Grant Phillips (Robert Knapp), o milionário Jan van Croft (Nico Lek), sua esposa Doreen Culbertson (Mary Hill), bem mais jovem e aparentemente interessada no dinheiro do marido rico e no amor do piloto jovem, além do serviçal Wu (Samuel Wu), do Dr. Leland J. Masterson (Harmon Stevens), paciente fugitivo de um manicômio, e de George (George Burrows), funcionário do hospício que está em seu encalço. Perdidos no deserto, eles são observados e atacados à noite por um grupo de misteriosas mulheres e anões, que fazem parte de experimentos de um “cientista louco”, Dr. Aranya (Jackie Coogan, o tio Fester da série de TV “A Família Addams”, 1964/1966). Ele está trabalhando num laboratório escondido no subterrâneo de uma montanha, realizando experiências com a mistura de hormônios de crescimento entre aranhas e mulheres humanas. Segundo ele, no mundo dos insetos o macho é débil e sem importância, e sua intenção é obter criaturas mistas de aranha e mulher, com a inteligência e beleza humanas, e os poderes e instintos dos aracnídeos, e que um dia poderiam controlar o mundo, dominados por sua vontade como mestre criador. Em “O Ataque da Mulher Aranha" (Mesa of Lost Women), temos um exemplo típico de um filme ruim, de baixíssimo orçamento, bagaceiro ao extremo em todos os aspectos, representando o cinema fantástico tranqueira daquele período da década de 1950 do século passado. De história absurda a elenco inexpressivo, passando por efeitos precários e risíveis de tão toscos. As aranhas aparecem pouco e é nítida a utilização de um bicho de pelúcia gigante arremessado em cima de um homem, simulando um ataque mortal. É para figurar na galeria das cenas mais patéticas da história do cinema bagaceiro. Além de toda a precariedade da produção, que inclui um laboratório científico com os tradicionais aparelhos estranhos e máquinas elétricas bizarras, e a simulação do pouso forçado no deserto com a miniatura de um avião, ainda temos uma trilha sonora irritante com acorde de viola e acompanhamento de piano, que atrapalha ainda mais a narrativa lenta e entediante. Somado com uma extensa narração do experiente ator Lyle Talbot, que só funciona bem no início do filme, servindo de interessante introdução para a história, mas que se perde e deixa de agregar posteriormente. É o tipo de filme que a duração curta é uma virtude bem vinda, pois o tédio do espectador termina mais rápido. Por outro lado, além da cena bizarra do ataque da aranha gigante, ainda vale registrar a presença da bela atriz Tandra Quinn no papel de Tarantella, uma dançarina que não diz uma única palavra e que fez parte das experiências do “cientista louco”, com a mistura de hormônios de aranha em seu corpo. Curiosamente, o “Mesa” do título original refere-se ao imenso platô do deserto altiplano mexicano onde o “cientista louco” se refugiou para colocar em prática seu plano maquiavélico com a criação das “mulheres perdidas” com hormônios de aranhas. (RR – 10/08/15)


* Ataque do Tubarão de 3 Cabeças, O (2015) – Mais um filme picareta da produtora “The Asylum”, conhecida pela incontável lista de tranqueiras com elementos de ficção científica, horror e catástrofes, com apresentação do canal de TV a cabo “SyFy”, que também gosta de apoiar essas bagaceiras. O tubarão provavelmente seja o animal mais utilizado pelo cinema fantástico na produção de filmes ruins. São tantas porcarias que torna extremamente árduo um trabalho de catalogação dos títulos. O renomado cineasta Steven Spielberg, criador do clássico “Tubarão” (Jaws, 1975) jamais imaginaria que seu filme seria o precursor de uma infindável lista de produções toscas envolvendo esse temível predador dos mares, tão maltratado pelos roteiristas. Com o sonoro título de “O Ataque do Tubarão de 3 Cabeças” (3 Headed Shark Attack, 2015), de Christopher Ray, o mesmo diretor de outras bagaceiras similares como “Megaconda” (2010) e “Mega Shark vs. Kolossus” (2015), já é possível imaginar a tranqueira absurda que será apresentada. E que curiosamente tem a participação rápida do cultuado ator veterano Danny Trejo (de “Machete”) e é uma sequência de “O Ataque do Tubarão Mutante” (2 Headed Shark Attack, 2012), do mesmo diretor e com um tubarão com duas cabeças. Na história, temos um grupo de cientistas e estudantes que estão numa estação de pesquisa de biologia marinha. O local é atacado e destruído por um imenso tubarão mutante de três cabeças, transformado pela ingestão de lixo e poluição nos mares causando graves anomalias nos peixes. Entre os sobreviventes do ataque estão os cientistas Maggie Peterson (Karrueche Tran), o Dr. Nelson (Jaason Simmons) e a Professora Laura Thomas (Jena Sims), entre outros, que tentam fugir num barco e são perseguidos pelo monstro marinho. Na fuga desesperada pela salvação, eles encontram pelo caminho outro barco maior cheio de passageiros se divertindo numa festa, com as pessoas servindo de cardápio para a bizarra criatura carnívora. Nesse momento junta-se ao grupo Stanley (Rob Van Dam), e eles conseguem contato por rádio com Mike Burns (Danny Trejo), que está numa lancha nas proximidades e tenta ajudar os jovens. Mas, a fúria do tubarão de três cabeças deixa um rastro por onde passa com manchas vermelhas na água do sangue de suas vítimas. O comentário mais adequado que posso registrar até já se transformou num clichê repetitivo quando o assunto são filmes com o selo da parceria entre o canal de TV “SyFy” e a produtora “The Asylum”. Ou seja, uma combinação entre história incrivelmente ruim e inverossímil, com atores amadores (exceto por Danny Trejo, que deve ter aceitado o papel apenas para ser divertir um pouco) e CGI vagabundo. “O Ataque do Tubarão de 3 Cabeças” tenta se sustentar apostando unicamente na presença do tal monstro aquático mutante comendo gente, em cenas artificiais que não convencem. A maior parte do elenco está no filme apenas para servir de alimento ao bicho. A pequena participação do personagem de Danny Trejo se resume quase na totalidade em tomadas onde ele está dirigindo sua lancha, proferindo palavras de espanto e surpresa ao se deparar com um tubarão imenso com três cabeças, culminando inevitavelmente no esperado confronto com o monstro. Ele tem dois ajudantes insignificantes que praticamente falaram uma única frase e cuja função é apenas alvejarem o tubarão com disparos de armas de fogo e depois preencher o estômago do animal com suas carnes. Aliás, o enorme peixe cabeçudo é um perigoso predador também fora da água, pois salta como um ágil golfinho para abocanhar suas vítimas. Por outro lado, parece existir uma intenção até honesta por parte dos realizadores desses filmes tranqueiras, ao oferecerem um produto despretensioso e assumidamente ruim. A ideia deles não é enganar o público, ficando claro que não há preocupação com um bom roteiro, elenco profissional e efeitos de qualidade. Vendo por este lado, é só desligar o cérebro, tentar entrar no clima da bizarrice do cinema fantástico bagaceiro do século 21, e se divertir um pouco. (RR – 05/08/15)


* Forca, A (2015) – Em 1999 o filme “A Bruxa de Blair” utilizou uma bem sucedida campanha de marketing pela internet para promover seu roteiro no estilo “found footage”, ou seja, com imagens gravadas em câmeras e encontradas posteriormente, cujas evidências registradas seriam tratadas como supostamente “reais” e poderiam esclarecer algum mistério envolvendo a história. Não foi o primeiro filme a usar esse recurso, pois em 1980 o italiano “Holocausto Canibal”, de Ruggero Deodato, já tinha causado polêmicas com uma história violenta de canibalismo com imagens encontradas em fitas revelando o destino trágico de uma equipe de filmagens que se aventurou pela floresta e encontrou índios comedores de carne humana. Mas, “A Bruxa de Blair” incentivou a produção de inúmeros filmes utilizando a mesma técnica, com imagens tremidas e correrias dos personagens segurando câmeras. Foram tantas histórias que depois de quinze anos esse sub-gênero do cinema fantástico tornou-se extremamente saturado. Porém, para os produtores da indústria do entretenimento, sempre existirão oportunidades de lucros, não se importando com a qualidade dos resultados. “A Forca” (The Gallows), dirigido e escrito por Travis Cluff e Chris Lofing, também utilizou uma campanha de marketing pela internet que obteve êxito, com as pessoas brincando com um jogo de evocar o espírito perturbado de Charlie, que morreu enforcado num acidente durante a encenação de uma peça escolar de teatro. Esse marketing viral tornou-se mais interessante que o próprio filme. A história de “A Forca” é bem simples e pouca atrativa. Um grupo de estudantes está ensaiando uma peça de teatro para homenagear o aniversário de 20 anos da apresentação original que ocorreu na escola no início dos anos 90 e que foi marcada por uma tragédia, quando num acidente fatal um jovem chamado Charlie morreu enforcado. Seu papel original era o de carrasco, mas ele teve que assumir na última hora o posto do galã depois que um dos atores não compareceu, e o roteiro da peça reservaria um destino trágico para esse personagem, fato que ocorreu na realidade. Muitos anos depois, os jovens Reese Mishler (Reese Houser), que tem um interesse romântico com Pfeifer Brown (Pfeifer Ross), e o casal de namorados Ryan Shoos (Ryan Shoos) e Cassidy Gifford (Cassidy Spilker), ficam presos na sala de teatro durante a noite, e são perseguidos e atacados misteriosamente por um fantasma vingativo. O filme é curto, com apenas 81 minutos, e a badalada campanha de marketing não se justifica de modo algum, pois não passa de mais uma história trivial que se junta às dezenas que são produzidas o tempo todo, fadada certamente ao limbo em pouco tempo, por não apresentar nenhuma atração que mereça algum destaque ou lembrança posterior, num imenso e cansativo clichê. Aliás, o filme deverá ser lembrado unicamente pela campanha de marketing, que também não é grande coisa, mas que conseguiu chamar a atenção. Em “A Forca” você encontrará sustos fáceis com a já manjada técnica dos “jump scares” e algumas poucas mortes violentas, mas sem sangue ou tensão, tudo muito previsível e óbvio. E num dos únicos momentos com um interesse maior, a cena é entregue totalmente na exibição dos trailers de divulgação, revelando o destino de um dos estudantes em pânico. (RR – 03/08/15)


* Guerras na Estrada (2015) – Exibido pelo canal de TV a cabo “SyFy” e produzido pela “The Asylum”, “Guerras na Estrada” é o mockbuster de “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015). A direção e roteiro são de Mark Atkins, que já fez várias tranqueiras para a mesma produtora como “A Batalha de Los Angeles” (2011), “Jack: O Matador de Gigantes” (2013) e “Android Cop” (2014), entre outros, com todos sendo cópias baratas de similares com distribuição nos cinemas. Num futuro pós-apocalíptico, grupos de sobreviventes vagam em carros estranhos pelos desertos de um planeta com escassez de água, e tomado por uma contaminação de um vírus que transforma as pessoas em vampiros sedentos por sangue. O líder de um dos grupos é Dalas (John Freeman), que tenta manter sua equipe reunida à procura de artefatos que possam auxiliar na construção de armas e munições, além de equipamentos médicos para tentar encontrar a cura para a epidemia. Nesse cenário de desolação, o desafio é sobreviver contra os ataques de infectados conhecidos como “corredores da noite”, e outros chamados de “andarilhos do dia”, que não são sensíveis à luz, além das gangues rivais. Entre os sobreviventes desse mundo caótico, temos o misterioso Thorne (Cole Parker), que foi encontrado sem memória vagando sem rumo pelo deserto, e a guerreira Nakada (Chloe Farnworth), que vive com o dilema entre matar seu namorado Kevin (Phillip Andre Botello) depois que foi mordido por um infectado, ou mantê-lo vivo até conseguir encontrar uma cura para a doença. Em “Guerras na Estrada” temos alguns elementos que nos remetem ao universo ficcional de “Mad Max”, com seu violento mundo pós-apocalíptico e o desafio de sobreviver em meio ao caos. Mas, como uma cópia reconhecida de baixo orçamento produzida pela “The Asylum”, que tenta aproveitar o movimento em torno de um filme popular com apelo comercial como “Mad Max: Estrada da Fúria”, comprovamos aquilo que já era esperado: um exmplo de cinema ruim ao extremo. Uma vez apresentado como um filme de ação com elementos de ficção científica e horror, o resultado final é lento, chato e com pouca ação, indo na contra mão do entretenimento mínimo esperado num filme desses. E ainda com uma mistura no roteiro, incluindo as manjadas temáticas de contaminação e vampirismo, num conjunto de clichês dispensáveis. É o cinema bagaceiro do século XXI. Porém, que mais aborrece do que diverte. (RR – 23/08/15)


* Pânico em Seattle (2012) – O canal de TV a cabo “SyFy” é conhecido pelas tranqueiras que exibe em sua programação, com especial atenção para o cinema fantástico e sobre desastres. Em parceria com a produtora “Marvista Entertainment”, foi lançado em 2012 a bagaceira “Pânico em Seattle” (Seattle Superstorm), dirigido por Jason Bourque, o mesmo cineasta de “Stonados” (2013), outra porcaria colossal no mesmo estilo. Com esse manjado e totalmente sem criatividade título nacional que começa com “Pânico” (a lista de filmes cujos nomes escolhidos no Brasil iniciam dessa forma é tão extensa que dificulta a catalogação), temos novamente aqui uma história banal com elementos de ação e ficção científica, com uma catástrofe ameaçando uma grande cidade americana. Um objeto voador não identificado surge nos céus em rota de colisão com Seattle, no Estado de Washington. Rapidamente um sistema de defesa entra em ação e o objeto é destruído por um míssil teleguiado disparado de um navio militar. Porém, fragmentos caíram na cidade causando estranhas reações com uma misteriosa fumaça preta, gerando uma combinação de tornados, terremotos e tempestades com relâmpagos que podem causar grande destruição na cidade. Para liderar os esforços de defesa temos o arrogante e desequilibrado Jacob Stinson (Martin Cummins), chefe em comando da “DMA” (Agência de Gerenciamento de Desastres), que precisa trabalhar em conjunto com a Tenente Comandante Emma Peterson (Ona Grauer), que tem contato direto com o Presidente. Ela é noiva do cientista da NASA Tom Reynolds (Esai Morales), que participa da equipe científica que está estudando o fenômeno, juntamente com a Dra. Carolyn Gates (Michelle Harrison). Os filhos dos casamentos anteriores deles são os adolescentes Wyatt Reynolds (Jared Abrahamson) e Chloe Peterson Mackenzie Porter), que sempre estão em constante conflito, dificultando a formação de uma nova família. Após o surgimento de um veterano bioquímico russo, Dimitri Kandinsky (Jay Brazeau), que trabalhava na antiga União Soviética no final dos anos 60 do século passado, são reveladas informações importantes relacionadas ao incidente climático e uma arma biológica de destruição em massa da guerra fria. Resta aos heróis de plantão, a família em conflito, se unir para descobrir um meio de combater o desastre e impedir a aniquilação de Seattle. Os filmes de catástrofes naturais apresentados pelo canal de TV “SyFy”, um sub-gênero do cinema bagaceiro do século XXI com seus roteiros ruins e CGI vagabundo, tem conseguido uma grande legião de fãs. Tanto que as produções similares não diminuem o ritmo e todos os anos são lançadas diversas tranqueiras sobre desastres ameaçando as cidades americanas. Mas, é fácil notar a precariedade do roteiro de “Pânico em Seattle”, assinado pela dupla David Ray e Jeff Renfroe, onde basicamente ocorre um desastre (nesse caso uma mistura de tornados, terremotos e tempestades) causado por algum motivo que será investigado por cientistas. Aí temos a apresentação das personagens principais, sendo aqui uma família que tenta se estabelecer, apesar das constantes brigas entre os adolescentes, além de comentários irritantes e deslocados em meio ao caos. Em paralelo, surge o elenco secundário que por vilania ou heroísmo, irá morrer. E, num completo exercício de inverossimilhança, não veremos as ações das autoridades, exército ou defesa nacional, e sim a evidência de lição de moral e virtudes do manjado lema da “união que faz a força”, e a superação da família de heróis americanos que dribla as adversidades e salva a cidade, encerrando a ameaça do desastre. Essas revelações nem podem ser consideradas “spoilers”, pois é o modelo básico das histórias de todos os filmes dentro desse sub-gênero patrocinado pela “SyFy” em parceria com produtoras e distribuidoras, com pequenas variações. Curiosamente, existem várias cenas onde aparece um dos principais pontos turísticos de Seattle, o “Obelisco Espacial” (Space Needle), uma torre extremamente alta com um restaurante giratório no topo, um monumento com arquitetura futurista construído em 1962. E, logicamente, os realizadores do filme fizeram questão de derrubar com um tornado e mostrar no cartaz. (RR – 17/08/15)


* Pé Grande, O (2012) – Apresentado pelo canal de TV a cabo “SyFy”, especializado em exibir filmes tranqueiras do gênero fantástico, e produzido pela “The Asylum”, companhia conhecida pelas bagaceiras inacreditáveis, “O Pé Grande” (Bigfoot, 2012) tem direção de Bruce Davison, que é mais conhecido como um veterano ator com mais de duzentos créditos em sua carreira. O elenco traz também uma pequena participação do cantor Alice Cooper, cultuado roqueiro com grande proximidade com o cinema de horror. Dois músicos de rock dos anos 70, Harley Anderson (Danny Bonaduce) e Simon Quint (Barry Williams), são agora rivais. Harley é locutor de uma rádio e quer a realização de um festival de música na pequena e gelada cidade de “Deadwood”, no Estado americano da Dakota do Sul, para atrair visitantes e promover a economia local. Já Simon, abandonou a música e virou defensor da natureza, sendo contrário à realização do evento pelo impacto ambiental na floresta em volta da cidade. O prefeito Tommy Gillis (Howard Hesseman) apoia o festival e entre as atrações está o cantor Alice Cooper. Porém, a destruição de parte da floresta com tratores para preparar o local do show e o som alto despertam a ira de uma imensa criatura lendária conhecida como “Pé Grande”, que decide abandonar seu esconderijo numa caverna e atacar as pessoas na cidade. Obrigando a dupla de xerifes formada pelo veterano Walt Henderson (o cineasta Bruce Davison) e pela não menos experiente Becky Alvarez (Sherilyn Fenn) a organizar uma estratégia de reação de defesa. A lendária criatura conhecida como “Pé Grande” ou “Sasquatch” ou “Yeti”, entre outros nomes, é um tema sempre muito recorrente no cinema, com uma infinidade de filmes abordando e especulando sua misteriosa existência. Nesse filme da “SyFy” e “The Asylum”, a dupla dinâmica do cinema fantástico bagaceiro do século 21, encontramos o que já se podia esperar antecipadamente, ou seja, uma tranqueira colossal, tão grande quanto o tamanho do imenso antropoide que sai da floresta para se vingar dos humanos que o incomodaram em seu refúgio. De um roteiro ruim e sem criatividade, passando por atores inexpressivos, erros de continuidade e CGI vagabundo e completamente não convincente, “O Pé Grande” pode até divertir justamente pela precariedade geral da produção. Tem até a presença rápida de Alice Cooper, nitidamente se divertindo com sua contribuição, tocando para um público formado por algumas poucas pessoas, uma vez que o orçamento não permitiria uma multidão como esperava os organizadores do festival de música. O monstro antropoide aparece em muitas cenas, com grande quantidade de mortes, sempre pisoteando, mastigando ou arremessando para longe suas vítimas, mas com ausência total de sangue ou tripas espalhadas, em efeitos fuleiros, sendo em alguns casos à distância, para esconder os defeitos e minimizar a artificialidade das cenas. Curiosamente, em certo momento o macaco gigante escala o famoso ponto turístico “Monte Rushmore”, localizado na região montanhosa de “Black Hills”, na Dakota do Sul. É uma montanha de granito com os rostos esculpidos de quatro significativos presidentes americanos, George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. O enorme primata escolheu esse local para um confronto com helicópteros do exército, causando uma inevitável destruição. (RR – 04/08/15)


* Queda da Terra, A (2015) – Dirigido por Steven Daniels e escrito por Colin Reese, em seus primeiros trabalhos, “A Queda da Terra” é mais um daqueles filmes sobre catástrofes naturais exibidos pelo canal de TV a cabo “SyFy”. Representando o moderno cinema fantástico bagaceiro do início do século XXI e produzido pela “Cinetel Films”, estúdio responsável por uma infinidade de outras tranqueiras similares, o filme traz os esperados elementos que devem relegar sua existência inevitavelmente ao limbo, ou seja, um elenco inexpressivo num roteiro óbvio, previsível e cheio de clichês, além de efeitos de CGI vagabundos. Um corpo celeste imenso em alta velocidade passa próximo da Terra criando um magnetismo intergaláctico que ocasiona a inclinação do eixo do planeta em noventa graus. Outro efeito desse evento foi que a Terra passou a ser atraída por ele, se afastando do Sol. E uma vez vagando sem rumo pelo espaço, nosso planeta ficou no caminho de uma chuva de meteoros, numa provável rota de colisão. Para completar o cenário apocalíptico, ainda temos a ocorrência devastadora de tempestades de fogo e gelo, arrasando as cidades e dizimando milhões de pessoas. Em meio ao caos, uma típica família americana tenta se reagrupar. Uma vez que o pai, o escritor Steven Lannon (Joe Lando), a mãe, uma cientista trabalhando para o governo, Nancy (Michelle Stafford), e a filha adolescente Rachel (Denyse Tontz), que estava num evento de música numa cidade do interior, estão todos separados quando se inicia a tragédia com a Terra saindo de seu eixo. Paralelamente, o governo dos Estados Unidos, o país que sempre salva o mundo, tenta encontrar uma solução para o problema, com o objetivo de recolocar o planeta na posição original e impedir a extinção da humanidade. “A Queda da Terra” apenas colabora ainda mais com a “queda da qualidade” desses filmes de catástrofes com elementos de ficção científica que são produzidos em grande quantidade nos Estados Unidos e exibidos na televisão pela “SyFy”. Tudo é muito previsível na história, não fugindo do trivial. Algo ameaça destruir o planeta (nesse caso, um corpo celeste que tirou a Terra de seu eixo). Algo passa a ser o foco das atenções para justificar os 90 minutos de projeção (uma família separada tentando se unir novamente no meio da destruição global). E algo surge como uma tentativa desesperada de salvação para o fim iminente (o governo tenta colocar em prática um plano para reverter o processo de desestabilização do planeta, envolvendo armamento nuclear e uma colossal reserva de gás natural). Se o espectador desligar o cérebro, e estiver disposto a ver uma história de catástrofe natural repleta dos mesmos velhos clichês, talvez até consiga alguma diversão discreta. Caso contrário, provavelmente o tédio virá à tona. (RR – 24/08/15)


* Sobrenatural: A Origem (2015) – “Quando você chama um morto, todos os outros podem ouvi-lo.” Em 30/07/15 entrou em cartaz nos cinemas brasileiros o terceiro filme da franquia “Sobrenatural”, que explora o sub-gênero do horror com assombrações e fantasmas. “Sobrenatural: A Origem” (Insidious: Chapter 3) tem agora direção de Leigh Whannell, o criador das personagens e também conhecido pela história de outra franquia bem sucedida, “Jogos Mortais” (Saw). O roteiro apresenta agora eventos anteriores aos primeiros dois filmes, que tiveram o foco nas assombrações perturbadoras envolvendo a família Lambert e as ações da sensitiva veterana Elise Rainier (Lin Shaye) na tentativa de ajudá-los a enfrentar a ameaça de seres atormentados que povoam o obscuro mundo dos mortos. Dessa vez, como o próprio título nacional anuncia, trata-se de uma pré-sequência, que concentra as atenções na figura da adolescente Quinn Brenner (Stefanie Scott), que quer se comunicar com a mãe falecida. Ela pede ajuda para a experiente médium, mas o contato com o mundo “mais além” permite que a garota seja perseguida por uma entidade sobrenatural maléfica conhecida como “o homem que não pode respirar” (Michael Reid MacKay). Já é fato estabelecido que a franquia “Sobrenatural” tem despertado o interesse de boa parte dos fãs, tanto que a série tem três filmes. Porém, exceto pela carismática e veterana atriz Lin Shaye, que interpreta uma sensitiva com poderes para transitar por uma dimensão habitada por espíritos perturbados, a história esbarra inevitavelmente nos tradicionais clichês do gênero, com os manjados sustos fáceis e um desfecho previsível, com direito na cena final para uma “surpresa que não surpreende”. Até temos a impressão de uma tentativa honesta dos realizadores em apresentar elementos de horror que satisfaçam a diversão dos apreciadores do cinema de horror, mas com um sub-gênero tão saturado, fica extremamente árdua a tarefa de fugir dos clichês. Dentro dessa ideia, a franquia “Sobrenatural” é apenas levemente acima da média, mas o bom retorno das bilheterias tem impulsionado a consolidação de seu universo ficcional. (RR – 13/08/15)


* Vinte Milhões de Léguas a Marte (1956) – Ficção científica da saudosa década de 50 do século XX, época de inúmeras produções divertidas do cinema fantástico. A direção e roteiro de “Vinte Milhões de Léguas a Marte” é de Edward Bernds (1905 / 2000), o mesmo cineasta de “Rebelião dos Planetas” (1958), “O Monstro de Mil Olhos” (1959, segunda parte da série “A Mosca”), e “Valley of the Dragons” (1961), além de alguns filmes de comédia com “Os Três Patetas”. A história mostra um grupo de aventureiros espaciais a bordo de um foguete orbitando o planeta Marte. Liderado pelo cientista Dr. Eldon Galbraithe (Nelson Leigh), a expedição ainda conta com o Herbert Ellis (Rod Taylor, de “A Máquina do Tempo”, 1960), John Borden (Hugh Marlowe, de “O Dia Em Que a Terra Parou”, 1951) e Henry Jaffe (Christopher Dark). Após observações ao planeta vermelho sem pousar em sua superfície, eles iniciam o retorno para casa. Porém, a nave repentinamente entra numa torção de tempo, um deslocamento exponencial no espaço, atingindo uma velocidade absurdamente alta que impulsiona o foguete para um salto no futuro, indo parar na Terra de 2508. Após um pouso forçado numa região com neve, amortecendo o impacto, o grupo escapa ileso e inicia um reconhecimento do local. Entre os perigos que enfrentam, está o ataque de aranhas gigantes do tamanho de cachorros de grande porte, que cresceram de forma descomunal após contato com radiação. Além de um confronto violento com humanóides mutantes, parecidos com os primitivos homens da caverna do passado remoto da Terra. Eles descobrem que o planeta sofreu uma guerra atômica e encontram uma civilização de remanescentes da catástrofe que vive escondida em câmaras subterrâneas, lideradas pelo Presidente do Conselho Timmek (Everett Glass). Dotados de inteligência, eles sobrevivem com segurança e conforto por séculos, produzindo o próprio alimento, mas com a população diminuindo drasticamente com o passar dos anos, com os homens não demonstrando coragem para saírem à procura de um mundo novo na superfície sem radiação da guerra, dissipada pelo tempo. O recém chegado grupo de viajantes do espaço que veio do passado, tenta inspirar o povo subterrâneo a combater os mutantes da superfície e reconstruir sua civilização. Contando com o apoio das belas mulheres locais com vestidos curtos como as jovens Garnet (Nancy Gates), filha de Timmek, Elaine (Shawn Smith, de outras bagaceiras como “A Ameaça do Outro Mundo”, 1958), responsável pelos jardins hidropônicos que geram os alimentos, e a ajudante geral Deena (Lisa Montell). Mas, por outro lado, eles enfrentam a resistência e oposição política de Mories (Booth Colman, o orangotango Zaius da série de TV “Planeta dos Macacos”, 1974). “Vinte Milhões de Léguas a Marte” é curto, com apenas 80 minutos, e tem um título sonoro, exagerado e bem diferente do original, que traduzido literalmente seria “Mundo Sem Fim”. É uma produção com orçamento menor, como podemos perceber nos efeitos toscos e precários da maquete do foguete espacial enfrentando a turbulência na torção de tempo, balançando como um brinquedo descontrolado, ou na cena de aterrissagem forçada na neve, tão patética que diverte. Cenas da nave espacial foram aproveitadas do filme “Voando Para Marte” (1951). O ataque das aranhas gigantes numa caverna também comprova a precariedade da concepção dos efeitos, uma vez que não passam de bichos toscos de borracha e pelúcia, que apesar de motorizados, parecem estáticos, e que são arremessados contra suas vítimas. Por outro lado, os cenários coloridos e em formatos geométricos que formam os cômodos da cidade subterrânea são bem interessantes e com aspectos futuristas. As portas deslizantes serviram de inspiração na nave “Enterprise” da série clássica de TV “Jornada nas Estrelas”. É fácil notar também várias similaridades com o posterior “A Máquina do Tempo”, que é um filme bem mais conhecido pela produção caprichada do especialista George Pal e história baseada em livro homônimo de H. G. Wells. Elementos como a viagem no tempo e o futuro apocalíptico da humanidade, com a divisão entre duas classes sociais distintas, uma vivendo na superfície e outra no subsolo do planeta. O roteiro traz elementos sempre interessantes no cinema de ficção científica, principalmente naquele período dourado da década de 1950, com a abordagem de viagens espaciais, deslocamentos no tempo e cenários pós-apocalípticos, com a humanidade sabendo do perigo de uma destruição global numa catástrofe nuclear, mas não conseguindo exercer a sabedoria para evitá-la. Após o rompimento da barreira do som com jatos propulsores e a descoberta do poder do átomo em bombas, a humanidade em crescente evolução tecnológica, estava agora partindo para exploração do espaço e outros planetas. Mas, contrapondo às sempre bem vindas especulações científicas e a ambientação no século 26, temos no roteiro vários elementos que nos remetem para uma aventura banal de romance, com os homens do século XX despertando o interesse amoroso das mulheres do futuro, por sua beleza, coragem e características altruístas, diminuindo um pouco o interesse da história. (RR – 15/08/15)

Comentários de Cinema - Parte 21

Filmes abordados:

Beijo do Vampiro, O (The Kiss of the Vampire, Inglaterra, 1963)
Chupacabra (Chupacabra vs. The Alamo, Canadá, 2013)
Cyborg – O Dragão do Futuro (Cyborg, EUA, 1989)
Deusa da Cidade Perdida, A (She, Inglaterra, 1965)
Fim do Amanhã, O / No Limite da Salvação (Age of Tomorrow, EUA, 2014)
Górgona, A (The Gorgon, Inglaterra, 1964)
Independence Daysaster (Canadá, 2013)
Mil Séculos Antes de Cristo (One Million Years B.C., Inglaterra, 1966)
Usina de Monstros (Quatermass 2 / Enemy From Space, Inglaterra, 1957, PB)


* O Beijo do Vampiro (1963) – A produtora inglesa “Hammer” tem em seu vasto catálogo vários filmes de vampirismo, muitos deles com a dupla Christopher Lee e Peter Cushing liderando os elencos. Mas, também tem filmes sem a presença desses astros, como “O Beijo do Vampiro”, que traz Clifford Evans no papel do caçador de vampiros e Noel Willman no papel do líder de uma seita vampírica. A direção é do australiano Don Sharp, de “Rasputin – O Monge Louco” (66), e o roteiro é de autoria do produtor Anthony Hinds, utilizando o pseudônimo John Elder. A história é ambientada no início do século XX, onde um casal em lua de mel, Gerald Harcourt (Edward de Souza) e Marianne (Jennifer Daniel), está viajando de carro por estradas remotas da Alemanha quando a falta de gasolina os obriga a se hospedar num decadente hotel pouco frequentado. Os proprietários são um casal de idosos formado por Bruno (Peter Madden) e Anna (Vera Cook), que dizem que não recebem hóspedes há muito tempo e apenas um dos quartos está ocupado. O outro hóspede é o Prof. Zimmer (Clifford Evans), um homem rude e alcoólatra, estudioso de ocultismo e que está na região com objetivos misteriosos investigando as atividades de uma família que vive num imenso castelo vizinho. O sinistro e refinado cientista Dr. Ravna (Noel Willman) é o dono do imponente mausoléu de pedra, onde vive com um casal de filhos, Carl (Barry Warren) e Sabena (Jacquie Vallis). Os jovens viajantes são então convidados para uma festa no castelo e não imaginariam que no local existe um culto vampírico liderado pelo Dr. Ravna, exilado de sua cidade natal devido uma falha num de seus experimentos científicos, e que ficou encantado com a beleza de Marianne, desejando o seu ingresso na sociedade secreta de sugadores de sangue. Mesmo sem os tradicionais “Drácula” e “Prof. Van Helsing”, “O Beijo do Vampiro” é mais uma preciosidade da “Hammer” dentro da temática dos vampiros humanos, seres bestiais que se alimentam do sangue de outros humanos. A narrativa é lenta, com uma atmosfera gótica e de horror sutil, sem violência e com pouca exposição de sangue, mas com as tradicionais características do estilo tão cultuado pelos fãs do estúdio, com um castelo tétrico, um baile com máscaras sinistras e bizarras de gelar a espinha, aldeões vivendo em constante medo, lindas vampiras sedutoras e um culto vampírico secreto. Tem até um ataque de dezenas de morcegos (de borracha e manipulados por barbantes) invocados num ritual de magia negra pelo Prof. Zimmer, contra os discípulos da seita do Dr. Ravna, numa similaridade com o ataque dos pássaros no filme de Alfred Hitchcock lançado no mesmo ano de 1963. Com direito a toques de erotismo de belas mulheres vampiras sendo sugadas pelos morcegos. Curiosamente, o filme teve uma versão americana estendida, produzida para a televisão, com o acréscimo de mais personagens e que recebeu o título de “Kiss of Evil”. “O Beijo do Vampiro” é o terceiro filme de vampirismo da “Hammer” em ordem cronológica, sucedendo “O Vampiro da Noite” (58), com a dupla Lee e Cushing, e “As Noivas do Vampiro” (60), com Cushing sozinho. (RR – 06/06/15)


* Chupacabra (2013) – O canal de TV a cabo “SyFy” é voltado para filmes de ficção científica e horror. Seu slogan é “SyFy – Imagine Mais”. Mas, o ideal seria algo como “Imagine filmes ruins e no SyFy eles são piores ainda”. É o cinema fantástico bagaceiro do século XXI, com histórias fracas, elenco inexpressivo, CGI vagabundo, produção tosca, e tudo com uma roupagem moderna. Se essas tranqueiras serão cultuadas no futuro, somente o tempo dirá, mas o que certamente podemos dizer agora, é que são filmes péssimos e o espectador precisará ser muito paciente e pouco exigente para tentar conseguir alguma diversão, mesmo que em pequenas e logo esquecíveis doses. Dirigido por Terry Ingram, “Chupacabra” tem a curiosidade da presença na liderança do elenco do veterano Erik Estrada, o policial rodoviário Frank Poncherello da série de TV “CHiPs” (1977 / 1983), que foi exibida à exaustão na televisão brasileira. O ator faz o papel do policial da divisão de narcóticos, agente Carlos Seguin, na pequena cidade americana de San Antonio, no Estado do Texas, divisa com o México. Inclusive, provavelmente servindo de homenagem ao ator e à série de TV, temos várias cenas gratuitas com ele dirigindo uma bela e imponente moto, com direito até a uma acrobacia saltando sobre um canteiro de obras. Junto com a nova parceira, Tracy Taylor (Julian Benson), ele recebe a missão de investigar as mortes misteriosas e de forma sangrenta de um grupo de traficantes de drogas. Descobrindo mais tarde que a responsabilidade dos assassinatos é de um bando imenso de “chupacabras”, uma lenda urbana que virou realidade, animais mutantes e nômades, misto de cachorros e coiotes, que invadem a cidade à procura de comida, encontrando nos seres humanos a carne e o sangue para saciarem sua fome. A dupla de policiais forma uma improvável aliança com um grupo de arruaceiros rebeldes, e fortemente armados, partem para o combate contra a invasão da horda de “chupacabras” que já fizeram dezenas de vítimas. Culminando num confronto decisivo dentro do histórico Forte Álamo (daí o título original), que no passado teve importância relevante na guerra entre Estados Unidos e México pela posse do Texas. A invasão de uma pequena cidade por animais enfurecidos ou criaturas sobrenaturais é a já conhecida e largamente explorada premissa básica do filme. Dentro desse clichê, ainda temos um elenco patético, com exceção talvez para a nostalgia da presença de Erik Estrada, somado com uma história despreocupada com lógica ou coerência, e efeitos tão vagabundos de computação gráfica que obviamente não convencem. São “chupacabras” aparecendo por todos os lados, sendo abatidos por tiros, e atacando os humanos como cachorros raivosos. É verdade que tem bastante sangue, com mortes violentas, mas com uma artificialidade que não funciona. Ainda tem os comentários patéticos no meio do caos e o desfecho previsível onde facilmente sabemos quem serão os sobreviventes e os vitoriosos da batalha. Mais um filme descartável exibido pelo canal “SyFy”, que deveria “imaginar” que seus espectadores gostariam de ver filmes melhores. (RR – 05/07/15)


* Cyborg – O Dragão do Futuro (1989) – Com produção da saudosa “Cannon”, de Menahem Golan e Yoram Globus, direção de Albert Pyun e com o ator belga Jean-Claude Van Damme, especialista em artes marciais, “Cyborg – O Dragão do Futuro” é um filme de ação e porradaria com elementos de ficção científica, na ambientação de um mundo pós-apocalíptico, devastado por uma peste. Além da presença de uma cyborg, numa mistura de mulher e máquina, carregando uma informação vital para a cura da doença que assola a civilização em decadência. Van Damme é Gibson Rickenbacker, um homem que vaga pela cidade destruída de New York, num mundo selvagem em ruínas à procura de vingança pessoal contra um pirata chamado Fender Tremolo (o neo-zelândes Vincent Klyn), que lidera uma gangue que espalha terror e violência para os poucos sobreviventes do caos, e que tentam sobreviver num mundo desolado. Ele encontra em seu caminho uma moça guerreira, Nady Simmons (Deborah Richter), e juntos partem em busca dos piratas, que sequestraram uma mulher cyborg, Pearl Prophet (a canadense Dayle Haddon), que possui uma informação essencial que pode curar a praga que assola a humanidade. Eles estão levando-a para a cidade de Atlanta, onde estão os últimos médicos e cientistas que podem evitar a extinção da humanidade. A intenção do maníaco Fender é tornar-se um ditador sanguinário com o poder da cura da peste nas mãos, e até chegarem ao destino final, o caminho de sua gangue e do lutador Gibson se cruzará muitas vezes em confrontos violentos. A história futurista é bem simples, com poucos diálogos (o personagem de Van Damme quase não fala, só distribui porradas), muitas lutas, tiroteios, perseguições e selvageria num mundo pós-apocalíptico. E nem precisa de explicações e conversas fúteis, pois o mundo está em colapso, destruído pela anarquia, genocídios e fome, e uma praga está dizimando o que restou da civilização humana, o que pode ser resumido num breve diálogo entre o monossilábico Gibson e a guerreira Nady:
- Já está acostumado? – pergunta a moça.
- Com o quê?
- A matança.
- Eu não fiz o mundo – responde o áspero Gibson.
- Não. Apenas vive nele.
O filme é até divertido dentro de sua proposta simples de mostrar pancadaria desenfreada e muita gritaria num ambiente futurista de desolação. Van Damme é um daqueles atores com imagem totalmente associada aos filmes de lutas, e que mesmo tentando fazer papéis um pouco diferentes, sempre será lembrado pelas produções de ação e porradas. Em “Cyborg”, sua escolha para o papel principal veio depois de atuar em outros dois filmes similares anteriores, “Retroceder Nunca, Render-se Jamais” (No Retreat, No Surrender, 1986) e “O Grande Dragão Branco” (Bloodsport, 1988), que lhe trouxeram notoriedade dentro do estilo que já tinha atores mais conhecidos como Chuck Norris, sem contar astros mais famosos como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Curiosamente, vieram em seguida outros três filmes dentro desse universo ficcional: “Cyborg 2: Glass Shadow” (1993), “Cyborg 3: The Recycler” (1994) e “Cyborg Nemesis” (2014). O roteiro de “Cyborg – O Dragão do Futuro” também é do diretor Albert Pyun, usando o pseudônimo Kitty Chalmers, e foi criado a partir do cancelamento da produção de “Masters of the Universe 2 – The Cyborg”, utilizando os vestuários e cenários idealizados para a sequência inexistente de “Mestres do Universo” (1987), com Dolph Lundgreen. (RR – 05/06/15)


* A Deusa da Cidade Perdida (1965) – A produtora inglesa “Hammer” é normalmente lembrada por seus filmes de horror gótico, mas também fazem parte de seu catálogo histórias de aventura com elementos de fantasia, como “A Deusa da Cidade Perdida” (1965), com direção de Robert Day e roteiro de David T. Chantler, baseado em livro de H. Rider Haggard. E no elenco ainda temos a dupla Peter Cushing e Christopher Lee, e eles atuam ao lado da estonteante atriz suiça Ursula Andress, a “deusa” do título nacional. Na Palestina de 1918, um arqueólogo a serviço do exército inglês, Major Horace L. Holly (Peter Cushing), juntamente com seu fiel mordomo Job (Bernard Cribbins) e o jovem amigo aventureiro Leo Vincey (John Richardson), tentam descansar num bar dançante, bebendo, conversando e se divertindo com as belas mulheres locais. Porém, a incrível semelhança física de Leo com uma imagem num medalhão antigo, desperta uma atenção especial e ele recebe um anel precioso e um mapa para localizar a misteriosa cidade faraônica de Kuma, perdida no vasto deserto em direção à África. Os três amigos montam uma pequena expedição com a esperança de encontrar a cidade e possíveis tesouros. Kuma é governada com tirania por uma linda e sobrenatural mulher chamada Ayesha (Ursula Andress), que tem o poder de imortalidade, e que conta com o apoio do sumo sacerdote Billali (Christopher Lee) para manter a ordem e obediência com os escravos. Ela acha que Leo pode ser a reincarnação de seu amado companheiro de séculos atrás, Callicrates, oferecendo-lhe a oportunidade de vida eterna com poder e riquezas. O filme é uma típica aventura com fantasia, daquelas que eram exibidas com frequência na saudosa “Sessão da Tarde” da TV Globo. O tema de “cidade perdida” costuma despertar a curiosidade, instigando a imaginação sobre as lendas de civilizações escondidas. Peter Cushing, como sempre, lidera o elenco com seu talento característico, e Christopher Lee aparece menos, ficando com um papel secundário, mas sua presença sempre é motivo de interesse. E tem a beleza de Ursula Andress, no auge da carreira na época, após atuar com Sean Connery no filme do agente secreto 007 em “O Satânico Dr. No” (1962). O escritor Henry Rider Haggard é conhecido por suas histórias de aventuras que inspiraram muitos filmes como “As Minas do Rei Salomão” (1985) e “Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido” (1986), ambos com Richard Chamberlain. Além de “She”, que recebeu inúmeras outras versões no cinema. “A Deusa da Cidade Perdida” teve uma sequência em 1968, “A Vingança da Deusa” (The Vengeance of She), também com produção da “Hammer”. (RR – 20/06/15)


* O Fim do Amanhã (2014) – A produtora americana “The Asylum” é conhecida por seus filmes tranqueiras de ficção científica e horror, com roteiros ridículos, atores inexpressivos e efeitos especiais vagabundos. São produções baratas feitas em pouco tempo sem qualquer tipo de preocupação com lógica, verossimilhança ou qualidade. O importante é produzir em quantidade e descarregar seus filmes em lançamentos em DVD e exibições na televisão, como o canal a cabo “SyFy”, especializado no gênero. Podemos considerar como o “cinema bagaceiro do século XXI”, que se hoje é ruim demais e um exercício de coragem e excesso de tolerância para conseguir assistir, pode ser que daqui meio século essas porcarias até sejam cultuadas, justamente por suas características bagaceiras. Assim como atualmente temos uma legião de apreciadores dos filmes tranqueiras com roteiros absurdos e efeitos toscos produzidos em imensa quantidade a partir de meados do século passado. “The Asylum” também é conhecida por descaradamente e assumidamente copiar o nome, a ideia central e partes das histórias de filmes com orçamentos milionários, aproveitando o sucesso comercial dos chamados “blockbusters”. Eles lançam em pouco tempo as suas versões fuleiras desses filmes de grandes bilheterias, que ganharam o nome pejorativo “mockbusters”. Dentro desse princípio, a produtora oportunista fez “O Fim do Amanhã” (Age of Tomorrow), dirigido por James Kondelik, e que também ganhou o título no Brasil de “No Limite da Salvação”, quando exibido pelo canal de TV “SyFy” (algo típico em nosso país, que costuma criar vários nomes para os filmes, confundindo e dificultando um trabalho de pesquisa e catalogação). No caso, o plágio é para o ótimo “No Limite do Amanhã” (Edge of Tomorrow), com o astro Tom Cruise. Na cópia picareta, um grande asteróide está em rota de colisão com a Terra, obrigando o exército, sob o comando do General Magowan (Robert Picardo), com o auxílio do Coronel Mac (Mitchell Carpenter), a organizar uma equipe para uma missão que viajaria até o asteróide a bordo de um foguete e tentaria explodir partes dele, desviando sua rota. A equipe é liderada pelo Capitão James Wheeler (Anthony Marks), que conta com a ajuda da cientista Dra. Gordon (Kelly Hu), entre outros. Lá chegando, eles encontram uma caverna e em seu interior uma sala de controle com um portal tecnológico de teleporte para outro planeta, descobrindo que o asteróide é apenas uma ponte para uma invasão alienígena. Enquanto isso, numa trama paralela, na Terra as pessoas estão sendo atacadas por máquinas fortemente armadas e um bombeiro metido a herói (típico dos americanos), Chris Meher (Lane Townsend), se junta ao militar Major Blake (Nick Stellate) para combater a ameaça do espaço e tentar encontrar sua filha no meio da confusão. Todos acabam se encontrando no planeta dos invasores e descobrem que eles estão abduzindo os humanos, mantendo-os prisioneiros e fazendo experiências. É inevitável um confronto mortal com eles com os heróis lutando pela continuidade da civilização humana. O filme foi rodado em Los Angeles, na California, em apenas quinze dias, o que dá para imaginar o resultado final, com a história sendo contada muito rapidamente, sendo impossível estabelecer qualquer tipo de empatia com os personagens, que são fúteis ao extremo. Tudo é bagaceiro demais, desde o elenco patético ao CGI vagabundo. O bombeiro herói usa um machado como arma, desferindo golpes para todos os lados, destruindo as sondas robóticas que atacam a Terra e os alienígenas em seu planeta, e o machado está sempre limpo e impecável. As decisões estratégicas para definir o futuro da humanidade que está com risco de extinção por uma invasão alienígena, são todas tomadas por um único militar, pois o filme não tem orçamento para reunir uma conferência com representantes que definiriam melhor o destino de nosso mundo. “O Fim do Amanhã” é um filme tão descartável que nem mereceria ter tantas linhas nessa resenha. (RR – 07/06/15)


* A Górgona (1964) – A dupla de atores ícones do gênero Horror, Peter Cushing e Christopher Lee, estiveram juntos em vários filmes, agregando um valor inestimável ao gênero. Alguns destes filmes foram produzidos pelo cultuado estúdio inglês “Hammer”, e parte deles também teve a direção do especialista Terence Fisher, o principal cineasta da produtora. “A Górgona” (1964) reúne os três numa história com elementos góticos explorando um monstro da mitologia grega, com roteiro de John Gilling, a partir de uma história original de J. Llewellyn Devine. “Sobre a aldeia de Vandorf se ergue o Castelo Borski. Desde a virada do século, um monstro de tempos remotos chegou para viver lá. Ninguém que tenha se deparado com ele sobreviveu, e o espírito da morte ronda esperando sua próxima vítima.” Com essa narração, o filme tem início com uma ambientação no início do século XX numa pequena cidade alemã. O médico de um hospital psiquiátrico, Dr. Namaroff (Peter Cushing), tenta guardar um segredo envolvendo a ocorrência de mortes misteriosas na região durante a lua cheia, com os cadáveres literalmente petrificados, registrando atestados de óbito falsos e encobrindo a verdade. Sua assistente, a bela Carla Hoffman (Barbara Shelley), não se sente à vontade com o excesso de super proteção do médico. A polícia, representada pelo Inspetor Kanof (Patrick Troughton), está pressionada pelo contínuo insucesso na investigação dos misteriosos assassinatos, num ambiente que evidencia uma conspiração de silêncio e medo. Nesse cenário de mistério, as coisas complicam mais ainda após a chegada no vilarejo de Paul Heitz (Richard Pasco), que vem para investigar a morte de seu pai, o Prof. Jules Heitz (Michael Goodliffe), estudioso de mitologia grega e que morreu em circunstâncias estranhas. O jovem recém chegado se apaixona por Carla, que corresponde o seu interesse amoroso. Ele também solicita a ajuda de seu amigo Prof. Karl Meister (Christopher Lee), um conceituado acadêmico da Univedrsidade de Leipzig, para juntos tentarem descobrir o mistério por trás das mortes cujas vítimas foram transformadas em pedra. “Havia três horrendas irmãs monstruosas, as Górgonas. Seus nomes eram Tisifona, Medusa e Megera. Tinham serpentes vivas nas cabeças e cada uma delas era um tentáculo do cérebro diabólico que possuíam. Tão espantosas eram as Górgonas que todo aquele que as viam se convertia em pedra.” – anotações do Prof. Heitz, escritas momentos antes de morrer petrificado, revelando informações sobre a lenda de dois mil anos de uma mulher com cobras na cabeça e que poderia estar em atividade ao se apossar do corpo de outra mulher. Gosto pessoal é algo totalmente subjetivo, e no caso específico de “A Górgona” posso revelar que o filme está entre os meus preferidos da “Hammer”. Além da presença da dupla Cushing e Lee e do cineasta Terence Fisher, a ambientação gótica é bastante eficiente, com uma atmosfera sinistra constante, acentuada pelo castelo abandonado há meio século, envolto em névoa e cercado por árvores retorcidas e fantasmagóricas. E tem um monstro habitando suas ruínas decrépitas, a última das górgonas, que transforma suas vítimas em pedra. Apesar da concepção visual da górgona Megera (interpretada por Prudence Hyman) não ter agradado ao produtor Anthony Nelson Keys, que juntamente com Christopher Lee, revelou sua insatisfação com os efeitos toscos utilizados para simular as serpentes, e também pelos clichês inevitáveis da história, o filme ainda assim funciona muito bem como representante legítimo do estilo gótico e horror sugestivo da “Hammer”. Curiosamente, o grande ator Christopher Lee, que normalmente faz os papéis de vilão (com destaque para o eterno vampiro “Drácula”), assume o posto contrário em “A Górgona”, interpretando um influente professor que tenta desvendar os assassinatos misteriosos em Vandorf. E Peter Cushing, que na maioria das vezes está do lado que combate o mal, é agora o principal articulador de uma conspiração para abafar a real causa dos assassinatos, apesar de sua motivação ser passional. (RR – 28/06/15)


* Independence Daysaster (2013) – Típico exemplo do cinema bagaceiro do século XXI. Com produção canadense e direção de W. D. Hogan, de “Behemoth” e “Earth´s Final Hours” (ambos de 2011). Foi exibido pelo canal de TV a cabo “SyFy”, que ajudou na distribuição mundial. O título picareta já diz tudo, com uma história de invasão alienígena no comemorativo dia 04 de Julho nos Estados Unidos, data que lembra a sua independência. Curiosamente, o filme nem é americano, com seus vizinhos de cima demonstrando falta de imaginação, e optando por explorar um assunto que já é um clichê exaustivo. E o nome, com uma junção oportunista das palavras em inglês “Day” e “Disaster”, também nos remete ao anterior da década de 90 do século passado, com Will Smith, Bill Pullman e Jeff Goldblum, mais conhecido e produzido com muito mais dinheiro. Na história, uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos é destruída por imensas máquinas perfuradoras que saem debaixo do solo, com o apoio aéreo de pequenas sondas esféricas voadoras, equipadas com armas poderosas, e que estão em comunicação com uma imensa nave mãe estacionada perto da lua. Logo é revelada uma invasão extraterrestre em escala mundial, num ataque maciço com grande poder de destruição e caos global. Para combater a ameaça mortal dos alienígenas é lógico que temos um improvável time de heróis formado por cidadãos comuns que formarão a base da resistência. O bombeiro Pete Garcette (Ryan Merriman), que é irmão do Presidente americano Sam Garcette (Tom Everett Scott), encontra-se com Celia Lehman (Emily Holmes), uma técnica do programa “S.E.T.I.” (Procura por Inteligência Extraterrestre). Eles se juntam com um grupo de adolescentes que incluem o filho do Presidente, Andrew (Keenan Tracey) e sua namorada Eliza (Andrea Brooks), além de um casal de nerds especialistas em informática e invasão de sistemas de comunicação. O grupo descobre uma arma capaz de anular o funcionamento das sondas voadoras alienígenas e tenta avisar o exército num plano de retaliação contra os invasores. Patético do início ao fim, barulhento, sonolento, com elenco inexpressivo, CGI vagabundo e história entediante de tão previsível, carregada de ufanismo americano. Eles são os salvadores do mundo, nunca desistem, e nosso planeta sem a sua proteção certamente seria um alvo fácil para qualquer invasão alienígena. São tantos filmes medíocres que insistem nesse clichê que fica difícil criar algum tipo de sintonia com a história. O resultado acaba surtindo um efeito contrário, com o espectador impaciente obrigando-se a torcer pelo extermínio da humanidade e pelo sucesso dos invasores vindos do espaço. (RR – 14/06/15)


* Mil Séculos Antes de Cristo (1966) – Dentre as várias temáticas de filmes da produtora inglesa “Hammer”, existem aquelas ambientadas na pré-história, ou seja, aventuras com elementos de fantasia. “Mil Séculos Antes de Cristo” (1966) é um destes filmes, e que traz como diferencial a presença da belíssima Rachel Welch liderando o elenco ao lado de John Richardson (que esteve no anterior “A Deusa da Cidade Perdida”, 1965), além dos divertidos efeitos de “stop motion” do mestre Ray Harryhausen. A direção é de Don Chaffey (de “Criaturas Que o Mundo Esqueceu”, 1971, também da “Hammer”), e a história se passa num longínquo período no passado, onde humanos primitivos e dinossauros conviviam no mesmo ambiente hostil, num planeta Terra ainda em formação. E com muitos perigos que ameaçavam a sobrevivência dos seres vivos, desde a natural e impiedosa cadeia alimentar até a instabilidade do solo, com terremotos e erupções vulcânicas catastróficas. Nesse cenário, um dos homens primitivos, Tumak (John Richardson), é banido de seu grupo pelo próprio pai, o líder Akhoba (Robert Brown), sendo obrigado a explorar as regiões externas, deixando para trás sua antiga tribo, que vivia em cavernas. Após algumas aventuras perigosas e encontros com animais imensos interessados em sua carne, ele é acolhido por outra tribo, formada por homens e mulheres loiros, que também vivia em cavernas próximas ao mar, de onde tiravam parte de seu sustento com a pesca de peixes, além de um cultivo com agricultura rudimentar. Eles eram mais evoluídos, faziam pinturas nas paredes de pedra e fabricavam lanças pontudas para servir de armas na defesa contra os dinossauros e para facilitar a caça. Tumak desperta o interesse de uma bela moça, Loana (Rachel Welch). Porém, depois de uma briga, o intruso também é expulso do novo grupo, e Loana decide acompanhá-lo. Eles enfrentam juntos vários perigos e ameaças com ataques de dinossauros diversos, até reencontrarem a antiga aldeia de Tumak, gerando um confronto com o irmão rival Sakana (Percy Herbert), além de enfrentarem a devastadora erupção de um vulcão. Com apenas algumas frases de um narrador no início e grunhidos dos homens e mulheres pré-históricos no restante do filme, é inevitável o surgimento de certo desinteresse pela história. E o grande destaque despertando a atenção do espectador é o trabalho de “stop motion” de Ray Harryhausen, nas inúmeras cenas com dinossauros e monstros gigantes, tanto nos ataques aos humanos primitivos quanto nos confrontos entre si. Temos tartarugas, aranhas e lagartos gigantescos, sendo que no caso desse último, é um animal real filmado numa perspectiva que passa a sensação de gigante, uma técnica já utilizada em vários filmes anteriores como “Viagem ao Centro da Terra” (59), “O Gigante Monstro Gila” (59) e “O Mundo Perdido” (60). Além de primatas agressivos, criaturas voadoras e dinossauros de todos os tipos e tamanhos, todos ávidos por supremacia territorial, conquista de liderança e por saciar a fome com a carne dos rivais, incluindo no cardápio nossos antepassados. “Mil Séculos Antes de Cristo” é uma refilmagem de “O Despertar do Mundo”, filme americano de 1940 e com Victor Mature e Lon Chaney Jr, e que por sua vez também foi refilmado pela mesma “Hammer” em 1970 com “Quando os Dinossauros Dominavam a Terra” (When Dinosaurs Ruled the Earth), dirigido por Val Guest. (RR – 24/06/15)


* Usina de Monstros (1957) – O estúdio inglês “Hammer” ficou famoso e cultuado por seus inúmeros filmes coloridos de horror gótico. Porém, a produtora também tem em seu catálogo uma série de filmes em preto e branco com temática principal de Ficção Científica, lançados no final dos anos 50 do século passado, e que fazem parte de um conjunto de preciosidades daquele período especial do cinema fantástico. “Usina de Monstros” é um filme de invasão alienígena dirigido por Val Guest e com o ator irlandês Brian Donlevy (de “A Maldição da Mosca”, 1965) repetindo seu papel do cientista Quatermass, que também esteve em “Terror Que Mata” (The Quatermass Xperiment, 1955). Na história, o Prof. Quatermass está tentando obter recursos do governo para financiar seu projeto científico de uma complexa base lunar. Porém, não conseguindo sucesso na liberação de verbas, sua atenção é desviada para a misteriosa ocorrência da queda de inúmeros meteoritos. Indo até a região das quedas para estudar o fenômeno, na pequena cidade de Winnerden Flats, ele encontra uma fábrica imensa controlada por guardas fortemente armados e hostis, que utiliza a população do vilarejo como mão de obra para supostamente produzir comida sintética. Porém, depois que o cientista descobre que os estranhos objetos caídos do espaço possuem formatos aerodinâmicos que guardam em seu interior um gás venenoso composto de amônia, e mortal para os humanos, ele decide investigar junto com o inspetor de polícia Lomax (John Longden), o mistério por trás da usina. A qual curiosamente tem o formato similar ao seu projeto de colonização lunar e que trabalha de forma confidencial, parecendo esconder suas reais intenções. “Usina de Monstros” é uma ficção científica com elementos de horror situada dentro do sub-gênero de invasões alienígenas, ao apresentar uma conspiração secreta para a conquista de nosso mundo por um gigantesco organismo amorfo formado por milhões de partículas inteligentes com uma só consciência. Controlando os seres humanos para colocar em prática seu plano de invasão, e infiltrando-se em importantes setores do governo e das autoridades militares.
Entre as várias curiosidades interessantes, podemos citar:
* o filme também é conhecido pelo título original “Enemy From Space” nos Estados Unidos;
* ele faz parte do universo ficcional criado pelo roteirista Nigel Kneale, composto por vários filmes e séries de TV, porém da “Hammer” temos uma trilogia formada por “Terror Que Mata”, “Usina de Monstros” e “Uma Sepultura na Eternidade” (Quatermass and the Pit, 67), esse último com Andrew Keir no papel do cientista;
* o ator Michael Ripper (1913 / 2000), eterno coadjuvante em muitas produções da “Hammer”, dono de um currículo imenso com mais de duzentos trabalhos, aparece em “Usina de Monstros” como um dos moradores do vilarejo que se rebela contra os “inimigos do espaço”;
* nos créditos finais temos um agradecimento especial dos produtores para a famosa empresa de combustíveis “Shell”, que cedeu uma refinaria de sua propriedade para servir de locação para as cenas na “usina dos monstros”, o projeto secreto dos alienígenas para tomar nosso mundo;
* a palavra “zumbi” é mencionada algumas vezes para se referir às vítimas infectadas pelos alienígenas, transformando-as em criaturas desprovidas de ações próprias, tendo suas mentes controladas. (RR – 05/06/15)

Comentários de Cinema - Parte 20

Filmes abordados:

Dama e o Monstro, A (The Lady and the Monster, EUA, 1944, PB)
Galeria dos Alienígenas, A / Breeders – A Ameaça de Destruição (Breeders, EUA, 1986)
Homem Que Enganou a Morte, O (The Man Who Could Cheat Death, Inglaterra, 1959)
Invasores Invisíveis (Invisible Invaders, EUA, 1959, PB)
Jacarés Mutantes, Os / Alligators – Crocodilos em Fúria (Ragin´ Cajun Redneck Gators / Alligator Alley, EUA, 2013)
Jamie Marks Está Morto (Jamie Marks Is Dead, EUA, 2014)
Monstro de Duas Caras, O (The Two Faces of Dr. Jekyll, Inglaterra, 1960)
Monstro do Himalaia, O (The Abominable Snowman, Inglaterra, 1957, PB)
Vampiro de Black Water, O / Assassino das Sombras, O (The Black Water Vampire, EUA, 2014)



* A Dama e o Monstro (1944) – Direção de George Sherman, cineasta mais conhecido pelos filmes de western, produção da “Republic” com fotografia em preto e branco, e história baseada no conto “O Cérebro de Donovan”, escrita em 1942 por Curt Siodmak. Teve outras duas refilmagens, “Experiência Diabólica” (Donovan´s Brain, 1953) e “The Brain” (1962). Em “A Dama e o Monstro”, o “cientista louco” Prof. Franz Mueller (o austríaco Erich von Stroheim) está trabalhando em seu castelo no deserto do Arizona com experiências para tentar manter vivo o cérebro mesmo após a morte do corpo. Auxiliado por dois assistentes, o Dr. Patrick Cory (Richard Arlen) e a bela Janice Farrell (a atriz Tcheca Vera Hubra Halston), o cientista tenta obter sucesso utilizando animais como um macaco doente à beira da morte, mas seu interesse maior está em testar a experiência em seres humanos. Após surgir a oportunidade com o cadáver de um famoso e misterioso milionário, William H. Donovan, morto no acidente com a queda de um pequeno avião, o Prof. Mueller consegue êxito em manter o cérebro vivo e ativo mergulhado numa solução química especial. Porém, continuando o projeto científico com a tentativa de comunicação com o cérebro, eles não imaginariam que o Dr. Cory seria controlado telepaticamente pelo cérebro de Donovan, obrigando-o inconscientemente a fazer suas vontades obscuras, colocando em risco a vida de todos. A premissa central é de ficção científica bagaceira com elementos de horror, típica dos anos dourados do cinema fantástico das décadas de 40 a 60 do século passado, e nesse caso especificamente misturado com uma história policial. Com 82 minutos de duração e uma interessante atmosfera sinistra nas cenas no interior do castelo gótico, o filme apresenta os clichês característicos dessas divertidas tranqueiras. Temos o tradicional laboratório sombrio do “cientista louco”, que por sua vez tenta se convencer que seu trabalho traz resultados para o bem da humanidade, através da capacidade em manter vivo um cérebro separado do corpo morto, e com isso preservar o conhecimento, sabedoria e pensamentos de personalidades importantes como cientistas, inventores, escritores e estadistas. Porém, apesar desses elementos do cinema bagaceiro de FC sempre garantirem a diversão, temos alguns fatores negativos que chegam a incomodar um pouco, mesmo para os apreciadores do estilo. A atuação forçada e sem expressão da atriz Vera Hubra Halston, que deixa claro que não possui as habilidades necessárias para a arte de atuar, e o roteiro que dá maior enfâse para uma história policial com um assassinato misterioso e pessoas interessadas em dinheiro, em detrimento do mais interessante que é a ficção científica com horror. (RR – 10/05/15)


* A Galeria dos Alienígenas (1986) – Com produção executiva não creditada de Charles Band, da “Empire Pictures”, e escrito e dirigido por Tim Kincaid, “A Galeria dos Alienígenas” (Breeders) é o nome nacional quando exibido na TV de uma tosqueira de ficção científica com elementos de horror. Completamente datado dos anos 80 do século passado, tem uma história tão manjada e rasa de invasão alienígena que mais parece apenas um pretexto para mostrar belas e jovens mulheres nuas. Ambientada na famosa metrópole americana New York, o roteiro tosco mostra mulheres virgens sendo estupradas misteriosamente, ficando deformadas pela ação de um ácido corrosivo. Um detetive da polícia, Dale Andriotti (Lance Lewman) está encarregado das investigações para tentar descobrir o autor dos crimes. Ele é auxiliado pela médica Dra. Gamble Pace (Teresa Farley), que trabalha no Hospital Geral de Manhattan, para onde as vítimas são encaminhadas e ficam internadas em observação. Eles descobrem resquícios de um estranho material orgânico nas mulheres atacadas, que após um tempo despertam em transe e rumam como zumbis para os subterrâneos do hospital, onde numa estação abandonada do metrô está escondido um imenso ninho gosmento de uma raça alienígena capez de assumir a forma humana e que quer dominar nosso planeta. Com pouco mais que 70 minutos de duração, o filme é uma típica tranqueira dos anos 80, com trilha sonora e figurinos datados, e um elenco amador com atuações inexpressivas, além de uma história patética com tantas situações absurdas que até os apreciadores de cinema bagaceiro encontrarão dificuldades para digerir. As únicas coisas que podem se salvar são os efeitos toscos exagerados com borracha e sangue falso nas cenas violentas dos ataques do monstro de olhos esbugalhados do espaço, e que mesmo com orçamentos minúsculos ainda conseguem divertir, diferente dos efeitos de CGI atuais que tornam as cenas sangrentas artificiais demais, e a overdose de exposição gratuita de mulheres peladas gritando por suas vidas. Entre as curiosidades, podemos citar que o filme foi lançado em VHS no Brasil e recebeu o nome alternativo “Breeders – A Ameaça de Destruição”. E teve uma refilmagem inglesa em 1997, com roteiro e direção de Paul Matthews. Além disso, o diretor e roteirista Tim Kincaid é o responsável por outras tranqueiras ruins ao extremo do mesmo período como “Robot Holocaust” e “Mutant Hunt – O Exterminador de Andróides”. O técnico em efeitos de maquiagem Ed French atuou no filme fazendo o papel do médico Dr. Ira Markum, que auxilia a Dra. Pace na pesquisa sobre os misteriosos esporos encontrados nas vítimas do monstro. (RR – 17/05/15)


* O Homem Que Enganou a Morte (1959) – Filme de Horror com elementos de Ficção Científica produzido pelo cultuado estúdio inglês “Hammer”. A direção é de Terence Fisher, o principal cineasta da produtora com grande quantidade de trabalhos, o roteiro é de Jimmy Sangster (baseado em peça de Barré Lyndon), autor das histórias de outras preciosidades como “O Vampiro da Noite” (1958) e “A Múmia” (1959), e com o lendário Christopher Lee, um dos grandes ícones do cinema de horror em todos os tempos. “O Homem Que Enganou a Morte” é ambientado na Paris de 1890, onde o médico Dr. Georges Bonnet (o alemão Anton Diffring, de “Fahrenheit 451”, 1966), que nas horas livres faz esculturas de bustos de belas mulheres servindo de modelo, carrega um mistério em sua longa vida de 104 anos, mesmo aparentando menos de 40. Ele descobriu como “enganar a morte” junto com outro médico famoso, Dr. Ludwigg Weiss (Arnold Marle), através de cirurgias em intervalos regulares de tempo, com a substituição das glândulas paratireóides. Porém, o “cientista louco” precisa ingerir um líquido especial, no melhor estilo de “O Médico e o Monstro”, em momentos críticos quando ocorrem atrasos na realização das cirurgias, para impedir um desequilíbrio mental que o torna um assassino frio e cruel. Apaixonado pela bela Janine Du Bois (Hazel Court, de “A Maldição de Frankenstein”, 1957), o médico centenário precisa tomar uma decisão, continuar prolongando a vida com cirurgias, enfrentando a oposição do velho companheiro Dr. Weiss, que desaprova sua conduta em matar pessoas inocentes para usar suas glândulas, sendo obrigado também a se separar de Janine, que envelhecerá normalmente. Ou eliminar todos aqueles que cruzam seu caminho obrigando sua amada também a ser eterno como ele, enfrentando um rival na figura do cirurgião Dr. Pierre Gerrard (Christopher Lee), que também se interessa por Janine. Além de fugir da investigação policial liderada pelo Inspetor Legris (Francis De Wolff), que desconfia de suas atitudes suspeitas. Mais uma divertida produção da “Hammer”, com menos ação e mais diálogos, numa história interessante de um médico enfrentando o drama de desafiar as leis da natureza, descobrindo o segredo da vida e saúde eterna, mas que não impede a inevitável ocorrência de consequências desconfortáveis, como não poder formar uma família, vivendo eternamente em solidão. E quando a dificuldade de se conseguir glândulas de cadáveres torna-se progressivamente pior, ele encontra a alternativa em retirar de pessoas vivas, com os assassinatos despertando a atenção de investigação policial e a desaprovação do cirurgião Dr. Weiss,  que sempre esteve ao seu lado mantendo o segredo. Entre as curiosidades, o filme é considerado uma versão do americano “O Homem Que Desafiou a Morte” (The Man in Half Moon Street, 1945). E o igualmente ícone do cinema de Horror Peter Cushing estava escalado inicialmente para fazer o papel do Dr. Bonnet, mas desistiu alegando problemas de saúde. (RR – 23/05/15)


* Invasores Invisíveis (1959) – Produção em preto e branco com direção de Edward L. Cahn (1899 / 1963), o mesmo cineasta de outras divertidas tranqueiras do cinema bagaceiro como “O Cadáver Atômico” (1955), “Os Zumbis de Mora Tau” (1957) e “A Ameaça do Outro Mundo” (1958). No elenco temos John Agar (1921 / 2002), de pérolas como “Tarântula” (1955) e “O Cérebro do Planeta Arous” (1957), além do cultuado John Carradine (1906 / 1988), ator com forte relação com o cinema fantástico, tanto que ele aparece em destaque num dos cartazes originais do filme, mesmo com uma participação pequena apenas no início fazendo o papel de um “cientista louco”. Alienígenas conquistadores oriundos de um planeta de outra galáxia invadiram a nossa lua há 20.000 anos e aniquilaram suas formas de vida, instalando uma base para suas naves espaciais. São criaturas invisíveis que adquiriram a capacidade de alterar a estrutura molecular de seus corpos. Até então, a Terra não interessava devido seu lento desenvolvimento tecnológico, mas depois que a humanidade entrou na era espacial, com testes de armas nucleares e foguetes para viajar pelo espaço, os alienígenas ditadores decidiram dominar nosso planeta tomando os corpos dos mortos para dizimar os vivos. Com suas naves construídas com materiais que também poderiam tornar-se invisíveis, eles primeiramente se apossaram do cadáver do cientista Dr. Karol Noymann (John Carradine), morto numa explosão em seu laboratório. O zumbi visita seu colega veterano cientista Dr. Adam Penner (Philip Tonge), solicitando para avisar as autoridades militares para se renderem, ou seria iniciada uma invasão com destruições catastróficas, arrasando edifícios governamentais, unidades de comunicação, depósitos, arsenais de armas, estradas de ferro e aeroportos. Desacreditado pelos governos e ridicularizado pela imprensa com manchetes pejorativas dos jornais, o alerta de rendição não funcionou e os alienígenas invisíveis iniciaram a invasão com uma guerra desproporcional. Restando ao cientista Dr. Penner, sua bela filha Phyllis (Jean Byron), o jovem cientista John Lamont (Robert Hutton, de “Eles Vieram do Espaço Exterior”, 1967) e o militar Major Bruce Jay (John Agar), se refugiarem num abrigo subterrâneo secreto e bem equipado, para tentarem encontrar um meio ou arma eficaz para deter os inimigos do espaço. “Invasores Invisíveis” está situado dentro do sub-gênero da Ficção Científica que aborda invasões alienígenas com elementos de horror, explorando novamente o tema da guerra fria do período pós-Segunda Guerra Mundial, com a corrida armamentista e as consequências nocivas das experiências nucleares.  Para facilitar o baixo orçamento da produção, além da metragem curta com apenas 67 minutos de duração, o roteiro de Samuel Newman apresenta alienígenas invisíveis, com respiração ofegante e que deixam rastros no chão de terra ao caminharem, diminuindo os gastos com efeitos e maquiagem. Eles se apossam dos corpos de seres humanos mortos, transformando-os em zumbis assassinos, numa ideia que serviu de inspiração para George Romero conceber o clássico absoluto “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968), que traz semelhanças tanto na concepção dos zumbis como na forma de caminharem. O filme é mais uma preciosidade do cinema fantástico bagaceiro dos anos 50 do século passado, divertido justamente pela forma simplória e ingênua de condução da história, acontecendo tudo rapidamente e repleto de clichês. Não faltam os “cientistas loucos” cercados de aparelhos em experiências exageradas e os militares truculentos em ações de força. Também não poderia deixar de ter uma jovem mulher bonita sem função na história (a filha do cientista), com o objetivo de criar um triângulo amoroso em meio ao caos, e nesse caso incluindo o Dr. Lamont e o Major Jay. E com aquela tradicional mensagem de cooperação entre as nações do mundo para uma causa comum, deixando os conflitos entre si para unirem-se no combate ao inimigo maior na figura de alienígenas hostis, que por sua vez, são o alvo de uma crítica social contra as ações opressoras de ditadores conquistadores, com o uso de força e destruição. Curiosamente, o ator Philip Tonge morreu aos 61 anos logo após completar suas filmagens e não conseguiu ver seu trabalho editado. E, ao longo do filme, um narrador conduz a história, com constantes informações sobre as ações dos alienígenas. “Num prazo de três dias, os mortos exterminarão todos os vivos, e nós iremos governar a Terra. Para a raça humana, este é o fim de sua existência” – mensagem dos alienígenas invasores. (RR – 09/05/15)


* Os Jacarés Mutantes (2013) – Exibido na TV a cabo “SyFy” como “Os Jacarés Mutantes”, também é conhecido por aqui como “Alligators – Crocodilos em Fúria”. É uma produção americana de 2013 que tem dois títulos por lá: “Ragin´ Cajun Redneck Gators” e “Alligator Alley”. Ou seja, com tantos títulos, torna-se evidente a imensa dificuldade em se fazer um trabalho de catalogação dessas tranqueiras. Dirigido por Griff Furst (de “Pânico no Lago 3” e outras porcarias similares), a história mostra uma jovem estudante, Avery (Jordan Hinson), que retorna da faculdade para visitar a família em sua pequena cidade natal, no Estado da Louisiana, que fica ao lado de lagos e pântanos onde vive uma comunidade colossal de jacarés. Em seu retorno ela terá que enfrentar a histórica rivalidade entre sua família Doucette e os vizinhos Robichaud, além de administrar a dificuldade em namorar um rapaz da família inimiga, Dathan (John Chriss), numa típica história “Romeu e Julieta”. E principalmente, ela terá que lutar contra o ataque feroz de jacarés mutantes assassinos devoradores de homens. Os enormes bichos foram contaminados por uma estranha “mistura azul” tóxica despejada regularmente nas águas dos lagos que cercam a região, transformando-os em criaturas enormes e violentas. E, além da ameaça natural desses animais rastejantes, suas mordidas infectam as vítimas com uma contaminação misteriosa que transforma as pessoas em jacarés. Os americanos gostam muito de fazer filmes bizarros e picaretas com tubarões assassinos. São tantas porcarias que é árdua a tarefa de listar e acompanhar. Mas, eles também se divertem produzindo filmes bagaceiros com outros animais como os jacarés, que são os protagonistas dessa tranqueira ruim ao extremo, com um roteiro absurdo e CGI vagabundo. E para quem tiver a corajosa intenção de ver esse filme um dia, aviso que abaixo seguem alguns “spoilers” inofensivos, que provavelmente não devem ser tão comprometedores para atrapalhar a diversão. O filme é tão tosco que algumas cenas conseguem até ficar divertidas e guardadas na memória por algum tempo para serem citadas em conversas sobre cinema bagaceiro de ficção científica e horror. Por exemplo, em determinado momento, os patriarcas das duas famílias inimigas finalmente encontram a oportunidade de fazerem um duelo mortal, para encerrarem o assunto da inimizade histórica. A questão bizarra é que um deles, o pai da mocinha estudante que volta para casa, se transformou num imenso jacaré depois de ser mordido por um destes bichos contaminados. Os dois ficam de frente um para o outro, no melhor estilo dos duelos de pistoleiros dos filmes de western, e ambos sucumbem ao mesmo tempo, com o jacaré acertando o rival com o disparo de um potente espinho localizado na cauda, e o outro homem mata o animal com um tiro de arma de fogo. Continuando as bizarrices, ainda tem uma cena onde um grupo de pessoas está encurralado por um crocodilo, e um deles tem a ideia de arremessar o cachorro de estimação da família na boca do jacaré, para ganharem tempo e poderem fugir. Ninguém imaginaria o destino do pobre cachorrinho. “Os Jacarés Mutantes” é apenas mais um daqueles filmes ruins e patéticos demais, perdido na imensidão de produções similares, e que um dia no futuro poderá até ser cultuado justamente por isso. (RR – 30/05/15)


* Jamie Marks Está Morto (2014) – Filme americano dirigido e escrito por Carter Smith, baseado em livro de Christopher Barzak, “Jamie Marks Está Morto” é um drama sobrenatural com elementos sutis de horror que foi exibido no Brasil na “38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”, em Outubro de 2014. Um adolescente que está sempre isolado e sofre bullyng na escola, Jamie Marks (Noah Silver), é encontrado morto misteriosamente na beira de um rio gelado numa pequena cidade dos Estados Unidos, descoberto pela jovem Gracie Highsmith (Morgan Saylor), enquanto procurava pequenas pedras para sua coleção. Como um fantasma desorientado, ele fica perdido entre os mundos dos vivos e mortos, precisando de um amigo para ajudar a guiá-lo pelo túnel para o outro lado, que parece ser Adam McCormick (Cameron Monaghan), esportista bem sucedido na escola e que não participava das sessões de bullyng.. O fantasma de Jamie Marks podia ser visto apenas por Gracie e Adam, criando uma relação estranha e misteriosa entre eles. Melancólico, depressivo, uma história de fantasma perturbado em busca de paz. Com uma narrativa lenta, mas não entediante, como um bom roteiro deve ser, sem precisar apelar para sangue, violência ou sustos fáceis, nem efeitos especiais mirabolantes e artificiais. Não é para todos os públicos, sendo um típico filme para exibição em festivais, com pequeno apelo comercial e por isso difícil de ser exibido nos cinemas em geral. A química de amizade formada por Jamie e Adam funciona bem e de forma convincente, mantendo a atenção do espectador e o interesse pela condução da história. Curiosamente, a bela atriz Liv Tyler, também conhecida por ser filha de Steven Tyler, o líder da banda “Aerosmith”, e que esteve em filmes populares como “Armageddon” (1998), a trilogia “O Senhor dos Anéis” (2001 / 2002 / 2003) e “O Incrível Hulk” (2008), tem uma participação menor no papel da mãe de Adam, num momento meio frio de sua carreira, com poucos trabalhos. (RR – 29/04/15)


* O Monstro de Duas Caras (1960) – Mais uma produção colorida do estúdio inglês “Hammer”, com direção do especialista Terence Fisher e com o ícone Christopher Lee. Apresentando outra versão da conhecida história “O Médico e o Monstro” (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde), de Robert Louis Stevenson, famosa obra literária de 1886 que foi adaptada inúmeras vezes no cinema, inclusive com outras duas versões da própria “Hammer”, “The Ugly Duckling” (1959) e “O Médico & Irmã Monstro” (1971). “Em cada personalidade humana, duas forças lutam pela supremacia.” Com estas palavras, o obcecado cientista Dr. Henry Jekyll (o canadense Paul Massie) se convence e tenta argumentar para seu amigo, o médico Dr. Ernst Litauer (David Kossof), sobre a importância de suas experiências na descoberta de uma solução química que depois de ingerida poderia trazer à tona o lado mal do ser humano. Ou a sua personalidade mais agressiva e livre de obrigações morais. E uma vez testando a poção em si mesmo, desperta em seu interior o Sr. Edward Hyde, um homem elegante quando é de seu interesse, mas que age sem escrúpulos, sentindo-se livre para se envolver no submundo de Londres de 1874. Relacionando-se com prostitutas, bebendo em bares de categoria inferior, apostando em lutas ilegais e fumando ópio em locais próprios para se consumir a droga. A esposa do pacato Dr. Henry Jekyll, a bela Kitty (Dawn Addams, de “Os Vampiros Amantes”, 1970), cansada da falta de atenção do cientista abnegado em seu trabalho, prefere participar de festas sociais da alta sociedade londrina, sendo amante do amigo de seu marido, Paul Allen (Christopher Lee), que é um homem sedutor, mas sem afeição pelo trabalho. Ele está sempre perdendo dinheiro em jogos de cartas, vivendo endividado e recorrendo à ajuda financeira do Dr. Jekyll. As coisas pioram bastante depois que mortes misteriosas ocorrem despertando a atenção da polícia, e o cientista perde progressivamente o controle da situação, permitindo o domínio do Sr. Hyde. Um destaque notável é a interpretação de Paul Massie, que alterna de forma eficaz a voz e o comportamento geral quando interpreta o educado Dr. Jekyll e o descontraído Sr. Hyde, num trabalho convincente de duas personagens de uma mesma pessoa. Curiosamente, o consagrado ator Christopher Lee também esteve em outra adaptação do livro de Stevenson, “O Soro Maldito” (I, Monster, 1971), produzido pelo estúdio rival “Amicus”, e dessa vez fazendo o papel do “cientista louco”, atuando ao lado do lendário parceiro Peter Cushing. Oura curiosidade é a participação pequena, com uma breve ponta, do ator Oliver Reed. Ele está na mesma casa noturna sofisticada em que se encontra o casal de amantes formado por Paul Allen e Kitty, além do Sr. Hyde, e para defender uma prostituta de luxo, se envolve numa briga com eles. Reed atuou um ano depois em outro filme da “Hammer”, “A Maldição do Lobisomem” (The Curse of the Werewolf) no papel do homem que se transforma em lobo. Ele também esteve em “Dr. Heckyl and Mr. Hype” (1980), outra adaptação do livro de Stevenson, no papel do cientista. (RR – 01/06/15)


* O Monstro do Himalaia (1957) – Um filme da década de 50 do século passado, da produtora inglesa “Hammer”, com fotografia em preto e branco, estrelado por Peter Cushing e com uma história explorando o lendário “abominável homem das neves”, assunto que inspirou a realização de vários filmes especulando sua misteriosa existência. Esse conjunto de fatores é mais do que suficiente para a garantia de diversão em mais uma preciosidade do cinema fantástico bagaceiro. “O Monstro do Himalaia” tem direção de Val Guest, o mesmo de “O Dia Em Que a Terra se Incendiou” (61) e “Quando os Dinossauros Dominavam a Terra” (70), e roteiro de Nigel Kneale, o criador do universo ficcional de “The Quatermass Experiment”. É o primeiro de muitos filmes do “Cavalheiro do Horror” Peter Cushing (1913 / 1994) para o cultuado estúdio “Hammer”. Ele que ficou eternizado no cinema fantástico por sua imensa contribuição ao gênero com participações em dezenas de filmes de horror e ficção científica, interpretando papéis marcantes e se especializando em “caçador de vampiros” e “cientistas loucos”. O cientista botânico Dr. John Rollason (Cushing) está hospedado num monastério situado na base das montanhas geladas do Himalaia, uma região inóspita onde se encontram as montanhas mais altas do mundo, abrangendo lugares como o Tibete (na China) e o Nepal. Junto com sua esposa Helen (Maureen Connell) e o assistente Sr. Peter Fox (Richard Wattis), eles estudam ervas raras que sobrevivem nesse ambiente hostil de frio intenso. Porém, o Dr. Rollason também tem outro objetivo maior, que é fazer parte de uma expedição rumo ao topo da montanha para tentar encontrar o lendário “Yeti”, ou “homem das neves”, uma criatura primitiva enorme com pegadas de 40 cm e altura de 3 m, que poderia ser o elo evolutivo entre o macaco e o homem, e cuja lenda de sua existência fascina o mundo, tendo um equivalente paralelo nas florestas dos Estados Unidos, chamado de “Sasquatch” ou “Pé Grande”. A expedição é liderada pelo explorador Tom Friend (Forrest Tucker), e fazem parte outros três homens, o caçador Edward Shelley (Robert Brown), o fotógrafo Andrew McNee (Michael Brill) e o guia local Kusang (Wolfe Morris). Mesmo com a oposição da esposa Helen, que teme os perigos da empreitada, e do mestre espiritual do monastério, Lhama (Arnold Marle), que tem motivos misteriosos para manter os exploradores afastados da região, o Dr. Rollason decide acompanhar a expedição. Descobrindo mais tarde as reais intenções comerciais de Tom Friend em contraste com seus objetivos científicos, e desvendando o mistério que envolve os imensos antropóides que se escondem nas mais remotas e geladas regiões do planeta. A narrativa é lenta em boa parte do filme, mas em compensação temos a bem sucedida intenção dos realizadores em manter em segredo as enormes criaturas peludas, expondo-as sutilmente apenas no desfecho, instigando a imaginação do espectador. Mesmo que tal intenção também possa ser algo inevitável devido às deficiências orçamentárias da produção, que não permitiria uma grande exposição do “monstro do Himalaia”. Também é bastante louvável o roteiro especular que as misteriosas criaturas que são o foco da expedição, não sejam necessariamente primitivas, e que poderiam ter evoluído em paralelo com a raça humana, desenvolvendo inteligência e preferindo viver em isolamento com receio do poder de autodestruição da humanidade. O filme é uma refilmagem de “The Creature” (1955), episódio de TV da série “BBC Sunday-Night Theatre”, também com Peter Cushing fazendo o mesmo papel do Dr. John Rollason. Além dele, outros dois atores reprisaram seus personagens, Wolfe Morris como o guia da expedição e Arnold Marle como o líder espiritual do mosteiro. Em 1954 foi lançado “O Terror do Himalaia” (The Snow Creature), que é considerado o primeiro filme a abordar a lenda do “Yeti”. Produzindo nos Estados Unidos com baixo orçamento e em preto e branco, tem direção de W. Lee Wilder. “O Monstro do Himalaia” ainda faz parte da fase em preto e branco da “Hammer”. Porém, no mesmo ano de 1957 já começaria a produção dos filmes em cores como “A Maldição de Frankenstein”, também com Peter Cushing no papel do “cientista louco”, só que dessa vez ao lado de Christopher Lee como o monstro, outro ator que se transformou em ícone no gênero e que fez inúmeras parcerias com Cushing. Os filmes coloridos da “Hammer” ajudaram o estúdio a torna-se cultuado, ao mostrar o vermelho vivo do sangue e revitalizando os monstros clássicos da produtora americana “Universal”. O ator americano Forrest Tucker (1919 / 1986), que tem um dos papéis principais no filme, tanto que seu nome aparece em destaque nos cartazes de divulgação, é mais conhecido pelos inúmeros filmes de western. Mas, ele também participou de outros dois filmes ingleses bagaceiros de ficção científica e horror, “The Trollenberg Terror” e “O Monstro Cósmico” (The Strange World of Planet X), ambos de 1958.
Curiosidades:
* Na divertida animação “Monstros S.A.” (2001), cuja história apresenta monstros diversos que vivem num universo paralelo interligado ao nosso através de portas dimensionais, o “abominável homem das neves” é um monstro banido desse mundo oculto. Ele foi obrigado a viver no nosso, isolado nas terras geladas do Himalaia e longe da humanidade. E, inevitavelmente ele despertaria uma lenda sobre sua misteriosa existência.
* “Quando a humanidade lançar a bomba atômica, também nossos descendentes viverão no gelo”. Essas palavras do explorador Tom Friend evidenciam o medo naquela época conturbada da catástrofe nuclear, um temor fortemente presente durante a paranoia da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, sendo um assunto abordado à exaustão numa infinidade de filmes, principalmente nas décadas de 1950 e 60.
* O roteiro de “O Monstro do Himalaia” procurou especular o “abominável homem das neves” como um ser inteligente e não primitivo. Porém, curiosamente, apenas dois anos depois do lançamento do filme, em 2 de Fevereiro de 1959 ocorreu um massacre de nove estudantes esquiadores que viajavam pelo Norte dos Montes Urais, uma cordilheira de montanhas geladas e inóspitas na Rússia, região que divide a Europa da Ásia. Os cadáveres dos jovens foram encontrados mutilados e semi nus, e a autoria dos assassinatos tornou-se um grande mistério conhecido como “Incidente do Passo Dyatlov”, que era o nome do líder da expedição de esquiadores mortos. Existe também a especulação sobre uma investigação da polícia secreta russa KGB, escondendo informações que ajudariam a desvendar o mistério. Para muitos jornalistas investigativos e habitantes de aldeias locais, o responsável pelas mortes sangrentas é um “Yeti”, demonstrando que a criatura seria primitiva e violenta. Em 2013 tivemos um filme baseado nessa história, “O Mistério da Passagem da Morte” (The Dyatlov Pass Incident / Devil´s Pass, EUA / Inglaterra / Rússia), dirigido pelo finlandês Renny Harlin, especulando ainda mais sobre o mistério da morte sem explicações dos esquiadores.  (RR – 20/05/17 , 17/07/15 e 10/09/17)


* O Vampiro de Black Water (2014) – Também conhecido no Brasil como “O Assassino das Sombras”, o filme foi exibido na TV a cabo “SyFy” como “O Vampiro de Black Water”. Escrito e dirigido por Evan Tramel, em seu primeiro trabalho, está situado dentro do sub-gênero “found footage”, com muita influência de “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999) e elementos de “O Bebê de Rosemary” (Rosemary´s Baby, 1968) no desfecho. Uma equipe de filmagem de documentários está trabalhando no misterioso caso de assassinatos em série de mulheres nas florestas geladas de Black Water, no Estado americano de Washington. As vítimas são encontradas sem sangue e com uma enorme mordida no pescoço. A polícia encerra o caso ao prender um morador da região, Raymond Banks (Bill Oberst Jr.), que é condenado à morte de maneira suspeita. A equipe de documentaristas é formada por Danielle Mason (Danielle Lozeau), Andrea Adams (Andrea Monier), o cinegrafista Anthony Russell (Anthony Fanelli) e o técnico de som Robin Allen (Robin Steffen). O objetivo é investigar os assassinatos, entrevistando os moradores e visitando os locais onde foram encontradas as vítimas. Porém, ao ficarem perdidos na floresta e sendo ameaçados por estranhos ruídos noturnos, eles terão que lutar por suas vidas ao serem atacados por uma violenta criatura de dentes pontudos. Este é um daqueles típicos filmes do cinema bagaceiro de horror do século 21. Ruim e repleto de clichês e ideias de outros filmes, e que talvez um dia no futuro possa até ser cultuado justamente por ser uma tranqueira que não agrega grande coisa ao gênero, mas que até poderia divertir. Assim como fazemos com os filmes bagaceiros de roteiros absurdos e efeitos toscos produzidos dezenas de anos atrás, principalmente as preciosas tranqueiras dos anos 50 e 60 do século passado, podendo até se estender à década de 80. O estilo “found footage” já está saturado ao extremo, mas ainda continua chamando a atenção dos realizadores. “O Vampiro de Black Water” não apresenta nada que já não tenha sido explorado numa infinidade de filmes anteriores, inclusive tem uma imensa similaridade com o já citado “A Bruxa de Blair”. A opção do diretor em mostrar o monstro em vez de apenas sugerir sua presença ameaçadora, com a artificialidade do CGI, também contribui para situá-lo num imenso grupo de filmes apenas comuns. E pelo título, é plenamente óbvio saber com antecedência a identidade da criatura. É para assistir, tentar não dormir, talvez até se divertir um pouco, e esquecer logo em seguida. (RR – 26/05/15)