Re-Juvenator (The Rejuvenator / Rejuvenatrix, EUA, 1988)


O fanzine de Horror e Ficção Científica “Juvenatrix” foi criado em Janeiro de 1991 (com mais de 200 edições e 5000 páginas já publicadas) e teve seu nome inspirado num filme americano obscuro e bagaceiro de 1988, lançado em vídeo VHS por aqui pela “Taipan Video” como “Re-Juvenator”. Com direção de Brian Thomas Jones, cineasta desconhecido com um currículo pequeno, e roteiro dele em parceria com Simon Nuchtern.
Uma atriz veterana e rica, Ruth Warren (Jessica Dublin), está depressiva pelo declínio de sua carreira, não recebendo mais convites para atuar em grandes filmes. Ele decide então patrocinar as pesquisas científicas do Dr. Gregory Ashton (John MacKay), que é auxiliado pela assistente Dra. Stella Stone (Katell Pleven). O projeto científico consiste na criação de um soro de rejuvenescimento, cuja fase experimental somente tem testes com animais, e ainda não é seguro para aplicação em seres humanos.
Porém, a atriz em decadência está tão ansiosa para voltar a ter uma nova vida mais jovem, que aceita os riscos e obriga o cientista a testar a fórmula nela mesmo, como cobaia. Depois de uma cirurgia plástica bem sucedida inicialmente, a mulher se transforma em jovem novamente, tanto que até mudou de nome para Elizabeth Warren (Vivian Lanko). E sempre ao seu lado para servi-la, está disponível o fiel mordomo Wilhelm (James Hogue).
Mas, para manter os efeitos do rejuvenescimento, ela precisa ingerir regularmente o tal soro que é obtido através da extração de líquidos dos cérebros de cadáveres, adquiridos ilegalmente pelo cientista. Despertando assim a desconfiança de um colega rival, Dr. Germaine (Marcus Powell), um desafeto que quer denunciá-lo e impedir seu trabalho científico.
Como o processo de rejuvenescimento está sempre se revertendo e a obtenção do soro está cada vez mais difícil, a atriz vai se transformando progressivamente num monstro disforme com a mente distorcida, desenvolvendo um brutal instinto assassino à procura do cérebro de pessoas vivas para a obtenção do soro.
“Re-Juvenator” é o típico filme bagaceiro de horror com elementos de ficção científica dos saudosos anos 80 do século passado, com baixo orçamento, mortes sangrentas e ótimos efeitos especiais com maquiagem “gore” na concepção da criatura mutante gosmenta com voz gutural, sem a utilização de imagens geradas por computador.
A história não tem novidades, porém trata-se de diversão garantida pela combinação de “cientista louco” em busca do bem para a humanidade (o soro da juventude), com “ser humano transformado em monstro” (uma mulher desesperada para voltar a ser jovem), tendo um resultado catastrófico para o projeto científico com uma cobaia humana grotesca assassina, sedenta pelo sangue e faminta pelo cérebro de suas vítimas.  
É verdade que demora um pouco para ocorrer a primeira morte, com quase sessenta minutos, e tudo acontece com mais intensidade no ato final, com o sangue jorrando e o monstro colecionando cadáveres, mas isso não é um problema, pois a história desperta o interesse o tempo inteiro.
O filme foi considerado como uma espécie de refilmagem de “A Mulher Vespa” (The Wasp Woman, 1960), de Roger Corman, pela similaridade da história que se situa dentro dos sub-gêneros do cinema fantástico que exploram “cientistas loucos” e “seres humanos transformados em monstros”.
Entre as curiosidades, a trilha sonora é da banda feminina de rock “Poison Dolly´s” (1986 / 1994), que aparece num show numa boate, e o filme recebeu vários títulos originais como “The Rejuvenator”, “Rejuvenatrix” ou “Juvenatrix – A Classic Tale of Terror”.

(Juvenatrix – 16/05/20)



O Tesouro do OVNI (Top Line, Itália / Colômbia, 1988)


É inegável que boa parte do cinema fantástico bagaceiro italiano é divertido, pois temos uma infinidade de filmes tranqueiras com roteiros repletos de absurdos, para a satisfação dos apreciadores do estilo. Um exemplo disso é a tralha “O Tesouro do OVNI” (Top Line, 1988), já começando pelo título brasileiro no mínimo hilário. É uma co-produção entre Itália e Colômbia (as filmagens ocorreram em Cartagena, na região caribenha do país sul americano) dirigida por Nello Rossati (sob o pseudônimo Ted Archer), e que apesar da grande semelhança com meu sobrenome, não é meu parente.
A história é uma salada misturando elementos de aventura com ficção científica, explorando diversas temas como civilizações perdidas (o ouro dos astecas) com queda de disco voador, passando por robôs assassinos e alienígenas gosmentos hostis que querem invadir nosso planeta, além de conspiração governamental envolvendo o serviço secreto americano (CIA) e russo (KGB). Sem esquecer que a polícia e o exército colombianos são corruptos e ainda tem um nazista colecionador de tesouros.
Para completar, vale citar alguns nomes importantes que agregam muito valor ao elenco, como o ator italiano Franco Nero, com um currículo tão extenso que passa dos 200 filmes, e o veterano americano George Kennedy (1925 / 2016), outro rosto conhecido pela imensa carreira. Depois de tudo isso, dá para imaginar o nível de bizarrice, atiçando a curiosidade para ver o filme.
Um escritor falido e alcoólatra, Ted Angelo (Franco Nero), está na Colômbia pesquisando materiais para um livro sobre a história das civilizações que foram colonizadas pelos espanhóis nos séculos XV e XVI. Depois de ter contato com uma adaga asteca, ele decide procurar mais artefatos preciosos nas montanhas de Cartagena. Ele encontra uma caverna com uma caravela espanhola e uma nave espacial em seu interior, além de muitos objetos de ouro dos astecas.
A partir daí, o escritor aventureiro se envolve numa perigosa rede de intrigas e conspirações, acompanhado da jovem June (Deborah Barrymore), que conheceu depois do assassinato misterioso de seu amigo vendedor de antiguidades Alonso Quintero (William Berger). Eles são perseguidos por mercenários interessados no tesouro e agentes secretos interessados em ocultar a existência do OVNI, enfrentando problemas com sua editora, a ex-esposa americana Maureen De Havilland (Mary Stavin), com um perigoso nazista antiquário, Heinrich Holzmann (George Kennedy), e um robô alienígena assassino (Rodrigo Obregón).  
“O Tesouro do OVNI” é uma produção de baixo orçamento e roteiro hilário de tão ruim. Começa basicamente como um filme comum de aventura tendo o primeiro terço meio arrastado, apesar dos tiroteios e perseguições, e um destaque é a perseguição insana entre jipes numa estrada estreita nas montanhas. Porém, o que realmente irá despertar interesse para os apreciadores do cinema bagaceiro está na metade para o final, onde temos uma maior relevância para os elementos de ficção científica tranqueira, garantindo a diversão com uma grande quantidade de bizarrices. Principalmente com um ciborgue tosco no estilo “Exterminador do Futuro” e um alienígena gosmento (filmado propositalmente com cenas escuras para esconder os defeitos), concebido com aqueles efeitos especiais típicos da década de 80 do século passado, sem o artificial uso de imagens geradas por computador.
O filme foi lançado no Brasil na época dos vídeos VHS, pela VIC e também recebeu o nome alternativo original “Alien Terminator”.

(Juvenatrix – 12/05/20)

 


O Peixe Assassino (Killer Fish, Itália / França / Brasil, 1979)


Entre meados dos anos 70 e 80 do século passado, foram lançados muitos filmes explorando o tema de animais marinhos assassinos, inspirados pelo sucesso comercial de “Tubarão” (Jaws, 1975), de Steven Spielberg. Além da própria franquia criada por esse filme que se tornou um clássico, com três sequências lançadas em 1978, 1983 e 1987, tivemos ainda vários outros filmes como “Orca: A Baleia Assassina” (1977), “Piranha” (1978), “Piranhas 2: Assassinas Voadoras” (1981), “O Último Tubarão” (1981), “O Peixe Assassino” (Killer Fish, 1979), entre outros.
Esse último é uma bagaceira co-produzida pela Itália, França e Brasil, com direção de Antonio Margueriti (sob o pseudônimo Anthony M. Dawson), cineasta responsável por divertidas tranqueiras italianas de ficção científica dos anos 60 como “Destino: Espaço Sideral” e “O Planeta dos Desaparecidos”, lançadas num único DVD por aqui pela “Works Editora” por volta de 2007. As filmagens ocorreram em Angra dos Reis (RJ), e no elenco temos nomes conhecidos do cinema americano como Lee Majors (o ciborgue da nostálgica série de TV “o Homem de Seis Milhões de Dólares”, 1974 / 1978), James Franciscus (“De Volta ao Planeta dos Macacos”, 1970), e Karen Black (“A Casa dos 1000 Corpos”, 2003).
Na história, um grupo de ladrões americanos de joias está no Brasil, formado principalmente por Lasky (Lee Majors) e Kate Neville (Karen Black), além do mentor Paul Diller (James Franciscus), ex-funcionário de uma refinaria de óleo que tem esmeraldas guardadas num cofre. Eles roubam as pedras preciosas após explodirem reservatórios de combustível na usina, aproveitando a confusão do incêndio. Para despistar as autoridades policiais, eles escondem as pedras no fundo de um lago, para retirarem somente depois que os movimentos de busca diminuíssem.
Mas, o lago está repleto de piranhas, causando atritos e desconfiança no grupo de ladrões e espalhando o horror para quem entrasse nessas águas, incluindo um barco de turismo que ficou à deriva depois de enfrentar a fúria de um tornado. O barco estava levando entre seus passageiros uma equipe profissional de sessão de fotos, com o fotógrafo irritante Ollie (Roy Brocksmith), a modelo Gabrielle (Margaux Hemingway) e sua empresária Ann (Marisa Berenson).
“O Peixe Assassino” tem um roteiro muito simples e cheio de clichês, contando uma história banal sobre ladrões de joias, com intrigas e traições entre eles, e com o elemento de horror como pano de fundo através de piranhas assassinas comendo gente num lago (aproveitando a onda no cinema naquele período, explorando criaturas aquáticas carnívoras). O primeiro terço do filme é bastante arrastado, até que finalmente acontece a primeira morte sutil provocada pelas piranhas. Mas, infelizmente elas somente irão sangrar a tela com um pouco de violência mais para o final. Aliás, num total de 100 minutos de projeção, poderia ter uma redução de pelo menos 15 minutos, eliminando vários momentos tediosos sem envolver os peixes assassinos, que certamente são o maior interesse no filme.
Os efeitos especiais são bem toscos, mas garantem alguma diversão com as filmagens utilizando maquetes e miniaturas no desastre da refinaria, e no rompimento de uma barragem por um tornado falso, com uma consequente inundação que espalhou piranhas para todos os lados. Também tem o fato hilário da performance totalmente desinteressada de Lee Majors, um dos principais nomes do elenco, que no meio de cenas que deveriam ser carregadas de tensão, com a ameaça mortal das piranhas, ele parece excessivamente tranquilo e alheio ao perigo, eliminando qualquer credibilidade nos momentos de ataques.  
O filme recebeu também outro título por aqui, “Perigo no Lago”, quando foi exibido na televisão. É uma produção de baixo orçamento com história ambientada no Brasil e tem algumas curiosidades como a menção ao dinheiro da época (final dos anos 70), o cruzeiro, e a aparição no desfecho de um avião comercial da Varig, empresa que controlou boa parte da aviação brasileira e que agora não existe mais. O ator italiano Anthony Steffen (1930 / 2004), conhecido pelas inúmeras participações em filmes do gênero “spaghetti western”, também fez parte do elenco de “O Peixe Assassino”.
Apesar de todos os muitos defeitos, “O Peixe Assassino” ainda vale uma conferida pelas cenas sangrentas com as piranhas e pela curiosidade geral da ambientação da história no Rio de Janeiro.

(Juvenatrix – 07/05/20)





Devorado Vivo (Eaten Alive, EUA, 1976)


O diretor americano Tobe Hooper (1943 / 2017) é um nome bastante conhecido no cinema de Horror, mas teve uma carreira irregular, alternando entre filmes significativos e sempre lembrados pelos fãs, com outros de qualidade menor e geralmente esquecidos. Seu maior trabalho certamente é o eterno clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), com sua história sangrenta que iniciou uma extensa franquia e contribuiu como inspiração e influência para uma grande produção que veio a seguir.
Sua filmografia inclui títulos como “Poltergeist, o Fenômeno” (1982), apesar que nesse caso os rumores indicam que boa parte da direção foi do produtor Steven Spielberg, além de outros filmes divertidos como o “slasher” “Pague Para Entrar, Reze Para Sair” (1981), a ficção científica “Força Sinistra” (1985), e o violento “Devorado Vivo” (Eaten Alive, 1976).
A história desse último é bem simples. Numa pequena cidade americana, um veterano soldado perturbado, Judd (Neville Brand, rosto conhecido pela série de TV de Western “Laredo”), é o dono de um hotel fuleiro chamado “Starlight”, localizado num pântano com um lago sinistro habitado por um enorme crocodilo sempre faminto e à espera da carne de animais ou dos eventuais hóspedes do hotel.
Para entrar no cardápio do réptil assassino, temos uma família em crise formada pelo estranho pai, Roy (William Finley), a histérica mãe Faye (Marilyn Burns, que já tinha sido a “scream queen” de “O Massacre da Serra Elétrica”) e a filha pequena Angie (Kyle Richards). Além também de Harvey Wood (Mel Ferrer), um pai de família com uma doença terminal, que junto com a filha Libby (Crystin Sinclaire), está procurando desesperadamente sua outra filha desaparecida, Clara (Roberta Collins). Para completar o time de hóspedes (ou vítimas), ainda temos o jovem arruaceiro Buck (Robert Englund, que mais tarde seria o popular vilão Freddy Krueger na franquia “A Hora do Pesadelo”) e sua namorada Lynette (Janus Blyth). E para investigar as mortes misteriosas temos o Xerife Martin (Stuart Whitman, da série de TV de Western “Cimarron”, e que faleceu em 16/03/2020 aos 92 anos).
Com o sucesso de “O Massacre da Serra Elétrica”, o diretor Tobe Hooper ficou em evidência e criou-se grande expectativa para seu próximo filme. Porém, numa comparação, é inevitável salientar que o conjunto da obra de “Devorado Vivo” é bem inferior. Mas ainda assim, o filme é bastante divertido e um destaque na carreira de Hooper pela alta dose de violência nas mortes sangrentas, pelas cenas de nudez gratuita e pelo elenco interessante, com muitos rostos conhecidos e atores experientes, pois além de todos os nomes já citados anteriormente, ainda temos Carolyn Jones, a Morticia da série de TV “A Família Addams”, no papel da Srta. Hattie, a proprietária de um bordel.
O roteiro, co-escrito por Kim Henkel (também de “O Massacre...”), foi inspirado num caso real de um “serial killer” que supostamente matava pessoas e alimentava seus jacarés de estimação com os cadáveres. Em “Devorado Vivo”, quase todas as ações se passam no hotel, com os hóspedes sendo violentamente atacados pelo perturbado Judd, portando uma enorme foice, lutando para não servirem de comida para o crocodilo. Os efeitos também são bem toscos, apesar que o réptil carnívoro de borracha ainda é muito mais interessante que os similares artificiais gerados por computador vistos numa infinidade de filmes modernos.
As filmagens foram feitas em estúdio, com pouca iluminação e a montagem dos cenários de um hotel barato e uma piscina simulando um lago onde vive o crocodilo falso, com o uso de muita névoa artificial para criar uma atmosfera sinistra e ajudar a esconder os defeitos de uma produção de baixo orçamento. O filme teve vários outros nomes alternativos como “Death Trap”, “Horror Hotel”, “Slaughter Hotel” e “Starlight Slaughter”.

(Juvenatrix – 01/05/20)





A Besta de Yucca Flats (The Beast of Yucca Flats, EUA, 1961, PB)


No cinema fantástico bagaceiro existem aqueles filmes que de tão ruins e mal feitos acabam proporcionando entretenimento hilário, sendo cultuados ou constantemente lembrados pelos apreciadores do estilo, justamente pela produção paupérrima, roteiros absurdos, elencos inexpressivos e efeitos toscos, tudo de forma não proposital. E também tem outros filmes com todas essas mesmas características, mas nem ao menos conseguem divertir. “A Besta de Yucca Flats” (The Beast of Yucca Flats, 1961) faz parte desse último grupo, e a única coisa que garante um pouco de diversão é a presença do grandalhão Tor Johnson, sem dizer uma palavra, como o monstro do título. Tanto a direção quanto o roteiro são de Coleman Francis (1919 / 1973), que também colocou sua família, esposa e filhos, para participar do filme, tornando o resultado final ainda mais patético.   
 Na verdade não existe um roteiro, apenas um fiapo, um esboço mal desenvolvido. A história é sobre um cientista soviético, Joseph Javorsky (Tor Johnson, de outras bagaceiras dos anos 50 como “A Noiva do Monstro”, Plano 9 do Espaço Sideral” e “Noite das Assombrações”), que vai para os Estados Unidos no auge da guerra fria, entregar documentos secretos para os americanos, sobre a chegada da União Soviética na Lua. Mas, ele sofre um atentado por agentes espiões da “cortina de ferro” no deserto de Yucca Flats, no Estado de Nevada, onde são realizados testes de armas atômicas. Com a explosão de uma bomba nuclear, o cientista desertor é afetado pela exposição à radiação e se transforma na fera irracional do título.
Vagando a esmo pelo deserto e matando pessoas inocentes pelo caminho, o monstro persegue uma família em férias no local formada pelo pai, Hank Radcliffe (Douglas Mellor), a mãe Lois (Barbara Francis), e os dois filhos pequenos, Art (Alan Francis) e Randy (Ronald Francis). Porém, o cientista distorcido é caçado por uma dupla de policiais, Joe Dobson (Larry Aten) e Jim Archer (Bing Stafford).
“A Besta de Yucca Flats” só tem defeitos, nada se salva, e talvez vale a curiosidade em conhecer essa tranqueira apenas pela presença hilária do ator sueco Tor Johnson no papel da besta assassina. Um narrador (o próprio diretor Coleman Francis) tenta explicar a história, explorando a ideia da paranoia nuclear do conturbado período da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, com o medo constante de explosões de bombas atômicas e seus efeitos devastadores, seja diretamente nas ondas de choque ou na exposição de radiação.
Tem uma cena inicial extremamente bizarra e completamente aleatória, não tendo relação com a história. É o assassinato de uma mulher por estrangulamento num quarto, logo após o banho. Só existe para mostrar uma mulher pouca vestida. O excesso de narração é cansativo. As filmagens não tiveram som, todos os poucos diálogos foram inseridos na pós-produção, e não estão sincronizados com as falas dos personagens. O filme é muito curto, apenas 54 minutos, mas que parecem intermináveis. As filmagens tem planos muito longos e arrastados, numa história em que não acontece nada de interessante, passando para o espectador um inevitável sentimento de tédio.
A esposa do diretor, Barbara Francis, faz o papel da mãe da família perseguida pelo monstro. Ela é péssima atriz, sempre agindo como um zumbi, não expressando emoções nem quando os filhos estão desaparecidos, perdidos no deserto. O cientista transformado em monstro pela radiação poderia (e deveria) ser muito mais ameaçador e cruel, e não tão patético. A maquiagem de Tor Johnson deve ser uma das mais paupérrimas da história dos filmes bagaceiros.
Curiosamente, tem uma referência direta para o clássico de Alfred Hitchcock “Intriga Internacional” (North by Northwest, 1959), com Cary Grant, na cena onde um avião em baixa altitude persegue um homem correndo por sua vida pelo deserto.      

(Juvenatrix – 23/04/20)




Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 From Outer Space, EUA, 1959, PB)


Perdido no limbo do esquecimento junto com uma infinidade de outros filmes de orçamentos reduzidos desde seu lançamento em 1959, “Plano 9 do Espaço Sideral” (Plan 9 From Outer Space) foi descoberto em 1980 por um crítico de cinema que o considerou como “o pior filme de todos os tempos”. Desde então, esse título transformou o filme num objeto de interesse e culto para os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro.
Dirigido, escrito, editado e produzido por Edward D. Wood Jr. (1924 / 1978), que também passou a ser percebido dentro do gênero e lembrado eternamente por sua filmografia repleta de produções paupérrimas e mal feitas, em minha opinião o título é injusto, apesar de ter proporcionado um grande benefício de divulgação para o filme. Pois, mesmo sendo extremamente ruim, desde o roteiro fuleiro, atuação amadora do elenco, edição com enormes erros de continuidade e cenários toscos, posso afirmar que já vi muita coisa bem pior, e que na verdade o filme é até divertido para quem aprecia bagaceiras com elementos de horror e ficção científica.
Na história, um homem idoso (Bela Lugosi) morre de tristeza logo após perder a esposa (Vampira, ou a atriz finlandesa Maila Nurmi), e ambos são reanimados no cemitério, voltando de seus túmulos, através de raios elétricos em suas glândulas pituitárias, ativados por alienígenas que pretendem criar um exército de zumbis sob seu controle, para a invasão do nosso planeta. O inspetor de polícia Clay (o grandalhão ator sueco Tor Johnson) também é despertado depois de morto. Os extraterrestres alegam que precisam invadir a Terra para impedir que a humanidade, sempre ávida por guerras e armas de destruição, possa ameaçar o resto do Universo.
Um oficial do exército, Coronel Edwards (Tom Keene), um piloto comercial, Jeff Trent (Gregory Walcott), e o policial Tenente Harper (Duke Moore), entre outros, tentam combater a invasão alienígena liderada pelo soldado espacial Eros (Dudley Manlove) e sua assistente Tanna (Joanna Lee).
 “Plano 9 do Espaço Sideral” é logicamente um filme com muitos problemas. O roteiro tem falhas colossais, mesmo para um tema escapista como invasão alienígena. Tem diálogos risíveis não intencionais, cenários paupérrimos (cemitério, cabine do avião comercial, interior tanto da base quanto da nave alienígena), e efeitos toscos (os discos voadores são tampas de panela penduradas com fios). Mas, como filme bagaceiro que explora o horror e ficção científica, consegue garantir entretenimento sem compromisso, basta desligar o cérebro e relaxar.
As cenas com o Bela Lugosi, mesmo poucas e sem uma única palavra, agregam grande valor ao filme, e todas as sequências com a Vampira e Tor Johnson caminhando lentamente como zumbis ameaçadores são impagáveis. E não poderia faltar a tradicional cena do monstro (no caso, Tor Johnson morto-vivo) carregando nos braços a mocinha (no caso, Paula, a esposa do piloto de avião Jeff, interpretada por Mona McKinnon).     
Como o filme de Ed Wood recebeu muita atenção por suas características de produção bagaceira não proposital, surgiu uma infinidade de curiosidades em torno de sua produção e bastidores. Seguem apenas algumas para registro.
O baixo orçamento foi conseguido por Ed Wood através de um empresário membro da Igreja Batista, que pediu depois para alterar o título original de “Grave Robbers From Outer Space” (Ladrões de Túmulos do Espaço Sideral) para o oficial “Plan 9...”.
O ator húngaro Bela Lugosi, eternamente conhecido como o Conde Drácula no filme americano de 1931 da “Universal”, morreu em 1956 esquecido pela indústria de cinema, e foi Ed Wood que o resgatou no final da carreira oferecendo papéis de “cientista louco” em seus filmes “Glen ou Glenda?” (1953) e “A Noiva do Monstro” (1955). Como ele tinha algumas cenas filmadas com Lugosi para um projeto que não se concretizou, o diretor utilizou essas imagens de arquivo em “Plano 9...”, rodando o restante das cenas com o personagem através de outro ator (mais alto) e sempre cobrindo parcialmente o rosto com uma capa para disfarçar.
O vidente Criswell é o narrador que abre e fecha o filme, alertando de forma sensacionalista a humanidade sobre a possibilidade de invasão alienígena. Maila Nurmi criou a personagem Vampira e foi apresentadora de programas de televisão nos anos 50 que exibiam filmes de horror bagaceiros.
O filme ainda teve uma versão colorizada por computador, lançada em 2006.
Em 1994, o diretor Tim Burton lançou o filme “Ed Wood”, homenageando o criador de “Plano 9...”, mostrando como eram os bastidores de seus filmes toscos e a relação com os envolvidos nos processos de produção. Ed Wood foi interpretado por Johnny Depp, ator bem sucedido e muito requisitado, que apareceu com frequência em filmes de Burton. E Bela Lugosi foi interpretado por Martin Landau (1928 / 2017), outro veterano com carreira significativa. 

(RR – 20/04/20)



O Robô Alienígena (Robot Monster, EUA, 1953, PB)


Para quem aprecia o cinema fantástico bagaceiro, especialmente aquelas tranqueiras de orçamentos minúsculos e fotografia em preto e branco da década de 1950, com roteiros absurdos explorando o tema de invasão alienígena e monstros toscos, é obrigatório conhecer “O Robô Alienígena” (Robot Monster), produção americana de 1953 dirigida por Phil Tucker, sendo um dos filmes mais ruins que se possa imaginar dentro desse gênero que tanto fascina justamente pela precariedade geral.
 O roteiro do chinês Wyott Ordung é extremamente simplório, cheio de clichês e furos. O alienígena Ro-Man (interpretado por George Barrows e com voz de John Brown) chega ao planeta Terra e causa uma destruição geral através de raios cósmicos calcinadores. Porém, apenas uma única família sobrevive ao caos, para a surpresa do monstro invasor do espaço, que precisa reportar suas ações constantemente para seu líder, o Grande Guia (também interpretado pela mesma dupla).
A família fica isolada numa casa de uma região rochosa e vegetação rasteira e é formada pelo pai, o cientista George (John Mylong), a mãe Martha (Selena Royale), o filho pequeno Johnny (Gregory Moffett), sua irmã pequena Carla (Pamela Paulson) e sua irmã adolescente Alice (Claudia Barrett), além do namorado dela, Roy (George Nader), que é assistente do cientista. Eles não morreram no ataque porque são imunes, graças ao soro antibiótico desenvolvido por Roy, e também não são localizados por Ro-Man na casa onde estão refugiados, devido uma cerca elétrica. Porém, o alienígena recebe uma intimação de seu líder para concluir o plano de invasão e matar os últimos humanos sobreviventes, e não contava com o fato de se afeiçoar pela jovem e bela Alice.
“Robot Monster” foi lançado originalmente em 3D e é bem curto, com pouco mais de uma hora de duração. É o típico exemplo em que o cartaz promocional é muito mais interessante e chamativo que o próprio filme. O elenco é amador ao extremo, com péssimas atuações de todos, apesar que é difícil exigir algo dos atores numa história tão patética, que até tem espaço no meio do suposto caos para um casamento hilário entre Roy e Alice. O alienígena Ro-Man certamente é um dos mais ridículos e bizarros monstros do cinema bagaceiro em todos os tempos, com um ator vestindo uma fantasia fuleira de gorila com uma espécie de capacete de mergulho com antenas. Ele utiliza equipamentos “tecnológicos” toscos ao extremo, localizados numa caverna, para a comunicação com o Grande Guia e controle do armamento de destruição.
Curiosamente, existem dois outros títulos originais alternativos, “Monsters From the Moon” e “Monster From Mars”, e então podemos definir a origem do alienígena Ro-Man sendo da Lua ou de Marte, dependendo do título escolhido, fato que não significa grande coisa para uma história carregada de confusão e incoerências.    
O filme também tem várias cenas aleatórias retiradas de outros filmes como “O Despertar do Mundo” (1940) e “Continente Perdido” (1951). São lutas mortais entre animais pré-históricos, como lagartos reais filmados numa perspectiva que os transforma em gigantes, além de dinossauros em efeitos paupérrimos de “stop motion”, tudo em meio a terremotos e desastres geológicos causados pela aniquilação dos raios destruidores dos invasores espaciais. Sem contar que ainda tem uma reviravolta na trama no desfecho, envolvendo o garoto Johnny, e lembrando ideia similar de “Invasores de Marte” (também de 1953). A coleção de bobagens e cenas absurdas não tem fim. Mesmo o filme sendo curto, os realizadores ainda gastaram um tempo excessivo com o alienígena caminhando no meio do nada, para conseguir atingir a metragem mínima.    
Justamente pelo conjunto dessas bizarrices todas é que o filme tornou-se objeto de culto e entretenimento entre os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro, além de referência obrigatória quando o assunto for filmes ruins.

(RR – 17/04/20)