A maioria dos filmes bagaceiros
com elementos de horror e ficção científica dos anos 1950 são divertidos pela
somatória de características típicas de produções com orçamentos minúsculos
como atuações ruins do elenco, efeitos práticos toscos e roteiro ingênuo, com
falta de lógica, excessivamente fantasioso e cheio de clichês e principalmente furos
absurdos. “Mulheres-Gato da Lua” (Cat-Women of the Moon, EUA, 1953) é um
exemplo perfeito que se enquadra nessa ideia, onde apenas pelo título já se
imagina o nível de tranqueira.
Com direção de Arthur Hilton,
fotografia em preto e branco e metragem de apenas 64 minutos, o filme está em
domínio público e disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas
em português.
Uma expedição científica com
cinco viajantes espaciais num foguete para a Lua é formada por uma tripulação com
quatro homens e uma mulher. São eles, o comandante da missão Laird Grainger
(Sonny Tufts), o piloto Kip Reissner (Victor Jory), o engenheiro Walt Walters (Douglas
Fowley), o operador de rádio Doug Smith (William Phipps) e a navegadora Helen
Salinger (Marie Windsor).
Após uma viagem turbulenta que
inclui o choque com um meteoro, o foguete é misteriosamente persuadido pela
navegadora a pousar no lado sombrio da Lua, e a equipe inicia uma exploração na
superfície. Eles entram numa caverna e descobrem a existência de oxigênio,
sendo também atacados por aranhas peludas gigantes. Sobrevivendo ao confronto
patético, eles encontram uma misteriosa cidade habitada apenas por algumas
belas mulheres (do título) e são bem recebidos inicialmente pela líder Alfa
(Carol Brewster), além de Beta (Suzanne Alexander) e Lambda (Susan Morrow),
entre outras. Elas são as últimas remanescentes de uma civilização subterrânea
e antiga de dois milhões de anos que possui poderes telepáticos e que está em processo
de extinção pela escassez de oxigênio.
Uma vez desconfiado da estranha
sociedade das mulheres selenitas, o destemido piloto Kip decide investigar e descobre
a real intenção delas, com um plano de roubar o foguete e fugir para o nosso
planeta para uma invasão e conquista da humanidade.
O filme recebeu o título
original alternativo “Rocket to the Moon” e foi lançado nos cinemas na época em
3D. Os efeitos práticos bagaceiros com o foguete, a cabine de controle e os
cenários, além dos figurinos do pequeno elenco foram reciclados em outro filme
quase lançado simultaneamente, “Projeto Base Lunar” (Project Moon Base), e
também foram reutilizados, assim como a aranha gigante de pelúcia, movimentada
por fios “invisíveis”, na refilmagem “Terríveis Monstros da Lua”, também
conhecido por aqui como “Míssil Para a Lua” (Missile to the Moon, 1958). A
simulação da superfície lunar através da técnica de “matte painting” foi criada
por Chesley Bonestell.
O filme é curto e percebe-se
claramente uma pressa dos realizadores em finalizar a história no terceiro ato,
com a falta de filmagem de cenas que garantiriam uma melhor continuidade e
coerência nas ações, principalmente no confronto decisivo entre os viajantes espaciais
e as mulheres-gato da Lua pela posse do foguete que retornaria para a Terra.
Curiosamente, alguns atores
como Marie Windsor e William Phipps fizeram questão de revelar em entrevistas o
quanto consideraram o filme ruim, especialmente o roteiro mirabolante e os
efeitos práticos com o ataque das aranhas gigantes.
(RR – 31/07/26)
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