“O Tormento Negro” (The Black
Torment, Inglaterra, 1964), também conhecido pelo título alternativo “Estate of
Insanity”, é um filme de horror gótico com elementos de mistério,
fantasmagoria, conspiração e maldição familiar, pouco lembrado e geralmente ofuscado
pelos filmes similares do mesmo período, produzidos pelos cultuados estúdios
“Hammer” e “Amicus”.
Com direção e produção de Robert
Hartford-Davies, foi lançado em mídia física DVD pela “Versátil” no box
“Obras-Primas do Terror” Volume 26. E também está disponível no “Youtube” numa
versão com dublagem em português de péssima qualidade, estragando a experiência
do espectador. Porém, o que interessa mesmo, independente dos problemas com a
dublagem, é que o filme vale a pena ser conhecido pelos admiradores do cinema
mais antigo de horror gótico.
Na Inglaterra
do século 18 o rico dono de terras Sir Richard Fordyke (John Turner) retorna
para a mansão rural de sua família, vindo de Londres, trazendo a nova esposa,
Lady Elizabeth Fordyke (Heather Sears), quatro anos depois da morte misteriosa
e suspeita de sua primeira esposa Anne. Chegando ao vilarejo ele é mal recebido
pelo ferreiro Black John (Francis de Wolff) e desconfiado de alguma conspiração
contra ele, decide investigar descobrindo rumores entre os aldeões e seus
inquilinos, que dizem que ele já havia voltado antes e cometido assassinatos
brutais, causando grande alvoroço e instabilidade na região.
No retorno ele
reencontra seu pai doente cadeirante após um derrame, Sir Giles Fordyke (Joseph
Tomelty), a antiga cunhada Diane (Ann Lynn) e empregados da mansão como o
mordomo Harris (Norman Bird) e o amigo Seymour (Peter Arne), responsável pela
contabilidade dos negócios bem-sucedidos da família.
Mas, devido à
insatisfação dos moradores da aldeia e a ocorrência de novas mortes com o
suposto envolvimento do recém-chegado Sir Richard e a presença sinistra de uma
mulher que poderia ser sua esposa falecida, ele terá que comprovar sua sanidade
e inocência, contando com a ajuda do amigo da família Coronel John Wentworth
(Raymond Huntley), chefe da força policial local.
“O Tormento Negro” deverá despertar o
interesse dos fãs do estilo, mesmo sem novidades e com os mesmos clichês
tradicionais com a atmosfera sombria de uma mansão que esconde segredos nos
cantos escuros, e acontecimentos macabros como aparições de uma mulher
fantasmagórica, janelas batendo sozinhas e mortes violentas de mulheres nos
arredores, como a bela Lucy Judd (Edina Ronay), perseguida numa floresta.
Com belos cenários e figurinos da época, a
história consegue sutilmente manter o clima de mistério sobre os eventos
trágicos até o desfecho revelador. Mesmo sendo mais um filme igual a tantos
outros com elementos góticos, tem uma história honesta com uma proposta de
ambientação da Inglaterra rural de 1780, com assassinatos brutais de jovens
mulheres, mistérios sobre a autoria das mortes e um vilarejo com aldeões supersticiosos
com lendas de bruxaria.
(RR
– 05/05/26)

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