O Planeta Fantasma (The Phantom Planet, EUA, 1961, PB)

 


"Planeta Fantasma" (The Phantom Planet, EUA, 1961) tem direção de William Marshall.


A humanidade possui uma base de pesquisas na Lua, de onde foguetes partem para explorações espaciais. Porém, um imenso objeto parecido com um planeta tem causado destruição colidindo contra naves terrestres, surgindo de repente no espaço e desaparecendo misteriosamente.

 Apelidado de “planeta fantasma”, um astronauta renomado, Capitão Frank Chapman (Dean Fredericks), é enviado numa missão de investigação, junto com o Tenente Ray Makonnen (Richard Weber), que acidentalmente se perde no espaço ao tentar reparar um problema externo no foguete. Quanto à Chapman, ele acaba pousando no tal planeta chamado Raiton, que abriga uma raça de humanoides em miniatura, uma civilização avançada tecnologicamente (tanto que transformaram o planeta numa espécie de nave gigante), mas que preferiram viver de forma primitiva, abolindo as máquinas e o luxo de uma vida entediante, optando pela luta pela sobrevivência. 

O astronauta terrestre também diminui de tamanho em contato com a atmosfera local e passa a viver entre os alienígenas, liderados pelo veterano Sessom (Francis X. Bushman), tendo que enfrentar a antipatia do rival Herron (Anthony Dexter), além de escolher uma namorada entre a loira ambiciosa Liara (Coleen Gray) e a bela morena silenciosa Zetha (Dolores Faith), enquanto planeja um meio de retornar ao tamanho natural e voltar para a base lunar.


Curiosamente, o filme é ambientado em 1980, um futuro de duas décadas em relação à época de produção (1961), com a Terra mantendo uma base na Lua e com viagens espaciais regulares, porém, ao contrário das previsões otimistas dos escritores de ficção científica, após cerca de três décadas depois desse período abordado no roteiro, ainda caminhamos lentamente em relação à exploração espacial. 

“O Planeta Fantasma” tem fotografia em preto e branco e foi lançado em DVD juntamente com a space opera italiana “Batalha no Espaço Estelar” (1977). A história é até interessante, abordando um planeta que se move como uma nave e é habitado por uma civilização miniaturizada que vive uma situação paradoxal, possuindo grande conhecimento científico e ao mesmo tempo preferindo uma vida primitiva ao extremo. 

Os efeitos especiais são precários e exageradamente toscos, apesar da produção de cerca de meio século atrás, onde destaco no quesito “momento bagaceiro” o ataque das naves incendiárias dos solarites, uma raça inimiga dos humanoides, e a presença de um destes alienígenas horrendos com olhos esbugalhados, interpretado pelo gigante ator Richard Kiel, escondido numa fantasia de borracha típica dos filmes dos anos 50 e 60, não faltando a clássica cena do monstro carregando nos braços uma bela mulher desacordada.


(RR – 12/11/09)

Silêncio Quebrado (When Michael Calls / Splattered Silence, EUA, 1972)

 


Silêncio Quebrado” (When Michael Calls, também conhecido como Shattered Silence, EUA, 1972) é um telefilme com elementos de horror, mistério e suspense exibido originalmente no programa “ABC Movie of the Week” da rede de TV “ABC”, sendo o episódio 37 da terceira temporada. Esse programa ficou conhecido pela infinidade de preciosidades exibidas nas telinhas como “A Fazenda Crowhaven”, “Escravos da Noite”, “Encurralado”, “O Grito do Lobo”, “A Força do Mal”, “O Amuleto Egípcio”, “Os Demônios dos Seis Séculos”, “A Morte Numa Noite Fria”, “O Triângulo do Diabo”, “Trilogia do Terror”, e tantos outros.

Foi lançado em DVD no Brasil pela “Editora D+T” e também está disponível dublado no “Youtube”. Com direção de Philip Leacock e roteiro de James Bridges baseado em livro de John Farris, o filme tem um elenco expressivo com Ben Gazzara e Elizabeth Ashley, além de Michael Douglas em início de uma carreira bem-sucedida (alguns cartazes fazem questão de estampar seu rosto e nome para alavancar a divulgação).

 

Quando o advogado Doremus Connelly (Ben Gazzara) retorna para casa da ex-esposa Helen (Elizabeth Ashley) para visitar a filha pequena do casal, Peggy (Karen Pearson), ocorrem fatos estranhos com ligações telefônicas supostamente do sobrinho de Helen, o menino Michael (conforme indica um dos títulos originais), sempre com a voz amargurada pedindo socorro em desespero.

Porém, o garoto morreu há 15 anos de forma trágica após o suicídio da mãe internada num hospital psiquiátrico, e os telefonemas insistentes poderiam ser apenas trotes ou uma manifestação sobrenatural, sendo que a cada nova ligação alguém próximo da família também morria em circunstâncias misteriosas. Entre as vítimas, o vizinho idoso Doc Britton (Larry Reynolds), proprietário com a esposa Elsa (Marian Waldman) de um sítio com criação de abelhas, e também o xerife encarregado das investigações, Hap Washbrook (Albert S. Waxman).

Enquanto isso, surge o outro sobrinho de Helen chamado Craig, médico de um hospital para crianças com distúrbios psicológicos, interpretado por Michael Douglas ainda jovem com 28 anos. Ele era o irmão do falecido Michael das ligações telefônicas fantasmagóricas, e une seus esforços com Doremus para investigar o caso e proteger a família da “ameaça do além”.   

 

O filme explora elementos sutis de mistério, sem violência ou exposição de sangue para se adequar ao formato de exibição na televisão, com uma história básica de vingança com os clichês habituais da infinidade de filmes similares, como insinuar um provável suspeito para os crimes, aqui sendo um estranho ajudante geral da família, Harry Randall (Alan McRae); ou a investigação sem sucesso da polícia; ou o pai divorciado que se aproxima novamente da esposa e filha; entre outros velhos clichês. Porém, apesar da história simples e previsível, “Silêncio Quebrado” ainda garante alguma diversão rápida como filme televisivo e pelo elenco renomado.

Aliás, uma das características dos filmes do programa “ABC Movie of the Week”, que exibiu mais de 250 em 6 temporadas na década de 70 do século passado, era a presença de atores conhecidos e consagrados que agregavam grande valor e despertavam interesse no público. Nomes como Olivia de Havilland, Barbara Stanwyck, Janet Leigh, Agnes Moorehead, Gloria Swanson, Barbara Steele, Lee Grant, Kim Novak, Lee Majors, John Carradine, Ray Milland, Lloyd Bridges, Herbert Lom, Anthony Perkins, Leslie Nielsen, James Franciscus, Darren McGavin, Walter Brennan, Burt Reynolds, Walter Pidgeon, Roddy McDowall, e muitos outros.

 

(RR – 21/02/26)



The Astouding She-Monster (EUA, 1957, PB)

 


“Os antigos astrônomos e filósofos acreditavam que o futuro do mundo estava escrito nas estrelas. Eles também acreditavam que o passado estava impresso no vazio negro da noite das estrelas. Esses antigos sábios acreditavam que no começo, quando o Universo ainda estava na sua infância, houve uma explosão cataclísmica que destruiu tudo, lançando enormes corpos derretidos através de distâncias infinitas e ilimitadas do espaço. Foi uma explosão causada por uma bomba nuclear? Uma civilização pode ter existido nos recantos distantes do tempo e foi eliminada da existência devido ao uso descuidado de tal poder tremendo que não faz sentido calcular sua enormidade? Estamos hoje à beira de repetir esse suicídio cósmico? Há quem o tema. Não apenas na Terra, mas também em planetas remotos da galáxia. Há um planeta em particular onde seu povo teme que se a Terra não for destruída primeiro, destruirá o Universo. Essas pessoas já começaram a agir... ”

 

Ficção Científica bagaceira dos saudosos anos 50 do século passado, “The Astouding She-Monster” (1957) tem o tradicional título chamativo, cartaz bem elaborado e convidativo, metragem curta de apenas 62 minutos, produção paupérrima, fotografia em preto e branco, elenco reduzido, efeitos especiais práticos com apenas uma mulher alienígena humanoide maquiada vestindo uma roupa apertada e brilhante, e com um roteiro extremamente simples para apenas se divertir com o cérebro desligado, apesar que a história traz um alerta sobre os perigos do uso de armas nucleares (conforme a narração da introdução reproduzida no início desse texto, de Scott Douglas, não creditado) naquele conturbado período de guerra fria entre EUA e URSS.

E felizmente para os apreciadores desse cinema mais antigo e de poucos recursos explorando elementos fantásticos, o filme está disponível no “Youtube” com legendas em português.

 

O geólogo Dick Cutler (Robert Clarke), acompanhado de seu cachorro collie Egan, está vivendo numa região de florestas e montanhas nos arredores de Los Angeles, realizando estudos sobre as rochas locais. Num passeio noturno aleatório ele testemunha a queda de um meteorito ou algo similar, que poderia ser uma nave espacial.

Enquanto isso, Margaret Chaffee (Marilyn Harvey) é uma jovem socialite bonita que é alvo de sequestro por uma dupla de criminosos, Nat Burdell (Kenne Duncan) e o comparsa Brad Conley (Ewing Brown), interessados no dinheiro fácil do resgate. Eles são acompanhados por uma mulher desocupada e alcoólatra, Esther Malone (Jeanne Tatum). Ao fugirem de carro por uma estrada nas montanhas, eles são interceptados por uma criatura humanoide brilhante (Shirley Killpatrick), vinda de outro mundo e que mata apenas com o toque de sua mão, obrigando-os a se refugiarem na cabana do geólogo.

A partir daí o grupo fica encurralado na casa, tendo que enfrentar a ameaça desconhecida da “incrível mulher-monstro” do título original, que tem um escudo protetor invisível imune aos tiros das armas de fogo dos sequestradores e que está à espreita nas sombras espalhando horror e morte com seu toque radioativo.

 

O filme foi dirigido, produzido e editado por Ronald V. Ashcroft e teve a colaboração do cineasta Ed Wood Jr. (“Plano 9 do Espaço Sideral”, 1959) no roteiro e como consultor (não creditado), o que pode explicar a história rasa e superficial, que até tem uma reviravolta no desfecho que não é nada surpreendente, mas também não deixa de ser interessante para concluir com um questionamento misterioso.

Entre as curiosidades, todas as cenas com a alienígena são meio desfocadas para simular uma aura radioativa mortal. O filme recebeu o título “Invasora de Jupiter” no México e “Mysterious Invader” na Inglaterra. O ator Robert Clarke tem alguma ligação com os antigos filmes bagaceiros de horror e FC, tendo atuado em alguns divertidos como “O Homem do Planeta X” (1951), “The Hideous Sun Demon” (1958), “The Incredible Petrified World” (1959) e “Além da Barreira do Tempo” (1960).  

 

“Uma criatura de além das estrelas. MALIGNA... BELA... MORTAL...!”

 

(RR – 14/02/26)



O Uivo da Bruxa (Cry of the Banshee, Inglaterra, 1970)

 


No ouvido sobressaltado da noite, como eles gritam por seus temores! Aterrorizados demais para falar, a única coisa que podem fazer é choramingar, choramingar, fora do tom...” – Edgar Allan Poe

Baseado numa lenda irlandesa, “banshee” (do título original) é uma criatura sobrenatural invocada do inferno por magia negra, para executar uma vingança. “O Uivo da Bruxa” é um filme de horror gótico inglês da “American International Pictures” similar ao melhor estilo da produtora “Hammer”. Foi dirigido por Gordon Hessler em 1970 e tem na liderança do elenco o ícone eterno Vincent Price. 

Ele faz o papel do tirano inquisidor Lord Edward Whitman, que governa uma aldeia através da manipulação do medo, combatendo a bruxaria da época com julgamentos severos dos acusados e aplicação de penalidades violentas e dolorosas.
Ele persegue os seguidores de uma seita pagã, que realiza cultos na floresta e é liderada pela veterana Oona (a ucraniana Elizabeth Bergner). Muitos dos membros foram assassinados e em represália a bruxa convoca Satã para enviar um “banshee”, uma criatura sobrenatural que se apossa do corpo de um jovem, Roderick (Patrick Mower). O ser mitológico maligno então se vinga violentamente da família Whitman, formada ainda pela esposa infeliz do inquisidor, Lady Patricia (Essy Persson), e seus filhos Maureen (Hilary Heath), Harry (Carl Higg) e Sean (Stephan Chase).
Os moradores supersticiosos do vilarejo ouvem constantemente o uivo de um cão selvagem que aterroriza a região e mata as ovelhas, e sentem na pele as ações vingativas de um demônio invocado do inferno.

Em “O Uivo da Bruxa” temos uma história gótica com o tema de família amaldiçoada, enfrentando a fúria vingativa de uma criatura inumana. O roteiro de Tim Kelly e Christopher Wicking procura explorar a tensão constante do conturbado período de caça às bruxas na Europa do século XVI. Onde torturas dolorosas eram as punições comuns para obter confissões e delações, como podemos ver nas palavras de um inquisidor para uma mulher seguidora do culto pagão da “antiga religião”: “Podemos matá-la um minuto por dia durante um ano, ou tudo em um único minuto. Poupe-se da dor e diga-nos onde Oona está e prometo-lhe, você morrerá em paz.”
Vincent Price (1911 / 1993), um dos maiores e insuperáveis atores de horror de todos os tempos, repete o papel de um sádico tirano da Inquisição, assim como no filme anterior “O Caçador de Bruxas” (1968), Sua relação com o horror é tão sólida em incontáveis filmes preciosos para a história do gênero, que sua participação é a garantia do entretenimento.
O diretor alemão Gordon Hessler (1925 / 2014) tem no currículo filmes como “Embuste Diabólico” (1965), “O Ataúde do Morto Vivo” (1969) e “Grite, Grite Outra Vez” (1970), sendo os dois últimos também com Price.
Nos ataques do “banshee”, a criatura aparece pouco e seu visual é visto sempre rapidamente, numa aposta maior para a sugestão. Mas, ainda assim percebemos características que nos remetem para similaridades com lobisomens, em efeitos extremamente toscos de uma produção de baixo orçamento, garantindo a diversão dos apreciadores de cinema fantástico bagaceiro.

“Inglaterra no século XVI, uma época sombria e violenta. Bruxaria e os fantasmas da antiga religião ainda mantém o controle nas mentes das pessoas, preocupando tanto a Lei como a Igreja. Então quem pode ter certeza que isto é somente superstição primitiva e medo infantil?

(RR – 17/12/16)




O Bebê de Manhattan (Manhattan Baby, Itália, 1982)

 


O cultuado diretor Lucio Fulci (1927 / 1996) tem um currículo repleto de filmes conhecidos pela violência gráfica com cenas sangrentas memoráveis como em “Zombie – A Volta dos Mortos” (1979), “Pavor na Cidade dos Zumbis” (1980), “Terror nas Trevas” (1981), “A Casa do Cemitério” (1981), “O Estripador de Nova York” (1982), e outros.

O Bebê de Manhattan” (Manhattan Baby, Itália, 1982) é geralmente lembrado quando o assunto são as antigas locadoras de vídeo VHS. Porém, é uma obra “mais calma e menos inspirada” dentro da filmografia de Fulci quando comparada com os demais citados. Mas, ainda assim, até temos algumas cenas “gore”, principalmente no desfecho, além do tradicional “close” nos olhos dos personagens, um recurso muito utilizado pelo cineasta italiano.

O filme foi lançado em vídeo VHS no Brasil pela “Video Ban” com o título original “Manhattan Baby”, e também está disponível no “Youtube” numa versão dublada.

 

O arqueólogo Prof. George Hacker (Christopher Connelly) está no Egito fazendo escavações e ao explorar um antigo templo sinistro, fica temporariamente cego, enquanto sua filha adolescente, Susie (Brigitta Boccoli), recebe um amuleto de uma misteriosa idosa cega.

Ao retornar para casa nos Estados Unidos, em Nova York, a menina começa a sofrer com visões perturbadoras, preocupando sua mãe, a jornalista Emily (Laura Lenzi, creditada como Martha Taylor) e assustando seu irmão pequeno, Tommy (Giovanni Frezza). Susie passa a ter um comportamento estranho e uma vez possuída por um espírito maligno, ganha poderes sobrenaturais que abrem portais dimensionais ao inferno, através da energia do medalhão (“O Olho do Mal”).

A partir daí, ocorrem mortes violentas com pessoas próximas como a babá Jamie Lee (Cinzia de Ponti), o colega de trabalho de Emily, Luke Anderson (Carlo de Mejo), e o colega de George, Wiler (Enzo Marino Bellanich, creditado como Vincenzo Bellanich). Para ajudar a combater as forças do Mal, a família entra em contato com o antiquário Adrian Mercato (Cosimo Cinieri, creditado como Laurence Welles), culminando num desfecho sangrento com o ataque de pássaros empalhados zumbis.

 

Como mencionado logo no início desse texto, “O Bebê de Manhattan” é um trabalho menos inspirado de Lucio Fulci, que é conhecido pelos roteiros mirabolantes de seus filmes. Aqui temos elementos vistos em outros similares como “Os Pássaros” (1963) e “O Exorcista” (1973), com uma narrativa arrastada e perdida no meio de várias situações improváveis e exageradas na fantasia, e com apenas algumas cenas sangrentas que pelo menos foram produzidas com divertidos efeitos práticos bagaceiros. A propósito, a violência gráfica é um dos destaques em seus filmes de horror, compensando a falta de lógica das histórias.  

Fulci gostava de fazer pequenas participações especiais (“cameo”) em seus filmes, e aqui ele fez uma ponta como o médico Dr. Forrester, que examinou a menina Susie no hospital. Por ser um filme dos anos 1980, é curioso notar que os jornalistas trabalhavam com máquinas de datilografia, numa época de acesso restrito para computadores e os telefones celulares eram raros e primitivos. Outra curiosidade é que existe uma banda italiana de metal extremo chamada “Fulci”, em homenagem ao mestre do horror sangrento, com músicas agressivas explorando a temática de zumbis e histórias com sangue em profusão nas letras.

 

(RR – 11/02/26)




Invasores Invisíveis (Invisible Invaders, EUA, 1959, PB)

 


"Invasores Invisíveis" (Invisible Invaders, EUA, 1959) é uma produção em preto e branco com direção de Edward L. Cahn (1899 / 1963), o mesmo cineasta de outras divertidas tranqueiras do cinema bagaceiro como “O Cadáver Atômico” (1955), “Os Zumbis de Mora Tau” (1957) e “A Ameaça do Outro Mundo” (1958). 


No elenco temos John Agar (1921 / 2002), de pérolas como “Tarântula” (1955) e “O Cérebro do Planeta Arous” (1957), além do cultuado John Carradine (1906 / 1988), ator com forte relação com o cinema fantástico, tanto que ele aparece em destaque num dos cartazes originais do filme, mesmo com uma participação pequena apenas no início fazendo o papel de um “cientista louco”.


Alienígenas conquistadores oriundos de um planeta de outra galáxia invadiram a nossa lua há 20.000 anos e aniquilaram suas formas de vida, instalando uma base para suas naves espaciais. São criaturas invisíveis que adquiriram a capacidade de alterar a estrutura molecular de seus corpos. Até então, a Terra não interessava devido seu lento desenvolvimento tecnológico, mas depois que a humanidade entrou na era espacial, com testes de armas nucleares e foguetes para viajar pelo espaço, os alienígenas ditadores decidiram dominar nosso planeta tomando os corpos dos mortos para dizimar os vivos. 


Com suas naves construídas com materiais que também poderiam tornar-se invisíveis, eles primeiramente se apossaram do cadáver do cientista Dr. Karol Noymann (John Carradine), morto numa explosão em seu laboratório. O zumbi visita seu colega veterano cientista Dr. Adam Penner (Philip Tonge), solicitando para avisar as autoridades militares para se renderem, ou seria iniciada uma invasão com destruições catastróficas, arrasando edifícios governamentais, unidades de comunicação, depósitos, arsenais de armas, estradas de ferro e aeroportos. Desacreditado pelos governos e ridicularizado pela imprensa com manchetes pejorativas dos jornais, o alerta de rendição não funcionou e os alienígenas invisíveis iniciaram a invasão com uma guerra desproporcional. 


Restando ao cientista Dr. Penner, sua bela filha Phyllis (Jean Byron), o jovem cientista John Lamont (Robert Hutton, de “Eles Vieram do Espaço Exterior”, 1967) e o militar Major Bruce Jay (John Agar), se refugiarem num abrigo subterrâneo secreto e bem equipado, para tentarem encontrar um meio ou arma eficaz para deter os inimigos do espaço. 


“Invasores Invisíveis” está situado dentro do sub-gênero da Ficção Científica que aborda invasões alienígenas com elementos de horror, explorando novamente o tema da guerra fria do período pós-Segunda Guerra Mundial, com a corrida armamentista e as consequências nocivas das experiências nucleares.  


Para facilitar o baixo orçamento da produção, além da metragem curta com apenas 67 minutos de duração, o roteiro de Samuel Newman apresenta alienígenas invisíveis, com respiração ofegante e que deixam rastros no chão de terra ao caminharem, diminuindo os gastos com efeitos e maquiagem. Eles se apossam dos corpos de seres humanos mortos, transformando-os em zumbis assassinos, numa ideia que serviu de inspiração para George Romero conceber o clássico absoluto “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968), que traz semelhanças tanto na concepção dos zumbis como na forma de caminharem. 


O filme é mais uma preciosidade do cinema fantástico bagaceiro dos anos 50 do século passado, divertido justamente pela forma simplória e ingênua de condução da história, acontecendo tudo rapidamente e repleto de clichês. Não faltam os “cientistas loucos” cercados de aparelhos em experiências exageradas e os militares truculentos em ações de força. Também não poderia deixar de ter uma jovem mulher bonita sem função na história (a filha do cientista), com o objetivo de criar um triângulo amoroso em meio ao caos, e nesse caso incluindo o Dr. Lamont e o Major Jay. 


E com aquela tradicional mensagem de cooperação entre as nações do mundo para uma causa comum, deixando os conflitos entre si para unirem-se no combate ao inimigo maior na figura de alienígenas hostis, que por sua vez, são o alvo de uma crítica social contra as ações opressoras de ditadores conquistadores, com o uso de força e destruição.


 Curiosamente, o ator Philip Tonge morreu aos 61 anos logo após completar suas filmagens e não conseguiu ver seu trabalho editado. E, ao longo do filme, um narrador conduz a história, com constantes informações sobre as ações dos alienígenas. 


Num prazo de três dias, os mortos exterminarão todos os vivos, e nós iremos governar a Terra. Para a raça humana, este é o fim de sua existência” – mensagem dos alienígenas invasores. 


(RR – 09/05/15)