Comentários de Cinema - Parte 23

Filmes abordados:

Estranho de um Mundo Perdido, O (X: the Unknown, Inglaterra, 1956, PB)
Lavalantula (Lavalantula, EUA, 2015)
Maldição do Lobisomem, A (The Curse of the Werewolf, Inglaterra, 1961)
Matango, a Ilha da Morte (Matango / Attack of the Mushroom People, Japão, 1963)
Monstro da Bomba H, O (The H-Man, Japão, 1958)
Noite das Travessuras (Mischief Night, EUA, 2013)
Primeiro Homem no Espaço, O (First Man Into Space, Inglaterra, 1959, PB)
Rebelião dos Planetas (Queen of Outer Space, EUA, 1958)
Rosas de Sangue (Blood and Roses, Itália / França, 1960)
Terror Que Mata (The Quatermass Xperiment, Inglaterra, 1955, PB)
The Magnetic Monster (EUA, 1953, PB)
Trilha da Fera Lunar, A (Track of the Moon Beast, EUA, 1976)
Tubarão Fantasma, O (Ghost Shark, EUA, 2013)
Tubarões Zumbis (Zombie Shark, EUA, 2015)
Ultimato à Terra (The 27th Day, EUA, 1957, PB)



* Estranho de um Mundo Perdido, O (1956) – A cultuada produtora inglesa “Hammer” é muito conhecida por seus filmes coloridos com atmosfera gótica, lançados no final dos anos 50 e principalmente durante toda a década de 1960 do século passado, filmando novamente os monstros clássicos do estúdio americano “Universal” (anos 30 e 40). Mas, os primeiros filmes do gênero fantástico produzidos pela “Hammer” tem fotografia em preto e branco e elementos de ficção científica. “O Estranho de Um Mundo Perdido” (também conhecido no Brasil como “X: O Monstro Radioativo”) tem direção de Leslie Norman e roteiro de Jimmy Sangster, nome com grande relação com a “Hammer” e também lembrado como o cineasta de “O Horror de Frankenstein” (1970) e “Luxúria de Vampiros” (1971). Sob a liderança do Comandante Webb (Anthony Newley), o exército inglês está realizando treinamentos numa região no interior da Escócia, com os soldados tentando localizar objetos radioativos soterrados no solo. Eles são auxiliados por um aparelho de leitura de índices de radiação. Durante as manobras, ocorre uma violenta explosão e uma imensa fenda de grande profundidade é aberta no chão. A partir daí, tem início uma série de misteriosos assassinatos, onde graves queimaduras surgem nas vítimas e em alguns casos os cadáveres são derretidos. Despertando a atenção das autoridades, começa um trabalho de investigação por um cientista, Dr. Adam Royston (Dean Jagger), que trabalha com pesquisas numa indústria de energia atômica localizada nas proximidades, dirigida pelo arrogante John Elliot (Edward Chapman). Ele conta com a ajuda de Peter Elliot, filho do chefe da indústria, e do policial Inspetor McGill (Leo McKern), representante da Divisão de Energia Atômica do Departamento de Segurança, que veio ao local para tentar descobrir a autoria das mortes violentas. “O Estranho de Um Mundo Perdido” é um filme curto com apenas 80 minutos e contribui significativamente para colocar o estúdio “Hammer” no topo das produções de divertidos filmes de horror e ficção científica de todos os tempos, como uma fábrica de pesadelos registrada na história do gênero fantástico. A ideia inicial era que esse filme fosse uma continuação de “Terror Que Mata” (The Quatermass Xperiment, 1955), com o cientista Prof. Bernard Quatermass. Mas, como o criador do personagem, o escritor Nigel Kneale, não havia liberado seu uso, a “Hammer” optou por utilizar uma história similar ao mesmo universo ficcional, através do roteiro de Jimmy Sangster, substituindo pelo cientista Dr. Royston. O argumento básico utiliza-se do medo das consequências do uso indevido da energia nuclear, como a fabricação de bombas, durante o conturbado período após a Segunda Guerra Mundial, com a constante tensão gerada pela possibilidade de efeitos destrutivos da radiação. O filme possui uma atmosfera sinistra intensa com as mortes violentas e a investigação de suas origens, com um monstro radioativo desconhecido, “um estranho de um mundo perdido” (do título nacional), que surge das profundezas da Terra ávido por sobrevivência e em busca de alimento na forma de radiação atômica. O monstro é formado por energia e derrete suas vítimas. Após se alimentar com radiação, adquire a forma de uma gigantesca massa gosmenta que aumenta seu tamanho progressivamente, inspirando vários filmes posteriores. Entre os que receberam sua influência, temos preciosidades como “A Bolha” (1958), com a criatura do espaço sideral crescendo conforme se alimenta, e o japonês “O Monstro da Bomba H” (também de 1958), produção da “Toho” dirigida por Ishiro Honda, com criaturas de radiação que dissolvem suas vítimas. Curiosamente, o eterno ator coadjuvante Michael Ripper, um rosto conhecido em inúmeras participações em filmes da “Hammer”, também tem seu papel garantido por aqui, como o disciplinado Sargento Harry Grimsdyke. (RR – 12/09/15)

* Lavalantula (2015) – A produção é da “Cinetel Films”, de bagaceiras como “A Queda da Terra”, a distribuição é do canal de TV a cabo “SyFy”, o apoiador oficial do cinema fantástico bagaceiro do século 21, e a direção é de Mike Mendez, de outras tranqueiras como “Maldita Aranha Gigante!” (2013). A história é sobre aranhas do tamanho de homens que cospem fogo pela boca, oriundas de uma erupção vulcânica em Los Angeles, nos Estados Unidos, e no elenco temos a liderança das ações por Steve Guttenberg, mais conhecido pela participação na popular e cultuada franquia de humor “Loucademia de Polícia”, dos anos 80 e 90 do século passado. O resultado disso tudo tem um nome: “Lavalantula”, a contração das palavras lava com tarântula. Colton West (Steve Guttenberg) é um astro do cinema de ação dos anos 90, conhecido por atuar como o “Foguete Rubro”, um super-herói vestido numa armadura que voa. Casado com a bela Olivia (Nia Peeples), que luta kickbox, e pai do adolescente Wyatt (Noah Hunt), ele está no momento trabalhando num filme bagaceiro sobre baratas gigantes (num divertido exercício de metalinguagem, onde os realizadores estão brincando com os seus próprios clichês). Quando decide sair do set de filmagens para encontrar o filho, se depara com uma explosão nas montanhas de Santa Monica, causando terremotos e o pior de tudo, uma invasão de aranhas enormes incendiárias. Encarnando o verdadeiro herói americano, ele se junta com um fã patético, Chris (Patrick Renna), que encontra num ônibus de turismo, e parte para combater as aranhas, tentando encontrar a esposa e o filho no meio do desastre, ao mesmo tempo em que defende a cidade, procurando uma forma de deter as aranhas, principalmente uma imensa rainha. Em “Lavalantula” tudo é exagerado, desde o roteiro carregado de forma proposital com elementos absurdos até os efeitos dos monstros aracnídeos em CGI vagabundo. Para não enrolar o espectador, já em menos de dez minutos de projeção, ocorre uma erupção vulcânica que liberta as enormes aranhas que cospem lava pela boca. Tem muitas homenagens e brincadeiras com o próprio cinema fantástico bagaceiro em que o filme se situa. Não falta nem o tradicional discurso padrão do herói convocando nesse caso os funcionários do estúdio de cinema para se motivarem na batalha contra as criaturas de oito patas. Dentro desse ponto de vista, podemos dizer que existe claramente uma intenção honesta dos realizadores em produzir e oferecer ao público uma porcaria colossal sem pretensão de mostrar uma história séria, e por isso mesmo, consegue o objetivo maior que é exclusivamente a diversão simples e sem compromisso com a lógica. O espectador não é enganado, pois sabe com antecedência que verá um filme ruim, que quer apenas divertir debochando dos próprios clichês e situações estrambólicas. Entre as várias curiosidades, temos a participação de quatro atores da franquia “Loucademia de Polícia”, pois além de Steve Guttenberg, ainda temos Michael Winslow, Marion Ramsey e Leslie Easterbrook no meio do ataque das tarântulas vulcânicas, numa interessante homenagem. O roteirista Leigh Whannell, criador da série de filmes “Sobrenatural”, aparece numa ponta logo no início, interpretando justamente um diretor de cinema. O ator Ian Ziering, principal nome na cultuada franquia “Sharknado”, aparece rapidamente no meio do caos com a invasão dos aracnídeos pré-históricos, encontrando Colton West no tumulto. Após cumprimentá-lo, ele diz para o colega de profissão que “adoraria ajudá-lo, mas estou com problemas com tubarões”, numa brincadeira muito divertida com a série de filmes de ataques de tubarões nas grandes cidades americanas, usando os tornados como meio de transporte. Na dublagem brasileira, o termo “lavalantula”, utilizado como título do filme e mencionado várias vezes na história, é pronunciado como “lavantula”, numa decisão acertada e mais apropriada. E por último, e especiamente para os brasileiros, em determinado momento, durante a confusão no ataque das aranhas, aparece um poste de identificação de uma praça na “Hollywood Boulevard” com a placa indicando “Carmen Miranda Square”, referindo-se à famosa cantora luso-brasileira. Para concluir esse texto, vale registrar que antes mesmo dos produtores avaliarem o retorno do lançamento de “Lavalantula”, já foi anunciada uma sequência para 2016 com o nome “2 Lava 2 Lantula!”, cujo gancho enorme foi revelado no desfecho com a pergunta: “Esse é o fim das lavalantulas?”. Parece que não... (RR – 06/09/15)

* Maldição do Lobisomem, A (1961) – A produtora inglesa “Hammer” refilmou em cores os monstros clássicos em preto e branco do estúdio americano “Universal”. Foram vários filmes abordando múmias, a criatura de Frankenstein e vampiros (especialmente o temível Conde Drácula), mas curiosamente o lobisomem só tem um filme. “A Maldição do Lobisomem” é de 1961, tem direção do especialista Terence Fisher e roteiro de Anthony Hinds (sob o pseudônimo John Elder), a partir da história “The Werewolf of Paris”, de Guy Endore. Hinds foi produtor da “Hammer” e por causa de restrições orçamentárias decidiu assumir o roteiro do único filme de lobisomem do estúdio, utilizando pseudônimo, e a partir daí ele passou a escrever roteiros para muitos filmes seguintes como “O Fantasma da Ópera” (1962), “O Beijo do Vampiro” (1963) e “O Monstro de Frankenstein” (1964), entre outros. Ambientada no pequeno vilarejo de Santa Vera, na Espanha, a história apresenta um mendigo (Richard Wordsworth, o astronauta infectado de “Terror Que Mata”, 1955) que é preso na masmorra de um castelo, pelo cruel Marquês Siniestro (Anthony Dawson), depois de aparecer em sua festa de casamento pedindo comida. Após divertir os convidados com diversas humilhações, ele é abandonado na prisão por anos, onde encontra uma bela serviçal muda (Yvonne Romain). O mendigo comete atos de violência sexual contra ela e a jovem foge do castelo, sendo resgatada da morte na floresta por Don Alfredo (Clifford Evans), que a leva para sua casa, para receber os cuidados de sua bondosa empregada Teresa (Hira Talfrey). A criança nasce no Natal e ganha o nome Leon (Justin Walters), mas a mãe morre no parto. Já adulto, Leon (Oliver Reed), vai trabalhar num vinhedo e se apaixona pela bela Cristina (Catherine Feller). Porém, por ter nascido no Natal e ter sido gerado num estupro, Leon tem que enfrentar uma terrível maldição ancestral que irá perturbá-lo por toda a vida, quando em noites de lua cheia ele se transforma num monstro misto de homem e lobo, e que aterroriza a região em busca de vítimas. O lobisomem é um corpo com o espírito de um lobo em constante guerra interna entre sua humanidade e a fera selvagem sedenta de sangue e violência que está dentro de si. A alma humana enfraquece quando é alimentada com ódio, avareza e solidão, principalmente no ciclo da lua cheia, onde as forças do mal são mais fortes. Por outro lado, o espírito da besta enfraquece quando prevalece o amor, a amizade e o calor humano. A história do cinema de horror possui uma infinidade de filmes sobre essas fascinantes criaturas mitológicas de homens transformados em lobos. “A Maldição do Lobisomem” é um dos destaques e é sempre lembrado por ser uma produção da “Hammer”, a única abordando esse monstro clássico. Faz parte de uma elite formada por outras preciosidasdes como “O Lobisomem” (The Wolfman, 1941), da “Universal”, e “Um Lobisomem Americano em Londres” (An American Werewolf in London, 1981), de John Landis, entre outras. A história de um ser humano transformado em monstro assassino, com seu perturbador conflito interno entre o desejo de ter uma vida normal e a fúria incontrolável para sentir na boca o gosto do sangue e carne de animais e outras pessoas. O ator inglês Oliver Reed (1938 / 1999), que também esteve em outros filmes de horror como “A Mansão Macabra” (Burnt Offerings, 1976) e “Os Filhos do Medo” (The Brood, 1979), tem uma performance notável enfatizando seu drama com a paixão pela jovem Cristina e a necessidade de eliminar o monstro dentro de si. Curiosamente, o eterno ator coadjuvante Michael Ripper (1913 / 2000), que tem uma grande quantidade de participações menores em filmes da “Hammer”, e mais de 200 créditos em sua longa carreira, também aparece aqui, no papel de um bêbado que sucumbe nas garras do monstro. E tanto Oliver Reed quanto Yvonne Romain fizeram parte do elenco de outro filme da “Hammer”, “A Patrulha Fantasma” (Captain Clegg, 1962). (RR – 19/09/15)

* Matango, a Ilha da Morte (1963) – A parceria entre os japoneses Ishiro Honda (na direção) e Eiji Tsuburaya (nos efeitos especiais) trouxe uma infinidade de filmes divertidos do cinema fantástico bagaceiro. “Matango, a Ilha da Morte” é mais um deles, uma produção japonesa da “Toho” de 1963, e que tem o sonoro título em inglês “Attack of the Mushroom People”, ou numa tradução literal, “Ataque das Pessoas Cogumelo”. Um grupo descontraído de jovens formado por cinco homens e duas mulheres está passeando num iate em alto mar. Formado pelo empresário e dono do barco Masafumi Kasai (Yoshio Tsuchiya), o capitão Naoyuki Sakuda (Hiroshi Koizumi), o marinheiro Senzô Koyama (Kenji Sahara), o professor de psicologia Kenji Murai (Akira Kubo), a estudante Akiko Sôma (Miki Yashiro), o escritor de livros de mistério Etsurô Yoshida (Hiroshi Tachikawa), e a atriz e cantora Mami Sekiguchi (Kumi Mizuno). Após enfrentarem uma inesperada tempestade no mar, o barco fica seriamente avariado com os instrumentos de navegação quebrados, e uma vez perdidos e à deriva, eles encontram uma ilha onde desembarcam na procura de recursos para sobrevivência. Explorando o local em busca de alimentos, encontram um navio naufragado e destruído encalhado na beira da praia. Eles decidem investigar e descobrem evidências que revelam ser um navio de pesquisas científicas sobre os efeitos da radiação em testes com explosões nucleares. Utilizando o navio como um refúgio para sobreviverem enquanto não conseguem sair da ilha, eles encontram um pequeno estoque de alimentos conservados em latas e tentam se organizar para enfrentarem o isolamento forçado. Porém, o grupo de náufragos não imaginava que as dificuldades os levariam a diversos conflitos de relacionamento, além de encontrar uma grande quantidade de cogumelos gigantes alucinógenos na ilha que transformam quem os ingerirem em monstros mutantes. “Matango, a Ilha da Morte” é um cultuado e divertido filme japonês, situado no sempre interessante sub-gênero do cinema fantástico conhecido como “homem transformado em monstro”. Nesse caso, as pessoas náufragas perdidas numa misteriosa ilha que pode ter recebido os efeitos radioativos de explosões de bombas nucleares, são transformadas em criaturas mutantes deformadas parecidas com cogumelos gigantes. A transformação ocorre depois que elas, famintas e desesperadas na luta pela sobrevivência, cedem à tentação de comer os cogumelos. Os monstros são muito interessantes, coloridos, envoltos numa atmosfera sinistra na floresta com névoa, em efeitos toscos de maquiagem com roupas de borracha, mas que funcionam de forma convincente, compondo as melhores cenas do filme. E o roteiro também explora com eficiência o desgaste progressivo das relações entre os sobreviventes, pois com o passar do tempo os conflitos tornam-se constantes na luta pela vida. Evidenciando a existência da sempre recorrente linha frágil que separa o comportamento social com trabalho em equipe para o bem comum, das ações egoístas e selvagens para os interesses individuais perante situações turbulentas pela sobrevivência. Um fato claramente comprovado numa frase retirada do filme: “As frágeis barreiras da sociedade se desintegravam frente ao desejo de conseguir sobreviver a todo custo”. (RR – 29/09/15)

* Monstro da Bomba H, O (1958) – Outra pérola do cinema fantástico bagaceiro dos anos 50 do século passado, numa produção do estúdio japonês “Toho” e parceria entre o cineasta Ishiro Honda e o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya. “O Monstro da Bomba H” explora os temas de “homem transformado em monstro” e a paranoia dos efeitos radioativos desconhecidos e incontroláveis da energia atômica testada para a destruição com bombas no conturbado período da guerra fria após o término da Segunda Guerra Mundial. A polícia de Tóquio está investigando as ações de criminosos na cidade, e após perseguição contra o ladrão de jóias Misaki (Hisaya Itô), encontram apenas suas roupas no chão. Atrás de informações e respostas, o Inspetor Tominaga (Akihiko Hirata) procura a namorada do gangster, a cantora de boate Chikako Arai (Yumi Shirakawa). Nesse momento, surge o Dr. Masada (Kenji Sahara), um estudioso dos efeitos da radiação nas pessoas. Ele sugere aos policiais a conexão entre as misteriosas mortes de pessoas derretidas e o desaparecimento da tripulação de um navio no Oceano Pacífico, numa provável relação com os efeitos da explosão de bombas atômicas na região, que poderiam ter criado um monstro mutante gosmento, uma espécie de líquido azul que em contato com as vítimas, fazem-nas borbulharem e derreterem. Após extensa investigação e muitas mortes violentas, a polícia organiza uma ação coordenada para incendiar os esgotos da cidade, local de refúgio das criaturas gosmentas, na tentativa de eliminar a ameaça. O grande destaque dessa preciosidade japonesa certamente fica por conta dos ataques violentos das criaturas radioativas derretendo suas vítimas, como líquidos vivos com atividade mental humana (ou “humanos líquidos”). Num excelente trabalho da equipe de efeitos especiais dirigida pelo mestre Tsuburaya, que impressionou as plateias da época e que continua interessante e convincente até hoje, nesses tempos modernos de computação gráfica e excesso de artificialidade. Assim como em “Matango, a Ilha da Morte” (1963), que também é da dupla Ishiro Honda e Eiji Tsuburaya, o roteiro procurou explorar outros assuntos em paralelo com a ideia central dos monstros radioativos. Em “Matango”, temos uma interessante crítica social ao comportamento humano em momentos de crise, com um grupo de náufragos sobreviventes isolados numa ilha competindo entre si pela sobrevivência, ao invés de cooperação para o bem comum. Já em “O Monstro da Bomba H”, temos uma história de investigação policial sobre as atividades de criminosos e traficantes de drogas na capital japonesa. Porém, o problema é que infelizmente nesse caso, a narrativa tornou-se muito arrastada e entediante na condução dos policiais tentando localizar os bandidos, em meio ao mistério envolvendo o surgimento de vítimas derretidas. E o tédio aumentou significativamente com as várias cenas desnecessárias de cantorias numa boate, as quais deveriam ser trocadas por mais ataques sangrentos dos monstros viscosos. Ou por mais especulações científicas bagaceiras dos efeitos destrutivos da bomba de hidrogênio, assunto que é a maior razão da existência do filme (daí o título). Ou seja, deveríamos ter mais história de monstros e menos história de detetive. Curiosamente, percebemos influências do anterior “O Estranho de Um Mundo Perdido” (1956), produção inglesa da “Hammer” com um monstro gosmento imenso que se alimenta de radiação e derrete suas vítimas. E “O Monstro da Bomba H” foi lançado pouco antes da cultuada produção americana “A Bolha” (The Blob), com Steve McQueen, que também tem ideias similares na concepção de um monstro espacial amorfo e gosmento, formado por um líquido pegajoso. Naquele período fértil dos anos 50 para o cinema fantástico bagaceiro, temos inúmeras referências e relações entre filmes de países diferentes abordando a mesma ideia básica de monstros gosmentos radioativos que ameaçariam ainda mais a já instável segurança da humanidade por causa da guerra fria. (RR – 05/10/15)

* Noite das Travessuras (2013)Com o título traduzido literalmente do original americano “Mischief Night”, o filme de horror “Noite das Travessuras” é ambientado na véspera da tradicional festa de “Halloween” nos Estados Unidos. Foi exibido pelo canal de TV a cabo “SyFy”, conhecido por patrocinar o moderno cinema fantástico bagaceiro, e tem a direção, roteiro e produção de Richard Sckenkman, o mesmo cineasta da tranqueira colossal “Abraham Lincoln Vs. Zombies” (2012), da produtora “The Asylum”. Emily Walton (Noell Coet) é uma adolescente de dezessete anos que ficou cega após um evento traumático emocional quando tinha oito anos, num acidente de carro que matou sua mãe. Ela faz tratamento psicológico para tentar um dia recuperar a visão. Vivendo com seu pai super protetor, David (Daniel Hugh Kelly), ela tem um namorado, Jimmy (Ian Bamberg). Na véspera do “Halloween”, sozinha em casa após seu pai se ausentar para um raro encontro amoroso, a jovem é atacada por um psicopata assassino mascarado usando uma capa amarela de chuva (interpretado por Adam C. Edwards, mais conhecido por seus trabalhos como dublê). O desafio da garota agora é conseguir se defender, mesmo com as dificuldades causadas pela cegueira, lutando por sua vida contra um invasor que está eliminando todos que chegam perto dela. O filme é um típico “slasher” sem graça como aqueles da sessão “Supercine” das noites de Sábado da “TV Globo”, ou seja, fraquinho, previsível e repleto de clichês cansativos que não acrescentam absolutamente nada ao gênero. O roteiro é tão óbvio e sem originalidade, que é difícil até imaginar como uma equipe de produção consegue encontrar motivação com uma história dessas para fazer mais um filme igual a diversos outros anteriores. E cujo resultado final certamente teria uma reação fria do espectador, condenando-o para o cemitério dos filmes esquecidos. É um daqueles exemplos de história onde durante uma hora e meia de filme não existe qualquer tipo de intervenção policial, acontecendo apenas no desfecho com a audição da tradicional sirene de alerta (e nem é “spoiler” mencionar isso de tão previsível), somente após o encerramento dos eventos patéticos. Ou seja, a polícia surge depois que tudo já aconteceu e não se precisa mais dela, facilitando o trabalho do roteirista em deixar o psicopata agir tranquilamente durante todo o tempo, colecionando vítimas. Curiosamente, em determinado momento, a garota cega está com a televisão ligada exibindo o clássico de zumbis “A Noite dos Mortos-Vivos”, de 1968, dirigido por George Romero. Também é curioso citar que existe outro filme com o nome original exatamente igual, lançado um ano depois em 2014, e com temática muito parecida, mostrando uma jovem babá sendo aterrorizada por um psicopata mascarado, reforçando a falta de originalidade e empenho dos realizadores em tentar mostrar algo diferente. (RR – 31/08/15)

* Primeiro Homem no Espaço, O (1959) – A guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética após o fim da Segunda Guerra Mundial, gerou uma tensão constante em nosso planeta com o medo de um holocausto nuclear com bombas atômicas e também uma corrida de conquista espacial entre as duas grandes potências. Os soviéticos saíram na frente colocando o primeiro homem no espaço em 1961, o astronauta Yuri Gagarin, e a resposta americana viria em 1969 com a nave Apollo 11 chegando até a Lua (nesse caso, existem conspirações que afirmam que foi uma farsa). De qualquer forma, a corrida espacial instigou a imaginação dos roteiristas de cinema e uma infinidade de filmes sobre o tema foi lançada durante as décadas de 1950 e 1960. “O Primeiro Homem no Espaço” é de 1959, dois anos antes da viagem do astronauta russo pelo espaço sideral, e é uma produção de baixo orçamento inglesa, com direção de Robert Day. Em Albuquerque, cidade no Estado americano do Novo México, uma base militar está realizando testes com o lançamento de foguetes para o espaço. Sob a liderança do Comandante Charles Ernest Prescott (Marshall Thompson), auxiliado pelo Capitão Ben Richards (Robert Ayres) e o médico da Aeronáutica Dr. Paul van Essen (Carl Jaffe), um projeto com o foguete Y-13 está em andamento. Com o piloto de testes Tenente Dan Milton Prescott (Bill Edwards), irmão do Comandante, sendo lançado ao espaço a partir de um avião em grande altitude. O piloto tem uma bela namorada, Tia Francesca (a italiana Marla Landi, de “O Cão dos Baskervilles”, Hammer, 1959), que trabalha com cardiologia para o Dr. van Essen, mas graças a sua rebeldia de jovem impetuoso, ávido em ser o “primeiro homem no espaço” (do título do filme), ele desobedece as regras e o foguete supera os limites de controle, ficando à deriva no espaço e sendo afetado por uma tempestade de poeira cósmica de meteoritos. Um módulo com o piloto é ejetado do foguete e retorna à Terra, porém com um estranho recobrimento na fuselagem que intriga as autoridades. O piloto de testes não é localizado e é dado inicialmente como desaparecido. Porém, tem início uma série de mortes misteriosas de animais e pessoas nas proximidades, com as gargantas cortadas e ausência de sangue, sempre com a presença de misteriosos pontos brilhantes nas vítimas, despertando a atenção das investigações. “O Primeiro Homem no Espaço” é um filme com um roteiro pretensioso, mas uma produção com características do cinema fantástico bagaceiro dos anos 50 do século passado. O centro de comando tem todos aqueles computadores imensos e painéis de controle cheios de mostradores, botões e luzes, o foguete é uma maquete tosca e o monstro assassino é um homem deformado numa maquiagem bizarra de borracha. Com fotografia em preto e branco, o filme faz parte do sub-gênero conhecido como “homem transformado em monstro”, tão comum na época, com uma infinidade de histórias similares onde as pessoas transformavam-se em monstros como consequência da curiosidade em desbravar o desconhecido, ultrapassando os limites da ciência. Vale destacar os ataques do monstro, o piloto mutante que voltou do espaço recoberto com uma camada de poeira de meteoritos, uma espécie de crosta criada pela exposição aos raios cósmicos que servem como uma blindagem contra disparos de armas de fogo, mas que também necessita de sangue de suas vítimas. A abordagem desses homens intrépidos que se transformam em monstros perturbados sempre é interessante, enfatizando o drama de suas novas condições, como nas palavras de desespero do piloto de testes, “... andei sem rumo por um labirinto de medo e dúvidas...”. Os ataques do monstro podem ser considerados até bem violentos para a época da produção, e certamente os realizadores conseguiram impressionar a plateia. Mas, projetando um paralelo com os dias atuais, as cenas são inocentes e ingênuas quando comparadas com similares numa infinidade de filmes onde a violência é explícita, com um horror gráfico repleto de mutilações e sangue em profusão, que deixariam as audiências dos anos 50 traumatizadas. São as mudanças que ocorrem com o passar dos anos, e a humanidade cada vez mais está se acostumando com a violência e se impressionando menos. Curiosamente, uma história bem similar foi filmada em 1977 na divertida bagaceira “O Incrível Homem Que Derreteu” (The Incredible Melting Man), escrito e dirigido por William Sachs, e com efeitos de maquiagem de Rick Baker. Nesse filme, um astronauta parte numa missão espacial aos anéis de Saturno, e ao retornar para a Terra, seu corpo começou a se deteriorar de forma crescente, derretendo literalmente e transformando-se numa massa gosmenta de fluídos, músculos, carne e ossos partidos, deixando um rastro de sangue e vítimas por seu caminho. Outra curiosidade interessante é que o ator americano Marshall Thompson (1925 / 1992) participou de outras pérolas do cinema fantástico bagaceiro dos anos 50 como “Maldição da Serpente” (Cult of the Cobra, 1955), “O Horror Veio do Espaço” (Fiend Without a Face, 1958) e “A Ameaça do Outro Mundo” (It! The Terror From Beyond Space, 1958). Além de uma grande variedade de séries de TV como a popular “Daktari” (1966 / 1969). (RR – 21/09/15)

* Rebelião dos Planetas (1958) – Bagaceira de ficção científica da produtora “Allied Artists”, típica dos anos 50 do século passado, um período fértil para o cinema fantástico com histórias toscas e exageradas na fantasia. A direção é de Edward Bernds, de outras tranqueiras igualmente divertidas como “Vinte Milhões de Léguas a Marte” (World Without End, 1956) e “O Monstro de Mil Olhos” (1959). O roteiro é de Charles Beaumont, baseado na história “Queen of the Universe”, de Ben Hecht, e em seu currículo fazem parte preciosidades como “O Castelo Assombrado” (1963) e “A Orgia da Morte” (1964). A história de “Rebelião dos Planetas” é ambientada em 1985, e mostra uma expedição enviada num foguete rumo a uma estação espacial em órbita da Terra. O grupo de astronautas é formado pelo Capitão Neal Patterson (Eric Fleming) e os Tenentes Mike Cruze (Dave Willock) e Larry Turner (Patrick Waltz), que estão levando o renomado cientista Prof. Konrad (Paul Birch). Porém, antes de chegarem ao destino, eles testemunham a destruição da estação espacial por um misterioso raio desintegrador, e seu foguete é impulsionado numa velocidade imensa com forte turbulência, aterrissando numa região de neve de um planeta desconhecido. Eles encontram similaridades com a Terra em termos de gravidade e ar respirável, e descobrem que estão em Vênus. Decidem abandonar a nave para explorar o local, chegando numa floresta, onde são surpreendidos e capturados como prisioneiros por um grupo de belas mulheres. São levados para uma cidade chamada Kadir, governada por uma rainha tirana mascarada, Yllana (Laurie Mitchell). Ela assumiu o poder ao liderar uma revolta após uma terrível guerra contra um planeta inimigo, escravizando os homens sobreviventes mantendo-os numa colônia penal num dos satélites do planeta. Seu governo é totalitário e despertou o interesse por liberdade num motim realizado por um grupo de mulheres lideradas por Talleah (a húngara Zsa Zsa Gabor), e que se apaixonam pelos homens recém chegados da Terra, formando uma aliança com eles para derrubar a rainha do poder. Com apenas 80 minutos de duração, “Rebelião dos Planetas” é mais um daqueles filmes exagerados de ficção científica bagaceira de meados do século XX, uma aventura espacial que desperta um sentimento de nostalgia daquelas histórias ingênuas que investiam mais em situações inverossímeis do que na especulação científica. É um filme divertido justamente por suas características bagaceiras e não por alguma tentativa de contar uma história séria, fato que não acontece. É revelado que a ambientação do filme é no futurístico ano de 1985 para a época de produção e que já é um passado distante para nossos tempos de início de novo século, e que em 1957 foi o ano do lançamento do primeiro satélite ao espaço sideral, seguido pelo início da montagem em 1963 da estação espacial em órbita da Terra. Tem todos aqueles clichês conhecidos com um foguete tosco controlado por painéis enormes com luzes piscando, fitas de gravação, mostradores diversos, botões e alavancas de acionamento. Tem até uma espécie de televisão toda estilosa acionada por um controle remoto, que mostra a constante movimentação de mulheres na manutenção de uma poderosa arma de destruição, geradora de raios desintegradores. Para aproveitamento de recursos já existentes e contenção de despesas na produção, foram reaproveitadas várias cenas de “Vinte Milhões de Léguas a Marte”. Como o foguete viajando com turbulência em alta velocidade, a aterrissagem na neve de Vênus e o ataque de uma aranha gigante de pelúcia e borracha, estática e tosca ao extremo, contra um dos membros da expedição de terráqueos, no interior de uma caverna, numa cena divertida de tão bagaceira. O uniforme dos astronautas é similar ao utilizado no clássico “Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956). E a cena com a plataforma de lançamento do foguete é uma reprodução real de um teste americano em 1952.  “Rebelião dos Planetas” nos remete para outros filmes com ideias similares como “Mulheres-Gato da Lua” (Cat-Women of the Moon, 1953), “Missile to the Moon” (1958), que é conhecido no Brasil pelos títulos “Terríveis Monstros da Lua” e “Míssil Para a Lua”, e o já citado “Vinte Milhões de Léguas a Marte”. Onde é clara a intenção dos realizadores em explorar a sociedade de Vênus somente com belas mulheres sensuais portando armas, vestindo saias e mostrando suas pernas torneadas, além dos rostos sempre bem maquiados e com os cabelos penteados e estilosos. E também não poderiam faltar os cenários exageradamente coloridos e com tentativas de aspectos futuristas, com destaque para o “Desintegrador Beta”, uma arma capaz de destruir planetas. Além dos vários e patéticos relacionamentos amorosos entre os homens da Terra e as mulheres de Vênus, com diálogos ingênuos e piadas constantes, reservadas principalmente para o galanteador Tenente Larry Turner. Curiosamente, somente após quinze longos minutos é que aparecem os letreiros iniciais com o nome do filme e apresentação do elenco e equipe de produção. (RR – 11/10/15)

* Rosas de Sangue (1960) – Produção europeia dirigida pelo francês Roger Vadim (1928 / 2000), de “Barbarella” (1968), com roteiro baseado na história “Carmilla”, do irlandês Sheridan Le Fanu (1814 / 1873), que serviu de inspiração para Bram Stoker escrever “Drácula”. A cópia que tive acesso é dublada e gravada de uma exibição na TV Globo, na saudosa sessão “Coruja Colorida” do tempo em que passavam na televisão filmes interessantes e antigos do cinema fantástico, perdidos no meio das madrugadas. “De Paris a Roma em 90 minutos. Há 500 anos a mesma viagem levaria quase 2 meses. Eu sei porque eu fiz a viagem. Meu nome é Millarca. Eu vivi no passado, eu vivo agora. Nessa época do jato e do foguete é difícil acreditar em coisas espirituais. Este é o novo mundo. O mundo do espírito é o velho mundo. Velho sim, mas ainda verdadeiro. Lá embaixo, entre as colinas sombrias da Itália, está o Castelo da família Karnstein. Entrem comigo, vou lhes contar a história da minha vida recente.” Com essa introdução tem início “Rosas de Sangue”, uma história de vampirismo ambientada na Itália de 1960, mas com toda aquela atmosfera gótica de séculos atrás. A família Karnstein ainda é bastante temida na região pelos camponeses por causa das lendas antigas que falavam que seus ancestrais eram vampiros que bebiam sangue humano. Apesar de que eles foram destruídos em 1765 com estacas de madeira cravadas em seus corações e com seus corpos quiemados. Seus túmulos localizados numa velha abadia próximo ao castelo da família, estão vazios há séculos e a maldição não existe mais. Será? O Conde Leopoldo De Karnstein (Mel Ferrer) está planejando seu casamento com a bela Georgia Monteverdi (a deslumbrante italiana Elsa Martinelli), para a tristeza de sua prima Carmilla (a não menos lindíssima dinamarquesa Annette Vadim, casada na época com o diretor), que desde pequena nutre uma paixão platônica pelo primo. Uma vez deprimida e fragilizada, ela sente-se misteriosamente atraída por uma voz feminina e vai até a abadia onde está a sepultura gelada de sua ancestral. O espírito da vampira se apossa de seu corpo e passa a aterrorizar o castelo em busca de sangue, além de tentar recuperar o amor do Conde De Karnstein, que acredita ser a reencarnação de seu antigo noivo Ludwig. “Rosas de Sangue” tem o título original francês “Et Mourir de Plaisir” e também é conhecido como “To Die With Pleasure”. É um filme de horror sutil, curto com apenas 74 minutos (na versão americana), sendo uma das várias adaptações que a história de Sheridan Le Fanu recebeu no cinema. Ainda tivemos “O Túmulo do Horror” (Crypt of the Vampire, 1964), com Christopher Lee, e “Carmilla, A Vampira de Karnstein” / “Os Vampiros Amantes” (The Vampire Lovers, 1970), uma produção inglesa da “Hammer” com Peter Cushing e Ingrid Pitt. Entre os destaques, vale citar a perturbadora sequência com o pesadelo de Georgia, filmado em preto e branco. Ela que, uma vez confusa com o casamento com o Conde e a amizade enigmática com Carmilla, tornou-se vulnerável para o espírito da vampira ancestral e seus planos de se manter viva no mundo moderno. (RR – 07/09/15)

* Terror Que Mata (1955) – Filme que faz parte do ciclo de produções de ficção científica com elementos de horror com fotografia em preto e branco, do cultuado estúdio inglês “Hammer”, no período de meados dos anos 50 do século passado. “Terror Que Mata” tem direção de Val Guest, de outros filmes da “Hammer” como ”Usina de Monstros” e “O Monstro do Himalaia” (ambos de 1957), e roteiro de Richard Landau baseado no universo ficcional criado por Nigel Kneale, formado por vários filmes e séries para a televisão. Um foguete espacial cai numa fazenda nos arredores de Londres, tendo seu bico soterrado no solo. Dos três astronautas lançados ao espaço, num projeto científico liderado pelo Prof. Bernard Quatermass (daí o título original inglês), interpretado por Brian Donlevy, apenas um deles sobrevive e é resgatado seriamente doente. Ele é Victor Carroon (Richard Wordsworth), que está internado secretamente num hospital para tentar se recuperar de estranhas feridas que cobrem seu corpo. Os outros dois astronautas desapareceram. Para investigar o caso, o cientista Quatermass assume a liderança, contando com o auxílio não desejado de um policial, o Inspetor Lomax (Jack Warner). O transtornado astronauta foge do hospital, ajudado por sua esposa Judith (Margia Dean), e depois de deixá-la em estado de choque devido sua horrenda transformação física, ele percorre as ruas de Londres desorientado matando pessoas que encontra pelo caminho e animais de um zoológico. Com um misterioso fungo recobrindo seu corpo e o transformando vagarosamente numa massa disforme com tentáculos que cresce conforme se alimenta da energia vital de suas vítimas. Depois de atingir um tamanho imenso e refugiar-se numa abadia, ocorre um confronto final com o Prof. Quatermass, interessado em eliminar rapidamente a ameaça para poder desviar novamente suas atenções na continuidade de novos projetos científicos de exploração do espaço exterior. “Terror Que Mata” é um título brasileiro oportunista e mal escolhido, pois certamente o melhor seria apenas traduzir do original inglês, resultando em algo como “O Experimento de Quatermass”. O filme também é conhecido pelo título alternativo “The Creeping Unknown” nos Estados Unidos e tem uma história explorando o sempre interessante tema de “homem transformado em monstro”. É a investida da “Hammer” em ficção científica, num período fértil para o gênero na década de 1950, abordando uma ameaça alienígena trazida para a Terra após o retorno de um foguete lançado para pesquisas espaciais. Fez muito sucesso na época, impulsionando a “Hammer” como produtora de filmes do gênero fantástico, se especializando principalmente nas histórias com ambientação gótica e atmosferas sombrias, além de explorar os tradicionais monstros clássicos em filmes de vampiros, lobisomens, múmias e cientistas loucos. As aventuras do cientista Quatermass envolvendo alienígenas estão registradas numa trilogia produzida pela “Hammer”, e além de “Terror Que Mata”, ainda temos o já citado “Usina de Monstros” e “Uma Sepultura na Eternidade” (Quatermass and the Pit, 1967), sendo que nesse último o ator Andrew Keir ficou com o papel do abnegado cientista, substituindo Brian Donlevy, que esteve nos dois primeiros filmes. Em 1956 o estúdio inglês lançou “O Estranho de Um Mundo Perdido” (X: the Unknown), cuja ideia inicial seria que fosse uma continuação de “Terror Que Mata”, mas como o escritor Nigel Kneale não havia liberado o uso do personagem, os realizadores optaram por utilizar uma história similar com o roteiro de Jimmy Sangster. E o Prof. Quatermass foi apenas substituído pelo cientista Dr. Royston, que possui as mesmas características. (RR – 16/09/15)

* The Magnetic Monster (1953) – Os anos 50 do século passado foram marcantes para o cinema fantástico pela expressiva quantidade de filmes abordando o tema dos efeitos destrutivos e ameaçadores que a radiação poderia acarretar para a humanidade. “The Magnetic Monster” (1953) é mais um desses preciosos filmes, com fotografia em preto e branco, roteiro do escritor alemão Curt Siodmak junto com o produtor húngaro Ivan Tors, e direção de Siodmak em parceria com Herbert L. Strock (não creditado). O elenco é liderado por Richard Carlson, rosto reconhecido em outros filmes divertidos do mesmo período como “Veio do Espaço” (1953) e “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), além do posterior “O Vale de Gwangi” (1969). O Dr. Jeffrey Stewart (Carlson) é casado com a bela Connie (Jean Byron), que está grávida. Ele trabalha num órgão do governo americano conhecido como “Gabinete de Investigação Científica”, de grande importância estratégica no conturbado período da guerra fria entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, na disputa pela supremacia da tecnologia científica que poderia levar ao domínio do poder político e militar no mundo. Seu chefe é o Dr. Allard (Harry Ellerbe) que o envia junto com o assistente Dr. Dan Forbes (King Donovan) para investigar a ocorrência de um fenômeno magnético no prédio onde funciona uma loja de relógios, os quais apresentavam um misterioso defeito. Eles então descobrem uma atividade perigosa de radiação que os leva a um laboratório no andar de cima, que foi parcialmente danificado numa explosão. Investigando o caso, eles encontram evidências sobre a existência de um novo elemento radioativo chamado “serranium”, criado em experiências do físico Dr. Howard Denker (Leonard Mudie, que tem uma cara típica de “cientista louco”) e que se transformou numa criatura viva que se alimenta de eletricidade, aumentando de tamanho e criando um imenso campo magnético ao seu redor. O monstro magnético (do título do filme) torna-se extremamente ameaçador para a humanidade à medida que cresce em massa, com um altíssimo poder magnético que poderia deslocar a Terra de seu eixo, levando nosso mundo à destruição. Por isso, os esforços dos cientistas estão concentrados em eliminar o novo elemento radioativo com uma sobrecarga de eletricidade utilizando uma máquina imensa geradora de energia, localizada numa mina subterrânea de uma cidade canadense, no fundo do oceano. Em “The Magnetic Monster” temos todos aqueles equipamentos excêntricos e exagerados com a tecnologia da época, além de um computador enorme chamado de cérebro eletrônico, e que passados 60 anos, no início do século XXI, parecem tão obsoletos e pré-históricos que comprovam a imensa evolução tecnológica que ocorreu em poucas décadas. O filme é curto, com apenas 76 minutos de duração, seguindo a tendência do cinema fantástico de baixo orçamento da época com histórias rápidas. Aqui, a narrativa é fluente e não se perde muito tempo com futilidades e desvios desnecessários, a ação toda é basicamente concentrada na investigação científica do fenômeno magnético, a descoberta do “monstro”, e as tentativas de combater a ameaça. O filme diverte principalmente pelas características gerais das bagaceiras de ficção científica daquela época, com tecnologia do período soando extremamente antiquada para nossos tempos modernos. Também percebemos a intenção dos realizadores em passar uma interessante mensagem sobre os trabalhos solitários de cientistas abnegados, cujos resultados podem trazer consequências desastrosas. Essa ideia é reforçada pelas palavras do “cientista louco” Dr. Howard Denker” à beira da morte: “numa investigação nuclear, não se pode cavalgar sozinho”, enfatizando a necessidade de trabalho em conjunto, concentrando esforços e cooperação, para as experiências e descobertas científicas que podem alterar o futuro da humanidade. (RR – 26/09/15)

* Trilha da Fera Lunar, A (1976) – Filme bagaceiro dos anos 70 do século passado classificado no sub-gênero do cinema fantástico conhecido como “homem transformado em monstro”. Com direção de Richard Ashe (creditado como Dick Ashe), em seu único filme numa carreira que não existiu, “A Trilha da Fera Lunar” tem roteiro de Bill Finger (1914 / 1974), conhecido por ajudar no desenvolvimento do personagem “Batman” nos quadrinhos, séries de televisão e animações. A co-autoria da história é de Charles Sinclair, que teve uma carreira curta e ajudou a escrever a ficção científica tranqueira “O Lodo Verde” (1968), junto com o parceiro Bill Finger. Paul G. Carlson (Chase Cordell) é um jovem solitário interessado em mineralogia e que faz estudos de campo nas montanhas próximas da cidade de Albuquerque, no Estado americano do Novo México. Seu antigo professor, John Salinas (Gregorio Sala) apresenta para ele uma bela fotógrafa de Nova Iorque, Kathy Nolan (Donna Leigh Drake), que está realizando um trabalho jornalístico nas reservas de índios locais. Eles se apaixonam rapidamente e num encontro noturno no alto de um cume, presenciam uma chuva de meteoritos vindos da Lua, após o choque de um asteroide na superfície lunar. Um dos pequenos corpos celestes vindos do espaço exterior atingiu levemente Paul, que ficou com um fragmento do meteorito internamente na cabeça. A radiação está causando reações estranhas e mutações que o transformaram na fera do título, iniciando uma trilha com o sangue de suas vítimas. O chefe de polícia Capitão McCabe (Patrick Wright), que está sempre com as mãos na cintura, lidera as investigações dos misteriosos assassinatos na região, e é auxiliado pelo Prof. Salinas, especialista em antropologia e que conhece lendas índias que podem ajudar no caso, sobre homens que foram atingidos por objetos vindos do céu e que se transformaram em lagartos gigantes assassinos. O mistério incomum com a ocorrência de mortes sangrentas causadas por um suposto monstro réptil desperta a atenção de um cientista da NASA, Dr. Lawrence (Crawford MacCallum), e de um famoso cirurgião, Dr. Rizzo (Fred McCaffrey), que chegam à cidade para tentar ajudar o jovem a se livrar do mal que o transforma num monstro nas noites de lua cheia. A maquiagem da criatura é de Rick Baker, que ficou famoso principalmente pelo excepcional trabalho em “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), além da preciosa bagaceira “O Incrível Homem Que Derreteu” (1977) e “Videodrome – A Síndrome do Vídeo” (1983), de David Cronenberg, entre outros. Ele foi auxiliado pelo maquiador Joe Blasco, que interpretou a fera lunar em seu único trabalho como ator. O “lagarto gigante que anda como homem” apresenta semelhanças físicas com o conhecido “monstro da lagoa negra”, e infelizmente aparece pouco no filme. Pois, justamente o monstro é o único a garantir bons momentos com cenas bizarras de ataques em efeitos toscos e divertidos pela precariedade da produção. No mais, a história não desperta interesse pelo excesso de clichês e situações exageradamente absurdas e inverossímeis. O ritmo é bem arrastado, com um elenco amador cujas atuações inexpressivas colaboram para um resultado final fraco e descartável. Vale apenas pelas cenas patéticas e por isso mesmo divertidas com o réptil assassino. (RR – 05/09/15)

* Tubarão Fantasma, O (2013) – Apresentado pelo canal de TV “SyFy” e produzido pela “Active Entertainment”, “O Tubarão Fantasma” tem direção de Griff Furst, que além de diretor também tem vários trabalhos como produtor e ator, mas nada relevante. O filme tem um prólogo onde pescadores noturnos matam um tubarão branco explodindo sua boca com uma granada em represália por ele ter roubado um peixe já capturado num anzol. Porém, o temível predador dos mares retorna como um espírito fantasma para se vingar de seus algozes. Numa pequena cidade americana chamada Smallport, o tubarão fantasma translúcido ataca suas vítimas aparecendo em qualquer lugar onde tenha água, desde piscinas, banheiras, mangueiras e tubulações, fazendo vítimas para todos os lados com mortes sangrentas. Um grupo de adolescentes fúteis desprovidos de cérebros tenta combater a assombração assassina. Formado pela baixinha Ava (Mackenzie Rosman), sua irmã mais nova Cicely (Sloane Coe, que também esteve no péssimo “Tubarões Zumbis”, 2015), além de Blaise (Dave Davis) e Cameron (Jaren Mitchell), filho do inescrupuloso prefeito da cidade Stahl (Lucky Johnson). Eles contam com a ajuda do veterano xerife Martin (Tom Francis Murphy) e de um velho guardião do farol local Finch (Richard Moll), que tem assuntos pessoais pendentes envolvendo uma maldição com espíritos perturbados e uma caverna próxima ao farol, onde os fantasmas vingativos são gerados. Entre os incontáveis filmes com roteiros absurdos envolvendo tubarões, este certamente está entre os mais ridículos. Não há absolutamente nada que se salve. As atuações dos atores são patéticas, apesar de que é difícil exigir alguma coisa do elenco com uma história tão banal sobre um tubarão fantasma. Mas, o pior de tudo são os efeitos de CGI vagabundo, onde todas as cenas com o espírito do peixe comendo gente são tão ruins que não dá nem para rir. Já nas cenas das vítimas ensanguentadas e mutiladas os efeitos toscos são os tradicionais que vemos em dezenas de filmes similares, que não convencem de tão artificiais. Eu acho que tenho uma missão na Terra, que é assistir essas tranqueiras descartáveis que não divertem, justamente para alertar os apreciadores do cinema fantástico (até os fãs de bagaceiras) a não perderem seu valioso tempo com porcarias como essas. (RR – 14/09/15)

* Tubarões Zumbis (2015) – Os tubarões estão entre os animais mais explorados pelo cinema. Depois que Steven Spielberg concebeu seu clássico “Tubarão” (Jaws) em 1975, a quantidade de filmes utilizando esses temíveis predadores dos mares é imensa, com a grande maioria sendo produções bagaceiras com roteiros com excesso de clichês e principalmente ideias bizarras ao extremo. Tem tubarões viajando em tornados, em avalanches de neve, aparecendo em pântanos, tornando-se fantasmas, mutantes diversos, gigantescos, pré-históricos, geneticamente modificados, e até zumbis. Isso mesmo, tubarões mortos que atacam outros de sua própria espécie e os humanos, transferindo uma infecção que transforma todos em mortos-vivos. “Tubarões Zumbis” (Zombie Shark) é apresentado pelo canal de TV “SyFy”, produzido pela “Active Entertainment” e tem direção de Misty Talley, que foi o editor de outros filmes tranqueiras como “Terremoto Aracnídeo” (2012), “A Cápsula do Tempo” (2012) e “O Tubarão Fantasma” (2013). O roteiro horrível de tão ruim é de Greg Mitchell, o responsável pela porcaria colossal “SnakeHead Swamp” (2014). Um grupo de quatro jovens descerebrados vai até um hotel fuleiro numa ilha. Jenner Branton (Ross Britz) é o único homem, que está levando sua namorada Amber Steele (Cassie Steele), a irmã dela Sophie (Sloane Coe) e a fútil Bridgette (Becky Andrews), todas garçonetes de um bar. Lá chegando, depois de descobrirem que o hotel não tem nem estrelas de tão ruim, e é administrado apenas por uma pessoa, Lester (Roger J. Timber), eles ainda tem que enfrentar a fúria de ataques de tubarões que estão mortos, mas mordem e destroçam suas vítimas. E quem é infectado transforma-se em zumbi. O líder dos tubarões, chamado de Bruce, é inteligente e fugiu de uma base militar científica próxima da praia que supostamente estava abandonada. Ele é o resultado de experiências lideradas pela cientista Dra. Diane Palmer (Laura Cayouette) com regeneração de tecidos mortos para utilizar em soldados feridos em combate. O chefe de Segurança da base, Sargento Maxwell Cage (Jason London) está caçando o tubarão e tenta ajudar os jovens turistas recém chegados à ilha, que estão desprotegidos por causa de uma tempestade no continente que impede a comunicação com a polícia ou guarda costeira. No meio de tanta porcaria lançada aos montes para todos os lados, situada dentro do cinema fantástico bagaceiro do século XXI, alguns filmes até divertem pela precariedade da produção e honestidade em apresentar um roteiro absurdo que brinca com os próprios clichês. Mas, tem também os filmes ruins com excesso de defeitos que somente conseguem entediar o espectador com overdoses de bobagens nas histórias e amadorismo de seus realizadores. “Tubarões Zumbis” faz parte deste último grupo, onde nada funciona, desde a história cheia de furos e com notável falta de empenho do roteirista, passando pelo elenco inexpressivo que contribui para torcermos pelas mortes violentas das personagens, e culminando com um trabalho tosco com CGI vagabundo, com péssimos efeitos que não convencem e ainda estragam qualquer tentativa de tornar alguma cena tensa. É o tipo de filme para ser ver uma vez apenas por curiosidade, e se esquecer logo em seguida, mandando-o para o limbo das produções que não acrescentam nada ao gênero. (RR – 13/09/15)

* Ultimato à Terra (1957) – Ficção científica bagaceira da década de 50 do século passado, dirigida por William Asher (mais conhecido pela série de TV “A Feiticeira”, 1964 / 1972). Situado dentro da temática de invasão alienígena e principalmente abordando a tensão da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, com a paranoia de destruição do planeta com bombas atômicas, com um sentimento constante de insegurança após o final da Segunda Guerra Mundial. “Ultimato à Terra” tem apenas 75 minutos de duração e fotografia em preto e branco, numa produção de baixo orçamento distribuída pela “Columbia Pictures”. O roteiro é de James Mantler, baseado em seu livro homônimo. Um humanoide alienígena (Arnold Moss, um rosto conhecido em várias séries de TV da época) captura cinco pessoas aleatórias representando países diferentes como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, China e Rússia (identificado no filme apenas como sendo parte do bloco soviético conhecido como “Cortina de Ferro”). Eles são abduzidos para uma nave espacial em formato tradicional de disco e são considerados pelo extraterrestre como representantes da raça humana: o jornalista americano Jonathan Clark (Gene Barry, de “A Guerra dos Mundos”, 1953), a jovem inglesa Eve Wingate (Valerie French), o cientista alemão Dr. Klaus Bechner (George Voskovec), a chinesa Su Tan (Marie Tsien, não creditada e que não diz uma só palavra), e o soldado russo Ivan Godfsky (Azemat Janti). Lá, cada um deles recebe um pequeno recipiente contendo três cápsulas com imenso poder de destruição, capaz de aniquilar a vida humana na Terra, mantendo os outros seres vivos e a natureza intactos. Apenas eles poderiam abrir suas respectivas caixas através de uma projeção mental e acionar as armas, que perderiam seus efeitos após 27 dias (daí o título original do filme). O desafio proposto pelo alienígena é que os portadores dessas armas de outro mundo consigam manter a paz nesse período, algo extremamente difícil uma vez que a história da humanidade é conhecida pelas constantes guerras e conflitos, e a ameaça do fim do mundo por uma catástrofe nuclear nunca esteve tão perto como no período da guerra fria. Caso a eliminação da vida humana de fato ocorresse, a Terra ficaria livre para ser habitada pelos avançados alienígenas, cuja civilização estava próxima da extinção por causa da explosão da estrela que mantém a vida em seu planeta natal. E o prazo para seu extermínio é de apenas 35 dias. Como eles eram impedidos de realizar a invasão à força por questões morais, a decisão foi testar a humanidade sobre sua capacidade de autodestruição. “Ultimato à Terra” faz parte do período dourado do cinema fantástico, aquele que abrange principalmente a década de 50 do século XX. São tantos filmes de horror e ficção científica sobre os mais variados temas que um trabalho de catalogação é uma tarefa bastante complexa. A maioria desses filmes foi produzida com orçamentos reduzidos e roteiros repletos de situações exageradamente absurdas ou excessivamente mirabolantes, e justamente a combinação dessas características é que proporciona uma esperada diversão descontraída. Neste filme em particular, percebemos que o alienígena e sua nave espacial são secundários, e o foco está nos conflitos da raça humana, dividida em dois blocos distintos: os países que defendem a liberdade e a “cortina de ferro”, com sua tirania. E o desafio é descobrir quem irá apertar primeiro o botão de acionamento da bomba atômica, ou acionar as armas das cápsulas alienígenas. Essa ideia acaba incomodando um pouco pelo imenso clichê que sempre coloca os americanos como mocinhos e os soviéticos como os vilões, e pela previsibilidade dos acontecimentos, onde sabemos sempre com grande antecedência o rumo das ações e principalmente o desfecho. O que seria da humanidade se não existissem os americanos para nos salvar? Curiosamente, o disco voador fuleiro aparece pouco e foi editado do filme imediatamente anterior “A Invasão dos Discos Voadores” (Earth Vs. The Flying Saucers, 1956), de Fred F. Sears, também distribuído pela “Columbia”. (RR – 09/09/15)