Trilogia do Terror (Trilogy of Terror, EUA, 1975)

 


Trilogia do Terror” (Trilogy of Terror, EUA, 1975) é uma antologia para a televisão com três histórias curtas independentes produzidas e dirigidas pelo especialista na telinha Dan Curtis, e estreladas por Karen Black em vários papéis diferentes, a partir de roteiros do escritor Richard Matheson.

Fez parte do programa “ABC Movie of the Week” da rede de TV “ABC”, sendo o filme 250 de um total de 258, ou o 37 da sexta temporada, exibido originalmente nos Estados Unidos em 04/03/1975.

Esse cultuado programa apresentou na década de 1970 uma infinidade de preciosidades de todas as temáticas, e no caso do nosso interesse maior que são os elementos de suspense e horror, felizmente tivemos uma grande quantidade de filmes curtos que não ultrapassavam uma hora e quinze minutos de duração, todos divertidos e marcantes para quem teve a oportunidade de ver na TV ou home vídeo. Filmes como “A Fazenda Crowhaven”, “Volte, Ammie, Volte!”, “Escravos da Noite”, “A Última Criança”, “Encurralado”, “A Noite do Lobo”, “Trama Diabólica”, “O Grito do Lobo”, “A Força do Mal”, “Férias Mortais”, “O Amuleto Egípcio”, “Escola de Meninas”, “Pânico e Morte na Cidade”, “Um Grito de Mulher”, “Grito de Pânico”, “Os Demônios dos Seis Séculos”, “A Morte Numa Noite Fria”, “Todos Muito Estranhos”, “A Máquina Assassina”, “Abelhas Assassinas” e “O Triângulo do Diabo”.

 

A primeira história chama-se “Julie”. Uma aparentemente recatada professora de Inglês, Julie Eldridge (Karen Black), instiga o interesse amoroso do estudante Chad Foster (Robert Burton, que curiosamente era casado com ela na vida real naquela época). Chad tem como hobby a fotografia e uma vez fascinado pela professora, ele planeja uma forma de chantageá-la, com uma reação inesperada.

No segundo conto, “Millicent and Therese”, após o funeral do pai, a comportada Srta. Millicent Larimore (novamente Karen Black), tenta convencer o Sr. Thomas Anmar (John Karlin), namorado da sua irmã devassa Therese, afirmando que ela é maligna e entusiasta de livros de demonologia, bruxaria e vodu, e que suas ações são guiadas por Satã. Por outro lado, Therese tenta corromper e manipular sexualmente o médico da família Dr. Chester Ramsey (George Gaines), culminando num inevitável confronto entre elas.

Na última história chamada “Amelia”, Karen Black é a mulher do título que está em seu apartamento com um pequeno boneco de madeira representando um guerreiro africano Zuni, que pretende presentear ao seu namorado, um professor de antropologia. Após uma conversa turbulenta pelo telefone com a mãe manipuladora, ela involuntariamente permite que um espírito maligno desperte no boneco, que ganha vida própria e inicia uma caçada com perseguição e ataques sangrentos contra a mulher indefesa.    

 

Os dois primeiros contos são apenas medianos, com discretos elementos de horror e que exigem um cuidado especial para não serem revelados detalhes ou “spoilers” que poderiam comprometer a experiência do espectador, mesmo sendo histórias simples e comuns. Com uma reviravolta no primeiro sem grande impacto e uma revelação previsível no segundo.

Mas, em compensação, o terceiro episódio, mesmo também com uma história simples, é disparado o mais divertido, principalmente pelos efeitos práticos toscos do boneco possuído por um guerreiro demoníaco, com seus grunhidos hilários e ataques violentos com movimentos bruscos, além de um ótimo desfecho.

 

“Trilogia do Terror” foi lançado em DVD no Brasil pela “Versátil Home Vídeo” no box “Obras-Primas do Terror” Volume 19, e está disponível no “Youtube” com legendas em português.

É um piloto de uma série de TV no estilo de antologia com histórias independentes, mas que não foi concretizada. O filme teve uma continuação em 1996 com o nome “Trilogia do Terror II”, que também foi lançada em DVD pela “Versátil” no mesmo box.

Entre as curiosidades, quando foi exibido na TV brasileira em 1981, o terceiro episódio “Amelia” foi cortado pela censura e o filme teve que ser renomeado para “Duas Histórias de Terror”. Anos mais tarde foi liberado completo e recebeu o título “Trilogia do Terror”, uma tradução literal do original.

Existe outro filme que recebeu o mesmo nome “Trilogia do Terror” no Brasil. Trata-se de “Body Bags” (1993), uma antologia para a televisão com o diferencial de ter vários diretores famosos do Horror envolvidos no projeto, dirigindo ou mesmo atuando, como John Carpenter, Tobe Hooper, Wes Craven, Sam Raimi e Roger Corman. 

O diretor e produtor Dan Curtis (1927 / 2006) foi um especialista na televisão com vários filmes e séries de horror voltados para as telinhas como “Nas Sombras da Noite” (1970), “Maldição das Sombras” (1971), “A Noite do Estrangulador” (1973), “Drácula, o Demônio das Trevas” (1973), “O Grito do Lobo” (1974), “A Mansão Macabra” (1976), a também antologia de contos “Trilogia Macabra” (1977), “A Maldição da Viúva Negra” (1977) e “Trilogia do Terror II” (1996).

Sua filha na vida real, Tracy Curtis, teve uma ponta no filme como a garotinha no segmento “Millicent and Therese”, que estava chorando ao lamentar por sua boneca quebrada pela perversa Therese.  

 

(RR – 22/11/25)




O Fantasma de Frankenstein (The Ghost of Frankenstein, EUA, 1942, PB)

 


A produtora americana “Universal”, assim como toda empresa que precisa lucrar para manter e continuar suas atividades, aproveitou a boa receptividade do público com a história do monstro de Frankenstein (criado pela escritora Mary Shelley em 1818) e explorou a ideia o máximo possível. “O Fantasma de Frankenstein” (The Ghost of Frankenstein, 1942) é o quarto filme da série, após “Frankenstein” (1931), “A Noiva de Frankenstein” (1935) e “O Filho de Frankenstein” (1939), sendo que nestes três filmes a criatura foi interpretada pelo lendário Boris Karloff (1887 / 1968), que não repetiu mais o papel. Em seu lugar foi escalado então outro ícone do cinema de horror, Lon Chaney Jr. (1906 / 1973), mais conhecido como o “lobisomem” no clássico de 1941.

Em “O Fantasma de Frankenstein”, dirigido por Erle C. Keaton, a história segue a partir dos acontecimentos do filme anterior, e o monstro estaria supostamente destruído, soterrado numa mina de enxofre debaixo da torre do cientista Frankenstein, e o ajudante Ygor, interpretado pelo húngaro Bela Lugosi (1886 / 1956), o eterno “Drácula” depois de surgir no filme homônimo de 1931, havia sido cravejado de balas. Porém, os aldeões do vilarejo estão descontentes com o declínio da região, alegando influência da maldição de Frankenstein. Nada prospera no local e então eles conseguem autorização das autoridades para explodir o castelo do “cientista louco”. Para a surpresa geral, encontram o manco Ygor ainda vivo e ele, depois da destruição do imenso casarão de pedras, localiza o monstro no subsolo, preservado pelo enxofre.
Ygor consegue resgatar seu companheiro e juntos fogem para a cidade de Visaria para procurar o outro filho de Frankenstein, o médico Ludwig (Cedric Hardwicke), especialista em doenças mentais. Após uma série de incidentes entre a criatura e os moradores da cidade, envolvendo também o promotor Erick Ernst (Ralph Bellamy), namorado de Elsa (Evelyn Ankers, filha de Ludwig Frankenstein), Ygor consegue convencer o também cientista e seu assistente ressentido Dr. Theodore Bohmer (Lionel Atwill), a realizarem novas experiências com o monstro, tentando trocar seu cérebro maligno. O Dr. Ludwig recebe também a influência de uma aparição do fantasma de seu pai, que aconselha não destruir a criatura feita de restos de cadáveres humanos.    
   
No entanto, quase resolvi um problema que tem confundido o ser humano desde tempos imemoriais: o segredo da vida criada artificialmente” – fantasma do Barão Henry Frankenstein

Com fotografia em preto e branco e duração de apenas 67 minutos (era comum naquela época os filmes serem curtos), “O Fantasma de Frankenstein” desperta interesse quase que exclusivamente pela atmosfera gótica e pelos atores (Lon Chaney Jr. e Bela Lugosi sempre tiveram grande relação com o Horror). Enquanto Chaney continua fazendo do monstro de Frankenstein uma aberração assustadora, numa decisão acertada em manter os mesmos aspectos visuais da criatura dos filmes anteriores interpretada por Karloff, o sinistro Ygor de Bela Lugosi também continua convincente e de extrema importância para os rumos da história.
Por outro lado, o roteiro pouco contribuiu para esse universo ficcional já bastante explorado, mesmo em 1942. A necessidade de obtenção de lucros pelos realizadores pressionou os roteiristas, que por sua vez enfrentaram uma escassez de criação. Eles reciclavam as mesmas ideias, contando histórias similares com os descendentes do cientista, ressuscitando o monstro e outros personagens, e utilizando as mesmas motivações e elementos que caracterizaram os filmes anteriores. O ápice dessa falta de originalidade resultou em vários filmes “crossover” produzidos em seguida, misturando os monstros “Drácula”, “Lobisomem” e “Criatura de Frankenstein” numa mesma história, abandonando ainda mais qualquer regra de coerência. 
Por curiosidade, o filme recebeu primeiramente o título nacional “A Alma de Frankenstein” e depois também ganhou o mais apropriado “O Fantasma de Frankenstein”. Foi lançado em DVD tanto pela “Universal” quanto “Dark Side” num programa duplo com o filme anterior da série, “O Filho de Frankenstein”. E também sozinho, pela “Continental”.  
  
(RR – 05/02/17)


Criaturas das Profundezas (Humanoids From the Deep, EUA, 1980)

 


Criaturas das Profundezas” (Humanoids From the Deep, EUA, 1980)


Monstros marinhos humanoides passam a atacar uma pequena vila de pescadores. As criaturas foram geradas após peixes primitivos se alimentarem de salmões contaminados com um hormônio de crescimento criado em laboratório por uma empresa interessada em investir na região. 


Sangue e mutilações em doses razoáveis, e algumas cenas de mulheres peladas, num filme mediano produzido por Roger Corman, mas que garante uma boa diversão.


Os veteranos Vic Morrow e Doug McClure lideram o elenco. Teve uma refilmagem em 1996, também produzida por Corman.


(RR – 20/11/12)