The Murder Mansion (La Mansión de la Niebla, Espanha / Itália, 1972)

 


Para quem aprecia o cinema de horror com elementos góticos e atmosfera sinistra com história de uma mansão misteriosa ao lado de um cemitério fantasmagórico envolto em névoa espessa, numa aldeia abandonada com uma lenda sobre vampiros e bruxas, e produções europeias antigas dos saudosos anos 70 do século passado, certamente vai se divertir com “The Murder Mansion” (La Mansión de la Niebla” (Espanha / Itália, 1972), de Francisco Lara Polop, que felizmente está disponível no “Youtube” com dublagem em inglês e opção de legendas em português.

 

Um grupo de seis pessoas se perde numa estrada no interior da Itália, próximo de Milão. Eles encontram uma mansão obscura e são recepcionados pela misteriosa Srta. Martha Clinton (Ida Galli, creditada como Evelyn Stewart). O grupo é formado pelo alcoólatra Sr. Porter (Franco Fantasia), viajando num belo carro esportivo, um casal numa moto, que se conheceu na estrada, Fred (Andres Resino) e Laura (Lisa Leonardi, creditada como Anna Lisa Nardi), outro casal viajando num fusca, o advogado Sr. Tremont (Eduardo Fajardo) e esposa (Yelena Samarina), que está cuidando do divórcio de Elsa (Analia Gade), cujo carro quebrou na estrada e está em disputa judicial por dinheiro e bens com Ernest (Alberto Dalbes).

A anfitriã da mansão, por sua vez, decide hospedar todos durante a noite turbulenta, e revela uma história sombria sobre os mortos do cemitério vizinho, vítimas de vampiros, e sobre sua misteriosa tia Julie Clinton, que foi uma bruxa e morreu num acidente de carro com seu chofer (José Luis Velasco).

Após a ocorrência de diversos fatos sinistros com ruídos suspeitos em quartos secretos, aparições de zumbis vagando na névoa, e mortes violentas dos convidados, o desafio é sobreviver durante a noite e tentar entender o mistério da “Mansão do Assassinato”.   

 

Para apresentar os personagens e preencher o tempo de metragem mínima para o filme, temos inevitavelmente um início meio entediante, principalmente com perseguições entre um carro e moto por uma estrada deserta, numa disputa de dois homens pela atenção de uma mulher que pedia carona. E também pelas cenas de uma festa com dança no salão de um hotel, tendo Elsa com ciúmes do pai mulherengo (Jorge Rigaud).

Mas, depois que as pessoas se encontram pela força do destino na mansão da enigmática Martha Clinton, e com uma atmosfera perturbadora que se instala no local, surgindo reviravoltas na história, aparições de fantasmas e mortes violentas, os elementos de horror gótico, mesmo sendo clichês tradicionais do gênero, transformam o filme na diversão aguardada pelos apreciadores do estilo.  





Roger Corman - O Rei dos Filmes "B"


Diretor e produtor americano nascido em 05/04/1926 em Detroit, Michigan, e falecido em 09/05/2024 em Santa Mônica, Califórnia, Roger William Corman iniciou sua carreira artística escrevendo roteiros para Hollywood, vendendo seu primeiro trabalho para o filme “Highway Dragnet” (1953). Um ano depois produziu seu primeiro filme, uma ficção científica de custo baixo, “Monster From the Ocean Floor”, que faturou dez vezes mais o valor de sua modesta produção de 11 mil dólares, e mostrando o caminho para seu futuro profissional, apostando nas produções de baixíssimo orçamento.
Em 1955 entrou para a produtora “American International Pictures” (AIP) e fez sua estréia na direção com o western “Five Guns West”. No final da década de 50, dirigiu várias produções “B” de ficção científica e no início dos anos 60 filmou diversas fitas de horror inspiradas na literatura macabra de Edgar Allan Poe, e em parceria com um dos maiores ícones do gênero, o ator Vincent Price.
Roger Corman é conhecido como “O Rei dos Filmes B”, devido ao seu incrível talento de fazer filmes em curtíssimo tempo e aproveitando cenários de outras produções, sem contudo deixar de lado o interesse dos argumentos, e tendo o privilégio de atuar com fantásticos atores de um nível de Vincent Price, Boris Karloff, Peter Lorre, Ray Milland ou Basil Rathbone. Como produtor, também é conhecido por lançar talentos como os consagrados diretores Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, Jonathan Demme, James Cameron, Joe Dante e Ron Howard, e os famosos atores Robert DeNiro, Jack Nicholson e Ellen Burstyn.
Em 1971, Corman se retirou da direção de seus filmes e dedicou-se apenas a produzir e distribuir através de sua produtora “New World”, que depois passou a se chamar “Concorde”, voltando a dirigir um filme apenas em 1990 com “Frankenstein, O Monstro das Trevas” (Frankenstein Unbound), com John Hurt, Raul Julia e Bridget Fonda. Porém, antes em 1978 ele co-dirigiu de forma não creditada juntamente com Allan Arkush e Nicholas Niciphor, um thriller futurista chamado “Deathsport”, estrelado por David Carradine.
Curiosamente, o cineasta Roger Corman, assim como Alfred Hitchcock, também participou em pequenas pontas em muitos filmes, só que ao contrário do “mestre do suspense”, que aparecia muito rápido em seus próprios filmes, não emitindo uma palavra sequer, Corman marcou sua presença em filmes de seus colegas numa espécie de homenagem recebida por diretores como Francis Ford Coppola, Paul Bartel, Joe Dante, Jonathan Demme, John Carpenter, Tobe Hooper, Ron Howard e Wes Craven, entre outros, onde alguns deles tiveram suas carreiras lançadas por ele. Em 1974, no segundo filme da trilogia de máfia “O Poderoso Chefão”, de Coppola, Corman fez o papel de um senador. Participou também de “Cannonball” (1976), de Paul Bartel, e no primeiro filme da série “Grito de Horror” (The Howling, 1980), onde Joe Dante deu a ele uma pequena ponta não creditada como um homem numa cabine telefônica. Jonathan Demme o homenageou em três de seus filmes, em “O Silêncio dos Inocentes” (1991), onde Corman fez o papel de um diretor do FBI chamado Hayden Burke, em “Filadélfia” (1993), como o Sr. Laird, e em “Swing Shift” (1984), como o Sr. MacBride. Em 1993 com “Trilogia do Terror” (Body Bags), uma produção dividida em três episódios especialmente para a TV, dirigida por John Carpenter e Tobe Hooper, Corman participou como o Dr. Bregman no episódio “Olho” (Eye). Em “Apollo 13” (1995), Ron Howard convidou Corman a fazer uma participação especial como um congressista. E já em 2000, Wes Craven o colocou como ator numa ponta em “Pânico 3”, interpretando justamente um executivo de um estúdio de cinema.
Outro fato interessante aconteceu em 1992, quando Roger Corman esteve no Brasil para promover um festival com seus filmes e aproveitou a oportunidade e participou do antigo programa de TV “Jô Soares Onze e Meia” do SBT. Ele foi entrevistado por aproximadamente quinze minutos onde falou sobre sua carreira e comentou curiosidades de seus filmes de baixo orçamento.

Filmografia selecionada de Roger Corman como diretor

Abaixo segue uma listagem dos principais filmes de Roger Corman como diretor dentro do gênero fantástico, sendo que os lançamentos no Brasil em DVD estão indicados, assim como também os filmes que já foram distribuídos por aqui em vídeo VHS, e que estão fora de catálogo. Os títulos que estão descritos apenas no original em inglês podem até ter recebido um nome nacional quando foram exibidos na televisão ou nos cinemas, mas não tenho conhecimento de quais são eles. É apenas uma listagem de referência que pode e deve ser melhorada de forma crescente.

The Beast With a Million Eyes (1956, não creditado)
The Day the World Ended (1956)
It Conquered the World (1956)
O Emissário de Outro Mundo (Not of This Earth, 1957)
Attack of the Crab Monsters (1957)
The Undead (1957)
Teenage Caveman (1958)
War of the Satellites (1958)
A Bucket of Blood (1959)
A Mulher Vespa (The Wasp Woman, 1960) (DVD)
O Solar Maldito / A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher, 1960) - com Vincent Price, baseado em E. A. Poe
A Pequena Loja dos Horrores (The Little Shop of Horrors, 1960) (DVD)
The Last Woman on Earth (1960)
A Mansão do Terror / O Poço e o Pêndulo (The Pit and the Pendulum, 1961) - com Vincent Price, baseado em E. A. Poe
Creature from the Haunted Sea (1961)
A Torre de Londres (Tower of London, 1962) - com Vincent Price, refilmagem do original de 1939
Enterro Prematuro (Premature Burial, 1962) - com Ray Milland, baseado em E. A. Poe
Muralhas do Pavor (Tales of Terror, 1962) - com Vincent Price, Peter Lorre, Basil Rathbone, baseado em E. A. Poe (VHS)
Terror no Castelo / Sombras do Terror (The Terror, 1963) - com Boris Karloff e Jack Nicholson (VHS)
O Corvo (The Raven, 1963) – com Boris Karloff, Vincent Price e Peter Lorre, baseado em E. A. Poe (DVD) (VHS)
O Homem dos Olhos de Raio-X (X, The Man With the X-Ray Eyes, 1963) - com Ray Milland (DVD)
O Castelo Assombrado (The Haunted Palace, 1963) - com Vincent Price, baseado em H. P. Lovecraft (VHS)
A Máscara Mortal / Orgia da Morte (The Masque of the Red Death, 1964) - com Vincent Price, baseado em E. A. Poe
O Túmulo Sinistro (The Tomb of Ligeia, 1964) - com Vincent Price, baseado em E. A. Poe
Bloody Mama (1970)
Ga-s-s-s! Or it became necessary to destroy the world in order to save it (1970)
Deathsport (1978, não creditado)
Frankenstein, o Monstro das Trevas (Frankenstein Unbound, 1990) (VHS)

Roger Corman – O Rei dos Filmes “B”
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 07/03/06)



Attack From Space (Japão / EUA, 1965, PB)

 


Com um nome internacional manjado e trivial, “Attack From Space” é um filme japonês de Ficção Científica bagaceira produzido para a televisão, com fotografia original em preto e branco e que está disponível no Youtube com legendas em português e com a opção de uma versão colorizada por computador, um recurso que está se tornando bastante comum com as tranqueiras antigas.

 

Alienígenas hostis da Galáxia de Safira, com seu sistema de governo autoritário, planejam invadir a Terra e depois conquistar o Universo com seu grande poder militar e armas de destruição, como uma poderosa “Estrela da Morte”, capaz de destruir um planeta inteiro (algo similar apareceu depois em “Star Wars”, 1977).

Para impedir essa ameaça, um grupo de líderes supremos de outros planetas se reúne e decide enviar um robô humanoide chamado Starman (interpretado por Ken Utsui) para proteger a Terra. Ele é um super-herói típico que voa pelo espaço com sua capa esvoaçante e tem o objetivo de combater os safirianos e proteger a humanidade do “ataque vindo do espaço” (do título internacional).

Os alienígenas possuem uma base secreta subterrânea na Terra e como precisam de um potente motor para a propulsão de sua nave de guerra, que foi projetado pelo brilhante cientista japonês Dr. Yamanaka (Hiroshi Hayashi), eles o sequestram junto com seus filhos, a jovem Kaoru (Utako Mitsuya) e seu irmão mais novo, levando-os até uma estação espacial em órbita da Terra.

Resta ao herói Starman resgatá-los das garras dos invasores tiranos do espaço e impedir seu plano maquiavélico de destruição e conquista do nosso planeta.    

 

A história é clichê e patética, com um narrador em boa parte do tempo tornando as coisas mais desinteressantes. Os alienígenas tiranos lembram propositalmente os mesmos governos autoritários equivalentes na Terra, países com sistema político ditatorial, falta de liberdade de expressão e excesso de disciplina com obediência sem questionamentos, com os mesmos movimentos característicos de saudação mútua e a tradicional linguagem de comando com discursos diretos.

Com apenas 75 minutos de duração, e diferente da maioria dos filmes bagaceiros similares, a narrativa até que não é arrastada, pelo contrário, tem um ritmo acelerado, mas isso não impede de entediar o espectador por causa principalmente da longa duração de uma sequência de lutas entre Starman e os alienígenas, com movimentos exageradamente falsos e coreografias não convincentes, num excesso de pancadaria simulada em estilo pastelão, que acaba tornando-se cansativo e irritante.

Esquecendo o roteiro ruim e atuações sofríveis do elenco, temos um início até bem divertido, com a reunião de um Conselho Supremo de líderes de vários planetas, com representantes alienígenas hilários de tão estranhos. E o que realmente interessa para os apreciadores desses filmes bagaceiros de FC são os efeitos práticos com maquetes e miniaturas de foguetes, naves e estações espaciais, e os cenários de seus interiores com excesso de mostradores analógicos e sistemas toscos de navegação, além dos mísseis balísticos dos conquistadores extraterrestres destruindo cidades na Terra. Efeitos que certamente fascinaram as plateias da época, com as dificuldades dos recursos disponíveis e sem as facilidades da computação gráfica, e que ainda divertem nos tempos atuais.

“Attack From Space” foi editado de dois curtas metragens de 1957 e 58, e foi seguido por outros três filmes, todos igualmente produzidos para a televisão: “Atomic Rulers” (1965), “Invaders From Space” (1965) e “Evil Brain From Outer Space” (1966).

 

(RR – 11/05/24)








It´s Alive! (EUA, 1969)

 


O diretor americano Larry Buchanan (1923 / 2004) tem um currículo com várias tranqueiras com alguma diversão rápida dos anos 60 do século passado como “O Monstro de Vênus” (1967), “Marte Precisa de Mulheres” (1968), “A Criatura da Destruição” (1968) e “In the Year 2889” (1969). É dele também mais um representante do cinema fantástico bagaceiro e produção de baixo orçamento com efeitos práticos toscos: “It´s Alive!” (1969), disponível no Youtube com opção de legendas em português.

 

Um casal de Nova Iorque formado por Leilla Sterns (Shirley Bonne) e Norman (Corveth Ousterhouse) está viajando de carro pelas longas estradas americanas com destino a um parque florestal. Porém, pegam um caminho errado e se perdem, ficando sem gasolina. Ao avistarem algumas estátuas com réplicas gigantes de dinossauros próximo da estrada, eles decidem parar e encontram o jovem professor de paleontologia Wayne Thomas (Tommy Kirk), que indica uma fazenda vizinha que poderia ter combustível.

Seguindo para lá, eles chegam na fazenda de Greely (Billy Thurman), que tem uma coleção de animais selvagens com macacos, linces, cobras e lagartos, que utilizava como negócio e ponto turístico, mas que ficou abandonada depois da construção de uma estrada que afastou os turistas.

O casal é recepcionado pela empregada Bella Pittman (Annabelle Weenick), sempre assustada e com medo de Greely, que por sua vez muda inicialmente seu comportamento de um bom anfitrião para um homem louco e raivoso que captura o casal e depois Wayne Thomas, que também veio para a fazenda, mantendo-os aprisionados numa caverna para alimentar um réptil monstruoso humanoide que se esconde nas águas subterrâneas.  

 

O roteiro de “It´s Alive!” possui semelhanças e talvez até possa ter servido como alguma inspiração para o posterior “Devorado Vivo” (Eaten Alive, 1976), de Tobe Hooper, que também tem um fazendeiro louco que captura os hóspedes de seu hotel fuleiro para alimentar um enorme crocodilo.

É um filme curto com apenas uma hora e vinte minutos e sua história é baseada de forma não creditada em “Being”, do cultuado escritor Richard Matheson (1926 / 2013), que é o autor de livros significativos como “O Incrível Homem Que Encolheu” e “Eu Sou a Lenda”, além de roteirista de uma infinidade de filmes e episódios de séries de TV.

Sendo uma produção com orçamento bem pequeno, o elenco tem apenas cinco atores num filme de monstro com efeitos precários que garante alguma diversão justamente pela bizarrice da criatura que infelizmente (e como sempre nesses filmes bagaceiros) aparece pouco em cena. Com roupas de borracha verde de mergulho e dentes afiados falsos risíveis, o destaque mesmo são os olhos esbugalhados e estáticos com bolas de ping pong, sendo impossível não se divertir com um monstro fuleiro desses, que foi aproveitado do filme anterior “A Criatura da Destruição”.

De resto, é uma história simples cheia de clichês e com ritmo arrastado num convite ao sono, sobrando apenas as poucas aparições do monstro tosco e a interessante atuação exagerada do fazendeiro louco Greely, revoltado com o mundo e interessado em alimentar seu lagarto humanoide de estimação.

 

(RR – 06/05/24)





Da Terra à Lua (From the Earth to the Moon, EUA, 1958)

 


O escritor francês Jules Verne teve muitas de suas histórias de aventura com elementos de ficção científica e fantasia adaptadas para o cinema. “Viagem ao Centro da Terra”, “Vinte Mil Léguas Submarinas”, “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias” e “Da Terra à Lua” são algumas das mais conhecidas, cultuadas e representadas em filmes divertidos de meados do século passado, com elencos renomados e produções caprichadas com efeitos especiais práticos interessantes para a época e impressionantes para o público daquele período e também eternamente para os apreciadores do cinema fantástico antigo.

A RKO lançou em 1958 “Da Terra à Lua” (From the Earth to the Moon), dirigido por Byron Haskin e com grandes nomes no elenco como Joseph Cotten, George Sanders e Debra Paget, um filme típico dos que eram exibidos na saudosa “Sessão da Tarde” da TV Globo. Porém, sendo nesse caso uma produção menor e com efeitos bem mais modestos e toscos, com disponibilidade no “Youtube” com opção de legendas em português.

 

Ambientado em 1868, logo após o fim da guerra civil americana, temos o empreendedor Victor Barbicane (Joseph Cotten), membro de um clube seleto de empresários que lucram com a venda de armamentos em tempos de guerra, que está trabalhando na invenção de um poderoso projétil com alto poder de destruição.

Ele é auxiliado pelo amigo Ben Sharpe (Don Dubbins), par romântico da bela Virginia (Debra Paget), filha de Stuyvesant Nicholl (George Sanders), empresário do ramo de materiais, que criou uma potente armadura reforçada de aço e é contra a criação de armas para patrocinar as guerras. Mesmo sendo rivais nos negócios e também no campo do idealismo, eles acabam se unindo num projeto para a construção de um foguete bizarro chamado “Columbia” para ser testado no espaço, numa viagem à Lua, com sistema de propulsão através dos mísseis de Barbicane e fuselagem com os materiais resistentes de Nicholl.

Os três homens partem no foguete, com Virginia embarcando clandestinamente, e precisam lidar com algumas turbulências na viagem, desde sabotagem dos equipamentos até a ameaça mortal de uma chuva de meteoros, com grandes riscos para a segurança da missão.

 

Este “Da Terra à Lua” é um filme menor em qualidade de produção quando comparado com outros baseados em obras de Jules Verne. Apesar do elenco com nomes importantes, as características gerais estão mais próximas dos filmes bagaceiros de baixo orçamento e efeitos precários, ao contrário de outros trabalhos do diretor Byron Haskin como “A Guerra dos Mundos” (1953) e “A Conquista do Espaço” (1955).

Entre as curiosidades, o filme iniciou a produção no momento em que a RKO se preparava para encerrar suas atividades, e provavelmente o orçamento inicial seria bem maior sendo depois drasticamente cortado, tendo como consequência a qualidade inferior dos efeitos especiais. O foguete é bizarro e internamente temos uma grande quantidade de mostradores analógicos e outras parafernálias simulando equipamentos tecnológicos para uma viagem espacial, elementos típicos dos divertidos filmes bagaceiros de ficção científica do período.   

Os efeitos sonoros no interior do foguete viajando no espaço foram aproveitados do clássico “Planeta Proibido” (Forbidden Planet, 1956), lançado pouco antes e considerado um dos destaques da história do cinema de FC.

Existe outro filme que recebeu o mesmo nome “Da Terra à Lua” aqui no Brasil. Trata-se de “Rocketship X-M” (1950), dirigido por Kurt Neumann e com Lloyd Bridges.


(RR – 02/05/24)