Comentários de Cinema - Parte 17

Filmes abordados:

13 Fantasmas (13 Ghosts, EUA, 1960)
Brinquedo de Criança (Child´s Play, Inglaterra, 1984, “Hammer House of Mystery and Suspense”)
A Cripta dos Sonhos (The Vault of Horror, Inglaterra / EUA, 1973)
O Demônio de Fogo (The Night of the Big Heat, Inglaterra, 1967)
Desafio do Além (The Haunting, Inglaterra / EUA, 1963)
A Essência da Maldade (The Creeping Flesh, Inglaterra, 1973)
A Fúria das Feras Atômicas (The Food of the Gods, EUA, 1976)
A Múmia (The Mummy, Inglaterra, 1959)
The Bat People (EUA, 1974)
Os Zumbis de Mora Tau (Zombies of Mora Tau, EUA, 1957)




* 13 Fantasmas (1960) – Produzido e dirigido por William Castle (1914 / 1977), o mesmo responsável por outras preciosidades como “A Casa dos Maus Espíritos” e “Força Diabólica”, ambos do final dos anos 50 e com o ícone Vincent Price, “13 Fantasmas” tem fotografia em preto e branco e recebeu uma refilmagem sangrenta em 2001, com produção da “Dark Castle”. Na história, o professor de paleontologia, Cyrus Zorba (Donald Woods) está falido quando recebe a notícia que seu tio ocultista e recluso morreu, deixando como herança uma imensa e tétrica mansão. O advogado do falecido, Benjamen Rush (Maltin Milner, da série de TV “Rota 66”), está tratando dos documentos e informa que a casa é assombrada por fantasmas. Mas, o herdeiro ignora e se muda com a família, a esposa Hilda (Rosemary De Camp) e os filhos, a jovem Medea (Jo Morrow) e o pequeno Buck (Charles Herbert, que esteve em outros filmes bagaceiros do período como “A Mosca da Cabeça Branca”). Uma vez na casa, eles encontram uma sinistra governanta médium, Elaine Zacharides (Margaret Hamilton), e são testemunhas de objetos que se movem sozinhos e aparições de fantasmas que só podem ser visualizados através de óculos especial criado pelo falecido tio, que estudava as ciências ocultas e o mundo sobrenatural. Filme bastante ingênuo quando comparado aos tempos modernos, com produções recheadas de CGI e histórias barulhentas com sangue em profusão. Pois em “13 Fantasmas” temos apenas um roteiro sem sangue e violência, com uma mansão assombrada por fantasmas e uma nova família de moradores que enfrenta a ameaça, além de uma trama paralela envolvendo uma grande quantidade em dinheiro misteriosamente escondido e despertando cobiça. Serviu muito bem para assustar as plateias da época, com as habituais jogadas de marketing providas por William Castle, e atualmente serve como diversão pela ingenuidade involuntária e para quem aprecia as características gerais de filmes bagaceiros de baixo orçamento. Curiosamente, temos uma tradicional sessão espírita e uma brincadeira com o famoso tabuleiro ouija, na tentativa de comunicação com os mortos. E os efeitos que apresentavam os fantasmas eram conhecidos pela técnica “Illusion-O”, com os espectadores recebendo nos cinemas óculos apropriado para a visualização. Numa versão mais completa do filme, o próprio diretor e produtor William Castle explica como funciona o processo através de um prólogo e epílogo. (RR – 24/12/14)


* Brinquedo de Criança (1984) – A produtora inglesa “Hammer” foi responsável em mais de 20 anos de atividades regulares por dezenas de filmes de horror, ficção científica, fantasia, mistério e suspense, principalmente entre meados da década de 1950 e meados dos anos 70. Filmes abordando todos os tipos de temas e subgêneros do fantástico, que conquistaram uma legião fiel de apreciadores. Em 1980 tivemos uma série de TV chamada “A Casa do Terror” (Hammer House of Horror) com 13 episódios de 50 mimutos. E em 1984 veio mais uma série de TV, que recebeu o nome de “Suspense” (Hammer House of Mystery and Suspense), numa produção em parceria com a Fox (por isso também era conhecida como “Fox Mystery Theatre”), com outros 13 episódios com duração maior (70 min.) e características de filmes independentes. Um deles recebeu o nome por aqui de “Brinquedo de Criança” (Child´s Play), quando foi exibido na televisão, sendo o episódio 12 da única temporada. Curiosamente, o nome original é o mesmo que foi adotado em 1988 no início da enorme e popular franquia do boneco Chucky, chamado no Brasil de “Brinquedo Assassino”. Com direção de Val Guest (1911 / 2006), que fez “Terror Que Mata” (1955), o excelente roteiro de Graham Wassell apresenta uma típica família que acorda e descobre que sua casa está cercada por paredes de aço nas portas e janelas, impedindo qualquer tipo de acesso para o ambiente externo. Formada pela mãe Ann Preston (Mary Crosby), o pai Mike (Nicholas Clay) e a filha pequena Sarah (Debbie Chasan), eles especulam sobre a situação surreal, tentando encontrar explicações nas possibilidades de um isolamento devido uma guerra nuclear, ou um ataque alienígena, ou algum tipo de apocalipse. Mas, não encontram respostas nem na televisão, nem no rádio, ou nas inúmeras tentativas de fuga pelo telhado, garagem ou piso. As paredes de aço não são afetadas em ataques com machado ou explosões de pólvora. E alguns mistérios intensificam o sentimento de tensão, claustrofobia e desconforto: o aumento gradual da temperatura, o relógio parado sempre na mesma hora, o sinal de um estranho logotipo encontrado em todos os objetos e até mesmo tatuado num dos braços do pai. Ou a presença de uma gosma borbulhante invadindo a casa pela chaminé, a inexistência de lembranças referentes ao passado da família ou acontecimentos comuns do lado de fora da casa, o comportamento grosseiro da filha pequena em relação à mãe. Além de outros detalhes que contribuem para o desespero da família presa em sua própria casa e tendo que lutar pela vida. Filme curto, com poucos personagens, e ambientado apenas em alguns cômodos de uma casa. É o suficiente para um memorável exercício de suspense com um desfecho interessante no melhor estilo para surpreender o espectador. A história possui muitos atrativos com elementos de horror e ficção científica que superam a maioria dos filmes comerciais com orçamentos generosos, mas repletos de clichês e bobagens, que são exibidos frequentemente em nossos cinemas. (RR – 30/12/14)


* Cripta dos Sonhos, A (1973) – Antologia com histórias curtas de horror, produzida pelo estúdio inglês “Amicus”, de Max Rosenberg e Milton Subotsky, rival da “Hammer”, com direção de Roy Ward Baker, de outras pérolas do cinema fantástico como “Uma Sepultura na Eternidade” (67), “Os Vampiros Amantes” e “O Conde Drácula” (ambos de 70). São cinco contos inspirados nos quadrinhos americanos dos anos 50, publicados pela “EC Comics” em revistas como “The Vault of Horror” e “Tales From the Crypt”, dos autores Al Feldstein e William M. Gaines. Cinco homens entram num elevador que os leva até um porão, e sem entender o que está acontecendo, entram numa sala e sentam-se à mesa que surge diante deles. A partir daí, cada um deles conta um relato pessoal de história de horror que vivenciou em sonhos, e que parecia real, enfatizando sua origem em visões, fobias, medos ou obsessões. A primeira história chama-se “Midnight Mess”, e apresenta um homem inescrupuloso, Harold Rodgers (Daniel Massey), à procura de sua irmã Donna (Anna Massey), após a morte de seu pai. Seu objetivo é resolver assuntos relacionados à herança. Porém, a cidade onde sua irmã mora tem um mistério noturno, onde “eles” aparecem para se alimentar. O conto a seguir tem o título de “The Neat Job”, onde um homem bem sucedido, Arthur Critchit (Terry-Thomas), é obcecado por organização em sua casa. Ele então decide se casar com uma mulher mais jovem, Eleanor (Glynis Johns), que tem muita dificuldade em administrar a paranóia do marido com a organização domiciliar, culminando num desfecho trágico. No terceiro segmento, “This Trick´ll Kill You”, um mágico veterano, Sebastian (o alemão Curt Jurgens), e sua esposa Inez (Dawn Addams), estão visitando a misteriosa Índia pesquisando novos truques de mágica. Eles encontram uma jovem (Jasmina Hilton) que consegue controlar uma corda através do toque de uma flauta. Não conseguindo descobrir o segredo, o mágico ambicioso decide roubar a moça, mas não imaginava a vingança que o aguardava. Na história número 4, “Bargain in Death”, Maitland (Michael Craig), é um homem com um plano para fraudar o seguro de vida, ingerindo um medicamento que simularia sua morte. A ideia seria ser resgatado depois de enterrado e com o retorno da consciência. Porém, ele não contava com a intenção de dois estudantes de medicina, Tom (Robin Nedwell) e Jerry (Geoffrey Davies), que estavam à procura de um cadáver para estudos de dissecação. No último episódio, intitulado “Drawn and Quartered”, o pintor Moore (Tom Baker) vive numa ilha tropical no Haiti, país conhecido pelas práticas de voodoo. Quando ele descobre que está sendo enganado e seus quadros lesados, perdendo dinheiro para um grupo formado por um crítico de arte, um avaliador e um negociador, o pintor decide retornar para Londres e se vingar de seus algozes utilizando magia negra em suas obras. “A Cripta dos Sonhos” mostra cinco histórias rápidas com cerca de quinze minutos cada, acrescidas de pequenos comentários entre elas, além do prólogo e epílogo que situam o espectador no contexto do objetivo do filme. Os contos fluem muito bem graças às narrativas curtas. Não há destaques, pois todas as histórias estão num nível similar, com conclusões pessimistas e perturbadoras. A produtora “Amicus” apostou bastante no formato de antologias, todas interessantes, e além desse “A Cripta dos Sonhos”, tivemos ainda outras preciosidades como “As Profecias do Dr. Terror” (65), “As Torturas do Dr. Diabolo” (67), “A Casa Que Pingava Sangue” (70), “Contos do Além” (72), “O Asilo do Terror / Asilo Sinistro” (72) e “Vozes do Além” (74). (RR – 01/01/15)


* Demônio de Fogo, O (1967) – Tranqueira de horror com elementos de ficção cientítica, produzida pelo estúdio inglês “Planet Film” em 1967 e que traz como atrações a direção do especialista Terence Fisher e a presença sempre carismática da dupla de ícones do gênero Christopher Lee e Peter Cushing. Em pleno inverno rigoroso na Inglaterra, uma ilha misteriosamente apresenta um calor imenso que desperta a curiosidade de seus moradores e em especial do cientista Godfrey Hanson (Lee). Homem de poucas palavras, ele está hospedado num hotel de propriedade do escritor Jeff Callum (Patrick Allen) e sua esposa Frankie (Sarah Lawson), e está realizando observações na ilha com experiências secretas em seu quarto. Suas ações estranhas também chamam a atenção do médico local, o Dr. Vernon Stone (Cushing). Além do calor infernal e crescente, para tumultuar ainda mais o lugar, surge uma bela jovem, Angela Roberts (Jane Merrow), que se apresenta como secretária do escritor Callum, mas na verdade é sua amante. Após a ocorrência de algumas mortes com os corpos misteriosamente carbonizados, eles são obrigados a unirem forças para combater criaturas alienígenas gosmentas e rastejantes que precisam de calor para sobreviver, e estão utilizando a ilha para realizar testes adaptando o ambiente para uma invasão. O roteiro de “O Demônio de Fogo” é baseado no livro “Night of the Big Heat” de John Lymington, e apesar de contar com o cineasta Terence Fisher, especialista em filmes góticos da “Hammer”, esse é um filme menor da dupla Lee e Cushing. A ideia da história é bem bagaceira e até interessante, mas a narrativa em geral é arrastada, e somente perto do desfecho ocorre uma movimentação maior, com a participação mais intensa dos monstros gosmentos motivando as reações do elenco, principalmente do cientista interpretado por Lee, pois infelizmente Cushing aparece pouco. Devido às notórias dificuldades de orçamento, os efeitos dos alienígenas são toscos ao extremo, tornando-os mais hilários do que ameaçadores. Mas, é inegável que apenas o fato da participação do trio Terence Fisher, Christopher Lee e Peter Cushing, já garante a conferida. Curiosamente, o filme também é conhecido pelo sonoro título alternativo de “Island of the Burning Damned”. (RR – 04/01/15)


* Desafio do Além (1963) – “Uma casa má e velha, do tipo que algumas pessoas chamam de assombrada. É como um país não descoberto esperando ser explorado. Hill House se manteve por 90 anos e poderá se manter por mais 90. O silêncio cobre sólido a madeira e a pedra de Hill House, e seja o que for que andou lá, andou sozinho”. Esse é o prólogo de “Desafio do Além”, produção em preto e branco dirigida por Robert Wise, o mesmo cineasta de “O Túmulo Vazio” (45), “O Dia Em Que a Terra Parou” (51) e “O Enigma de Andrômeda” (71), entre outros. O roteiro de Nelson Gidding é baseado no livro “Assombração na Casa da Colina” (The Haunting of Hill House), escrito em 1959 por Shirley Jackson. O antropólogo Dr. John Markway (Richard Johnson) aluga uma misteriosa e imensa mansão chamada “Hill House” por alguns dias, com o objetivo de realizar estudos e pesquisas sobre os estranhos fenômenos que dão fama de assombrada para a casa. Ele convida duas mulheres para participar da missão, Eleanor Lance (Julie Harris), que tem alguns distúrbios psicológicos decorrentes de muitos anos de sofrimento ao cuidar de sua mãe doente, e Theodora (Claire Bloom), que possui poderes extra-sensoriais. Completa o time o herdeiro da mansão, o jovem Luke Sanderson (Russ Tamblyn), cético e piadista, cujo único interesse é conhecer melhor o imóvel que fará parte de seu patrimônio. A ideia do cientista é coletar informações e provas da existência do sobrenatural, mas não imaginava que o grupo teria que lutar para manter a sanidade no ambiente sombrio da mansão, conhecida por sua história de tragédias, mortes e loucura. Não falta o casal de sinistros caseiros, o Sr. Dudley (Valentine Dyall) e esposa (Rosalie Crutchley), que alerta os visitantes do perigo noturno de Hill House, algo que se transformaria num clichê muito explorado posteriormente. As hipóteses que poderiam explicar as perturbações da casa como o movimento de águas subterrâneas, eletricidade, pressão do ar, manchas solares, tremores de terra, foram substituídas por batidas grotescas e aterradoras nas paredes e portas, gritos e sussurros, além de ambientes misteriosamente frios e tétricos. “Desafio ao Além” é um exercício de puro horror insinuado, onde não se vê os fantasmas ou uma única gota de sangue, mas os efeitos de luz e sombra, sons sinistros e a cena da “porta.que respira”, que tornou-se famosa, promovem um perturbador estado de desconforto, acentuado pela ótima performance do elenco aterrorizado, principalmente a dupla de mulheres convidadas pelo cientista. Curiosamente, tivemos uma refilmagem em 1999 com Liam Neeson, Catherine Zeta-Jones e Owen Wilson, que recebeu o título nacional de “A Casa Amaldiçoada”. Sua história abandonou o horror psicológico e sugerido do clássico de 1963, priorizando as cenas gráficas com mortes violentas e sangue. E em 1973 foi lançada a preciosidade “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of Hell House), com roteiro do especialista Richard Matheson baseado em sua obra homônima, e com Roddy McDowall liderando o elenco. A história é bem similar à obra-prima de Robert Wise, porém com um horror mais explícito. Mas, o resultado é igualmente interessante e recomendável, juntando-se ao clássico dos anos 60 e situando-se entre os mais representativos filmes do sub-gênero de casas assombradas de todos os tempos. (RR – 03/01/15)


* Essência da Maldade, A (1973) – Filme inglês estrelado pela dupla Christopher Lee e Peter Cushing, dois dos maiores ícones do cinema de horror de todos os tempos, e dirigido por Freddie Francis, de preciosidades como “O Monstro de Frankenstein” (64), “A Maldição da Caveira” (65) e “As Torturas do Dr. Diabolo” (67), entre outras. O cientista Dr. Emmanuel Hildern (Cushing) retorna de uma viagem para a Papua-Nova Guiné, na Oceania, trazendo na bagagem o esqueleto de uma criatura ancestral e desconhecida, que possui um crânio imenso. Ao chegar à Inglaterra vitoriana, ele inicia os estudos de sua nova descoberta, na esperança de conseguir dinheiro para as dívidas e manter o conforto de sua única filha, a jovem Penelope (Lorna Heilbron). Seu irmão ambicioso, James (Lee), é o diretor de um asilo penal para pacientes mentalmente insanos, e também tem grande interesse nas pesquisas do cientista, fazendo questão de manter um clima de rivalidade entre eles. O paleontólogo alega a descoberta de um vírus que seria responsável pela “essência do mal” (daí o bem escolhido título nacional), que deveria ser tratada como uma doença que poderá aniquilar a humanidade. Porém, ele é desacreditado e a situação perde o controle quando o esqueleto se recobre novamente de carne após contato com a água, fugindo após um acidente e espalhando o horror. Em “A Essência da Maldade” encontramos os elementos do horror gótico típico do cinema inglês, similar às produções da “Hammer” ou “Amicus”. Porém, aqui dessa vez a produção é da “Tigon Pictures” em parceria com a “World Film Services”. Peter Cushing interpreta novamente um cientista abnegado que trabalha incansavelmente à procura de descobertas científicas que possam ajudar a humanidade, e que se transforma em vítima pela ousadia em invadir os domínios da ciência desconhecida. E Christopher Lee é o vilão inescrupuloso despreocupado com o ser humano e interessado apenas em projeção pessoal, não se importando em cometer crimes para a obtenção de seus objetivos. O monstro, um esqueleto que volta a ter carne após contato com água, é tosco ao extremo e diverte justamente por essas características. Recomendável para fãs de Cushing & Lee e apreciadores em geral de bagaceiras antigas, especialmente o horror gótico inglês. (RR – 31/12/14)


* Fúria das Feras Atômicas, A (1976) – A produção é do especialista em bagaceiras Samuel Z. Arkoff, da “American International Pictures”, a direção é de Bert I. Gordon (“Mister B.I.G.”, ou “senhor grande” numa tradução do inglês para as iniciais de seu nome), cineasta conhecido por seus inúmeros filmes com monstros, animais e pessoas gigantes, e a história é parcialmente inspirada em livro do popular escritor de Ficção Científica H. G. Wells. “A Fúria das Feras Atômicas” tem um título nacional sonoro para o original “The Food of the Gods” (“O Alimento dos Deuses”). Um jogador profissional de futebol americano, Morgan (Marjoe Gortner), vai com seu amigo também jogador Davis (Chuck Courtney) e seu empresário Brian (Jon Cypher), para uma ilha canadense com o objetivo de descansar alguns dias e caçar. Porém, eles enfrentam o ataque de vespas, galinhas e ratos gigantescos, que ficaram enormes e violentos após ingerirem uma misteriosa gosma branca que surgiu nas terras da fazenda do Sr. e Sra. Skinner (John McLiam e Ida Lupino, respectivamente). A descoberta do estranho alimento despertou o interesse comercial do empresário ganancioso Jack Bensington (Ralph Meeker), que juntamente com a jovem bacteriologista Lorna Scott (Pamela Franklin), visita a fazenda para comprar os direitos do misterioso “alimento dos deuses”. Em paralelo, um casal em passeio pelo lugar num motor home, Thomas (Tom Stovall) e sua esposa grávida Rita (Belinda Balaski), sofre um acidente com o carro e todos juntos ficam encurralados na casa da fazenda, lutando por suas vidas contra um ataque de dezenas de ratos imensos famintos por suas carnes. Os ataques dos ratos assassinos foram realizados com animais reais filmados como se fossem gigantes em meio a maquetes de carros e casas. E muitos deles foram mortos para a obtenção do realismo das cenas. Já para os momentos de confrontos diretos com os atores, foram utilizadas cabeças mecânicas de ratos imensos. Quando o grupo de pessoas está encurralado na casa de campo sob o ataque enlouquecido dos roedores, não faltaram os tradicionais conflitos internos num ambiente sob forte pressão psicológica na luta pela vida, com diferenças de opiniões entre os sobreviventes sobre as ações a serem tomadas, além de constantes questionamentos pela liderança. Os ataques das vespas e galinhas gigantes ficaram bem toscos e até hilários, mas por outro lado, as imensas ratazanas garantem bastante tensão em suas investidas ferozes, com interessantes efeitos simulando seus tamanhos descomunais e as agressões sangrentas contra as pessoas. Curiosamente, o cultuado escritor H. G. Wells teve muitas de suas divertidas obras adaptadas para o cinema em várias versões, como “Daqui a Cem Anos”, “O Homem Invisível”, “A Ilha do Dr. Moreau”, “A Guerra dos Mundos”, “A Máquina do Tempo” e “Os Primeiros Homens na Lua”. O multifuncional Bertram Ira Gordon ficou conhecido como diretor, roteirista, produtor e técnico em efeitos especiais de inúmeros filmes com criaturas gigantes, como “King Dinosaur” (55), “O Começo do Fim” (1957), “A Maldição do Monstro” (57), “O Monstro Atômico” (1957), “Attack of the Puppet People” (58), “War of the Colossal Beast” (58), “A Maldição da Aranha” (58), “A Cidade dos Gigantes” (65) e “O Império das Formigas” (77). E por isso ganhou o apelido de “Mister BIG” do lendário editor, colecionador e pesquisador de cinema de ficção científica e horror Forrest J. Ackerman. No elenco temos Pamela Franklin, que foi uma garotinha no clássico de fantasmas “Os Inocentes” (1961), e também esteve em “O Feiticeiro” (1972) e “A Casa da Noite Eterna” (1973), além da presença dos experientes Ida Lupino (1918 / 1995) e Ralph Meeker (1920 / 1988). (RR – 11/01/15)


* Múmia, A (1959) – O cultuado estúdio inglês “Hammer” refilmou em cores no final de década de 50 do século passado, os grandes clássicos com fotografia em preto e branco dos anos 30, de monstros da produtora americana “Universal”. Tivemos então “A Maldição de Frankenstein” (57), “O Vampiro da Noite” (58) e “A Múmia” (59), todos com a “dupla dinâmica” de ícones do horror Peter Cushing e Christopher Lee. Ficando para o aristocrático Cushing os papéis de “cientista louco”, caçador de vampiros e arqueólogo, e para Lee a missão de interpretar os vilões e monstros. Dirigido pelo especialista Terence Fisher e com roteiro de Jimmy Sangster (ambos com muitos créditos na “Hammer”), “A Múmia” é inspirada nos filmes “A Mão da Múmia” (The Mummy´s Hand, 40) e “A Sombra da Múmia” (The Mummy´s Ghost, 44). A história é ambientada inicialmente no Egito de 1895, onde um grupo de arqueólogos liderado por John Banning (Peter Cushing), encontra o Templo do deus pagão Karnak, onde está a tumba da princesa e sacerdotisa Ananka (Yvonne Furneaux). Uma vez o túmulo transportado para a Inglaterra, as ações se voltam para três anos depois, onde o egípcio Mehemet Bey (George Pastell), um fanático religioso dos costumes antigos de seu país, está descontente com a violação dos templos sagrados em escavações dos arqueólogos ingleses. Ele consegue, através da leitura de um pergaminho místico de 4000 anos, despertar a múmia Kharis (Christopher Lee), um ancestral guardião da tumba da princesa, que foi condenado à morte, tendo a língua cortada e sendo enfaixado e confinado num ataúde. A múmia recebeu a missão de espalhar uma maldição vingando-se de todos que profanaram a tumba egípcia. Assim como a grande maioria dos filmes da “Hammer”, a diversão aqui também é garantida para quem aprecia as cultuadas produções com elementos góticos e exploração dos monstros clássicos do horror. A múmia é um tema já filmado à exaustão, apresentando basicamente as consequências de uma maldição vingativa contra os profanadores de tumbas misteriosas. E faz parte da cultura popular ao lado dos vampiros, zumbis, lobisomens, demônios, fantasmas e monstros gigantes. São muitos filmes com a ideia central similar, e a própria “Hammer” possui outros trabalhos no mesmo segmento como “A Maldição da Múmia” (64), “A Mortalha da Múmia” (67) e “Sangue no Sarcófago da Múmia” (71). Só o fato da participação de Peter Cushing e Christopher Lee no elenco, já é motivo para agregar muito valor ao filme e servir de recomendação para os apreciadores de suas lendárias carreiras. Seus currículos dentro do cinema de horror são parte integrante e inquestionável da história do gênero. Lee é mais lembrado como o vampiro Drácula, mas também foi a criatura de Frankenstein e a múmia, atuando sob forte maquiagem e enfaixado em bandagens. Suas cenas ambientadas num pântano sombrio são memoráveis, num dos grandes ápices do filme, e seu papel de múmia também deve ser lembrado como destaque em sua filmografia, num paralelo de igual importância à múmia interpretada por Boris Karloff no clássico da “Universal” de 1932. Curiosamente, “A Múmia” é o único filme da “Hammer” em que aparecem juntos Peter Cushing, Cristopher Lee e o eterno coadjvante Michael Ripper, rosto visto com frequência em papéis pequenos de diversos outros filmes tanto da própria “Hammer” como também da rival “Amicus”. (RR – 24/01/15)


* The Bat People (1974) – Também conhecido como “It Lives by Night” ou pelo título nacional “Morcegos Humanos” (conforme informação do blog “Cine Space Monster”), de download de filmes bagaceiros, “The Bat People” está situado dentro do sub-gênero conhecido como “Man Into Monster” ou “Homem Transformado em Monstro”, um segmento extremamente divertido do cinema tranqueira de Horror e Ficção Científica, justamente pelas situações absurdas, roteiros distantes de qualquer tipo de lógica e produções toscas ao extremo. Um casal formado pelo médico Dr. John Beck (Stewart Moss) e sua bela esposa Cathy (Marianne McAndrew), que curiosamente são casados também na vida real, está tentando fazer uma segunda lua de mel. Numa visita turística pelo interior de uma caverna, o homem é acidentalmente mordido por um morcego infectado pela raiva. Uma vez hospitalizado e tomando fortes medicamentos para o tratamento da doença, supervisionado pelo colega médico Dr. Kipling (Paul Carr), ele começa a ter ataques de fúria descontrolada e agir de modo estranho, transformando-se aos poucos num monstro assassino com características de morcego. As várias mortes misteriosas e violentas de pessoas próximas ao Dr. John despertam a atenção da investigação policial do Sargento Ward (Michael Pataki). O xerife fica em seu encalço o tempo inteiro, enquanto o médico doente luta desesperadamente contra as crises de loucura e metamorfose emocional, física e mental, se aproximando cada vez mais de um animal conhecido pelo sentimento de medo e repugnância que desperta nos humanos. Bagaceira obscura dos anos 70 do século passado que traz como maior curiosidade o fato de ser um dos primeiros trabalhos de maquiagem do cultuado técnico em efeitos especiais Stan Winston (falecido em 2008). Ele foi o responsável pela concepção do homem transformado em morcego, provavelmente se inspirando nos macacos criados por John Chambers na saga “O Planeta dos Macacos”, iniciada em 1968. Numa espécie de homenagem ao próprio Winston, em determinado momento do filme, o transtornado Dr. John Beck invade o hospital e se identifica falsamente como Dr. Winston, para conseguir localizar uma bolsa de sangue e matar sua sede de morcego. No elenco, conseguimos reconhecer os rostos de atores com presença regular em diversas séries de TV do período como Paul Carr, ou filmes igualmente bagaceiros e divertidos como “O Túmulo do Vampiro” (72), “Zoltan – o Cão Vampiro de Drácula” (78) e “Os Mortos-Vivos” (81), como Michael Pataki. Entre os destaques podemos citar as cenas com dezenas de morcegos reais nos pesadelos e alucinações do protagonista amaldiçoado na transformação de monstro, mas em compensação negativa, temos a horrível trilha sonora escolhida nos momentos de perseguições e ataques do assassino, totalmente deslocada eliminando a tensão de forma patética. Vale lembrar que o cinema bagaceiro de Horror e FC possui uma galeria imensa de produções tranqueiras de “humanos transformados em monstros”, utilizando a mistura com animais, insetos e até plantas, que é bem difícil catalogar. Alguns exemplos são “A Mosca da Cabeça Branca” (58), “O Jacaré Humano” (59), “A Mulher Vespa” (60), “A Serpente” (66), “O Homem Cobra” (73), “Estranhas Mutações” (73) e “A Ilha do Dr. Moreau” (77, e com várias outras versões). E mais recentemente tivemos diversas produções da produtora picareta “Nu Image” como “MosquitoMan” e “Sharkman” (ambos de 2005), entre outras. (RR – 27/01/15)


* Zumbis de Mora Tau, Os (1957) – Produção em preto e branco de Sam Katzman (“Clover Productions”), dos saudosos anos 50 do século passado. Com duração curta (apenas 70 minutos), foi apresentado pelo canal de TV a cabo “Cinemax” como “Os Zumbis de Mora Tau”, sendo que o primeiro título nacional que recebeu quando exibido por aqui foi “O Fantasma de Mora Tau”. A direção é de Edward L. Cahn (1899 / 1963), o mesmo cineasta de outras tranqueiras do período como “A Ameaça do Outro Mundo” (58) e “Invasores Invisíveis” (59), e no elenco temos a bela Allison Hayes (1930 / 1977), mais conhecida pelo papel título de “A Mulher de 15 Metros” (58). Um grupo de dez marinheiros é vítima de uma maldição, transformando-se em zumbi após o naufrágio de seu navio 60 anos atrás na costa da África. Eles são obrigados a proteger um tesouro de diamantes numa caixa dentro do navio afundado, não permitindo que ninguém roube as pedras preciosas, com várias expedições de caçadores de tesouros sucumbindo à sua fúria e aumentando a população do cemitério local. Porém, não acreditando nas lendas e rumores sobre a existência dos guardiões mortos-vivos, uma nova expedição financiada pelo ambicioso George Harrison (Joel Ashley) tenta encontrar os diamantes. Fazem ainda parte da equipe, sua bela esposa Mona Harrison (Allison Hayes), o mergulhador galã Jeff Clark (Gregg Palmer) e o pesquisador Dr. Jonathan Eggert (Morris Ankrum). Em paralelo, uma velha senhora (Marjorie Eaton) que mora na região e é a viúva do capitão do navio naufragado, recebe a visita de sua bisneta Jan Peters (Autumn Russell), e tem interesse na chegada da expedição para tentar eliminar o tesouro amaldiçoado e com isso libertar os zumbis de seu tormento de décadas. Bagaceira divertida justamente pela overdose de falhas, que vão desde furos no roteiro, clichês, situações absurdas, diálogos patéticos e interpretações toscas do elenco. Não podendo deixar de citar as incrivelmente hilárias cenas supostamente aquáticas com os mergulhadores à procura do tesouro e os ataques de zumbis submersos (muitos anos antes dos zumbis aquáticos de “Zombie – A Volta dos Mortos”, 1979, de Lucio Fulci, e de “O Lago dos Zumbis”, 1981, dirigido por Jean Rollin e com roteiro de Jess Franco). Curiosamente, no texto original de abertura do filme, foi utilizado o termo “twilight zone”, que é o nome de uma das mais importantes séries de TV da história do cinema fantástico, “Além da Imaginação”, dois anos antes de seu lançamento em 1959. Ao contrário do que acontece principalmente desde o início do século 21, onde o sub-gênero dos zumbis é explorado à exaustão, com o lançamento de dezenas de filmes a todo momento, na época da produção de “Os Zumbis de Mora Tau”, os roteiros envolvendo mortos-vivos eram escassos e se inspiravam geralmente no vodu e magia negra, e somente bem depois os zumbis seriam apresentados como cadáveres putrefatos comedores de carne humana. Dentro dessa ideia, podemos considerar o filme como um dos poucos antigos precursores desse sub-gênero tão popular atualmente, e que depois do clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” (68), de George Romero, ganhou tanta força e motivação para se tornar um dos principais temas do cinema de horror. (RR – 23/12/14)

Comentários de Cinema - Parte 16

Filmes abordados:

Alerta do Espaço, O (Warning From Space / Uchujin Tokyo Ni Arawaru, Japão, 1956)
Batalha dos Monstros, A (Attack of the Monsters / Gamera tai daiakuju Giron, Japão, 1969)
Destruam Toda a Terra (Destroy All Planets / Gamera tai uchu kaijû Bairasu, Japão, 1968)
Gammera – O Monstro Invencível (Gammera the Invincible, EUA, 1966)
Josey Wales – O Fora da Lei (The Outlaw Josey Wales, EUA, 1976)
Monstro de Vênus, O (Zontar, the Thing From Venus, EUA, 1966)
Primeira Espaçonave em Vênus, A (First Spaceship on Venus / Der Schweigende Stern, Alemanha / Polônia, 1960)




* Alerta do Espaço, O (1956) – Direção de Koji Shima. Misteriosos corpos luminosos surgem nos céus da capital do Japão, Tóquio, sendo avistados e estudados por cientistas. São alienígenas do planeta Pairan com uma tecnologia superior que querem alertar a humanidade sobre os perigos fatais de um planeta desgovernado de outra galáxia que está em rota de colisão com a Terra. Com dificuldade de comunicação, eles decidem assumir a forma humana, através de uma sósia de uma cantora e dançarina famosa, Hikari Aozora (Toyomi Karita), entrando em contato com um grupo de cientistas formado pelo Dr. Kamura (Bontaro Miake), o físico Dr. Matsuda (Isao Yamagata) e o Dr. Toto Isobe (Shozo Nanbu). A intenção dos extraterrestres é ajudar sugerindo um ataque com armas nucleares no planeta para tentar destruí-lo ou desviar sua rota, mas o plano falha restando uma última tentativa através de um potente explosivo cuja fórmula foi criada pelo Dr. Matsuda e produzida com o auxílio dos seres do espaço. Primeiro filme japonês de Ficção Científica com fotografia em cores, “O Alerta do Espaço” tem como maior destaque a presença dos alienígenas, mesmo que poucas vezes, num excercício de bizarrice impagável, com atores fantasiados num traje amarelo em forma de estrela e com um único olho imenso no centro, na altura da barriga. Provavelmente, as criaturas do planeta Pairan estão entre as mais ridículas em aparência da história do cinema bagaceiro de Horror e FC, e por isso mesmo garantem uma diversão memorável. De resto, o roteiro esbarra em clichês o tempo todo, com cientistas tentando encontrar um meio de salvar o mundo do choque com outro planeta, além da presença de elementos de conspiração através de uma organização secreta querendo se apossar da descoberta do explosivo. O desfecho óbvio e previsível se resume com a interferência dos alienígenas na solução do problema, cujas consequências também os afetariam, pois seu planeta possui órbita similar ao da Terra, porém no outro lado do Sol. Vale destacar também que esse é um dos poucos filmes que procuraram retratar alienígenas com intenções pacíficas ao invés de propósitos tiranos de invasão e conquista, como a maioria esmagadora dos filmes do gênero. A cena de transformação de um alienígena para a forma humana, através de uma máquina, é uma referência direta ao filme alemão “Metrópolis” (1927), numa sequência similar entre um robô mecânico e a personagem Maria. Foi lançado em DVD no Brasil junto com “Gammera – O Monstro Invencível” (1965), numa versão dublada em inglês e legendas em português. (RR – 12/11/09)


* Batalha dos Monstros, A (1969) – Direção de Noriaki Yuasa. Duas crianças, o japonês Akio (Nobuhiro Kajima) e o americano Tom (Christopher Murphy), avistam num telescópio caseiro um disco voador que aterrissou perto da casa do primeiro, ao mesmo tempo em que um cientista, Dr. Shiga (Eiji Funakoshi), está estudando a origem de misteriosos sinais vindos do espaço, sendo interrogado pela imprensa. As crianças vão ao encontro da nave e ao entrarem no interior, são transportados por controle remoto ao planeta de origem, chamado Tera, que é similar ao nosso planeta, com mesma atmosfera, e situado no outro lado do Sol (ideia reciclada e já utilizada em “O Alerta do Espaço”, 1956). Esse planeta é habitado por duas mulheres, Barbella e Flobella, as únicas sobreviventes de uma civilização avançada tecnologicamente, mas que permitiu que um computador rebelde criasse monstros gigantes que dominam o lugar. As alienígenas conseguiram aprisionar e manter sob controle como um cão de guarda um desses monstros, Guiron, que é uma espécie de rinoceronte com uma lâmina de aço na cabeça. Elas então sequestram as crianças para devorar seus cérebros e adquirir seus conhecimentos, obtendo informações sobre a Terra. Mas o monstro voador Gamera está atento e parte para o planeta para defender os pirralhos e travar uma batalha contra Guiron. Distribuído no Brasil em DVD junto com “Destruam Toda a Terra” (1968), “A Batalha dos Monstros” tem fotografia em cores e dublagem em inglês, sendo mais um episódio dentro do universo ficcional da tartaruga gigante Gamera, que depois de ser apresentada no filme de origem “Gammera – O Monstro Invencível” (1966), agora é uma criatura “amiga das crianças” e “defensora da humanidade”. O roteiro é completamente ridículo, cheio de diálogos banais, personagens insignificantes e carregado de situações bagaceiras ao extremo. Todas as cenas com Gamera são toscas e hilárias de tão mal feitas, com direito até a uma performance do monstro numa espécie de barra acrobática parecendo um ginasta olímpico. Além de outra cena memorável de tão ruim onde a tartaruga imensa, que a propósito, voa pelo espaço com jatos propulsores, conserta uma nave cortada ao meio juntando os pedaços e soprando como se fosse uma vela de aniversário. Tanto Gamera como Guiron são interpretados por atores vestidos em trajes de borracha e com olhos de peixe morto, e as cenas de batalhas entre ambos são memoráveis de tão ruins. As instalações da base alienígena no planeta Tera possuem todos aqueles elementos clichês dos filmes “B” antigos de FC, com cenários coloridos e repletos de aparelhos eletrônicos futuristas. (RR – 12/11/09)


* Destruam Toda a Terra (1968) – Direção de Noriaki Yuasa. Uma nave alienígena hostil quer dominar e colonizar a Terra. Sua forma é um conjunto de esferas amarelas com listras pretas, e os invasores são criaturas com tentáculos disfarçadas de humanos. Uma dupla de jovens escoteiros, o japonês Masao Nakaya (Tôru Takatsuka) e seu amigo americano Jim Crane (Carl Craig), são especialistas em fazer trotes e brincadeiras, como o que fizeram com um pequeno submarino projetado pelo cientista Dr. Dobie (Peter Williams), cujos controles foram invertidos, e são sempre repreendidos pelo chefe dos escoteiros, Sr. Shimida (Kojiro Hongo). Porém, as crianças não imaginariam a encrenca em que iriam se meter quando são sequestradas pelos alienígenas, despertando a fúria do monstro protetor Gamera, uma tartaruga imensa que voa e solta fogo pela boca, que parte furiosa na salvação dos meninos. Na batalha, os alienígenas conseguem instalar um mecanismo de controle cerebral no monstro, obrigando-o a se voltar contra os humanos, destruindo uma represa e uma usina elétrica, ameaçando a segurança de Tóquio, a capital do Japão e a cidade preferida para os mais diversos monstros atacarem. Lançado em DVD pela “Works” num programa duplo com “A Batalha dos Monstros” (1969). Aqui, temos novamente outro filme com Gamera, tão ruim quanto os demais, com efeitos especiais paupérrimos e uma história básica cheia de furos e muito similar ao filme seguinte da série, demonstrando a falta de criatividade dos roteiristas, fazendo com que os filmes de monstros japoneses se pareçam demais uns com os outros. Dessa vez, em “Destruam Toda a Terra”, para preencher a duração de cerca de uma hora e meia, os realizadores optaram por inserir várias cenas de cansativas lutas entre Gamera e monstros rivais, retiradas de outros filmes. E não faltam mais outras novas sequências toscas também como uma em especial mostrando Gamera literalmente surfando sobre um monstro inimigo, formado pela união de vários alienígenas com tentáculos, que se juntaram numa única criatura enorme para combater a tartaruga voadora. De uma forma geral, o filme é até divertido com tanta cena bagaceira para todos os lados, mas dependendo da situação, também cansa bastante e torna-se um convite ao sono. (RR – 12/11/09)


* Gammera – O Monstro Invencível (1966) – Direção de Noriaki Yuasa e Sandy Howard. Em plena época de grande tensão mundial com a guerra fria, um navio de pesquisas japonês está no polo Ártico, próximo da fronteira com a Sibéria. Eles avistam um grupo de aviões russos fora de seu espaço aéreo e os Estados Unidos são alertados para interceptar os intrusos, causando um incidente internacional com a derrubada de um dos aviões inimigos, que carregava uma bomba atômica, explodindo a geleira e libertando um monstro gigantesco que hibernava por 200 milhões de anos. A criatura ancestral, com uma altura de cerca de 50 metros, é semelhante a uma tartaruga dinossauro, conhecida em lendas como “Gammera”, que cospe fogo pela boca e tem a capacidade de voar. O monstro gigante logo ataca o navio e parte pelo oceano em direção ao Japão, destruindo tudo pelo caminho, despertando a atenção mundial para um trabalho cooperativo internacional entre os exércitos de vários países na tentativa de deter o monstro. Uma vez que ele se mostra invulnerável ou “invencível” como diz o subtítulo do filme, não cedendo aos ataques maciços com armas de todos os tipos (inclusive nucleares), além de vapores quentes de uma usina geotérmica e até bombas congelantes, a esperança da humanidade está num misterioso “Plano Z”, mantido em sigilo pelas “Nações Unidas”. O objetivo é atrair a tartaruga gigante para uma ilha japonesa, que esconde um segredo que pode acabar com sua ameaça. Em 1965 foi produzido um filme japonês com o monstro “Gammera”, que um ano depois se transformou numa versão lançada pelos Estados Unidos, incluindo apenas algumas cenas adicionais e atores americanos como Albert Dekker (do clássico “O Delírio de Um Sábio”, 1939), que fez o Secretário de Defesa, Brian Donlevy (de “A Maldição da Mosca”, 1965), que interpretou o General Terry Arnold, e Dick O´Neill (General O´Neill). A partir de então, a tartaruga gigante que cospe fogo passou a participar de inúmeros filmes, principalmente na década de 60 e início dos anos 70. Os famosos monstros gigantes japoneses como Godzilla e outros similares, se transformaram num subgênero do cinema bagaceiro de horror muito cultuado pelos fãs, e são tantos filmes produzidos dentro desse tema que é difícil catalogar. Geralmente utilizando argumentos inspirados pela paranóia da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, e o medo das consequências do uso de armas atômicas para o futuro da humanidade. Foi lançado em DVD num programa duplo com “O Alerta do Espaço” (1956). (RR – 12/11/09)


* Josey Wales – O Fora da Lei (1976) – Dirigido e estrelado por Clint Eastwood, é um dos grandes filmes de western da história do gênero, assim como “Os Imperdoáveis” (1992), também de Eastwood e com Morgan Freeman. Depois que Josey Wales (Eastwood), um fazendeiro do Estado de Missouri, perdeu sua esposa e filho, assassinados num ataque criminoso que incendiou sua casa, liderado por soldados da união durante o fim da guerra civil dos Estados Unidos, ele torna-se um renegado sulista à procura de vingança. Suas habilidades com as armas de fogo e a imensa quantidade de homens mortos por suas mãos, o tornaram popular e temido, sendo perseguido pelo exército dos “barrigas azuis” e com a cabeça colocada à prêmio, instigando os caçadores de recompensas. Josey Wales encontra em seu caminho um velho índio renegado, Lone Watie (Chief Dan George), e junto com outras pessoas, eles procuram um lugar para viver nas terras selvagens do Kansas ou Texas. Mas, o procurado pistoleiro precisa constantemente lutar por sua vida numa guerra que para ele ainda não acabou. Obra prima do western, lançada em DVD no Brasil pela Warner. São 135 minutos de uma história interessante que mantém a atenção o tempo todo, onde acompanhamos a saga sangrenta de um homem em busca de liberdade e paz pessoal para livrar-se dos tormentos causados pelo assassinato brutal de sua família nos conflitos da guerra civil. Homem frio de poucas palavras e expressão rude, seus feitos como um renegado considerado fora da lei e a simples menção de seu nome, desperta temor nos mais bravos criminosos. Sua característica em cuspir sempre que está contrariado ou para desafiar os inimigos é um dos pontos fortes e muitas vezes hilários, principalmente quando o alvo de sua saliva é um cachorro vira lata que o acompanha em parte de sua jornada. Juntamente com uma cena antológica de um tenso, marcante e memorável diálogo com o chefe índio Ten Bears (Will Sampson), sobre liberdade, fraqueza da humanidade, falsa política dos homens dos governos e o direito à vida (ou à morte) em paz. Clint Eastwood está excepcional no papel principal e também atrás das câmeras. Certamente é um dos grandes nomes do cinema em todos os tempos, especialmente no fascinante gênero western. (RR – 29/11/14)


* Monstro de Vênus, O (1966) – Direção de Larry Buchanan. Keith Ritchie (Anthony Huston) é um cientista brilhante que inventa um sofisticado equipamento capaz de se comunicar com o distante planeta Vênus. Paralelamente, um importante projeto militar chefiado pelo também cientista Dr. Curt Taylor (John Agar), consiste em lançar ao espaço um satélite a laser. Ao se comunicar com Vênus, Keith entra em contato com uma criatura chamada Zontar, que utiliza o satélite para se transportar até a Terra. Ele acredita que está fazendo algo para o bem da humanidade, ou seja, um contato com uma raça alienígena superior que nos ajudaria a acabar com as guerras e problemas de nosso planeta. Porém, as intenções de Zontar são hostis, com objetivos de conquista num plano de invasão para sugar a energia do planeta e que consiste em controlar autoridades através de um sensor colocado em suas cabeças por morcegos venusianos. Dessa forma, resta apenas a tentativa da bela esposa de Keith, Martha Ritchie (Susan Bjurman), em alertar o marido sobre o equívoco em ajudar Zontar, e também do amigo Dr. Curt Taylor, que logo percebe o plano maquiavélico do alienígena e parte para o confronto para salvar a humanidade. “O Monstro de Vênus” é uma refilmagem de “It Conquered the World” (1956), dirigido por Roger Corman e com Peter Graves, Beverly Garland e Lee Van Cleef. Foi lançado em DVD junto com “A Primeira Espaçonave em Vênus” (1960), e tem a participação do ator John Agar (1921 / 2002), conhecido por interpretar geralmente “cientistas loucos” em inúmeros filmes “B” de horror e ficção científica como “Revenge of the Creature” (1955), “Tarantula” (1955), “The Mole People” (1956), “The Brain From Planet Arous” (1957), “Attack of the Puppet People” (1958), “Invisible Invaders” (1959), “Journey to the Seventh Planet” (1962), “Women of the Prehistoric Planet” (1967), entre outras pérolas do cinema fantástico de baixo orçamento. O filme é uma tranqueira de proporções colossais, desde a produção paupérrima, passando pelo roteiro superficial, até os efeitos especiais bagaceiros, como o satélite a laser (um típico disco voador), os “injectopods” (uma espécie de morcego alienígena ridículo cujas cenas dos ataques em vôos rasantes são hilários de tão mal feitos), e o próprio Zontar, um monstro com três olhos e um par de asas, que está entre os mais bizarros vilões dos filmes sobre invasão alienígena. Na história, percebemos referências a clássicos da ficção científica como “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951), quando Zontar paraliza o planeta, interrompendo todos os serviços de fornecimento de água, luz, telefone e máquinas em geral, instaurando o pânico na população desorientada, e “Vampiros de Almas” (1956), ao controlar as pessoas através de um sensor instalado na nuca, transformando-as em seres obedientes, artificiais e desprovidos de emoções. Como a maioria dos filmes do período, o roteiro também explora a tensão da guerra fria, alegando que o corte de energia seria uma sabotagem comunista, e que as pessoas controladas por Zontar seriam frias e insensíveis. (RR – 12/11/09)


* Primeira Espaçonave em Vênus, A (1960) – Direção de Kurt Maetzig. Um objeto estranho é encontrado levando um grupo de cientistas a investigar sua origem. Eles chegam à conclusão que é proveniente do planeta Vênus, vindo com a queda de uma imensa nave que se acidentou na Terra. A partir daí, é formada uma expedição de celebridades do mundo das ciências para uma viagem inédita a bordo de um foguete chamado “Cosmostrater”, rumo à Vênus para explorar o planeta e descobrir indícios de vida alienígena. O grupo é formado por oito cientistas de diversas nacionalidades: o americano e comandante da missão Harringway Hawling (Oldrich Lukes), o polonês chefe de engenharia e entusiasta em xadrez Orloff (Ignacy Machowski), o chinês especialista em idiomas Tchen Yu (Tang Hua-Ta), o matemático indiano Sikarna (Kurt Rackelmann), o francês expert em robôs Durand (Michail N. Postnikow), criador do robô de exploração “Omegan”, o piloto alemão Robert Brinkmann (Gunther Simon), o técnico em navegação e comunicação africano Talua (Julius Ongewe), e a única mulher da equipe, a bela médica japonesa Sumiko Ogimura (Yoko Tani). Eles partem então para Vênus, passando pela base “Lunar 3”, instalada na Lua. Lá, encontram um planeta deserto envolvido em névoas, além de misteriosos insetos metálicos, uma floresta vitrificada e os restos de uma civilização abatida por uma catástrofe nuclear que dizimou os habitantes. Descobrem também as intenções hostis dos venusianos antes da tragédia. A história de “A Primeira Espaçonave em Vênus” é ambientada em 1985, que curiosamente significava um futuro distante para a época de produção do filme (1960) e um passado já longo também para nosso momento atual. O roteiro é baseado em obra literária do ucraniano Stanislaw Lem, o mesmo autor de “Solaris”, e a direção foi do alemão Kurt Maetzig. O filme é curto (apenas 78 minutos), provavelmente por questões orçamentárias e por isso percebe-se claramente a rapidez com que os eventos acontecem. Um narrador procura apresentar uma introdução com a equipe de cientistas e a descoberta de um misterioso artefato de origem alienígena, e a partir daí, a história ganha uma dinâmica evidenciando a longa viagem espacial e a exploração de Vênus. Novamente temos um super computador com cérebro eletrônico controlando a nave, não faltando sempre todos os elementos característicos das produções de Ficção Científica do período, com excesso de luzes piscando e painéis cheios de controles e botões. O filme é divertido por instigar o espectador e fã do gênero fantástico a viajar e explorar juntamente com os cientistas o desconhecido planeta Vênus, alertando para os perigos de armas nucleares e o medo de invasões alienígenas. Lançado em DVD junto com “O Monstro de Vênus” (1966). (RR – 12/11/09)

Comentários de Cinema - Parte 15

Filmes abordados:

Amantes do Dr. Jekyll, As (Les Maîtresses Du Dr. Jekyll / El Secreto del Dr. Orloff, França / Espanha / Áustria, 1964)
Batalha no Espaço Estelar (War of the Planets / Battaglie Negli Spazi Stellari, Itália, 1977)
Eles Vieram do Espaço Exterior (They Came From Beyond Space, Inglaterra, 1967)
Fantástico Homem Transparente, O (The Amazing Transparent Man, EUA, 1960)
Invasor Galáctico, O (The Galaxy Invader, EUA, 1985)
Planeta Fantasma, O (The Phantom Planet, EUA, 1961)
Retrato de Um Pesadelo (Night Gallery, EUA, 1969)
The Wizard of Gore (EUA, 1970)
Um Mundo Desconhecido (Unknown World, EUA, 1951)




* Amantes do Dr. Jekyll, As (1964) – Mais uma pérola do cinema europeu de horror, numa co-produção entre França, Espanha e Áustria, lançado por aqui em DVD na coleção “Clássicos do Terror”, da “Vinny Filmes”, com direção e roteiro de Jesus Franco e fotografia em preto e branco. Sequência de “O Terrível Dr. Orloff” (1962), a história agora apresenta as atividades sinistras do cientista Dr. Conrad Fisherman, interpretado por Marcelo Arroita-Jáuregui (teve uma versão do filme onde seu sobrenome era Jekyll, e por isso um dos inúmeros títulos foi “As Amantes do Dr. Jekyll”). Ele foi discípulo do cientista Dr. Orloff, que em seu leito de morte, repassou uma série de anotações sobre estudos envolvendo ondas de rádio ultrasônicas que permitiriam gerar movimentos num ser humano morto. De posse dessas informações, o Dr. Fisherman realiza experiências em seu laboratório num tétrico castelo, e consegue trazer de volta para caminhar entre os vivos seu irmão Andros (Hugo Blanco), assassinado por ele numa reação passional por causa da traição de sua esposa infeliz, Ingrid (Luisa Sala). Uma vez controlando as ações do zumbi, o cientista utiliza-o para matar violentamente por estrangulamento várias mulheres nos arredores, colocando também em risco a vida de sua jovem sobrinha Melissa (Agnes Spaak), que acabara de chegar ao castelo e descobre uma terrível relação com o autor das mortes. E também despertando a atenção de uma investigação policial liderada pelo Inspetor Klein (Pastor Serrador). Filme que faz parte da safra de histórias góticas criadas e dirigidas pelo cultuado cineasta espanhol Jesus Franco, numa atmosfera sombria de constante mistério, não faltando o tradicional cientista louco e sua criatura, um assassino de luvas pretas. (RR – 13/07/14)


* Batalha no Espaço Estelar (1977) – Direção de Al Bradley (pseudônimo de Alfonso Brescia). O Capitão Alex Hamilton (John Richardson) é um astronauta respeitado, mas também conhecido pelos atos de indisciplina e aversão aos computadores. Ele é o comandante da nave espacial MK-31, que é chamada para investigar a origem de misteriosos sinais no espaço, juntamente com outros tripulantes como a bela Meela (Yanti Somer). Sua nave encontra um planeta, e ao pousar descobre uma região inóspita e mergulhada em escuridão (as noites são extremamente longas, com centenas de horas). Dentro de uma caverna sua equipe encontra um portal dimensional que os leva ao encontro de uma raça de alienígenas humanóides com pele pintada numa cor mista de verde e azul e com orelhas pontudas (no estilo do “Spock” de “Star Trek”), liderados pelo chefe Etor (Aldo Canti). A princípio, eles se mostram hostis e depois acabam até aceitando a ajuda dos humanos para enfrentar a pior descoberta que ainda viria: o planeta é controlado por um super computador inteligente que tem escravizado os habitantes. No passado, eles viviam felizes em harmonia com as máquinas, que lhes serviam e davam conforto, porém certo dia eles foram atacados por inimigos de outro planeta e tudo foi destruído, restando apenas um único computador que possuía o conhecimento para gerar novas máquinas, mas com propósitos de conquistar a galáxia, escravizando a civilização local. Esse computador psicopata, na intenção de tornar-se ainda mais potente e perfeito, enviou sinais ao espaço para atrair a atenção dos astronautas da Terra, e forçá-los a instalar um componente eletrônico que o deixaria mais forte para poder colocar em prática seu plano tirano e conquistador. Típico filme bagaceiro italiano com excesso de cores, visual exagerado e naves e estações espaciais com painéis de controle repletos de luzes piscando e botões para todos os lados. O roteiro é simples demais e com uma overdose de clichês, e a narrativa é na maior parte do tempo muito arrastada, gerando uma significativa dose de tédio no espectador, incitando-o ao sono. A ideia de explorar o tema dos computadores dominando civilizações, enfatizando o propósito de tirania, já havia sido visto inúmeras vezes antes, não conseguindo empolgar. Foi lançado em DVD no Brasil junto com “O Planeta Fantasma” (1961), que apesar de ser bem tosco, é ainda assim melhor que esse “Batalha no Espaço Estelar”, que vale mesmo apenas como curiosidade. (RR – 12/11/09)   


* Eles Vieram do Espaço Exterior (1967) – Direção de Freddie Francis. Uma misteriosa chuva de meteoritos ocorre numa fazenda no interior da Inglaterra, chamando a atenção do governo, que convoca o cientista Dr. Curtis Temple (Robert Hutton) e sua namorada e assistente Lee Mason (Jennifer Jayne), entre outros, para estudar o fenômeno. Porém, todos que entram em contato com os meteoros que vieram do espaço exterior são possuídos por alienígenas formando uma conspiração que trabalha secretamente na fazenda com objetivos obscuros. Exceto pelo Dr. Temple, que por ter uma placa de prata no cérebro por causa de um grave acidente de carro, se mantém ileso do poder mental dos extraterrestres. Produção inglesa da “Amicus”, de Max J. Rosenberg e Milton Subotsky, a grande rival da “Hammer” durante os anos 60 e meados dos 70. A direção é de Freddie Francis, o mesmo cineasta de preciosidades como “O Monstro de Frankenstein” (1964), “As Torturas do Dr. Diabolo” (1967), “Drácula, O Perfil do Diabo” (1968), “Contos do Além” (1972), “A Essência da Maldade” (1973), entre outras. Tem também a participação, apesar de pequena apenas nos dez minutos finais, do malaio Michael Gough (interpretando o líder dos alienígenas), um ator com um rosto conhecido em diversos filmes significativos como “O Vampiro da Noite” (1958) e “O Fantasma da Ópera” (1962). Lançado em DVD por aqui pela “Works”, junto com “O Invasor Galáctico” (1985), vale registrar uma atenção especial com um tremendo spoiler incluso na sinopse que está disponível no menu do disco, revelando o objetivo dos alienígenas ao manipular os seres humanos, um detalhe que é melhor apreciado se descobrirmos vendo o filme. (RR – 12/11/09)


* Fantástico Homem Transparente, O (1960) – Direção de Edgar G. Ulmer. Um presidiário perigoso, Joey Faust (Douglas Kennedy), especialista em arrombar portas e cofres, escapa da penitenciária com a ajuda da bela Laura Matson (Marguerite Chapman), que o aguarda de carro numa estrada próxima. A fuga faz parte de um plano do ambicioso Major Paul Krenner (James Griffith), que quer usar o criminoso como cobaia numa experiência de invisibilidade conduzida pelo cientista nuclear alemão Dr. Peter Ulof (Ivan Triesault), um refugiado da segunda guerra mundial, que trabalha contra sua vontade, sendo chantageado pelo militar americano que mantém sua filha como refém. O objetivo é formar um exército de soldados invisíveis para obter vantagem e lucros nas guerras. sendo chanteaadedogunda guerra mundial, ntistaadrtrada pr escapa da pro Lançado em DVD no Brasil junto com “Um Mundo Desconhecido” (1951), “O Fantástico Homem Transparente” tem um título sonoro, produzido em preto e branco e sendo exageradamente curto (apenas 57 minutos), parecendo mais um episódio de alguma série de TV com elementos fantásticos no estilo “Além da Imaginação”. É tão rápido que a história carece de mais detalhes, onde tudo é apresentado com pressa e sem a intenção de explorar melhor as ideias. Os personagens são tão superficiais e mal apresentados que nem é possível imaginar com clareza suas origens e motivações. O tema central é novamente aproveitar os efeitos da guerra fria e a ameaça da era atômica para mostrar um cientista fazendo experiências malucas num laboratório secreto, com a finalidade de transformar homens em seres transparentes, obtendo assim vantagens em missões de espionagem. Mas aqui, ao contrário dos outros filmes similares sobre homens invisíveis, o roteiro nem se preocupou com detalhes e o presidiário tornava-se invisível juntamente com suas roupas, quando normalmente apenas o corpo deveria ficar transparente. (RR – 12/11/09)


* Invasor Galáctico, O (1985) – Direção de Don Dohler. Uma nave espacial cai acidentalmente numa floresta nos arredores de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Um rapaz, David Harmon (Greg Dohler) testemunha a queda e juntamente com um ex-professor, Dr. William Tracy (Richard Dyszel), tenta localizar os destroços e ajudar o “invasor galáctico”. Porém, um grupo local de caipiras bêbados e estúpidos, liderados por Joe Montague (Richard Ruxton) e Frank Custor (Don Leifert), quer capturá-lo para ganhar dinheiro com a descoberta. Bagaceira total de 1985, uma produção “Z” que tenta intencionalmente resgatar a idéia e atmosfera típica dos filmes dos anos 50 e 60, conseguindo o objetivo, remetendo o espectador às produções “trash” daquele período. Tudo é tosco ao extremo, desde o elenco amador, os diálogos banais, o roteiro óbvio, a inexistência de efeitos especiais (a cena da nave caindo é hilária), até a presença de um alienígena verde com roupa de borracha, que cometeu o erro fatal de cair no planeta errado. Lançado no Brasil em DVD pela “Works” junto com “Eles Vieram do Espaço Exterior” (1967), vale destacar uma cena ultra bagaceira com o arremesso de um boneco, digo, corpo, do alto de um barranco, sendo um desafio para o espectador não cair na gargalhada. Para finalizar, um momento de confissão: fiquei com pena do alienígena na sequência final. (RR – 12/11/09)


* Planeta Fantasma, O (1961) – Direção de William Marshall. A humanidade possui uma base de pesquisas na Lua, de onde foguetes partem para explorações espaciais. Porém, um imenso objeto parecido com um planeta tem causado destruição colidindo contra naves terrestres, surgindo de repente no espaço e desaparecendo misteriosamente. Apelidado de “planeta fantasma”, um astronauta renomado, Capitão Frank Chapman (Dean Fredericks), é enviado numa missão de investigação, junto com o Tenente Ray Makonnen (Richard Weber), que acidentalmente se perde no espaço ao tentar reparar um problema externo no foguete. Quanto à Chapman, ele acaba pousando no tal planeta chamado Raiton, que abriga uma raça de humanóides em miniatura, uma civilização avançada tecnologicamente (tanto que transformaram o planeta numa espécie de nave gigante), mas que preferiram viver de forma primitiva, abolindo as máquinas e o luxo de uma vida entediante, optando pela luta pela sobrevivência. O astronauta terrestre também diminui de tamanho em contato com a atmosfera local e passa a viver entre os alienígenas, liderados pelo veterano Sessom (Francis X. Bushman), tendo que enfrentar a antipatia do rival Herron (Anthony Dexter), além de escolher uma namorada entre a loira ambiciosa Liara (Coleen Gray) e a bela morena silenciosa Zetha (Dolores Faith), enquanto planeja um meio de retornar ao tamanho natural e voltar para a base lunar. Curiosamente, o filme é ambientado em 1980, um futuro de duas décadas em relação à época de produção (1961), com a Terra mantendo uma base na Lua e com viagens espaciais regulares, porém, ao contrário das previsões otimistas dos escritores de ficção científica, após cerca de três décadas depois desse período abordado no roteiro, ainda caminhamos lentamente em relação à exploração espacial. “O Planeta Fantasma” tem fotografia em preto e branco e foi lançado em DVD juntamente com a space opera italiana “Batalha no Espaço Estelar” (1977). A história é até interessante, abordando um planeta que se move como uma nave e é habitado por uma civilização miniaturizada que vive uma situação paradoxal, possuindo grande conhecimento científico e ao mesmo tempo preferindo uma vida primitiva ao extremo. Os efeitos especiais são precários e exageradamente toscos, apesar da produção de cerca de meio século atrás, onde destaco no quesito “momento bagaceiro” o ataque das naves incendiárias dos solarites, uma raça inimiga dos humanóides, e a presença de um destes alienígenas horrendos com olhos esbugalhados, interpretado pelo gigante ator Richard Kiel, escondido numa fantasia de borracha típica dos filmes dos anos 50 e 60, não faltando a clássica cena do monstro carregando nos braços uma bela mulher desacordada. (RR – 12/11/09)


* Retrato de Um Pesadelo (1969) – “Boa noite, e bem vindos à exposição particular de três quadros, expostos aqui pela primeira vez. Cada um deles é um item de colecionador a sua própria maneira, não por causa de alguma qualidade artística especial, mas porque cada um captura, suspenso no tempo e espaço, um momento gelado de um pesadelo”. Essa é a introdução narrada por Rod Serling (o criador da série “Além da Imaginação”) para apresentação do filme piloto “Retrato de Um Pesadelo” (Night Gallery), que deu origem à série de TV “Galeria do Terror” (1970 / 1973), dividida em episódios com elementos de horror sobrenatural. O filme piloto traz três histórias independentes, porém todas relacionadas com seus protagonistas enfrentando uma fúria vingativa em retaliação por seus atos de crueldade. Foi exibido originalmente em 08/11/1969 com os episódios “The Cemetery”, “Eyes” e “The Escape Route”, todos com roteiro de Rod Serling. Na primeira história, com direção de Boris Sagal, um velho pintor rico, gravemente doente e recluso em sua enorme mansão, William Hendricks (George Macready), recebe a visita indesejada do único sobrinho, Jeremy Evans (Roddy McDowall), interessado apenas na herança e entrando em conflito com o fiel mordomo Osmund Portifoy (Ossie Davis). O jovem intruso, pensando na fortuna do tio, tem planos para abreviar o sofrimento do velho e aproximá-lo mais rápido da tumba, mas não esperava a ocorrência de uma misteriosa manifestação através das pinturas dos quadros mórbidos espalhados pela casa. Ótima história que lembra aqueles nostálgicos quadrinhos clássicos de horror e a típica ambientação sombria de uma imensa mansão com os mortos em busca de vingança para aliviar seus tormentos. Em “Eyes”, na estreia profissional de direção pelo hoje aclamado Steven Spielberg, uma idosa milionária, solitária, infeliz, arrogante e cega, Srta. Claudia Menlo (Joan Crawford), está disposta a pagar muito dinheiro por olhos que lhe dariam a visão por cerca de 12 horas, com o auxílio de um médico, Dr. Frank Heatherton (Barry Sullivan). O doador é um homem desesperado à beira da falência, Sidney Resnick (Tom Bosley), que aceita a cegueira em troca de amenizar suas dívidas. Mas as coisas não funcionam exatamente como planejado. Os nomes de Spielberg e Crawford já anunciam a qualidade do resultado, numa história escura (literalmente), e repleta de amargura, onde o dinheiro não compra a paz e felicidade. No último episódio, “The Escape Route”, dirigido por Barry Shear, temos um ex-oficial alemão, Josef Strobe (Richard Kiley), refugiado ilegalmente na América do Sul e que está sendo perseguido pela polícia por seus crimes nazistas durante a Segunda Guerra Mundial nos campos de concentração. Ele vive atormentado por fantasmas de seu passado de cruéis assassinatos. Depois que é reconhecido por um velho sobrevivente judeu, Bleum (Sam Jaffe), tenta fugir, visitando constantemente um museu onde admira uma pintura de um pescador. Seu desejo é entrar no quadro, mas não imagina que está mais perto do inferno do que da tranquilidade de um lago rodeado de montanhas. É o episódio mais fraco dos três, mas ainda assim interessante e com um desfecho perturbador. (RR – 19/08/14)


* The Wizard of Gore (1970) – O diretor americano Herschell Gordon Lewis (nascido em 1929) é conhecido e cultuado por seus filmes splatter ousados e carregados de violência e cenas sangrentas numa época ainda precursora do gênero (anos 60 e início de 70 do século passado), quando as produções não contavam com o apoio da computação gráfica e apenas os efeitos de maquiagem tentavam reproduzir a carne humana dilacerada. Filmes como “Banquete de Sangue” (1963), “Maníacos” (1964), “Color Me Blood Red” (1965), “The Gruesome Twosome” (1967), “The Wizard of Gore” (1970) e “Gore Gore Girls” (1972) são exemplos de sua obra cinematográfica de orçamentos reduzidos e sangue em profusão, deixada como legado para a história do gênero. Em “The Wizard of Gore”, temos um mágico ilusionista, Montag, o Magnífico (Ray Sager), que apresenta shows onde são escolhidas jovens mulheres na plateia para serem assassinadas no palco das maneiras mais brutais. Desde uma serra elétrica rasgando a barriga, ou o cérebro perfurado por uma talhadeira, passando por tripas dilaceradas por uma prensa hidráulica, até espadas que rasgam a boca e garganta de suas vítimas. Tudo como parte de um truque de ilusão, ou não... Em meio a tudo isso, como espectadores, está um casal formado por uma apresentadora de televisão, Sherry Carson (Judy Cler) e seu namorado, um jornalista esportivo, Jack (Wayne Ratay), que tenta investigar o mistério que envolve o espetáculo macabro do mágico e alguma conexão com o surgimento de mulheres mortas de forma violenta. O filme está longe de ser um exemplo de cinema de qualidade, com ritmo narrativo arrastado e efeitos toscos ao extremo e nitidamente falsos, além de atuações risíveis de um elenco inexpressivo. Mas, o que realmente destacam-se são as cenas do espetáculo de horror do “mágico do gore”, e a ousadia do diretor H. G. Lewis em explorar cenas sangrentas numa época de 50 anos atrás, num fato que deve ser enaltecido, tornando “The Wizard of Gore” uma preciosidade recomendável que faz parte das obras precursoras do “splatter”. Curiosamente, teve uma refilmagem lançada em 2007, com direção de Jeremy Kasten e com nomes importantes no elenco como Crispin Glover, Jeffrey Combs e Brad Dourif, recebendo por aqui o título de “O Mágico Sanguinário”. (RR – 17/09/14)


* Um Mundo Desconhecido (1951) – Direção de Terrell O. Morse. Após duas guerras mundiais e a ameaça gerada pela era atômica com a paranóia de uma catástrofe fatal para nosso planeta, o cientista Dr. Jeremiah Morley (Victor Kilian, não creditado por perseguição do Marcathismo) funda uma “Sociedade Para Salvar a Civilização”, reunindo uma equipe de outros cientistas com o objetivo de apresentar um projeto alternativo para a humanidade: explorar o centro da Terra em busca de um abrigo geológico que pudesse servir de refúgio para o iminente holocausto nuclear. A bordo de um veículo chamado “cyclotram” (uma espécie de tanque blindado com uma broca perfuratriz na proa), temos uma expedição formada pelo geofísico Dr. Max A. Bauer (Otto Waldis), o engenheiro de sistemas Dr. James Paxton (Tom Handley), a bela médica e bioquímica Dra. Joan Lindsey (Marilyn Nash), o técnico em estudos de solos Dr. George Coleman (Dick Cogan), e o especialista em explosivos Andrew Ostergaard (Jim Bannon). Para fechar o grupo, um último membro é aceito de forma forçada, o aventureiro milionário Wright Thompson (Bruce Kellogg), financiador do projeto. Entre os perigos enfrentados nessa aventura, temos a presença de gases venenosos mortais, a falta de água para consumo e a erupção de um vulcão interno. Existem vários filmes com o tema de exploração do interior do planeta, onde destaca-se o clássico inspirado no livro homônimo de Julio Verne “Viagem ao Centro da Terra” (1954). Em “Um Mundo Desconhecido”, fotografado em preto e branco, a história é interessante ao evidenciar o medo da humanidade daquele período conturbado da guerra fria (início dos anos 50) com o efeito destrutivo de bombas atômicas, levando à idéia de procurar alternativas para a sobrevivência, enfatizando uma providencial fuga para o centro da Terra. Porém, a falta de recursos numa evidente produção de baixo orçamento, somada a um elenco pouco expressivo (exceto por Victor Kilian, que tenta fortalecer seu personagem como um cientista abnegado na busca de uma solução para a continuidade da sobrevivência de nossa espécie), tornam o filme apenas uma pequena e curta (74 minutos) diversão passageira com alguns momentos de sonolência. Faltaram mais elementos fantásticos no roteiro, aproveitando a oportunidade de uma missão de exploração para dentro de nosso planeta. Os perigos enfrentados pelo grupo e as novidades de “um mundo desconhecido” foram pouco inspiradores ao espectador. Lançado em DVD junto com “O Fantástico Homem Transparente” (1960). (RR – 12/11/09)

Comentários de Cinema - Parte 14 (18/05 a 12/07/14)

Filmes abordados:

Beijo do Diabo, O (Le Baiser Du Diable / La Perversa Caricia de Satán / Devil´s Kiss, França / Espanha, 1976)
Espelho, O (Oculus, EUA, 2013)
Exército das Trevas, O (Frankenstein´s Army, EUA / Holanda / República Tcheca, 2013)
Face do Mal, A (Haunt, EUA, 2013)
Godzilla (EUA / Japão, 2014)
Sádico Barão Von Klaus, O (Le Sadique Baron Von Klaus / La Mano de un Hombre Muerto / The Sadistic Baron Von Klaus, Espanha, 1962)
Saga Crepúsculo: Lua Nova, A (The Twilight Saga: New Moon, EUA, 2009)
Saga Crepúsculo: Eclipse, A (The Twilight Saga: Eclipse, EUA, 2010)
Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, A (The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1, EUA, 2011)
Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, A (The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2, EUA, 2012)


* Beijo do Diabo, O (1976) – Filme europeu de horror, numa produção franco-espanhola de baixo orçamento, que faz parte da coleção “Clássicos do Terror”, lançada em DVD no Brasil pela “Vinny Filmes”. Uma aristocrata falida e praticante de ocultismo, Claire Grandier (Silvia Solar), juntamente com seu amigo cientista com poderes de telepatia, Prof. Gruber (Oliver Matthau), são convidados a realizarem suas experiências no porão de um imponente castelo francês de propriedade do Duque de Haussemont (José Nieto), que tem interesse na comunicação com os mortos. Porém, o objetivo da dupla de novos moradores do castelo é colocar em prática um sangrento plano de vingança contra os aristocratas locais que não ajudaram a evitar a falência de Claire, fato que motivou o suicídio de seu marido. Com a colaboração do cientista telepata, eles criam um zumbi assassino (Jack Rocha) a partir do cadáver de um indigente, que retornou a caminhar entre os vivos graças à união de experiências científicas com regeneração de células e a invocação de poderes ocultos de demônios. Em “O Beijo do Diabo” podemos encontrar todos os elementos típicos do horror gótico. A ambientação num castelo repleto de corredores escuros, com um laboratório no porão para as bizarras experiências de um cientista louco, num estilo similar ao Dr. Frankenstein. A presença de um anão como ajudante, as ações de uma criatura zumbi assassina comandada por telepatia, a realização de rituais de magia negra, mulheres nuas desfilando seus belos corpos, a investigação policial das misteriosas mortes, e as perseguições pelos imensos aposentos do castelo e na floresta ao redor. É bem datado, como percebemos nas roupas das mulheres de meados dos anos 70 do século passado, e nos aparelhos médicos do hospital onde são realizados exames numa vítima do monstro. Curiosamente, é solicitada a ajuda do demônio Astaroth num ritual diabólico, lembrando fato similar do filme do mesmo ano de 1976, “Uma Filha Para o Diabo” (To the Devil a Daughter), com Christopher Lee, e de onde retirei a ideia de nome para meu fanzine de horror “Astaroth”, criado em 1995 e em animação suspensa desde 2008. (RR – 12/07/14)


* Espelho, O (2013) – Dirigido e escrito por Mike Flanagan, baseado em seu próprio curta metragem de 2006, “O Espelho” (Oculus) estreou nos cinemas em 03/07, apresentando uma história sobre um espelho amaldiçoado, que influencia a personalidade de seus proprietários, incitando-os a cometerem atos de violência sangrenta e assassinatos. Um jovem casal de irmãos, formado por Kaylie Russell (Karen Gillan) e Tim (Brenton Thwaites), se une para tentar destruir um antigo espelho que no passado, quando ainda eram crianças, foi o responsável pela morte brutal de seus pais. Intercalando constantemente cenas do passado trágico dos protagonistas com as ações do tempo presente, e confundindo ilusão com realidade, o filme procura prender a atenção e manter o interesse pela história, mesmo a ideia central sendo um grande clichê com um espelho com poderes sobrenaturais. Longe de ser uma obra-prima do gênero, pelo menos garante alguma diversão em pouco mais de uma hora e meia, investindo também num final pessimista e com gancho para continuação. (RR – 07/07/14)


* Exército das Trevas, O (2013) – Ambientado na Alemanha do final da Segunda Guerra Mundial, o filme mostra um grupo de soldados russos em ação no campo ininigo à procura de companheiros em perigo, com um deles gravando seus movimentos numa câmera de vídeo. Após receberem um pedido de socorro, eles encontram uma fábrica estranha no meio da floresta e um laborátorio nazista localizado em seu subterrâneo, comandado por um cientista louco descendente de Frankenstein, envolvido num projeto secreto militar, com experiências sinistras na criação de um “exército das trevas” com seres mistos de restos de cadáveres e robôs. Situado dentro do sub-gênero “found footage”, o maior destaque certamente são os monstros formados por pedaços de soldados destroçados com elementos mecânicos e elétricos da robótica da época, apresentando como resultado final um visual impressionante com direito a bizarras criaturas com brocas e hélices cortantes no lugar da cabeça, e facas imensas no lugar das mãos. O laboratório parece uma imensa câmara de torturas, imunda e repleta de sangue e pedaços de corpos, validando a frase da tagline promocional que estampa a capa do DVD nacional, onde “a guerra é o inferno, mas existe um lugar ainda pior...”. (RR – 09/07/14)


* Face do Mal, A (2013) – Filme de horror situado no sub-gênero “casa assombrada por fantasma vingativo”, que entrou em cartaz nos cinemas em 12/06/14, com legendas em português, um fato raro pois a maioria dos filmes tem sido lançados dublados nas telonas. Uma típica família americana é formada pelo pai, mãe e três filhos, sendo um casal de adolescentes e uma menina pequena. Eles se mudam para uma grande casa afastada da cidade e rodeada por uma floresta, onde no passado foi palco de uma tragédia com mortes brutais. O garoto de 18 anos faz amizade com uma misteriosa e bela vizinha da mesma idade. Juntos, eles decidem investigar um aparelho de rádio encontrado no sótão da casa, capaz de captar os sons de fantasmas, despertando manifestações sobrenaturais e se envolvendo com segredos de um passado sangrento. O filme pode ser considerado apenas mediano, pois apesar da história bem amarrada que mantém a atenção e interesse até o desfecho não convencional, não consegue fugir dos tradicionais clichês do estilo, se perdendo na imensidão de filmes com temáticas parecidas. Mas, mesmo com uma passagem relâmpago pelos cinemas e praticamente ignorado pelas mídias, ainda assim vale uma conferida pelos apreciadores de filmes de fantasmas e casas assombradas. Curiosamente, o clássico de George Romero “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968), é homenageado quando o protagonista está assistindo o filme pela televisão numa cena rápida. (RR – 14/06/14)


* Godzilla (2014) – Criado no Japão e lançado originalmente num filme de 1954, o cultuado rei dos monstros voltou aos cinemas, com a estreia no Brasil em 15/05/14 e com a opção de exibição em 3D. A humanidade não imaginaria que, dentre todos os graves problemas que assolam o planeta, desde guerras violentas a catástrofes naturais, teria que enfrentar a fúria de dois monstros gigantes que se alimentam de radioatividade e estão sedentos por destruição. Mas, para garantir o equilíbrio, surge das profundezas um monstro ainda maior e mais poderoso, Godzilla, para enfrentar os inimigos e reestabelecer a ordem, mesmo que inevitavelmente com as consequências de destruição de uma batalha de monstros colossais num território urbano. O filme é muito divertido, intenso, além de impressionante tecnicamente, sendo altamente recomendável, apesar de que Godzilla poderia e deveria aparecer mais em cena. E além do fato do roteiro esbarrar em momentos dramáticos que não agregam, envolvendo a família do soldado Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson), filho de cientistas, e que dividia o tempo entre reencontrar a esposa e o filho pequeno no meio do caos, e fazer o papel de herói com sua habilidade em desarmar bombas, durante o conflito contra os monstros.  (RR – 18/05/14)


* Sádico Barão Von Klaus, O (1962) – Lançado em DVD no Brasil pela coleção “Clássicos do Terror”, da “Vinny Filmes”, com fotografia em preto e branco e direção do cultuado Jesus Franco (1930 / 2013). No elenco, temos o ator suiço Howard Vernon (1908 / 1996), rosto conhecido em muitos dos filmes do cineasta espanhol. É um thriller policial com elementos de horror, apresentando a história de uma família amaldiçoada, cujos descendentes homens teriam herdado um instinto assassino de um antigo barão que morreu nos pântanos ao redor de seu castelo. Depois que mulheres de um vilarejo são encontradas mortas e com sinais de tortura, tem início uma investigação policial liderada pelo Inspetor Borowsky (Georges Rollin) com o auxílio do jornalista Karl Steiner (Fernando Delgado), indicando como principais suspeitos os descendentes do lendário barão assassino, o atual proprietário do castelo, Max von Klaus (Vernon), e o seu jovem sobrinho Ludwig (Hugo Blanco). O filme possui uma atmosfera sinistra nas ações de um serial killer, apesar da narrativa lenta e cansativa em alguns momentos da investigação. Mas, assim como “O Terrível Dr. Orloff”, também de 1962 e lançado na mesma coleção de DVDs, e alguns outros filmes similares da mesma época, “O Sádico Barão Von Klaus” faz parte de uma série de obras interessantes de Jesus Franco, bem diferentes das várias tranqueiras de qualidade questionável que ele fez posteriormente. (RR – 11/07/14)


* Saga Crepúsculo: Lua Nova, A (2009) – Segundo filme da popular franquia “Crepúsculo”, criada pela escritora Stephenie Meyer. A adolescente Bella Swan (Kristen Stewart), apaixonada pelo vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson), enfrenta uma depressão amorosa depois que o namorado decide se afastar dela para não colocar sua vida em risco. Ela então encontra no amigo Jacob Black (Taylor Lautner), o apoio para enfrentar a crise, formando um triângulo amoroso e descobrindo que o garoto também tem um segredo sobrenatural, transformando-se em lobisomem.. Drama de romance adolescente que fez muito sucesso e traz apenas como sutil pano de fundo elementos fantásticos com vampiros e lobisomens, sem agregar nada para esses sub-gêneros do cinema de Horror. Ao contrário, consegue contribuir para banalizar a fascinante mitologia dessas lendárias criaturas noturnas sempre presentes nos piores pesadelos, com uma história que as afasta de suas principais características de feras predadoras desprovidas de sentimentos. (RR – 20/06/14)


* Saga Crepúsculo: Eclipse, A (2010) – Terceiro dos cinco filmes da franquia “Crepúsculo”. Dessa vez, o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson), apaixonado pela humana Bella Swan (Kristen Stewart), precisa protegê-la da vampira Victoria (Bryce Dallas Howard), que quer matar a garota por vingança contra a morte de seu namorado, e cria um grupo de sugadores de sangue para caçar a jovem. Edward e sua família encontram numa improvável aliança com os lobisomens a solução para saírem vitoriosos no conflito. Enquanto a paixão do adolescente que se transforma em lobo, Jacob Black (Taylor Lautner), por Bella, aumenta significativamente o clima de tensão no triângulo amoroso. Mais do mesmo já visto nos filmes anteriores, com enfâse num drama de romance adolescente envolvendo uma humana desejada por um vampiro e um lobisomem. Agora, com um pouco mais (e ainda muito menos) de elementos de horror concentrados numa batalha campal entre vampiros recém criados e a aliança de vampiros e lobisomens unidos para defender a vida da protagonista. É curioso notar como as capas dos filmes dessa série não têm criatividade nenhuma, investindo unicamente no marketing de mostrar o trio de adolescentes apaixonados em destaque, com pequenas variações entre elas. E é pena constatar a cada filme dessa franquia a forma desrespeitosa como é tratada a mitologia sangrenta dos vampiros e lobisomens, reduzidos a criaturas patéticas. (RR – 22/06/14)


* Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, A (2011) e Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2, A (2012) – Episódios finais da franquia “Crepúsculo”, divididos em dois filmes. O vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) casa-se com a humana Bella Swan (Kristen Stewart), que fica grávida de uma menina chamada Renesmee (Mackenzie Foy), provocando um conflito com o lobisomem Jacob Black (Taylor Lautner) e seus companheiros de matilha. Devido ao período conturbado de gestação da filha, Bella ficou muito enfraquecida e sua salvação foi tornar-se uma vampira. Porém, o nascimento da menina, resultado da união de um vampiro e uma humana, despertou a ira de um poderoso clã de vampiros, os Volturi, provocando uma batalha entre eles e a formação de uma nova aliança de vampiros e lobisomens. História arrastada, sem grandes atrativos, com muita enrolação e pouca ação. Até as cenas de confrontos não empolgam, caracterizadas pela ausência de sangue e violência, mas com excesso de CGI. Alguns dos vampiros são portadores de poderes especiais exagerados na fantasia, e no final não passam de criaturas banais. A saga toda pode até ser assistível como um drama de romance adolescente, mas como filmes que apresentam elementos de horror, são descartáveis e desnecessários. (RR – 25/06/14)