“O terror colossal
saído do inferno!”
“War
of the Colossal Beast” (1958), que recebeu no Brasil o título “A Volta do
Homem Colossal” quando foi lançado em mídia física DVD pela “Cult Classic”,
é a sequência direta de “The Amazing Colossal Man” (1957), lançado por aqui na
época como “O Monstro Atômico” e depois com o nome “O Incrível Homem Colossal”
no mesmo DVD citado.
Produzido
e dirigido por Bert I. Gordon, especialista conhecido por seus filmes com criaturas
gigantes, que lhe rendeu a alcunha de “Mr. BIG” (das iniciais de seu nome), o
filme tem fotografia original em preto e branco e metragem de apenas 69
minutos, e além da disponibilidade em DVD também pode ser acessado no “Youtube”
com áudio em inglês e opção de tradução automática com legendas em português,
tanto em P&B quanto numa versão colorizada.
Com
produção da “AIP” (American International Pictures), de James H. Nicholson e
Samuel Z. Arkoff, o roteiro é de George Worthing Yates, que tem no currículo
uma infinidade de filmes preciosos como “O Mundo em Perigo” (1954) e “A Invasão
dos Discos Voadores” (1956), entre tantos outros.
No
filme anterior, o tenente coronel Glenn Manning se transformou num “homem
colossal” com 18 metros de altura depois que foi exposto à radiação da explosão
de uma bomba atômica num teste do exército dos Estados Unidos na época da
guerra fria com a antiga União Soviética. Após um confronto com os militares no
alto da barragem de uma represa, ele caiu supostamente para a morte.
Porém,
como o imenso corpo não foi encontrado, sua irmã Joyce Manning (Sally Frazer)
continua à sua procura, principalmente depois de ouvir rumores sobre caminhões
carregando alimentos serem misteriosamente saqueados nas montanhas desérticas
de Guavos, no México. Contando com a ajuda do Major Mark Baird (Roger Pace) e
do médico Dr. Carmichael (Russ Bender), do Departamento de Exposição à
Radiação, eles localizam o gigante (agora interpretado por outro ator, Duncan
´Dean´ Parker), que está com o rosto terrivelmente desfigurado e com graves
danos cerebrais e mente ainda mais distorcida, agindo apenas por instinto de
sobrevivência selvagem, emitindo grunhidos animalescos.
Ele
é capturado e transportado para os Estados Unidos, onde nenhuma agência do
governo quer recebê-lo por falta de estrutura para um homem insano e com dez
vezes o tamanho de um ser humano comum. Sem opções, o monstro acaba ficando acorrentado
num galpão no aeroporto de Los Angeles, onde consegue escapar e vai para o
Observatório de Griffith Park, onde ocorre a famosa cena que ilustra o cartaz
do filme, num momento tenso envolvendo um ônibus escolar cheio de crianças.
Como
o elenco principal do primeiro filme não aceitou participar da sequência, seus
personagens não retornaram, como a noiva do “homem colossal” e os médicos e
militares que acompanharam de perto a sua tragédia. O foco na continuação está
agora em sua irmã angustiada, com o apoio de outro militar. O filme é mais
curto que o anterior e ainda tivemos várias cenas de flashback reproduzindo momentos
importantes do original para auxiliar na compreensão da história.
É
fato que os realizadores estavam apressados em produzir e lançar o mais rápido
possível um novo filme para tentar lucrar com todo o movimento do público com o
mistério da suposta morte do monstro no desfecho do primeiro filme, e com os
temas muito explorados na época da guerra fria, com os efeitos nocivos e desconhecidos
da radiação atômica. Como resultado, o roteiro está repleto de furos e
situações inverossímeis, mas o que importa para o entretenimento de quem
aprecia o cinema fantástico bagaceiro com orçamentos minúsculos daquele período
justamente é o escapismo da história e a tosquice geral da produção, com a
maquiagem do rosto deformado do monstro e todos os efeitos práticos de
retroprojeção e tela dividida para simular seu tamanho descomunal.
Entre
as curiosidades, os efeitos de maquiagem criados pelo técnico Jack H. Young
para o monstro com o rosto deformado são muito similares ao ciclope gigante do filme
anterior de Bert I. Gordon, “A Maldição do Monstro Sinistro” (The Cyclops). A
fotografia original é em preto e branco, mas a cena final do homem colossal com
os cabos de alta tensão foi produzida em cores.
(RR – 13/07/26)
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