“Qual altura você
acha que vou crescer até que a morte me liberte dessa maldição?”
– Tenente Coronel
Glenn Manning ou “O Incrível Homem Colossal”
O
multifuncional Bert I. Gordon ou Mr. B.I.G. (“grande” em inglês), apelido que
ganhou por sua contribuição significativa com filmes com criaturas gigantes, foi
um diretor, roteirista, produtor e técnico em efeitos especiais que se
especializou na criação de monstros imensos em vários filmes preciosos e
divertidos do cinema fantástico bagaceiro, principalmente dos anos 50 e 60 do
século passado.
“O
Monstro Atômico” (The Amazing Colossal Man, 1957) tem fotografia original
em preto e branco e história explorando as temáticas “homem transformado em
monstro” e “paranoia nuclear”, assuntos que foram muito abordados pelo cinema
de horror e ficção científica de baixo orçamento no período da guerra fria
entre Estados Unidos da América e a antiga União Soviética, logo após o fim da
Segunda Guerra Mundial, com a corrida armamentista e desenvolvimentos de bombas
atômicas para destruição em massa.
A
produção é da “American International”, da dupla James H. Nicholson e Samuel Z.
Arkoff, e está disponível no “Youtube” na versão original em inglês com a opção
de tradução automática com legendas em português. Também foi lançado no Brasil
em DVD pela “Cult Classic” com o nome “O Incrível Homem Colossal”, junto com a
sequência “A Volta do Homem Colossal” (1958).
Na
história, o exército dos Estados Unidos está realizando testes no deserto de
Nevada com uma bomba de plutônio e o Tenente Coronel Glenn Manning (Glenn
Langan) acidentalmente é exposto pela radiação da explosão. Mesmo com
queimaduras graves pelo corpo inteiro, ele sobrevive e inexplicavelmente as
feridas desaparecem e seu corpo começa a crescer três metros por dia, num
efeito colateral desconhecido pela exposição à radiação, surpreendendo todos
que convivem ao seu redor como a noiva Carol Forrest (Cathy Downs), os médicos
Dr. Paul Linstrom (William Hudson) e Major Eric Coulter (Larry Thor), além do
militar Coronel Hallock (James Seay).
Mantido
em cativeiro pelo governo, o “incrível homem colossal” do título original ou o “homem
atômico” do nacional, atingiu aproximadamente dezoito metros de altura e oito
toneladas de peso, e uma vez com a mente distorcida por sua condição de
aberração da natureza, conseguiu escapar da base militar e fugiu desorientado
para Las Vegas, onde causou grande tumulto entre as pessoas e estragos com
destruição de alguns hotéis famosos da cidade, até ser encurralado na barragem
de uma represa num confronto com os militares.
Com
um título sonoro e sensacionalista, posters de divulgação e frases promocionais
exagerados, o filme é mais uma tranqueira divertida dos anos 1950 com um homem gigante
vítima dos efeitos desconhecidos da energia atômica, e além da história
carregada de escapismo e fantasia criativa da mente dos roteiristas Mark Hanna,
George Worthing Yates e o próprio Bert I. Gordon, o grande destaque para os
apreciadores do cinema bagaceiro são os efeitos práticos de retroprojeção para
a simulação do homem gigante interagindo com as pessoas e objetos e nas cenas
de ataques aos prédios, numa época sem a computação gráfica.
Teve
uma continuação no ano seguinte chamada “War of the Colossal Beast” e com novos
personagens, trazendo de volta apenas o Tenente Coronel Glenn Manning, gigante,
deformado e mais violento, interpretado por outro ator (Duncan ´Dean´ Parker).
Outros filmes do mesmo período utilizando tema semelhante são “A Maldição do
Monstro Sinistro” (The Cyclops, 1957), “A Mulher de 15 Metros” (Attack of the 50
Foot Woman, 1958) e “A Cidade dos Gigantes” (Village of the Giants, 1965).
Curiosamente,
a ideia do filme é considerada uma inspiração para o popular “Incrível Hulk”
dos quadrinhos, criado pela “Marvel” poucos anos depois e com semelhanças sobre
os efeitos de uma bomba nuclear no cientista Dr. Bruce Banner, transformando-o
no mutante verde Hulk.
(RR – 11/07/26)
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