Os Mortos Falam (The Devil Commands, EUA, 1941, PB)
Mulheres-Gato da Lua (Cat-Women of the Moon, EUA, 1953, PB)
A maioria dos filmes bagaceiros
com elementos de horror e ficção científica dos anos 1950 são divertidos pela
somatória de características típicas de produções com orçamentos minúsculos
como atuações ruins do elenco, efeitos práticos toscos e roteiro ingênuo, com
falta de lógica, excessivamente fantasioso e cheio de clichês e principalmente furos
absurdos. “Mulheres-Gato da Lua” (Cat-Women of the Moon, EUA, 1953) é um
exemplo perfeito que se enquadra nessa ideia, onde apenas pelo título já se
imagina o nível de tranqueira.
Com direção de Arthur Hilton,
fotografia em preto e branco e metragem de apenas 64 minutos, o filme está em
domínio público e disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas
em português.
Uma expedição científica com
cinco viajantes espaciais num foguete para a Lua é formada por uma tripulação com
quatro homens e uma mulher. São eles, o comandante da missão Laird Grainger
(Sonny Tufts), o piloto Kip Reissner (Victor Jory), o engenheiro Walt Walters (Douglas
Fowley), o operador de rádio Doug Smith (William Phipps) e a navegadora Helen
Salinger (Marie Windsor).
Após uma viagem turbulenta que
inclui o choque com um meteoro, o foguete é misteriosamente persuadido pela
navegadora a pousar no lado sombrio da Lua, e a equipe inicia uma exploração na
superfície. Eles entram numa caverna e descobrem a existência de oxigênio,
sendo também atacados por aranhas peludas gigantes. Sobrevivendo ao confronto
patético, eles encontram uma misteriosa cidade habitada apenas por algumas
belas mulheres (do título) e são bem recebidos inicialmente pela líder Alfa
(Carol Brewster), além de Beta (Suzanne Alexander) e Lambda (Susan Morrow),
entre outras. Elas são as últimas remanescentes de uma civilização subterrânea
e antiga de dois milhões de anos que possui poderes telepáticos e que está em processo
de extinção pela escassez de oxigênio.
Uma vez desconfiado da estranha
sociedade das mulheres selenitas, o destemido piloto Kip decide investigar e descobre
a real intenção delas, com um plano de roubar o foguete e fugir para o nosso
planeta para uma invasão e conquista da humanidade.
O filme recebeu o título
original alternativo “Rocket to the Moon” e foi lançado nos cinemas na época em
3D. Os efeitos práticos bagaceiros com o foguete, a cabine de controle e os
cenários, além dos figurinos do pequeno elenco foram reciclados em outro filme
quase lançado simultaneamente, “Projeto Base Lunar” (Project Moon Base), e
também foram reutilizados, assim como a aranha gigante de pelúcia, movimentada
por fios “invisíveis”, na refilmagem “Terríveis Monstros da Lua”, também
conhecido por aqui como “Míssil Para a Lua” (Missile to the Moon, 1958). A
simulação da superfície lunar através da técnica de “matte painting” foi criada
por Chesley Bonestell.
O filme é curto e percebe-se
claramente uma pressa dos realizadores em finalizar a história no terceiro ato,
com a falta de filmagem de cenas que garantiriam uma melhor continuidade e
coerência nas ações, principalmente no confronto decisivo entre os viajantes espaciais
e as mulheres-gato da Lua pela posse do foguete que retornaria para a Terra.
Curiosamente, alguns atores
como Marie Windsor e William Phipps fizeram questão de revelar em entrevistas o
quanto consideraram o filme ruim, especialmente o roteiro mirabolante e os
efeitos práticos com o ataque das aranhas gigantes.
(RR – 31/07/26)
Ao Cair da Noite (It Comes at Night, EUA, 2017)
Hand of Death (EUA, 1962, PB)
"Ninguém ousava chegar
muito perto!”
Escrito e produzido por Eugene
Ling e dirigido por Gene Nelson, “Hand of Death” (1962) tem fotografia
em preto e branco, metragem de apenas 60 minutos, e está disponível no
“Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.
É um filme desconhecido que
segundo o “IMDB”, a maior fonte na internet sobre informações de filmes, ficou
“perdido” por 40 anos, uma curiosidade que já desperta alguma atenção,
principalmente para os apreciadores do cinema antigo bagaceiro com elementos de
horror e ficção científica abordando os temas de “cientista louco” trabalhando
para o suposto bem da humanidade e “homem transformado em monstro”, com a mente
distorcida culminando em consequências trágicas.
O cientista Alex Marsch (John Agar) está trabalhando numa casa isolada no
deserto com o apoio do estudante Carlos (John Alonzo). Trata-se de um projeto
secreto para o governo estadunidense com experiências para o desenvolvimento de
um gás nervoso paralisante com efeitos hipnóticos, para utilização como arma em
tempos de guerra fria entre EUA e a antiga União Soviética. O gás serviria para
eliminar a resistência em ações de ocupação, com os inimigos obedecendo
comandos e assim podendo evitar uma guerra nuclear, algo muito temido e próximo
de ter acontecido naqueles tempos conturbados dos anos 60 do século passado.
Sua namorada Carol Wilson (Paula Raymond) é a secretária do Dr. Frederick
Ramsey (Roy Gordon), o chefe do cientista e proprietário de um Centro de
Pesquisas em Los Angeles. Ela está desconfiada com o trabalho envolvendo um gás
perigoso e preocupada com a possibilidade de acidentes, o que realmente
acontece, causando no cientista várias reações no corpo como dores, calor
excessivo, inchamento no rosto e mãos, pele enrugada e escurecida, transformando-o
num monstro que mata apenas com o toque das mãos, justificando o título do
filme, lembrando o “Coisa” do “Quarteto Fantástico” da “Marvel”.
Desesperado e com a mente progressivamente distorcida, o Dr. Marsh caminha
sem rumo pelas ruas enquanto pessoas morrem pelo seu toque, sendo perseguido
pelo investigador de homicídios da polícia (Norman Burton), e esperando talvez
em vão que algum antídoto possa restabelecer sua condição humana, num esforço
do Dr. Ramsey e do amigo Tom Holland (Steve Dunne).
O filme é curto e quase não há perda de tempo com futilidades, não
demorando muito para o cientista se transformar num monstro deformado e
assassino, que de repente muda de um abnegado homem da ciência para uma
criatura mutante responsável pela morte de pessoas inocentes. É uma diversão
rápida para quem gosta do velho cinema de baixo orçamento com efeitos práticos
na maquiagem exagerada do monstro e com mais uma história de “cientista louco”
malsucedido na tentativa de criação de uma arma de guerra com resultados
catastróficos.
O ator John Agar (1921 / 2002) tem uma filmografia com várias tranqueiras
divertidas do cinema fantástico como “Tarântula!” (1955), “O Templo do Pavor”
(1956), “O Cérebro do Planeta Arous” (1957), “Dr. Encolhedor” (1958),
“Invasores Invisíveis” (1959), “Monstro do Planeta Perdido” (1962) e “Mulheres
do Planeta Pré-Histórico” (1966), entre outras.
Quando o cientista mutante desorientado está vagando por uma praia, o
garoto que o encontra é interpretado por Butch Patrick, o jovem ator que pouco tempo
depois faria parte do elenco fixo da cultuada série de TV de comédia com
elementos de horror “Os Monstros” (The Munsters, 1964 / 1966), fazendo o papel
do lobisomem mirim Eddie.
(RR – 24/07/26)
Ameaça Espacial (It Conquered the World, EUA, 1956, PB)
– cientista
Dr. Tom Anderson para o alienígena de Vênus
O especialista em filmes
bagaceiros de horror e ficção científica Roger Corman (1926 / 2024), conhecido diretor e produtor habilidoso em fazer filmes
rápidos com orçamentos reduzidos, foi também o responsável pela divertida
tranqueira de invasão alienígena “Ameaça
Espacial” (It Conquered the World,
1956), com fotografia em preto e branco e roteiro de Lou Rusoff e Charles B.
Griffith. O interessante elenco é formado por Peter Graves, da série de TV “Missão
Impossível” (1967 / 1973), Lee Van Cleef, mais reconhecido pela infinidade de
filmes de western, e Beverly Garland, que esteve em várias outras preciosidades
como “Curuçu, o Terror do Amazonas” (1956), “O Emissário de Outro Mundo” (1957)
e “O Jacaré Humano” (1959).
Com produção da “American International”, de James H. Nicholson e Samuel
Z. Arkoff, e filmado em apenas cinco dias por Corman, o filme está disponível
no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português, e tem um lugar
especial na história do cinema fantástico de baixo orçamento por causa
principalmente do monstro alienígena apelidado de “Beluah”, criado e manuseado
por Paul Blaisdell, sendo talvez o mais bagaceiro de todos os tempos, parecendo
uma espécie de “casquinha de sorvete invertida com garras”.
Na história, o cientista Dr. Tom Anderson (Lee Van Cleef) conseguiu
contato por rádio com um alienígena venusiano e ficou convencido que ele
poderia ajudar a humanidade eliminando as emoções como ódio e amargura, e consequentemente
os problemas das pessoas. Ele tenta convencer as autoridades militares a
interromper o programa espacial com lançamentos de satélites alegando que os
alienígenas não querem a Terra explorando o espaço. Porém, ele não tem sucesso
e recebe desaprovação da esposa, Claire (Beverly Garland), de amigos próximos
como o também cientista Dr. Paul Nelson (Peter Graves) e sua esposa Joan (Sally
Fraser), além do General James Pattick (Russ Bender).
Com o lançamento de um satélite ao espaço que retornou para a Terra trazendo
o alienígena, tem início um plano de invasão com a ajuda do iludido Dr.
Anderson, que acredita em boas intenções do invasor, que por sua vez se instala
numa caverna com fontes termais que simulam um ambiente similar ao de seu
planeta de origem. Poderoso e inteligente, o monstro de Vênus interrompe a
geração de energia no mundo inteiro, e passa a controlar as pessoas com a implantação
de um dispositivo na cabeça instalado por criaturas similares a morcegos.
Com a “ameaça espacial” do futuro do nosso planeta e de toda a humanidade,
e uma vez o Dr. Nelson conseguindo impedir que fosse controlado pelo extraterrestre,
resta para ele a árdua missão de combater as pessoas controladas e tentar
impedir o sucesso do plano de conquista do monstro venusiano.
Como em todos os filmes antigos bagaceiros com monstros toscos, devido às
dificuldades com os pequenos orçamentos disponíveis, o alienígena aparece pouco
em cena e mais apenas próximo do final no já esperado confronto que definiria a
salvação da Terra contra a tirania de uma criatura invasora de outro planeta. E
com o restante do tempo sendo preenchido pelo drama dos personagens, seus
conflitos de ideias e interesses, especulações sobre o destino da humanidade, e
a exploração espacial em tempos de guerra fria entre os Estados Unidos e a
antiga União Soviética.
A diversão fica mais por conta dos efeitos práticos paupérrimos, tanto
com os morcegos que carregam os dispositivos de controle mental das pessoas,
quanto principalmente o monstro alienígena tosco, projetado, construído e
movimentado pelo técnico Paul Blaisdell, conhecido pelos inúmeros monstros
bagaceiros que criou para filmes dos anos 1950 como “A Besta do Milhão de Olhos”,
“O Dia do Fim do Mundo”, “O Emissário de Outro Mundo”, “Os Monstros Invasores”,
“A Ameaça do Outro Mundo” e “Os Adolescentes do Espaço”.
Curiosamente, esse filme bagaceiro de Roger Corman possui referências aos
clássicos de FC “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951) com o corte de energia no
mundo e paralização das máquinas, e “Vampiros de Almas” (1956) com o controle
das pessoas retirando suas emoções. E tivemos uma refilmagem para a televisão
dirigido por Larry Buchanan em 1967 com o nome “O Monstro de Vênus” (Zontar:
The Thing From Venus), com John Agar.
(RR – 17/07/26)
O Beijo da Tarântula (Kiss of the Tarantula, EUA, 1975)
“O Beijo da Tarântula” (Kiss of the Tarantula, EUA, 1975) é
um filme pouco conhecido e perdido no limbo das produções independentes de
baixo orçamento que explora o tema de ataques de animais. A direção é de Chris
Munger, que tem um currículo quase nulo e a história, como diz o título, é
sobre os temíveis aracnídeos que assombram os pesadelos de quem não gosta de
aranhas peludas. Foi exibido na televisão e está disponível no “Youtube” numa
versão original em inglês com opção de legendas em português.
Susan Bradley (Suzanna Ling) é uma jovem moça que cria tarântulas
como animais de estimação. Ela tem o apoio de seu pai atencioso John Bradley
(Herman Wallner), um agente funerário dono de um necrotério, mas por outro
lado, enfrenta a desaprovação de sua mãe megera e adúltera, Martha Bradley
(Beverly Eddins), que tem um caso amoroso com o cunhado, o desonesto policial
Walter Bradley (Ernesto Macias).
Insatisfeita com o casamento e sempre rude com a filha, dizendo
que seu marido tem “cheiro de produtos químicos e morte”, ela planeja matá-lo
num plano junto com seu amante, despertando a ira de Susan, que utiliza suas
aranhas para vingança contra a mãe e o tio abusivo, além também de todos que
atravessam seu caminho zombando dela ou maltratando suas tarântulas
assustadoras.
Filmes com histórias de ataques de animais são sempre
interessantes, e o cinema de horror e ficção científica tem uma lista colossal
de exemplos com todos os tipos de animais, sendo que as aranhas estão entre os
mais temíveis. Em “O Beijo da Tarântula” elas são reais e rastejam pelos corpos
de suas vítimas, sem efeitos especiais ou computação gráfica, causando
certamente um grande desconforto para quem tem aracnofobia. As tarântulas,
também conhecidas como caranguejeiras, são grandes, peludas e causam repulsa e
medo nas pessoas, porém não são tão nocivas comparando com outros aracnídeos
mais perigosos.
Susan é uma moça tímida que criou laços afetivos com suas
tarântulas, e após sofrer contínuos maus tratos de sua mãe severa e ser vítima
de abusos sexuais de seu tio Walter, além de vítima de bullyng por seus colegas,
encontrou em sua mente distorcida uma forma de se vingar utilizando suas
aranhas para atacar os inimigos. Mesmo com uma história clichê, o filme até
garante alguns momentos de tensão nas cenas de mortes, principalmente com uma
vítima presa num duto de ar com muitas aranhas como companhia, e no desfecho
perturbador envolvendo seu tio e outra vítima num caixão do necrotério de seu
pai.
Curiosamente, além das aranhas, uma infinidade de outros animais
assassinos já foram abordados pelo cinema de horror com histórias de vingança
da natureza contra a humanidade, como vespas, abelhas, formigas, gafanhotos,
baratas, cobras, sapos, morcegos, jacarés, ratos, pássaros, macacos, ovelhas, coelhos,
cachorros, musaranhos, porcos, javalis, lobos, ursos, leões, piranhas, orcas, e
não podendo deixar de citar, os temíveis tubarões, talvez o animal mais
explorado de todos.
(RR – 16/07/26)
O Gorila Matador (The Ape, EUA, 1940, PB)
Disponível no “Youtube” com opção de legendas automáticas em
português, “O Gorila Matador” (The Ape, 1940) é um filme com elementos
sutis de horror e suspense estrelado pelo ícone Boris Karloff (1887 / 1969) num
papel que sempre fez magistralmente numa infinidade de outros filmes: o “cientista
louco” obcecado por seu trabalho para o bem da humanidade, nem que tenha que
matar para conseguir seus objetivos.
Dirigido por William Nigh, com fotografia em preto e branco, metragem
de apenas 62 minutos e produzido pela “Monogram”, Karloff é o médico Dr.
Bernard Adrian, envolvido com experiências para descobrir a cura da
poliomielite, focado em ajudar a jovem cadeirante Frances Clifford (Maris
Wrixon), que tem paralisia e não consegue mais andar há muitos anos. O
cientista a considera como uma filha, determinado a curar sua doença, uma vez
que não conseguiu evitar no passado a morte da esposa e filha com o mesmo
problema de saúde.
Porém, mesmo com boas intenções seu trabalho não é bem visto em
Red Creek, a pequena cidade onde mora, com as pessoas desconfiadas das
experiências bizarras com animais para obter um soro eficaz contra a paralisia,
tendo que enfrentar a reprovação dos vizinhos e do também médico local Dr.
McNulty (Selmer Jackson), além da desconfiança do namorado de Frances, o
mecânico de carros Danny Foster (Gene O´Donnell).
Para completar seu trabalho científico, o Dr. Adrian necessita de
um líquido espinhal de pessoas recém-falecidas. Enquanto isso, um gorila imenso
chamado Nabu (Ray Corrigan, não creditado), escapa de um circo após um acidente
com incêndio, e assassinatos misteriosos começam a ocorrer na cidade,
despertando a atenção e investigação do xerife Jeff Halliday (Henry Hall).
Qualquer filme com Boris Karloff, nome eternizado na história do
cinema de horror como a criatura de Frankenstein nos filmes da produtora “Universal”,
já desperta interesse por sua presença marcante, sempre com atuações
convincentes, geralmente em papéis de vilão e “cientista louco”.
Em “O Gorila Matador”, apesar do ritmo arrastado típico dos filmes
da década de 1940, com histórias ingênuas e tentativas de apresentar cenas com
algum suspense ou horror sutil, que deveriam funcionar para as plateias da
época, temos Karloff para compensar a falta de ação e horror mais sangrento, interpretando
um médico abnegado em encontrar uma cura para a paralisia, com forte senso de
altruísmo, mesmo perdendo parte da sanidade e os escrúpulos para obter o
sucesso acompanhado de crimes.
(RR – 14/07/26)
A Volta do Homem Colossal (War of the Colossal Beast, EUA, 1958, PB)
“O terror colossal
saído do inferno!”
“War
of the Colossal Beast” (1958), que recebeu no Brasil o título “A Volta do
Homem Colossal” quando foi lançado em mídia física DVD pela “Cult Classic”,
é a sequência direta de “The Amazing Colossal Man” (1957), lançado por aqui na
época como “O Monstro Atômico” e depois com o nome “O Incrível Homem Colossal”
no mesmo DVD citado.
Produzido
e dirigido por Bert I. Gordon, especialista conhecido por seus filmes com criaturas
gigantes, que lhe rendeu a alcunha de “Mr. BIG” (das iniciais de seu nome), o
filme tem fotografia original em preto e branco e metragem de apenas 69
minutos, e além da disponibilidade em DVD também pode ser acessado no “Youtube”
com áudio em inglês e opção de tradução automática com legendas em português,
tanto em P&B quanto numa versão colorizada.
Com
produção da “AIP” (American International Pictures), de James H. Nicholson e
Samuel Z. Arkoff, o roteiro é de George Worthing Yates, que tem no currículo
uma infinidade de filmes preciosos como “O Mundo em Perigo” (1954) e “A Invasão
dos Discos Voadores” (1956), entre tantos outros.
No
filme anterior, o tenente coronel Glenn Manning se transformou num “homem
colossal” com 18 metros de altura depois que foi exposto à radiação da explosão
de uma bomba atômica num teste do exército dos Estados Unidos na época da
guerra fria com a antiga União Soviética. Após um confronto com os militares no
alto da barragem de uma represa, ele caiu supostamente para a morte.
Porém,
como o imenso corpo não foi encontrado, sua irmã Joyce Manning (Sally Frazer)
continua à sua procura, principalmente depois de ouvir rumores sobre caminhões
carregando alimentos serem misteriosamente saqueados nas montanhas desérticas
de Guavos, no México. Contando com a ajuda do Major Mark Baird (Roger Pace) e
do médico Dr. Carmichael (Russ Bender), do Departamento de Exposição à
Radiação, eles localizam o gigante (agora interpretado por outro ator, Duncan
´Dean´ Parker), que está com o rosto terrivelmente desfigurado e com graves
danos cerebrais e mente ainda mais distorcida, agindo apenas por instinto de
sobrevivência selvagem, emitindo grunhidos animalescos.
Ele
é capturado e transportado para os Estados Unidos, onde nenhuma agência do
governo quer recebê-lo por falta de estrutura para um homem insano e com dez
vezes o tamanho de um ser humano comum. Sem opções, o monstro acaba ficando acorrentado
num galpão no aeroporto de Los Angeles, onde consegue escapar e vai para o
Observatório de Griffith Park, onde ocorre a famosa cena que ilustra o cartaz
do filme, num momento tenso envolvendo um ônibus escolar cheio de crianças.
Como
o elenco principal do primeiro filme não aceitou participar da sequência, seus
personagens não retornaram, como a noiva do “homem colossal” e os médicos e
militares que acompanharam de perto a sua tragédia. O foco na continuação está
agora em sua irmã angustiada, com o apoio de outro militar. O filme é mais
curto que o anterior e ainda tivemos várias cenas de flashback reproduzindo momentos
importantes do original para auxiliar na compreensão da história.
É
fato que os realizadores estavam apressados em produzir e lançar o mais rápido
possível um novo filme para tentar lucrar com todo o movimento do público com o
mistério da suposta morte do monstro no desfecho do primeiro filme, e com os
temas muito explorados na época da guerra fria, com os efeitos nocivos e desconhecidos
da radiação atômica. Como resultado, o roteiro está repleto de furos e
situações inverossímeis, mas o que importa para o entretenimento de quem
aprecia o cinema fantástico bagaceiro com orçamentos minúsculos daquele período
justamente é o escapismo da história e a tosquice geral da produção, com a
maquiagem do rosto deformado do monstro e todos os efeitos práticos de
retroprojeção e tela dividida para simular seu tamanho descomunal.
Entre
as curiosidades, os efeitos de maquiagem criados pelo técnico Jack H. Young
para o monstro com o rosto deformado são muito similares ao ciclope gigante do filme
anterior de Bert I. Gordon, “A Maldição do Monstro Sinistro” (The Cyclops). A
fotografia original é em preto e branco, mas a cena final do homem colossal com
os cabos de alta tensão foi produzida em cores.
(RR – 13/07/26)
O Monstro Atômico (The Amazing Colossal Man, EUA, 1957, PB)
“Qual altura você
acha que vou crescer até que a morte me liberte dessa maldição?”
– Tenente Coronel
Glenn Manning ou “O Incrível Homem Colossal”
O
multifuncional Bert I. Gordon ou Mr. B.I.G. (“grande” em inglês), apelido que
ganhou por sua contribuição significativa com filmes com criaturas gigantes, foi
um diretor, roteirista, produtor e técnico em efeitos especiais que se
especializou na criação de monstros imensos em vários filmes preciosos e
divertidos do cinema fantástico bagaceiro, principalmente dos anos 50 e 60 do
século passado.
“O
Monstro Atômico” (The Amazing Colossal Man, 1957) tem fotografia original
em preto e branco e história explorando as temáticas “homem transformado em
monstro” e “paranoia nuclear”, assuntos que foram muito abordados pelo cinema
de horror e ficção científica de baixo orçamento no período da guerra fria
entre Estados Unidos da América e a antiga União Soviética, logo após o fim da
Segunda Guerra Mundial, com a corrida armamentista e desenvolvimentos de bombas
atômicas para destruição em massa.
A
produção é da “American International”, da dupla James H. Nicholson e Samuel Z.
Arkoff, e está disponível no “Youtube” na versão original em inglês com a opção
de tradução automática com legendas em português. Também foi lançado no Brasil
em DVD pela “Cult Classic” com o nome “O Incrível Homem Colossal”, junto com a
sequência “A Volta do Homem Colossal” (1958).
Na
história, o exército dos Estados Unidos está realizando testes no deserto de
Nevada com uma bomba de plutônio e o Tenente Coronel Glenn Manning (Glenn
Langan) acidentalmente é exposto pela radiação da explosão. Mesmo com
queimaduras graves pelo corpo inteiro, ele sobrevive e inexplicavelmente as
feridas desaparecem e seu corpo começa a crescer três metros por dia, num
efeito colateral desconhecido pela exposição à radiação, surpreendendo todos
que convivem ao seu redor como a noiva Carol Forrest (Cathy Downs), os médicos
Dr. Paul Linstrom (William Hudson) e Major Eric Coulter (Larry Thor), além do
militar Coronel Hallock (James Seay).
Mantido
em cativeiro pelo governo, o “incrível homem colossal” do título original ou o “homem
atômico” do nacional, atingiu aproximadamente dezoito metros de altura e oito
toneladas de peso, e uma vez com a mente distorcida por sua condição de
aberração da natureza, conseguiu escapar da base militar e fugiu desorientado
para Las Vegas, onde causou grande tumulto entre as pessoas e estragos com
destruição de alguns hotéis famosos da cidade, até ser encurralado na barragem
de uma represa num confronto com os militares.
Com
um título sonoro e sensacionalista, posters de divulgação e frases promocionais
exagerados, o filme é mais uma tranqueira divertida dos anos 1950 com um homem gigante
vítima dos efeitos desconhecidos da energia atômica, e além da história
carregada de escapismo e fantasia criativa da mente dos roteiristas Mark Hanna,
George Worthing Yates e o próprio Bert I. Gordon, o grande destaque para os
apreciadores do cinema bagaceiro são os efeitos práticos de retroprojeção para
a simulação do homem gigante interagindo com as pessoas e objetos e nas cenas
de ataques aos prédios, numa época sem a computação gráfica.
Teve
uma continuação no ano seguinte chamada “War of the Colossal Beast” e com novos
personagens, trazendo de volta apenas o Tenente Coronel Glenn Manning, gigante,
deformado e mais violento, interpretado por outro ator (Duncan ´Dean´ Parker).
Outros filmes do mesmo período utilizando tema semelhante são “A Maldição do
Monstro Sinistro” (The Cyclops, 1957), “A Mulher de 15 Metros” (Attack of the 50
Foot Woman, 1958) e “A Cidade dos Gigantes” (Village of the Giants, 1965).
Curiosamente,
a ideia do filme é considerada uma inspiração para o popular “Incrível Hulk”
dos quadrinhos, criado pela “Marvel” poucos anos depois e com semelhanças sobre
os efeitos de uma bomba nuclear no cientista Dr. Bruce Banner, transformando-o
no mutante verde Hulk.
(RR – 11/07/26)
Terror no Cemitério (Terror-Creatures From the Grave / 5 Tombe Per Un Medium, Itália, 1965, PB / versão colorizada)
"Eu
os convoquei de seus túmulos e agora me tornei um deles.”
– Dr.
Jeronimus Hauff
“Terror no Cemitério” (Terror-Creatures From the Grave / 5 Tombe Per Un Medium,
1965) é mais uma preciosidade do horror gótico italiano, novamente com a musa
Barbara Steele, nome associado ao gênero pela infinidade de filmes com sua
presença sempre marcante. Com fotografia original em preto e branco e roteiro
inspirado na literatura macabra de Edgar Allan Poe, foi dirigido por Massimo
Pupillo (dos similares “A Vingança de Lady Morgan” e “O Carrasco Escarlate”, ambos
também de 1965), que ficou descontente com o filme e optou por repassar os
créditos de direção para o produtor Ralph Zucker.
Ele até pode ter ficado desapontado com o resultado
final, mas para os apreciadores do estilo felizmente está disponível no “Youtube”
uma versão lançada nos Estados Unidos, nas opções tanto em P&B quanto colorizado,
com dublagem em inglês e possibilidade de ativar legendas automáticas em
português.
Ambientado no início do século XX, o advogado
Albert Kovac (Walter Brandt) recebe uma correspondência do médico e cientista
Dr. Jeronimus Hauff (Umberto Raho, não creditado), para visitá-lo em seu
castelo “Villa de Hauff”, próximo ao vilarejo de Brattonville, para realizar o seu
testamento.
Chegando ao local, ele encontra a filha de seu
cliente, Corinne Hauff (Mirella Maravidi, creditada como Marilyn Mitchell) e a
madrasta Cleo Hauff (Barbara Steele), uma atriz de teatro que abandonou os
palcos após o casamento. Ela informa que seu marido já havia morrido há um ano,
criando um mistério sobre a carta e o pedido do testamento.
A partir daí, com a ocorrência de fatos estranhos
no castelo como as alucinações de Corinne com o fantasma do pai falecido, histórias
dos supersticiosos aldeões sobre o envolvimento do Dr. Hauff com ocultismo e experiências
macabras com os mortos, a presença desconfortável do sinistro jardineiro do
castelo, Kurt (Luciano Pigozzi, creditado como Allan Collins), e principalmente
o surgimento de mortes misteriosas na região, o advogado decide investigar com
a ajuda do médico local Dr. Nemek (Alfred Rizzo, creditado como Alfred Rice).
Enquanto estão curiosos para esclarecer o mistério,
surge o sócio no escritório de advocacia Joseph Morgan (Riccardo Garrone,
creditado como Richard Garrett) e descobrem a existência de cinco testemunhas
da morte suspeita do Dr. Hauff, além de vários elementos fantasmagóricos que
nos remetem à avassaladora Peste Bubônica que dizimou boa parte da Europa Medieval.
Como
um típico filme de horror gótico italiano inspirado em Poe e ambientado num “castelo
de sombras e sangue” (nas próprias palavras da Sra. Cleo Hauff), “Terror no
Cemitério” é uma história de traição e vingança sobrenatural com todos aqueles
elementos indispensáveis para uma atmosfera sombria de gelar a espinha até dos
mortos.
Temos
assombrações, mãos decepadas mumificadas, tumbas que se abrem, ruídos que não
são desse mundo como as rodas das carroças dos coletores de cadáveres, e todo
aquele sentimento depressivo de um lugar construído a partir das ruínas de um
hospital onde morreram milhares de vítimas da praga da Idade Média, e onde
estão enterrados os propagadores da doença que poluíam as águas e espalhavam a
peste por maldade.
Não
há sangue e a violência é discreta, pois a ideia parece apostar mais num clima
de horror sugerido com mortes fora da tela, porém com divertidos efeitos
práticos de maquiagem simulando um olho arrancado, um rosto corroído por ácido
e as feridas pútridas nas vítimas da peste.
(RR – 07/07/26)
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