– cientista
Dr. Tom Anderson para o alienígena de Vênus
O especialista em filmes
bagaceiros de horror e ficção científica Roger Corman (1926 / 2024), conhecido diretor e produtor habilidoso em fazer filmes
rápidos com orçamentos reduzidos, foi também o responsável pela divertida
tranqueira de invasão alienígena “Ameaça
Espacial” (It Conquered the World,
1956), com fotografia em preto e branco e roteiro de Lou Rusoff e Charles B.
Griffith. O interessante elenco é formado por Peter Graves, da série de TV “Missão
Impossível” (1967 / 1973), Lee Van Cleef, mais reconhecido pela infinidade de
filmes de western, e Beverly Garland, que esteve em várias outras preciosidades
como “Curuçu, o Terror do Amazonas” (1956), “O Emissário de Outro Mundo” (1957)
e “O Jacaré Humano” (1959).
Com produção da “American International”, de James H. Nicholson e Samuel
Z. Arkoff, e filmado em apenas cinco dias por Corman, o filme está disponível
no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português, e tem um lugar
especial na história do cinema fantástico de baixo orçamento por causa
principalmente do monstro alienígena apelidado de “Beluah”, criado e manuseado
por Paul Blaisdell, sendo talvez o mais bagaceiro de todos os tempos, parecendo
uma espécie de “casquinha de sorvete invertida com garras”.
Na história, o cientista Dr. Tom Anderson (Lee Van Cleef) conseguiu
contato por rádio com um alienígena venusiano e ficou convencido que ele
poderia ajudar a humanidade eliminando as emoções como ódio e amargura, e consequentemente
os problemas das pessoas. Ele tenta convencer as autoridades militares a
interromper o programa espacial com lançamentos de satélites alegando que os
alienígenas não querem a Terra explorando o espaço. Porém, ele não tem sucesso
e recebe desaprovação da esposa, Claire (Beverly Garland), de amigos próximos
como o também cientista Dr. Paul Nelson (Peter Graves) e sua esposa Joan (Sally
Fraser), além do General James Pattick (Russ Bender).
Com o lançamento de um satélite ao espaço que retornou para a Terra trazendo
o alienígena, tem início um plano de invasão com a ajuda do iludido Dr.
Anderson, que acredita em boas intenções do invasor, que por sua vez se instala
numa caverna com fontes termais que simulam um ambiente similar ao de seu
planeta de origem. Poderoso e inteligente, o monstro de Vênus interrompe a
geração de energia no mundo inteiro, e passa a controlar as pessoas com a implantação
de um dispositivo na cabeça instalado por criaturas similares a morcegos.
Com a “ameaça espacial” do futuro do nosso planeta e de toda a humanidade,
e uma vez o Dr. Nelson conseguindo impedir que fosse controlado pelo extraterrestre,
resta para ele a árdua missão de combater as pessoas controladas e tentar
impedir o sucesso do plano de conquista do monstro venusiano.
Como em todos os filmes antigos bagaceiros com monstros toscos, devido às
dificuldades com os pequenos orçamentos disponíveis, o alienígena aparece pouco
em cena e mais apenas próximo do final no já esperado confronto que definiria a
salvação da Terra contra a tirania de uma criatura invasora de outro planeta. E
com o restante do tempo sendo preenchido pelo drama dos personagens, seus
conflitos de ideias e interesses, especulações sobre o destino da humanidade, e
a exploração espacial em tempos de guerra fria entre os Estados Unidos e a
antiga União Soviética.
A diversão fica mais por conta dos efeitos práticos paupérrimos, tanto
com os morcegos que carregam os dispositivos de controle mental das pessoas,
quanto principalmente o monstro alienígena tosco, projetado, construído e
movimentado pelo técnico Paul Blaisdell, conhecido pelos inúmeros monstros
bagaceiros que criou para filmes dos anos 1950 como “A Besta do Milhão de Olhos”,
“O Dia do Fim do Mundo”, “O Emissário de Outro Mundo”, “Os Monstros Invasores”,
“A Ameaça do Outro Mundo” e “Os Adolescentes do Espaço”.
Curiosamente, esse filme bagaceiro de Roger Corman possui referências aos
clássicos de FC “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951) com o corte de energia no
mundo e paralização das máquinas, e “Vampiros de Almas” (1956) com o controle
das pessoas retirando suas emoções. E tivemos uma refilmagem para a televisão
dirigido por Larry Buchanan em 1967 com o nome “O Monstro de Vênus” (Zontar:
The Thing From Venus), com John Agar.
(RR – 17/07/26)
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