“O Beijo da Tarântula” (Kiss of the Tarantula, EUA, 1975) é
um filme pouco conhecido e perdido no limbo das produções independentes de
baixo orçamento que explora o tema de ataques de animais. A direção é de Chris
Munger, que tem um currículo quase nulo e a história, como diz o título, é
sobre os temíveis aracnídeos que assombram os pesadelos de quem não gosta de
aranhas peludas. Foi exibido na televisão e está disponível no “Youtube” numa
versão original em inglês com opção de legendas em português.
Susan Bradley (Suzanna Ling) é uma jovem moça que cria tarântulas
como animais de estimação. Ela tem o apoio de seu pai atencioso John Bradley
(Herman Wallner), um agente funerário dono de um necrotério, mas por outro
lado, enfrenta a desaprovação de sua mãe megera e adúltera, Martha Bradley
(Beverly Eddins), que tem um caso amoroso com o cunhado, o desonesto policial
Walter Bradley (Ernesto Macias).
Insatisfeita com o casamento e sempre rude com a filha, dizendo
que seu marido tem “cheiro de produtos químicos e morte”, ela planeja matá-lo
num plano junto com seu amante, despertando a ira de Susan, que utiliza suas
aranhas para vingança contra a mãe e o tio abusivo, além também de todos que
atravessam seu caminho zombando dela ou maltratando suas tarântulas
assustadoras.
Filmes com histórias de ataques de animais são sempre
interessantes, e o cinema de horror e ficção científica tem uma lista colossal
de exemplos com todos os tipos de animais, sendo que as aranhas estão entre os
mais temíveis. Em “O Beijo da Tarântula” elas são reais e rastejam pelos corpos
de suas vítimas, sem efeitos especiais ou computação gráfica, causando
certamente um grande desconforto para quem tem aracnofobia. As tarântulas,
também conhecidas como caranguejeiras, são grandes, peludas e causam repulsa e
medo nas pessoas, porém não são tão nocivas comparando com outros aracnídeos
mais perigosos.
Susan é uma moça tímida que criou laços afetivos com suas
tarântulas, e após sofrer contínuos maus tratos de sua mãe severa e ser vítima
de abusos sexuais de seu tio Walter, além de vítima de bullyng por seus colegas,
encontrou em sua mente distorcida uma forma de se vingar utilizando suas
aranhas para atacar os inimigos. Mesmo com uma história clichê, o filme até
garante alguns momentos de tensão nas cenas de mortes, principalmente com uma
vítima presa num duto de ar com muitas aranhas como companhia, e no desfecho
perturbador envolvendo seu tio e outra vítima num caixão do necrotério de seu
pai.
Curiosamente, além das aranhas, uma infinidade de outros animais
assassinos já foram abordados pelo cinema de horror com histórias de vingança
da natureza contra a humanidade, como vespas, abelhas, formigas, gafanhotos,
baratas, cobras, sapos, morcegos, jacarés, ratos, pássaros, macacos, ovelhas, coelhos,
cachorros, musaranhos, porcos, javalis, lobos, ursos, leões, piranhas, orcas, e
não podendo deixar de citar, os temíveis tubarões, talvez o animal mais
explorado de todos.
(RR – 16/07/26)
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