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Cara de Mármore (The Face of Marble, EUA, 1946, PB)

 


A quantidade de filmes bagaceiros antigos de horror e ficção científica com o tema de “cientista louco” é imensa, principalmente durante as décadas de 1940 a 1960. As histórias abordam sempre os mesmos clichês com um homem da ciência envolvido de forma abnegada, porém sem escrúpulos, num trabalho de pesquisas antinaturais para o suposto “bem da humanidade”, e com resultados trágicos.

São tantos filmes iguais que ao escrevermos uma breve análise crítica sobre eles é inevitável não falarmos a mesma coisa. “Cara de Mármore” (The Face of Marble, EUA, 1946) é mais um filme com “cientista louco” cuja experiência malsucedida teve como consequência a criação de monstros, com um laboratório sinistro cheio de equipamentos elétricos bizarros, numa mansão isolada no alto de um penhasco à beira do mar. O único diferencial aqui é a presença de John Carradine, nome eternamente associado ao cinema de gênero, com uma filmografia colossal principalmente voltada para o fantástico.

Dirigido por William Beaudine, com fotografia original em preto e branco e metragem de apenas 72 minutos, o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.

 

O Dr. Charles Randolph (John Carradine) é um cientista que está trabalhando incansavelmente num projeto de reanimação de animais e pessoas mortas, com a assistência do Dr. David Cochran (Robert Shayne). Suas cobaias até conseguem vencer a morte, mas os animais ressurgem ferozes e violentos (como o imenso cachorro Brutus), e os humanos retornam à vida com o rosto pálido e frio como mármore (do título), na condição de zumbis fantasmas.

A esposa do cientista, Elaine (Claudia Drake), que sobreviveu após um grave acidente na cabeça graças à sua interferência como especialista em cérebros, está desiludida com o casamento pelo distanciamento do marido focado em suas experiências. Ela acaba tendo um interesse amoroso com o assistente Dr. Cochran e as coisas complicam ainda mais depois da chegada da namorada dele, Linda Sinclair (Maris Wrixon), e com a interferência da empregada praticante de vodu, Maria (Rosa Rey), que quer a felicidade de Elaine a todo custo, agindo com maldade e cometendo erros fatais.

 

Como em muitos filmes de horror da década de 1940, “Cara de Mármore” possui um ritmo narrativo mais cadenciado, com poucas situações de ação e suspense que prendam a atenção do espectador, com um clima apenas moderado de atmosfera sombria com as experiências do “cientista louco” e as criaturas com características de mortos-vivos fantasmas desorientados, que surgem do processo bizarro de reanimação de cadáveres recentes, e que tem a capacidade de atravessar paredes e portas, além de uma obsessão por sangue.

Entre os clichês, temos o tradicional policial responsável pela investigação das mortes suspeitas, Inspetor Norton (Thomas E. Jackson), e um empregado medroso responsável pelas tentativas de alívio cômico, Shadrach (Willie Best), que talvez até pudessem funcionar ou eram esperadas pelas plateias da época, mas que são tão banais que não combinam com um filme de horror de “cientista louco” e mortos reanimados.

 

(RR – 12/08/26)