Considerado “perdido” por
muitos anos e felizmente recuperado, e considerado um precursor dos filmes de
catástrofes e desastres naturais com impressionantes efeitos especiais para a
época e história pós-apocalíptica, “O Dilúvio” (Deluge, EUA, 1933), tem
direção de Felix E. Feist, fotografia em preto e branco, metragem de apenas 66
minutos, e história baseada em livro de S. Fowler Wright lançado em 1928. Está
disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.
O cientista Prof. Carlysle
(Edward Van Sloan) descobre estranhas e inexplicáveis variações barométricas no
clima mundial que anunciam desastres naturais de grandes proporções e
destruição em massa. Uma imensa tempestade obriga os aviões a pousarem o mais
rápido possível e terremotos de alta escala começam a ocorrer ao redor do planeta
criando tsunamis com ondas gigantescas e um dilúvio catastrófico que invade os
Estados Unidos da América (foco do filme), mas também a Europa e outros
continentes, num cenário apocalíptico global e prenúncio do fim do mundo.
Após a destruição e inundação
de cidades inteiras que afundaram, os sobreviventes tentam se reorganizar
novamente em pequenos grupos isolados em ilhas que se formaram com as mudanças
geográficas.
A partir daí a história se
divide em duas subtramas que se intercalam posteriormente. O advogado Martin
Webster (Sidney Blackmer) se separa da família, a esposa Helen (Lois Wilson) e
os dois filhos pequenos, Ronnie (Ronnie Cosby) e Marianne (Marianne Edwards),
não creditados, após o terremoto que destruiu Nova York. Ele fica isolado num
ambiente de desolação onde constrói uma cabana e sem saber da sobrevivência de
sua família num assentamento recém-criado e sem leis, liderado por Tom Matt
Moore). Em paralelo, a nadadora Claire Arlington (Peggy Shannon) surge em outra
ilha próxima e é resgatada por dois homens rudes, Jepson (Fred Kohler) e
Norwood (Ralf Harolde), que disputam selvagemente a companhia forçada da
mulher.
Claire decide então fugir a
nado e é resgatada por Martin, com a convivência entre eles despertando um inevitável
envolvimento amoroso, que entra em crise e grande confusão quando Jepson aparece
procurando a mulher fugitiva e se unindo com baderneiros da nova cidade onde Martin
encontra sua esposa e filhos morando com a segurança de Tom.
O que realmente importa enfatizar
como sugestão para conhecer “O Dilúvio” não é a história rasa e sem grandes
interesses, com conflitos óbvios e típicos da humanidade num ambiente
pós-apocalíptico, com selvageria e luta constante por interesses individuais. Mas,
o que vale a pena são os efeitos práticos de destruição com megas terremotos e
inundações, impressionantes pelas dificuldades do cinema da época na distante
década de 1930. São apenas alguns poucos minutos, porém, significativos na
história dos filmes de catástrofes naturais, com cenas de destruição com
maquetes de cidades arrasadas, navios arremessados por tsunamis como se fossem brinquedos,
e prédios enormes caindo como pedras de um dominó, num trabalho com grande
esforço e criatividade, realizado num período com poucos recursos técnicos para
os efeitos especiais.
Curiosamente, o filme esteve
perdido por décadas até ser encontrada uma cópia dublada em italiano em 1981 e
depois foi feita uma restauração com o áudio original em inglês em 2017.
Também é curioso citar que o
“blockbuster” “O Dia Depois de Amanhã” (The Day After Tomorrow, 2004) foi
inspirado por “O Dilúvio” na inundação de Nova York com a “Estátua da Liberdade”
“afogada” no meio das ondas gigantes do Oceano Atlântico.
(RR – 04/08/26)
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