Comentários curtos de cinema - Parte 5 (12/03 a 03/05/13)

Filmes abordados:

Croods – Uma Aventura nas Cavernas, Os (The Croods, EUA, 2013)
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, EUA / China, 2013)
Hospedeira, A (The Host, EUA, 2013)
Jack – O Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer, EUA, 2013)
Mama (Mama, Espanha / Canadá, 2013)
Morte do Demônio, A (Evil Dead, EUA, 2013)
Oblivion (Oblivion, EUA, 2013)
Oz: Mágico e Poderoso (Oz the Great and Powerful, EUA, 2013)
The Pact (EUA, 2012)





* Croods – Uma Aventura nas Cavernas, Os (The Croods, 2013) – Animação da “DreamWorks” que estreou nos cinemas brasileiros em 22/03/13. Uma família pré-histórica que vive literalmente em cavernas, com medo de tudo e lutando unicamente pela sobrevivência, é formada pelo pai protetor, Grug (voz de Nicolas Cage), que tenta com todos os seus esforços manter a segurança da esposa, da sogra e dos três filhos. Porém, depois que a filha adolescente Eep (voz de Emma Stone) conhece o jovem Guy (voz de Ryan Reynolds), e a família é obrigada a abandonar a caverna após um terremoto, eles partem para uma aventura em busca de um novo mundo conhecendo criaturas fantásticas. Divertida animação voltada especialmente para o público infantil (mas também para todas as idades), mostrando os desafios de uma família para sobreviver num mundo hostil, e com os obstáculos tornando-se oportunidades de estreitar os relacionamentos, descobrindo cada vez mais a importância de uns para os outros. (RR – 23/03/13)


* Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) – O terceiro filme da franquia “Homem de Ferro” entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 26/04/13, com a opção de exibição em 3D. Dessa vez, o milionário Tony Stark (Robert Downey Jr.), que criou uma armadura altamente tecnológica e a utiliza para ser o cultuado herói “Homem de Ferro”, tem que enfrentar agora os ataques e ameaças de um terrorista chamado Mandarin (Ben Kingsley). Porém, uma série de eventos e reviravoltas mostrará a verdade dos fatos. Ação exagerada, correrias desenfreadas, tiroteios ensurdecedores, destruição, efeitos especiais notáveis, roteiro com algumas piadas. Indicado para quem procura esse tipo de diversão sem compromisso no cinema, passando duas horas desligado do mundo real. Curiosamente, tem uma cena após os créditos finais que sempre vale a pena conferir. (RR – 03/05/13)


* Hospedeira, A (The Host, 2013) – Com roteiro baseado em livro de Stephenie Meyer, a mesma autora da saga “Crepúsculo”, “A Hospedeira” é um drama com elementos de ficção científica que estreou nos cinemas em 29/03/13. A raça humana, devido suas características naturais de violência entre si e histórico de destruição contínua do meio ambiente, tornou-se alvo de uma invasão alienígena, com criaturas extraterrestres se hospedando nos corpos dos humanos, levando a espécie rumo à extinção. Porém, um grupo de humanos resistentes vive escondido no interior de um vulcão extinto no deserto e tenta sobreviver mantendo-se livre da invasão. Apesar dos inevitáveis momentos tediosos de romance adolescente entre os protagonistas, a história tem uma ideia central interessante, mesmo sendo o tema de invasão alienígena um sub-gênero do cinema fantástico já muito utilizado, com menos cenas barulhentas de ação desenfreada e mais momentos de drama psicológico explorando os conflitos entre os personagens. (RR – 30/03/13)


* Jack – O Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer, 2013) – Somando-se ao time das adaptações mais sombrias de clássicos contos de fadas, que já tinha “A Garota da Capa Vermelha” (2011), “Branca de Neve e o Caçador” (2012) e “João e Maria: Caçadores de Bruxas” (2013), entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 29/03/13, a história dos feijões mágicos que em contato com água brotam árvores imensas que levam para um mundo acima das nuvens, habitado por gigantes que apreciam a carne humana. Jack (Nicholas Hoult, de “Meu Namorado é um Zumbi”), é um jovem camponês que recebe alguns feijões misteriosos de um monge em fuga, não imaginando que eles pudessem tornar reais as antigas lendas sobre um perigoso e ameaçador mundo de gigantes. E que ele teria que lutar numa batalha dessas criaturas imensas contra com os humanos, e ainda proteger uma princesa (Eleanor Tomlinson), por quem se apaixonou. Diversão passageira típica do “cinema pipoca”, numa aventura com alguns elementos de horror e história exagerada na fantasia, com opção de exibição em 3D. O destaque do elenco fica para Ewan McGregor, que interpreta o líder da elite dos soldados do rei. Curiosamente, a produtora picareta “The Asylum”, conhecida pelas incríveis tranqueiras de seu catálogo, aproveitou a oportunidade e lançou em paralelo a sua versão, chamada “Jack, o Matador de Gigantes” (Jack, the Giant Killer), exibida no canal de TV a cabo “SyFy”. O filme é muito ruim, o roteiro é extremamente patético, o elenco é medíocre e os efeitos de CGI são tão vagabundos, que o destino inevitável  dessa tosquice é o limbo eterno. (RR – 06/04/13)


* Mama (Mama, 2013) – Um ótimo e cultuado curta metragem espanhol de 2008, de apenas 3 minutos, serviu de inspiração para esse longa dirigido por Andy Muschietti e produzido por Guillermo del Toro, e que estreou nos cinemas em 05/04/13. Transtornado pela falência de sua empresa, um pai mata a esposa e sequestra as duas filhas pequenas. Após um acidente com o carro pela estrada escorregadia de neve e cercada por uma floresta, eles encontram uma cabana aparentemente abandonada. Após cinco anos de sumiço das crianças, elas são encontradas misteriosamente nessa cabana e após resgatadas, vão morar com o tio e a namorada. Porém, além da difícil adaptação no retorno à civilização, as coisas se complicam com a presença ameaçadora de um fantasma perturbado intimamente ligado às garotas. História interessante que prende a atenção do espectador, destacando-se boas cenas de sustos, que apesar de utilizar-se do velho clichê do aumento de som repentino, ainda soam eficientes. Porém, a escolha de um final fantasioso e exagerado demais, prejudicou o clima sinistro construído na história, e fez de “Mama” apenas mais um filme comum entre tantos com a temática de fantasmas vingativos. (RR – 07/04/13)


* Morte do Demônio, A (Evil Dead, 2013) – O diretor uruguaio Fede Alvarez, que passou a ser conhecido após o sucesso de seu curta “Ataque de Pánico!” (2009), onde robôs gigantes atacam a cidade de Montevideo, foi o escolhido por Sam Raimi para dirigir e escrever o novo “Evil Dead”. Não sendo exatamente nem uma refilmagem nem uma continuação, mas sim um filme inspirado na história original do clássico do início dos anos 1980, a marca da franquia continua de certa forma honrada. Sem fazer comparações, que são desnecessárias, pois o filme original é intocável, essa nova releitura do universo ficcional de “Evil Dead” é extremamente violenta, com sangue para todos os lados e a todo momento, como não se via há tempos no cinema comercial. Estreando nas telonas brasileiras em 19/04/13 com cópias legendadas (ainda bem), o roteiro mostra um grupo de cinco jovens, duas moças e três rapazes, que vão passar alguns dias numa cabana isolada na floresta, com o objetivo principal de ajudar uma das meninas a largar as drogas, as quais quase a levaram à morte. Porém, após descobrirem um misterioso livro de magia negra no porão da cabana, e terem inadvertidamente invocado palavras proibidas de suas páginas, um poderoso demônio é libertado e passa a possuir os corpos de suas vítimas, com direito a uma overdose de violência explícita entre mutilações, desmembramentos e banhos literais de sangue. O novo “Evil Dead” não tem humor, numa decisão acertada de Fede Alvarez, e assim como no original, a calmaria do início logo é substituída pelo horror sangrento, e a porradaria e o clima depressivo quase não dão trégua, mantendo a tensão até o desfecho. E, curiosamente, vale uma conferida até o final dos créditos, reservado para uma apoiada homenagem. Altamente recomendável. (RR – 21/04/13)


* Oblivion (Oblivion, 2013) – Dirigido por Joseph Kosinski, baseado em graphic novel de sua autoria e estrelado por Tom Cruise e Morgan Freeman, “Oblivion” é uma FC ambientada em 2077 que entrou em cartaz nos cinemas em 12/04/13. Alienígenas interessados em tomar a Terra, explodem nossa lua, e com isso uma sucessão de eventos da natureza como terremotos e tsunamis causam grande destruição em boa parte do planeta, preparando o campo para uma invasão. A única solução encontrada pela humanidade é atacar com armas nucleares, expulsando os alienígenas e destruindo quase tudo na Terra. Humanos sobreviventes vivem numa estação espacial preparando-se para colonizar uma das luas de Saturno, porém eles precisam recolher a água dos oceanos como fonte de energia através de imensas plataformas de sucção. Para fazer a manutenção de robôs bélicos que protegem as plataformas de ataques de alienígenas remanescentes que vagam à noite pelo planeta destruído, uma das equipes é fomada pelo casal Jack (Tom Cruise) e Victoria (Andrea Riseborough). Após Jack, numa missão de averiguação da queda de uma nave do espaço, encontrar uma mulher misteriosa, Julia (Olga Kurylenko), que sempre apareceu em seus sonhos, os eventos passam a tormar um rumo diferente, com questionamentos constantes sobre a realidade dos fatos. Tom Cruise está muito bem fazendo o tradicional papel em que ele é especialista, numa história cheia de reviravoltas e muita ação num ambiente de ficção científica, com impressionantes efeitos visuais. O veterano Morgan Freeman, cujo nome já é um convite para ver qualquer filme com ele, tem uma participação pequena, mas de fundamental importância. (RR – 14/04/13)


* Oz: Mágico e Poderoso (Oz the Great and Powerful, 2013) – Aventura infanto-juvenil com exagerados elementos de fantasia e um pouco de horror sutil, dirigida por Sam Raimi (o criador do sangrento e cultuado “The Evil Dead” em 1982), e que estreou nos cinemas brasileiros em 08/03/2013, com a opção de exibição em 3D. O ator James Franco interpreta Oscar Diggs (também conhecido apenas como “Oz”), um mágico pouco convincente e charlatão de um circo decadente, que a bordo de um balão em fuga, acaba entrando no interior de um violento tornado que o leva para um mundo alternativo, povoado por seres de um típico universo de fantasia. Nesta misteriosa “Terra de Oz”, há uma luta por liberdade, num eterno duelo entre o Bem e o Mal, com a liderança de três bruxas rivais, e onde o mágico terá que escolher seu lado no conflito. O filme é uma diversão descompromissada, apresentando uma história com liberdade de criação, especulando eventos que antecedem o conhecido clássico “O Mágico de Oz” (1939), baseado no universo ficcional de L. Frank Baum. (RR – 12/03/13)


* The Pact (2012) – A jovem Annie (Caity Lotz) retorna para a casa onde passou a infância devido à morte de sua mãe, com quem mantinha um relacionamento conturbado. Após o desaparecimento misterioso de sua irmã e prima, e do detetive policial que investigava o sumiço das mulheres, a jovem decide tentar descobrir a verdade por conta própria e se depara com eventos sobrenaturais e segredos obscuros de sua família. Thriller ligeiramente acima da média com algumas boas cenas de suspense passageiro, entre aparições de fantasmas perturbados e assassinatos misteriosos. Curiosamente, tem a presença de Casper Van Dien como o policial Creek, ele que foi o soldado Johnny Rico do ótimo “Tropas Estelares” (1997). (RR – 03/05/13)

Comentários curtos de cinema - Parte 4 (03/02 a 04/03/13)

Filmes abordados:

Corrente do Mal, A (Chain Letter, EUA, 2010)
Cowboys & Aliens (EUA, 2011)
Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, EUA.2013)
Fogo Contra Fogo (Fire With Fire, EUA, 2012)
Frankenweenie (EUA, 2012)
Godzilla vs. Megalon (Gojira tai Megaro, Japão, 1973)
Inatividade Paranormal (A Haunted House, EUA, 2013)
Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies, EUA, 2013)
ParaNorman (EUA, 2012)





* Corrente do Mal, A (Chain Letter, 2010) – Mistura de “slasher” e “torture porn”, não acrescentando nada para qualquer um dos dois subgêneros do Horror. Um psicopata envia correntes de mensagens por e-mail para adolescentes, ameaçando-os de morte caso não continuem a distribuí-las ou decidam por apagá-las de seus modernos telefones celulares. Alguns deles não obedecem as orientações e sentem na pele a dor de correntes rasgando seus corpos. Com fotografia muito escura e roteiro confuso, além de um nome nacional oportunista, o filme apresenta algumas cenas de mortes sangrentas, e uma ideia até razoável de crítica à falta de privacidade das pessoas, escravas da tecnologia. Mas, é apenas mais um filme dispensável, perdido numa infinidade de produções similares. (RR – 10/02/13)


* Cowboys & Aliens (2011) – Com estréia em nossos cinemas em 09/09/2011, produção executiva de Steven Spielberg e elenco liderado por Daniel Craig e Harrison Ford, “Cowboys & Aliens” é baseado numa história em quadrinhos e mistura elementos de western e ficção científica, num resultado de puro entretenimento. Ambientado em 1873 no selvagem oeste americano, um homem (Craig) acorda sem memória e com um estranho bracelete futurista no pulso esquerdo. Mais tarde, ele descobre então que é procurado pela lei e se envolve numa confusão numa pequena cidade, controlada por um influente criador de gados (Harrison Ford). Porém, eles terão que unir forças para combater uma ameaça vinda dos céus, onde misteriosas máquinas voadoras e com grande poder de destruição, estão atacando e sequestrando os habitantes. (RR – 24/02/13)


* Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, 2013) – Drama com fantasia exagerada e algumas doses sutis de horror, num estilo similar à saga “Crepúsculo”, dando início a uma franquia voltada principalmente para o público adolescente. Apresenta basicamente aquela mesma história tediosa de romance em meio a elementos sobrenaturais, nesse caso, magia e bruxaria, despertando saudades dos verdadeiros filmes de horror, com sangue em profusão e violência perturbadora. Estreou nos cinemas brasileiros em 01/03/13, mostrando um garoto que vive numa pequena e desanimadora cidade no interior dos Estados Unidos, que se apaixona pela nova aluna recém chegada, que faz parte de uma família misteriosa formada por conjuradores com poderes mágicos. O maior desafio da garota será administrar sua relação amorosa com o jovem e a chegada de seu 16º aniversário, data na qual é definida sua inclinação de bruxa da luz ou das trevas. A citação do autor de FC Kurt Vonnegut Jr. e sua obra “Matadouro 5”, e a brincadeira com o ainda não filmado “Premonição 6” (com o erro proposital no nome original) são pontos positivos, além da beleza simples e natural da jovem bruxa. E só. (RR – 03/03/13)


* Fogo Contra Fogo (Fire With Fire, 2012) – Filme de ação que estreou nos cinemas brasileiros em 08/02/13, com Bruce Willis num papel menor. Um bombeiro (Josh Duhamel) testemunha o assassinato frio do dono de uma loja de conveniências e seu filho adolescente, pelo temido líder de uma gangue (Vincent D´Onofrio). Ele decide ajudar a polícia, sob a liderança do Tenente Mike Cella (Bruce Willis), aceitando testemunhar contra o criminoso num julgamento, e por isso passa a fazer parte de um programa de proteção de testemunhas, apaixonando-se pela policial interpretada por Rosario Dawson. Porém, os criminosos aumentam seus esforços para tentar impedi-lo de testemunhar. Diversão passageira onde não faltam os tradicionais clichês do gênero com tiroteios, perseguições e assassinatos, além do protagonista revelar-se um inverossímil e bem sucedido vingador. Curiosamente, outro filme de ação também recebeu o mesmo título nacional: trata-se de “Heat” (1995), com Al Pacino, Robert De Niro, Val Kilmer e Jon Voight. (RR – 17/02/13)


* Frankenweenie (2012) – Divertida e recomendável animação com elementos de horror, dirigida por Tim Burton e com vozes de Martin Landau e Winona Ryder, entre outros. O cineasta é especialista em filmes voltados para o público infanto juvenil com temas obscuros como os anteriores “Alice no País das Maravilhas” (2010), com Johnny Depp, e as também animações “A Noiva Cadáver” (2005) e “O Estranho Mundo de Jack” (1993), este último como roteirista. “Frankenweenie” tem fotografia em preto e branco e já havia sido filmado por Burton em 1984 num curta metragem. É uma homenagem ao cinema de horror do passado, especialmente os clássicos da produtora “Universal”, “Frankenstein” e “A Noiva de Frankenstein”, da década de 1930. Um garoto tem seu cão de estimação morto num atropelamento, e inspirado pelas aulas de Ciências, decide tentar trazê-lo de volta à vida num experimento com eletricidade. Ele obtém sucesso, mas seus amigos de escola, querendo copiar sua ideia, também fazem a mesma experiência, mas com consequências bem piores. (RR – 11/02/13)     


* Godzilla vs. Megalon (Gojira tai Megaro, 1973) – Filme japonês de monstros, bagaceiro ao extremo. O Japão está realizando testes nucleares numa ilha, causando terremotos e fissuras que chamam a atenção de uma civilização chamada “Seatopia”, que vive secretamente abaixo do mar. Sentindo-se ameaçados, eles decidem atacar a capital Tóquio e enviam o monstro “Megalon”, que voa e solta bolas explosivas de fogo pela boca. Para auxiliá-lo no ataque é também recrutado um outro monstro espacial, “Gigan”. Porém, para a defesa os japoneses contam com o robô “Jet Jaguar” (similar ao “Ultraseven”), que tem a ajuda sempre providencial do popular “Godzilla”. Tranqueira absurdamente tosca de uma época sem computação gráfica, onde os efeitos especiais eram realizados com maquetes e maquiagens, e que diverte justamente por isso. Tudo é ruim demais, desde os atores, a história, e principalmente a luta dos monstros num estilo comédia pastelão “gigantes do ringue”, com os monstros realizando movimentos que desafiam as leis da física (sempre imagino como aqueles atores vestidos em roupas de borracha simulando monstros deviam se divertir com o que faziam...). A cópia que tive acesso é um DVD original japonês com legendas em inglês e curiosamente, o monstro “Megalon” inspirou com seu sonoro e interessante nome a escolha do título do lendário fanzine brasileiro de Ficção Científica e Horror, editado por Marcello Simão Branco, que teve 71 edições entre 1988 e 2004. (RR – 25/02/13)     


* Inatividade Paranormal (A Haunted House, 2013) – Comédia com elementos de horror, que estreou nos cinemas brasileiros em 01/02/13, e que tem no elenco o comediante Marlon Wayans (que também foi o co-roteirista), conhecido pela popular franquia similar “Todo Mundo em Pânico” (Scary Movie). Malcolm (Wayans) convida sua namorada Kisha (Essence Atkins) para morar com ele. Porém, os problemas começam a surgir depois que descobrem que existe um fantasma maligno perturbando a casa (daí o título original), e pedem ajuda para um grupo excêntrico formado por um padre ex-presidiário, um médium homossexual e dois caçadores de fantasmas oportunistas. O roteiro é uma paródia principalmente da franquia “Atividade Paranormal”, com citações para outros filmes de horror como “A Filha do Mal” e “O Último Exorcismo”, e apresenta cenas exageradas envolvendo sexo e consumo de drogas. Até tem alguns momentos engraçados, mas no geral é dispensável. (RR – 03/02/13)     


* Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies, 2013) – Outra comédia com elementos de horror, que entrou em cartaz nos cinemas em 08/02/13. Uma contaminação de proporções globais assola nosso planeta dividindo-o em três espécies: os humanos sobreviventes do contágio, que vivem entrincheirados lutando constantemente por suas vidas num mundo a caminho da extinção; os mortos-vivos ou “cadáveres”, que apenas caminham de forma instintiva à procura de alimento (carne e cérebros dos humanos); e os “esqueléticos”, criaturas ameaçadoras e violentas que também foram infectadas e perderam a pele com o passar do tempo. Nesse ambiente de caos, um rapaz “cadáver”, inesperadamente salva uma jovem garota humana não infectada de um ataque de zumbis, criando um estranho e incomum laço de amizade que culmina numa sucessão de eventos que podem alterar a ordem das coisas e gerar um sentimento de esperança numa civilização à beira do colapso. Apesar do nome nacional oportunista e “meloso”, o filme pode ser considerado uma interessante e divertida surpresa, contrapondo-se ao tradicional desfecho pessimista e depressivo dos filmes de zumbis, com um roteiro simpático que nos convida a torcer pelo sucesso do casal de protagonistas. (RR – 11/02/13)


* ParaNorman (2012) – Animação com elementos de horror, que estreou nos cinemas brasileiros em 07/09/2012. Norman Babcock é um garoto que sofre “bullyng” constante na escola porque possui a habilidade de ver fantasmas e se comunicar com os mortos. Enfrentando dificuldades de aceitação até pela própria família, ele é apoiado pelo colega obeso Neil, que tem o mesmo problema de rejeição na escola. Porém, Norman não imaginaria que seus poderes sobrenaturais seriam fundamentais para enfrentar uma antiga maldição envolvendo a condenação de uma suposta bruxa e seus inquisidores, na tentativa de salvar sua pequena cidade dessa terrível ameaça. Com uma avalanche de produções de animação voltadas para o público infantil, muitas delas bem divertidas, é sempre bom ver que temos também algumas com temáticas mais sombrias, trazendo interessantes elementos do cinema fantástico. (RR – 04/03/13)

Comentários curtos de cinema - Parte 3 (06/01 a 02/02/13)


Filmes abordados:

Demônio, O (Il Demonio, Itália / França, 1963)
Django Livre (Django Unchained, EUA, 2012)
Evil of Dracula (Chi o suu bara, Japão, 1974)
Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania, EUA, 2012) animação
João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, EUA / Alemanha, 2013)
Maldição da Caveira, A (The Skull, Inglaterra, 1965)
Slaughter High (Slaughter High, EUA / Inglaterra, 1986)
Último Desafio, O (The Last Stand, EUA, 2013)
Viagem, A (Cloud Atlas, EUA / Alemanha / Hong Kong / Singapura, 2012)





* “Demônio, O” (Il Demonio, 1963) – Numa co-produção entre Itália e França e com fotografia em preto e branco, esse filme informa que sua história é baseada em fatos reais. Numa pequena cidade italiana, uma mulher se envolve com bruxaria por causa de um amor não correspondido, e torna-se perseguida pelos aldeões católicos e extremamente supersticiosos, que acreditam que ela está possuída pelo demônio. A narrativa é bem arrastada, mas vale a pena conhecer devido pelo menos dois motivos: a cena da mulher suportamente endemoniada andando na igreja no melhor estilo “aranha”, e que deve ter inspirado momento similar no clássico “O Exorcista” (versão do diretor), e pelos exagerados rituais religiosos de pessoas patéticas que gostam de exercer seu lado inquisidor. (RR – 27/01/13)     


* “Django Livre” (Django Unchained, 2012) – Estreou nos cinemas brasileiros em 18/01/13 mais um filme dirigido e escrito pelo cultuado Quentin Tarantino. Um caçador de recompensas, Dr. King Schultz (Cristoph Waltz), convoca um escravo negro, Django (Jamie Foxx), para ajudá-lo a localizar alguns homens procurados pela lei. O sucesso da parceria acaba tornando-os sócios e ambos partem para tentar resgatar a esposa de Django, Broomhilda (Kerry Washington), escrava na plantação de um rico fazendeiro, Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). Interessante western com uma violenta história de vingança repleta de mortes e tiroteios sangrentos. Tem também algumas cenas extremamente hilárias como a discussão entre os homens que pretendiam emboscar o Dr. Schultz e Django, e reclamavam do desconforto das máscaras que ocultavam seus rostos.  (RR – 28/01/13) 


* “Evil of Dracula” (1974) O professor Shiraki (Toshio Kurosawa) chega numa escola de garotas numa pequena cidade para lecionar. Porém, ao conhecer o diretor (Shin Kishida), fica surpreso ao ser informado que deverá substituí-lo no cargo. Mas esse será o menor de seus desafios, pois além de enfrentar pesadelos onde é atormentado por vampiros, estão ocorrendo misteriosos desaparecimentos das estudantes, levando-o juntamente com o médico da escola, Doc Shimimura (Kunie Tanaka), a investigar o mistério que assombra o lugar. Produção japonesa de 1974, “Evil of Dracula” possui claras referências aos filmes de vampiros da produtora inglesa “Hammer”, procurando utilizar a mesma ambientação gótica e estilo característico. O filme é a terceira parte de uma série de vampiros do mesmo diretor, sucedendo “Fear of the Ghost House: Bloodsucking Doll” (1970) e “Lake of Dracula” (1971). (RR – 02/02/13)  


* “Hotel Transilvânia” (Hotel Transylvania, 2012) – Animação da “Sony” com elementos de horror que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 05/10/2012. O famoso vampiro Drácula construiu e administra um enorme hotel no alto de uma montanha afastada, para receber exclusivamente todo tipo de monstros e criaturas, as quais poderiam descansar e se divertir longe da “ameaça” da humanidade. Porém, as coisas se complicam quando um garoto mochileiro encontra o lugar e conhece a filha adolescente de Drácula, que está cansada de viver isolada e sem amigos. O roteiro é meio infantilóide, diferente de outras animações mais interessantes que utilizam elementos fantásticos como “Monstros S.A.” ou “Monstros vs. Alienígenas”. E vale quase que somente pela homenagem aos monstros clássicos do cinema de horror como “Drácula”, “Criatura de Frankenstein”, “Lobisomem” e “Homem Invisível”, entre outros. (RR – 22/01/13)     


* “João e Maria: Caçadores de Bruxas” (Hansel & Gretel: Witch Hunters, 2013) – Reforçando uma tendência no cinema fantástico com adaptações mais sombrias de clássicos contos de fadas, como já ocorreu com “Branca de Neve e o Caçador” (2012) e “A Garota da Capa Vermelha” (2011), estreou nos cinemas brasileiros em 25/01/13, a história dos Irmãos Grimm sobre João e Maria e seu envolvimento com uma casa de doces habitada por uma bruxa. Agora não mais crianças e sim jovens caçadores de recompensas, com habilidades notáveis no manuseio de armas e lutas violentas, além de uma sede de vingança na caça sangrenta de bruxas malignas. Em resumo, é apenas mais uma história descartável e previsível (bem contra o mal), carregada de fantasia e exagerada nas cenas de ação com tiroteios barulhentos em efeitos de computação gráfica. E é incrível como o público gosta dessas bobagens dispensáveis, com salas de cinema cheias. É tão patético que até um grotesco troll passa para o lado do bem... (RR – 25/01/13)     


* “Maldição da Caveira, A” (The Skull, 1965) – Produção inglesa do estúdio rival da “Hammer”, o igualmente cultuado “Amicus”, com direção de Freddie Francis, roteiro de Milton Subotsky (a partir do livro “The Skull of the Marquis De Sade”, de Robert Bloch), e com a dupla dinâmica Peter Cushing e Christopher Lee. Depois dessa apresentação dos envolvidos, é desnecessário mencionar que a diversão é garantida. O Dr. Christopher Maitland (Cushing) é um estudioso de demonologia, colecionador de objetos relacionados a crimes, magia negra e feitiçaria, e escritor de livros sobre esses assustadores temas. Seu amigo Sir Matthew Phillips (Lee) também é colecionador dos mesmos tipos de objetos e obras de arte, e consequentemente um adversário nos arremates de interessantes peças em leilões. Porém, os problemas vêm à tona após o surgimento de uma misteriosa caveira (que dizem ser do famoso e sádico Marquês de Sade), na coleção de Maitland, iniciando um rastro de mortes violentas e trazendo a insanidade ao seu proprietário. Indispensável para os fãs dos antigos filmes ingleses da “Hammer” e “Amicus”. (RR – 06/01/13)     


* “Slaughter High” (1986) – Típico slasher dos anos 80, perdido numa infinidade de produções similares. Um garoto nerd é constantemente vítima de brincadeiras de mau gosto dos colegas de escola, até que ocorre um acidente no laboratório, que se incendeia e um produto químico desfigura o rosto do rapaz. Anos mais tarde, esse mesmo grupo de estudantes recebe um convite para uma reunão de confraternização na antiga escola, agora um prédio abandonado e prestes a ser demolido. Uma vez presos no local, eles são obrigados a lutar por suas vidas, quando um assassino está agindo com requintes de crueldade, num óbvio plano de vingança. O roteiro é patético de tão previsível, restando ao espectador apenas relaxar e tentar se divertir em meio às cenas de mortes sangrentas e tentativas de suspense nas perseguições do assassino. No elenco, temos a cultuada atriz inglesa Caroline Munro. (RR – 07/01/13)     


* “Último Desafio, O” (The Last Stand, 2013). Filme que estreou nos cinemas brasileiros em 18/01/13 e marca o retorno de Arnold Schwarzenegger aos filmes de ação, sua marca registrada, após ficar afastado por envolvimento com a política. Um perigoso chefe do tráfico de drogas é resgatado de um combio que o levava para a pena de morte, e a bordo de um carro super veloz tenta fugir para a fronteira dos Estados Unidos com o México. Para impedí-lo, após o fracasso de equipes do FBI e SWAT, resta ao xerife (Schwarzenegger) de uma pequena cidade do interior, que era um experiente policial de Los Angeles, tentar evitar que o fugitivo cruze a fronteira. Ação, perseguições e tiroteios exagerados, com os costumeiros clichês e situações inverossímeis, mas cujo resultado é garantia de diversão certa, principalmente pela presença de Schwarzenegger, mais velho, porém ainda carismático como sempre. Ainda tem um bom elenco de apoio com Forest Whitaker e Peter Stormare, além da presença do brasileiro Rodrigo Santoro como coadjuvante e ganhando cada vez mais espaço em Hollywood. (RR – 28/01/13)     


* “Viagem, A” (Cloud Atlas, 2012) – Produção milionária dos mesmos criadores da trilogia “Matrix”, os irmãos Andy e Lana Wachowski, e com elenco famoso liderado por Tom Hanks e Halle Berry, que estreou nos cinemas brasileiros em 11/01/13. É um épico de quase três horas de duração apresentando seis histórias ambientadas em épocas e locais diferentes, do passado de meados do século XIX ao futuro pós-apocalíptico, com os mesmos atores interpretando vários papéis, e todos os eventos conectados entre si de alguma forma, com elementos de drama, thriller e ficção científica. (RR – 13/01/13)     

Comentários curtos de cinema fantástico Parte 2 – (01 a 31/12/12)

Filmes abordados:

Abraham Lincoln vs. Zombies (Abraham Lincoln vs. Zombies, EUA, 2012)
Apartment 143 (Apartment 143 – Emergo, Espanha, 2011)
Armadilha (ATM, EUA / Canadá, 2012)
Claustrofobia (Claustrofobia, Holanda, 2011)
Corvo, O (The Raven, EUA / Hungria / Espanha, 2012)
Do Além (Beyond, EUA, 2012)
Exit Humanity (Exit Humanity, Canadá, 2011)
Enter Nowhere (Enter Nowhere, EUA, 2011)
Gigante Monstro Gila, O (The Giant Gila Monster, EUA, 1959)
Hard Rock Zombies (Hard Rock Zombies, EUA, 1985)
Hobbit – Uma Jornada Inesperada, O (The Hobbit – An Unexpected Journey, EUA / Nova Zelândia, 2012)
Hotel (Hotel, Alemanha / Áustria, 2004)
Livide (Livide, França, 2011)
Occupant (Occupant, EUA, 2011)
Pesadelo no Vale da Morte (Death Valley, EUA, 1982)
Q – A Serpente Alada (Q – The Winged Serpent, EUA, 1982)
Vila das Sombras (Le Village des Ombres, França, 2010)
Vingador, O (Hobo With a Shotgun, Canadá, 2011)




* “Abraham Lincoln vs. Zombies” (2012) – Tranqueira produzida pela “The Asylum”, estúdio especializado em copiar a ideia de filmes com apelo comercial e popular, lançando suas próprias versões logo em seguida. Esse filme, inspirado em “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”, apresenta o tão cultuado presidente dos Estados Unidos entre 1861 e 1865, partindo para o campo de batalha junto com um grupo de agentes especiais para retomar um forte controlado pelos confederados na guerra civil. Porém, o que eles realmente encontram e precisam enfrentar na verdade é um exército de zumbis formado por soldados e a população local, vítimas de uma misteriosa infecção. Roteiro ridículo com todos os mesmos e cansativos clichês de filmes de mortos-vivos, não acrescentando nada ao sub-gênero. Dispensável. (RR – 25/12/12)     


* “Apartment 143 (Apartment 143 – Emergo, 2011) – Mais um filme explorando o já exaustivo subgênero do “found footage”. Uma equipe com dois técnicos em equipamentos eletrônicos para captação de imagens e um cientista, é chamada para investigar a ocorrência de fenômenos não explicados no apartamento de uma família formada pelo pai, um filho pequeno e uma filha adolescente, cuja mãe morreu tragicamente num acidente de carro, e que parece não estar em paz, ainda rondando o local. História de fantasma com algumas boas cenas de tensão, mas de uma forma geral é exagerado e fantasioso demais. (RR – 01/12/12)     


* “Armadilha” (ATM, 2012) – Três jovens (dois rapazes e uma moça), que trabalham juntos, saem de uma festa de confraternização de final de ano, e param num ATM (local como é conhecido nos Estados Unidos e Canadá, com caixas eletrônicos para saque de dinheiro). Porém, no momento de saírem, são surpreendidos por um homem desconhecido e violento, que sem motivo aparente, os mantém sitiados, obrigando os jovens a lutarem por suas vidas. Interessante thriller com um maníaco fazendo um jogo de tortura psicológica com suas vítimas, com um clima constante de tensão, apesar de algumas situações inverossímeis. (RR – 21/12/12)     


* “Claustrofobia” (2011) – Uma bela jovem e ainda indecisa estudante de veterinária aluga um apartamento, não imaginando a imensa confusão que enfrentaria com o vizinho do andar de baixo, um também jovem médico, porém cheio de mistérios e atormentado por um grave trauma de infãncia relacionado ao título do filme. Interessante e divertido thriller holandês, e apesar de algumas situações inverossímeis, entre elas a incrível incompetência da polícia local, consegue manter o clima de tensão. (RR – 28/12/12)     


* “Corvo, O” (The Raven, 2012) – História ambientada na cidade americana de Baltimore em meados do século XIX, onde um “serial killer” está cometendo violentos assassinatos inspirados em poemas do hoje cultuado escritor Edgar Allan Poe. E o próprio Poe (John Cusack), que aprecia bebidas alcoólicas, é intimado pela polícia local, através do Detetive Fields (Luke Evans), a auxiliar nas investigações na captura do psicopata, principalmente depois que a namorada do escritor, Emily Hamilton (Alice Eve), foi sequestrada. Com um roteiro especulando os últimos e misteriosos dias na vida real de Poe, o filme não consegue evitar algumas situações exageradas nas ações sempre bem sucedidas do assassino, esbarrando nos velhos clichês que costumam desgastar o estilo. (RR – 24/12/12)     


* “Do Além” (Beyond, 2012) – Um detetive prestes a se aposentar, especializado em localizar crianças sequestradas, recebe uma última missão: desvendar o mistério e encontrar uma menina de sete anos, sobrinha de seu chefe na polícia, e filha de um casal em crise conjugal. Para isso, ele recebe a ajuda de um jovem vidente e sensitivo, que afirma receber sinais da criança desaparecida. Thriller típico da tediosa sessão “Super Cine” da TV Globo, com uma história clichê e desfecho comum e previsível. A única coisa que se salva é a presença do veterano ator Jon Voight (que faz o detetive), mais em respeito a sua bem sucedida carreira do que propriamente pelo papel nesse filme dispensável. (RR – 29/12/12)     


* “Enter Nowhere” (Enter Nowhere, 2011) – Thriller com elementos de horror e ficção científica. Três pessoas (um homem e duas mulheres) se encontram aleatoriamente numa misteriosa cabana no meio de uma floresta com noites geladas. Tentando inicialmente sobreviver ao frio e fome, aos poucos vão se conhecendo e descobrindo revelações surpreendentes sobre suas vidas e o motivo de se encontrarem, principalmente após surgir mais outro personagem igualmente misterioso na trama, um soldado alemão da Segunda Guerra Mundial. Um roteiro interessante que prende a atenção do espectador, ávido pela revelação dos acontecimentos. (RR – 16/12/12)     


* “Exit Humanity” (2011) – Outro filme situado no desgastado subgênero dos zumbis, dessa vez com produção canadense e história ambientada no século 19, mais precisamente durante a guerra civil americana, no Estado do Tennessee.  Um homem está no campo de batalha e além do inimigo de guerra, tem que enfrentar também mortos-vivos que se alimentam de carne humana e somente são abatidos definitivamente com ferimentos na cabeça. Ele perde sua família, esposa e filho de 11 anos, vítimas dos zumbis, e em sua trajetória em meio ao caos, encontra outras pessoas não infectadas com quem estabelece um vínculo de amizade, e também militares paranóicos com comportamentos piores que os mortos. Mais do mesmo, perdido na infinidade de produções similares, com todos os clichês já largamente explorados, mudando apenas a ambientação, num filme lento e longo demais (quase duas horas). (RR – 31/12/12)     


* “Gigante Monstro Gila, O” (The Giant Gila Monster, 1959) – Bagaceira incrivelmente ruim, produzida nos saudosos anos 50 do século passado. Numa pequena cidade do interior do Estado americano do Texas, uma série de misteriosos desaparecimentos de pessoas e acidentes rodoviários intriga a polícia, e as evidências sugerem ser obra de ataques de um lagarto gigantesco. O xerife Jeff (Fred Graham), auxiliado pelo jovem Chase Winstead (Don Sullivan), um mecânico influente entre os adolescentes locais, partem para a investigação e confronto com o monstro. De tão ruim até diverte, com um roteiro banal e exageradamente inocente. O lagarto é real, filmado andando entre maquetes, simulando um tamanho descomunal (efeito também utilizado em outras produções como “Viagem ao Centro da Terra”, 1959, e “O Mundo Perdido”, 1960). Lançado em DVD no Brasil pela “FlashStar” em sua “Classic Colection”, com o original em PB e também a versão colorizada digitalmente. (RR – 02/12/12)     


* “Hard Rock Zombies” (1985) – Mistura de comédia e musical com elementos de horror, escrita e dirigida por um indiano chamado Krishna Sha. Uma banda de hard rock está a caminho de uma pequena cidade para um show, porém são mal recebidos pela estranha população local, que prepara um boicote. Depois de mortos por eles, a banda retorna como zumbis para salvar uma jovem garota por quem o vocalista se apaixonou. Sou um apreciador declarado de filmes bagaceiros, mas existem exceções como essa tranqueira sonolenta e sem graça, com atuações péssimas. Foi uma verdadeira tortura aguentar os 98 minutos de uma história ridícula misturando lobisomem, zumbis, anões, nazistas (até o próprio Hitler aparece), etc... Totalmente dispensável, é um daqueles filmes que contribuem para depreciar o gênero. (RR – 31/12/12)     


* “Hobbit – Uma Jornada Inesperada, O” (The Hobbit – An Unexpected Journey, 2012) – O cineasta Peter Jackson retorna ao universo sombrio do escritor J. R. R. Tolkien, após a fantástica trilogia “O Senhor dos Anéis”, produzida entre 2001 e 2003. Dessa vez, ele inicia uma nova trilogia, inspirada no livro “The Hobbit”. O mago Gandalf (Ian McKellen) convoca o pacífico hobbit Bilbo Baggins (Martin Freeman) para fazer parte de uma incrível aventura junto com um grupo de treze anões, liderados pelo guerreiro Thorin (Richard Armitage). Eles partem para uma missão extremamente perigosa: retomar seu antigo lar Erebor, localizado numa montanha rica em ouro, que pertence agora ao imenso e terrível dragão Smaug. No caminho, eles enfrentam a morte o tempo inteiro, combatendo trolls, wargs, orcs e goblins. Ambientado antes de “O Senhor dos Anéis”, o filme é simplesmente fantástico, com três horas de puro cinema de entretenimento, numa história recheada de elementos de horror e fantasia sombria. Altamente recomendável. (RR – 23/12/12)     


* “Hotel” (2004) – Desconhecido e estranho filme europeu (co-produção entre Alemanha e Áustria), misturando elementos de drama e horror sutil. A ação se passa num hotel localizado em alguma região inóspita, cercada por bosques, onde uma jovem chega para trabalhar, e precisa enfrentar um mistério envolvendo o desaparecimento da colega anterior que estava em seu posto de trabalho. Exageradamente lento, é um convite ao sono, com tentativas sem sucesso de criação de uma atmosfera sombria, mas passando longe de qualquer tipo de sentimento ligado ao horror. (RR – 09/12/12)     


* “Livide” (2011) – Dirigido pelos mesmos cineastas Alexandre Bustillo e Julien Maury, responsáveis por “A Invasora” (2007), um dos grandes filmes do cinema de horror extremo francês. Porém, agora eles deixaram de lado a violência gráfica e partiram para uma história mais psicológica, com menos sangue. Uma jovem começa a trabalhar de ajudante de enfermagem, acompanhada de uma enfermeira mais experiente, visitando idosos que precisam de cuidados. Nessas visitas, ela recebe a informação sobre uma velha em estado vegetativo, que aguarda a morte numa mansão misteriosa próxima de um pântano, e que existe uma lenda sobre um tesouro escondido na imensa casa. Mais tarde, a jovem aprendiz e dois amigos decidem invadir o local à noite para procurar o tesouro, mas encontram coisa pior. A dupla de cineastas procurou mudar o rumo de seu filme anterior, apostando numa história mais sutil, mas o resultado não agradou totalmente, esbarrando num roteiro confuso. Mesmo assim, vale conhecer devido alguns bons momentos de tensão e mistério. (RR – 28/12/12)     


* “Occupant” (2011) – Um jovem é chamado para reconhecer o corpo da avó falecida, que vivia sozinha como inquilina num enorme apartamento em Nova Iorque. Ele é persuadido pelo porteiro do prédio e por um advogado a tentar manter o contrato de aluguel com um preço muito inferior ao de mercado, se apossando do apartamento da avó. Para isso, ele teria que ficar preso no interior do imóvel por doze dias, até o despacho da documentação que iria legalizar a transação. Mas os dias passam, tornando sua permanência um grande desafio. Thriller claustrofóbico com elementos de insanidade e mistério que até conseguem prender a atenção do espectador, sem muita exigência. (RR – 22/12/12)     


* “Pesadelo no Vale da Morte” (Death Valley, 1982) – Uma mulher divorciada, Sally (Catherine Hicks), e seu filho pequeno de 11 anos, Billy (Peter Billingsley) saem da agitada New York para o deserto da California (conhecido como o “Vale da Morte” do título), para passar as férias. Lá, eles são recebidos por um antigo namorado da mulher, Mike (Paul Le Mat). Porém, um assassino em série, conhecido por cortar a garganta de suas vítimas com uma faca, está em atividade no local, e passa a ameaçar a família recém chegada. Slasher oitentista meio desconhecido, produzido num período fértil desse sub-gênero, mas ficando à sombra de outros filmes mais badalados como os das franquias “Sexta-Feira 13” e “Halloween”. E a história não empolga, com poucas e discretas mortes e muitos clichês. (RR – 30/12/12)     


* “Q – A Serpente Alada” (Q – The Serpent Winged, EUA, 1982) – Direção e roteiro de Larry Cohen (o mesmo da trilogia “Nasce um Monstro” e outras pérolas como “A Coisa”, de 1985), e com um elenco formado por Michael Moriarty e David Carradine. Em plena cidade de New York, uma misteriosa criatura gigante voadora (chamada de “Q”, do título), está matando violentamente pessoas no alto de prédios. A polícia local, liderada por David Carradine, está investigando as ocorrências e checando evidências numa suposta conexão do monstro alado com uma série de assassinatos de uma seita de culto a um antigo deus azteca. Em paralelo, um pianista desempregado, interpretado por Michael Moriarty, é o único que descobre o ninho do monstro, e tenta obter lucro com essa valiosa informação. Homenagem aos cultuados filmes de monstros dos anos 50, tão divertido quanto eles, onde a serpente alada aparece pouco, em precários efeitos de “stop motion”, mas sempre garantindo o charme dessa produção de baixo orçamento e roubando as cenas. (RR – 31/12/12)     


* “Vila das Sombras” (Le Village des Ombres, 2010) – Um grupo de jovens dividido em dois carros está a caminho de um vilarejo chamado Ruiflec, para visitar os parentes de um deles. Após um evento misterioso ocorrido na estrada, eles encontram a vila de aspecto sinistro. Porém, a partir daí eles terão que lutar por suas vidas e contra uma entidade maligna que não pretende deixá-los ir embora. Thriller francês com elementos de mistério e horror psicológico, com uma ideia central até interessante, envolta numa atmosfera sombria constante, porém com uma narrativa exageradamente lenta em vários momentos, contribuindo para a dispersão da atenção. (RR – 26/12/12)


* “Vingador, O” (Hobo With a Shotgun, 2011) – Produção canadense inspirada num trailer “fake” de “Grindhouse” (2007), da mesma forma como ocorreu com “Machete”. Um homem velho e morador de rua (o ator holandês Rutger Hauer) chega numa pequena cidade dominada por um mafioso, cercada de violência e polícia corrupta. Depois de presenciar tanta criminalidade impune, ele decide se apossar de um potente rifle e fazer justiça com as próprias mãos. Com um roteiro ruim de auto-paródia e exageradamente violento, o filme é uma mistura de ação, comédia e elementos de horror, que vale quase que exclusivamente pela sempre marcante presença do veterano Rutger Hauer (de filmaços como “Blade Runner” e “A Morte Pede Carona”). (RR – 24/12/12)     

Comentários curtos de cinema fantástico - Parte 1 (18 a 25/11/12)


Altar do Diabo, O (The Dunwich Horror, EUA, 1970)
Caçador de Trolls, O (The Troll Hunter, Noruega, 2010)
Cão Branco (White Dog, EUA, 1982)
Criaturas das Profundezas (Humanoids From the Deep, EUA, 1980)
Hellraiser: Revelations (EUA, 2010)
Hora do Espanto, A (Fright Night, EUA, 2011)
Maldição de Samantha, A (Deadly Friend, EUA, 1986)
Piranha 2 (Piranha 3DD, EUA, 2012)
Presas, As (Proie, França, 2010)




* “Altar do Diabo, O” (The Dunwich Horror, 1970) – História de H. P. Lovecraft filmada pela “American International”, com produção executiva de Roger Corman, e elenco liderado pelos então jovens Dean Stockwell e Sandra Dee, além dos veteranos Ed Begley e Sam Jaffe. Um jovem ocultista tenta, através dos ensinamentos do poderoso livro “Necronomicon”, e com o sacríficio de uma bela e jovem mulher, abrir um portal que permitiria a entrada dos “Antigos”, uma raça ancestral que habitava nosso planeta em tempos imemoriais, destruindo a raça humana. Diversão razoável num filme de horror insinuado e com uma atmosfera sinistra constante, faltando talvez uma exploração maior das criaturas indizíveis de Lovecraft. Teve uma nova versão em 2009 da produtora “Nu Image”, com Jeffrey Combs e novamente Dean Stockwell, em outro papel, lançada em DVD no Brasil pela “Focus Filmes” como “Bruxas”. (RR – 25/11/12)     


* “Caçador de Trolls, O” (The Troll Hunter, 2010) – Filme norueguês situado no subgênero “Mockumentary” e “Found Footage”, que apesar de já desgastado, ainda pode render boas histórias. Aqui, é explorada a lenda dos trolls, perigosas criaturas que vivem nas florestas, e que são perseguidas por um experiente caçador caso interfiram no mundo dos humanos. O caçador, por sua vez, é acompanhado por um grupo de jovens cineastas que estão produzindo um documentário sobre o assunto. Bons efeitos especiais e momentos interessantes de tensão e perseguições. (RR – 18/11/12)     


* “Cão Branco” (White Dog, 1982) – Ótima crítica social aos racistas que treinam cães para atacar mortalmente pessoas negras. Escrito e dirigido por Samuel Fuller, o filme prende a atenção o tempo todo, onde acompanhamos a tentativa de um treinador em socializar novamente um cão assassino. Curiosidade: é inevitavelmente engraçado vermos a ira do dono de uma empresa que treina animais selvagens para participarem de filmes, contra um poster do robô R2D2 de “Star Wars”, que estaria atrapalhando seus negócios. (RR – 18/11/12)     


* “Criaturas das Profundezas” (Humanoids From the Deep, 1980) – Monstros marinhos humanóides passam a atacar uma pequena vila de pescadores. As criaturas foram geradas após peixes primitivos se alimentarem de salmões contaminados com um hormônio de crescimento criado em laboratório por uma empresa interessada em investir na região. Sangue e mutilações em doses razoáveis, e algumas cenas de mulheres peladas, num filme mediano produzido por Roger Corman, mas que garante uma boa diversão. Os veteranos Vic Morrow e Doug McClure lideram o elenco. Teve uma refilmagem em 1996, também produzida por Corman. (RR – 20/11/12)


* “Hellraiser: Revelations” (2010) – “Hellraiser” é “Pinhead” e “Pinhead” é o ator “Doug Bradley”. Somado ao roteiro péssimo e filmado às pressas, temos o fato de que não é possivel admitir um filme desse universo ficcional sem Bradley, ou seja, o novo Pinhead está patético interpretado por um ator que nem o nome vale a pena citar. Só para fãs da franquia. (RR – 18/11/12)


* “Hora do Espanto, A” (Fright Night, 2011) – Além desse remake ser muito ruim, não poderei deixar de mencionar o quanto ridículo ficou o personagem Peter Vincent (também não irei citar o nome do ator), que no original de 1985 ficou nas mãos competentes do saudoso Roddy McDowall. Dispensável. (RR – 18/11/12)     


* “Maldição de Samantha, A” (Deadly Friend, 1986) – Da época divertida do diretor Wes Craven, tive o privilégio de ver esse filme nos cinema em meados da saudosa década de 80 do século passado. É apenas mediano, mas diverte numa história de um robô que depois de ser destruído por disparos de um rifle, tem seu cérebro eletrônico transferido para o corpo de uma bela jovem morta num acidente doméstico. A memorável cena da bola de basquete estourando a cabeça de uma velha irritante é clássica. (RR – 18/11/12)


* “Piranha 2 (Piranha 3DD, 2012) – Sequencia de “Piranha” (2010). Apesar de ter sido produzido intencionalmente para não ser levado a sério, o filme é ruim demais. Piranhas assassinas sedentas pelo sangue e famintas pela carne de banhistas, retornam para atacar um parque aquático, invadindo o local pelas tubulações externas. Muito sangue e corpos dilacerados num roteiro ridículo com péssimos elementos de humor. Completamente patético, dá pena ver os veteranos Gary Busey, Christopher Lloyd e David Hasselhorff participarem de uma pocaria dessas, mesmo fazendo paródias de si mesmos. (RR – 20/11/12)


* “Presas, As” (Proie, 2010) – Mais um bom filme do moderno cinema de horror francês, com um roteiro tenso com crítica à destruição do meio ambiente com a contaminação química de uma floresta por uma usina comandada de forma inescrupulosa pelo Homem. Tem boas cenas sangrentas de ataques de javalis enfurecidos. Recomendável. (RR – 18/11/12)

Balada Para Satã (The Mephisto Waltz, EUA, 1971)


 


Nada tenho que não venha de ti, meu mestre, meu príncipe bem amado, meu pai demônio. Não terei outros deuses diante de ti, e devo tudo ao demônio, e ao espírito mal que és tu. Vem, vem, vem,... vem o antecessor, vem demônio, vem príncipe e pai, vem Deus, vem teu nome senhor, vem meu príncipe, vem, vem o antecessor, vem demônio, vem príncipe e pai, vem Deus, vem teu nome senhor, vem, não terei outros deuses diante de ti, e devo todos os dias ao demônio e ao espírito mal que és tu. Vem, vem, meu pai, meu mestre...
- Duncan Ely, à beira da morte.

Dentro do gênero horror, riquíssimo em ideias e estilos, um dos tipos de cinema que mais incomoda e interage com o público é inevitavelmente aquele inspirado em histórias satânicas. O horror aos demônios e tudo aquilo que envolve o Mal absoluto sempre afetou o ser humano, que historicamente é influenciado por crenças e religiões. E nada mais agressivo e repulsivo ao Homem do que o temido Diabo e sua imagem encarnada de tudo que é ruim, como o sofrimento, dor, doenças e morte.
Um dos maiores exemplos é o clássico O Exorcista (1973), de William Friedkin, com sua história de possessão demoníaca em uma pobre garota de apenas 12 anos, e que causou imenso choque e um impacto fulminante no ponto fraco do público: o próprio demônio encarnado na pele de uma inocente criança. Não houve um só espectador que não tenha se sentido atingido ou incomodado em cenas como a sangrenta masturbação da criança possuída com um crucifixo, ou os nojentos vômitos expelidos por ela na forma de jatos gosmentos de bílis esverdeadas.
Esse é o caso do também demoníaco, porém bem menos agressivo, Balada para Satã (1971), que investe no clima de horror psicológico, sem deixar contudo de envolver e incomodar o público.

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers)

Um famoso pianista já idoso e doente terminal com câncer, Duncan Ely, interpretado por Curt Jurgens, faz um pacto com o demônio para voltar à vida no corpo de um jovem jornalista e também pianista sem sucesso chamado Myles Clarkson, interpretado por Alan Alda. O Sr. Duncan na verdade é um adorador do diabo e apaixonado por sua filha Roxanne, interpretada por Barbara Parkins, a ponto de proporcionar a morte de sua própria esposa através de um ataque violento de um cão negro e feroz da família (que lembra muito a fera de “Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula”, 1977). Após conhecer e seduzir Myles, tornando-o amigo pessoal de sua família, o Sr. Duncan tem uma forte crise de leucemia e morre, onde num ritual satânico assume o corpo do jovem pianista, ajudado por sua filha Roxanne. A esposa de Myles, interpretada por Jacqueline Bisset, desconfiada dessa conspiração demoníaca, passa a ter terríveis pesadelos onde é envolvida pelos adoradores do diabo, que acabam matando sua filha para entregarem a alma à Satã, e cujas imagens de seus sonhos sempre acabavam tornando uma macabra realidade. Sabendo depois que seu marido agora na verdade está possuído pela alma do Sr. Duncan, ela torna-se perturbada pelos fatos diabólicos ao seu redor e acaba pactuando também com o demônio, suicidando-se numa banheira e num ritual diabólico transporta-se para o corpo de Roxanne, a filha e amante de Duncan, para ficar próxima ao corpo do marido.
Um filme muito interessante, sem a presença do característico final feliz, o que já o torna especial, pois os personagens são envolvidos numa trama demoníaca e onde o próprio Satã, oculto em seus subconscientes, é o mestre de cerimônias e senhor absoluto de suas almas, arrebanhando todos para sua legião macabra no inferno. No melhor estilo de thriller psicológico que lembra o clássico O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski, a história se desenvolve num clima gótico do mais puro horror sobrenatural, com altas doses de suspense e erotismo, graças às participações das lindíssimas Jacqueline Bisset e Barbara Parkins. A fotografia sombria e por vezes nublada e envolta numa densa atmosfera de ocultismo, enfatiza os momentos de medo, onde não há a violência explícita, e sim somente o horror sugerido e sufocante, acompanhado pela fantástica trilha sonora do mestre Jerry Goldsmith, responsável por acordes musicais que objetivam gelar a alma do espectador em meio ao crescente suspense.
É uma típica produção para a televisão, baseada na história The Mephisto Waltz, de Fred Mustard Stewart, produzida pelo mesmo criador de consagradas séries de TV dos anos 60, como Os Invasores e O Fugitivo, Quinn Martin, e dirigida por um especialista da telinha, Paul Wendkos, responsável por inúmeros episódios de Os Invasores e telefilmes como Fugitivos de Alcatraz (1987) e Nos Braços da Morte (1989). Os atores coadjuvantes participaram como convidados em diversas produções para a televisão como a presença de William Windom em Os Invasores e Bradford Dillman em Galeria do Terror, de Rod Serling (Dillman também teve participação importante no cinema como em A Fuga do Planeta dos Macacos - 1971). Alan Alda e Jacqueline Bisset são os astros maiores desse filme, os quais tiveram inúmeras participações em outras produções de Hollywood. Alda, entre outros, fez Crimes e Pecados (89), A Ilha Sinistra (83) e As Quatro Estações do Ano (81, nesse foi também o diretor e roteirista), e Bisset estrelou À Sombra do Vulcão (84), Assassinato no Expresso Oriente (74) e Cassino Royale (67).
Felizmente para os fãs do cinema de horror, ainda podemos acompanhar bons filmes despretensiosos como Balada para Satã, que foi lançado no Brasil na época do vídeo VHS e também depois em DVD (pela “Fox”). Podendo ser considerado um grande entretenimento, garantindo bons momentos de suspense, onde somos envolvidos em tramas demoníacas que inevitavelmente afetam a imparcialidade do espectador, convidando-o a participar da história.

“Balada Para Satã” (The Mephisto Waltz, 1971)
avaliação: 8,5 (de 0 a 10)
(postado em 09/12/05)

Balada Para Satã (The Mephisto Waltz, Estados Unidos, 1971). 20th Century Fox. Duração: 109 minutos. Lançado em vídeo VHS pela Abril Vídeo. Direção de Paul Wendkos. Produção de Quinn Martin. Roteiro de Ben Maddow, baseado em obra homônima de Fred Mustard Stewart. Fotografia de William W. Spencer. Direção de Arte de Richard Haman. Efeitos Especiais por The Howard A. Anderson Company. Música de Jerry Goldsmith. Piano por Jakob Gimpel. Com Alan Alda, Jacqueline Bisset, Curt Jurgens, Barbara Parkins, Bradford Dillman, William Windom, Kathleen Widdoes.

A Sentinela dos Malditos (The Sentinel, EUA, 1977)


Há Perigo em todo lugar. Há o Mal... o Mal está em todo lugar. Há Horror. Há Trevas. Mas vigiando, esperando, espreitando o Mal está a esperança.” – reprodução parcial de narração em trailer de divulgação

Em 1977, o diretor Michael Winner (falecido em 21/01/2013 e responsável pelo cultuado “Desejo de Matar”, 1974) e o escritor Jeffrey Konvitz se uniram para produzir o filme “A Sentinela dos Malditos” (The Sentinel), que tem como maiores lembranças para os apreciadores do cinema de horror, a temática abordada de conspiração satânica, a exemplo de “O Bebê de Rosemary” (68), “O Exorcista” (73) e “A Profecia” (76), e pelo elenco excepcional, formado por tantos atores consagrados, conhecidos e cultuados que provavelmente nenhum outro filme do gênero tenha conseguido tamanha proeza. Dos experientes John Carradine, Martin Balsam, Arthur Kennedy e Eli Wallach, passando pelos não menos veteranos José Ferrer, Burgess Meredith e Ava Gardner, chegando aos mais jovens Chris Sarandon, Cristina Raines e Beverly D’Angelo, só para citar parte do elenco.

Alison Parker (Cristina Raines, de “Pesadelos Diabólicos”, 83) é uma bela modelo que namora o advogado Michael Lerman (Chris Sarandon, de “A Hora do Espanto”, 85 e “Brinquedo Assassino”, 88). Ambos tiveram problemas no passado, sendo que ela sobreviveu a uma tentativa de suicídio depois de flagrar o pai (Fred Stuthman) numa orgia com duas mulheres, e ele enfrentou o suposto suicídio da esposa, num caso obscuro ainda sendo acompanhado pelo detetive da polícia Gatz (Eli Wallach).
Eles vivem juntos, mas a modelo está procurando um apartamento mobiliado para morar sozinha. Encontrando uma oportunidade de aluguel num anúncio de jornal, Alison vai visitar um antigo prédio no Brooklyn, em New York, acompanhada pela corretora de imóveis Srta. Logan (Ava Gardner). Convencida pelo preço baixo, ela aluga o apartamento e conhece seus novos vizinhos, todos misteriosos e estranhos, liderados por Charles Chazen (Burgess Meredith). Outra peculiaridade do local é a presença constante de um sinistro padre cego, Francis Matthew Halloran (John Carradine), sempre estático na frente da janela do último andar. Entre os vizinhos “diabólicos” está o casal de lésbicas Gerde Engstrom (Sylvia Miles) e Sandra (Beverly D’Angelo), as irmãs Lilian (Jane Hoffman) e Emma Clotkin (Elaine Shore), Malcolm (Gary Allen) e sua esposa Rebecca Stinnett (Tresa Hughes), e a idosa Anna Clark (Kate Harrington).
A partir daí, Alison começa a enfrentar uma série de problemas de saúde, com vários desmaios, sendo constantemente assessorada pela amiga Jennifer (Deborah Raffin). Ela não consegue dormir à noite, toma remédios fortes, ouve ruídos no andar de cima, supostamente vazio, e tem visões assustadoras de seu passado trágico. O que a modelo não imaginaria é que seu destino já estaria determinado, sendo observada por uma irmandade católica secreta, liderada por um padre misterioso (José Ferrer) e pelo Monsenhor Franchino (Arthur Kennedy), e que ela estava sendo vítima de uma conspiração satânica para evitar a posse de uma nova “sentinela dos malditos”.

Através de mim você irá pela cidade da tristeza. Através de mim você irá pela dor, que é eterna. Através de mim você irá entre as pessoas perdidas. Abandone a esperança, todos que entrarem aqui.” – inscrição no portal de entrada do inferno

São muitos os destaques, e entre eles é interessante registrar a cena onde Alison é atormentada pelo fantasma do pai adúltero e promíscuo, e que morreu vítima de câncer. Ele está perseguindo-a e num momento de desespero e fúria, e ela desfere vários golpes de faca, acertando brutalmente seu olho e nariz. Tem ainda a sequência perturbadora onde ocorre um desfile de demônios e aberrações invocadas por Charles Chazen, para aterrorizar e enlouquecer Alison e influenciá-la a se suicidar, sendo na verdade aparições de pessoas deformadas na vida real, lembrando o filme “Monstros” (Freaks, 32), de Tod Browning. Aliás, o diretor Michael Winner enfrentou alguns problemas com reações negativas do público e críticos por causa da exposição dessas pessoas de forma pejorativa, qualificando-as como demônios deformados mesmo. Além de uma cena no mínimo inusitada, que certamente surpreende o espectador quando Sandra, a companheira lésbica de Gerde Engstrom, que não fala uma única palavra no filme, começa a se masturbar freneticamente na frente de Alison, quando ela estava fazendo uma simples visita para conhecer os novos vizinhos (sem dúvida, um momento ousado e corajoso do diretor, fugindo do convencional, e um ato merecedor de nossa admiração).

“A Sentinela dos Malditos” foi lançado em DVD no Brasil em 2003 pelo selo “Dark Side” da “Works Editora”, trazendo como material extra uma sinopse, as biografias dos atores Chris Sarandon e Cristina Raines, um trailer legendado em português de aproximadamente dois minutos e meio de duração, e uma galeria de fotos. E curiosamente, o filme também foi lançado em DVD em 17/08/05 pela “Ocean Pictures do Brasil” com o título “A Sentinela”, e sem extras disponíveis.

Entre as curiosidades, vale citar o periquito de estimação do demoníaco Charles Chazen, chamado Mortimer, e que segundo ele veio do “Brasil” (aliás, temos uma cena forte onde Alison presencia a gata Jezebel devorando brutalmente o passarinho). Outro fato interessante são as pequenas participações de então jovens atores que seriam populares mais tarde, com carreiras sólidas e rostos conhecidos como Jeff Goldblum, que fez o papel do fotógrafo Jack, e que seria o astro de “A Mosca” (86), “O Parque dos Dinossauros” (93) e “Independence Day” (96), além de Christopher Walken (“Os Anjos Rebeldes”, 94 e “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, 99), que foi o policial assistente Rizzo, e Tom Berenger (“Platoon”, 86 e “D-Tox”, 2002), que apareceu rapidamente na cena final, juntamente com a esposa Nana Visitor (da série de TV “Star Trek: Deep Space Nine”), sendo eles os futuros inquilinos do prédio onde o portal do inferno é secretamente mantido sob vigilância.

Para ti, teu caminho é dado e bem vigiado, para que neste lugar de felicidade nada relacionado ao Mal se aproxime ou entre.” – John Milton, em “Paraíso Perdido”

“A Sentinela dos Malditos” (The Sentinel, 1977) # 343 – data: 13/10/05 – avaliação: 9,0
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 23/11/05 e atualizado em 23/01/13)

A Sentinela dos Malditos (The Sentinel, Estados Unidos, 1977). Duração: 92 minutos. Direção de Michael Winner. Roteiro de Michael Winner e Jeffrey Konvitz, baseados em obra literária de Jeffrey Konvitz. Produção de Michael Winner e Jeffrey Konvitz. Música de Gil Melle. Fotografia de Richard C. Kratina. Edição de Bernard Gribble e Terry Rawlings. Desenho de Produção de Philip Rosenberg. Maquiagem de Bob Laden e Dick Smith. Elenco: Chris Sarandon (Michael Lerman), Cristina Raines (Alison Parker), Martin Balsam (Prof. Ruzinsky), John Carradine (Padre Francis Matthew Halloran), José Ferrer (Padre da Irmandade), Ava Gardner (Srta. Logan), Arthur Kennedy (Monsenhor Franchino), Burgess Meredith (Charles Chazen), Sylvia Miles (Gerde Engstrom), Deborah Raffin (Jennifer), Eli Wallach (Detetive Gatz), Christopher Walken (Detetive Rizzo), Beverly D’Angelo (Sandra), Jerry Orbach (Michael Dayton), Hank Garrett (James Brenner), Robert Jerringer (Hart), Nana Visitor (Moça no final), Tom Berenger (Moço no final), William Hichey (Perry), Gary Allen (Malcolm Stinnett), Tresa Hughes (Rebecca Stinnett), Kate Harrington (Anna Clark), Jane Hoffman (Lilian Clotkin), Elaine Shore (Emma Clotkin), Jeff Goldblum (Jack), Fred Stuthman (Sr. Parker).