Os Mortos Falam (The Devil Commands, EUA, 1941, PB)

 


Quando o diabo manda, Karloff obedece...!

O ícone do cinema de horror Boris Karloff (1887 / 1969) ficou eternizado na história por seu papel do “monstro de Frankenstein”. Mas, em sua carreira produtiva com mais de 200 créditos, também se destacam suas performances como o tradicional “cientista louco” que trabalha incansavelmente em descobertas científicas para o bem da humanidade, e que se sente incompreendido pela sociedade com suas criações transformando-se em tragédias. É o caso de “Os Mortos Falam”, filme do distante ano de 1941, dirigido por Edward Dmytryk, produzida pela “Columbia” com fotografia em preto e branco e duração curta de apenas 65 minutos. Uma das taglines promocionais do filme (reproduzida acima) brinca com seu nome original “The Devil Commands” e o apelo comercial do nome de Boris Karloff como astro do Horror, imortalizado para sempre junto com Bela Lugosi, Vincent Price, Peter Cushing, Christopher Lee e outros. 

Karloff é o “cientista louco” Dr. Julian Blair, que faz experiências com ondas cerebrais humanas, e acredita que mesmo após a morte, elas continuam vivas e podem ter seus impulsos gravados numa máquina especial criada por ele, estabelecendo dessa forma um tipo de comunicação com os mortos (dessa ideia deve ter vindo a escolha do título nacional). Ele é auxiliado pelo também cientista Dr. Richard Sayles (Richard Fiske), e juntos trabalham num laboratório repleto de aparelhos elétricos enormes, com botões medidores e alavancas de acionamento para todos os lados. Porém, tudo começa a mudar para pior depois que a amável esposa do Dr. Blair, Helen (Shirley Warde), é vítima fatal de um bizarro acidente de carro nas proximidades do laboratório. Muito perturbado e desorientado por causa da morte repentina da esposa, e com seu trabalho científico desacreditado pelos colegas, o cientista decide se mudar para uma mansão isolada no alto de um penhasco na costa da Nova Inglaterra.
Nesse local sinistro, em meio a tempestades constantes, ele continua suas experiências macabras, influenciado por uma vidente de caráter duvidoso, Sra. Blanche Walters (Anne Revere), que tem interesses obscuros no sucesso dos testes com os cérebros humanos. Também conta com os serviços braçais de Karl (o ator Cy Schindell, creditado como Ralph Penney), um homem bruto e desajeitado que teve o cérebro torrado numa das experiências mal sucedidas do cientista.
Uma vez preocupada com o bem estar e ações misteriosas do pai, a jovem filha do cientista, Anne Blair (Amanda Duff), tenta localizá-lo com a ajuda do Dr. Sayles, para persuadi-lo a interromper seu trabalho suspeito. Enquanto paralelamente o xerife local, Ed Willis (Kenneth MacDonald), está investigando o desaparecimento de cadáveres do cemitério próximo ao laboratório do Dr. Blair, desconfiado de alguma conexão com as bizarras experiências do cientista, cada vez mais temido e indesejável pelos moradores do vilarejo vizinho da mansão.

“Este mago louco mata à vontade a serviço de Satã!” – uma das taglines promocionais do filme

“Os Mortos Falam” é mais uma bagaceira divertida que pertence ao sub-gênero “cientista louco”, com a participação do lendário Boris Karloff, motivo mais que suficiente para o filme se destacar entre a incontável quantidade de produções similares. Temos todos os principais elementos característicos como o laboratório científico exagerado, muito bizarro para a época (quase 80 anos atrás), a mansão no alto de um penhasco à beira do mar, um ambiente extremamente sinistro e apropriado para uma história de horror, e o cientista com boas intenções que foi vítima de uma tragédia pessoal, sendo corrompido pela descrença e obcecado por um objetivo científico com resultados catastróficos. Suas ações suspeitas, resultado da obsessão em se comunicar com a esposa falecida, despertaram a desconfiança das autoridades e a ira cega dos vizinhos, que por temerem o desconhecido, desejavam sua destruição.
O maior destaque, além da atuação convincente de Boris Karloff como o cientista de boas intenções distorcido para “louco”, são as cenas das experiências com os mortos, vestindo armaduras de aço parecidas com trajes espaciais toscos, com seus cérebros conectados uns aos outros, simulando uma única grande rede de ondas cerebrais. Remetendo-nos totalmente ao cinema fantástico bagaceiro, onde o horror e a ficção científica caminham juntos para um resultado bizarro de puro entretenimento.  

“Se a Ciência puder abrir a mente humana, poderá
 descobrir os segredos de cada cérebro humano.”
– Dr. Julian Blair


(RR – 26/06/17)

Mulheres-Gato da Lua (Cat-Women of the Moon, EUA, 1953, PB)

 


"As maravilhas eternas do Espaço e do Tempo. Os sonhos distantes e os mistérios de outros mundos, outras formas de vida, as estrelas, os planetas. O Homem está frente a frente com eles há séculos. É quase impossível desvendar seus segredos desconhecidos. Em algum tempo, em algum dia, essa barreira será rompida. Por que devemos esperar? Por que não agora?”

 

A maioria dos filmes bagaceiros com elementos de horror e ficção científica dos anos 1950 são divertidos pela somatória de características típicas de produções com orçamentos minúsculos como atuações ruins do elenco, efeitos práticos toscos e roteiro ingênuo, com falta de lógica, excessivamente fantasioso e cheio de clichês e principalmente furos absurdos. “Mulheres-Gato da Lua” (Cat-Women of the Moon, EUA, 1953) é um exemplo perfeito que se enquadra nessa ideia, onde apenas pelo título já se imagina o nível de tranqueira.

Com direção de Arthur Hilton, fotografia em preto e branco e metragem de apenas 64 minutos, o filme está em domínio público e disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.

 

Uma expedição científica com cinco viajantes espaciais num foguete para a Lua é formada por uma tripulação com quatro homens e uma mulher. São eles, o comandante da missão Laird Grainger (Sonny Tufts), o piloto Kip Reissner (Victor Jory), o engenheiro Walt Walters (Douglas Fowley), o operador de rádio Doug Smith (William Phipps) e a navegadora Helen Salinger (Marie Windsor).

Após uma viagem turbulenta que inclui o choque com um meteoro, o foguete é misteriosamente persuadido pela navegadora a pousar no lado sombrio da Lua, e a equipe inicia uma exploração na superfície. Eles entram numa caverna e descobrem a existência de oxigênio, sendo também atacados por aranhas peludas gigantes. Sobrevivendo ao confronto patético, eles encontram uma misteriosa cidade habitada apenas por algumas belas mulheres (do título) e são bem recebidos inicialmente pela líder Alfa (Carol Brewster), além de Beta (Suzanne Alexander) e Lambda (Susan Morrow), entre outras. Elas são as últimas remanescentes de uma civilização subterrânea e antiga de dois milhões de anos que possui poderes telepáticos e que está em processo de extinção pela escassez de oxigênio.

Uma vez desconfiado da estranha sociedade das mulheres selenitas, o destemido piloto Kip decide investigar e descobre a real intenção delas, com um plano de roubar o foguete e fugir para o nosso planeta para uma invasão e conquista da humanidade.

 

O filme recebeu o título original alternativo “Rocket to the Moon” e foi lançado nos cinemas na época em 3D. Os efeitos práticos bagaceiros com o foguete, a cabine de controle e os cenários, além dos figurinos do pequeno elenco foram reciclados em outro filme quase lançado simultaneamente, “Projeto Base Lunar” (Project Moon Base), e também foram reutilizados, assim como a aranha gigante de pelúcia, movimentada por fios “invisíveis”, na refilmagem “Terríveis Monstros da Lua”, também conhecido por aqui como “Míssil Para a Lua” (Missile to the Moon, 1958). A simulação da superfície lunar através da técnica de “matte painting” foi criada por Chesley Bonestell.

O filme é curto e percebe-se claramente uma pressa dos realizadores em finalizar a história no terceiro ato, com a falta de filmagem de cenas que garantiriam uma melhor continuidade e coerência nas ações, principalmente no confronto decisivo entre os viajantes espaciais e as mulheres-gato da Lua pela posse do foguete que retornaria para a Terra.

Curiosamente, alguns atores como Marie Windsor e William Phipps fizeram questão de revelar em entrevistas o quanto consideraram o filme ruim, especialmente o roteiro mirabolante e os efeitos práticos com o ataque das aranhas gigantes.  

    

(RR – 31/07/26)





Ao Cair da Noite (It Comes at Night, EUA, 2017)

 



O triunfo da Morte

O fã de cinema de horror que está procurando diversão escapista, barulheira, correrias desenfreadas, tiroteios, sustos fáceis, sangue em profusão, tripas expostas, monstros em CGI, não irá encontrar no filme “Ao Cair da Noite” (It Comes at Night, 2017), que estreou em circuito comercial restrito nos cinemas brasileiros em 22/06/17, com cópias originais legendadas. Porém, quem aprecia e procura uma história tensa, com constante atmosfera sombria e perturbadora, carregada de paranoia, mistério, pessimismo, com narrativa mais cadenciada onde toda esperança está abandonada, num ambiente de grande pressão psicológica, além de um final depressivo, então esse é o filme indicado.

Com direção e roteiro de Trey Edward Shults, temos uma família morando isolada numa casa no meio da floresta, formada pelo pai protetor, Paul (o australiano Joel Edgerton), a esposa Sarah (a inglesa Carmen Ejogo), e o filho adolescente de 17 anos, Travis (Kelvin Harrison Jr.), que tem pesadelos terríveis frequentemente. O clima é de tensão constante, numa luta pela sobrevivência contra uma contaminação misteriosa que aparentemente mergulhou o mundo no caos. Eles precisam eliminar a ameaça que tomou o corpo do avô, Bud (David Pendleton), enterrado com o cadáver cheio de feridas pestilentas e carbonizado por segurança. Porém, as coisas se complicam mais ainda após a chegada de outra família pedindo refúgio, formada pelo jovem casal Will (Christopher Abbott) e Kim (Riley Keough), e o filho pequeno Andrew (Griffin Robert Faulkner).

Distanciando-se da fantasia tradicional do cinema, “Ao Cair da Noite” se aproxima mais de uma possível realidade com o mundo mergulhando numa contaminação devastadora não explicada, onde os sobreviventes precisam lutar ferozmente por suas vidas fragilizadas. Trazendo à tona seus instintos mais selvagens de sobrevivência, utilizando-se de violência e desconfiança para a autopreservação, eliminando gradativamente os sentimentos e emoções que caracterizam a humanidade, dando lugar à frieza e indiferença.  
Indo na contra mão do cinema que prioriza o entretenimento com pipoca e refrigerante, “Ao Cair da Noite” aposta no mistério, na falta de informação sobre os trágicos acontecimentos externos, no clima de tensão devido à luta selvagem pela sobrevivência, no desespero crescente do fim aparentemente inevitável da humanidade, dizimada por uma doença sem nome.
Após ver o filme e com o sentimento perturbador e desconfortável que invade o espectador, temos a sensação de que seriam pessoas de sorte todas aquelas que fossem carregadas pela Morte logo no início do apocalipse, caso um dia uma pandemia devastasse a Terra.

(RR – 03/07/17)

Hand of Death (EUA, 1962, PB)

 


"Ninguém ousava chegar muito perto!”

 

Escrito e produzido por Eugene Ling e dirigido por Gene Nelson, “Hand of Death” (1962) tem fotografia em preto e branco, metragem de apenas 60 minutos, e está disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.

É um filme desconhecido que segundo o “IMDB”, a maior fonte na internet sobre informações de filmes, ficou “perdido” por 40 anos, uma curiosidade que já desperta alguma atenção, principalmente para os apreciadores do cinema antigo bagaceiro com elementos de horror e ficção científica abordando os temas de “cientista louco” trabalhando para o suposto bem da humanidade e “homem transformado em monstro”, com a mente distorcida culminando em consequências trágicas.

 

O cientista Alex Marsch (John Agar) está trabalhando numa casa isolada no deserto com o apoio do estudante Carlos (John Alonzo). Trata-se de um projeto secreto para o governo estadunidense com experiências para o desenvolvimento de um gás nervoso paralisante com efeitos hipnóticos, para utilização como arma em tempos de guerra fria entre EUA e a antiga União Soviética. O gás serviria para eliminar a resistência em ações de ocupação, com os inimigos obedecendo comandos e assim podendo evitar uma guerra nuclear, algo muito temido e próximo de ter acontecido naqueles tempos conturbados dos anos 60 do século passado.

Sua namorada Carol Wilson (Paula Raymond) é a secretária do Dr. Frederick Ramsey (Roy Gordon), o chefe do cientista e proprietário de um Centro de Pesquisas em Los Angeles. Ela está desconfiada com o trabalho envolvendo um gás perigoso e preocupada com a possibilidade de acidentes, o que realmente acontece, causando no cientista várias reações no corpo como dores, calor excessivo, inchamento no rosto e mãos, pele enrugada e escurecida, transformando-o num monstro que mata apenas com o toque das mãos, justificando o título do filme, lembrando o “Coisa” do “Quarteto Fantástico” da “Marvel”.

Desesperado e com a mente progressivamente distorcida, o Dr. Marsh caminha sem rumo pelas ruas enquanto pessoas morrem pelo seu toque, sendo perseguido pelo investigador de homicídios da polícia (Norman Burton), e esperando talvez em vão que algum antídoto possa restabelecer sua condição humana, num esforço do Dr. Ramsey e do amigo Tom Holland (Steve Dunne).       

 

O filme é curto e quase não há perda de tempo com futilidades, não demorando muito para o cientista se transformar num monstro deformado e assassino, que de repente muda de um abnegado homem da ciência para uma criatura mutante responsável pela morte de pessoas inocentes. É uma diversão rápida para quem gosta do velho cinema de baixo orçamento com efeitos práticos na maquiagem exagerada do monstro e com mais uma história de “cientista louco” malsucedido na tentativa de criação de uma arma de guerra com resultados catastróficos.

O ator John Agar (1921 / 2002) tem uma filmografia com várias tranqueiras divertidas do cinema fantástico como “Tarântula!” (1955), “O Templo do Pavor” (1956), “O Cérebro do Planeta Arous” (1957), “Dr. Encolhedor” (1958), “Invasores Invisíveis” (1959), “Monstro do Planeta Perdido” (1962) e “Mulheres do Planeta Pré-Histórico” (1966), entre outras.   

Quando o cientista mutante desorientado está vagando por uma praia, o garoto que o encontra é interpretado por Butch Patrick, o jovem ator que pouco tempo depois faria parte do elenco fixo da cultuada série de TV de comédia com elementos de horror “Os Monstros” (The Munsters, 1964 / 1966), fazendo o papel do lobisomem mirim Eddie.

    

(RR – 24/07/26)




Ameaça Espacial (It Conquered the World, EUA, 1956, PB)



"Eu possibilitei que você viesse aqui... Eu te dei as boas-vindas a esta Terra... Você fez dela um cemitério."

– cientista Dr. Tom Anderson para o alienígena de Vênus

 

O especialista em filmes bagaceiros de horror e ficção científica Roger Corman (1926 / 2024), conhecido diretor e produtor habilidoso em fazer filmes rápidos com orçamentos reduzidos, foi também o responsável pela divertida tranqueira de invasão alienígena “Ameaça Espacial” (It Conquered the World, 1956), com fotografia em preto e branco e roteiro de Lou Rusoff e Charles B. Griffith. O interessante elenco é formado por Peter Graves, da série de TV “Missão Impossível” (1967 / 1973), Lee Van Cleef, mais reconhecido pela infinidade de filmes de western, e Beverly Garland, que esteve em várias outras preciosidades como “Curuçu, o Terror do Amazonas” (1956), “O Emissário de Outro Mundo” (1957) e “O Jacaré Humano” (1959).  

Com produção da “American International”, de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, e filmado em apenas cinco dias por Corman, o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português, e tem um lugar especial na história do cinema fantástico de baixo orçamento por causa principalmente do monstro alienígena apelidado de “Beluah”, criado e manuseado por Paul Blaisdell, sendo talvez o mais bagaceiro de todos os tempos, parecendo uma espécie de “casquinha de sorvete invertida com garras”.

 

Na história, o cientista Dr. Tom Anderson (Lee Van Cleef) conseguiu contato por rádio com um alienígena venusiano e ficou convencido que ele poderia ajudar a humanidade eliminando as emoções como ódio e amargura, e consequentemente os problemas das pessoas. Ele tenta convencer as autoridades militares a interromper o programa espacial com lançamentos de satélites alegando que os alienígenas não querem a Terra explorando o espaço. Porém, ele não tem sucesso e recebe desaprovação da esposa, Claire (Beverly Garland), de amigos próximos como o também cientista Dr. Paul Nelson (Peter Graves) e sua esposa Joan (Sally Fraser), além do General James Pattick (Russ Bender).

Com o lançamento de um satélite ao espaço que retornou para a Terra trazendo o alienígena, tem início um plano de invasão com a ajuda do iludido Dr. Anderson, que acredita em boas intenções do invasor, que por sua vez se instala numa caverna com fontes termais que simulam um ambiente similar ao de seu planeta de origem. Poderoso e inteligente, o monstro de Vênus interrompe a geração de energia no mundo inteiro, e passa a controlar as pessoas com a implantação de um dispositivo na cabeça instalado por criaturas similares a morcegos.

Com a “ameaça espacial” do futuro do nosso planeta e de toda a humanidade, e uma vez o Dr. Nelson conseguindo impedir que fosse controlado pelo extraterrestre, resta para ele a árdua missão de combater as pessoas controladas e tentar impedir o sucesso do plano de conquista do monstro venusiano.

 

Como em todos os filmes antigos bagaceiros com monstros toscos, devido às dificuldades com os pequenos orçamentos disponíveis, o alienígena aparece pouco em cena e mais apenas próximo do final no já esperado confronto que definiria a salvação da Terra contra a tirania de uma criatura invasora de outro planeta. E com o restante do tempo sendo preenchido pelo drama dos personagens, seus conflitos de ideias e interesses, especulações sobre o destino da humanidade, e a exploração espacial em tempos de guerra fria entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética.

A diversão fica mais por conta dos efeitos práticos paupérrimos, tanto com os morcegos que carregam os dispositivos de controle mental das pessoas, quanto principalmente o monstro alienígena tosco, projetado, construído e movimentado pelo técnico Paul Blaisdell, conhecido pelos inúmeros monstros bagaceiros que criou para filmes dos anos 1950 como “A Besta do Milhão de Olhos”, “O Dia do Fim do Mundo”, “O Emissário de Outro Mundo”, “Os Monstros Invasores”, “A Ameaça do Outro Mundo” e “Os Adolescentes do Espaço”.

Curiosamente, esse filme bagaceiro de Roger Corman possui referências aos clássicos de FC “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951) com o corte de energia no mundo e paralização das máquinas, e “Vampiros de Almas” (1956) com o controle das pessoas retirando suas emoções. E tivemos uma refilmagem para a televisão dirigido por Larry Buchanan em 1967 com o nome “O Monstro de Vênus” (Zontar: The Thing From Venus), com John Agar.

     

(RR – 17/07/26)





O Beijo da Tarântula (Kiss of the Tarantula, EUA, 1975)

 


 

O Beijo da Tarântula” (Kiss of the Tarantula, EUA, 1975) é um filme pouco conhecido e perdido no limbo das produções independentes de baixo orçamento que explora o tema de ataques de animais. A direção é de Chris Munger, que tem um currículo quase nulo e a história, como diz o título, é sobre os temíveis aracnídeos que assombram os pesadelos de quem não gosta de aranhas peludas. Foi exibido na televisão e está disponível no “Youtube” numa versão original em inglês com opção de legendas em português.

 

Susan Bradley (Suzanna Ling) é uma jovem moça que cria tarântulas como animais de estimação. Ela tem o apoio de seu pai atencioso John Bradley (Herman Wallner), um agente funerário dono de um necrotério, mas por outro lado, enfrenta a desaprovação de sua mãe megera e adúltera, Martha Bradley (Beverly Eddins), que tem um caso amoroso com o cunhado, o desonesto policial Walter Bradley (Ernesto Macias).

Insatisfeita com o casamento e sempre rude com a filha, dizendo que seu marido tem “cheiro de produtos químicos e morte”, ela planeja matá-lo num plano junto com seu amante, despertando a ira de Susan, que utiliza suas aranhas para vingança contra a mãe e o tio abusivo, além também de todos que atravessam seu caminho zombando dela ou maltratando suas tarântulas assustadoras.

 

Filmes com histórias de ataques de animais são sempre interessantes, e o cinema de horror e ficção científica tem uma lista colossal de exemplos com todos os tipos de animais, sendo que as aranhas estão entre os mais temíveis. Em “O Beijo da Tarântula” elas são reais e rastejam pelos corpos de suas vítimas, sem efeitos especiais ou computação gráfica, causando certamente um grande desconforto para quem tem aracnofobia. As tarântulas, também conhecidas como caranguejeiras, são grandes, peludas e causam repulsa e medo nas pessoas, porém não são tão nocivas comparando com outros aracnídeos mais perigosos.

Susan é uma moça tímida que criou laços afetivos com suas tarântulas, e após sofrer contínuos maus tratos de sua mãe severa e ser vítima de abusos sexuais de seu tio Walter, além de vítima de bullyng por seus colegas, encontrou em sua mente distorcida uma forma de se vingar utilizando suas aranhas para atacar os inimigos. Mesmo com uma história clichê, o filme até garante alguns momentos de tensão nas cenas de mortes, principalmente com uma vítima presa num duto de ar com muitas aranhas como companhia, e no desfecho perturbador envolvendo seu tio e outra vítima num caixão do necrotério de seu pai.

Curiosamente, além das aranhas, uma infinidade de outros animais assassinos já foram abordados pelo cinema de horror com histórias de vingança da natureza contra a humanidade, como vespas, abelhas, formigas, gafanhotos, baratas, cobras, sapos, morcegos, jacarés, ratos, pássaros, macacos, ovelhas, coelhos, cachorros, musaranhos, porcos, javalis, lobos, ursos, leões, piranhas, orcas, e não podendo deixar de citar, os temíveis tubarões, talvez o animal mais explorado de todos.       

 

(RR – 16/07/26)



O Gorila Matador (The Ape, EUA, 1940, PB)

 


Disponível no “Youtube” com opção de legendas automáticas em português, “O Gorila Matador” (The Ape, 1940) é um filme com elementos sutis de horror e suspense estrelado pelo ícone Boris Karloff (1887 / 1969) num papel que sempre fez magistralmente numa infinidade de outros filmes: o “cientista louco” obcecado por seu trabalho para o bem da humanidade, nem que tenha que matar para conseguir seus objetivos.

 

Dirigido por William Nigh, com fotografia em preto e branco, metragem de apenas 62 minutos e produzido pela “Monogram”, Karloff é o médico Dr. Bernard Adrian, envolvido com experiências para descobrir a cura da poliomielite, focado em ajudar a jovem cadeirante Frances Clifford (Maris Wrixon), que tem paralisia e não consegue mais andar há muitos anos. O cientista a considera como uma filha, determinado a curar sua doença, uma vez que não conseguiu evitar no passado a morte da esposa e filha com o mesmo problema de saúde.

Porém, mesmo com boas intenções seu trabalho não é bem visto em Red Creek, a pequena cidade onde mora, com as pessoas desconfiadas das experiências bizarras com animais para obter um soro eficaz contra a paralisia, tendo que enfrentar a reprovação dos vizinhos e do também médico local Dr. McNulty (Selmer Jackson), além da desconfiança do namorado de Frances, o mecânico de carros Danny Foster (Gene O´Donnell).

Para completar seu trabalho científico, o Dr. Adrian necessita de um líquido espinhal de pessoas recém-falecidas. Enquanto isso, um gorila imenso chamado Nabu (Ray Corrigan, não creditado), escapa de um circo após um acidente com incêndio, e assassinatos misteriosos começam a ocorrer na cidade, despertando a atenção e investigação do xerife Jeff Halliday (Henry Hall).

 

Qualquer filme com Boris Karloff, nome eternizado na história do cinema de horror como a criatura de Frankenstein nos filmes da produtora “Universal”, já desperta interesse por sua presença marcante, sempre com atuações convincentes, geralmente em papéis de vilão e “cientista louco”.

Em “O Gorila Matador”, apesar do ritmo arrastado típico dos filmes da década de 1940, com histórias ingênuas e tentativas de apresentar cenas com algum suspense ou horror sutil, que deveriam funcionar para as plateias da época, temos Karloff para compensar a falta de ação e horror mais sangrento, interpretando um médico abnegado em encontrar uma cura para a paralisia, com forte senso de altruísmo, mesmo perdendo parte da sanidade e os escrúpulos para obter o sucesso acompanhado de crimes.    

 

(RR – 14/07/26)