O Lobisomem de Washington (The Werewolf of Washington, EUA, 1973)

 


 

 “O Lobisomem de Washington” (The Werewolf of Washington, EUA, 1973) é mais uma produção de baixo orçamento perdida na infinidade de filmes que exploram a temática dos lobisomens, um dos monstros tradicionais do cinema de horror. Tanto a direção como o roteiro são de Milton Moses Ginsberg (1935 / 2021), que tem poucos trabalhos no currículo. Por outro lado, o elenco é liderado por Dean Stockwell (1936 / 2021), ator com extensa filmografia com cerca de duas centenas de títulos, entre eles, “O Altar do Diabo” (1970), “Duna” (1984) e a série de TV “Contra Tempos” (Quantum Leap, 1989 / 1993).

 

Ambientado no início dos anos 70 do século passado, ele é o jornalista americano Jack Whittier, que teve um caso amoroso com Marion (Jane House), filha do presidente dos Estados Unidos (Biff McGuire). Ao perceber que prejudicaria sua carreira, solicitou para ser transferido para a Hungria, país comunista do leste europeu. Depois desistindo da ideia, ele decidiu retornar para o país natal aceitando o emprego de secretário de imprensa do presidente americano. Mas, antes de voltar, se envolveu num acidente de carro com uma família de ciganos e foi mordido por um lobisomem, passando a carregar desde então a maldição de se transformar nas noites de lua cheia numa fera assassina mista de homem e lobo, espalhando o horror em Washington e nos arredores da Casa Branca.

 

Produção de horror bagaceiro com baixo orçamento e elementos de humor negro e exploração de um tema desgastado, “O Lobisomem de Washington” apenas se soma a infinidade de filmes similares sobre lobisomens, com pouca violência e sangue nos assassinatos, mas com alguns diferenciais que até podem agradar os apreciadores de tranqueiras divertidas.

Temos a ambientação urbana do lobisomem e história com sátira política (referências ao caso de corrupção “Watergate” e o presidente americano na época, Richard Nixon), a maquiagem tosca do lobisomem e as cenas de transformação com efeitos práticos muito mais divertidos que a artificialidade da computação gráfica, e a apresentação de um lobisomem que tenta se aproximar mais das características de um animal, rastejando, cheirando, lambendo e agindo como um lobo.

O roteiro é bem simples e sem preocupação com coerência, repleto de situações bizarras e inverossímeis, com o jornalista sem controle se transformando em monstro em momentos inoportunos no interior da Casa Branca e próximo do presidente, políticos e militares do gabinete do governo.

Mas, os elementos de humor negro e referências ao gênero fantástico são até interessantes e agregam algum valor para a diversão. Como a participação rápida e totalmente estranha de um “cientista louco” anão, Dr. Kiss (Michael Dunn, o Dr. Miguelito Loveless da série de TV “James West”) e suas experiências misteriosas com direito a citação para uma criatura no estilo de “Frankenstein”, além da presença de um homem sinistro com óculos escuros (James Tolkan) sempre à espreita nas reuniões presidenciais como um elemento de conspiração governamental.

Tem também a frequente confusão entre as palavras “Pentagrama” e “Pentágono”, a cena hilária do jogo de boliche com o presidente, com Jack tendo problemas sérios com a transformação em lobisomem e seus dedos inchados presos nos furos de uma bola, e a citação do primeiro ministro chinês com o Sr. Hyde de “O Médico e o Monstro”, famosa história de Robert Louis Stevenson, quando testemunha a transformação de Jack em lobisomem durante o voo com um helicóptero presidencial.       

 

Para a sorte dos colecionadores e apreciadores do cinema de horror bagaceiro, “O Lobisomem de Washington” foi lançado em DVD no Brasil por volta de 2010 na coleção “Lobisomens, Vampiros e Zumbis – Volume 3”, da revista digital “Showtime Clássicos”, no mesmo disco com “O Vampiro da Era Atômica” (Atom Age Vampire, 1960) e “O Túmulo do Vampiro” (Grave of the Vampire, 1974).

Antes, porém, já tinha sido lançado por aqui em VHS pela “Macvideo”.

 

(RR – 09/01/22)








A Verdadeira História do Lobisomem (Wolfman, EUA, 1979)

 


“Forças do Mal, poderes da escuridão, criaturas do outro lado, novamente pedimos a sua ajuda para fazermos a vossa vontade. Pedimos que doravante a maldição que paira sobre a família Glascow seja o fardo do filho mais velho.”

 

O lobisomem é um dos monstros tradicionais do horror, ao lado dos vampiros, demônios, múmias e zumbis, entre outros. A mitologia dos homens transformados em lobos nas noites de lua cheia e que matam violentamente à procura do sangue e carne de suas vítimas, sempre foi um tema bastante explorado no cinema. Através de uma infinidade de filmes de todos os tipos, desde produções bem cuidadas com orçamentos maiores e efeitos especiais caprichados, passando pelos preciosos clássicos antigos e as tranqueiras diversas, muitas delas divertidas justamente por suas características bagaceiras.

“A Verdadeira História do Lobisomem” (Wolfman, EUA, 1979) é mais um filme dentro desse universo ficcional, com um título nacional exagerado e mal escolhido (bastava apenas nomear como “Lobisomem”, simples como o original), dirigido e escrito por Worth Keeter em seu trabalho de estreia.

 

Após a morte do pai, Edwin Glascow (Julian Morton), em circunstâncias misteriosas, Colin (Earl Owensby, que também foi o produtor), retorna para sua cidade natal e mansão da família para acompanhar o testamento e resolver questões burocráticas sobre o patrimônio herdado, a pedido do advogado da família, Ewan Rowe (Al Meyers). Depois de sair de casa há muitos anos e viajar pelo mundo, em seu retorno para o vilarejo ele não é bem recebido pelos aldeões e reencontra uma namorada do passado, Lynn Harris Randolph (Kristina Reynolds), com quem estabelece uma nova aproximação.

Reencontra também a avó (Helene Tryon), mantida isolada em seu quarto numa atitude suspeita de seus primos Clemente (Richard Dedmon) e Elizabeth (Magie Lauterer). E após descobrir irregularidades no testamento do pai falecido, Colin decide investigar por conta própria com a ajuda do médico Dr. George Tate (Sid Rancer), mas torna-se vítima de uma conspiração satânica organizada por seus parentes e liderada pelo obscuro reverendo satânico Leonard (Ed Grady), envolvendo uma antiga maldição familiar com licantropia.

Com a ocorrência de assassinatos sangrentos na região com a possível autoria de um grande animal selvagem e com a investigação policial do xerife local (Brownlee Davis), Colin torna-se suspeito e precisa lutar contra a maldição e proteger a antiga namorada.

 

“A Verdadeira História do Lobisomem” é uma produção de orçamento reduzido e história clichê de maldição familiar envolvendo o mito do lobisomem, daquelas já vistas tantas vezes que não é possível classificar o filme como algo fora da mesmice. Mas, tem alguns pontos positivos para os apreciadores do cinema de horror gótico, e que são sempre bem vindos como a ambientação sinistra de uma mansão tétrica e seu porão ameaçador na virada entre os séculos 19 e 20, o cemitério fantasmagórico com seus túmulos macabros, a carruagem como meio de transporte, a névoa espessa que sempre gera uma sensação de desconforto, a cerimônia satânica de evocação do demônio, a histórica maldição familiar e o lobisomem com seus efeitos práticos de maquiagem, toscos e sempre divertidos.

Por outro lado, tem também pontos desabonadores como o ritmo arrastado num convite ao sono em alguns momentos, os diálogos simplórios e previsíveis num trabalho sem inspiração do roteiro, as atuações ruins, a duração longa que poderia ser encurtada em pelo menos uns 20 minutos, os ataques da fera que poderiam ser mais violentos e sangrentos, entre outros.          

 

O filme foi lançado em DVD no Brasil por volta de 2010 na coleção “Lobisomens, Vampiros e Zumbis – Volume 2”, da revista digital “Showtime Clássicos”, no mesmo disco com “Os Ritos Satânicos de Drácula” (The Satanic Rites of Dracula, 1973) e “Convenção de Vampiros” (The Vampire Happening, 1971).

 

(RR – 31/12/21)





Convenção de Vampiros (The Vampire Happening, Alemanha / Inglaterra, 1971)

 


“Os vampiros se levantam de seus túmulos para chupar o sangue dos vivos. Isso dá ao vampiro a força para caminhar na Terra novamente. Contudo, o demônio deve retornar ao túmulo antes do nascer do sol. Um homem mordido se transforma num vampiro após a sua morte. Ele pode ser libertado da sua possessão enfiando uma estaca de madeira pontiaguda em seu coração.”

 

“Convenção de Vampiros” (The Vampire Happening, 1971) é mais um filme europeu bagaceiro de horror dos anos 70 do século passado, com co-produção entre Alemanha e Inglaterra, só que dessa vez com elementos de humor negro.

A direção é de Freddie Francis (1917 / 2007), profissional muito renomado como fotógrafo, mas também um cineasta reconhecido por sua aproximação com o gênero, sendo responsável por inúmeras preciosidades principalmente da “Hammer” e “Amicus”, além de outros estúdios, como “O Monstro de Frankenstein” (1964), “As Profecias do Dr. Terror” (1965), “A Maldição da Caveira” (1965), “Eles Vieram do Espaço Exterior” (1967), “As Torturas do Dr. Diabolo” (1967), “Drácula, o Perfil do Diabo” (1968), “Contos do Além” (1972), “Essência da Maldade” (1973), “Terror e Loucura” (1973), “A Lenda do Lobisomem” (1975), “O Carniçal” (1975), entre outros.

 

Uma atriz americana, Betty Williams (a belíssima sueca Pia Degermark, que teve uma carreira muito curta), viaja para o leste europeu para conhecer um antigo castelo que herdou na Transilvânia. Chegando ao sinistro castelo, ela é recepcionada pelo serviçal atrapalhado Josef (Yvor Murillo), que a confunde com uma ancestral da família, Clarimonde Catani, sua bisavó de origem italiana e que era uma bruxa e vampira.

Depois de conhecer o castelo gótico, com sua assustadora câmara de torturas repleta de instrumentos medievais e o porão com túmulos ocupados por seus antigos parentes, Betty Williams conhece o professor de um internato para moças, o Sr. Jens Larsen (Thomas Hunter), por quem se apaixona.

Mas, devido sua semelhança física com a bisavó vampira, que se levantou novamente da sepultura em busca de sangue, a atriz americana se envolve em várias aventuras e confusões, principalmente com um padre seminarista tagarela que foi vampirizado, Martin (Joachim Kemmer), e ao se misturar numa festa anual exótica realizada em outro castelo, organizada pelo anfitrião Conde Bernhard Ochsenstein (Raoul Retzer), uma espécie de “convenção de vampiros” do título, onde o convidado especial é o Príncipe Christopher Drácula (Ferdy Mayne), com o primeiro nome sendo uma homenagem ao lendário ator Christopher Lee, que encarnou o vampiro Drácula em muitos filmes.      

 

O filme é considerado uma comédia de horror, num estilo semelhante ao anterior “A Dança dos Vampiros” (Dance of the Vampires, 1967), de Roman Polanski, onde inclusive o ator alemão Ferdy Mayne (1916 / 1998) também faz o papel de um nobre vampiro, Conde von Krolock. Aliás, o veterano ator tem uma cara de vampiro impressionante, facilitando muito seu trabalho em desenvolver o personagem.

Particularmente, não sou fã de comédias, mesmo aquelas com elementos fantásticos e roteiros flertando com horror e/ou ficção científica. Consequentemente, apesar de alguns bons momentos de humor negro principalmente nas cenas com o Drácula de Ferdy Mayne, eu prefiro enaltecer unicamente os elementos de horror gótico (motivo que justifica conhecer o filme), como o castelo sinistro (utilizando locações reais na Áustria), a câmera de torturas, os túmulos macabros, e todas as características tradicionais do mito do vampirismo (parte delas descritas na introdução desse texto, reproduzidas da leitura de um livro da biblioteca do castelo).

“Convenção dos Vampiros” é arrastado e poderia ter uma duração menor, algo em torno dos 80 minutos em vez de uma hora e quarenta e dois. Também é um filme de exploração sexual com muitas mulheres desfilando seminuas, belas vampiras à procura dos pescoços de suas vítimas, com um destaque especial para o presente recebido por Drácula.   

 

Curiosamente, existe uma referência envolvendo o clássico “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, lançado apenas dois anos antes e que não imaginariam a importância que o filme receberia depois, fazendo parte da cultura popular, numa cena com Drácula, que aliás, chega na convenção em alto estilo, utilizando um helicóptero com um enorme morcego pintado na fuselagem.

O filme foi lançado em DVD no Brasil por volta de 2010 na coleção “Lobisomens, Vampiros e Zumbis – Volume 2”, da revista digital “Showtime Clássicos”, no mesmo disco com outros dois filmes igualmente bagaceiros: “Os Ritos Satânicos de Drácula” (The Satanic Rites of Dracula, 1973), produção da “Hammer” com Christopher Lee e Peter Cushing, e “A Verdadeira História do Lobisomem” (Wolfman, 1979).

 

(RR – 12/12/21)





A Noite de Walpurgis (The Werewolf vs. the Vampire Woman, Espanha / Alemanha, 1971)

 


“Ninguém deve perturbar seu descanso até o dia do julgamento final. O sopro que a trará de volta à vida é vermelho”

 

O ator espanhol Paul Naschy (1934 / 2009), pseudônimo de Jacinto Molina, é um nome eternamente associado ao cinema europeu de horror bagaceiro, com uma infinidade de filmes na carreira, além de trabalhos como diretor e roteirista. Também é muito conhecido pela interpretação do lobisomem Waldemar Daninsky, que apareceu em muitos filmes. “A Noite de Walpurgis” (The Werewolf vs. The Vampire Woman, Espanha / Alemanha, 1971) é o quarto filme dessa longa série, dirigido pelo argentino Léon Klimovsky e com roteiro do próprio Paul Naschy.   

 

A escritora Elvira (Gaby Fuchs) está pesquisando materiais para seu livro de magia negra, e acompanhada da amiga Genevieve Bennett (Barbara Capell), vai para o interior da França procurar a tumba perdida da Condessa Wandesa Dárvula de Nadasdy (Patty Shepard), húngara do século XI que era conhecida como uma vampira que bebia o sangue de jovens mulheres e realizava rituais satânicos.

Elas chegam num vilarejo e ainda mais afastado da civilização encontram a moradia de Waldemar Daninsky (Paul Naschy), um homem atormentado pela maldição de se transformar em lobisomem nas noites de lua cheia, e agir violentamente assassinando de forma sangrenta os aldeões que cruzarem seu caminho. Ele vive isolado com sua irmã Elizabeth (Yelena Samarina), que tem problemas mentais.

Enquanto o policial Inspetor Marcel (Andrés Resino), amigo de Elvira, está à sua procura, ela aceita o convite para passar a noite na sinistra casa de Daninsky, que por sua vez também decide ajudar a escritora em suas pesquisas, localizando o túmulo da antiga vampira que estava adormecida. Uma vez não respeitando as palavras reproduzidas no início desse texto, a vampira desperta novamente após um acidente com sangue, gerando o inevitável confronto do título original, numa luta final violenta entre o lobisomem e a vampira num ritual de evocação do demônio.

 

“A Noite de Walpurgis” é mais uma produção de baixo orçamento da extensa filmografia de horror bagaceiro de Paul Naschy, e nesse caso, dentro do universo ficcional do lobisomem Waldemar Daninsky. O roteiro é bem simples, com a ideia básica explorando um confronto entre um lobisomem atormentado pela maldição de ser uma fera assassina e uma adoradora do diabo e vampira ancestral.

O que realmente interessa para os apreciadores de cinema bagaceiro de horror, a despeito da narrativa lenta em vários momentos, o excesso de clichês, as fracas interpretações e a história óbvia, são os sempre bem vindos elementos de atmosfera gótica, com as ruínas sinistras de pedra, o cemitério com seus túmulos envoltos em névoa, o zumbi esquelético em trajes de monge templário (que deve ter inspirado o diretor Amando de Ossorio a fazer sua tetralogia dos mortos cegos), as maquiagens toscas, as cenas em câmera lenta dos ataques das vampiras, as mortes violentas (para a época), e tudo que envolve as lendas de vampirismo e licantropia.    

 

O filme recebeu outros nomes internacionais alternativos como o espanhol “La Noche de Walpurgis”, o alemão “Nacht der Vampire” e o americano “Werewolf Shadow”. Teve uma refilmagem em 1981, “A Noite do Lobisomem” (Night of the Werewolf), dirigida pelo próprio Paul Naschy.

Foi lançado em DVD no Brasil por volta de 2010 na coleção “Lobisomens, Vampiros e Zumbis – Volume 1”, da revista digital “Showtime Clássicos”, no mesmo disco com outros três filmes igualmente tranqueiras e divertidos: “Teenage Zombies” (1959), “A Noite do Lobo” (Moon of the Wolf, 1972) e “A Revolta dos Zumbis” (Revolt of the Zombies, 1936).

 

(RR – 05/12/21)








O Massacre dos Barbys (Killer Barbys, Espanha, 1996)

 


“O segredo da juventude eterna é beber o sangue quente das pessoas jovens. Eu abri a porta, aquela em direção ao êxtase da eternidade”

– Condessa Von Fledermaus

 

“O Massacre dos Barbys” (Killer Barbys, 1996) é mais um filme bagaceiro de horror do extenso currículo do lendário cineasta espanhol Jesús Franco (nesse caso creditado como Jess Franco). Foi distribuído no Brasil em DVD pela “Vinny Filmes” em Dezembro de 2011, na coleção “Clássicos do Terror”, sem material extra. E também foi lançado pela “Continental”.   

 

A banda de punk rock “Killer Barbies” está viajando numa van em turnê pelo interior da Espanha. Formada por cinco jovens, sendo dois casais, Billy (Billy King) e Sharon (Angie Barea), e Rafa (Carlos Subterfuge) e Flavia (Silvia Superstar), além de Mario (Charlie S. Chaplin). Após uma apresentação, eles pegam uma estrada deserta rumo ao próximo local de show, mas o carro cai num buraco e quebra o amortecedor. Sem ter como consertar e perdidos no meio do nada, eles são surpreendidos por um homem sinistro, o mordomo Arkan (Aldo Sambrell), que convida o grupo para passar a noite num castelo próximo, de propriedade da misteriosa Condessa Von Fledermaus (a italiana Mariangela Giordano, de “A Noite do Terror”, 1981).

Uma vez hospedados no antigo castelo e enquanto tentam se ambientar com a atmosfera sombria do lugar, os jovens são perseguidos por um assassino maluco, Baltasar (Santiago Segura), cujo objetivo é capturar o sangue das vítimas e utilizá-lo para manter a beleza e juventude da centenária Condessa.

 

Esse é mais um filme “exploitation” de baixo orçamento do diretor Jesús Franco, com as mesmas características bagaceiras já conhecidas de sua longa filmografia, com um roteiro, também de sua autoria, superficial e cheio de furos e os mesmos velhos clichês. As cenas com a banda tocando são bem patéticas, assim como as ações dos jovens acéfalos, que merecem morrer de forma dolorosa.  

É um filme de 1996, mas parece a mesma coisa que Franco fazia na década de 70. Então, o que desperta o interesse dos apreciadores de filmes toscos de horror são os elementos sempre bem vindos de atmosfera gótica, com o castelo macabro envolto em névoa espessa, o mordomo sinistro, as perseguições numa floresta fantasmagórica, as mortes sangrentas com direito a corpos mutilados pendurados invertidos para sangrar feito porcos abatidos em matadouros, e a condessa que guarda um segredo diabólico sobre sua juventude eterna. E vale destacar, entre as divertidas tosquices, a cena de morte por esmagamento por um rolo compressor, produzida com efeitos práticos e longe da artificialidade da computação gráfica.

 

O filme teve uma continuação em 2002, “Killer Barbys vs. Dracula”, também dirigida por Jesús Franco, dessa vez com a companhia de sua musa Lina Romay no roteiro e elenco.

Curiosamente, a banda espanhola “Killer Barbies” existe na realidade e foi criada pela vocalista e guitarrista Silvia Superstar e o baterista Billy King, sendo convidada para participar dos dois filmes de Franco. Mas, para evitar problemas com os direitos da marca da boneca Barbie, a banda teve o nome levemente alterado nos filmes para “Killer Barbys”.

 

(RR – 28/11/21)




Pesadelos Noturnos (Nightmares Come at Night, Liechtenstein, 1970)

 


“Choro pelas cinzas daqueles que foram queimados vivos. Choro pelo grito do morto que se perde no espaço infinito. Choro pelo sangue que derramei...”

 

O cinema fantástico europeu de baixo orçamento tem no cineasta espanhol Jesús Franco um de seus maiores representantes. “Pesadelos Noturnos” (1970), conhecido pelo título internacional “Nightmares Come At Night”, é mais um filme de seu extenso currículo que passa das duas centenas de produções, aqui com uma história com alguns poucos elementos sutis de horror e muita exploração de nudez de belas mulheres.

 

Anna de Istria (Diana Lorys, de “O Terrível Dr. Orloff”) é dançarina num show de strip-tease numa boate e sua vida muda depois de receber o convite de outra mulher, a rica Cynthia Robins (Colette Giacobine, creditada como Colette Jack), para morar com ela em sua casa enorme. Porém, enquanto tenta se adaptar numa rotina mais luxuosa e numa relação mais íntima com sua anfitriã, Anna começa a sofrer com perturbadores “pesadelos noturnos”. Nesses momentos oníricos, ela comete assassinatos, confundindo sua mente entre realidade e fantasia e questionando se alguma doença poderia estar alterando sua sanidade.

Um amigo de Cynthia, o médico psiquiatra Dr. Paul Lucas (o ótimo ator suiço Paul Muller, de “A Virgem e os Mortos”), é chamado para tentar ajudar e orientar a atormentada Anna, com seus sonhos tornando-se cada vez mais confusos. E um estranho casal de vizinhos, Soledad Miranda (creditada como Susan Korda) e seu namorado (André Montchall), está sempre observando os movimentos na casa ao lado, interessados em algo misterioso. Enquanto Anna luta para não sucumbir à loucura pelos terríveis pesadelos, uma trama sinistra de conspiração, com mortes e roubo de joias, parece tomar conta do lugar.           

 

Este é mais um filme “exploitation” de Jesús Franco (aqui creditado como Jess Franco), com história confusa e arrastada que parece não ter muita importância, para dar lugar às cenas eróticas das belas atrizes nuas, especialmente Diana Lorys, pois sua personagem Anna passa a maior parte do tempo sem roupas. Os elementos de horror são bem discretos, com apenas alguns assassinatos sem sangue e violência, além de um elogiável desfecho pessimista.

Um dos cartazes estampa a atriz espanhola Soledad Miranda, numa ação oportunista de marketing, pois ela teve uma participação muito pequena e de forma isolada. Conhecida por outros filmes do diretor Franco como “Conde Drácula” (1970), com Christopher Lee, Herbert Lom e Klaus Kinski, e “Vampiras Lésbicas” (1971), ela morreu precocemente num acidente de carro, tornando-se uma atriz cultuada. Curiosamente, enquanto aguardam a oportunidade de tornarem-se ricos, a personagem de Soledad Miranda fala para seu namorado que gostaria de ter sua vida de luxos fugindo para o Brasil.  

 

“Pesadelos Noturnos” foi considerado um filme perdido por muitos anos e redescoberto em 2004 num lançamento internacional em DVD. Existem fontes que informam que as sequências isoladas da personagem de Soledad Miranda e seu namorado eram apenas testes de cena filmados antes e que explicam a falta de uma conexão mais convincente com a história de pesadelos de Anna.

Foi distribuído no Brasil em DVD pela “Vinny Filmes” em Janeiro de 2012, na coleção “Clássicos do Terror”, sem material extra, e também pela “Continental”.   

O país de produção é o minúsculo Liechtenstein, localizado no centro da Europa, próximo da Alemanha, Áustria e Suiça, e o título original é “Les cauchemars naissent la nuit”.  

 

(RR – 21/11/21)




Crimson - A Cor do Terror (Crimson - The Color of Terror, Espanha / França, 1973)

 


O ator espanhol Paul Naschy, pseudônimo de Jacinto Molina (1934 / 2009), também conhecido como cineasta e roteirista, é um nome lendário no cinema de horror europeu de baixo orçamento. Entre as dezenas de filmes bagaceiros de seu currículo, temos “Crimson – A Cor do Terror” (Crimson – The Color of Terror, Espanha / França, 1973), dirigido pelo espanhol Juan Fortuny e produzido pela “Eurociné”.   

 

Um grupo de ladrões liderado por Jack Surnett (Paul Naschy) e seus capangas Henry (Olivier Mathot, de “O Exorcista Diabólico”, 1975), Karl (Victor Israel) e Paul (Yul Sanders), é perseguido pela polícia após uma tentativa fracassada de roubo de um cofre com joias. Na fuga, Surnett é alvejado com um tiro na cabeça. Para tentar evitar sua morte certa, seus comparsas de crime o levam até o médico bêbado Dr. Ritter (Carlos Otero), que deve favores para a gangue. Uma vez incapaz de ajudá-lo pela gravidade do ferimento, ele recorre a um amigo cientista, o Prof. Teets (Richard Palmer), que está trabalhando numa pesquisa científica de transplante de cérebros, com o auxílio de sua esposa Ana (a bela atriz francesa Sylvia Solar, de “O Beijo do Diabo”, 1976).

Para a realização da bizarra cirurgia de transplante, os criminosos, com a ajuda da namorada de Surnett, Ingrid (Gilda Anderson), decidem ir atrás de um inimigo rival conhecido como “O Sádico” (Roberto Mauri), para eliminá-lo e utilizar seu cérebro. Porém, eles terão que enfrentar a fúria vingativa da quadrilha rival formada, entre outros, pelo segundo em comando Willy (Richard Kolin) e a namorada do Sádico, Barbara (Evelyne Scott). Além disso, o já temível assaltante Surnett, após o transplante com o cérebro do inimigo, passa a sentir efeitos colaterais com instabilidade mental, tornando-se agora ainda mais violento, perigoso e imprevisível.

 

“Crimson – A Cor do Terror” é um thriller policial com disputa entre gangues rivais de criminosos com uma ideia básica de horror e ficção científica bagaceira apenas como pano de fundo, através do elemento “cientista louco” e suas experiências de transplantes de cérebros para o suposto bem da humanidade.

Tem pouca violência e ausência de sangue (não justificando a escolha do título, que enfatiza a cor do sangue), com mortes ocorrendo quase apenas em tiroteios. A atmosfera de horror é discreta e limitada aos momentos no laboratório bizarro do cientista e a transformação de Surnett num assassino ainda mais cruel. Existe uma cena desnecessária, que não agrega à história, com um número de dança de uma mulher e dois homens numa boate, que mais parece apenas uma forma de completar a metragem do filme.

E é uma pena que Paul Naschy tenha pouca presença, aparecendo em cena apenas no início na tentativa mal sucedida de assalto, e depois da cirurgia cerebral, em alguns momentos com um comportamento psicopata causado pela influência do cérebro de seu inimigo.

 

Curiosamente, a história do filme é similar e certamente foi inspirada em “Sexta-Feira 13” (não o filme slasher de Jason Voorhees), mas “Black Friday” (1940), uma produção em preto e branco da “Universal”, com os ícones do horror Boris Karloff e Bela Lugosi.

Para a satisfação dos colecionadores e apreciadores do cinema fantástico bagaceiro europeu, foi lançado em DVD no Brasil pela “Vinny Filmes” em Novembro de 2011, na coleção “Clássicos do Terror”, sem material extra.

Entre os vários títulos alternativos, é conhecido na Espanha como “Las ratas no duermen de noche” e na França como “L'homme à la tête coupée”, além de “Crimson – The Color of Blood” e “The Man With the Severed Head”.

 

(RR – 16/11/21)