O Terror do Himalaia (The Snow Creature, EUA, 1954, PB)

 


O lendário “Yeti”, ou “homem das neves” é uma criatura primitiva enorme que poderia ser o elo evolutivo entre o macaco e o homem, também conhecido num equivalente paralelo nas florestas dos Estados Unidos como “Sasquatch” ou o mais popular e conhecido “Pé Grande”.

Em 1954 foi lançado “O Terror do Himalaia” (The Snow Creature), considerado um dos primeiros filmes abordando o tema do “Yeti”.  Produzido nos Estados Unidos com baixo orçamento com fotografia em preto e branco e metragem de pouco mais de uma hora (71 minutos). Disponível no “Youtube” com opção de legendas em português, tem direção de W. Lee Wilder e roteiro de seu filho Myles Wilder.

  

Uma expedição científica americana vai para as montanhas geladas do Himalaia para estudar as plantas. Formada pelo botânico Dr. Frank Parrish (Paul Langton) e o fotógrafo Peter Wells (Leslie Denison), que recrutam vários nativos locais liderados por Subra (Teru Shimada).

Porém, depois que a esposa de Subra é raptada por uma criatura imensa conhecida na região como “Yeti”, um gigante da neve, ocorre um motim dos carregadores e a expedição muda o foco trocando o estudo botânico por uma perseguição e tentativa de captura do monstro. E depois que ele é encurralado numa caverna onde ocorre um desmoronamento, é capturado e devidamente sedado para ser transportado aos Estados Unidos para estudos.

Uma vez confinado numa câmara refrigerada, o “abominável homem das neves” consegue escapar espalhando o horror na cidade, colecionando vítimas e se escondendo nos subterrâneos da rede de esgotos, com o Dr. Parrish e a polícia em seu encalço, através do comando do Tenente Dunbar (Bill Phipps).

 

“O Terror do Himalaia” pode ser dividido em dois segmentos distintos. O primeiro tem ambientação nas montanhas geladas do Oriente com tempestades de neve e ventos fortes constantes, onde a expedição inicialmente científica se transforma numa caça ao “Yeti”. O outro bloco tem ambientação urbana, com o monstro solto pelas ruas de Los Angeles, atacando as pessoas e sendo perseguido pela polícia. Ambas as partes são igualmente entediantes e arrastadas, onde nem o “Yeti” consegue salvar o filme do merecido limbo do esquecimento.   

O monstro, interpretado por Lock Martin, ator que foi o robô Gort em “O Dia Em Que A Terra Parou” (1951), aparece pouco e sempre em cenas repetidas e muito escuras onde apenas aparece sua silhueta. O que poderia ser a parte mais interessante do filme, infelizmente foi negligenciada pelos realizadores, pois as cenas com o “Yeti” são mal produzidas e os poucos ataques estão na direção contrária do entretenimento esperado pelos apreciadores do cinema de horror bagaceiro.  

Por outro lado, ainda bem que poucos anos depois, em 1957, tivemos uma versão inglesa muito melhor através da cultuada produtora “Hammer”, com direção de Val Guest e elenco liderado pelo ícone do horror Peter Cushing.

 

(RR – 27/06/23)





The Beach Girls and the Monster (EUA, 1965, PB)

 


“The Beach Girls and the Monster” (1965) é uma tranqueira americana com elementos de horror e fotografia original em preto e branco, que está disponível no “Youtube” tanto na versão em P&B como colorizada por computador, com a opção de legendas em português.

 

Com direção de Jon Hall (que também é ator) e duração curta de apenas 66 minutos, a história é sobre jovens que frequentam as praias de Malibu, na Califórnia, para surfar nas ondas do mar e dançar em festas na areia com músicas e brincadeiras, e que são surpreendidos com ataques de um monstro marinho, que pode ser uma mutação assassina ou um humano fantasiado (informação que até pode ser considerada “spoiler” e está na sinopse oficial).

Entre os jovens festeiros temos Richard Lindsay (Arnold Lessing) e sua namorada Jane (Elaine DuPont). Ele mora numa bela casa na beira da praia e é filho do cientista oceanógrafo Dr. Otto Lindsay (Jon Hall), que por sua vez é casado com uma mulher bem mais jovem, Vicky (Sue Casey), que está descontente e entediada com o relacionamento. Junto com eles, mora também um amigo de Richard chamado Mark (Walker Edmiston), que é um artista escultor com deficiência em uma das pernas devido um grave acidente de carro.

Enquanto os jovens se divertem na praia com cantorias e danças, um monstro assassino aparece para fazer parte da festa deixando um rastro de vítimas, despertando a atenção da polícia com a investigação das mortes violentas pelo xerife Michaels (Red Morgan).       

 

Jovens, praia, surf e danças. O filme é apenas mais uma combinação descartável desses elementos associados com a inclusão de um monstro bagaceiro de olhos esbugalhados e estáticos (um ator vestindo uma roupa fuleira de borracha). Com uma história extremamente simples e previsível, sem suspense, sem mistérios, sem clima sinistro e quase nada de sangue, com uma narrativa cansativa e arrastada. Ainda bem que a metragem é curta. As únicas coisas que se salvam de um desperdício total de tempo são as cenas de ataques do monstro patético, mesmo sendo num ambiente desprovido de qualquer atmosfera sombria.  

A maioria dos filmes bagaceiros com elementos de horror e ficção científica são divertidos justamente pelas características precárias de produção com efeitos práticos criativos e fuleiros. As histórias exageradas no escapismo, mesmo carregadas dos mesmos clichês também contribuem para o entretenimento. Mas, existem filmes ruins que fogem dessa regra e cansam bem mais do que supostamente divertiriam. “The Beach Girls and the Monster” é um deles, que faz apenas o espectador torcer em vão para o monstro de borracha eliminar todo o elenco ruim e se possível os realizadores também. Só vale conhecer por curiosidade e exclusivamente para os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro.   

 

(RR – 21/06/23)






O Cérebro do Planeta Arous (The Brain From Planet Arous, EUA, 1957, PB)

 


“Sou imaterial e indestrutível. Gor, um dos maiores intelectos do reino da inteligência, te honra em utilizar seu corpo. Eu, Gor, em seu estúpido corpo, possuo o poder da vida e da morte sobre sua civilização. Através de mim, você obterá um poder desconhecido nunca visto antes em toda a história de seu planeta. O poder do intelecto puro.”

– alienígena Gor, para o cientista Steve March

 

Após o fim da Segunda Guerra Mundial foi lançada uma infinidade de filmes bagaceiros de horror e ficção científica explorando a tensão da recém-criada guerra fria entre os mais poderosos do nosso planeta, Estados Unidos e União Soviética. A paranoia da era atômica, com crescentes testes com bombas nucleares e experiências sobre o poder da radioatividade como arma de destruição em massa impulsionou a produção de filmes divertidos de invasão alienígena hostil como a tranqueira com título sonoro e chamativo “O Cérebro do Planeta Arous” (The Brain From Planet Arous, EUA, 1957), dirigido por Nathan Hertz (pseudônimo de Nathan Juran) e com John Agar à frente do elenco.

 

O cientista nuclear Steve March (John Agar) e seu assistente Dan Murphy (Robert Fuller), estão trabalhando com experiências envolvendo a energia atômica. Eles decidem ir até uma região montanhosa numa época de calor intenso conhecida como Mount Mystery, no Estado americano de Washington, para investigar um sinal estranho de atividade radioativa. Chegando ao local, encontram uma caverna recém-aberta e em seu interior se deparam com uma criatura alienígena parecida com um cérebro gigante, chamada Gor (voz de Dale Tate), vinda do planeta Arous. O ser de outro mundo, tirano, arrogante e hostil, se apossa do corpo do cientista Steve para obter acesso e informações importantes para colocar em prática um plano de invasão e domínio, primeiramente da Terra e depois do Universo.

Ao retornar para casa, sob o controle da criatura alienígena, o cientista desperta a desconfiança de sua noiva Sally Fallon (Joyce Meadows) e do pai dela, John Fallon (Thomas Browne Henry), com atitudes hostis, conversas misteriosas sobre armas poderosas e ideias de enriquecimento e conquista, além de apresentar fortes dores na cabeça. Em paralelo, surge outro alienígena de cérebro imenso, Vol (também voz de Dale Tate), que se apresenta como pacífico e com a intenção de ajudar, informando que Gor é um criminoso de seu planeta e que deve ser impedido. Eles então unem esforços na tentativa de deter a tirania de Gor utilizando a favor talvez a única vulnerabilidade do alienígena, atacando uma fissura central no cérebro. Impedindo seu plano de dominação com o uso do poder mental através dos olhos deformados, como arma de destruição superior às bombas atômicas.

 

O filme é uma daquelas produções paupérrimas com efeitos práticos fuleiros. O cérebro gigante alienígena parece um balão tosco com olhos, pendurado por fios que não conseguem ser invisíveis, num resultado extremamente divertido justamente pela precariedade. O roteiro é raso, simples e distante de lógica, cheio daqueles clichês e situações previsíveis que garantem o entretenimento. O momento, por exemplo, em que Sally e seu pai encontram o cérebro “bonzinho” Vol, e não demonstram nenhuma reação de espanto ou incredulidade ao se depararem com uma criatura bizarra que parece um enorme balão inflável falante, demonstra que os realizadores não estavam muito interessados em estabelecer alguma credibilidade à história.  

Curiosamente, é um dos primeiros trabalhos de Robert Fuller, que seria um rosto reconhecido principalmente pela série de western “Laramie” (1959 / 1963). O diretor Nathan Juran tem várias tranqueiras divertidas em seu currículo como “O Castelo do Pavor” (1952), “Fúria de Uma Região Perdida” (1957), “A Vinte Milhões de Léguas da Terra” (1957), “A Mulher de 15 Metros” (1958) e “Os Primeiros Homens na Lua” (1964), entre outros. E o ator John Agar esteve em várias preciosidades do cinema bagaceiro de horror e FC como “A Revanche do Monstro” (1955), “Tarântula” (1955), “O Templo do Pavor” (1956), “Invasores Invisíveis” (1959), “O Monstro do Planeta Perdido” (1962) e “O Monstro de Vênus” (1967), entre outras pérolas.

Os trabalhos de maquiagem são de Jack P. Pierce, o mesmo responsável por muitos filmes da produtora “Universal” e monstros sagrados do horror como “Drácula”, “A Criatura de Frankenstein”, “A Múmia”, “O Lobisomem” e “O Fantasma da Ópera”.

O cultuado “O Cérebro do Planeta Arous”, assim como uma infinidade de outros similares do cinema fantástico bagaceiro do passado, está disponível no “Youtube” em versão original em preto e branco e também colorizada por computador, com a opção de legendas em português, e imagens com ótima qualidade.

 

“... Amanhã haverá um novo mundo. Vocês têm mentes pequenas. Você é incapaz de compreender a importância dos eventos de hoje. Você está prestes a ter sucesso onde César, Napoleão e Hitler falharam. Através de mim, você terá governado o mundo. Mas eu vou governar o universo.”

 

(RR – 12/06/23)






O Rei dos Zumbis (King of the Zombies, EUA, 1941, PB)

 


“A mágica vodu é mais real do que você pensa.”

– Dr. Miklos Sangre

 

O cultuado clássico de George Romero “A Noite dos Mortos-Vivos” (Night of the Living Dead, 1968) introduziu os zumbis putrefatos devoradores de carne humana e serviu de influência e inspiração para uma infinidade de similares que vieram em seu rastro. Mas, essas criaturas tradicionais da cultura pop (ao lado dos vampiros, lobisomens, demônios, fantasmas, etc), que insistem em caminhar sobre a Terra mesmo depois de mortos, já existiam bem antes em filmes como “O Rei dos Zumbis” (King of the Zombies, 1941), produção americana da “Monogram”, misturando horror com elementos de comédia, fotografia em preto e branco, metragem curta com apenas 67 minutos e direção de Jean Yarbrough.

 

Um avião perdido numa tempestade em alguma região do Caribe faz um pouso forçado na selva de uma ilha. Seus ocupantes sobrevivem na queda, o piloto James McCarthy (Dick Purcell) e os passageiros Bill Summers (John Archer), um agente secreto do governo americano, e seu assistente Jefferson “Jeff” Jackson (Mantan Moreland). Eles são recepcionados na mansão do cientista Dr. Miklos Sangre (Henry Victor), um austríaco refugiado que vive na ilha com a esposa Alyce (Patricia Stacey), a sobrinha Barbara Winslow (Joan Woodbury) e seus servos nativos, realizando experiências com hipnose e magia vodu. Entre os zumbis sob seu comando está a própria esposa, que faz parte de um experimento com um ritual para trocar de alma com o Almirante Arthur Wainright (Guy Usher), outro náufrago na ilha, com objetivos obscuros de espionagem para os alemães na Segunda Guerra Mundial.  

 

O filme foi imaginado inicialmente apenas como um filme de horror, mas depois do sucesso comercial de “O Castelo Sinistro” (The Ghost Breakers, 1940), que combinou humor com horror, os produtores decidiram também acrescentar comédia, aproveitando a boa aceitação do público para essa mistura de gêneros (que para mim raramente funciona). Vários filmes utilizando esse conceito foram lançados na época como “O Castelo dos Mistérios” (1940), com Boris Karloff, Bela Lugosi e Peter Lorre, e “Um Cientista Distraído” (1942), novamente com Karloff.

E o maior problema com o filme é justamente a inclusão desses elementos de humor, com vários alívios cômicos entediantes e inconvenientes do tagarela Jeff, destruindo qualquer tentativa de se criar uma atmosfera mais sombria com uma história até interessante de “cientista louco” com seus zumbis hipnotizados e espionagem nazista em tempos de guerra. A insistência dos produtores com os elementos de humor em vários filmes contribuiu para minimizar o entretenimento daqueles que esperavam encontrar climas mais perturbadores nos roteiros.

Particularmente, não aprecio muito essa combinação, e algumas exceções ficam por conta de “Farsa Trágica” (The Comedy of Terrors, 1963), com um elenco de peso trazendo juntos Boris Karloff, Vincent Price, Peter Lorre e Basil Rathbone, e também a paródia “O Jovem Frankenstein” (Young Frankenstein, 1974), de Mel Brooks e com Gene Wilder no papel do cientista obcecado por criar vida num monstro feito de pedaços de cadáveres.   

“O Rei dos Zumbis” teve uma sequência lançada por aqui como “A Vingança dos Zumbis” (Revenge of the Zombies, 1943), dessa vez trazendo um ator que tem o nome vinculado ao cinema fantástico, John Carradine. Ele, que possui uma filmografia imensa de Horror e Ficção Científica, lidera o elenco fazendo o papel do “cientista louco”, ao lado de Mantan Moreland, que retorna com seu personagem cômico Jeff.

Para a satisfação dos apreciadores do cinema antigo, “O Rei dos Zumbis” pode ser conferido no “Youtube” em versão original com opção de legendas em português.

 

(RR – 07/06/23)





Devils of Darkness (Inglaterra, 1965)

 


"Conde Sinistre. Nascido em 1588. Condenado por seus crimes infames e bárbaros, a ser enterrado vivo. Porque o seu olho é maligno, todo o seu corpo é cheio de escuridão.”


“Devils of Darkness” (Inglaterra, 1965) é mais um filme abordando a temática do vampirismo com elementos de ocultismo. Dirigido por Lance Comfort, está disponível na plataforma de vídeos “Youtube” em versão original inglesa com opção de legendas em português. 


O Conde Sinistre, Armond du Moliere (Hubert Noël), é um vampiro ancestral que lidera uma seita satânica num pequeno vilarejo na França. Depois de executado pelos aldeões, junto com sua noiva cigana Tania (Carole Gray), seus túmulos são encontrados séculos depois nas escavações de uma caverna, e seu culto maligno retorna às atividades, com vários seguidores numa conspiração satânica. 

Dois turistas ingleses, o escritor Paul Baxter (William Sylvester, de “Gorgo”, 1961) e Anne Forest (Rona Anderson), cruzam o caminho do vampiro, e numa fuga apressada a criatura da noite perde um talismã mágico poderoso, que fica em posse de Paul, devidamente escondido. 

Em paralelo, ocorrem várias mortes misteriosas que despertam a atenção da polícia, na investigação do Inspetor Hardwick (Victor Brooks), com as vítimas apresentando marcas no pescoço, como Keith (Geoffrey Kenion), o irmão de Anne, e o cientista Dr. Robert Kelsey (Eddie Byrne), amigo de Paul. 

Agora a missão do vampiro e seus seguidores é o resgate do talismã, que tem gravuras sinistras de uma serpente e um morcego. Para isso eles utilizam a bela Karen Steele (Tracy Reed), novo interesse amoroso de Paul, num ritual demoníaco que poderia servir de armadilha para recuperar o objeto mágico.  


Pelo título original sonoro e expressivo, “Demônios da Escuridão”, e sendo um filme inglês da década de 1960 com elementos de vampirismo, ocultismo e horror gótico, o apreciador do estilo logo ficaria animado ao lembrar das cultuadas produtoras “Hammer” ou “Amicus” e seus incontáveis filmes preciosos. Mas infelizmente, “Devils of Darkness” não consegue escapar do limbo dos filmes apenas comuns, com história arrastada e pouca atmosfera sombria. É pena que o trailer de divulgação já mostre praticamente tudo que é interessante, ou seja, algumas cenas sinistras de rituais satânicos. Porém, a maior parte do restante do filme é apenas enrolação para chegar na metragem final.


"Demônios das Trevas, Conde Sinistre, nascido em 1588, Armond du Moliere - artista parisiense, estava envolvido em todos os tipos de perversidade e maldade. Ele reivindicou suas vítimas por meio de feitiçaria hipnótica, até que na aldeia de Pelak, na Bretanha, acusado de ser um Vampiro, foi enterrado vivo. Para aqueles que seguiram sua busca pelo poder diabólico da Magia Negra, ele era conhecido como Conde Sinistre, o credo de seus iniciados era obter poder ilimitado sobre Deus, o Demônio e o Homem.”

– do livro “Talismans: The Power of Magic” (1675)


(RR – 24/05/23)




A Garota Diabólica de Marte (Devil Girl From Mars, Inglaterra, 1954, PB)

 


"Professor, eu observei o seu encontro com a parede eletrônica. 
Hoje é você que aprendeu sobre o poder de Marte. Amanhã será o mundo
 inteiro!”
– marciana Nyah para o cientista Prof. Arnold Hennessey

 

A equação “disco voador fuleiro” + “robô alienígena tosco” só poderia ter como resultado mais uma divertida tranqueira de ficção científica e horror produzida na nostálgica década de 1950 do século passado, período fértil do cinema fantástico bagaceiro, com uma infinidade de filmes de orçamentos pequenos, roteiros carregados de clichês sem compromisso com lógica e exagerados em fantasia, além de efeitos práticos paupérrimos e divertidos. “A Garota Diabólica de Marte” (Devil Girl From Mars) é um filme inglês curto (só 77 minutos), dirigido por David MacDonald e produzido pelos irmãos Danziger (Edward J. e Harry Lee) com fotografia original em preto e branco.

 

O astrofísico Prof. Arnold Hennessey (Joseph Tomelty) e o jornalista Michael Carter (Hugh McDemott), partem de Londres para um vilarejo no interior da Escócia para investigar um suposto meteoro que passou pelo lugar. Em pleno inverno, eles chegam numa pousada de propriedade do casal de idosos Sr. Jamieson (John Laurie) e esposa (Sophie Stewart), que vivem com seu sobrinho pequeno Tommy (Anthony Richmond) e o ajudante geral David (James Edmond). Chegando lá, eles encontram apenas uma única hóspede, Ellen Prestwick (Hazel Court) e a garçonete Doris (Adrienne Corri). Em paralelo, surge também o presidiário fugitivo Robert Justin (Peter Reynolds), que está usando um nome falso, Albert Simpson, que é namorado de Doris e alega inocência.

Uma vez formado esse grupo de pessoas na pousada, ocorre um evento inesperado com uma nave espacial pousando nas proximidades, tripulada por uma bela mulher vestindo roupas de couro preto, Nyah (Patricia Laffan), que se identifica como vinda de Marte à procura de homens fortes na Terra para ajudar no repovoamento de seu planeta devastado por uma guerra. Com ar de arrogância e superioridade, e utilizando tecnologia muito mais avançada, ela informa que seu destino seria uma cidade mais populosa como Londres, mas erros de cálculos somados a um acidente na entrada em nossa atmosfera obrigou o pouso forçado da nave para o conserto das avarias.

Contando com a ajuda de um enorme robô assassino, Chani (nome bem estranho), responsável por mortes e destruição com uma arma de raios desintegradores, a marciana Nyah decide permitir que alguém do grupo do hotel possa acompanhá-la em sua missão, não imaginando que eles possuem um plano de sabotagem do disco voador.    

 

“A Garota Diabólica de Marte” é mais um filme da época da guerra fria abordando o tema de invasão alienígena hostil. Já vale conferir essa pérola do cinema antigo bagaceiro de FC & Horror, só pela história patética e exagerada no escapismo e pelas várias cenas com a nave alienígena parecendo uma luminária circular, tanto nos momentos de voo quanto parado em solo, além dos cenários de seu interior, o robô hilário de tão tosco e a líder marciana autoritária.

O robô Chani, que mais parece uma lata de sardinha gigante, até que possui algumas similaridades com Gort, na questão dos raios mortais de desintegração. De aparência humanoide, Gort é um dos mais memoráveis robôs do cinema, presente no clássico “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951).

Parte da ideia básica da história também pode ser vista na tranqueira americana “Frankenstein Contra o Monstro Espacial” (1965), onde uma líder alienígena sarcástica também vem para a Terra, só que à procura de mulheres para auxiliar no repovoamento de seu planeta.

Para a satisfação de quem se diverte vendo essas preciosidades, “Devil Girl From Mars” está disponível no “Youtube” com opção de legendas em português e também numa versão colorizada. E para os colecionadores de mídia física, foi também lançado em DVD no Brasil com o título “Mulher Diabólica de Marte”, pela “Obras-Primas do Cinema”, na Coleção “Invasão Sci-fi: Extraterrestres”, acompanhado de outros três filmes: “Plano 9 do Espaço Sideral” (1959), “Ele! O Terror Que Vem do Espaço” (1958) e “O Homem do Planeta X” (1951). 

 

(RR – 17/05/23)















Guerra dos Satélites (War of the Satellites, EUA, 1958, PB)

 


"... O aviso do espaço sideral era válido. 
Veio de uma inteligência superior. Uma inteligência capaz
 de transformar energia em matéria, e vice-versa... 
Estou acima do humano... Este satélite nunca mais voltará
 à Terra. Sua desintegração ao entrar em contato com a
 barreira de energia encerrará o Projeto Sigma e todos os
 projetos semelhantes que virão. As criaturas do seu 
planeta ainda não estão prontas para o espaço.”
– Dr. Pol Van Ponder (clone alienígena)

 

Roger Corman é o eterno mestre dos filmes de horror e ficção científica de orçamentos minúsculos, efeitos práticos precários, cenários reaproveitados e histórias escapistas sem preocupação com lógica e conceitos científicos. E é exatamente por tudo isso que seus filmes são divertidos e cultuados. “Guerra dos Satélites” (War of the Satellites, 1958), dirigido e produzido por Corman, com fotografia em preto e branco e duração curta de apenas 66 minutos, é um dos primeiros de sua longa carreira e para a sorte dos apreciadores do cinema de gênero antigo bagaceiro, está disponível no “Youtube” com a opção de legendas em português.

 

O cientista Dr. Pol Van Ponder (Richard Devon) é o líder do projeto espacial “Sigma”, que consiste em explorar o espaço com satélites tripulados. Porém, um misterioso campo de força destrutivo está impedindo a livre movimentação dos satélites, que explodem no espaço. Essa barreira de energia é controlada por uma raça alienígena hostil que não deseja a exploração espacial pela humanidade.

Com o fracasso do projeto e enfrentando grande pressão de opositores devido aos gastos excessivos e mortes dos exploradores voluntários, o cientista decide ele mesmo liderar uma missão, que inclui seus amigos Dave Boyer (Dick Miller, que esteve em vários outros filmes bagaceiros de Corman) e Sybill Carrington (Susan Cabot, de outras tranqueiras preciosas como “A Mulher Vespa”).

Porém, o cientista é assassinado num acidente de carro causado pelos extraterrestres, que criam um clone de seu corpo para tentar sabotar a missão e impedir o sucesso do projeto, restando aos outros tripulantes do satélite descobrir sua real identidade e intenções, lutando por suas vidas, aumentando as fronteiras e eliminando os limites que impediam a exploração do Universo pela raça humana.     

 

Roger Corman utilizou suas habilidades de cineasta e produtor oportunista e ágil para lançar “Guerra dos Satélites” em apenas algumas semanas, aproveitando o momento favorável de marketing gratuito na época com o lançamento em 1957 do satélite Sputnik para orbitar a Terra. Um feito marcante para a humanidade, realizado pela antiga União Soviética durante a corrida espacial na guerra fria com os Estados Unidos.

O roteiro simples não tem compromisso com a ciência e é totalmente voltado para o entretenimento escapista. Os “astronautas” viajam em confortáveis poltronas reclináveis como turistas do espaço. Os efeitos práticos incluem miniaturas toscas de foguetes e satélites, cenários futuristas dos interiores das naves e salas de controle com os tradicionais e imensos painéis de comutação cheios de botões, interruptores, medidores e alavancas.

A narrativa é ágil, não perdendo tempo com futilidades, tanto que a metragem é bem curta com pouco mais de uma hora de filme, que até poderia se confundir devido suas características similares, com um episódio estendido de séries cultuadas de TV do mesmo período como “Além da Imaginação” (The Twilight Zone) ou “Quinta Dimensão” (The Outer Limits).  

Curiosamente, tem até a participação não creditada do próprio Corman como um controlador de voo operando diretamente do solo.   

 

(RR – 10/05/23)