Comentários de Cinema - Parte 32



Filmes abordados:

Bebê Maldito II, O (The Unborn II, EUA, 1994)
Despertar do Demônio / Cidade das Bruxas, A (Bay Cove, EUA, 1987)
Filha de Sarah, A (Sarah´s Child, EUA, 1994)
Ghoulies IV – Eles Estão Próximos! (Ghoulies IV, EUA, 1994)
Maldição dos Brinquedos, A (Curse of the Puppet Master, EUA, 1998)
Noiva Assassina, A (Praying Mantis, EUA, 1993)

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* O Bebê Maldito II (1994)

Criado da ciência. Vazio de alma. Nascido para comandar – tagline promocional do segundo filme do bebê maldito

Lançado em VHS no Brasil pela “California” e com produção do “Rei dos Filmes B” Roger Corman, “O Bebê Maldito II” (The Unborn II, 1994) é o típico exemplo do cinema bagaceiro de horror dos anos 90 do século passado, com história tranqueira onde o destaque é o bebê do título, deformado e assassino, um boneco animatrônico que diverte justamente por ser extremamente tosco.
A direção é de Rick Jacobson e a história sucede um original lançado em 1991. Dessa vez, acompanhamos os passos de uma misteriosa mulher, Linda Holt (Robin Curtis), que possui uma lista com vários nomes de crianças, as quais são procuradas por ela e brutalmente assassinadas quando localizadas. Em seu rastro temos um detetive da polícia incompetente, Tenente Briggs (Leonard O. Turner), que não consegue impedir as ações violentas da mulher, mesmo matando crianças em locais improváveis como um parque movimentado e ensolarado, ou dentro de um berçário numa maternidade.
Uma das crianças procuradas é Joey, um bebê de seis meses cabeçudo e deformado, que está sendo protegido pela mãe, Catherine Moore (Michele Greene), uma escritora de livros infantis que está sempre se mudando de casa e escondendo o filho esquisito de todos a sua volta. O que não impede de ter que enfrentar uma dupla de assistentes sociais que querem investigar sua conduta como mãe, depois de uma denúncia de mais tratos dos novos vizinhos intrometidos, Artie e Marge Philips (Darryl Henriques e Caroline White, respectivamente), pais da adolescente Sally Anne (a alemã Brittney Powell). Para ajudá-la a esconder o bebê maldito, surge um misterioso homem inicialmente amigável, John Edson (Scott Valentine), que tem objetivos sinistros e é a principal ligação com o filme original. 
A história não é original, lembrando elementos de outra franquia, “Nasce Um Monstro” (It´s Alive), que teve 3 filmes. Não desperta muita atenção e têm diversas situações exageradas, principalmente os tiroteios intermináveis e barulhentos, que não soam convincentes. O que realmente vale a pena no filme é o bebê maldito em cena, tosco ao extremo, que come carne crua e arranca pedaços de suas vítimas com os dentes afiados, além dos grunhidos animalescos para se comunicar. Ele é o resultado de testes genéticos de fertilização mal sucedidos, os quais geraram crianças demoníacas, deformadas e agressivas, que ainda tem o poder de controlar a mente das pessoas para seu benefício (reforçando a ideia da tagline promocional reproduzida no início do texto). Tudo obra de um “cientista louco”, Dr. Richard Meyerling, do original, e que é citado rapidamente nessa continuação para reforçar a conexão entre os filmes.
O desfecho em aberto, como sempre acontece nas franquias intermináveis em busca de lucros, mesmo que pequenos, possibilita uma eventual sequência, um truque comum dos produtores caso decidam a viabilidade de continuar a história. Porém, isso não aconteceu, e o bebê maldito parou nessa segunda parte.  
(RR – 22/06/17)

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* Despertar do Demônio (1987)
O mercado brasileiro de vídeo VHS foi bastante movimentado entre os anos 80 e 90 do século passado, com muitos lançamentos de filmes de horror. “Despertar do Demônio” (Bay Cove) é de 1987 e foi lançado por aqui pela “Globo Vídeo”, sendo uma produção especialmente para a televisão dirigida por Carl Schenkel, e com a curiosidade da participação no elenco de um jovem Woody Harrelson, em início de carreira. Dentre uma infinidade de atores e atrizes que aparecem em centenas de filmes de todos os estilos e para todos os lados, apenas alguns poucos conseguem sucesso efetivo na carreira. Harrelson é um deles, sempre atuante e participando de grandes projetos como a franquia “Jogos Vorazes”. 
Um jovem casal sem filhos, Jerry Lebon (Tim Matheson) e a esposa Linda (Pamela Sue Martin), decide se mudar e sair do aluguel, comprando uma casa afastada da cidade, localizada num pequeno vilarejo de uma ilha pouco habitada. O lugar é chamado de “Bay Cove” (do título original) e a comunidade local tem mais de 300 anos de história. Eles primeiramente são recebidos com entusiasmo e cordialidade pelos novos vizinhos, como a idosa Beatrice Gower (Barbara Billingsley), antiga proprietária da casa vendida para eles, e pelos casais Josh (Jeff Conaway) e Debbi McGwin (Susan Ruttan), e os misteriosos Nicholas (James Sikking) e Matty Kline (Inga Swanson).
Porém, uma série de acontecimentos bizarros e sinistros transforma seus novos vizinhos em pessoas extremamente estranhas. Como a ocorrência de acidentes misteriosos e trágicos envolvendo um amigo de Linda, Slater (Woody Harrelson), que veio à ilha para visitá-la, e também o cachorro de estimação da moça, passando pelo comportamento nada infantil das poucas crianças do lugar, e pelos avisos de alerta para o perigo de um velho recluso numa cadeira sempre observando os movimentos de uma janela num sótão. Além de um cântico assustador ecoando pela ilha e a descoberta de uma caverna escondendo um ambiente preparado para a realização de cultos demoníacos, com um enorme pentagrama no chão e iluminação por tochas de fogo.  
O nome nacional “Despertar do Demônio” é oportunista e já entrega a temática do roteiro com uma conspiração satânica, e o filme também foi exibido na televisão com o título "A Cidade das Bruxas". Uma vez sendo uma produção para a televisão, quase não há violência e sangue, e o foco está na construção de uma atmosfera de suspense e mistério que lembra situação similar do clássico “O Bebê de Rosemary” (1968, de Roman Polanski). Apesar dos velhos clichês de filmes com seitas demoníacas e covil de feiticeiros, e da presença inevitável de previsibilidade nos eventos, temos aqui uma história que ainda consegue envolver o espectador com um clima de tensão crescente. Que ocorre na medida em que Linda desconfia do comportamento estranho dos habitantes da ilha, e decide investigar a história sinistra do lugar, descobrindo aos poucos a obscura verdade e reais intenções de seus moradores envolvidos com bruxaria.
“Se um mortal vir o local, deve ser sacrificado na primeira noite de lua cheia. Se o sacrifício não ocorrer à meia-noite, então qualquer pacto com Satanás será destruído.
(RR –22/05/17)

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* A Filha de Sarah (1994)
Entre 1996 e 1997 foi exibida na TV Bandeirantes a lendária sessão de cinema de horror “Cine Trash”, apresentada por “Zé do Caixão”. Entre as dezenas de filmes, “A Filha de Sarah” (Sarah´s Child, 1994), com direção de Ron Beckstrom, é um thriller sonolento que conta a história de uma mulher infértil e obcecada para ser mãe. Também foi lançado em vídeo VHS por aqui pela “Company”.
Sarah LaMere (Mary Parker Williams) é casada com Michael (Michael Berger) e eles decidem se mudar de uma cidade grande para uma pequena, morando de aluguel numa bela casa de arquitetura antiga, de propriedade da Sra. Margareth Franklin (Ruth Hale). Sarah é pintora de aquarelas e seu marido é um agente de seguros de carros, que abre um escritório na cidade representando uma grande empresa. O casal vive bem e é relativamente feliz, porém Sarah deseja ter filhos para aumentar a família e uma vez não tendo sucesso em seus planos, fica desesperada ao descobrir que sofre de infertilidade.
Seu relacionamento com o marido começa a se desgastar pela dificuldade em aceitar a impossibilidade de gerar filhos e as coisas complicam ainda mais depois que surge entre eles uma misteriosa criança chamada Melissa (Meagen Addie), que tem um comportamento estranho, não fala, não se sabe de onde veio e freqüenta a casa conturbando o ambiente, principalmente depois da ocorrência de acidentes mal explicados com o cachorro de estimação e com a Sra. Franklin. Sarah foi educada de forma rígida e religiosa aprendendo que a missão da mulher é procriar, e sua condição de infertilidade interfere em sua percepção da realidade mergulhando num pesadelo de insanidade, mesmo com as tentativas de ajuda do marido e apoio médico do psiquiatra Dr. Perry (Bryce Chamberlain).
“A Filha de Sarah” tem uma hora e meia de duração que se arrasta num ritmo lento e história pouco inspirada que não consegue manter o interesse do espectador. Os elementos de horror são muito sutis, representados pela figura misteriosa da criança que surge para influenciar no clima de tensão crescente entre o casal sem filhos. As poucas coisas que poderiam gerar algum interesse, na exploração de um mistério, demoram tanto para acontecer e ainda mais com um resultado tão trivial, que qualquer tentativa de apresentar elementos supostamente sobrenaturais perde seu efeito. E não poderíamos deixar de citar uma tentativa de humor forçado totalmente fora de contexto, envolvendo um enfermeiro patético que dança e faz palhaçadas no hospital onde Sarah fica internada. A cena tem um resultado estranho que não se encaixa na história.
(RR –29/05/17)

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* Ghoulies IV – Eles Estão Próximos! (1994)

Um pouco de magia negra, um pouco de couro preto... e muito humor negro – tagline promocional do quarto filme da franquia Ghoulies

Os ghoulies são pequenas criaturas bizarras oriundas de um universo sombrio paralelo e que acidentalmente entraram em nosso mundo. Remetendo-nos diretamente aos filmes das saudosas décadas de 80 e 90 do século passado, a ideia de criação desses pequenos demônios utilizou elementos similares de outros monstrinhos de divertidas franquias como “Gremlins” (que teve 3 filmes) ou “Critters” (com 4 filmes).
“Ghoulies” por sua vez teve 4 partes, sendo a primeira lançada em 1984 pela extinta produtora “Empire”, de Charles Band, seguida em 1988 por “Ghoulies 2” e em 1991 por “Os Ghoulies Vão Ao Colégio” (Ghoulies III: Ghoulies Go To College). Em 1994 foi lançado diretamente para o mercado de vídeo VHS o quarto episódio, que recebeu o nome nacional “Ghoulies IV – Eles Estão Próximos!” (distribuído pela “Warner” com um subtítulo totalmente desnecessário), dirigido pelo especialista em bagaceiras Jim Wynorski, dono de um currículo produtivo com mais de 100 filmes.
Nessa comédia com elementos de fantasia e horror, um ex-praticante de magia negra e agora detetive da polícia, Jonathan Graves (Peter Liapis), é o elo de ligação com o universo ficcional da franquia, sendo o mesmo personagem e ator do filme original de 1984. Ele tem em seu poder uma pedra vermelha mágica, a “joia do conhecimento”, procurada desesperadamente pela entidade maligna Fausto, que na verdade é a manifestação de seu lado negro, para poder entrar em nosso mundo.
Para alcançar seu objetivo, a criatura demoníaca utiliza os serviços da bela Alexandra (Stacie Randall), uma antiga namorada do policial que está vestindo roupas sensuais de couro preto, além de ter habilidades especiais em lutas e manuseio de armas, e que fugiu de um manicômio para roubar a pedra mágica. Ela enfrenta em seu caminho uma dupla de ghoulies trapalhões, interpretados pelos anões Tony Cox e Arturo Gil, que entraram acidentalmente em nosso mundo através da abertura de um portal dimensional. Para ajudar o policial e antigo ocultista surge também outra ex-namorada e parceira na polícia, a bela capitã Kate (Barbara Alyn Woods), e juntos eles tentam combater Alexandra e os planos maquiavélicos de seu mestre Fausto. Além de salvar a atual amante do policial, a prostituta Jeanine (Raquel Krelle), que tem a pedra mágica num colar pendurado no pescoço e por isso corre perigo de vida como vítima de um ritual satânico de sacrifício humano, e resgatar do limbo o também policial Scotty (Bobby Di Cicco), atual parceiro de Graves e que foi possuído pelas forças do além.
O roteiro de Mark Sevi é uma salada indigesta com tanta bobagem misturada que inevitavelmente contribui para o desinteresse e afastamento do espectador de qualquer tipo de entretenimento. Existem os filmes bagaceiros que divertem e tem também aquelas tranqueiras que entediam, sendo que essa quarta parte de “Ghoulies” se enquadra no segundo caso. Tem muitos momentos de comédia pastelão e não é todo mundo que aprecia isso, mesmo sendo um filme com elementos propositais de humor negro (reforçado na tagline promocional do filme, reproduzida no início desse texto). Principalmente nas cenas com os ghoulies patetas, que de bonecos com comportamentos malignos nos filmes anteriores, passaram para criaturas de boas condutas interpretadas por atores anões com máscaras extremamente toscas (eles falam, mas suas bocas praticamente não se mexem). Aliás, eles também andam tranquilamente pelas ruas de Los Angeles sem serem notados ou importunados, simulando de forma inverossímil que se escondem das pessoas, ou não despertando estranheza quando descobertos. Apenas nesse filme da franquia os ghoulies foram interpretados por atores, porque a produtora “Cinetel” não conseguiu utilizar os bonecos originais dos filmes anteriores.
Curiosamente, existem algumas cenas do filme original de 1984 apresentadas em flashback, e o desfecho de “Ghoulies IV” apresenta um gancho proposital onde as criaturas convidam o espectador para conferir a próxima aventura deles, mas o anunciado quinto filme da franquia nunca foi filmado.
(RR – 19/06/17)

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* A Maldição dos Brinquedos (1998)
Charles Band nasceu em 1951 nos Estados Unidos. Roteirista, diretor e produtor, ele fez parte, junto com seu pai Albert Band, da extinta produtora “Empire Pictures”, que foi a responsável por várias preciosidades como “A Hora dos Mortos-Vivos” (Re-Animator, 1985) e “Do Além” / “Possuídos Pelo Mal” (From Beyond, 1986), ambos baseados em histórias de H. P. Lovecraft. Após o encerramento das atividades da “Empire”, ele fundou a produtora “Full Moon Entertainment” e continuou lançando suas pérolas de horror e ficção científica como a imensa franquia “Puppet Master”.
“A Maldição dos Brinquedos” (Curse of the Puppet Master, 1998) é o sexto filme da franquia e foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Play Time”. Com direção de David DeCoteau, creditado como Victoria Sloan, a história é sobre o “cientista louco” Dr. Magrew (George Peck), que utiliza os conhecimentos de Andre Toulon, o famoso “mestre dos brinquedos” dos filmes anteriores, e mantém em cativeiro um grupo de bonecos vivos assassinos, apresentando-os num show bizarro como se fossem marionetes que se movimentam sozinhas misteriosamente.
Ele é obcecado em fazer experiências tentando transferir a alma das pessoas para dentro de bonecos, criando “brinquedos humanos” (daí a ideia da tagline “...A Experiência Humana”). Para isso, ele encontra o jovem Robert “Tank” Winsley (Josh Green), um rapaz tímido e sem família, que viveu num orfanato e trabalha num posto de gasolina. Ele sempre tem pesadelos e é constantemente ridicularizado por seus colegas, até ser convidado para trabalhar com o cientista depois de revelar que é um talentoso escultor de bonecos em madeira. Tank logo se apaixona pela bela filha do cientista, Jane Magrew (Emily Harrison), não imaginando os planos maquiavélicos de seu novo patrão. Enquanto isso, em paralelo o xerife Garvey (Robert Donavan) e seu assistente Wayburn (Jason-Shane Scott), estão desconfiados do trabalho sinistro do cientista e investigam o desaparecimento suspeito de seu antigo empregado.
O filme até diverte um pouco justamente pelos bonecos toscos e as cenas de mortes sangrentas, mas eles e os assassinatos somente entram em cena para valer a partir da metade da projeção. O roteiro tem muitos furos que podem ser notados sem esforço, validando o fato de que os realizadores não estão se importando muito com os espectadores e a qualidade da história. Quando Tank é apresentado para os bonecos vivos, ele não parece admirado com algo tão incomum. E o desfecho abrupto gera um inevitável desconforto, onde não esperávamos o corte brusco para os créditos finais. “A Maldição dos Brinquedos” foi filmado às pressas em apenas 8 dias e com a grande maioria das cenas dos fantoches sobrenaturais aproveitadas dos filmes anteriores, fazendo desse sexto capítulo da franquia apenas mais um produto comum e de fácil esquecimento.
Curiosamente, entre os bonecos assassinos que aparecem nesse capítulo da franquia, temos “Blade” (dublado no Brasil como “Lâmina”, que tem uma faca e um gancho no lugar das mãos) e “Six-Shooter” (“Seis Tiros”, um pistoleiro do velho oeste habilidoso com os revólveres). Além de “Pinhead” (“Cabeça de Alfinete”, que tem uma cabeça muito pequena e desproporcional ao tamanho do corpo, com sua força concentrada nas mãos enormes), “Tunneler” (“Tonelada”, que tem uma broca na cabeça e gosta de furar suas vítimas em imensos banhos de sangue), “Jester” (um comediante fantasiado como “o bobo da corte”), e “Sugismunda” (“Leech Woman”, uma mulher que tem sanguessugas na boca).    
A imensa franquia começou em 1989 com “Bonecos da Morte” (Puppetmaster) e teve mais dez filmes. Alguns foram lançados no Brasil e os títulos nacionais ruins contribuíram para uma enorme confusão e dificuldade num trabalho de catalogação. São eles: “O Mestre dos Brinquedos” (Puppet Master II, 1990), “A Volta do Mestre dos Brinquedos” (Puppet Master III: Toulon´s Revenge, 1991), “Bonecos em Guerra” (Puppet Master 4, 1993) e “Bonecos em Guerra – O Capítulo Final” (Puppet Master 5, 1994). Depois de 4 anos veio o filme analisado rapidamente nesse texto, seguido de “Retro Puppet Master” (1999), “Puppet Master: The Legacy” (2003), “Puppet Master: Axis of Evil” (2010), “Puppet Master X: Axis Rising” (2012), e “Puppet Master: Axis Termination” (2017).  
 (RR – 08/06/17)

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* A Noiva Assassina (1993)
Existe uma infinidade de filmes com histórias tão banais e comuns que assisti-los é um desgastante exercício de paciência. “A Noiva Assassina” (Praying Mantis, 1993) é uma produção para a televisão apenas recomendada para aqueles que estão dispostos a ver filmes ruins de suspense como simples curiosidade ou para conhecer tudo dentro do gênero, mesmo as porcarias que não divertem.
Com direção de James Keach, é um thriller básico, com história clichê e entediante, que foi lançado no Brasil em vídeo VHS pela “CIC” e lembra os tipos de filmes ruins exibidos na sessão “Supercine” da TV Globo. Uma suposta escritora, Linda Crandell (Jane Seymour), conhece um homem viúvo, Don McAndrews (Barry Bostwick), dono de uma rede de livrarias, e pai do adolescente Bobby (Chad Allen). Eles se apaixonam e decidem inicialmente morar juntos, e depois se casar, para o descontentamento da cunhada Betty (Frances Fisher), que desconfia do caráter da nova mulher.
Paralelamente, uma dupla de detetives do FBI, Johnson (Colby Chester) e Broderick (Michael MacRae), estão investigando uma série de assassinatos de homens logo após seus casamentos, e suspeitam que a autora dos crimes é sempre a mesma mulher, conhecida como “A Noiva Assassina” (do título nacional). Ou “Praying Mantis” (do título original), cuja tradução do inglês é o inseto “louva-a-deus”, que tem o hábito incomum das fêmeas matarem e devorarem os machos logo após o acasalamento. Enquanto os agentes da polícia tentam encontrar o rastro da assassina, a família de Don recebe sua nova namorada não imaginando o perigo e a ameaça mortal que se instalaria em sua casa.
O filme, carregado de clichês e situações previsíveis, não apresenta nada que já não se tenha visto antes em filmes de suspense com mulheres assassinas que demonstram perturbação, agressividade, ciúme exagerado e poder de manipulação, com um passado trágico na infância que influenciaria em sua personalidade doentia. Enganando todos a sua volta com falsas impressões de educação e bom caráter, e eliminando as pessoas inocentes que tiveram o infortúnio de cruzarem seu caminho, atrapalhando seus planos de vingança pessoal contra os homens. Dispensável.
Curiosamente, os atores Jane Seymour, Barry Bostwick e Frances Fisher são agora veteranos com extensas filmografias e carreiras bem sucedidas no cinema.
(RR – 04/06/17)

Comentários de Cinema - Parte 31


Filmes abordados:

Demônio, O Rei das Trevas (Prime Evil, EUA, 1988)
Espíritos do Demônio (Evil Spirits, EUA, 1990)
Hora do Terror, A (Witchcraft 7: Judgement Hour, EUA, 1995)
Maldição da Casa do Diabo, A (The Fall of the House of Usher, EUA, 1979)
Maldição de El Diablo, A (The Evil Below, EUA, 1989)
Maldição dos Espíritos, A (Spirits, EUA, 1990)
Marca do Vampiro, A (Pale Blood, EUA / Hong Kong, 1990)
Morada do Terror, A (Grandmother´s House, EUA, 1988)
Morte Veste Vermelho, A (I´m Dangerous Tonight, EUA, 1990)

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* Demônio, O Rei das Trevas (1988)
Tranqueira americana que recebeu o manjado e totalmente sem criatividade título nacional “Demônio, O Rei das Trevas” (Prime Evil, 1988), esse filme obscuro dirigido por Roberta Findlay foi lançado no Brasil em VHS pela “Alvorada”, numa época que nossas locadoras de vídeo eram infestadas de inúmeras bagaceiras descartáveis realizadas por desconhecidos e com elencos inexpressivos.
Durante a peste negra que arrasou a humanidade no século XIV, uma ordem medieval de monges renegados da Igreja Católica, uma vez revoltados contra Deus, criou uma seita satânica que realizava rituais de sacrifícios humanos de parentes de sangue em troca de longevidade e bens materiais. O culto demoníaco se manteve por séculos e as ações se voltam para o tempo presente (final da década de 80, época de produção do filme) na cidade de Nova York, liderado pelo sinistro padre Thomas Seaton (William Beckwith).
Um dos membros da seita é George Parkman (Max Jacobs), que precisa manter seu pacto com o diabo de longevidade e riquezas, além de interesses pessoais no controle do poder no culto. Ele planeja oferecer em sacrifício sua neta Alexandra (Christine Moore), que trabalha num abrigo para jovens delinquentes. Porém, mortes violentas de pessoas próximas dela despertam a atenção da polícia, sob a investigação do detetive Dann Carr (Gary Warner), e também de seu noivo Bill King (Tim Gail), que tenta protegê-la da conspiração demoníaca. Em paralelo, uma jovem freira, Irmã Angela (Mavis Harris), se oferece para ajudar a igreja se infiltrando na seita para tentar destruí-la.
O filme é uma tranqueira produzida diretamente para o limbo dos esquecidos. O roteiro é ruim, com uma história óbvia de seita satânica e sacrifícios humanos, apostando unicamente em velhos clichês do gênero. Como todo filme de horror bagaceiro, temos elementos que merecem citação como a presença de belas mulheres nuas oferecidas ao “rei das trevas” (do patético título nacional), algumas mortes com discretas doses de sangue (numa época sem os efeitos vagabundos de computação gráfica dos tempos modernos), e ainda a aparição rápida do próprio demônio em efeitos extremamente toscos, e por isso garantindo algum divertimento rápido. Tem também aquela atmosfera característica dos saudosos anos 80 que inevitavelmente torna o filme datado. De resto, o excesso de clichês, os atores medíocres e a história desinteressante fazem de “Demônio, O Rei das Trevas” apenas mais um filme descartável, que curiosamente foi lançado por aqui na saudosa época do mercado de home vídeo.
(RR – 19/02/17)

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* Espíritos do Demônio (1990)
Lançado no Brasil em VHS pela “NCA”, “Espíritos do Demônio” (Evil Spirits, 1990) é um típico filme do saudoso período entre as décadas de 80 e 90 do século passado, uma época infestada de produções situadas no sub-gênero “slasher”, com mortes violentas creditadas às ações de um assassino misterioso.
Com direção de Gary Graver, é apenas mais um filme mediano perdido numa imensidão de similares e esquecido no limbo, mas que tem uma vantagem significativa através de uma homenagem ao gênero na escolha de um elenco repleto de nomes nostálgicos como Karen Black, Michael Berryman, Virginia Mayo, Martine Beswick, Robert Quarry e Yvette Vickers, entre outros, que foram rostos conhecidos em diversas pérolas do cinema fantástico bagaceiro.
A misteriosa Sra. Ella Purdy (Karen Black, de “A Mansão Macabra”, 1976), é proprietária de uma pensão onde vivem beneficiários da Previdência Social, cujos cheques pagos pelo governo americano são depositados mensalmente em sua conta bancária. Entre os pensionistas estranhos, temos o escritor Sr. Balzac (Michael Berryman, de “Quadrilha de Sádicos”, 1977), um homem bizarro que gosta de observar os quartos vizinhos por orifícios secretos nas paredes; a sensitiva Vanya (Martine Beswick, de “Mulheres Pré-Históricas”, 1967), que gosta de realizar sessões espíritas; e o bêbado inveterado Willie (Mikel Angel, que também é o roteirista do filme), que é o responsável por algumas situações cômicas por causa do excesso de consumo de álcool. Temos ainda a bela jovem Tina (Debra Lamb), que é muda e fica dançando o tempo todo mostrando seu corpo escultural, e o casal de idosos recém chegados, John e Janet Wilson (Bert Remsen e Virginia Mayo, respectivamente), que logo se sentem desconfortáveis na nova moradia.
Os problemas se iniciam na ocorrência de assassinatos sangrentos na pensão, com os cadáveres sendo enterrados no quintal, exalando um odor pútrido que desperta a atenção de uma vizinha interpretada pela veterana Yvette Vickers (de bagaceiras divertidas dos anos 50 como “A Mulher de 15 Metros” e “O Ataque das Sanguessugas Gigantes”). O desaparecimento dos pensionistas também intriga o fiscal da previdência social Lester Potts (Arte Johnson), que decide fazer uma investigação particular.
“Espíritos do Demônio” é somente outro filme comum com mortes misteriosas e razoáveis doses de sangue com olhos perfurados, gargantas dilaceradas e golpes de machado na cabeça. A história não tem novidades e pelo contrário, está repleta de clichês e previsibilidade, características que inevitavelmente condenam o filme ao esquecimento. Porém, existe um diferencial que é o elenco de veteranos, pois além dos já citados na sinopse, ainda conta com nomes como Robert Quarry, que esteve em vários filmes preciosos como “Conde Yorga, Vampiro” (1970), “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972) e “A Casa do Terror” (1974). E Anthony Eisley, que fez apenas uma ponta como um detetive da polícia, e esteve nas divertidas tranqueiras “A Mulher Vespa” (1959), “Os Monstros da Noite” (1966), “Jornada ao Centro do Tempo” (1967) e “Dracula vs. Frankenstein” (1971).        
(RR – 18/02/17)
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* A Hora do Terror (1995)
Na época do mercado de vídeo VHS no Brasil foram lançadas muitas porcarias em nossas locadoras. Uma delas foi o sétimo filme de uma extensa série de tranqueiras cujo nome nos Estados Unidos é “Witchcraft”. Com o subtítulo original de “Judgement Hour”, aqui recebeu o título de “A Hora do Terror” (1995), um fato que apenas reforça a incrível a falta de criatividade dos responsáveis pela escolha dos nomes para distribuição no Brasil, contribuindo para confundir e dificultar um trabalho de catalogação ou a pesquisa dos colecionadores de filmes de horror. Cuidado para não se enganar com outro filme lançado por aqui com o mesmo nome, “The Midnight Hour” (1985).
Dirigido por Michael Paul Girard, que também fez a parte 9 da série (1997), temos uma história básica sobre vampirismo, totalmente inexpressiva, com clichês cansativos, previsibilidade, piadas idiotas, efeitos toscos e muitas cenas com mulheres peladas, que é a principal característica da imensa série. Poderíamos até interpretar que “Witchcraft” é uma série de filmes eróticos com elementos de horror.
Um obscuro empresário romeno tem a intenção de tomar o controle dos bancos de sangue nos Estados Unidos, enquanto belas mulheres são assassinadas apresentando estranhas marcas no pescoço. As misteriosas mortes despertam a atenção de um advogado, Will Spanner (David Byrnes) e de uma dupla de policiais de Los Angeles, os detetives Lutz (Alisa Christensen) e Garner (John Cragen), que partem para uma investigação, descobrindo as atividades de um antigo vampiro.
Nada se salva nesse filme, que é o exemplo típico de tranqueira descartável que não diverte e somente consegue depreciar ainda mais o gênero. O cinema de horror é tão maltratado com filmes ruins e a série “Witchcraft” contribui significativamente para denegrir essa imagem. O mais importante para uma chance mínima de sucesso num filme é a existência de um bom roteiro. Em “A Hora do Terror”, a história é péssima e os atores são inexpressivos. É apenas um filme com belas mulheres sem roupas. E talvez, citaríamos o vampiro transformado numa criatura tosca no ato final, devido exclusivamente aos efeitos extremamente bagaceiros.
Curiosamente, a série “Witchcraft” tem treze filmes produzidos pela “Vista Street Entertainment” e foi anunciado o lançamento de mais outros três. Alguns deles foram distribuídos pela “Troma”. O personagem Will Spanner aparece em quase todos eles, interpretado por vários atores diferentes. A parte 5 foi lançada em DVD no Brasil com o título “Dançando Com o Mal” (Witchcraft V: Dance With the Devil, 1993), que saiu em 2004 num DVD lançado em bancas de jornais e revistas num mesmo disco, junto com outro filme, “A Lenda da Múmia” (The Legend of the Mummy, 1997).
(RR – 26/02/17)
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* A Maldição da Casa do Diabo (1979)
O cultuado escritor americano Edgar Allan Poe (1809 / 1849) teve uma grande quantidade de seus contos transformados em filmes. “A Queda da Casa de Usher” é uma das histórias mais filmadas, com diversas versões. Entre as principais temos a produção francesa muda em preto e branco “La chute de la maison Usher”, dirigida por Jean Epstein em 1928, e a preciosidade “A Casa de Usher”, também conhecido por aqui como “O Solar Maldito” (1960), dirigido por Roger Corman e com o lendário Vincent Price. Porém, temos também outra versão, produzida especialmente para a televisão em 1979, fazendo parte do programa “Classics Illustrated”, sobre grandes obras literárias adaptadas para filmes, que recebeu o sonoro nome no Brasil de “A Maldição da Casa do Diabo” (The Fall of the House of Usher) quando lançado em vídeo VHS pela “Alvorada”.
Com direção de James L. Conway, essa versão televisiva apresentava o grande ator Martin Landau, dono de um currículo imenso com quase 180 filmes, no papel de Roderick Usher, um dos últimos remanescentes de uma antiga família proprietária de uma mansão gótica amaldiçoada, localizada numa região inóspita e evitada por todos chamada “Ravenshead Lake”, com um lago de águas podres, sem vida, cercado por uma floresta morta envolta em névoa espessa, transmitindo medo e insegurança constantes.
Com história ambientada em 1839, Roderick Usher é um homem portador de uma doença misteriosa hereditária e incurável que o torna extremamente sensível nos cinco sentidos, enfrentando dolorosas torturas por causa de ruídos e claridades, vivendo a maior parte do tempo enclausurado em seu quarto. Ele vive com sua irmã Madeleine (Dimitra Arliss), também terrivelmente doente e sofrendo de insanidade. A mansão centenária esconde segredos obscuros do passado da família Usher, envolvendo práticas de magia negra, bruxaria, idolatria satânica, rituais demoníacos, torturas e sacrifícios humanos, e suas imensas estruturas de pedra e madeira estão decadentes, mal conservadas, cheias de enormes rachaduras e em constante movimentação, ameaçando cair o tempo todo (daí o título do filme). Além deles, também é morador o mordomo Thaddeus (Ray Walston), que faz de tudo no mausoléu macabro, desde cozinhar até inspecionar as diversas salas e quartos imensos, com direito a passagens e túneis secretos para todos os lados. Seus antepassados sempre serviram a obscura família Usher, e ele sente-se preso ao sinistro lugar.
Para tentar ajudá-lo a impedir a queda da casa, Roderick chama seu único amigo de infância e que se formou em arquitetura e engenharia, Jonathan Cresswell (Robert Hays), que decide visitá-lo juntamente com sua recém esposa Jennifer (Charlene Tilton). Porém, após a chegada do casal as coisas sem complicam, a saúde dos irmãos amaldiçoados piora, a loucura se instaura no ambiente, passando uma atmosfera de horror, e mesmo com as tentativas de reforçar as estruturas da casa, suas paredes tremem assustadoramente, ameaçando a vida de todos.
Só pela história inspirada na obra de Edgar Allan Poe (mesmo já filmada várias vezes) e pela presença do ator Martin Landau, já vale a conferida desse filme que é especialmente indicado para os fãs do cinema de horror gótico, com o clima característico das produções inglesas da “Hammer”. Essa versão de “A Queda da Casa de Usher”, com esse título nacional oportunista envolvendo as palavras “maldição” e “diabo” no nome, não é tão famosa e cultuada quanto principalmente a versão da dupla dinâmica formada pelo cineasta Roger Corman e o ator Vincent Price. Porém, a diversão está garantida com todos os elementos típicos do horror gótico, e pela interessante história de loucura e maldição familiar. Com carruagens, floresta fantasmagórica, aldeões supersticiosos, mansão assombrada, ambientes escuros iluminados por velas, vultos ameaçadores ocultos nas sombras, gemidos agonizantes, mortos que levantam do caixão, instrumentos medievais de tortura usados para matar, e atmosfera sufocante do poder das trevas. 
“Todo ato abominável de degradação e horror, aconteceu aqui neste vil abismo do pecado” – Roderick Usher, sobre uma sala secreta para a prática de magia negra.       
 (RR – 27/02/17)
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* A Maldição de El Diablo (1989)
Algumas coisas são melhores deixadas sozinhas
A frase acima é uma tradução literal de uma tagline promocional do filme “A Maldição de El Diablo” (The Evil Below, 1989), e podemos alterar para algo como “Alguns filmes são tão descartáveis que não valem a pena assistir”. Lançado em vídeo VHS em nosso mercado pela “Top Tape”, o filme foi dirigido por Jean-Claude Dubois, em seu único trabalho.
Max Cash (Wayne Crawford) tem um barco e leva turistas para pescar em alto mar, auxiliado pela jovem assistente Tracy (Sheri Able). Endividado, ele aceita o convite de uma bela mulher, a professora de Arte Sarah Livingstone (June Chadwick), para alugar seu barco por uma semana na tentativa de localizar um suposto tesouro perdido num navio espanhol que naufragou em 1683. O navio carregava artefatos religiosos roubados por um grupo de padres hereges renegados do catolicismo, inspirados por Lucifer. Por causa disso, o navio afundado, conhecido por “El Diablo” (do título nacional), tinha fama de amaldiçoado e seu paradeiro no fundo do mar era desconhecido e protegido por um misterioso guardião sobrenatural, Adrian Barlow (Ted Le Platt). 
A ideia central do roteiro nem é tão ruim, com potencial para uma boa história. Porém, não é o que acontece com “A Maldição de El Diablo”, cujo título original numa tradução literal seria algo como “O Mal Abaixo”. O filme é arrastado e quase sem elementos de horror, perdendo a oportunidade de explorar melhor a lenda de um navio satânico maldito e as conseqüências para todos que se atreviam a tentar roubar seus tesouros. Tem poucas mortes e sangue, quase sempre fora da tela, e a parte “mistério sobrenatural” não consegue empolgar, num inevitável convite ao sono.
Curiosamente, no mesmo período foram lançados vários filmes com temática sub-aquática como por exemplo “Abismo do Terror” (Deep Star Six), de Sean S. Cunningham, e “Leviathan”, de George P. Cosmatos, que pelo menos divertem muito mais que a bagaceira analisada nesse breve texto.   
“Convém não mexer em certas coisas, senão você morre misteriosamente” – tagline promocional da fita VHS lançada no Brasil. Acho que ficaria melhor assim: “Convém não ver esse filme, senão você pode dormir de tédio.”
(RR –01/04/17)
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* A Maldição dos Espíritos (1990)
A frase acima é uma junção de duas taglines originais promocionais do filme “A Maldição dos Espíritos” (Spirits, 1990), lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Carat Home Video”. A direção é do veterano Fred Olen Ray, dono de um currículo imenso repleto de bagaceiras, e o elenco é liderado por Erik Estrada, da cultuada série de TV “CHiPs” (1977 / 1983), e por Robert Quarry, conhecido por vários filmes preciosos de horror como “Conde Yorga, Vampiro” (1970), “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972) e “A Casa do Terror” (1974).   
A história é manjada e já vista várias vezes em outros filmes. Um grupo de estudiosos de fenômenos paranormais vai investigar uma casa assombrada que tem um passado sinistro de mortes violentas. A equipe de investigação é formada pelo cientista Dr. Richard Wicks (Robert Quarry), a psicóloga descrente Beth Armstead (Kathrin Middleton), a médium sensitiva Amy Goldwin (Brinke Stevens, veterana atriz com carreira de mais de 150 créditos de tranqueiras diversas), e pelo membro da “Sociedade de Preservação Histórica” Harry Matthias (Oliver Darrow). O objetivo do grupo é obter provas da existência de espíritos (daí o título original), de vida após a morte, baseando-se em relatos sobre atividades psíquicas misteriosas no local e que resultaram em assassinatos.
A casa existe desde 1901 e seu morador original foi um expatriado francês místico e ocultista, que realizava rituais satânicos com sacrifícios de jovens virgens. Enquanto eles enfrentam a ira dos espíritos malignos que assombram a casa, um padre católico, Anthony Vicci (Erik Estrada), está atormentado pela perda da fé e por ter cometido pecados com uma bela mulher que viveu na casa maldita, sendo constantemente perturbado com visitas de demônios femininos, obrigando-o a se juntar ao grupo de investigadores para tentar combater o mal que habita a casa.
Primeiramente, não dá para deixar de citar a escolha do nome nacional do filme, apelando para o manjado “Maldição” no título, somando-se às dezenas de outros filmes que também tem essa palavra clichê em seus nomes, numa falta de criatividade imensa dos responsáveis por essa tarefa, os preguiçosos distribuidores dos filmes de horror que chegam ao Brasil.
“A Maldição dos Espíritos” é certamente um filme datado, nos remetendo imediatamente para os anos 80 e início de 90. Uma época sem a artificialidade da moderna computação gráfica, tanto que os efeitos das pessoas possuídas pelos espíritos malignos e demônios são tão toscos que divertem pela precariedade, com os atores maquiados e transformados em monstros. O filme tem um diretor de cinema bagaceiro, um nome associado ao gênero, e tem um elenco de atores cultuados pelos apreciadores de filmes de orçamentos menores. Apesar de que parece bem apelativa a exploração do nome de Erik Estrada, inclusive com um dos cartazes do filme estampando seu rosto, sendo que na verdade ele nem aparece tanto em cena, com o foco de boa parte das atenções para o grupo de estudiosos da casa assombrada.
O roteiro é um grande clichê, já explorado à exaustão pelo cinema de horror, onde podemos citar apenas por curiosidade os clássicos “Desafio ao Além” (The Haunting, 1963) e “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of Hell House, 1973), com histórias muito similares, também apresentando um grupo de pesquisadores que investiga as atividades sobrenaturais de uma casa com fama de maligna.
Depois dessa breve análise, o que podemos dizer é que o filme é indicado para quem aprecia bagaceiras oitentistas e se diverte com efeitos toscos, histórias rasas, clichês comuns e atores com imagens associadas às produções de orçamentos reduzidos.
(RR –26/03/17)
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* A Marca do Vampiro (1990)
Lançado em VHS no Brasil pela “Sato Comunicações”, “A Marca do Vampiro” (Pale Blood, 1990) é um obscuro filme de vampirismo totalmente datado, nos remetendo ao período de transição entre as décadas de 80 e 90 do século passado, uma época sem as facilidades do celular, da internet e dos efeitos artificiais de computação gráfica. Tudo é datado, desde a atmosfera, figurinos e trilha sonora, com várias músicas da banda americana de punk rock “Agent Orange”.
Numa co-produção entre EUA e Hong Kong e com direção de V. V. Dachin Hsu e Michael W. Leighton, a história é sobre a chegada aos Estados Unidos de um misterioso homem vindo da Europa, Michael Fury (George Chakiris), atraído pela ocorrência de estranhos assassinatos em série de mulheres, que apresentavam sinais de mordidas no corpo e com o sangue drenado, como se fossem atacadas por um vampiro. Ele solicita ajuda para investigar os casos, contratando uma bela jovem, Lory (Pamela Ludwig), representando uma agência de detetives. Ela é aficionada pelo tema do vampirismo, consumindo filmes e livros sobre o assunto. Em paralelo, um videomaker esquisito, Van Vandameer (Wings Hauser), contrata duas dançarinas de boate, Jenny (Diana Frank) e Cherry (Darcy DeMoss) para participarem de um filme erótico, e misteriosamente ele sempre aparecia nas cenas dos crimes para captar imagens. Com os principais personagens apresentados, a ideia é descobrir a autoria das mortes sangrentas e a possível relação com as ações de um vampiro.
Primeiramente, vale registrar uma crítica na escolha do nome nacional, que poderia ser uma tradução literal do original, algo como “Sangue Pálido”, uma vez que já existia um filme chamado “A Marca do Vampiro” (Mark of the Vampire), de 1935 e com o ícone Bela Lugosi, confundindo os colecionadores e apreciadores do cinema fantástico, e dificultando ainda mais um trabalho de catalogação.
Esse “A Marca do Vampiro” de 1990 não apresenta nada que já não tenha sido visto à exaustão em filmes de vampirismo, e sua existência praticamente significa apenas mais um produto dentro do tema e que foi criado para permanecer no limbo do esquecimento. A presença do ator canastrão Wings Hauser, um rosto conhecido em uma infinidade de produções bagaceiras, pode até ser um convite para conhecer o filme, mas a narrativa arrastada e os clichês por outro lado tendem a afastar o espectador.
Curiosamente, no quarto da jovem investigadora Lori, consumidora de produtos relacionados ao vampirismo, podemos notar a exibição do clássico “Nosferatu” (1922) na televisão, além de posters de cinema nas paredes, com destaque para uma foto do ator Bela Lugosi caracterizado como “Drácula” e o cartaz francês do filme “O Beijo do Vampiro” (Kiss of the Vampire, 1963) da lendária produtora inglesa “Hammer”. 
(RR –03/04/17)
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* A Morada do Terror (1988)
Com direção de Peter Rader, “A Morada do Terror” (outro título nacional oportunista e sem relação com o original) é de 1988 e foi lançado por aqui em VHS pela “Transvídeo”. A produção é do grego Nico Mastorakis, que também é conhecido pela direção de outras bagaceiras dos anos 1970 e 80 como “A Ilha da Morte” (1976),  “A Próxima Dimensão” (1984) e “The Zero Boys” (1986).
Depois da morte do pai dos irmãos adolescentes David (Eric Foster) e Lynn (a bela Kim Valentine), eles vão morar com seus avós numa casa de campo (daí o nome original “A Casa da Vovó”). São bem recebidos pelo avô (Len Lesser) e a avó (Linda Lee), mas depois que o garoto David testemunha um movimento suspeito deles com uma misteriosa e estranha mulher (a “scream queen” Brinke Stevens), ele passa a se sentir inseguro e desconfia que seus parentes mais velhos possam estar envolvidos em assassinatos.
Qualquer informação adicional pode ser considerada “spoiler” e comprometer a diversão do espectador, pois o filme é cheio de reviravoltas e revelações importantes ao longo da história. Temos um clima constante de suspense que consegue manter a atenção, apesar de que algumas situações inverossímeis ocasionalmente atrapalham o resultado final. Alguns personagens desaparecem por um tempo e reaparecem depois, numa manobra propícia para facilitar o trabalho do roteirista, porém prejudicando a coerência da história.
O filme tem pouco sangue, as mortes são discretas e as cenas de golpes com faca e machado não evidenciam o líquido vermelho, com as lâminas limpas mesmo após penetrarem repetidas vezes nos corpos das vítimas, numa falha grosseira que minimiza o grau de violência. Mas, ainda assim, “A Morada do Terror” consegue despertar o interesse com as reviravoltas na descoberta da verdade. A dupla de atores adolescentes cumpre bem o papel, principalmente o garoto Eric Foster, assumindo uma posição importante na história tentando entender a postura sinistra de seus avós e a real identidade da mulher misteriosa que surge para aterrorizar a casa. E o veterano ator Len Lesser (1922 / 2011) também se destaca no papel do avô com segredos obscuros do passado, numa interpretação assustadora e convincente.       
(RR –09/04/17)
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* A Morte Veste Vermelho (1990)
 “A Morte Veste Vermelho” é um filme que tem direção de Tobe Hooper, um cineasta com nome reconhecido no gênero principalmente pelo eterno clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). O elenco é formado, entre outros, por Anthony Perkins, o psicopata Norman Bates de “Psicose”, e Dee Wallace-Stone, atriz veterana e um rosto conhecido por preciosidades dos anos 80 como “Grito de Horror”, “E.T. – O Extraterrestre”, “Cujo” e “Criaturas”. Lançado em nosso mercado de vídeo VHS pela “CIC”, o filme realmente desperta a atenção por essas credenciais e só por esses nomes no projeto já valeria uma conferida. Mas, fora isso, não deixa de ser apenas mais um filme mediano de horror, produzido diretamente para a televisão, que diverte ligeiramente sem muita exigência.
Um caixão misterioso que era utilizado em rituais de sacrifícios humanos pelos antigos astecas é comprado ilegalmente por um museu. Em seu interior repousa a múmia de um sacerdote maligno, vestindo um manto cerimonial vermelho com poderes sobrenaturais. Após um incidente com morte, o manto vermelho vai parar dentro de um baú que foi comprado numa venda de garagem pela bela estudante Amy O´Neill (Madchen Amick), namorada do colega de escola Eddie (Corey Parker). Depois de transformado num belo vestido, aos poucos a jovem vai descobrindo que o estranho tecido vermelho exerce forte influência na personalidade das pessoas que o vestem, despertando agressividade e tendências assassinas em seus usuários.
Entre as vítimas gananciosas do manto estão Gloria (Daisy Hall), prima de Amy, e Wanda Thatcher (Dee Wallace-Stone), uma mulher envolvida com bebidas, drogas e prostituição e que se aproveita do vestido sobrenatural para se afundar ainda mais na criminalidade. Os assassinatos misteriosos despertam a atenção da polícia, sob a investigação do Capitão Ackman (R. Lee Ermey), que sempre está fumando, e também a curiosidade do sinistro Prof. Gordon Buchanan (Anthony Perkins), que está interessado no “Animismo” (a crença que objetos inanimados possuem uma essência espiritual), e consequentemente nos eventuais poderes do misterioso manto vermelho, com sua história sobre violência e mortes sangrentas.
Quem combate monstros deve se cuidar para não virar monstro. Quando você olha um abismo, o abismo também olha para você.” – Friedrich Nietzsche (1844 / 1900)
Dessa vez parece que o título nacional escolhido é até melhor que o original. “A Morte Veste Vermelho” soa bem e tem relações coerentes com a história, funcionando bem melhor que “I´m Dangerous Tonight”, que numa tradução literal seria “Eu Estou Perigoso(a) Esta Noite”, um título mais comum e sem impacto. O filme tem o diferencial pela direção de Tobe Hooper e elenco com Dee Wallace-Stone e Anthony Perkins, mas isso não é suficiente para torná-lo especial. A história, baseada num conto de Cornell Woolrich, até tem seus interesses, mas o resultado final é mediano, principalmente pelas doses discretas de violência. O desfecho apresenta um gancho que até poderia ser explorado para uma sequência, mas a ideia foi descartada.
(RR –12/04/17)

Comentários de Cinema - Parte 30


Filmes abordados:

Bonecas da Morte, As (The Psychopath, Inglaterra, 1966)
Criatura da Mão Azul, A (Creature With the Blue Hand / Die blaue Hand, Alemanha Ocidental, 1967)
Cruz do Diabo, A (La Cruz del Diablo / Cross of the Devil, Espanha, 1975)
Fantasma de Frankenstein, O (The Ghost of Frankenstein, EUA, 1942, PB)
Fantasmas Que Ainda Vagam (Ghosts That Still Walk, EUA, 1977)
Latidos de Pánico (Panic Beats, Espanha, 1983)
Sol (São Paulo, Brasil, 2017, curta-metragem independente 14 min.)
Uivo da Bruxa, O (Cry of the Banshee, Inglaterra, 1970)

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* As Bonecas da Morte (1966)
A produtora inglesa “Amicus” foi uma valiosa rival da mais cultuada “Hammer”, e sua lista de filmes do gênero fantástico têm quase três dezenas, presenteando os apreciadores do estilo com preciosidades como “As Profecias do Dr. Terror” (1965), “A Maldição da Caveira” (1965), “As Torturas do Dr. Diabolo” (1967), “A Casa Que Pingava Sangue” (1971), “Contos do Além” (1972), “A Casa do Terror” (1974), entre vários outros. E atores consagrados como Christopher Lee, Peter Cushing e Vincent Price fizeram parte de vários filmes da “Amicus”.
“As Bonecas da Morte” (1966) tem direção de Freddie Francis (1917 / 2007), um nome conhecido principalmente no cinema de horror das décadas de 1960 e 70, e o roteiro é de autoria de Robert Bloch (1917 / 1994), autor do livro que inspirou o clássico “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock.
Um grupo de músicos ingleses enfrenta a ira de um assassino brutal que tem a característica bizarra de deixar sempre uma boneca com a aparência da vítima nas cenas dos crimes, intrigando a polícia. Eles faziam parte de uma comissão aliada que julgava criminosos de guerra alemães após a Segunda Guerra Mundial, e escondia um segredo misterioso do passado.
O grupo era formado por Reinhardt Klermer (John Harvey), pelo aposentado Frank Saville (Alexander Knox), pelo escultor Victor Ledoux (Robert Crewdson) e pelo funcionário da embaixada holandesa Martin Roth (Thorley Walters). As mortes eram investigadas pelo Detetive Inspetor Holloway (Patrick Wymark), auxiliado pelo Sargento Morgan (Tim Barrett). E as suspeitas recaíram para a idosa cadeirante Ilsa Von Sturm (Margaret Johnston), colecionadora de bonecas, e seu filho Mark (John Standing). Eles tinham fortes motivos para vingança por causa do suicídio do patriarca da família, um industrial que foi preso por crimes de guerra julgados pela comissão formada pelos músicos, que alegavam que ele utilizava trabalho escravo em suas fábricas.
Outros suspeitos investigados pela polícia eram o casal formado por Louise Saville (Judy Huxtable), desenhista de bonecas e filha de um dos violinistas assassinados, e seu noivo Donald Loftis (Don Borisenko), um estudante de medicina.
O filme é uma tradicional história de detetive com elementos de horror em mortes “off screen”, com uma ideia central sobre assassinatos misteriosos cometidos por um psicopata (do título original), e uma árdua investigação policial analisando os suspeitos. Apesar da previsibilidade dos eventos, dos inevitáveis clichês e da narrativa lenta em alguns momentos, ainda temos uma atmosfera de mistério interessante com um clima sinistro envolvendo os assassinatos, além de desfecho memorável e perturbador. Indicado para os fãs dos antigos filmes ingleses da “Amicus” e “Hammer”.
 (RR – 16/01/17)
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* Criatura da Mão Azul, A (1967)
 “A Criatura da Mão Azul” é mais um filme que surpreendentemente foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS, distribuído pela obscura “MBA Home Vídeo”. Trata-se de uma produção da Alemanha Ocidental (na época conturbada dos anos 60 a Alemanha era dividida por questões políticas e a unificação somente ocorreu em 1990), com uma típica história de detetive com sutis elementos de horror nas ações de um assassino misterioso usando uma luva de ferro com dedos pontudos em lâminas afiadas para penetrar na carne de suas vítimas. Na Alemanha, esse sub-gênero de suspense policial é conhecido como “krimi”, equivalente aos “giallos” italianos”.
Essa arma conhecida como “mão azul” (do título), fazia parte de uma armadura medieval de guerra.  Curiosamente, podemos considerar essa ideia como precursora ou inspiração para a luva de facas do popular psicopata Freddy Krueger, criado pelo cineasta Wes Craven para a cultuada franquia “A Hora do Pesadelo”.
Com direção de Alfred Vohrer e Samuel M. Sherman (este não creditado), o roteiro foi baseado em história do escritor inglês Edgar Wallace (1875 / 1932), especialista em argumentos policiais e de mistério, e conhecido pela ideia conceitual do popular “King Kong”, o macaco gigantesco que apareceu em inúmeros filmes. Em “A Criatura da Mão Azul”, ambientado em Londres, Inglaterra, temos um homem condenado à prisão por assassinato, David Donald Emerson (Klaus Kinski), que alega inocência. Misteriosamente, ele é ajudado a fugir do manicômio judiciário dirigido pelo suspeito Dr. Albert Mangrove (Carl Lange), e retorna para a mansão sinistra de sua família rica, que fica nas proximidades do presídio.
Lá chegando, ele encontra seu irmão gêmeo Richard, que desaparece, assumindo seu lugar. Paralelamente, começa a ocorrer mortes misteriosas no interior do imenso casarão com estilo gótico, que é repleto de portas escondidas e passagens secretas para ambientes ocultos, com a identidade do assassino escondida por debaixo de um manto preto e utilizando a luva de pontas. Assustando seus moradores, como o aristocrático e igualmente enigmático mordomo Anthony (Albert Bessler) e os membros da família como a matriarca Lady Emerson (Ilse Steppat), e os irmãos do presidiário fugitivo, Robert e Charles (Peter Parten e Thomas Danneberg, respectivamente), além da jovem irmã Myrna (Diana Korner). As mortes em série despertam a atenção da polícia, sob a liderança das investigações pelo Inspetor Craig (Harald Leipnitz), da Scotland Yard, que recebe o auxílio esporádico de Sir John (Siegfried Schurenberg).
O filme tem um ritmo bastante ágil, com ações praticamente ininterruptas alternando momentos entre os ataques do maníaco e os assassinatos, com a condução das investigações da polícia, especulando a ideia de uma conspiração com vários suspeitos e a tentativa de surpresa na revelação da identidade da “criatura da mão azul”. Mas, tem algumas tentativas de humor que poderiam ser evitadas e a trilha sonora escolhida nas cenas de perseguição é muita estranha, minimizando a atmosfera de tensão. O grande nome do elenco, o polonês Klaus Kinski (1926 / 1991) poderia ser mais aproveitado, com maior presença apenas na primeira metade do filme. 
Curiosamente, recebeu outro nome alternativo, “The Bloody Dead”, que é um título exagerado e que seria mais apropriado para um filme de horror sangrento, que não é o caso aqui. Esse outro nome foi escolhido para o mercado americano de vídeo, numa versão com diferenças como cortes e também acréscimos de cenas adicionais, com redução na metragem final passando de 87 para 74 minutos (P.S.: aliás, essa versão reduzida é a que eu assisti).
(RR – 02/02/17)
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* Cruz do Diabo, A (1975)
Lançado em VHS no Brasil pela “Omni Vídeo”, “A Cruz do Diabo” (La Cruz del Diablo, 1975) é mais uma pérola do cinema bagaceiro espanhol da década de 70 do século passado. Foi dirigido pelo inglês John Gilling (1912 / 1984), o último filme de sua carreira significativa para o gênero, que inclui várias outras preciosidades. Como algumas produções da “Hammer”, “A Sombra do Gato” (1961), “A Serpente” (1966), “Epidemia de Zumbis” (1966) e “A Mortalha da Múmia” (também conhecido por aqui como “O Sarcófago Maldito”, 1967), além de “O Monstro do Raio Gama” (1956) e “A Carne e o Diabo” (ou “O Monstro da Morgue Sinistra”, 1960), este com Peter Cushing e Donad Pleasence. Aliás, conforme informado no site “IMDB” (Internet Movie Database), curiosamente John Gilling não tinha a intenção de dirigir “A Cruz do Diabo”, e quando estava de férias na Espanha foi convencido a assumir o projeto num convite do também cineasta Paul Naschy, um dos grandes nomes do gênero e com vasta filmografia e contribuição para a história do cinema de horror.
Um escritor e jornalista, Alfred Dawson (Ramiro Oliveros), vive na Inglaterra com sua namorada Maria (Carmen Sevilla). Fumante inveterado, viciado em ópio, ele tem pesadelos e alucinações constantes onde vê uma mulher sendo torturada por antigos templários da Idade Média. Ele viaja para Madri, Espanha, depois de receber uma carta de sua irmã Justine Carrillo (Monica Randall), que vive naquele país, casada com o Sr. Enrique (Eduardo Fajardo), um homem rico e bem mais velho que ela, pedindo a visita urgente do irmão por estar se sentindo ameaçada após o aborto do filho. Lá chegando, recepcionado pelo misterioso e suspeito Cesar del Rio (Adolfo Marsillach), secretário do Sr. Enrique, o escritor encontra a irmã morta e é informado que foi assassinada por um ladrão comum.
Porém, Alfred desconfia dos fatos e sente uma estranha atmosfera sobrenatural envolvendo a morte da irmã, decidindo investigar um lugar que abriga a “Cruz do Diabo” (do título do filme), localizado no “Monte das Almas”, onde ainda existem ruínas de um mosteiro que foi utilizado pelos templários. Segundo uma lenda a tal cruz foi forjada com o ferro da armadura do próprio diabo. Um território sinistro, temido por todos, e envolto em superstições que diziam que os cavaleiros medievais saíam de seus túmulos para praticar rituais de magia negra no “Dia de Todos os Santos”, numa vingança sangrenta contra quem invadia seus domínios.
“Os templários, membros de uma ordem militar da Idade Média. A missão da ordem era proteger os peregrinos que iam para a Terra Santa. Com o tempo, acumularam riquezas e poder, um poder maligno. Renunciaram ao catolicismo e se dedicaram aos rituais sombrios. Adoravam um ídolo chamado Baphomet. Espalharam-se pela Europa inteira e pela Espanha em particular. Porém, em 1312 a Ordem foi aniquilada.” – trecho de um livro sobre a história sangrenta dos templários.
Temos que agradecer o multifuncional espanhol Paul Naschy (também conhecido como Jacinto Molina) por ter convencido John Gilling a dirigir “A Cruz do Diabo”, tornando-se o último registro de sua carreira. Não que seja uma obra prima, pois é apenas mais um filme com elementos góticos que tem seu pequeno lugar na história do cinema de horror. Mas, porque foi uma oportunidade de Gilling encerrar suas atividades com um filme trazendo aquelas tradicionais características de horror sobrenatural onde não faltam ruínas macabras, uma floresta sombria envolta em neblina, carruagens como meios de transporte, candelabros e tochas para iluminação, mortos que deixam suas sepulturas para aterrorizar os vivos, e cenas de pesadelos perturbadores.
É verdade que temos alguns momentos com uma narrativa lenta que contribui para afastar o espectador da história. Mas, o desfecho com a dúvida sobre as ações do protagonista Alfred na busca pela verdade sobre o assassinato misterioso da irmã, numa confusão entre a realidade e as alucinações causadas pelo consumo de ópio, e os elementos góticos com a exploração do sempre macabro tema dos antigos cavaleiros templários em sua vingança sangrenta, desperta aquele esperado interesse nos apreciadores do estilo.      
(RR – 30/01/17)
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* O Fantasma de Frankenstein (1942)
A produtora americana “Universal”, assim como toda empresa que precisa lucrar para manter e continuar suas atividades, aproveitou a boa receptividade do público com a história do monstro de Frankenstein (criado pela escritora Mary Shelley em 1818) e explorou a ideia o máximo possível. “O Fantasma de Frankenstein” (1942) é o quarto filme da série, após “Frankenstein” (1931), “A Noiva de Frankenstein” (1935) e “O Filho de Frankenstein” (1939), sendo que nestes três filmes a criatura foi interpretada pelo lendário Boris Karloff (1887 / 1968), que não repetiu mais o papel. Em seu lugar foi escalado então outro ícone do cinema de horror, Lon Chaney Jr. (1906 / 1973), mais conhecido como o “lobisomem” no clássico de 1941.
Em “O Fantasma de Frankenstein”, dirigido por Erle C. Keaton, a história segue a partir dos acontecimentos do filme anterior, e o monstro estaria supostamente destruído, soterrado numa mina de enxofre debaixo da torre do cientista Frankenstein, e o ajudante Ygor, interpretado pelo húngaro Bela Lugosi (1886 / 1956), o eterno “Drácula” depois de surgir no filme homônimo de 1931, havia sido cravejado de balas. Porém, os aldeões do vilarejo estão descontentes com o declínio da região, alegando influência da maldição de Frankenstein. Nada prospera no local e então eles conseguem autorização das autoridades para explodir o castelo do “cientista louco”. Para a surpresa geral, encontram o manco Ygor ainda vivo e ele, depois da destruição do imenso casarão de pedras, localiza o monstro no subsolo, preservado pelo enxofre.
Ygor consegue resgatar seu companheiro e juntos fogem para a cidade de Visaria para procurar o outro filho de Frankenstein, o médico Ludwig (Cedric Hardwicke), especialista em doenças mentais. Após uma série de incidentes entre a criatura e os moradores da cidade, envolvendo também o promotor Erick Ernst (Ralph Bellamy), namorado de Elsa (Evelyn Ankers, filha de Ludwig Frankenstein), Ygor consegue convencer o também cientista e seu assistente ressentido Dr. Theodore Bohmer (Lionel Atwill), a realizarem novas experiências com o monstro, tentando trocar seu cérebro maligno. O Dr. Ludwig recebe também a influência de uma aparição do fantasma de seu pai, que aconselha não destruir a criatura feita de restos de cadáveres humanos.       
“No entanto, quase resolvi um problema que tem confundido o ser humano desde tempos imemoriais: o segredo da vida criada artificialmente” – fantasma do Barão Henry Frankenstein
Com fotografia em preto e branco e duração de apenas 67 minutos (era comum naquela época os filmes serem curtos), “O Fantasma de Frankenstein” desperta interesse quase que exclusivamente pela atmosfera gótica e pelos atores (Lon Chaney Jr. e Bela Lugosi sempre tiveram grande relação com o Horror). Enquanto Chaney continua fazendo do monstro de Frankenstein uma aberração assustadora, numa decisão acertada em manter os mesmos aspectos visuais da criatura dos filmes anteriores interpretada por Karloff, o sinistro Ygor de Bela Lugosi também continua convincente e de extrema importância para os rumos da história.
Por outro lado, o roteiro pouco contribuiu para esse universo ficcional já bastante explorado, mesmo em 1942. A necessidade de obtenção de lucros pelos realizadores pressionou os roteiristas, que por sua vez enfrentaram uma escassez de criação. Eles reciclavam as mesmas ideias, contando histórias similares com os descendentes do cientista, ressuscitando o monstro e outros personagens, e utilizando as mesmas motivações e elementos que caracterizaram os filmes anteriores. O ápice dessa falta de originalidade resultou em vários filmes “crossover” produzidos em seguida, misturando os monstros “Drácula”, “Lobisomem” e “Criatura de Frankenstein” numa mesma história, abandonando ainda mais qualquer regra de coerência. 
Por curiosidade, o filme recebeu primeiramente o título nacional “A Alma de Frankenstein” e depois também ganhou o mais apropriado “O Fantasma de Frankenstein”. Foi lançado em DVD tanto pela “Universal” quanto “Dark Side” num programa duplo com o filme anterior da série, “O Filho de Frankenstein”. E também sozinho, pela “Continental”.    
(RR – 05/02/17)
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* Fantasmas Que Ainda Vagam (1977)
Curiosamente, o mercado brasileiro de vídeo VHS, que iniciou seus lançamentos principalmente a partir de meados dos anos 1980, distribuiu por aqui vários filmes obscuros que normalmente apostaríamos que jamais fossem comercializados. É o caso da produção americana “Fantasmas Que Ainda Vagam” (1977), lançado pela D.I.V (Distribuidora Internacional de Vídeo), com direção e roteiro do desconhecido James T. Flocker.
Um adolescente de quinze anos, Mark Douglas (Matt Boston), está com fortes dores de cabeça e sua avó religiosa Alice (Ann Nelson) está tentando ajudá-lo a descobrir as causas. Depois de consultar um médico, ela é orientada a falar com a psiquiatra Dra. Sills (Rita Crafts), que estuda o caso e descobre uma série de incidentes estranhos com a família do garoto. Uma vez utilizando-se de hipnose descobre detalhes sobre um misterioso acidente com Alice e o avô do jovem doente, Harold (Jerry Jensen), que sofreu um ataque cardíaco depois de serem atacados por uma força sobrenatural enquanto viajavam pelo deserto num motorhome.
A psiquiatra se interessa mais pelo caso e descobre que a mãe do menino, Ruth (Caroline Howe), é uma escritora que estava trabalhando num livro sobre a história de uma antiga tribo indígena de mais de 500 anos. E que depois de resgatar uma misteriosa múmia índia de uma caverna, sofreu um colapso nervoso, intrigando a Dra. Sills e complicando progressivamente a solução da crise do garoto, que está piorando e se comportando estranhamente. 
“Fantasmas Que Ainda Vagam” certamente é um filme obscuro, pouco conhecido e que jamais imaginaríamos que fosse lançado em VHS no Brasil. A história até possui algum interesse, mesmo sendo um clichê já muito explorado, sobre um fantasma atormentado que aterroriza os vivos e está em busca de sua paz espiritual. Porém, a narrativa é bem arrastada na maior parte do tempo, num convite ao sono, apesar de algumas boas sequências de tensão como a cena do motorhome desgovernado em alta velocidade pelo deserto, controlado pelo fantasma. E o incrível ataque das pedras rolantes que se locomovem de forma ameaçadora pelas areias em direção ao motorhome das vítimas, numa longa sequência bem produzida, com efeitos convincentes numa época sem as facilidades da computação gráfica. Vale conhecer apenas pela curiosidade de um filme obscuro.    
(RR – 22/01/17)
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* Latidos de Pánico (1983)
 “Latidos de Pánico” (“latidos” em espanhol significa “batimentos cardíacos”) é um filme de horror “exploitation” de 1983, também conhecido pelo título em inglês “Panic Beats”. Foi dirigido e escrito pelo multifuncional Paul Naschy, que é o pseudônimo de Jacinto Molina Álvarez (1934 / 2009). Ele também é o ator principal e é considerado um nome cultuado no mundo do cinema de horror bagaceiro, com grande quantidade de créditos em sua vasta carreira.
Continuação da tranqueira divertida “El Espanto Surge de la Tumba” (1973), o roteiro volta a mencionar o temível Alaric de Marnac (Paul Naschy), um cavaleiro medieval com armadura que matou violentamente sua esposa por infidelidade (vista numa introdução de forte impacto de violência), além de ser conhecido por vários crimes hediondos, prática de bruxaria e por beber sangue humano. Segundo uma lenda, ele voltaria do mundo dos mortos a cada 100 anos para se vingar das mulheres da família Marnac.
Saltando no tempo para os dias atuais (década de 80 do século passado pela produção do filme), num pequeno vilarejo rural francês, próximo de Paris, somos apresentados para Paul Marnac (novamente Paul Naschy), que se muda para o interior justamente para preservar a saúde debilitada da bela e rica esposa Geneviéve (Julia Saly), que tem sérios problemas cardíacos. Ao chegarem à casa de campo do casal, eles são recebidos pela veterana governanta Mabile (Lola Gaos) e sua bela e jovem sobrinha Julie (Pat Ondiviela). Porém, uma sucessão de eventos estranhos e misteriosos, assassinatos violentos e traições constantes movimentam o ambiente instaurando o horror e manchando a casa com o vermelho do sangue.
Assim como os europeus Jesus Franco (1930 / 2013, também espanhol) e o francês Jean Rollin (1938 / 2010), realizadores muito produtivos, entre outros, com uma infinidade de trabalhos de direção, roteiro e atuação, é inegável também registrar a contribuição de Paul Naschy para o cinema fantástico bagaceiro. E em “Latidos de Pánico” não faltam todas aquelas características e clichês divertidos dos filmes de orçamentos reduzidos e história bizarras. Temos belíssimas mulheres nuas (especialmente Silvia Miró, que interpreta Mireille, uma amante de Paul Marnac), um assassino com luvas pretas, o casarão com atmosfera gótica, várias cenas sangrentas com mortes dolorosas em feridas gosmentas e tripas expostas, cadáveres putrefatos, e tudo sem a artificialidade do CGI, apenas com os nostálgicos, trabalhosos e sempre bem vindos efeitos de maquiagem.
É verdade também que o roteiro é extremamente previsível, onde sabemos sem esforço e com antecedência a sucessão dos eventos, porém a mistura de horror sangrento, com família amaldiçoada, fantasma vingativo, ganância do ser humano e conspirações, sempre desperta o interesse e garante a diversão.
Entre os destaques, temos o início ambientado no passado, com o sanguinário cavaleiro perseguindo uma mulher nua pela correndo pela floresta desesperada, as várias mortes sangrentas (principalmente os ataques com a arma medieval mangual, que rasga a carne e dilacera os ossos de suas vítimas), e o desfecho passado no interior de uma igreja, também carregado de muita violência.
(RR – 21/12/16)
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* Sol (2017)
O diretor e roteirista Carlos G. Gananian já nos presenteou com excelentes e muito bem produzidos curtas de horror como “Behemoth” (2003, sobre a evocação de uma entidade maligna), “Coagula” (2005, sobre as ações de um psicopata mascarado), e “Akai” (2006, sobre o tormento existencial de um vampiro), todos com produções caprichadas. Também faz parte de sua filmografia o curta de ficção científica “AM / FM” (2014).
Agora é a vez de “Sol” (2017), uma interessante história de possessão numa produção profissional, com grande quantidade de pessoas envolvidas no projeto.
Uma senhora religiosa, Solange (Thaia Perez), está sofrendo muito ao enfrentar uma situação bizarra que está acontecendo com seu marido Aristides (Ivan Giaquinto), encarcerado num quarto, ajoelhado num círculo desenhado no chão, as mãos amarradas, uma máscara cobrindo o rosto, agitado e balbuciando palavras estranhas. Sem se alimentar e com o corpo definhando perigosamente, ele é monitorado por dois padres. Um mais jovem, Dario (Lui Seixas), que está filmando o exorcismo, e outro mais experiente, Lucio (Plínio Soares), que tenta inutilmente expulsar o espírito maligno de sua vítima. Enquanto isso, para piorar ainda mais o cenário depressivo, vozes sinistras atormentam a Sra. Solange.
  Em apenas 14 minutos, Carlos G. Gananian e equipe conseguiram apresentar uma história perturbadora de horror sugerido, com uma atmosfera sombria explorando com maestria o velho clichê de possessão demoníaca. Sem gritarias, sangue em profusão ou violência exagerada, e apenas com eficientes efeitos sonoros e sugestões que evidenciam o poder avassalador do Mal. Altamente recomendável, tanto pela qualidade da produção como pela sutileza do roteiro.
 (RR – 20/01/17)
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* O Uivo da Bruxa (1970)
“No ouvido sobressaltado da noite, como eles gritam por seus temores! Aterrorizados demais para falar, a única coisa que podem fazer é choramingar, choramingar, fora do tom...” – Edgar Allan Poe
Baseado numa lenda irlandesa, “banshee” (do título original) é uma criatura sobrenatural invocada do inferno por magia negra, para executar uma vingança. “O Uivo da Bruxa” é um filme de horror gótico inglês da “American International Pictures” similar ao melhor estilo da produtora “Hammer”. Foi dirigido por Gordon Hessler em 1970 e tem na liderança do elenco o ícone eterno Vincent Price. Ele faz o papel do tirano inquisidor Lord Edward Whitman, que governa uma aldeia através da manipulação do medo, combatendo a bruxaria da época com julgamentos severos dos acusados e aplicação de penalidades violentas e dolorosas.
Ele persegue os seguidores de uma seita pagã, que realiza cultos na floresta e é liderada pela veterana Oona (a ucraniana Elizabeth Bergner). Muitos dos membros foram assassinados e em represália a bruxa convoca Satã para enviar um “banshee”, uma criatura sobrenatural que se apossa do corpo de um jovem, Roderick (Patrick Mower). O ser mitológico maligno então se vinga violentamente da família Whitman, formada ainda pela esposa infeliz do inquisidor, Lady Patricia (Essy Persson), e seus filhos Maureen (Hilary Heath), Harry (Carl Higg) e Sean (Stephan Chase).
Os moradores supersticiosos do vilarejo ouvem constantemente o uivo de um cão selvagem que aterroriza a região e mata as ovelhas, e sentem na pele as ações vingativas de um demônio invocado do inferno.
Em “O Uivo da Bruxa” temos uma história gótica com o tema de família amaldiçoada, enfrentando a fúria vingativa de uma criatura inumana. O roteiro de Tim Kelly e Christopher Wicking procura explorar a tensão constante do conturbado período de caça às bruxas na Europa do século XVI. Onde torturas dolorosas eram as punições comuns para obter confissões e delações, como podemos ver nas palavras de um inquisidor para uma mulher seguidora do culto pagão da “antiga religião”: “Podemos matá-la um minuto por dia durante um ano, ou tudo em um único minuto. Poupe-se da dor e diga-nos onde Oona está e prometo-lhe, você morrerá em paz.”
Vincent Price (1911 / 1993), um dos maiores e insuperáveis atores de horror de todos os tempos, repete o papel de um sádico tirano da Inquisição, assim como no filme anterior “O Caçador de Bruxas” (1968), Sua relação com o horror é tão sólida em incontáveis filmes preciosos para a história do gênero, que sua participação é a garantia do entretenimento.
O diretor alemão Gordon Hessler (1925 / 2014) tem no currículo filmes como “Embuste Diabólico” (1965), “O Ataúde do Morto Vivo” (1969) e “Grite, Grite Outra Vez” (1970), sendo os dois últimos também com Price.
Nos ataques do “banshee”, a criatura aparece pouco e seu visual é visto sempre rapidamente, numa aposta maior para a sugestão. Mas, ainda assim percebemos características que nos remetem para similaridades com lobisomens, em efeitos extremamente toscos de uma produção de baixo orçamento, garantindo a diversão dos apreciadores de cinema fantástico bagaceiro.
“Inglaterra no século XVI, uma época sombria e violenta. Bruxaria e os fantasmas da antiga religião ainda mantém o controle nas mentes das pessoas, preocupando tanto a Lei como a Igreja. Então quem pode ter certeza que isto é somente superstição primitiva e medo infantil?”
(RR – 17/12/16)