“A Galeria de Horrores do
Dr. Terror” (Gallery of Horror, EUA, 1967), também conhecido como “Dr.
Terror´s Gallery of Horrors”, é uma antologia com cinco histórias independentes
apresentadas pelo lendário ator John Carradine. Ele também atua no primeiro
conto e junto com o igualmente icônico Lon Chaney Jr., nomes eternamente
associados ao cinema de Horror, estampam os cartazes promocionais para garantir
maior visibilidade e chamar a atenção do público para o filme.
Com direção de David L. Hewitt,
que tem no currículo “The Wizard of Mars” (1965) e “Jornada ao Centro do Tempo”
(1967), o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas
automáticas em português. Sendo uma produção de orçamento pequeno, e apesar de contar
com nomes importantes do Horror no projeto, para baratear os custos alguns
atores do elenco interpretaram vários papéis diferentes nas histórias, que são
curtas, rápidas e previsíveis, abordando temas clichês dentro do gênero, como
bruxaria, vampirismo, cientista louco, zumbi e criatura de Frankenstein.
A primeira história chama-se “The
Witches Clock”, com um casal formado pelo escritor de mistérios Bob Farrell (Roger
Gentry) e sua esposa Julie (Karen Joy), que se muda para uma antiga mansão
sombria construída no século XVI, para servir de inspiração com sua atmosfera
sinistra para a criação de histórias. Ao chegarem eles conhecem o suspeito
empregado Tristan Halby (John Carradine) e exploram a casa encontrando um
misterioso relógio de parede no porão, onde descobrem através do médico do
vilarejo Dr. Barnaby Finchley (Vic McGee), que é um objeto amaldiçoado que
pertenceu a uma bruxa, Lucy Maylor, que faleceu em 1673 e tinha poderes
mágicos.
Em seguida vem “King Vampire”,
com um assassino em série em Londres matando suas vítimas e deixando marcas no
pescoço sugerindo a ação de um vampiro. A investigação policial é do inspetor
Marsch (Ron Brogan) e principalmente do detetive John Brenner (Ron Doyle). Eles
não conseguem desvendar o caso, mesmo com a ajuda da idosa Sra. O´Shea
(Margaret Moore), que teve um rápido contato com o assassino e revela que o
autor dos crimes é alguém com rosto de cadáver.
O terceiro episódio é “Monster
Raid”, com o cientista Dr. Charles Spalding (Ron Doyle, de novo) sendo enganado
pela esposa infiel Helen (Rochelle Hudson) e assassinado pelo amante Dr. Sevard
(Roger Gentry, novamente), que se apossa de sua descoberta científica. O
cientista tinha decidido ser cobaia de suas próprias experiências, mas morreu
numa overdose criminosa ficando em animação suspensa e transformando-se num
zumbi com o cérebro preservado e corpo apodrecido, e uma vez ajudado pelo
serviçal Desmond (novamente Vic McGee), abandona sua tumba para se vingar.
O penúltimo capítulo é “Spark
of Life”, ambientado na Escócia de meados de 1800 com o “cientista louco” Dr.
Mendell (Lon Chaney Jr.), que alega que a eletricidade é a principal força da
vida, capaz de rejuvenescer células mortas, com ideias inspiradas nos estudos
do Barão Eric Von Frankenstein. Ele é persuadido pelos estudantes de medicina
Dr. Cushing (uma homenagem ao lendário ator Peter Cushing, e interpretado aqui
novamente por Ron Doyle) e Dr. Sedgewick (Joey Benson) a realizar uma experiência
para reanimar o cadáver de um criminoso condenado à morte por assassinato, Amos
Duncan (Vic McGee, em seu terceiro papel), com um resultado catastrófico.
A última história foi anunciada
pelo narrador interpretado por John Carradine como “Count Alucard”, mas foi
creditada como “Count Dracula”. Apesar dos avisos dos aldeões supersticiosos de
um pequeno vilarejo com frases como “Quando o relógio bate meia-noite ninguém
se atreve a sair”, Jonathan Harker (Roger Gentry, ele de novo) vai visitar um
castelo no alto de um penhasco à beira do mar, habitado pelo sinistro Conde
Alucard (Mitch Evans) e a vampira Medina (novamente Karen Joy). Após mortes
misteriosas na região, os aldeões liderados pelo burgomestre (novamente Vic
McGee), decidem atacar o castelo com a ajuda de Harker, que por sua vez,
esconde um terrível segredo de todos.
Com apenas cinco dias de
filmagens (fato que ajuda a evidenciar a escassez de recursos da produção e explicar
a curta metragem dos episódios e suas histórias rasas), “A Galeria de Horrores
do Dr. Terror” (um título exageradamente sonoro para chamar a atenção do
público) foi lançado na mesma época de antologias similares produzidas pelo
estúdio inglês “Amicus” (rival da “Hammer”), como “As Profecias do Dr. Terror”
(1965), “As Torturas do Dr. Diabolo” (1967), “A Casa Que Pingava Sangue” (1971),
“Contos do Além” (1972), “O Asilo do Terror” (1972), “A Cripta dos Sonhos”
(1973) e “Vozes do Além” (1974).
De uma maneira geral, todos os
episódios são fracos, com histórias que apostam unicamente nos velhos clichês,
e por serem muito curtos tudo é contado rapidamente e sem profundidade. O que
garante alguma diversão para os apreciadores dos filmes bagaceiros de horror,
além da sempre bem-vinda presença de ícones como John Carradine e Lon Chaney
Jr., são os efeitos práticos toscos com as maquiagens e cenários, e a
tradicional atmosfera gótica do último episódio com um cemitério envolto em
névoa espessa, uma cripta com túmulos gelados e um grupo de aldeões furiosos
com tochas de fogo nas mãos, ávidos por encontrar e punir o responsável por uma
ameaça sobrenatural.
(RR – 01/09/26)

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