A Criação dos Humanoides (The Creation of the Humanoids, EUA, 1962)

 


"Eles conversaram e discutiram durante anos, tentando encontrar uma maneira de impedir a guerra atômica, mas falharam. Ninguém pode ter certeza de quem começou, e na verdade isso não tem importância. Aconteceu mesmo. A Guerra Atômica. Foi breve, durou cerca de 48 horas. Em 2 semanas, 92% da raça humana havia perecido devido às bombas e à radiação. Aqueles que restaram ficaram com uma taxa de natalidade abaixo de 1,4% e tiveram que recorrer a dispositivos de automação robótica para ajuda-los a reconstruir suas cidades e manter um alto padrão de vida. Os primeiros passos exploratórios no desenvolvimento de cérebros eletrônicos foram dados antes da guerra atômica. Esses primeiros modelos eram volumosos e exigiam grandes edifícios para abriga-los, mas precisavam apenas de alguns ajustes. Um dos primeiros passos foi o duplicador neural integrador magnético, um dispositivo com 1% do tamanho de uma bola de golfe, que duplicava partes do sistema nervoso humano e realizava processos de aprendizagem. A automação também estava bem encaminhada. No entanto, esses dois elementos eram complexos e precisavam de mais desenvolvimento antes de poderem ser unidos em robôs...”

 

A Criação dos Humanoides” (The Creation of the Humanoids, EUA, 1962), com direção de Wesley Barry e roteiro de Jay Simms, baseado em livro de Jack Williamson (não creditado), é um filme de Ficção Científica que explora as consequências de uma hipotética terceira guerra mundial com bombas atômicas de destruição em massa, produzido durante o conturbado período de guerra fria entre os Estados Unidos da América e a antiga União Soviética, uma época ameaçadora para a continuidade da raça humana.

 

Disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português, a história futurística é ambientada no século XXIII e após o holocausto nuclear que quase acabou com o planeta, surgiu uma nova sociedade com os humanos convivendo com robôs humanoides de pele azulada e olhos metálicos que foram criados para servir, e que periodicamente precisam de recarga em estações chamadas de “templos”, onde também interagem com um computador central.

Um grupo de homens liderados pelo Capitão Kenneth Cragis (Don Megowan), insatisfeitos com os robôs por cada vez mais serem parecidos com os humanos, se reúne numa organização chamada “Ordem da Carne e do Sangue”. Eles não gostam dos androides por serem máquinas de lógica infalível, memória perfeita, incansáveis e condicionados para evitar raiva e violência, temendo que eles possam dominar o mundo.

A posição de liderança do Capitão Cragis passou a ser questionada depois que sua irmã Esme (Francis McCann) assumiu um relacionamento com o humanoide Pax (David Cross), e também após segredos obscuros virem à tona sobre a sua vida e a de Maxine Megan (Erica Elliott), amiga de Esme que trabalha com Ciências Políticas e a mulher por quem ele se apaixonou.

Por fim, as coisas complicam ainda mais depois que os membros da organização descobrem que o cientista Dr. Raven (Don Doolittle) desenvolveu uma forma de transferir as memórias e personalidades de pessoas falecidas para réplicas robóticas com aparência humana perfeita, e que uma dessas réplicas provou o “gosto por sangue” após cometer assassinato, quebrando a Primeira Lei da Robótica (criada pelo escritor Isaac Asimov), onde robôs não poderiam ferir os humanos.

 

Com um roteiro exagerado em diálogos filosóficos, “A Criação dos Humanoides” tem efeitos práticos e cenários coloridos típicos de uma produção de baixo orçamento de Ficção Científica dos anos 50 e 60 do século passado, e para quem aprecia esses filmes bagaceiros divertidos o destaque são os interessantes robôs parecidos com humanos, com pele azul e olhos prateados.

Entre as curiosidades, quando é mostrado o design dos primeiros robôs desenvolvidos, um deles é o mesmo que foi utilizado como o invasor alienígena no filme “A Invasão dos Discos Voadores” (Earth vs. The Flying Saucers, 1956). E a maquiagem dos humanoides foi criada por Jack Pierce, mais conhecido por seu trabalho com monstros em vários filmes da produtora “Universal”, especialmente a criatura de Frankenstein, interpretada pelo lendário Boris Karloff.

 

(RR – 20/08/26)