Sangue das Virgens (Blood of the Virgins, Alemanha Ocidental, 1967)


 

“O tempo não faz diferença para os mortos.”

– Conde Frederic Regula

 

Sangue das Virgens” (Blood of the Virgins, 1967) é um filme de horror gótico produzido na Alemanha Ocidental (o país era dividido entre Ocidental e Oriental até 1989). É um daqueles filmes com uma infinidade de títulos alternativos. O original alemão “Die Schlangengrube und das Pendel” pode ser traduzido como “O Poço das Serpentes e o Pêndulo”, pois a história tem um pouco de inspiração no famoso conto homônimo de Edgar Allan Poe, na questão de uma câmara de torturas com um pêndulo mortal. E entre os vários nomes em inglês temos “The Blood Demon”, “The Torture Chamber of Dr. Sadism” ou “The Snake Pit and the Pendulum”. No Brasil recebeu também o título alternativo “O Passado Tenebroso”.

Dirigido por Harald Reinl, o elenco tem a presença marcante como sempre do icônico Christopher Lee (o eterno “Drácula” da produtora inglesa “Hammer”), no papel de um vilão sádico assassino de mulheres. O filme está disponível no “Youtube” em inglês com a opção de legendas automáticas em português.

 

No interior da Alemanha do século XVIII, o Conde Frederic Regula (Christopher Lee) foi preso e condenado à morte pelo assassinato cruel com torturas físicas de doze mulheres jovens e virgens, com o pretexto de obter imortalidade através do sangue das vítimas. Seu reinado de horror foi interrompido antes de matar a décima terceira prisioneira em seu sinistro “Castelo de Andomai”, localizado no “Vale Sander”, no alto de uma montanha, sendo executado de forma dolorosa por esquartejamento, amarrado em quatro cavalos que arrancaram seus membros.

Trinta e cinco anos depois, ele retornou do mundo dos mortos em busca de completar seu plano maquiavélico de ritual de sangue e imortalidade e também para se vingar dos descendentes do promotor que o condenou e da vítima que conseguiu escapar de suas garras no passado. São eles, o advogado Roger Mont Elise (Lex Barker) e a pianista Baronesa Lilian von Brabant (Karin Dor), que são convidados ao castelo do Conde Regula, acompanhados de Babette (Christiane Rucker), a serva da baronesa, e do falso Padre Fabian (Vladimir Medar), que se junta a eles no caminho.

No castelo em ruínas, o grupo é recepcionado pelo sinistro Anatol (Karl Lange), um antigo servo do conde, que também voltou do mundo dos mortos, e todos são mantidos em cativeiro numa masmorra no porão e terão que lutar pela sobrevivência numa terrível câmara de torturas medievais.

 

Para quem aprecia filmes de horror sobrenatural e gótico, “Sangue das Virgens” é altamente recomendado, não pela história mirabolante repleta de furos e clichês que só facilitam o trabalho do roteirista, mas pela overdose de elementos de horror, com cenários e efeitos práticos bagaceiros extremamente divertidos, sem a artificialidade da computação gráfica e com muita atmosfera sombria. Tem os aldeões supersticiosos e apavorados quando são questionados onde fica o sangrento “Castelo de Andomai”; uma floresta fantasmagórica noturna com névoa e cadáveres nas árvores mortas; uma caverna forrada com crânios humanos nas paredes; imensas portas que rangem; um calabouço sombrio com diversos aparelhos de tortura; um laboratório de “cientista louco” cheio de tubos de ensaios e balões volumétricos com líquidos coloridos e borbulhantes; um poço com serpentes; e até um pêndulo gigante e afiado para rasgar a carne da vítima, numa referência ao conto de Poe.

É pena que o personagem de um falso monge, na verdade um ladrão interesseiro, parece que foi inserido na história como alívio cômico, destoando do clima mórbido de horror. Mas, em compensação, tanto o servo Anatol quanto principalmente o Conde Regula, são sinistros de gelar a espinha. Christopher Lee está ótimo interpretando um vilão frio e assassino calculista, que deveria aparecer mais em cena, surgindo na introdução e depois somente após uma hora de projeção, quando retornou dos mortos para sua vingança.  

 

(RR – 12/06/26)