“Beijos
te darei, frios como a lua, e carícias trêmulas e lentas, como uma serpente que
se contorce desenterrando um túmulo.” – poeta Gustavo Augusto Bécquer
“O Santuário de Lorna Love” (Death at Love House, também conhecido
pelo título alternativo The Shrine of Lorna Love, EUA, 1976) é um telefilme de
horror, mistério e suspense exibido originalmente na rede norte-americana “ABC”
no programa “ABC Movie of the Week”.
O “Filme da Semana” ficou
conhecido pela grande quantidade de joias da televisão com elementos
fantásticos como “A Fazenda Crowhaven”, “Escravos da Noite”, “Encurralado”, “O
Grito do Lobo”, “A Força do Mal”, “O Amuleto Egípcio”, “Os Demônios dos Seis
Séculos”, “A Morte Numa Noite Fria”, “O Triângulo do Diabo”, “Trilogia do
Terror”, e muitos outros.
Foi exibido nas telinhas brasileiras e tem metragem curta com apenas 74
minutos para se adequar ao formato de TV. Com direção de E. W. Swackhamer e
produção dos especialistas Aaron Spelling e Leonard Goldberg, o filme tem um
elenco de rostos conhecidos como Robert Wagner (série “Casal 20”) e Kate
Jackson (série “As Panteras”), além de participações de veteranos renomados
como John Carradine. Para a sorte dos apreciadores desses filmes rápidos que
passavam na televisão e para despertar aquele sentimento agradável de nostalgia
do passado, também está disponível no “Youtube” em
inglês com a opção de legendas automáticas em português.
Um casal de escritores formado por Joel (Robert
Wagner) e Donna Gregory (Kate Jackson), e com o apoio do agente literário Oscar
Payne (Bill Macy), está trabalhando no projeto de um livro sobre uma atriz
famosa do passado, Lorna Love (Marianna Hill), que morreu há 35 anos num
acidente misterioso com incêndio em sua mansão em Beverly Hills, onde seu corpo
embalsamado está em exposição num santuário localizado num belo e imenso
jardim.
Depois de descobrir que seu pai, um importante
pintor de quadros, foi amante da atriz, Joel e a esposa consegue autorização
para visitar a casa e se hospedarem para realizar pesquisas e entrevistas com
pessoas ligadas à bem-sucedida carreira artística de Lorna Love. A mansão é
administrada pela misteriosa governanta Clara Josephs (Sylvia Sidney) e entre
os entrevistados estão o ressentido diretor de cinema Conan Carroll (John
Carradine), a atriz rival Denise Christian (Dorothy Lamour) e a presidente do
antigo fã-clube, Marcella Geffenhart (Joan Blondell).
A partir daí fatos estranhos começam a ocorrer. Joel
encontra vários livros de ocultismo na biblioteca e Donna por sua vez encontra
um punhal de rituais de magia. Ela também tem visões com uma mulher sinistra num
vestido branco andando pelo jardim e nos cantos escuros da casa. Para aumentar
ainda mais a atmosfera tensa, ocorrem mortes misteriosas com a presença de uma
pessoa com luvas pretas e capa com símbolos de bruxaria. E Joel começa a mudar
seu comportamento progressivamente tornando-se obcecado e enfeitiçado pelo
fantasma psicótico de Lorna Love, que pode ainda estar assombrando a
mansão.
Como quase todos esses filmes curtos da “ABC Movie
of the Week”, “O Santuário de Lorna Love” é bastante divertido, desde o elenco com
rostos conhecidos das telinhas, ou com participações especiais de atores
expressivos, passando pelas histórias simples e cheias de clichês, mas sempre
interessantes e bem-vindas. Devido ao formato de produção para a TV, as cenas
de mortes ou com elementos de horror são apenas insinuadas, sem sangue ou
violência exagerada. Aqui não é diferente, com o roteiro investindo numa
narrativa mais cadenciada e atmosfera sombria construída com sutileza,
apostando sempre no clima de mistério de uma mansão com um passado trágico.
É pena que o ícone do Horror John Carradine tenha
apenas uma pequena participação como um cineasta amargurado que trabalhou com a
atriz Lorna Love no passado, mas seus poucos minutos em cena são significativos
como sempre, com importância destacada na história e agregando valor ao filme.
Curiosamente, Kate Jackson esteve em outros dois
“filmes da semana” com elementos fantásticos, “Escola de Meninas” (1973) e “Abelhas
Assassinas” (1974).
“Kisses will I give thee, chill as the
moon, and caresses shuddening and slow, as a writhing serpent uncoiling a
tomb.”
(RR – 09/06/26)
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