O lendário ator Christopher Lee é principalmente
conhecido como o vampiro “Drácula” da produtora inglesa “Hammer”, além de
inúmeros outros papéis importantes que o tornaram eternamente reconhecido no
cinema de Horror e Ficção Científica.
Mas, ele também tem filmes bagaceiros no currículo.
Em especial, ele informou que foi enganado por seus produtores quando aceitou
participar da tranqueira “O Dia do Juízo Final” (End of the World, EUA, 1977), pensando que seria
um filme com boa produção e a presença de outros atores renomados como John
Carradine e José Ferrer.
Porém, é apenas mais um com baixo orçamento perdido
no limbo dos filmes esquecidos, produzido por Charles Band (que mais tarde criaria
os estúdios “Empire” e “Full Moon”), dirigido por John Hayes (de “O Túmulo do
Vampiro”, 1972) e com um roteiro extremamente raso de Frank Ray Perilli.
O filme foi lançado no Brasil em mídia física VHS
pela “Zircon Films” e também está disponível no “Youtube” numa versão original
em inglês com a opção de legendas automáticas em português.
O padre Pergado (Christopher Lee) está desorientado
após testemunhar a estranha morte do dono de uma lanchonete e vai até um
convento de freiras que foram substituídas por clones alienígenas, encontrando
também uma cópia de si mesmo, o extraterrestre Zindar, que pretende destruir a
Terra.
Enquanto isso, o cientista e estudioso de
comunicação espacial Andrew Boran (Kirk Scott) está trabalhando em seu
laboratório com computadores enormes repletos de botões (típicos dos anos 70 do
século passado), quando recebe misteriosos sinais do espaço sideral que
coincidem com a ocorrência de vários desastres naturais no planeta, como um
terremoto na China e uma erupção vulcânica na África.
Junto com sua esposa Sylvia (Sue Lyon), eles decidem
investigar por conta própria e encontram uma relação entre os sinais e o convento,
onde descobrem uma sala com aparelhos tecnológicos avançados, um centro de
comando de computadores operado pelos alienígenas liderados por Zindar, vindos
de um planeta utópico sem guerras ou conflitos, e que pretendem destruir a
Terra por ser considerada uma ameaça de contaminação e doenças para os outros
planetas da galáxia.
Porém, os invasores do espaço precisam de um “Cristal
de Variância” guardado em segurança na NASA para poder retornar ao seu planeta
e exigem do cientista o roubo do artefato, antes de concluir a missão da
extinção da humanidade e o fim do mundo “do título original”.
“O Dia do Juízo Final” é uma tranqueira com uma
história clichê que vale conhecer exclusivamente pela presença sempre
diferencial de Christopher Lee, que apesar de considerar o filme ruim e de ter
sido enganado, seu trabalho é muito profissional e sua interpretação do
alienígena invasor é digna como sempre e salva o filme da mediocridade em todas
as suas aparições, que infelizmente são poucas.
De resto, a narrativa é arrastada demais,
principalmente com o cientista e sua esposa, que ficam boa parte do filme
investigando os misteriosos sinais de forma entediante e cansativa,
contribuindo para a desatenção do espectador ávido apenas pelas cenas com
Christopher Lee.
Vale apenas para os apreciadores do cinema bagaceiro
de horror e ficção científica que gostariam de ver Lee curiosamente num filme
menor, mesmo que para isso tenham que suportar o tédio em boa parte do filme,
que para compensar e fugir um pouco do convencional, tem até um desfecho
pessimista.
(RR – 05/06/26)
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