“A guerra entre o Oriente e o
Ocidente, que já dura trezentos e vinte e seis anos, finalmente chegou ao fim.
Não há mais nada com que lutar, e poucos de nós sobraram para lutar. A
atmosfera ficou tão poluída com germes mortais que não pode mais ser respirada.
Não há nenhum lugar neste planeta que seja imune. A última fábrica sobrevivente
para a fabricação de oxigênio foi destruída. Os estoques estão diminuindo
rapidamente. E quando eles se forem, devemos morrer.”
O dramático texto acima é uma reprodução
de um pequeno discurso apocalíptico dos “anéis falantes” (narração de Paul
Frees, não creditado), uma tecnologia futurista apresentada no filme “A Máquina
do Tempo” (The Time Machine, EUA, 1960), produzida e dirigida por George
Pal, inspirada no livro homônimo de Herbert George Wells (1866 / 1946), lançado
em 1895. A humanidade sempre demonstrou grande preocupação com um futuro de
guerras com armas de destruição em massa, utilizando essa temática incontáveis
vezes no cinema. Aqui não é diferente, com um futuro sombrio, confirmando a
tendência histórica da nossa espécie em efetivar sua autodestruição, com um
passado e presente de guerras constantes, pois nosso planeta esteve, está e
parece que sempre estará envolvido em conflitos armados.
O filme é um clássico de Ficção Científica
sempre lembrado e associado à nostálgica “Sessão da Tarde” da TV Globo, de uma
saudosa época de exibição de filmes icônicos na televisão como “O Dia Em Que a
Terra Parou” (1951), “Planeta Proibido” (1956), “A Guerra dos Mundos” (1954), “Planeta
dos Macacos” (1968), “Viagem Fantástica” (1966) ou “Viagem ao Centro da Terra”
(1959), entre tantos outros. Com duração de 1h43min, foi lançado no Brasil em
mídia física DVD em 2002 pela “Warner” e também está disponível no “Youtube”
com a dublagem clássica da “Herbert Richers”.
Em 31/12/1899 na Inglaterra, o inventor H.
George Wells (Rod Taylor) está empenhado numa pesquisa sobre o tempo e tem
grande curiosidade pelo futuro e evolução da humanidade, com a esperança do fim
das constantes guerras que sempre fizeram parte da história da nossa espécie. Numa
reunião com seus amigos, o comerciante David Filby (Alan Young), o médico Dr.
Philip Hillyer (Sebastian Cabot) e os empresários Anthony Bridewell (Tom
Hellmore) e Walter Kemp (Whit Bissell), ele explica sobre as tradicionais três
dimensões da matéria, comprimento, largura e altura, e informa que a quarta
dimensão, o tempo, também pode ser controlada.
E para provar aos amigos céticos e
desconfiados, ele diz que construiu uma máquina do tempo (semelhante a um
trenó), tornando-se mais tarde secretamente um viajante voluntário. Sua
aventura começa se deslocando para o futuro, passando pelos anos de 1917 e
1940, épocas das duas guerras mundiais, e parando momentaneamente em 1966, onde
depara-se com uma guerra atômica de grande destruição, obrigando as pessoas a
se refugiarem em abrigos subterrâneos. Fugindo do caos, o viajante do tempo
aciona uma alavanca na máquina e vai parar no distante ano de 802.701, onde
encontra um mundo com seus habitantes divididos em duas sociedades muita
distintas: na superfície termos humanos jovens e belos conhecidos como “eloi”,
pacatos e apáticos, que vivem sem preocupações e responsabilidades; e no
subsolo temos humanos mutantes, criaturas canibais deformadas e agressivas
identificadas como “morlock”, que vivem na escuridão numa cidade subterrânea.
George conhece a bela “eloi” Weena (Yvette
Mimieux), por quem se afeiçoa, e depois que ela é sequestrada pelos habitantes
do subsolo com um destino terrível, e sua máquina do tempo também é capturada, o
inventor vindo do passado longínquo decide reagir num inevitável confronto com os
“morlocks”.
“A Máquina do Tempo” é um filme com história
extremamente divertida através das aventuras do viajante do tempo explorando o
futuro da raça humana e se decepcionando com os cenários repetitivos de
guerras. E certamente o maior destaque fica por conta dos efeitos especiais
práticos (vencedor do cobiçado Prêmio “Oscar” de 1961), muito impressionantes
para o público daquela época, sem o auxílio de computação gráfica, e ainda significativos
para os dias atuais com a disponibilidade de tecnologias avançadas para a
criação dos efeitos visuais.
Em 2002 teve uma refilmagem dirigida por
Simon Wells, bisneto de H. G. Wells, com elenco liderado por Guy Pearce e com o
veterano Jeremy Irons.
Aliás, o famoso e cultuado escritor de FC
teve inúmeras de suas obras adaptadas para o cinema com filmes como “Daqui a
Cem Anos”, “A Guerra dos Mundos”, “A Ilha do Dr. Moreau”, “Os Primeiros Homens
na Lua”, “O Homem Invisível”, “A Fúria das Feras Atômicas”, entre outros.
(RR
– 30/04/26)




